E Agora?
14 Capitulo 14 - Preso no Armário
Notas iniciais

E Agora? — Cap14
“Olá voltei, o Camus tá descansando um pouco, se é que vocês me entendem?”
“Hum... deixa eu ver onde paramos... Ah, sim!"
O final de semana com o Camus na casa dos avós da Marin foi sem dúvida um dos melhores da minha vida, até então. E lá pude ter a certeza que eu amava o Camus, que queria passar toda minha vida ao lado dele. Tá, eu sei que vocês devem estar pensando... "Com dezesseis anos o que esse garoto sabe da vida?" realmente não sabia nada, mas aquela certeza morava dentro de mim, eu queria o Camus junto a mim, para sempre.
Voltamos pra casa mais apaixonados que antes, e eu com mais tesão e vontade de transar com ele... Sei que prometi para o Camus ter calma e esperar o momento dele, mas não prometi que não ia tentar de todas as formar, vai que o momento dele chega e ele, distraído não percebe? Eu tinha que tá ali lembrando a ele, não é?
Nós vivíamos nos agarrando, ou melhor, eu vivia agarrando o Camus. Quando estávamos na minha casa eu sempre mantinha a porta do meu quarto trancada pra poder ficar bolinando ele em paz.
Certa vez minha mãe veio me perguntar por que a porta vivia trancada e eu, com a maior cara de pau, coloquei a culpa na Sônia.
— Mãe, ela não deixa a gente em paz, atrapalha quando a gente tá estudando e principalmente quando a gente tá jogando. — Expliquei com minha cara de anjo, acho que minha mãe acreditou, mas ainda assim, me deu uma leve bronca.
— Milo, você tem que ter mais paciência com sua irmã, ela é pequena e precisa de você! — Mamãe disse antes de sair, olhei para o Camus que estava tentando disfarçar o constrangimento pela situação. Pelos Deuses, ele ficava lindo sem graça daquele jeito quando era criança, e ainda fica até hoje.
— Camus, relaxe, está tudo bem. — Falei tentando acalmá-lo, ele concordou com a cabeça e voltou a prestar atenção nos livros, estávamos estudando, e agora com o campeonato de vôlei estourando por ai, tínhamos pouco tempo para ficar juntos e “estudar” juntos era a saída.
— Ela vai acabar descobrindo, Milo, temos que ser mais cuidadosos. — Camus falou sério e acrescentou: — Agora vamos estudar.
Não demorou muito para que minha mãe entrasse no quarto novamente e nos viu estudando comportados. — Milo, estou indo ao mercado, vou levar Sonia comigo para que vocês possam estudar em paz.
Precisei que usar de todo meu autocontrole para não fazer aquela cara de alegria de quando nosso time ganha, sabe?
— Tá bom, mãe. Ei, traz doritos pra mim! — Lembrei a ela.
Assim que ela saiu, olhei para o Camus com um olhar ferino.
— Nem vem, Milo, a gente tem que estudar! — Meu ruivo falou fazendo doce, acho que ele tinha um prazer a mais em me ver implorar.
Não preciso dizer que não demorou nem dois minutos e nós já estávamos aos beijos na minha cama.
— Milo, isso é loucura, daqui a pouco sua mãe volta. —Camus reclamou entre um gemido e outro.
— O que eu posso fazer Camus? Não consigo me manter longe de você, já tinha tesão em você antes de saber o gosto da sua boca e o cheiro da sua pele. — Falei trabalhando rápido com minhas mãos, acariciando seu corpo e puxando seu pau para fora da bermuda.
— Milo! —Camus quase gritou de susto, mas ele era um tímido hipócrita, pois eu sei que ele gostava e não fazia o menor esforço para sair dos meus braços.
— Shhhhh, relaxa e vamos aproveitar que temos pouco tempo. — Aconselhei já beijando sua boca enquanto manuseava seu pau, e esfregava o meu nele.
Logo tirei o meu pra fora da minha calça e coloquei a mão do Camus em cima para que ele me masturbasse também, essa "troca de favores" já estava virando uma rotina nossa, sempre que estávamos a sós nós fazíamos isso.
“Bater punheta, descabelar o palhaço, tocar uma” etc... É muito bom, mas ter uma mão amiga fazendo esse trabalho é muito melhor, a sensação de prazer que eu tinha sempre que sentia os dedos do Camus se fechando em volta do meu pau era incrível.
Poderia ficar ali durante horas, mas sabia que logo minha mãe estaria de volta, então pra variar, tomei o controle da situação.
