E Agora?

6 Capítulo 6 - Acampando No Quintal


Notas iniciais
Olá pessoal! Aqui esta mais um capítulo, peço desculpas na demora em respoder os reviews e pela demora em postar um novo capítulo. Eu não estive bem de saude e minha inspiração ficou abalada e minha energia também foi um periodo dificil, mas já estou bem melhor e o resultado ta ai capitulo novo!! =D Obrigado Vivi sua linda por betar minhas fics! Chega de conversa! boa Leitura

E Agora? — Capítulo 6

"Camus você tá aí?"

Milo me perguntou por mensagem

"Estou"

Respondi seco, minha cabeça estava a mil, meu irmão tinha sido colocado pra fora de casa, e meu coração doía com isso. Eu tinha vontade de gritar, de chorar de ir até ele, mas não podia. Não me governava, como papai vivia dizendo.

Odeio ser criança.

"Seu irmão tá aqui em casa, ele tá bem, apesar de triste, ele tá bem"

O Milo me disse por torpedo.

Não resisti e as lágrimas rolaram, eu tava no quarto dos meus irmãos, o Isaak e o Hyoga dividiam o mesmo quarto.

Eu quis ficar com eles até que dormissem, foi difícil.

Papai e mamãe discutiram um tempão, meu pai falou que o Degel morreu pra ele, e minha mãe falou que nunca iria abandonar um filho e ela ia amar Degel ele sendo gay ou não.

Meu pai nunca levantou a mão para minha mãe, mas ele também nunca havia descoberto que o filho é gay. Fiquei atento, mas ele se controlou e saiu deixando mamãe triste lá embaixo, eu não desci pra falar com ela, quis ficar com meus irmãos que não estavam entendendo nada do que tinha acontecido.

O Issak há tinha idade pra entender, mas o Hyoga ainda não,e eu não saberia como explicar isso a ele sem que papai ficasse bravo, então não expliquei nada.

"Ele tá machucado?"

Eu perguntei preocupado.

"Não, quer dizer acho que seu pai deu um soco nele, tá roxo o queixo perto da boca, o Kárdia tá possesso"

O Milo respondeu rápido.

"Camus, você sabia que eles namoram? Quer dizer, ele são gays!"

O Milo me perguntou, mas eu juro que se ele fosse falar alguma merda do meu irmão ele ia se ver comigo.

"Você tem alguma coisa contra? Eu não tô nem aí para o fato do meu irmão ser gay, eu o amo da mesma forma"

Respondi duro, não ia tolerar as gracinhas de Milo em relação ao meu irmão, não mesmo.

"Deixa de ser burro, Camus! Eu não tô falando disso, eu amo meu irmão também. É que ele não tem jeito de gay, só isso. É estranho"

O Milo respondeu me deixando ainda mais bravo.

"Como é o jeito de gay?”

Perguntei irritado, aquele Milo era um idiota sem tamanho

"Sei lá, Camus, o Kárdia nunca foi afeminado, nunca me pareceu ser mulherzinha"

— Milo você é um idiota! — Falei alto enquanto eu respondia a ele.

"Nem todo gay é afeminado, nem todo gay quer ser mulherzinha. Acorda, Milo! O Degel tampouco tem jeito de mulherzinha. Gays são homens que amam outros homens, que sentem tesão por outro homem, não é quem quer ser mulher, o nome disse é transgênero, seu burro"

Mandei pra ele, "Como eu posso gostar de alguém tão burro" — eu pensava.

"Sei lá, isso é novo pra mim, mas também amo meu irmão e nada vai mudar. Meus pais já sabiam. Acredita? Fui o último a saber! Absurdo isso"

Ele me respondeu e sorri ao saber que ele iria continuar amando o irmão e depois pela queixa dele.

"Foi o último a saber porque é muito burro kkkkkkkkkkk"

Enviei mais calmo.

"Burro é a vovozinha e você não respondeu. Você sabia?"

