E Agora?

1 Capítulo 1 - Os Vizinhos Novos


Notas iniciais
Pessoal quem acompanha Última Chance, não me xinguem! Essa fic já estava escrita há uns seis meses, mas só agora decidi postar. Espero que gostem e que acompanhem. É minha primeira fic com está narrativa em primeira pessoa, estou aberta a puxões de orelha sempre que eu precisar. No mas, obrigado Vivi pelo carinho amor e paciência em sempre betar minhas fics. Boa leitura

Eu tinha oito anos quando eles se mudaram para a casa da frente.

Bom, seria interessante me apresentar primeiro: meu nome é Milo, Milo Scorpion, vou tentar contar aqui como eu conheci a pessoa que mudou minha vida e minhas certezas.

Como estava dizendo, eu tinha oito anos quando aquela numerosa família se mudou para a casa da frente. Não que fossem muitos, eram seis pessoas, o Sr. Crystal, um homem de poucas palavras, sua esposa Natassia, muito bonita com um sorriso gentil, Degel o mais velho, Camus e Issak eram os filhos do meio, e Hyoga, o caçula.

Camus tinha a mesma idade que eu, logo que chegaram em nossa vizinhança minha mãe achou por bem ir cumprimentá-los, e, como toda família tradicional grega ela levou um grande bolo de boas-vindas, aqui sempre envolve comida quando quer que alguém goste de você.

Eu, como o caçula, sempre tinha que acompanhar minha mãe nos lugares.

Minha situação de caçula era temporária, no entanto, pois logo Sônia nasceria, e eu passaria a ser o filho do meio, pra mim ser filho do meio é igual a liberdade, sem ter que ser o exemplo de ninguém e muito menos o bebezinho de ninguém.

As mulheres têm um dom esquisito de se tornarem amigas no nada, pelo menos foi assim com nossas mães, e eu fiquei lá apenas escutando as duas conversando, absolutamente entediado.

Natássia chamou os filhos dela para lancharem conosco.

Degel deveria ter por volta de quatorze anos, a idade do meu irmão Kárdia, o Camus tinha minha idade, oito anos; o Issak tinha seis, e o Hyoga quatro. Sabe eu acho que o Sr. e a Sra. Versau precisavam comprar uma TV, urgente!

Bom, os meninos eram todos muito calados, Degel era polido e quieto, o Camus que era o único ruivo da casa, gostei da cor de seus cabelos. O Camus era uma cópia do Degel, ou pelo menos ele imitava o irmão em tudo; Issak era legal e educado, mas também tentava imitar o Degel e o Camus, e até o pequeno Hyoga tentava fazer o olhar blasé dos outros, mas ainda não conseguia.

Fiquei sabendo que eles eram franceses e se mudaram para a Grécia por causa do trabalho do Sr. Crystal, os filhos não gostaram muito, principalmente Degel que era um adolescente.

Eu só olhava para o Camus, aquele cabelo vermelho e extremamente liso era diferente pra mim, acho que nunca tinha visto um ruivo antes.

Acho que, de tanto olhar pra ele, acabei chamando sua atenção e ele acabou olhando em minha direção com seus olhos cor de mel que, talvez por reflexo dos cabelos, se tornavam avermelhados, eu sem graça sorri pra ele que apenas me olhou enfadado, "nojento" — pensei.

Esse foi meu primeiro contato com o Camus.

Não tive mais contato com os Versaus, pelo menos não por uma semana, até que minha mãe teve a brilhante ideia de indicar minha escola para a Sra. Versau, então um dia estou na aula e o cabeça de tomate chega totalmente sem graça. A professora o fez ficar na frente e se apresentar para toda a turma, quase fiquei com pena dele... quase!

Mas, confesso que foi divertido vê-lo vermelho como um pimentão tendo que falar para todo mundo de onde veio e por onde passou, foi assim que descobri que o pai dele viajava muito a trabalho, ele era militar e já viveram em três países diferentes, a Grécia era o quarto pais que eles moravam.

Assim que terminou de se apresentar, Camus foi sentar na primeira carteira ao lado da mesa do professor um lugar que ninguém nunca quis, por motivos óbvios, então descobri mais uma coisa sobre ele: era um nerd.

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Aioria havia me dito que precisávamos tomar jeito ou iríamos repetir de ano com as notas que estávamos, olhei em volta e vi aqueles cabelos ruivos, então pensei "ou estudo muito, ou fico amigo de alguém que faz isso", o Camus era o único da sala que tinha cara de inteligente, então peguei minhas coisas e sentei atrás dele.

— Oi tudo bem, vou sentar aqui agora. — Falei simpático e sorrindo pra ele e imagine o que ele fez?

