E Agora?

20 Capítulo 20 - Surpresas


Notas iniciais
Aleluia!!! Não é ilusão eu realmente estou atualizando essa fic depois de quase um ano em hiatus, caraleo eu juro que não tinha a menor intenção de demorar tanto. Este ano foi cheio de coisas e mais coisas em minha cabeça e o desfecho dessa fic não fluía, eu cheguei a apagar duas vezes o capítulo escrito, tenso, muito tenso! Este é o capítulo final dessa fic e lá embaixo eu explico tudo melhor. Quero dedicar esse capítulo a todas que acompanharam bravamente até aqui, pessoas lindas que sempre me acompanharam, me deram forças para nunca desistir. Quero dedicar em especial para três pessoas lindas que eu amo muito e que cada uma em sua vida ta passando por momentos complicados, espero que esse capítulo possa distrair e animar cada uma de vocês. Amiga Amelinda, você é forte vai superar e seguir em frente. Amiga Quézia você é tão incrível que se as pessoas a sua volta desse conta disso você seria cultuada como deusa! Amiga Vivi caramba é uma pedreira atras da outra, mas você sempre forte, firme e serena, cara quero ser você quando eu crescer! Opa chega de papo, valeu Vivi por me incentivar e betar minhas fics sempre! Bora lê logo isso ae!!!!

E Agora? — Capítulo 20


**** Minha vida na Grécia****

Voltei pra casa com o Kárdia e o Degel, ficamos em silêncio por um bom tempo.

O Degel estava triste também, afinal a família dele agora estava longe, bem longe e eu...

Não sei nem como dizer como me sentia, meu coração doía, era uma dor física mesmo, às vezes achava que meu coração não iria aguentar, iria explodir ou parar.

Assim que chegamos em casa fui direto pro meu quarto e lá fiquei o resto do dia, minha mãe veio à noite com um copo de vitamina pra eu tomar.

Confesso que eu não estava com a menor fome, mas tomei para que ela me deixasse em paz.

Saudade dói demais.

— Milo, posso falar com você um pouco? — Meu irmão pediu ao entrar no meu quarto.

Eu sentei na cama e já fui perguntando. — O que foi, alguma notícia do Camus?

— O Crystal ligou para o Degel e disse que ele chegou bem, eles ainda estão sem internet em casa, mas ele está providenciando isso o mais rápido possível.

— Ele vai me afastar do Camus, sei disso. — Falei triste.

— E você vai lutar por ele. — Kárdia me situou e concordei.

Meus dias sem o Camus foram se arrastando, eu ia para a escola praticamente à força, a saudade me consumia por dentro, eu não conseguia pensar em nada, não tinha vontade de fazer nada.

Até que certo dia eu estava em casa, e o Camus ligou.

Meu coração se aqueceu ao ouvir a voz dele.

....

**** Minha vida na Rússia****

Quando me despedi no Milo no aeroporto, não imaginei que ia ser tão difícil, mentira, acho que imaginei sim.

Meu coração foi a viagem inteira doendo apertado no meu peito, mas o que eu poderia fazer?

Com a minha idade?

Nada!

Então, eu meio que estava conformado, estava fazendo aquilo tudo pelo Hyoga e pelo meu pai também, que estava tentando mudar e se desconstruir.

Nunca imaginei, nem nos meus sonhos mais otimistas que ele pudesse fazer algo assim, mudar completamente sua vida para acompanhar um filho a seguir seu sonho de bailarino, nunca imaginei que ele um dia pudesse deixar que eu ficasse uns dias com meu irmão, para que eu me entendesse com o meu namorado.

Meu pai estava tentando e eu tinha que ser justo quanto a isso, sei que não seria fácil a vida em Moscou, principalmente se comparar com a vida na ensolarada Grécia, ainda mais longo do meu grande amor.

Durante a viagem não quis comer e nem beber nada, fiquei escutando música a maior parte do tempo, com o fone eu não precisava ser sociável com ninguém.

Após algum tempo eu acabei adormecendo, confesso que sonhei com algumas coisas confusas, acordei quando a aeromoça começou a falar que já estávamos próximo de Moscou.

Assim que o avião pousou, suspirei fundo e levantei para pegar minhas coisas. Lá estava eu, começando uma vida nova, uma realidade longe do garoto que eu amava.

Encontrei meu pai me esperando no desembarque, o cumprimentei com um abraço.

— Onde está o Hyoga? — Perguntei sentindo a falta do meu irmão naquele momento, afinal eu estava mudando a minha vida por causa dele.

— No Bolshoi, já está ensaiando, estudando, a rotina dele vai ser bem puxada, ele vai ficar lá de segunda a sábado, aos domingos vem pra casa, isso neste primeiro momento depois eles disseram que as folgas serão de quinze e quinze dias. — Meu pai me explicou.

— Nossa! — Comentei realmente surpreso com aquele ritmo imposto a uma criança.

— Eu vou ficar atento, se seu irmão mostrar algum sinal de que não está feliz, eu tiro ele de lá.

Mas Hyoga estava muito feliz e realmente empenhado a fazer um bom trabalho, para continuar com a dança meu irmão precisava tirar boas notas sempre, caso contrário seria punido ficando sem ensaios ou pior, seria punido em casa ficando sem o balé.

Cheguei ao nosso novo lar, um apartamento pequeno se comparado a nossa casa na Grécia, haviam três quartos, papai ficou com o maior obviamente e eu e o Hyoga com os outros dois. Como meu irmão pouco ficaria em casa deixei ele com o quarto da vista para os fundos, e eu fiquei com o que dava para a rua.

Não era grande coisa, mas tudo bem, nada me importava muito, eu era a grande definição do "tanto faz".

Essa era minha resposta para tudo.

Camus, você quer comer carne ou frango?

Tanto faz.

Quer ir para escola de ônibus, ou de metrô?

Tanto faz.

Quer cortar o cabelo, ou andar de bicicleta?

Tanto faz.

Eu sei que não era legal da minha parte agir assim, mas minha saudade do Milo estava me matando.

Ainda não tínhamos internet em casa e estávamos esperando por três semanas para instalarem um telefone. A internet iria demorar mais alguns dias, ou quem sabe meses.

No dia que instalaram o telefone eu não pensei duas vezes e liguei para o Milo.

...... Milo.....

Eu atendi o telefone sob o olhar atento de todos aqui de casa.

"Inferno" — pensei, poxa será que eles não imaginavam que eu precisava de privacidade?

— Alô.

— Milo? Oi, sou eu. — O Camus alertou sem motivo, pois eu já sabia que era ele.