Deitei em cima de Camus fazendo com que nossos sexos se tocassem, ambos gememos de prazer, eu fiquei ali roçando nossos falos como uma luta de espadas, até que peguei os dois paus em minha mão e comecei uma masturbação mútua.
Não sei o que era mais prazeroso, sentir o contato com o pau do Camus roçando no meu, ouvir seus gemidos abafados, ou ver seu corpo se contorcendo sobre o meu.
Puta que pariu, eu estava tão apaixonado, ainda estou e sempre estarei, mas me dar conta desse amor ali aos dezesseis anos era tudo muito mais intenso.
Eu gemia olhando para Camus que estava se contorcendo, mas quando ele notou meu olhar também começou a me encarar sem deixar de gemer.
Acelerei os movimentos e o Camus gemeu mais alto eu tive que beijar sua boca para conter seus gemidos.
Logo senti seu corpo convulsionar, não demorei a segui-lo num intenso orgasmo, sujando nossas barrigas, uma vez que já cientes da bagunça e sujeira que fazíamos, nós tínhamos tirado as camisas antes dos amassos.
Não tivemos tempo de relaxar, escutamos a voz da minha mãe conversando com uma vizinha na frente de casa, nos pulamos da cama eu o limpei com uma camisa velha e a joguei no meu guarda roupas, mesmo assim fomos ao banheiro usar um pouco de sabão, não sabíamos se era impressão nossa, mas porra ou sêmen, como o Camus gosta de dizer, tem um cheiro forte tínhamos porra em dose dupla ali.
Nos limpamos na pia do banheiro, vestimos as camisas correndo e sentamos na minha escrivaninha pouco segundos antes de Sônia vir bater na porta do quarto.
— Ei, Milo, por que você trancou a porta? Eu nem estava aqui! — Minha irmãzinha perguntou alto o suficiente pra minha mãe escutar e subir até o meu quarto também, ela entrou e ficou nos olhando esperando uma resposta quando o Camus com seu jeito blasè começou a falar sem tirar os olhos do livro de biologia.
— Ah! Sônia, desculpa, foi minha culpa dessa vez, desci para beber água e quando voltei tranquei a porta já no automático, de tanto o Milo pedir para fazer isso. — Ele levantou os olhos do livro e continuou. — Desculpe, meu anjo.
Eu estava passado com a cara de pau do meu namorado, procurei não olhar nos olhos da minha mãe, sei lá, mães nascem com um sexto, sétimo ou décimo sentindo para descobrir as coisas no ar e eu não queria que descobrissem nada sobre nós, caso contrário acabaria a nossa privacidade, isso é fato!
— Camus, vamos voltar ao estudo? Essa porra de “azinho e azão” ó coisa complicada! — Falei mostrando o caderno para o Camus.
Minha mãe continuou nos observando com olhos estreitos, e depois chamou a Sônia para sair do quarto. — Milo, olha esse seu palavreado, e Sônia venha ajudar a mamãe a guardar as coisas. — Elas saíram e fecharam a porta.
Eu e o Camus nos olhamos e suspiramos, caramba... foi por pouco.
*-*-*-*-*
Como eu e o Aioria prevemos, nós estávamos quase sem tempo livre, todos nossos esforços estavam voltados para o campeonato de vôlei. Chegamos a perder algumas aulas, não ficávamos com falta, mas era do nosso interesse repor a matéria perdida e sempre era o Camus o nosso salvador.
Claro que com a presença do Aioria, eu sempre me comportava, pelo menos até o nosso amigo sair.
Mas nós estávamos apaixonados e queríamos nos ver todo o tempo, nem que fosse apenas para estarmos perto um do outro, não perdíamos uma oportunidade sequer.
— Vamos garotos, vamos! Vencemos dois jogos, mas ainda teremos algumas pedreiras pela frente! — Shion falava enquanto eu e os caras corríamos em volta da quadra.
Já tinha acabado o horário das aulas é nós ainda estávamos treinando, com certeza iríamos para casa almoçar e voltaríamos à tarde para mais uma rodada de treinos.
Vi o Camus sentado num canto das arquibancadas, ele estava lendo alguma coisa, com certeza já havia se livrado do clube de ciências dele.
Eu fiquei olhando para ele, meu namorado, não conseguia evitar... eu estava apaixonado.
— Milo, olha o ritmo da corrida. — Avisou o Shion e fingi estar distraído.
— Ah! Desculpa. — Pedi e voltei a correr, até que tive uma ideia e comecei a mancar.
