Dākumūn

2 Capítulo 2 - Konohagakure


Hashirama nunca correu tanto na vida. Ele precisava alcançar Tobi e Izuna. A ordem final de recuo.

Chegou junto de Madara, mas tarde demais. Tobirama havia golpeado Izuna, que estava nos braços do irmão.

—Madara! Leve Izuna até sua irmã. Rápido.-Hashirama olhou sério para o irmão.-Nós dois vamos conversar. E vocês recuem imediatamente! Se eu souber que alguém feriu outro Uchiha sem motivo algum, vai ser passível de punição por traição.

•~⚪~•

Madara admirava demais a organização e a limpeza de sua irmã. Até pensou em falar com Hashirama sobre a direção do hospital da Vila que eles iriam fundar. Mas agora não passava de um pensamento distante.

Ouvir seu irmão gemer de dor o caminho inteiro até o acampamento havia sido uma prova de fogo. Seu sharingan latejava, e Madara exalava ódio pelos poros.

Izuna apenas se abraçava mais ao irmão, queria tanto que ele não se afundasse em ódio. Se Madara sucumbisse, a sonhada paz deles iria por água abaixo.

Akira sentiu o chakra dos irmãos ao longe, e os aguardava na porta. A expressão de horror no rosto dela quase fez Madara dar meia volta e assassinar Tobirama. Mas Izuna era uma prioridade.

Deitou o irmão caçula no futton, assistindo a agilidade da irmã em arrancar a armadura e cortar a camiseta para expor todo o tronco do mais novo.

Foram as piores horas de suas vidas.

Ninjutsu médico, suturas, unguentos, mais ninjutsu... Até que Akira deu uma mistura para amortecer o corpo de Izuna, que ela costumava usar em cirurgias de emergência, deitou o rosto no peito do caçula e passou a chorar, completamente desamparada.

—Oneesan...

—Me perdoa... Por favor... Por favor, irmãozinho... Por favor... Me perdoa...

—Oniisan...-O caçula olhou, triste, para o mais velho.-Ajuda...

Madara sentou ao lado da irmã, tocando as costas estreitas com carinho. Mas seu olhar ainda fixo no rosto do irmãozinho.

—O que você foi fazer lá, Izuna?

—Se... Eu tivesse "decidido" não me mexer... Eles especulariam... Que você matou papai... E você não... Seria o chefe do... Clã...-Com muito esforço, Izuna entrelaçou os dedos nos cabelos longos da irmã.-Onee-san... Não chora... Não é culpa sua... Isso é guerra... Acontece...

O choro da mulher apenas ficou mais intenso, e ela ficou em absoluto silêncio, enquanto seus irmãozinhos assistiam o corpo dela balançar com os soluços.

—Izuna...

—Não desista de Konoha... Promete?-Os olhos impiedosos de Madara marejaram e ele segurou a outra mão do irmão caçula.-E cuida da Oneesan... Não deixa mais fazerem com... As outras meninas... O que Otousan fez com ela...

Madara voltou a espalmar a mão livre nas costas da irmã.

—Prometo...

—E pegue meus olhos... Você não pode proteger a oneesan... Sem os olhos.-Izuna balançou levemente a cabeça da irmã, para chamar sua atenção.-Ajuda?

A mulher respirou fundo. Ela quem havia dito a Izuna que o irmão deles estava praticamente cego pelo uso excessivo do Sharingan. Tal como o pai deles antes de morrer.

—Ajudo.

O transplante foi um sucesso absoluto.

Izuna se permitiu ficar deitado contra o seio de sua irmã, na mesma posição que mamava quando era um bebê. Rodeado pelo calor e o perfume dela. Sabendo que Madara estava adormecido pelo efeito do remédio. O pedido oficial de paz feito por Hashirama chegara e fora aceito enquanto sua irmã preparava toda a assepsia do ambiente para fazer a cirurgia.

Agora ele podia ir.

Se aconchegou mais ainda.

—Oneesan... Eu amo você... Obrigado por cuidar de mim e do Oniisan... Nunca mais deixe outro homem ser cruel com você. Promete? Eu vou ficar de olho, tá bem?

Ela suspirou pesado, beijando todo o rosto do irmãozinho. Aquela cena partiu o coração de Hashirama.

Ele havia acabado de chegar, para agradecer pessoalmente ao aceite de Madara, e para mostrar que confiava que o desejo de extinção da guerra do clã inimigo era tão forte quanto o seu. Recebeu sorrisos gratos de diversas mães por seu caminho.