Como os olhares continuavam fixos em mim peguei o telefone e fui para o meu quarto.

— Oi, Camus... agora sim podemos conversar com privacidade. — Avisei. — Como estão as coisas aí? Você chegou bem? Por que não me ligou antes? Você está sentindo minha falta? Porque eu tô sentindo muito a sua falta.

.... Camus....

O Milo começou a me metralhar de perguntas, não podia culpá-lo, ele não tinha noção de como era difícil conseguir acesso a certos serviço por aqui.

— Eu... Ei, calma Milo... claro que tô sentindo sua falta, mas nós não tínhamos telefone aqui nesta casa, só vieram instalar hoje, aliás, os caras acabaram de sair. — Comecei a explicar. — Eu cheguei bem, foi tudo tranquilo, a casa é bem pequena e... E sim, eu sinto sua falta, Milo. — Falei sabendo que não havia a menor coerência na minha frase "casa pequena" com "eu sinto sua falta".

— Eu também sinto muito sua falta, Camus, não acredito que vamos passar tanto tempo separados. — O Milo comentou triste. Não é justo Camus, não é justo!

— Não, não é, mas a gente não pode mudar isso, Milo infelizmente não há nada que possamos fazer. — Falei firme, não era do meu feitio ficar chorando por algo que eu não poderia mudar.

— Quando vão colocar internet aí? — O Milo me perguntou.

— Não sei, já fizemos o pedido, mas os serviços aqui são péssimos, por quê?

— Pra gente poder se ver e fazer sexo virtual, que vai ser o que nos resta nos próximos anos. — O Milo falou e eu sorri, amo essa leveza que ele tem.

— Milo você não tem jeito. — Comentei sorrindo. — Como estão as coisas aí, Milo? Como estão as coisas na escola?

Ouvi o Milo suspirar antes de me responder.

— Achei que fosse ser pior, claro que tem zoeira, mas você me conhece, eu tiro de letra, a Shina me pediu desculpas pela armação, ela contou que o Argol havia dito que nós estávamos juntos desde antes de eu terminar com ela.

— O quê? Mas que filho da mãe. — Eu deixei escapar irritado, aquele Argol sempre por trás de tudo.

— Tudo bem, Camus, aquele enrustido vai ter o troco dele qualquer dia. — O Milo me confortou.

— Eu sinto sua falta Milo. — Comecei triste. — Vou fazer de tudo para que possamos voltar a ficar juntos. — Prometi firme.

— Eu sinto sua falta Camus, juro que vou fazer de tudo para que a gente possa ficar junto, vamos entrar pra mesma faculdade, vamos estudar juntos, vamos ficar juntos Camus, eu prometo! — O Milo me prometeu com aquela certeza contagiante que ele sempre tinha.

Me senti mais forte com as palavras do Milo. — Nós vamos ser muito felizes juntos, eu prometo!

****

E assim foi feito, nós nos falamos muitas e muitas vezes por telefone, por MSN, pelo IQC, Mirc entre outras formas de acesso a conversas a distância que possuíamos na época.

Passamos na mesma faculdade na Grécia, moramos em alojamentos, depois alugamos uma casa.

Nós formamos, arrumamos trabalho, batalhamos juntos, oficializamos nossa união assim que pegamos as chaves da nossa casa e para comemorar o Milo teve a ideia de escrever esse livro de memórias contando sobre a nossa infância, adolescência e sobre o nosso amor.

— Sim, acho importante termos essas lembranças guardadas dessa época mágica.

Vamos escrever sobre o tempo em que ficamos separados, ou sobre a época da faculdade?

Não, não neste momento, nossa época da faculdade foi muito atribulada, deixemos para uma outra ocasião.

Mas quando fomos para a faculdade, conseguimos entrar na mesma, apesar dos cursos diferentes, ainda passamos perrengue em dormitórios diferentes nos primeiros anos, e tudo mais que aconteceu até que ficássemos juntos novamente. E você não vai querer falar sobre isso?

Não, quem sabe em um outro momento, uma continuação onde a gente possa contar mais sobre essa nossa fase de transição entre adolescentes e adultos?

Foi uma época complicada, não é?

E dolorida.

E Agora?

E Agora? Agora a gente apenas vive nossos dias nossas memórias dessa época mágica estão guardadas aqui pra sempre.

Com um beijo ambos selaram aquele momento.

*-*-*-*-*

Autora

O dia amanheceu ensolarado iluminando as janelas do quarto do apartamento onde o jovem casal dormia, a claridade entrava pela fresta da cortina fazendo o rapaz loiro que estava dormindo sobre o peito do ruivo acordar resmungando. — Droga esquecemos de fechar as cortinas novamente.

Camus despertou com a pequena reclamação do marido. — Eu prefiro acordar com o sol do que com despertador.

— Camus hoje é sábado! A gente não tem que acordar cedo. — Explicou o loiro.

Bocejando cheio de preguiça, Camus respondeu. — Eu sei, mas gosto de acordar cedo.

— Acordar cedo num fim de semana pra que, Camus? — Questionou Milo virando de bruços encarando o marido.

Já sentado na cama o ruivo respondeu. — Para fazer alguma atividade física, caminhar, correr ou arrumar a casa, sei lá, Milo.

Como um felino dando bote em sua presa, Milo tombou Camus contra os lençóis. — Tenho uma ideia ótima de um fazer exercício físico que podemos praticar agora.

Camus, sorriu malicioso antes de dizer: — Você não tem jeito mesmo. — E ser interrompido com um beijo quente.

*-*-*-*-*

— Caramba, Camus! Que demora para se arrumar, o Shaka já deve estar lá esperando a gente. — Milo falou impaciente enquanto Camus terminava de se vestir. — O ruivo abotoava tranquilamente a camisa cinza que usaria para o encontro com seu amigo que havia voltado de uma temporada na Índia, e iria encontrá-los com seu marido, logo mais.

Camus já estava acostumado com as reclamações de Milo todas as vezes que saíam.

— Pena que o Aioria e a Marin não conseguiram ninguém para ficar com o Seiya essa noite... cara, eu nem consigo acreditar que eles já têm um filho. — Comentou Milo se encostando na porta do quarto.

— O Seiya ainda é um bebê, acho que eles vão levar um tempo até conseguirem sair e tudo mais, a gente pode ir fazer uma visita pra eles no domingo, o que acha?

— Acho uma boa ideia, não quero ficar muito tempo longe do meu afilhado.