O Milo tornou a perguntar.

"Não, não sabia e nem desconfiava, fiquei sabendo hoje também."

"Milo"

"Oi"

"Cuida do meu irmão e diz a ele que eu e meus irmãos vamos amá-lo pra sempre"

"Se o Kárdia deixar eu cuido, mas nunca vi meu irmão assim tão apaixonado, ele tava todo cheio de cuidados com o Degel. E Camus! Eles estão dormindo no quarto do Kárdia! Juntos na mesma cama!!!"

Eu ri com o Milo novamente.

"Milo, eles MORAM juntos! Eles devem dormir juntos há muito tempo"

"OMG!!! Não tinha pensado nisso! Camus, eles devem tá transando há muito tempo!!!"

Eu corei, imaginar meu irmão transando era demais pra mim.

"Milo, tudo pra você acaba em sexo!!! Pelos Deuses!

Eu bronqueei.

"Kkkkkkkkkkk"

Foi sua resposta.

Saber que Milo estava levando aquilo numa boa me fez bem, eu finalmente podia ficar sossegado.

Quando eu estava me preparando para dormir recebi outra mensagem fui ver achando que era o Milo, mas era do meu irmão.

"Eu também te amo Camus, e fico feliz que pra você nada tenha mudado, quero que se cuide e cuide dos meninos. Não deixe o papai ser abusivo com você"

— Fácil falar isso. — Eu disse.

"Como faço isso? Como faço pra ele não ser abusivo? Irmão, eu te amo e quando eu ficar maior de idade vou embora daqui"

Desabafei minhas vontades.

"Se imponha, se bater de frente, você consegue Camus"

Eu fiquei pensando sobre aquilo, não sei se algum dia eu iria conseguir me impor ao meu pai.

*-*-*-*

"Ei, posso continuar contando minha história?

OK, Milo acho melhor você assumir daqui, essa época não foi fácil pra mim.

Certo, eu assumo daqui Camus..."

... Depois daquela confusão do Kárdia e do Degel as coisas foram aos poucos se normalizando, não podíamos falar ou comentar com o Sr. Crystal que os dois estavam namorando, pois se o psicopata do Crystal soubesse disso ele proibiria Camus de falar comigo, não deixaria a Sra. Natassia falar com o minha mãe, e provavelmente se mudaria de casa, de bairro, cidade ou quem sabe país.

O Sr. Crystal estava bem perturbado com o fato do filho ser gay, eu achava isso babaquice dele.

O Camus disse que os pais dele viviam discutindo por causa do que ele fez com o Degel, certa vez a mãe dele tava no telefone com a avó e falou que o Degel era gay, o Camus me falou que o Crystal ficou possesso pegou o telefona na mão de Natassia e o jogou na chão, eles começaram a discutir e o Sr. Crystal levantou a mão para bater na esposa, mas o Camus estava lá e gritou se colocando na frente da mãe.

Meu amigo me disse que foi muito tenso, disse que o pai abaixou a mão e saiu.

Mas o Camus acha que o pai dele também está sofrendo, pois já o pegou chorando escondido duas vezes, claro que ele saiu de perto, já pensou o Crystal sabendo que o Camus o viu chorando?

Não gosto nem de pensar.

Nossa vida estava normal, claro que o Camus sofria mais que eu, os meninos sempre zoavam ele, e sinceramente eu duvidava que era por preconceito, eu tinha comigo que o Argol azucrinava o Camus por prazer, mas eu nunca deixava ele encostar no Camus.

O Argol gostava de provocar o Camus, não sei o que ele falava, mas sempre chegava quando o Camus estava mandando o Argol crescer ou coisa parecida.

Eu gostava de proteger o Camus e de ter ele perto de mim. Podia ser egoísmo meu, mas me fazia bem saber que o Camus precisava de mim, ele precisava de mim como amigo, precisava de mim para ser aceito na minha turma, na escola.