Agora ele tinha dimensão da merda que Tobirama havia feito. Ele quase via o coração de Akira esmigalhar de dor.

— Eu prometo... Você precisa descansar, meu amor... Pode ir...

—Oniisan...

—Ele vai demorar... Mas ele vai atender que você estava cansado... Pode ir...-A respiração do rapaz ficou mais tranquila.-Eu também te amo, Izuna... Eu sinto muito, otouto...

•~⚪~•

Os clãs entraram em pé de paz absoluto quando Akira abriu as portas do pequeno centro médico provisório do acampamento dos Uchiha. Era simples, mas a higiene do local era incomparavel à aprecariedade do ambiente no acampamento dos Senjus.

As mães que tinham minimo controle de Chakra se dispuseram a aprender ninjutsu médico. E logo o clã não importava mais. Elas enxergavam todos os seus pacientes como filhos e sobrinhos que mereciam cuidado e carinho. E logo os ninjas remanescentes estavam devidamente recuperados, e auxiliando os civis na construção de Konohagakure. Tal e qual Madara e Hashirama faziam. Sempre lado a lado.

Aquele dia não era diferente.

Os dois estavam sentados, comendo algumas frutas depois do trabalho duro. Eram bons amigos novamente, para o horror de Tobirama. A tragédia da morte de Izuna nunca estava em pauta entre eles. E aquilo doía em Hashirama.

—Você parece preocupado.

A voz de Madara trouxe Hashirama de volta de suas pequenas reflexões sobre as consequências do preconceito ainda enraizado no irmão caçula.

— Não vejo Akira há quase um mês...

—Se quer saber se ela está te evitando... Sim. Na verdade, não você... Ela não quer correr o risco de encontrar Tobirama andando pela aldeia... Tem usado o Kamui para ir do hospital para casa, e vice versa... Ela não vai, sequer, a feira... Ela adorava fazer isso... Quando eu era pequeno.-O lendário Uchiha deu um sorriso triste.-Nossa mãe não gostava de cozinhar... Mas a mana fazia questão.

E, de novo, nada era dito sobre Izuna. Nem mesmo seu nome.

—Acha que... As coisas sairiam do controle se ela encontrasse Tobirama?

—Olha, Hashirama...-O Uchiha suspirou pesado, observando as pessoas caminharem pela estrutura já bem formada da Vila. Agora eram os acabamentos, os pequenos detalhes... Era uma vila linda e extremamente agradável. Outros clãs menores haviam vindo buscar abrigo quando souberam sobre Konoha. E tudo estava na mais perfeita paz.-Akira salvou inúmeros ninjas ao longo de todos os anos de conflito. Salvou quem podia ser salvo, sem fazer diferenciação pelo clã, patente, grau de inocência... Nada. Ela teve a chance de deixar você morrer, o que tiraria seu pai dos eixos e nós dizimariamos o seu clã. Mas Akira fez questão de te salvar, sem nem saber se você iria concordar com as ideias dela... E a única pessoa pela qual minha irmã fez tudo o que fez... Pela qual aguentou as surras, os castigos, os maltratos... Todo o sadismo do nosso pai, que considerava qualquer fraqueza digna de punição severa, e não suportava a ideia de ter um filho fraco... O seu irmão tirou dela sem nenhuma razão. Izuna nunca atacou Tobirama para machucar. Ele só queria enrolar para que os demais acreditassem piamente que mandariamos todos recuarem ao mesmo tempo.

— Para que você não fosse acusado de traição ao clã Uchiha...-O mais baixo apenas assentiu, olhando para o novo centro médico.-Madara... Por que não pediu a cabeça de Tobirama como prova de boa fé?

—Antes de eu pensar em fazer isso você se voluntariou ao suicídio pra compensar a morte do Izuna, e quase afundou uma kunai na sua barriga.

—E você me impediu.

— Não, burro! Minha irmã te impediu. Eu não tive tempo de pensar, Hashirama! Ela usou o sharingan para me fazer salvar você da sua própria estupidez!

Os dois ficaram em silêncio por longos minutos. Usando o sharingan, Madara viu sua irmã aparecer na janela de seu consultório no centro médico. A expressão carregada de tristeza estava ali. Sabia que ela havia atendido um paciente difícil naquela madrugada. Um caso parecido com Izuna. Mas o menino sobreviveu. E isso a fez se culpar mais pela morte do caçula.

Konoha tinha uma aura de intensa paz. Mas Hashirama não conseguiria, jamais, dimencionar, o quanto aquilo custava aos irmãos Uchiha.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.