— Milo, o garoto tem apenas três meses e já o visitamos cinco vezes. — Comentou sorrindo.

— Gosto de crianças, acho que eu seria um bom pai. — Comentou Milo.

Camus, que finalmente terminou de se arrumar, deu uma última olhada no espelho antes de dizer. — Quem sabe um dia a gente não tenha um.

Milo o encarou de volta com um sorriso no rosto.

— Um dia, Milo, não agora, ok? — Acrescentou Camus ao ver a expressão no rosto do marido.

— Um dia. — Repetiu Milo pegando Camus pela cintura e beijando seus lábios.

....

— Uma coisa boa do Aioria e da Marin não terem vindo é que podemos marcar neste bar gay que abriu faz tempo e nós ainda não conhecemos. — Comentou Camus enquanto dirigia seu carro.

Milo sorriu.

— Que foi? — Quis saber o ruivo.

— Tô lembrando de quando o Aioria tem que vir nas nossas baladas gays, ele fica todo sem graça, com medo da Marin sair de perto dele. — Respondeu Milo. — Um de nós sempre tem que ir ao banheiro com ele.

— É um medroso! — Comentou Camus sorrindo.

— Não sei porque tanto medo, lembra na faculdade quando ele terminou com a Marin? — Milo perguntou.

— Lembro sim, eles ficaram um tempão separados, cheguei a achar que não ficariam juntos novamente. — Lembrou Camus.

— Pois é, eu o vi beijando o Shaka em uma das festas, lembra?

— Milo! Isso é coisa para se lembrar agora? Estamos indo encontrar o Shaka com o seu marido, e pelos deuses! Não toque neste assunto. — Orientou Camus cauteloso.

Girando os olhos Milo respondeu. — É claro que eu não vou falar nada lá, eu tô comentando aqui com você só.

Ambos ficaram em silêncio por algum tempo até que Camus confirmou a pergunta de Milo.

— Eu lembro, eles tiveram um lance, não sei por quanto tempo, mas tiveram.

— Certeza que eles transaram! — Milo afirmou. — Será que isso faz do Aioria Bi ou só curioso mesmo?

— Pode ter iniciado pela curiosidade, mas sei lá. Nenhum deles comentou o caso com a gente, não dá para saber se rolou por muito tempo. — Respondeu o ruivo.

— Eu não sei como eu vou agir quando encontrar os três no mesmo ambiente. — Falou Milo sincero.

Camus sorriu antes de responder. — Mas isso aconteceu faz tempo, hoje ele está com a Marin, casado e com filho. Seja lá o que rolou com Shaka, ficou no passado. — Comentou Camus sabiamente.

— Chegamos! Acho que eles tem manobrista pode para aqui.

Camus e Milo gostavam de frequentar bares LGBTQ+ para poderem se tocar a vontade sem a preocupação de serem repreendidos ou até mesmo hostilizados.

Camus pegou o celular e viu uma mensagem de Shaka, avisando que se atrasaria.

— Você preocupado e o Shaka vai se atrasar. — Comentou Camus.

Milo havia conversado com o garçom solicitando um mesa para quarto pessoas, o garçom pediu que eles aguardassem no bar por alguns instantes até que a mesa fosse liberada.

— Nossa, cheio aqui, não é? — Comentou Camus um tanto incomodado, o ruivo odiava lugares cheios.

— Relaxa, amor, deve ser efeito do bom serviço que ouvimos falar. — Argumentou Milo.

Logo a atenção de ambos foi desviada um rapaz afeminado que gesticulava teatralmente enquanto falava ao celular. — Claro que é sério! Estamos apaixonados...

O rapaz em questão era loiro, alto, magro e tinha um rosto andrógino, passaria por uma mulher com facilidade, uma vez que Camus poderia jurar que ele estava usando maquiagem.

Ao perceberem que estavam prestando atenção na conversa alheia, Camus tutucou Milo que sorriu ao voltar os olhos para o marido. — Desculpe, me distraí.

— Humm... curtindo rapazes loiros agora? — Brincou Camus fazendo bico.

— Enquanto eu tiver meu rapaz ruivo ao meu lado, sem chances para os rapazes loiros. — Respondeu Milo aproximando o rosto para beijar seu marido.

Camus aceitou o beijo, obviamente não era dado a exposição pública, mas não se privava de trocar carícias com seu amor quando estavam em locais como aquele.

— Oh, Argol, você chegou! — Escutaram o rapaz loiro falar e apenas por reflexo eles findaram o beijo para verificar suas suspeitas e lá estava o “amigo” de infância.

Milo e Camus não ouviam falar dele desde os tempos de colégio, Argol saiu da escola logo após Camus ter ido para a Rússia, ele havia passado para o time juvenil profissional de vôlei, algo que Milo tentou por mais algum tempo, contudo com a revelação sobre sua homossexualidade as portas se fecharam e Milo mudou os planos para o seu futuro.

“Se eles não me querem lá, eu é que não vou ficar me humilhando à toa” — Dizia Milo quando tomou a decisão de estudar Engenharia Civil. Mais tarde ele soube que Argol havia sido expulso do time, mas não procurou saber os motivos.

O recém-chegado havia cumprimentado o rapaz que o esperava com um beijo na boca, mas quando o beijo cessou Argol deu um pequeno sobressalto ao ver seus ex-amigos de infância naquele lugar.

— Milo, Camus? Caramba quanto tempo! — Exclamou Argol ao ver o casal a sua frente, como se fossem de fatos amigos.

— Argol? — Milo falou entredentes, como um bom escorpiano, perdoar não era uma tarefa fácil pra ele.

— Ah, qual é Milo, a gente não se vê há anos, você ainda tem raiva de mim? Supere isso. — Argol devolveu sorrindo, Camus pôde notar que no rapaz não havia nenhuma nota de sarcasmo ou escárnio tão comuns no Argol de sua infância.

— Não vai me apresentar aos seus amigos? — Misty perguntou simpático, sem notar a pequena hostilidade na voz de Milo.

— Estes, meu bem, são Camus e Milo amigos de infância. — Apresentou Argol, e Misty estendeu a mão para os cumprimentar. Camus e Milo corresponderam ao cumprimento, ainda que um pouco desconfiados.

— Hum, que interessante, amigos de infância do Argol, vamos quero saber tudo sobre a infância do meu namorado. — Misty falou sorrindo e pedindo uma bebida no bar.

Milo ergueu a sobrancelha ao ouvir Misty dizer a palavra namorado.

“Então, o homofóbico enrustido saiu do armário?” — Milo se questionou mentalmente e olhou para Camus para tentar captar os pensamentos do seu marido.