De certa forma eu gostava dessa dependência do Camus, mas as coisas mudam.

Certo dia estávamos jogando bola, claro que o Camus não, ele estava como sempre lendo um livro próximo a nós, eu sabia que ele estava ali por minha causa, não fosse eu ali o Camus estaria em outro lugar.

— Ei, passa a bola, vai!

Eu gritei para o Aioria que me passou a bola, em seguida chutei pro gol no ângulo certo.

— GOOOOOL! Haha! — Comemorei abraçando o Aioria e vi que o Camus tirou a cabeça do livro e sorriu pra mim, então sorri de volta.

Eu estava lá tranquilo jogando quando vi que aquele garoto metidinho, o tal indiano loiro foi falar com o Camus.

"O que eles estariam conversando?"— Pensei cismado, eu disse, sou egoísta e possessivo, o Camus era meu amigo não tinha que ficar de conversinhas com os outros, hunf!

— Porra, Milo! Olha a bola! — O Shura gritou quando perdi um lance por estar distraído.

— Desculpe! — Pedi voltando minha atenção para o Camus e o indiano loiro.

O Camus ria pra ele, mas que tanto eles conversavam? Eu estava quase indo lá quando vi o Camus se levantar e sair com o indiano esquisito, vi que o Argol também estava olhando para os dois se afastando, quando ele viu que eu notei o babaca ainda veio fazer piada comigo.

— Seu namorado tá te traindo, Milo.

— Vai se fuder! — Respondi voltando a jogar e deixando o Argol rindo.

Ganhamos o jogo, descontei minha raiva no time daquele trouxa.

O idiota do Camus sumiu o dia todo, nem sinal dele, depois de muito fazer hora para ver se aquele ingrato aparecia, decidi voltar para casa sem ele. Eu tonto que sou tava preocupado com ele, se pai dele ia brigar e tals... quando olhei pra frente vi ele na porta da sua casa, com o Shaka ao lado.

Ai que raiva!

— Camus! Por que não me avisou que ia voltar pra casa? Eu tava preocupado, sabia?! — Falei bravo e o Camus me olhou surpreso.

— Desculpe, Milo, mas achei que ficaria jogando bola a tarde toda como você sempre faz. — Ele se desculpou sincero, mas esqueceu de um detalhe, eu fico a tarde toda se ele tiver comigo, percebi isso hoje, acho que preciso mais dele do que o contrário.

— O que você tanto faz com esse aí. — Perguntei ainda grosseiro, tanto que o tal Shaka arregalou os olhos pra mim.

— O Shaka me chamou para o clube de ciências! — O Camus me contou feliz.

Clube de ciências? Mas que merda de convite!

— Hum... — Foi o que eu consegui dizer. — E o que tem um clube de ciências de legal?

O Camus e o amiguinho dele, o Shaka, me olharam como se EU fosse o esquisito.

— Acho genial! — O Camus falou e ficou me olhando, talvez decidindo se me chamaria para entrar neste "clube idiota", mas o vi chacoalhando a cabeça acho que tirando esses pensamentos da mente.

Eles voltaram a conversar sobre o projeto de ciências deles e eu os olhando enfadado até que a Sheena apareceu e me chamou para dar uma volta.

Fui com ela e vi o Camus me olhando com aquela cara de paisagem dele.

Eu estava bravo, não sabia viver num mundo onde o Camus tinha amigos que não eram meus amigos também. E ele fez amizade justo com o chatinho do Shaka, depois disso realmente passei o dia de mal humor.

ooOoo

— O que foi, Milo? Por que está com essa cara? — Minha mãe perguntou me vendo emburrado na mesa.

— Porque o Camus tem um novo amigo. — A Sônia atrevida respondeu.

— Cala a boca, sua enxerida. — Falei ríspido.

— Milo, olhe os modos com sua irmã. — Minha mãe bronqueou. — Você brigou com o Camus? — Ela perguntou estranhando.