— Ai, ai, ai! — Reclamei.
— O que foi agora? — O professor me perguntou nervoso.
— Câimbras! — Eu respondi, observando que o Camus nos olhava atento.
— Vá para o chuveiro, Milo, e coma potássio! — Shion falou e se virou para os caras que continuaram os exercícios, ouvi o Argol resmungar alguma coisa, mas não prestei atenção.
...
Estava no vestiário quando o vi chegando.
— Milo, tá tudo bem? — Escutei a voz que eu amava. — Você teve câimbras novamente?
Sorri e preparei o “ataque”. — Ai, Camus tô aqui. — Falei atraindo sua atenção, e quando ele chegou perto dei o bote o prensando contra o meu armário e beijando sua boca.
— Milo! Que diabos pensa que está fazendo? Alguém pode nos ver! — Camus conseguiu dizer quando finalmente ele se livrou do meu ataque.
— Já foram todos pra casa Camus, e o pessoal do time ainda tá treinando, relaxa. — Falei o beijando novamente, era engraçado que por mais tenso que o Camus tivesse eu sempre conseguia o fazer amolecer com meus beijos, e ainda consigo!
Ouvimos um barulho vindo de fora, pensei ser o pessoal do time, não pensei direito apenas empurrei o Camus para dentro do meu armário e fechei a porta.
— Milo! — Ouvi o Camus resmungar, mas apenas fiz sinal para que ele ficasse quieto, na verdade tive medo que os caras do time o vissem ali, tive medo que descobrissem sobre nós.
Quando vi o Argol entrando pela porta senti muita raiva, mas me contive até que ele, cheio de marra, veio me perguntar.
— Onde está o Camus?
— O quê?
— O Camus, eu o vi vindo atrás de você, cadê ele?
O que aquele empata estava querendo com o MEU Camus? Meu sexto, e até mesmo sétimo, sentido começaram a piscar em alerta.
— O que você quer com o Camus? — Perguntei já irritado.
— O que eu quero com o Camus... eu quero com o Camus não é da sua conta, não te diz respeito! — Aquele idiota me respondeu sem dar o menor valor à vida.
— Pois quero que você fique longe dele! — Avisei com os olhos estreitos e a voz mansa, eu realmente não estava brincando.
O imbecil apenas sorriu debochado antes de me desafiar. — E se eu não quiser ficar longe dele, você vai fazer o quê?
— Ahhh! Argol não brinca comigo e não paga pra ver, vai ser bem dolorido pra você, só te digo isso. — Tornei a avisar, mas dessa vez aprumando o corpo em desafio, e aquele bastardo não se intimidou, ficou me peitando.
Foi quando os caras do time entraram no vestiário, Aioria, Sirius, Siegfried e Aldebaran pararam ao ver que eu e o paspalho do Argol estávamos nos encarando de forma nada amigável.
— Eita! O que tá acontecendo aqui? — Ouvi o Sirius perguntar e como não houve resposta o Aioria veio até nós se colocando no meio.
—Ei, ei, ei, vocês dois, sem brigas, principalmente aqui dentro, o Shion expulsa vocês do time. — Acho que o receio da expulsão foi o que nos despertou, o Argol abaixou a guarda primeiro, e eu abusado com sou segui dando o aviso.
— Se eu ver você perto dele, o tempo vai fechar pra você.
— Perto dele quem? De quem vocês estão falando? — O Sirius perguntou.
— Do Camus o namoradinho do Milo. — O Argol falou com desdém, mas cheio de controvérsias, pois logo emendou. — Fico longe se eu quiser!
Quis dar um soco nele e o Aioria me segurou.
— Para com isso, Milo!
— Ahhhh fala sério, vocês tão brigando por causa de homem? Vocês são viados por acaso? — O Sirius perguntou, vi que o Aioria me sinalizou negando com a cabeça, dizendo para que eu não falasse nada, e observei o Sieg que também me olhava tenso, com certeza ele sabia também, já que o Camus contou pra linguaruda da Hilda.
— Não, claro que não, que ideia tá maluco? — Neguei sentindo um mal-estar por fazer aquilo. — Esse imbecil que fica perseguindo meu amigo.
— Eu vi o Camus entrando aqui, só te perguntei cadê o cara! Você que ficou todo nervosinho. — O Argol rebateu.
Aioria notou algo que o Argol não havia notado ainda, os livros do Camus em cima do banco em frente ao meu armário, meu amigo me olhou nos olhos e depois olhou para meu armário como se entendesse o que estava acontecendo ali.