Argol sorriu para os ex-amigos sem se mostrar constrangido pela revelação de Misty, e apenas comentou. — Meu amor, não tem muito o que dizer, eu tinha uma paixonite pelo Camus, e ele amava o Milo, e assim foi toda minha infância e adolescência.

— Não, Argol, sua infância foi infernizando os outros com várias armações e agressões. — Milo cuspiu ainda com o rancor das armações guardada em seu peito.

Argol ergueu as mãos em sinal de rendição.

— Olha, vagou uma mesa! Vamos conversar um pouco lá. — Sugeriu Misty.

— Estamos esperando alguns amigos. — Informou Camus.

— Quando seus amigos chegarem vocês vão pra mesa deles. Vamos, eu quero saber os detalhes das maldades desse mocinho aqui. — Misty insistiu, Camus olhou para Milo que ainda estava com o semblante fechado, ambos trocaram olhares, mas acabaram aceitando sentar à mesa com o outro casal, Camus para evitar uma cena desconfortável, e Milo para detonar Argol para o namorado.

— Eu devo um pedido de desculpas para vocês, sei que fui muito babaca, e Milo eu sei que ferrei com seu futuro no vôlei. — Argol começou a falar assim que sentaram à mesa.

— Você foi o Rei dos Babacas, Argol. — Milo quem falou ainda com rancor.

— Nossa, o que o Argol fez de tão terrível? — Misty quis saber já preocupado.

Suspirando cansado, Argol começou a falar. — Eu sempre tive uma paixonite pelo Camus, não sei explicar, mas desde que ele foi estudar na nossa escola, algo sobre ele chamou minha atenção. Eu era demasiadamente novo, não sabia lidar com o que eu sentia, passei a agredi-lo sempre que tinha a oportunidade.

— Trocando em miúdos, o Argol era o valentão da escola que infernizava minha vida. — Camus foi quem falou.

— Um babaca. — Tornou Milo.

— Vocês ainda guardam rancor dele, não é? — Perguntou Misty pensando se convidar o casal a sua frente para sentar tinha sido um bom negócio?

— Eles tem os motivos deles, quando ficamos adolescentes, eu meio que já sabia o que sentia pelo Camus, mas lutava contra, vocês sabem como é...

— Argol, eu me descobri gay desde o dia em que o Milo caiu do telhado, lembra? Você ficou infernizando o Milo, mandando ele ir pegar aquela merda de bola. Enfim naquela época descobri que amava o Milo, e nunca o destratei ou o prejudiquei, e ele nunca havia me dado qualquer sinal ou esperanças, naquela época, de que sentia algo por mim. Então não, eu não sei como é.

— Caramba! Eu esqueci completamente desse acidente! Dele eu só vou pegar trinta por cento de responsabilidade, afinal, os outros caras também atiçaram o Milo para que ele subisse no telhado e esse tonto só subiu porque é teimoso, você bem tentou impedir ele de subir. — Argumentou Argol.

Milo o olhou com indignação antes de dizer. — O que o Camus está querendo dizer é que ele nunca precisou ser babaca com ninguém por não ter um amor não correspondido, isso sem contar que ele tinha um pai babaca.

— Eu sei, não estou querendo me livrar da minha culpa de ter sido um cretino filho da puta, estou apenas contando minha versão dos fatos. — Tornou Algo desconsiderando a hostilidade dos “amigos”.

— Nossa, Milo, você parece ser deveras rancoroso. Tudo bem que o Argol te faz cair do telhado quando criança, mas já tá na hora de superar isso. — Comentou Misty achando que o acidente do telhado havia sido o erro mais grave praticado pelo namorado com os dois ex-amigos de infância.

Milo estreitou os olhos antes de responder ao loiro andrógino. — Meu caro, este fato não é nem de longe o motivo que eu tenho para ser rancoroso, como você diz, com o seu namorado.

— O Argol armou para expor meu relacionamento com o Milo na frente do colégio, durante um campeonato de vôlei que valia vaga para o time profissional. — Quem contou foi Camus, que não era fã de rodeios. — Ele explodiu as portas do armário, nos revelando para toda a escola de uma só vez.

Colocando a mão na boca surpreso e encarando o namorado que olhava para baixo Misty perguntou temeroso. — O que foi que ele fez?

— Ele gravou escondido um vídeo onde eu e o Camus estávamos nos beijando no banheiro do colégio e passou esse vídeo na frente de toda a escola, minutos antes do jogo da seletiva. — Milo cuspiu sentindo a raiva daquele dia arder em seu peito.

— Pelos Deuses, Argol!!! — Misty exclamou chocado.

— Eu tinha acabado de levar um fora do Camus depois de ter aberto meu coração pra ele, tinha apanhado do Milo, eu queria vingança! Sei que agi mal, hoje tenho maturidade para saber que errei muito com vocês, as lembranças desse dia me deixam envergonhado. Peço a você que me perdoem. — Argol pediu sincero.

— Argol, ninguém deve sair do armário dessa forma! Meu Deus, eu sinto muito. — Disse Misty triste pelas descobertas do passado de seu namorado.

— Eu sei que não, hoje eu sei. — Falou rapidamente o moreno com receio que seu namorado o desprezasse depois dessas descobertas. — Mas naquela época eu tinha ódio do mundo por não saber lidar com a minha orientação sexual, por não me aceitar. Não fiz por mal.

— Não fez por mal? Você tirou vantagem em cima de tudo aquilo, ficou com a vaga que deveria ser do Milo, não dá para acreditar que foi por amor não correspondido, ou por não se aceitar que você fez aquilo. — Camus foi quem reclamou sem acreditar nas palavras de arrependimento de Argol.

— Eu sei, agi como um mal caráter, de certa forma fui mal caráter, mas eu só treinei um verão com o time profissional, além de ser muito puxado nos treinos tiveram os assédios. — Revelou Argol.

— Como assim, assédios? — Quis saber Misty.

— São uns hipócritas! Eles querem proibir os atletas gays no esporte, mas adoram molestar os garotos das bases. — Revelou Argol chocando os ouvintes. — Eu fui molestado durante todo aquele verão, nunca tive coragem de revelar isso pra ninguém antes, sei lá na minha cabeça eu era o culpado por estar naquela situação, de certa forma eu achava que tinha merecido aquilo.

— Meu amor, ninguém merece uma coisa dessas. — Misty falou emocionado acariciando os cabelos do namorado.