Isso mesmo! Me olhou feio e virou pra frente, nem me deu atenção! Aquele metido... só porque eu nunca falei com ele desde que entrou na escola. Um grande metido, esse ruivo.

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Agora imagine um ruivo, nerd, metido, arrogante e novato em uma escola grega. Imaginou?

Pois é, problemas.

Estava no portão da escola conversando com Aioria, que era meu amigo, ou seria melhor dizer cúmplice? Enfim, estávamos conversando quando vimos o Argol e sua turma cercando o ruivo.

— Olha o que temos aqui, um idiota novo! — Falou Argol rodeando Camus com seus amigos.

Camus nada respondeu, ficou apenas estudando o garoto a sua frente.

— Você é muito metido e não gosto de você, acho que merece uma lição. — Ameaçou.

Olhei pro Aioria. Numa coisa concordávamos: ele era metido mesmo, mas minha turma nunca se deu com a turma do Argol, e se ele estava contra alguém, eu tinha que ser a favor desse alguém, mas esperaria um pouco antes de agir.

Acho que o Camus merecia uma lição.

Vi quando Argol jogou os livros do Camus no chão e logo ele e o ruivo estavam rolando ali, acho que o Camus levou uns três socos do Argol, que não chegou a levar nenhum do ruivo.

Olhei pro Aioria e decidimos, num contato mudo, que já era hora de intervirmos.

Eu já cheguei na sede de bater no Argol.

— Ei, seu bosta! Por que não vem bater em mim? — Perguntei já pulando em cima dele e o enchendo de socos.

Rolamos no chão até que a turma do Argol "arregou" e ele teve que sair correndo também pra não ficar sozinho comigo e com o Aioria.

— Pode ficar aí com seu namoradinho. — Argol saiu gritando.

Olhei para o Camus e vi que ele já havia se levantado e estava pegando suas coisas espalhadas no chão.

Por um momento fiquei bravo por ele não me agradecer, mas depois percebi que ele estava sangrando nos joelhos e na boca e notei também que ele estava segurando o choro, tentando se acalmar.

— Você está bem? — Perguntei preocupado.

Ele sorriu sem graça e confirmou com a cabeça. — Obrigado. — Eu o ouvi murmurar.

— Não foi nada, este Argol é um idiota. — Falei enquanto o ajudava a pegar suas coisas que estavam espalhadas na rua.

— Sempre tem um babaca! Em todo lugar em que estive sempre tem alguém que acha que devo apanhar. — Camus confessou num desabafo inconsciente. — Achei que seria você a querer me bater, mas estava enganado, você me ajudou. Desculpe.

— Desculpar o quê? — Perguntei sem entender.

— Me desculpe por pensar mal de você, fui injusto. — Ele falou, me senti constrangido, pois se o Argol não puxasse briga com ele, eu com certeza teria feito isso um dia, mas achei melhor não colocar em risco minha recém adquirida amizade com aquele ruivo enigmático.

— Oi, eu sou o Aioria — ouvi meu amigo o cumprimentando.

— Oi, sou o Camus. — O ruivo respondeu com um sotaque engraçado, me lembrei de que ele era francês.

Aioria foi embora, ele passaria no trabalho do pai dele, que era ali perto e eu fui com o Camus pra casa.

— Olha, não se preocupe... você não é o único estrangeiro da rua, tem o Shura que mora mais pra frente, ele é espanhol; tem o Dite que é sueco, — eu ia explicando pra ele e mostrando as casas e falando como tudo funcionava ali. — Eu tenho um irmão, o Kárdia, o Aioria tem o Aioros, nós somos gregos mesmo. Tem o Saga e o Kanon eles são mais velhos e mais chatos. Neste bairro há muito estrangeiros.

Eu falava bastante enquanto o ruivo apenas me escutava quieto.

— Você não é de falar muito, não é mesmo? – Perguntei quando chegamos a casa dele.

Ele me olhou e respirou fundo antes de responder, — Desculpe é que nos mudamos muito e tenho medo de fazer amigos e em seguida, me mudar de novo.

— Entendo, mas se você tiver que se mudar seremos amigos ainda, poderemos manter contato por cartas. — Falei confiante, este era o meu jeito.

Vi que ele ficou me olhando por um tempo e depois sorriu.

Quando entramos vi a mãe dele perguntar preocupada o que tinha acontecido e ele dizer que tinha caído na saída da escola. Ele me olhou de forma cúmplice, e confirmei sua história.

A partir dali começamos uma forte amizade.