Tenso Aioria falou. — Chega de conversas vamos embora, vamos, vamos. — Ele tentava tirar os caras de dentro do vestiário.
— Nem vem, eu vou tomar banho antes de sair. — O Sirius falou tirando a roupa e seguindo para a ducha. — Não acredito que vocês estavam brigando por causa de macho, francamente! Tá proibido viados no time! Odeio essa raça.
Ao ouvir as palavras homofóbicas do Sirius fiquei puto, mas não falei nada, pois pra minha surpresa foi o Argol quem rebateu. — Vai se foder, Sirius! Você não manda no time.
— Ihhh... já vi tudo, você tá querendo pegar o Camus? E eu achando que você implicava com ele por não gostar do cara e não porque tinha tesão reprimido. — Zombou o nosso sacador.
— Vai se fuder, Sirius! Fica na sua seu otário! — Gritou o Argol novamente e comecei a perceber que o Sirius tinha razão, o Argol era a fim do Camus.
Camus, que por sinal ainda estava preso dentro do armário e eu não podia tirá-lo dali, não naquele momento.
O Sirius começou a gargalhar na cara do Argol, como se matasse a charada também. — Olha, Argol, eu particularmente acho o Camus bonito, a bunda dele é uma coisa de louco, afinal, quem aqui nunca olhou praquela bunda? — Ouvi o Aldebaran dar risadinhas, o Aioria e o Sieg estavam quietos, talvez por saberem do meu relacionamento com o Camus. — Quem sou eu pra te julgar? Felicidades ao casal! — O Sirius continuou e o Argol foi pra cima dele, o Aldebaran junto com o Sieg os seguraram para que não brigassem ali.
Eu estava vermelho de raiva, primeiro com Argol por ter a cara de pau de gostar do meu Camus, e depois com o Sirius por ter falado daquele jeito da bunda do Camus.
Aquela bunda tinha dono!
Vendo minha cara enfezada o Aioria falou ao meu ouvido. — Fica na sua, pra eles irem embora logo. — Meu amigo me lembrou do fato de que o Camus estava preso lá no armário.
Não tardou para o Shion aparecer na porta do vestiário, aqueles imbecis estavam fazendo muito barulho!
— Mas que merda está acontecendo aqui? — O professor perguntou da porta sobressaltando todos nós.
— Esse cara é um cuzão do caralho! — O Argol gritou dos braços do Sieg.
— Você é um viado enrustido. — O Sirius gritou de volta.
— Muito bem, os dois estão suspensos do time! Quero os dois na minha sala, agora! — Intimou o professor para os dois e depois de virou para nós e ordenou. — Vocês saiam daqui agora que eu vou trancar a porta, não quero mais vandalismo aqui.
Meu coração falhou uma batida com aquela ordem e eu procurei os olhos do Aioria aflito.
— A gente vai pagar pelos erros desses idiotas? — Perguntei nervoso.
— Vão! — Shion respondeu curto e grosso.
O professor ficou parado na porta esperando todo mundo sair. — Puta que pariu eu preciso voltar lá, eu preciso tirar o Camus de lá! — Falei pro Aioria e pro Siegfrid logo que deixamos o prédio.
— Tirar o Camus de onde? — O Sieg perguntou confuso.
— Prendi o Camus no armário. — Falei envergonhado.
— Como? — Perguntou o Aioria, que ao invés de me ajudar ficava perguntando idiotices.
— Ele foi me ver depois do treino e acabei o prendendo no armário. — Repeti nervoso.
— Milo, você sabe que isso não faz sentido, não sabe? — O Aioria continuou a me azucrinar.
— Inferno Aioria, eu tava agarrando ele, quando o cretino do Argol entrou e me assustei e joguei o Camus no armário, tá legal? — Já estava mal o bastante sem que o Aioria precisasse me lembrar disso.
— Cara, você sabe que isso foi desnecessário, não sabe? — O Aioria continuou e o Sieg sorriu.
— Vai se fuder, Aioria! Eu preciso tirar o Camus de lá. — Reclamei mais uma vez.
— Certo, certo, a gente vai pensar em alguma coisa. — O Aioira finalmente falou algo que me ajudasse. — Já sei, a gente pode ir pelo jardim, e fazer uma escada humana, eu, você e o Sieg.
— Isso! Daí eu entro no vestiário pelo basculante e liberto o Camus. — Concluí o pensamento do Aioria
— Ou você pode ir até a sala do Shion e pedir a chave dizendo que esqueceu alguma coisa lá dentro. — Tornou Sieg direto.