— Mas eu mereci, se eu não tivesse exposto o Milo no dia do jogo e sabotado sua chance quem teria passado por aquilo seria ele e não eu. — Argol desabafou algo que possivelmente há muito tempo estava guardado em seu peito.

Camus segurou a mão de Milo e a apertou, temia pensar que algo daquele tipo pudesse ter acontecido ao seu marido e Milo por sua vez estava atônito, odiou Argol por tantos anos por este ter lhe tirado sua chance de jogar no time profissional, mesmo que fosse no sub17, que nunca sequer pensou que aquilo podia ter acontecido para o seu bem.

Ainda desconfiado daquela versão, Milo perguntou. — Como podemos saber que está falando a verdade? Como saberemos que não está inventando tudo isso?

— Eu não tenho como comprovar o assédio e os abusos, mas se você pesquisar vai ver que eu só fiquei um verão no centro de treinamento e depois sai de lá, mudei de escola, e fui tentar viver minha vida. — Revelou Argol tentando se fazer acreditar.

— Por que mudou de escola? — Camus perguntou.

— Por vergonha, mesmo que ninguém soubesse o que se passou comigo, eu sabia. Eu tinha vergonha e raiva do Milo.

— Raiva de mim? — Milo repetiu indignado. — Eu posso saber o porquê?

— Sei que fui eu quem causou tudo aquilo, mas na minha mente de adolescente problemático a culpa era sua por eu ter ido no seu lugar. — Explicou Argol.

— Mas foi você quem armou pra mim! — Tornou Milo ainda mais indignado.

— Como eu falei, na minha mente confusa daquela época, você era o culpado. — Reafirmou Argol.

Todos ficaram em um silêncio constrangedor por alguns instantes cada um perdido em seus pensamentos sobre tudo que havia sido revelado naquela noite.

— Eu mudei, eu só queria que soubessem disso. — Falou Argol por fim.

— Depois de tudo que você disse aqui, não tenho dúvidas que tenha mudado, o homem que eu me apaixonei não é nem de longe esse jovem perturbado. — Disse Misty acariciando o rosto do namorado e beijando sua boca com volúpia.

Camus e Milo trocaram olhares enxergando a perplexidade no rosto um do outro, o homofóbico e encrenqueiro Argol, havia se transformado num homem maduro o suficiente para enxergar seus erros e se desculpar. E ainda por cima havia saído do armário, e estava ali na frente deles beijando um rapaz afeminado e nada discreto.

Camus viu Shaka chegando com Ikki acenou para eles se levantando.

— Nossos amigos chegaram. Misty, foi um prazer te conhecer. E Argol que bom que está mudado. — Camus se despediu apressadamente se levantando da mesa e Milo o estava seguindo quando Argol os chamou.

— Milo, Camus, esperem, eu realmente preciso saber se vocês me perdoam por tudo que fiz no passado, é importante pra mim, é uma página dessa história que eu quero virar definitivamente. — Pediu o colega de infância.

Camus e Milo se olharam, cada um tinha uma mágoa diferente do menino Argol, do adolescente Argol, mas depois de tudo que ouviram ali ainda seria certo cultivar essa mágoa?

Camus deixou Milo falar, apesar do ruivo ter sido perseguido pelo outro durante a infância por muito tempo, foi Milo quem saiu prejudicado com as armações do outro.

— Olha, Argol, eu te considerava um amigo apesar de tudo, das nossas diferenças. Você foi muito filho da puta comigo, muito mesmo, mas hoje minha vida é maravilhosa, coisa que poderia não ser se eu tivesse ido praquele lugar, pra mim tá zerado essa rixa. — Disse Milo apertando a mão do outro e chegando o rosto perto do ouvido do outro acrescentou. — E no final eu venci, fiquei com o Camus.

Argol apertou a mão de Milo e respondeu. — Ele sempre foi seu, nunca tive a menor chance.

Depois o moreno olhou para Camus aguardando sua resposta, que foi curta e direta. — Sem ressentimentos. — Concluiu o ruivo com um aperto de mãos antes de ir ao encontro de Shaka e seu marido, Ikki.

— Aquele é...? — Começou Shaka quando o casal de amigos se aproximava de sua mesa.

— Sim é ele, o Argol, do tempo do colégio. — Milo respondeu.

— E ele está...?

— Sim, namorando um rapaz andrógino. — Dessa fez foi Camus quem respondeu.

— Uau, vocês realmente estão cheios de novidades. — O Loiro constatou sorrindo assim que o casal se acomodou em sua mesa.



.*.*.*.*.*.

— Sim, eu quero apresentar uma pessoa pra família, é importante pra mim. — Dizia Hyoga do outro lado da linha.

— Você está namorando? Pelo Deuses Hyoga finalmente você vai desencana um pouco do ballet! — Tornou Camus num misto de surpresa e bronca.

— Ai, Camus você é péssimo, eu não sou nenhum monge. — Argumentou o irmão caçula de Camus.

— Mas nunca apresentou ninguém para nós. — Arguiu o irmão.

— Claro que não, o papai já ia ficar fazendo planos, você sabe como ele é, não ia me dar paz. — Se defendeu Hyoga.

— Certo, eu entendo, então almoço na casa do papai domingo. Confirmado! Vocês vão chegar e ir direto pra lá? Quer que um de nós vá te pegar no aeroporto? — Perguntou Camus prestativo.

Não precisa, nosso voo vai chegar por volta das dez e meia da manhã, pegaremos um taxi e vamos direto pra casa do papai.

— Certo então, te esperaremos lá.

— Quais são as novidades? — Milo perguntou assim que o marido desligou o telefone, estavam e seu apartamento maratonando uma série que Milo queria ver há algum tempo.

— Hyoga vai trazer alguém para apresentar a família no próximo fim de semana. — Respondeu Camus.

— Uau. — Comentou Milo surpreso, o irmão de Camus sempre foi discreto com seus relacionamentos, aliás, Milo não se lembrava de ter visto Hyoga com ninguém em sua vida.

— Uau. — Repetiu Camus concordando com a surpresa de Milo.

...

— Então quer dizer que seu irmão tirou alguns dias de folga e vai vir nos apresentar uma pessoa? — Crystal repetia as palavras de seu filho e após alguns segundos de silêncio acrescentou. — Eu sabia que este dia chegaria afinal, seu irmão é pior que eu quando o assunto é trabalho.

Crystal havia se mudado de volta para a Grécia quando Hyoga ficou maior de idade e estava seguindo firme a carreira de bailarino do Bolshoi, não tardou muito para que o filho ganhasse a vaga de primeiro bailarino, Hyoga sempre foi muito esforçado e dedicado, sua vida era a dança e sua família com o tempo entendeu isso, incluindo seu pai.