— Não, não briguei, ele que é um ingrato e tá com o amiguinho dele do clube de ciências, hunf.

Minha mãe sorriu pra mim.

— Clube de ciências? Uau, que legal! E você por que não está participando?

— Mãe, é um clube de nerds, e só tem nerds fazendo nerdices e... E nem sei o que ele fazem lá, mas não gosto do Shaka e não vou ficar lá amiguinho dele. — Falei bravo quando a campainha tocou e Sônia foi abrir.

Era o Camus.

— Oi, Camus! Entre, é verdade que você tem um clube? Eu posso ir lá? — Minha irmã ficou falando e fazendo muitas perguntas, e o Camus mal sabia por onde começar a responder.

— Deixe o Camus querida, venha me ajudar com o bolo de chocolate que eu tô fazendo. — Sônia pegou minha irmã pela mão e foram para a cozinha.

— Oi, Milo! — O cabeça de tomate falou sem graça.

— Oi. — Respondi seco. — Cadê o seu amiguinho? — Eu perguntei sarcástico.

— O Shaka? — Ele perguntou o óbvio.

— É né, você tem outro novo melhor amigo? — Falei bravo.

— Ele não é meu melhor amigo, você sabe disso. — O Camus respondeu fazendo meu coração aquecer.

— Não gosto dele! — Falei.

— Não gosto de muitos dos seus amigos, e nem por isso fico assim estranho com você. — O Camus foi direto, pra variar.

Bom, eu não podia dizer que não sabia que muitos dos meus amigos não eram legais com o Camus, mas ao menos na minha frente eles não faziam nada contra ele.

Ficamos nos olhando por um tempo, e eu baixei a guarda.

— Me fala desse Clube de ciências, qual é? — Eu perguntei interessado, ele sorriu pra mim antes de dizer que eles faziam várias pesquisas e inventos e sob a supervisão do professor Donko e agora nas horas vagas ele ficava no laboratório da escola.

— Camus, você é louco! — Eu falei rindo. — Como alguém em sã consciência fica estudando nas horas vagas?

Ele riu pra mim, eu sou seu amigo só isso da pra ver que não sou normal.

Nós rimos.

A partir daquela época aprendi a ter que dividir meu amigo com os outros.

ooOoo

O clima na casa do Camus estava sempre tenso, Degel era um nome proibido para o Sr. Crystal, mas a Sra. Natassia estava jogando duro para o marido aceitar o filho, muitas vezes ela pegava os meninos e ia visitar Degel e Kárdia, era incrível como o Sr. Crystal não tinha desconfiado que o Kárdia namorava o Degel. Sério mesmo e ele se acha esperto.

Sr. Crystal começou a ficar mais desencanado com a questão dos modos dos filhos, ele tinha uma clara preferência pelo Issak, não sei bem o motivo, talvez pelo Issak ser mais parecido com ele, ou pelo fato do Issak ser mais independente. Não sei, mas a preferência dele era evidente.

Um dia eu estava fazendo um trabalho com Camus teríamos prova na segunda quando a Sra. Natassia entrou no quarto.

— Camus, conversei com a Cassandra, hoje você vai dormir na casa do Milo. — Ela anunciou e eu olhei para o Camus surpreso, ele me olhou da mesma forma.

— Por quê? — Foi o que ele conseguiu dizer tamanha a surpresa, seus pais nunca deixavam ele dormir fora de casa.

— Eu tô indo ver seu irmão, vou levar o Issak e o Hyoga comigo, mas você tem prova e por este motivo vai ficar estudando.

— Tá, mas por que vou dormir lá? — Ele tornou a perguntar.

— Porque aqui não vai ter comida, e não vou te deixar sozinho com seu pai irritado por causa disso. — Ela respondeu marota piscando pra ele.

Eu e o Camus sorrimos e começamos a arrumar as coisas dele, tínhamos que ir pra minha casa antes do pai dele chegar ou estragaria tudo.