Eu e o Aioria ficamos olhando para ele e concordamos a ideia dele, era menos romântica, contudo, mais simples e infinitamente mais fácil de executar.
...
— Eu devia expulsar vocês do time, já disse que não tolero esse tipo de coisa. — O professor Shion estava ralhando com os dois “filhos da puta”, escutei do lado de fora da sala, as paredes era finas e o professor não estava falando baixo.
— Não, professor expulsão não, foi uma brincadeira boba, não era pra chegar nesse ponto. — Ouvi o Sirius debatendo.
— Sim, nos castigue de outra forma que não prejudique o time, não seria justo. — O Argol argumentou.
— Certo, vamos aos castigos, Sirius você vai ficar responsável pela limpeza da quadra durante o próximo mês, vai ficar responsável pela rede e por todo material que usarmos. — O Shion falou e eu imaginei a cara de deboche que o Argol deve ter feito, pois o Shion logo emendou. — E você Argol, vai ficar responsável pela limpeza do vestiário.
Antes que os dois começassem a resmungar eu bati na porta.
— Professor com licença me desculpe por interromper, mas eu deixei meus cadernos no vestiário, saí com pressa. — Falei com um sorriso amarelo.
O Argol estreitou os olhos pra mim, mas ele não podia dizer nada, não naquele momento em que ele estava encrencado.
O professor resmungou algo sobre não esquecer a cabeça porque tá grudada e me jogou a chave peguei e sai correndo com Aioria e Sieg ao meu lado.
Abri a porta do vestiário e corri para o meu armário, quando abri a cena que vi me cortou o coração, o Camus estava lá sentado abraçado os seus joelhos, por sorte ele sempre foi magrinho e conseguiu ficar lá dentro sem maiores problemas.
Quando seus olhos encontram os meus eu pude ver que os dele estavam úmidos.
— Camus... — Chamei seu nome e o ajudei a levantar e a sair do armário. — Camus me perdoe, eu ouvi o Argol chegando e me assustei... Me perdoe.
Eu pedi enquanto o abracei, notei que o Aioria e o Sieg se olharam e num acordo mudo saíram nos dando privacidade.
— Camus, você tá sentindo alguma coisa? — Perguntei aflito ele não falava nada, só mantinha a expressão séria. — Camus.
— Eu não quero viver um armário, Milo, não quero ter que me esconder das pessoas, fingir que o que elas dizem não me atinge. —Camus falou decidido.
— A gente não vai viver num armário Camus, prometo! — Falei sincero. — Eu te amo de uma forma que nunca pensei que poderia amar alguém, só não saio de mãos dadas com você agora e te beijo no pátio do colégio por causa do seu pai.
— Mas você vai estar preparado para receber essas ofensas? Vai estar preparado para ataques homofóbicos como esse? —Camus me perguntou e eu não sabia o que dizer, achava que sim, mas não sabia se de fato estava pronto pra isso.
Então o abracei novamente sem dizer uma só palavra e ficamos assim um tempo.
— Camus, quando formos adultos, assim que a gente fizer dezoito anos, a gente conta pra todo mundo, eu prometo, mas agora tenho medo do seu pai tirar você de mim. — Voltei a falar com sinceridade então beijei sua boca de forma urgente, mas logo fomos interrompidos por nossos amigos.
— Ei, vocês dois, vamos logo, daqui a pouco o Shion vem atrás de nós. — O Aioria falou e eu notei que o Sieg estava sem graça por ter interrompido nosso beijo. Gostei dele, em nenhum momento ele nos julgou ou algo do gênero.
O Camus pegou os livros dele e saímos, o pobre estava atrasado para pegar o Hyoga na escola, não que o irmão dele não pudesse ir sozinho, Hyoga já tinha doze anos, mas o Camus havia combinado de ir ao ensaio da dança.
A escola de ballet iria fazer uma apresentação, o Sr. Crystal raramente ia nestes eventos, a bem dizer não me lembro do Crystal em nenhum evento ligado ao ballet do filho.
...
— Puxa, Camus, você demorou, achei que não viria. — Hyoga comentou na saída da aula.
— Tive um probleminha no colégio, me perdoe por isso. —Camus desculpou-se, — Mas por que queria minha presença aqui?
— A Sra. Margot me disse que na apresentação da próxima semana teremos alguns olheiros. — O Hyoga falou e eu e o Camus falamos juntos.
— Vai ter o quê?