— Você já ligou para o Degel? Ele vai vir, não é? Há anos não temos nossa família reunida a mesa, queria muito que seu irmão viesse. — Perguntou Crystal.

— Pai, se você ligar pra ele, com certeza ele virá. — Afirmou Camus.

— Eu vou falar com ele então, quero a família toda reunida. — Tornou Crystal resoluto.

— E aí? — Quis saber Milo assim que Camus desligou o telefone.

— Meu pai quer que o Degel esteja presente, ele quer a família reunida, daí eu orientei que ele convidasse meu irmão, acho que ele ficaria mais feliz com o convite vindo do papai. — Explicou Camus.

— Cara, sua família é muito complicada, por isso que o Hyoga nunca apresentou ninguém pra vocês. — Comentou Milo.

— Verdade, somos complicados, não é? A Sônia já presentou vários garotos tudo na maior tranquilidade. — Concordou Camus, mas Milo entrou no modo "irmão mais velho".

— É, ela não tem nada que ficar apresentando ninguém também, enquanto o Hyoga é discreto ela é uma....

— Milo! — Chamou Camus em alerta.

— ... Saidinha. — Completou Milo.

— Sua irmã é uma garota linda, bem resolvida e independente, você tem sorte. — Completou Camus e Milo ficou resmungando.



—*_*_*_*_*_*_



Chegado o grande dia, Sr. Crystal finalmente estaria com os filhos reunidos depois de anos de separação, primeiro quando deixaram Degel para irem para a Rússia, depois Camus foi para a faculdade no deixando lá com Hyoga, assim que o filho mais novo já estava com seus dezesseis anos, Crystal decidiu voltar a Grécia e ficar próximo dos dois filhos que lá moravam.

Juntar os três em uma única ocasião era sempre muito difícil, Hyoga sempre tinha apresentações pelo mundo a fora, Camus apesar da aptidão pela ciências e formação acadêmica nesta área resolveu jogar tudo para o alto e se dedicar a carreira de Chefe, para a surpresa de todos, surpresa pela coragem não por sua culinária que estava a cada dia mais evoluída, e por fim Degel que se tornou um dos melhores advogados da vara de família da Grécia e ainda hoje lutava pelo direitos dos homossexuais no país.

Crystal não saberia dizer de qual filho ele tinha mais orgulho, todos sem exceção eram excelentes profissionais nas suas respectivas áreas, bem sucedidos e felizes.

Claro que a Hyoga faltava um amor, o caçula nunca havia apresentado ninguém ao pai, Crystal acha que era por medo de sua reação, afinal com Degel e Camus a reação não foi das melhores, mas dessa vez Crystal estava decidido a mostrar que havia mudado, dessa vez iria ser diferente.

Para o almoço Crystal também convidou os Scorpions, vizinhos, amigos e praticamente da família visto que dois dos seus filhos viviam com dois dos filhos deles, Degel e Kárdia inclusive haviam oficializado a união dele em Paris alguns anos atrás visto que na Grécia a união entre pessoas do mesmo sexo ainda não é reconhecida por lei, assim como Camus e Milo anos mais tarde.

Camus ficou responsável pelo almoço, e Milo foi buscar Hyoga no aeroporto, Kárdia e Degel disseram que atrasariam e Crystal os fez prometer que chegariam há tempo do almoço.

— Estou ansioso para ver seu irmão, sinto a falta dele. — Comentou Crystal sentado na cozinha observando o filho cozinhar.

Camus estava fazendo um assado de carneiro com ervas, comida típica grega que seu irmão gostava muito.

— Também sinto muita falta dele, pai. O Hyoga, quem diria, foi o que voou sozinho primeiro, não é? — Respondeu o filho sem olhar para o pai.

— Eu queria tanto minha família de volta. — Crystal comentou e Camus percebeu que sua voz estava trêmula, então viu o pai com algumas lágrimas nos olhos.

Camus se achava péssimo nessas situações, realmente não sabia o que fazer, caminhou lentamente até o pai pega do em sua mão. — Pai, nós estamos aqui.

— Eu sei filho, mas queria sua mãe e o Isaak aqui com a gente também. — Camus nada falou apenas abraçou o pai, não o julgava por ele não ter se envolvido com mais ninguém desde a morte da esposa e do filho, sabia que se ele ficasse sem Milo também não iria querer mais ninguém em sua vida.

— Pai, já faz tanto tempo. — Começou Camus.

— Eu sei, mas ainda me dói como se tivesse sido ontem.

Camus olhou para o pai consternado, mas sem saber o que fazer ou o que dizer, quando a campainha tocou e logo a porta foi se abrindo, eram os Scorpions, Klaus já tinha intimidade suficiente com Crystal para agir dessa forma, mas Cassandra ainda ralhava com o marido. — Não pode simplesmente ir entrando na casa dos outros sem avisar.

— Ué eu avisei, toquei a campainha! — Klaus respondeu como se a mulher fosse louca.

— Mas não esperou o dono da casa abrir a porta! — Continuou Cassandra.

— Esquece Cassandra, seu marido é um mal-educado. — Brincou Crystal indo de encontro ao casal recém-chegado.

— Olá, Crystal! Olá Camus, meu amor, como você está? — Cassandra cumprimentou o genro analisando seu rosto.

— Olá, dona Cassandra, senhor Klaus que bom que vieram. — Camus os cumprimentou e voltou para suas panelas.

— Eu liguei para o Milo, ele já os pegou no aeroporto e já estão vindo. — Comentou Cassandra.

— É lá vamos nós conhecer mais um barbudo. — Comentou Crystal sentando no sofá acompanhando as visitas.

— Seja educado e simpático Crystal. — Pediu Cassandra.

— Esse aí educado e simpático? — Brincou Klaus voltando da cozinha com as cervejas. — Veja, somos visitas e eu que tenho que pegar as bebidas.

Camus que escutava tudo da cozinha sorriu, a amizade do pai com a família de Milo era a cereja do bolo em sua felicidade.

"Pai você vai ter uma grande surpresa quando o Hyoga chegar" Camus pensou sorrindo.

Logo a companhia tocou Crystal foi atender a porta e lá estava Sônia que havia se tornando uma moça linda, obviamente Crystal estranhava o fato de a menina pintar os cabelos de cor de rosa.

— Olá, senhor Crystal, como vai? — A moça cumprimentou polida.

— Oi, Sônia, tudo bem, vamos entre! Seus pais já chegaram.