Aquela foi a primeira vez que protegi o Camus, claro que tiveram outras, não com os garotos da escola, pois depois que descobriram que ele era meu amigo eles o deixaram em paz, pelo menos na minha frente, mas o Camus tinha o dom de atrair problemas, sério mesmo, ele parece um imã que atrai as confusões.

*-*-*-*

Estávamos com dez anos agora, havia uma clínica médica a três quarteirões da nossa casa, certo dia saí de bicicleta para dar uma volta, parei próximo ao estacionamento da clínica quando vi o Aioria chegando, começamos a conversar até que o Shura, o Argol e o Kanon se juntaram a nós.

Claro você deve estar achando estranho o Argol se juntar a nós, mas éramos crianças e nossas desavenças duravam até o início de uma nova brincadeira ou até o final delas.

— Hey, pirralhada! Qual é a boa? — Perguntou Kanon chegando próximo ao nosso grupo.

— Nada de bom, maior tédio hoje. — Argol respondeu enfadado, eu e o Aioria concordamos com ele.

Kanon olhou em direção ao estacionamento da clínica médica e viu que eles estavam guardando o lixo hospitalar ali.

— Mas que merda é essa? Isso não pode ser descartado assim, isso pode estar infectado. — Falou zangado o Kanon.

— Eles mereciam ser punidos. — Argol emendou.

Então Algol, Kanon e o Aioria começaram a juntar o lixo num canto, estava cheio de injeções, gaze, gessos, a idéia era tirar foto daquilo e mandar para o jornal, eu estava do outro lado da rua, que era estreita, mas estava do outro lado e não participava ativamente de nada daquilo.

Então, não sei ao certo quem teve a brilhante ideia de jogar um fósforo acesso naquele lixo.

Deixa eu explicar uma coisa pra você: Lixo de hospital é altamente inflamável!

A coisa começou a pegar fogo muito rápido, e nós ficamos sem ação até que uma enfermeira imensa e mal-humorada resolveu sair naquele momento.

Eu só lembro dela gritando. — PARADOS VOCÊS AÍ!

Não preciso dizer que não sobrou ninguém na rua, montei minha bike e fui pra casa encontrei a Sra. Versau no caminho, ela quis saber como eu estava, mandando lembranças pra minha mãe e eu apavorado querendo me esconder o mais rápido possível.

Finalmente consegui despistá-la e fui pra minha casa, corri e fiquei na janela observando o movimento, vendo a enfermeira maluca andar de um lado para o outro atrás dos outros, minha mãe ficou gritando, pedindo para que eu fosse tomar banho.

Achei a ideia ótima, tomei banho, troquei de roupa e saí dando a volta no quarteirão e vendo o aglomerado de pessoas, perguntei cínico. — O que aconteceu?

— Colocaram fogo no estacionamento do hospital. — Uma senhora me informou.

— Foram uns moleques arruaceiros. — Outra senhora explicava, e eu somente prestando atenção nelas com a cara mais cínica do mundo.

— Pegaram um dos delinquentes, tomara que o levem para o juiz! — Um senhor de idade avisou, e me estiquei para ver quem tinha sido pego, para que eu pudesse zoar até o fim dos dias essa pessoa, mas quando olhei na direção que o homem apontou meu coração quase saiu pela boca, lá estava o Camus sendo sacudido pela enfermeira.

— Camus! — Eu deixei escapar num sussurro.

Ele se debatia dizendo que era inocente, o pobre estava apavorado, se eles fossem falar com o Sr. Crystal o Camus estaria perdido. Digamos que o Crystal não era conhecido por sua tolerância a desobediência e mal feitos.

Os meninos viviam de castigo, e olha que eu os achava quase santos, se os comparassem a mim ou ao meu irmão.

Eu precisava fazer alguma coisa, mas o quê?

O que me fez tomar coragem foi ver que o Camus estava chorando, ele nunca chorava, nunca mesmo, ele sempre tentava controlar as emoções antes de fazer qualquer coisa, mas aquela injustiça consigo deveria estar sendo demais, talvez por imaginar o que o pai fosse fazer com ele se aquela bruxa fosse contar a versão dela.

— Parem! Soltem-no! — Gritei indo na direção deles.

Notas finais
E agora? O Milo vai fazer o quê?Vai entregar os amigos?Vai salvar o Camus?Não perca o próximo capítulo.(Musiquinha de suspense)Eu queria falar da família Versau.O Crystal é um personagem que eu gosto e ele tem um ar de pai, não teria pai melhor para essa família.Bom vale lembrar que comentários são sempre bem vindos.Críticas construtivas, não ofendem, elogios fazem bem ao ego e um pequeno comentário pode fazer essa autora muito feliz.