Ele girou os olhos e explicou. — Ela falou que algumas pessoas do Bolshoi vão estar aqui, eles estão interessados em investir em novos talentos. — O Hyoga falou empolgado. — Já pensou Camus, eu no Bolshoi?
Vi o Camus sorri preocupado para o irmão, sei o que ele estava pensando, mesmo que Hyoga fosse chamado para o tal Bolshoi o pai deles jamais permitira que o filho fosse para tão longe, ainda mais para dançar ballet.
Sentamos em umas cadeiras e ficamos esperando o treino, ou melhor, o ensaio acabar, cara o Hyoga dançava muito bem.
— Teu pai jamais iria deixar o Hyoga ir para tão longe. — Comentei com Camus.
— Nós já moramos na Rússia, foi lá que o Hyoga nasceu, minha mãe era russa, ela estava estudando na França quando conheceu meu pai. —Camus comentou, realmente não sabia daquele detalhe.
— Vocês ainda têm família por lá? — Se eles tivessem algum parente quem sabe as coisas não estivessem perdidas para o Hyoga.
Mas o Camus negou com a cabeça e nós voltamos a prestar atenção na aula do Hyoga.
*-*-*-*-*-*
— Olá, Sr. Crystal, o Camus tai? — Perguntei ao ser recebido pelo meu sogro, ok, ele não sabe que é meu sogro, mas um dia saberá, era uma tarde de quarta-feira vim logo após o almoço.
Ele apenas confirmou com a cabeça e me deu passagem. — Não entendo essa história de você perder aula por causa de um time de escola, jamais permitiria isso.
Agradeci aos deuses por ele não ser meu pai, mas tentei explicar o quão importante era aquele campeonato. — Sr. Crystal, estamos falando do interestadual é o campeonato amador mais importante da Grécia, podemos ter a chance de jogar em um time profissional e quem sabe até disputar uma olímpiada!*
— Mas tem que perder aulas? Não entendo. — O cabeça dura continuou rabugento.
— Sr. Crystal, aquele que tem notas vermelhas está fora do time, então mesmo que percamos algumas aulas, precisamos correr atrás do prejuízo para que nossos estudos não sejam prejudicados, entende?
Ele ficou resmungando que aquilo era uma grande bobagem e bla bla bla, e em fim falou. — Ao menos serve para o Camus fazer uma revisão das aulas.
Como se o Camus precisasse fazer qualquer tipo de revisão, mas não falei nada, com meu sogro era melhor não contrariar.
— Oi, Milo, chegou cedo. —Camus falou saindo da cozinha onde ele e o Hyoga estavam lavando a louça do almoço. — Vem pra cá, estou terminando aqui.
Segui meu namorado e sentei à mesa e fiquei observando ele lavar a louça enquanto o Hyoga secava.
— Já almoçou, Milo? — O Sr. Crsyatl perguntou entrando na cozinha enquanto ajeitava sua gravata.
— Já sim, obrigado.
— Pai, o senhor pode me deixar no ginásio? — Hyoga perguntou, e notei que ele usou a palavra “ginásio” ao invés de ballet, pois isso facilitaria as coisas com o pai.
— Não sabia que tinha aulas nos dias de quarta. — O pai deles respondeu sério.
— Não é comum, mas estamos ensaiando mais que o normal por causa da apresentação. — O irmão mais novo do Camus respondeu.
— Já fez o seu dever?
— Já.
— Mas você ainda não terminou de ajudar seu irmão com a cozinha. — Rebateu o Crystal.
— O Milo me ajuda a terminar pai, pode levar o Hyoga. — O Camus falou e concordei ficando em pé.
— Não tenho hora pra voltar hoje Hyoga e... — O chato do Crystal começou a falar, mas o Hyoga o interrompeu.
— Pai, a mãe do Shun virá nos trazer, não se preocupe.
Vendo que não tinha saída o pai deles concordou e foi terminar de se arrumar.
— Camus, acho melhor eu lavar e você guardar, já que não sei onde fica nada. — Sugeri.
Camus concordou tirando seu avental e o colocando em mim. — É necessário isso? — Perguntei fazendo careta.
O Camus apenas achou graça.
— Camus, estou deixando um dinheiro em cima do rack, não sei a hora que volto, qualquer coisa peça algo para que vocês possam comer à noite, não quero que saia, tranque as portas e qualquer problema me ligue no celular. —Crystal recomendou antes de sair. — Sem bagunça vocês dois, estão aqui pra estudar, nada de videogames durante a semana.