— Sim, eu sei, não entendo por que tanta pressa, acredita que nem esperaram eu tomar banho? — Reclamou a menina entrando na casa. — Oi, Camus. — Cumprimentou o cunhado quando o avistou na cozinha.

Camus respondeu ao cumprimento com um aceno.

— Ah, você demora demais, e também é TÃO longe a casa do Crystal que confiamos na sua experiência em logística e localização para nos achar sem um mapa. — Ironizou o pai da moça, que apena mostrou a língua ao seu genitor.

— Milo mandou uma mensagem dizendo que já estão chegando, e Kárdia disse que logo estarão aqui também, talvez atrasem um pouco, mas que não é pra começar o almoço sem eles. — Comentou Cassandra olhando para a tela do celular.

— Essa aí passa o tempo todo mandando mensagens para os meninos. — Comentou Klaus.

— Meninos não, já são dois galalaus. — Respondeu Sônia.

— Pra mim vocês todos são crianças ainda e mando mensagens mesmo, oras! — Cassandra respondeu.

Crystal serviu a bebida para a moça, antes de se sentar.

— É verdade, eu sempre penso nos meus filhos como crianças, só Deus sabe o me custa ver meus filhos longe de mim. — Comentou Crystal melancólico.

— Ah, mais hoje o senhor vai matar a saudade de todos eles, não é? — Perguntou Sonia com doçura.

— Sim, depois de anos essa será a primeira vez que ficaremos todos juntos.

Camus entrou na sala levando uma bandeja com alguns petiscos de bruschettas.

— A melhor parte desse almoço é provar suas delícias Camus. — Comentou Sônia se servindo, Camus apenas agradeceu com aceno.

Bibi Bibi.

Ouviram a buzina do carro de Milo.

— Finalmente chegaram! — Comentou Cassandra pronta para se jogar no pescoço de Hyoga fazendo a vez de mãe saudosa no lugar de sua amiga Natássia.

— E lá vamos nós conhecer outro rapagão barbado. — Comentou Crystal com a voz monótona que somente Klaus escutou.

Camus foi abrir a porta e foi seguido por Cassandra e Sonia.

Klaus olhou para Crystal e perguntou para confirmar se o amigo estava realmente tranquilo. — Se comporta, viu.

— Eu tô comportado, relaxe. — Crystal respondeu, sim ele estava mudado, definitivamente não importava com quem o filho aparecesse na sala, ele continuaria o amando da mesma forma, assim como nunca deixou de amar Camus e Degel.

Logo todos estavam entrando com Hyoga, Cassandra abraçava o rapaz o enchendo de beijos e reclamando que ele estava muito magro.

— Pai quanto tempo. — Hyoga falou indo ao encontro de seu pai e o abraçando com carinho.

— Ah meu filho quantas saudades. — Respondeu o pai o abraçando de volta.

Camus que tinha os braços de Milo em volta dos ombros, sorriu ao ver a cena.

— Pai, tem uma pessoa que eu quero que conheça. — O jovem rapaz falou assim que se soltou do abraço do pai e pegou pelas mãos uma jovem que estava ao lado de Cassandra, esse é a Eire, minha namorada.

Crystal piscou algumas vezes absorvendo aquela informação antes de começar a falar. — Namorada? Mas... como assim? Você não é gay?

Hyoga fez uma careta para o pai antes de responder. — Claro que não, de onde tirou isso?

— Ué, sei lá, você faz balé, eu sempre achei que você fosse... Sei lá... Gay!

— Pai, acho que dois filhos gays já está de bom tamanho, não é? — Camus foi quem falou indo ao socorro do irmão.

Crystal sorriu com a confusão coçando sua cabeça e segurou a mão da moça. — Olá, muito prazer, mil perdões por essa confusão, é uma honra ter você aqui conosco, seja bem-vinda à família.

— Obrigada, senhor Crystal, o Hyoga me falou muito de vocês e principalmente do senhor.

— Principalmente de mim? — O pai de Camus perguntou surpreso.

— Sim, de como o senhor o apoiou mudando toda a sua vida para o acompanhar com a dança. — A moça comentou as confidências do namorado.

— Ah, não foi nada, qualquer pai faria o mesmo. — Crystal respondeu sem graça.

— Ah, foi puxado sim, eu tive que passar anos longe do meu ruivo por causa das piruetas do Hyoga. — Comentou Milo deixando Camus encabulado por estarem na presença do pai.

— Milo! — Ralhou o ruivo.

Já acomodados na sala, Crystal respondeu a moça. — Na realidade todos falavam que o Hyoga levava jeito para dança, eu nunca tinha imaginado uma coisa dessas, minha mente era bem fechada, mas quando ele foi convidado para o Bolshoi e eu vi que era uma coisa séria, abri mão de vários preconceitos para apoiá-lo nisso.

— Deixando o Milo chorando pra trás. — Desta vez foi Klaus quem comentou e Crystal o olhou estreitando a boca.

— O Milo, é o marido do meu irmão Camus, eles namoram desde a adolescência e tiveram que se separar quando eu fui morar na Rússia. — Hyoga explicou para a namorada. — Uma vez que meu pai não o deixou ficar na Grécia sozinho.

— Não tenho culpa, eu nem sabia que eles namoravam quando acertei as coisas para a mudança, veja senhorita, como eu poderia deixar um deles sozinho? O Hyoga estava indo para um mundo novo precisava do apoio da família e o Camus ainda era menor de idade, deixá-lo para trás estava fora de cogitação. — Depois olhando para o filho e para o genro, Crystal continuou. — Eu achei que já tivessem superado isso.

— Já superamos pai. — Camus respondeu encerrando o assunto, odiava ter sua vida privada como parte do assunto das famílias.

Olhando em volta, Hyoga franziu a testa e perguntou. — Onde estão Degel e Kárdia? Não acredito que eles não vieram me ver!

— Eles disseram que tinham um compromisso, mas que logo estariam aqui, mas não falaram o que era. — Sonia respondeu.

— Disseram que era uma surpresa. — Acrescentou Camus.

— Hum, o que será que eles estão aprontando? — Indagou Hyoga pensativo.

Camus estava com o almoço quase pronto.

Milo servia cerveja e vinho para os convidados, na realidade apenas Cassandra e Camus tomavam vinho, os demais não resistiram o sabor da cerveja gelada naquele verão grego.

Quando a campainha tocou Hyoga foi de pronto atender a porta já imaginando que seriam seu irmão com o marido.