O Camus pegou algumas roupas e pijama, a mãe dele falou que ele tomaria banho lá em casa.

O Issak não queria ir, ele sabia que o Sr. Crystal ficaria bravo e eles tavam tendo um relacionamento bom, mas a Sra. Natassia não o deixou ficar, iam juntos ver o irmão, mesmo porque o Issak tava começando a escutar demais as opiniões do pai e tava começando a ficar com as ideias toscas em relação ao irmão.

Eu e o Camus teríamos que ficar em casa, já que estávamos escondidos do pai dele, mas isso era o de menos, nestes anos todos, o Sr. Crystal nunca deixou o Camus dormir aqui em casa, o Aioria vinha direto, mas o Camus nunca podia vir.

— Camus, vamos poder ficar jogando até tarde! Vamos brincar, ver filmes, nossa, vai ser incrível! — Eu falei contente colocando as coisas dele em cima da minha cama.

— Milo, minha mãe falou que era pra gente estudar, lembra? — Camus me comunicou com aquele jeito dele.

Eu girei os olhos, claro que a gente ia estudar, eu acho, se der tempo.

Minha mãe preparou um pequeno banquete para nós: Pizza, mousse de chocolate e sorvete.

— Puxa, Milo dormir aqui é melhor do que sair de férias. — Camus comentou rindo, já tomando a segunda taça de sorvete.

— Ei! O que você acha da gente acampar no quintal? Uau, vai ser ótimo! Pai ajuda a gente a arrumar as coisas. — Eu pedi ao meu pai que prontamente foi pegar a barraca e o colchonete.

— Acampar no quintal? — O Camus perguntou surpreso.

— Ora! Fazemos isso direto, eu e meu irmão e o papai sempre acampamos aqui. — Expliquei.

— Mas meu pai não vai ver a gente? — O Camus perguntou inseguro.

— Claro que não, seu tonto, vamos ficar lá no fundo! Vem cara, vai ser muito legal. — Falei comemorando minha ideia.

Meu pai nos ajudou a arrumar as coisas e ainda pequei algumas guloseimas para nós passarmos a noite coisa que o Camus acho exagero já que tínhamos comido muito naquela noite.

Colocamos o colchonete no jardim e ficamos vendo as estrelas, eu não sabia muito sobre as constelações, mas o Camus era um mestre no assunto pra variar.

— Você é do signo de escorpião, não é Milo? Tá vendo ali, aquela é a constelação do seu signo, veja aquela que tá brilhando no meio é a Antares a estrela mais brilhante da sua constelação. — O Camus me explicava, me apresentando minha constelação.

Acampar com o Camus era muito diferente de quando eu acampava com o Aioria, com meu amigo a gente fazia campeonato de peido ou cuspe a distância, mas com o Camus eu não tinha vontade de fazer essas coisas. É tão diferente a presença dele comigo, não sei explicar eu me sinto completo com o Camus do meu lado.

Ele estava falando sobre as estrelas e, sem perceber comecei a observar meu amigo, sempre achei ele bonito, isso é fato, mas preciso falar sobre a boca do Camus.

A boca dele era algo desenhado pelos deuses, bem feita em geral, com um tom vermelho que contrasta com sua pele branca, não percebi quando o Camus parou de falar e ficou me olhando.

Quando percebi aqueles olhos rubros sobre mim fiquei sem graça e comentei displicente. — Puxa você entende mesmo desse negócio de estrelas, não é?

O Camus só deu um meio sorriso é voltou a olhar o céu.

— Obrigado, Milo! — O Camus agradeceu baixo.

Eu franzi o cenho olhando pra ele sem entender.

— Por isso, este momento, acampar no quintal! Tá sendo incrível. — Ele sorriu lindo pra mim.

Era estranho, mas meu coração sempre aquecia quando o Camus fazia isso.