Camus concordou com o pai e o acompanhou até a porta dando um abraço no irmão que seguiu com o pai.
— Enfim sós! — Falei quando o Camus voltou para a cozinha.
Ele sorriu pra mim.
Ficamos trabalhando na arrumação da cozinha eu olhando o Camus fazer as coisas, cara eu estava pateticamente apaixonado.
— Que foi, Milo? — Meu amor me perguntou ao notar meu olhar sobre ele.
— Estou imaginando que vai ser assim quando a gente casar, a gente arrumando as coisas juntos. — Respondi simplesmente.
O Camus parou e ficou me olhando. — Você pensa nisso?
— Claro que eu penso mocinho, ou você só está querendo abusar de mim e me deixar depois? — Falei fingindo indignação.
Camus sorriu e me beijou. — Se depender de mim passarei a vida inteira ao seu lado.
Olhei pra ele pegando em sua cintura e falei beijando seu pescoço. — Seu pai falou nada de sair e nada de videogames, não disse nada a respeito de ficarmos namorando.
— Milo... — O Camus falou em tom de advertência, mas como sempre, sem o menor esforço para sair dos meus braços.
— Vamos estudar um pouquinho lá no seu quarto, hum? — Pedi roco ainda beijando seu pescoço.
Sentia que o Camus amolecia com meus toques e o suspendi o fazendo colocar as pernas cruzadas sobre meu corpo, o carreguei assim. Subimos as escadas aos beijos, era muito surreal, fazer algo assim na casa do Camus.
Chegando ao quarto do Camus, o coloquei deitado em sua cama, ele apoiou o corpo nos cotovelos e ficou me olhando, não sei no que eu estava pensando, aliás, sei sim, eu só pensava no Camus e em como eu o desejava.
Tirei minha camisa e a joguei no chão, com olhos predadores me inclinei e fui até o Camus engatinhando sobre a cama.
Tirei sua camisa também, aquele corpo branco como neve me encantava, seus mamilos rosados eram um convite à luxúria, que eu, nos altos dos meus dezesseis anos tinha de sobra.
Não falávamos nada, apenas nossa respiração era ouvida.
Passei a mão sobre seu dorso e acariciei seus mamilos, beijei sua boca e logo depois me pus a lamber seu mamilo esquerdo arrancando gemidos do meu namorado.
Eu já estava duro, aliás, estava duro desde que subi as escadas com Camus agarrado em mim e ele também, pude sentir seu pau na minha barriga durante o trajeto até o seu quarto.
Não demorei muito para abrir sua bermuda e acariciar seu pau, Camus não gosta que eu chame assim "pau" ele prefere falar "membro", mas sou eu quem está contando essa parte então vamos ao meu jeito.
Abri sua bermuda e comecei a acariciar seu pau, o vi fechar os olhos e gemer, pelos deuses aquela visão do Camus gemendo pra mim era algo que eu queria ver pra sempre.
Não demorou muito para eu tirar as roupas do Camus e o deixar completamente nu deitado em sua cama, e eu estava entre as suas pernas sugando seu falo.
É eu também sei falar bonito, "falo" então.
Olhando em seus olhos coloquei dois dedos em sua boca, Camus não se fez de rogado, talvez pelo tesão que estava sentindo, começou a sugar meus dedos.
Quando achei que já estava bem molhado o retirei de sua boca e olhando aquele botão rosado que eu tanto desejava introduzi um dedo lentamente, Camus se remexeu incomodado num primeiro momento, mas logo relaxou e começou a se mover de encontro a minha mão.
Logo coloquei o segundo dedo, o vi apenas gemer, seu rosto vermelho, sabia que ele estava quase chegando ao orgasmo, mas eu não queria que tudo parasse agora, não mesmo!
Então retirei meus dedos dele, ouvindo seu lamento e fiquei em pé, observando meu homem.
Ele deitado em sua cama completamente nu com a respiração ofegante ainda com as pernas abertas como um convite.
Olhando em seus olhos comecei a me despir, não dava mais para desistir, não sei se conseguiria me segurar, não sou de ferro e rezava para que ele também não fosse, quando ouvi sua voz me chamando.
— Milo.
Olhei incerto, com medo que ele desistisse naquele momento..
— Tranca a porta. — Ele me pediu e meu peito se encheu de alegria, e expectativa.
Fiz o que ele me pediu e voltei para cama tomando sua boca num beijo apaixonado.
Eu também era inexperiente, não sabia muito bem como fazer tentei apenas seguir meus instintos.