E estava certo, ao abrir a porta Hyoga deu de cara com Degel e Kárdia que tinha nos braços uma menininha, com no máximo três anos de idade.

— Oh, meu Deus, quem é essa coisa linda? — O irmão mais novo de Degel perguntou sorrindo para a menina.

Todos na sala olharam em direção a porta para saber o que estava acontecendo.

— Família, essa é o mais novo membro de nossa família, Sasha, nossa filha. — Degel apresentou e logo Cassandra e Sonia foram ao encontro de Kárdia que estava com a menina nos braços.

— Ohhh, minha primeira netinha que coisa linda! — Cassandra disse emocionada pegando a criança no colo.

Camus, sorriu para o irmão e para Milo, e depois olhou para o pai que tinha uma expressão séria na face.

O senhor Klaus foi para perto da esposa, que já estava com a menina nos braços.

Degel olhou para o pai, que continuava quieto acompanhando a cena com os olhos, depois trocou olhares com o irmão. — Pai? Você não vai dizer nada?

Cassandra e Klaus que paparicavam a menina olharam na direção do amigo, um momento de tensão tomou conta do ambiente por alguns instantes.

Crystal se aproximou da menina a pegou no colo e a abraçou, com os olhos emocionados revelou ao filho mais velho. — Eu e sua mãe sempre quisemos uma menina, por isso tentamos várias vezes, mas Deus nos deu apenas meninos, contudo Natássia sempre dizia que se tivesse uma menina colocaria esse nome nela, Sasha.

E olhando para a menina sorriu ainda emocionado e disse. — Olá Sasha, aqui é o vovô Crystal.

— Ei! Eu sou o vovô Klaus, e vou ser muito mais legal que ele!

— Parem os dois! O que importa é a vovó Cassandra.

Os três avós ficaram paparicando a menina que sorria para os três avos babões.

Camus se aproximou do irmão e o abraçou. — Parabéns Degel, que surpresa maravilhosa.

Milo acompanhou o namorado nos cumprimentos aos irmãos. — Caramba, Kárdia, você pai? Tem noção disso?

— Tenho, e estou preparado, eu acho. — Respondeu o irmão de Milo.

Aquele foi um dia especial para todos, em especial para Crystal que no final do dia refletia sobre os acontecimentos e em como sua mudança de comportamento e aceitação aos filhos como eles eram só trouxe paz e harmonia para sua família, sentia muito em ter que perder a esposa e o filho para poder dar valor à família como se deve.

Quantos momentos felizes teve com os filhos e seus companheiros, ir jogos e competições, jantares entre outras coisas e agora com sua netinha, menina que amou desde o primeiro momento em que a viu nos braços do genro.

Crystal não poderia negar, era um homem feliz. Feliz com sua família e com seus filhos, enfim entendia que a orientação sexual deles pouco importava.

*-*-*-*-*-*

Milo estava deitado no sofá de sua casa com o livro de suas memórias em seu colo quando Camus se aproximou sentando no sofá fazendo Milo colocar a cabeça em seu colo e começou a alisar seus cabelos.

— O que vai fazer com isso?

— São nossas lembranças, Camus, vamos mostrar isso aos nossos filhos. — Milo respondeu levantando os olhos para encarar seu amado.

— Vamos ter que cortar algumas partes. — Comentou Camus sorrindo.

— Eu te amo, Camus.

— Eu te amo, Milo.

— Você mudou minha vida. — Ambos falaram juntos e sorriram.

Milo sentou no sofá e acariciou o rosto de Camus. — Você mudou minha vida.

Camus sorriu antes de dizer. — Você foi a luz da minha vida, Milo, ela só teve cor porque você estava comigo.

Seus lábios se encontraram mim beijo apaixonado, quando findaram o beijo Camus perguntou. — E Agora?

— E Agora? — Repetiu Milo tentando se localizar sobre o que o outro falava. — Ah sim, sobre o livro? São nossas memórias, Camus vão estar aqui eternizadas para sempre.

— Se for publicar temos que cortar algumas partes. — Alertou Camus.

— Cortar nossa história? Jamais! É nossa história, nosso amor.

— Mas ainda não está completo.

— Não, Camus, não está. Logo começaremos escrever sobre nossa vida na faculdade.

— Então vamos ter mais história vindo por aí?

— Sim, meu amor, ainda teremos mais.

— Incrível, Milo, só você para me fazer eu me expor assim.

— São nossas memórias, Camus!

— Sim, são nossas memórias.

— Camus.

— Hum?

— Vamos lá dentro pensar um pouco sobre a nova temporada.

— Milo, você não tem jeito!

E assim os amantes foram se amar, amor este que começou de forma singela ainda na infância e que amadureceu em cada batalha e dificuldade que tiveram pela frente, mas que juntos venceram todos os obstáculos.

Essa é uma história de amor.

E Agora?

Agora aguardem a continuação ou como dizem a próxima temporada.

Notas finais
Pois é amigo é o fim, mas teremos uma continuação uma nova temporada!! Sheila por que caralha você vai fazer uma nova temporada ao invés de fazer tudo por aqui? (Porque não seria justo e correto com vocês, pois quando eu pensei no plot dessa fic, ela seguiria esse caminho e terminaria aqui da forma que foi, nunca esteve em minha mente escrever essa passagem deles pela faculdade e tals, essa ideia começou há pouco e uma fic não pode ser escrita no susto, eu ao menos não sei escrever assim, eu preciso preparar todo o enredo, as tramas, os conflitos e tudo mais, coisas que eu não havia pensado, por isso achei mais digno deixar o caminho aberto para uma continuação e fazer o final proposto desde sempre). Explicado a questão da continuação eu quero saber o que acharam? Argol fora do armário, Misty boy magia alá Pablo Vittar, Kárdia e Degel com sua filha, Crystal dando valor ao que realmente importa, Hyoga hétero (só pq ele era bailarino ele tinha que ser gay?), Camus e Milo casados, felizes amo demais. Pessoal foi uma maravilha ter a companhia de vocês por esses 4 anos, essa fic foi e é muito importante pra mim acompanhar o crescimento deles diante da tela do computador foi incrível, os dois brigando para ver quem contaria a historia foi a melhor parte, eu realmente consegua ver eles discutindo hauhauhuahuahua. Muito amor a todos que acompanharam até aqui. GRATIDÃO SEMPRE!!! Junte-se a nós no grupo das fics no facebook >>> https://www.facebook.com/groups/1099706026776907/ ou no Whatsapp >>> https://chat.whatsapp.com/G4vT1IWNZeR2ZLE1DDVtw0
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!