Não tardou para que nós pegássemos no sono, aconteceu uma coisa estranha, eu sonhei ou imaginei, sei lá, que o Camus me beijava a boca.

Acordei um tanto distante e meu amigo estava dormindo tranquilamente na minha frente eu o olhei desconfiado aquela sensação de beijo ainda nos meus lábios.

Passei a mão neles, sentia o gosto do Camus, mas nem sei qual era o gosto do Camus.

Mordi meus lábios, eu não sou gay, não, não sou, já fiquei com várias meninas, tenho tesão nelas.

Quando fico me amassando com Sheena eu sinto tesão, tenho vontade de transar com ela. Então eu não sou gay.

Não é?

Mas o Camus tinha alguma coisa... Não sei explicar, me deixava confuso.

Mas ele também não é gay, digo ele nunca ficou com nenhuma garota porque ele é um nerd lerdo, mas ele gosta de garotas, não gosta?

Baguncei meus cabelos confuso, eu devia estar ficando maluco, isso sim.

Ouvi o Camus ressonar tranquilo, e fiquei o observado dormir, eu tinha tanta vontade de estar perto dele, de o proteger, mas é só porque ele era meu amigo, não era?

Sei que o que eu estava por fazer não era certo, não era nem ao menos honrado, mas precisava saber como era o gosto dos lábios do Camus então silenciosamente eu me aproximei dele, olhando seu lindo rosto e aproximei meus lábios, e toquei nos dele.

Meu coração bateu acelerado, uma vontade de nunca sair de lá, nunca sair daqueles lábios. Eu tive vontade de aprofundar o beijo, e explorar sua boca, mas tive medo.

Medo dele acordar e eu não saber o que explicar, a amizade do Camus era muito importante pra mim, ele era muito importante pra mim, eu não colocaria ela em risco por uma confusão da minha cabeça.

Não eu não tinha o direito de fazer isso.

Me afastei do Camus o deixando dormindo tranquilamente como antes, abri a barraca e fiquei observando as estelas, a minha estrela brilhante, a Antares, pedi a ela que tirasse aquela confusão dos meus pensamentos.

Eu mal sabia que dentro da barraca o Camus tocava seus lábios recém tocados por mim.

ooOoo

No dia seguinte acordamos com a Sônia pulando em cima da gente.

— Ai, Sônia! — Reclamei.

— Eu queria ter vindo dormir no quintal também, por que você não me chamou? — A pentelha da minha irmã ficou resmungando.

— A gente não veio dormir no quintal, a gente tá acampando! Isso é coisa de meninos, adultos! — Eu falei cheio de imponência.

O Camus riu.

— Pra mim vocês só dormiram no quintal. — Sônia falou sem entender a diferença.

— Sônia! Estamos aqui cercados pelos perigos da madrugada! A mercê de monstros, vampiros, fantasmas e até mesmo ladrões! Como pode achar isso pouca coisa? — Eu perguntei sério.

A Sônia olhou para o Camus com os olhos arregalados e ele finalmente confirmou o que eu estava tentando dizer.

— Sim, Sônia estávamos aqui a mercê de todos estes perigos.

— Vocês enfrentaram tudo isso? — Ele meu perguntou, mas o Camus foi quem respondeu.

— Na realidade não, mas se alguns desses aparecesse nós os enfrentaríamos, sem medo.

Nós começamos a rir e eu fiz cosquinhas na minha irmã.

Depois do café, eu e o Camus fomos arrumar as coisas do camping, meu pai era bem legal em deixar a gente fazer as bagunças, mas sempre tínhamos que guardar tudo no lugar depois. Se bem que o Camus sistemático como ele só, jamais deixaria as coisas do papai bagunçadas.

Eu sei que prometemos que iríamos estudar, mas tínhamos tanta coisa pra fazer! Videogame, filme, lanche, guerra de água no quintal foi a melhor, emprestei uma roupa minha pro Camus e ficamos lá, eu ele e a Sônia. Esse fim de semana tava incrível.