Lembrei-me dos vídeos que andei assistindo, podia colocá-lo de quatro, mas queria estar olhando em seus olhos no primeiro momento.
Eu poderia pedir para ele cavalgar em cima de mim, mas conhecendo o Camus, do jeito que eu conheço, ele é muito tímido para fazer isso, pelo menos agora na primeira vez.
Então coloquei suas pernas sobre meu ombro e me posicionei em sua linda entrada rosada, espalhei o meu pré-gozo pela extensão do meu pau, com um pouco de saliva, segurei a base e comecei a entrar.
Vi quando o Camus franziu o cenho, não sei se de dor ou só de expectativa, peguei seu falo e comecei a masturbá-lo enquanto entrava.
Eu entrei lentamente, sentindo aquele corpo quente me abrigar centímetro por centímetro, quando senti que meu corpo bateu em sua bunda, soube que estava todo dentro dele, aquela sensação de aperto invadindo todo o meu pau, aquele calor, fechei os olhos e suspirei gemendo. — Ahhh, Camus... como é bom estar dentro de você meu amor.
Não me mexi, segui conforme li a respeito, apenas beijei sua boca enquanto esperava ele se acostumar comigo ali dentro dele.
Quando senti que o Camus estava se movendo embaixo de mim ergui meu corpo com os braços apoiados na cama e comecei a me mover, num vai e vem cadenciado.
Ouvi meu amor gemer meu nome, seu rosto era tão sexy que me segurei para não gozar ali mesmo só em olhar pra ele.
O Camus me surpreendeu, pois meu tímido namorado gemia empurrando seu corpo contra o meu.
Logo saí de dentro dele e o virei de costas, o coloquei de quatro, beijei cada banda daquela bunda branca e perfeita e novamente entrei com cuidado, sei que não era hora praquilo, mas eu pensei no Argol e no Sirius brigando pela bunda do Camus e eu era o vencedor, eu estava ali arremetendo contra ela.
— Hnnnng, Milo. — O Camus gemia entre os dentes.
Eu passei as mãos pelo seu corpo e o virei novamente, o Camus estava completamente entregue a mim.
Eu queria gozar olhando em seus olhos e queria que ele fizesse o mesmo.
Comecei a masturbá-lo enquanto arremetia mais forte.
O Camus gemia e precisou morder o braço para evitar gritar muito alto.
— Ahh! CARALHO! Milo... — Gritou o Camus ao se derramar na minha mão sobre sua barriga, senti que meu orgasmo estava próximo também, quando o Camus gozou seu corpo se fechou sobre meu pau.
Minha vontade era uivar de tesão. — Ahhh, Camus, Camus... — Falei quando tirei meu pau pra gozar sobre ele.
Cai na cama ao seu lado suando e com respiração ofegante, mas consegui ainda puxá-lo para um beijo mais apaixonado que nunca.
Depois ficamos abraçados olhando para o teto do quarto curtindo aquela letargia pós-orgasmo, tudo era tão novo pra nós, todas as sensações, tudo!
Olhei para o Camus e a culpa me corroeu então pedi baixo. — Me desculpe, Camus.
Ele me olhou confuso.
— Você disse que queria que fosse especial e eu atropelei tudo. — Expliquei.
Meu amor apenas acariciou meu rosto dizendo. — E foi, Milo, foi muito especial.
— Tá! Especial? Numa tarde de quarta-feira, na sua cama, quando a gente deveria estar estudando? O que tem de especial nisso? — Perguntei desacreditando.
O Camus sorriu e me respondeu. — Numa tarde de quarta-feira, quando a gente deveria estar estudando, mas nada disso importa, o importante é que foi com você e foi lindo.
Não resisti e voltei a beijá-lo e não demorou para que estivéssemos nos amando novamente, afinal erámos dois adolescentes, com hormônios em ebulição, apaixonados e cheios de energia. Não preciso dizer que não estudamos nada naquela tarde, não é?
...
“Milo?”
“Oi, Camus, acordou?”
“Eu não estava dormindo, apenas descansando”.
“Descansou?”
“Sim, Milo, descansei, por que a pergunta?”
“Porque olha o que eu escrevi aqui”.
“Humm... Milo, você lembra de cada detalhe”
“Lembro sim e olha só como eu fiquei com essas recordações”
“Milo!”
“Você vai me deixar assim?”
“Milo...”
“Adoro quando você fica assim, vermelho e sem graça Camus”.
“Vamos lá pra dentro, depois continuamos isso aqui, os leitores vão entender”
“Mi... lo...
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