Mas da janela do meu quarto vimos quando uma viatura parou em frente à casa do Camus. Eu e ele ficamos escondidos vendo tudo.

O policial foi falar com o Sr. Crystal que começou a gritar, eu não tava entendendo direito meu pai foi até lá, depois minha mãe também foi.

O Camus olhou pra mim preocupado, alguma coisa estava errada.

Os policiais não souberam explicar como aconteceu, mas a Sra. Natassia perdeu o controle do carro e foi para pista contrária batendo de frente com um caminhão, ela e o Isaak morreram na hora, o Hyoga estava no hospital.

Eu nunca pensei em ver uma cena tão triste assim na minha vida, e quando minha mãe contou ao Camus, ele de início ficou imóvel como se esperasse que desmentíssemos aquilo o mais rápido possível, depois gritou, um grito de dor que jamais vou esquecer.

Quando mamãe falou ao Crystal que o Camus tava em casa ele ficou tão aliviado e agradecido que nem ao menos brigou ou reclamou, apenas abraçou o filho forte, chorando como uma criança.

Meu pai avisou ao Kárdia que não tardou a chegar com o Degel.

Eu havia ajudado o Camus a se arrumar, estávamos no quarto ele, me doía tanto ver meu amigo daquele jeito, o abracei e ele finalmente se deixou chorar por um tempo.

Chegamos a capela onde seriam os funerais, o Crystal estava completamente aéreo, quem estava cuidando de tudo era o Degel junto com o Kárdia e meu pai.

Estávamos todos lá, eu, Aioria, as meninas, o Argol é até o novo amigo do Camus o tal do Shaka. Todos fomos dar uma força ao nosso amigo cabeça de tomate, as meninas sempre choram mais que consolam, e a Sheena ficou pendurada no meu pescoço chorando como se a tragédia tivesse sido com ela. Eu tava já irritado com aquilo, queria ficar com o Camus e não ficar consolando a Sheena.

Quando os corpos chegaram na capela o Degel foi se juntar ao Camus, mas o Crystal quase começou um clima chato.

— Você não deveria estar aqui! — Crystal falou pra o filho, fazendo o Camus e o Degel o olharem.

— Pai, não! — O Degel respondeu entre lágrimas. — Não faz isso.

— Isso é culpa sua, eles foram te ver. — Crystal despejou sem tato.

— Eu fui proibido de vir, você me proibiu de vir! — O Degel respondeu olhando o pai nos olhos.

— Pai, por favor, não faz isso, não faz assim. — O Camus pediu abraçando o irmão. — Eu preciso do meu irmão comigo.

Eles se emocionaram, e acabaram os três abraçados juntos.

Acho que a paz estava selada, eles teriam que aprender a viver juntos nessa nova realidade agora. Isso sem contar com o Hyoga que mais que qualquer um iria precisar de todo mundo quando saísse do hospital.

Dias difíceis viriam.

Notas finais
Não me xiguem! Por favor! Infelizmente quando eu pensei neste plot as mortes do Isaak e da Natassia faziam parte, eu pensei em mudar a historia sem que eles precisassem morrer, mas eu sairia muito do que tinha imaginado, para o Crystal e os filhos. E Agora? Como eles enfrentaram a nova realidade da vida deles? E o Milo vai tomar consciência dos sentimentos dele? Vai perceber que o que sente pelo Camus é mais que amizade? Não sei se perceberam, mas o Milo aqui é Bissexual, diferente do Camus que é gay. O Camus não sente atração por garotas, mas o Milo sim, por isso pra ele é mais difícil de se descobri, e por isso ele fica muito mais confuso que o Camus. Espero tá conseguindo passar essas nuances deles. Então pessoal comentários são sempre bem vindos, eu preciso do retorno de vocês, preciso muito! Fantasminhas deixem de preguiça comentem! Beijos