Défi Nouti
3 Aliança
No dia seguinte as aulas voltaram. Antes de irem para as salas, o diretor fez um pronunciamento a respeito da morte súbita de um dos alunos dentro da escola no dia anterior.
– Como nossa sociedade é hipócrita, o próprio diretor sempre considerou o Cabeção Cabeça como um aluno problema, e só porque ele morreu vem falar dele como um herói. Mas isso acabará em breve — pensou Raito.
As aulas continuaram normalmente depois disso, naquele dia e também nos próximos. Yagami foi paciente, escolhendo cuidadosamente quem seria seu próximo alvo. As vítimas mais naturais seriam os capangas do Cabeça, mas depois da morte do seu líder, eles pararam de perturbar os outros estudantes.
A escola estava praticamente “limpa” segundo ele, com uma excessão: o filho do diretor. Ele era ex aluno, tinha se formado há alguns anos, e agora voltou para lá como estagiário, trabalhando na administração. Mas boatos diziam que ele costumava assediar as alunas, se valendo de sua posição.
Em uma manhã, antes de ir para a escola, Raito começou a contar seu novo plano para Ryuko:
– Já escolhi o próximo que irei eliminar.
– Quem vai ser?
– Eu ainda não sei o nome dele, só sei que é o filho do diretor da escola.
– Interessante. Mas porque vai fazer isso, ele é mais um aspirante a bandido, como aquele que você matou na semana passada?
– Pior do que isso. Ele é o pior tipo de criminoso que existe, ele se vale de sua posição como filho do diretor e também de trabalhar na administração da escola para se dar bem com as alunas. Já ouvi falar que ele até ameaçou expulsar uma garota caso ela não fizesse sexo com ele.
– Terrível hein. Mas como você sabe disso?
– Já ouvi umas meninas falando sobre isso na rádio corredor. Mas não se preocupe, eu sou a justiça, e não vou matar um inocente, tenho um plano para descobrir se os rumores são verdadeiros ou falsos.
– Essa eu vou querer ver bem de perto ha ha ha.
Raito foi para a escola, pronto para colocar o seu plano em prática. Passou pelos portões e foi logo para a secretaria.
– Bom dia, poderia falar com o filho do diretor?
– O senhor Hamamatsu? Ele chega um pouco mais tarde, mas eu posso ajudar — respondeu a recepcionista.
– Desculpe, o assunto tem que ser com ele.
– Então volte na hora do intervalo. Vou deixar avisado que você quer falar com ele.
– Muito obrigado.
Raito foi para sua sala e voltou na hora do intervalo. Foi para a secretaria e falou com a recepcionista, que disse para ele esperar que logo o jovem Hamamatsu o atenderia. Ele ficou esperando sentado e cerca de cinco minutos depois uma porta se abriu e de lá saiu uma menina loira magrinha correndo e chorando. Raito a reconheceu, seu nome era Misa Amane, uma aluna da sua turma, mas que até então nunca havia trocado palavra alguma com ela.
– Será o que aconteceu para ela sair dessa sala assim? — perguntou Raito para si mesmo.
Logo depois Raito foi chamado e entrou. Era uma sala pequena porém bem arrumada, com um computador, um armário de ferro e uma mesa com duas cadeiras, e em uma delas, estava sentado Hamamatsu, um jovem de uns vinte e poucos anos, alto, magro de cabelos pretos lisos, que usava um terno cinza.
– Em que posso ajudá-lo, senhor...
– Yagami.
– Em que posso ajudar senhor Yagami?
– Estou fazendo uma pesquisa: é verdade que você assedia sexualmente as meninas da escola?
– Yagami, é um absurdo você fazer uma insinuação como essa para um funcionário da escola. Eu poderia suspende-lo agora mesmo, mas me parece que você é da turma especial, então vou te dar outra punição: você ficará uma hora depois do fim das aulas limpando as salas por uma semana.
– Sim senhor.
Raito se retirou com muita raiva, mas a conteve para não estragar seu plano. Tinha quase certeza de que ele era culpado. “Se fosse inocente simplesmente teria respondido não”, pensou Yagami.
No fim do dia, Raito se apresentou ao castigo. Para sua surpresa, Misa também estava lá.
– Oi, você é o Raito Yagami estou certa?
– Sou sim. Você também ficou de castigo?
– Fiquei, aquele desgraçado está me perseguindo.
– O filho do diretor?
– Ele mesmo.
– Hum, parece que ele tem feito muito disso. Vamos conversar enquanto fazemos a limpeza.
Os dois pegaram o material de limpeza no almoxarifado e partiram para as salas. Raito pegou a vassoura e começou a varrer, enquanto Misa ficou limpando as janelas.
– Desculpe se estou sendo indelicado, mas eu te vi saindo da sala do Hamamatsu chorando hoje. Posso saber o que aconteceu?
Misa parou por um instante, fez uma expressão triste e continuou.
– Não quero dar detalhes, mas fiquei de castigo só porque eu não quis fazer uma coisa que ele queria snif.
Raito fez cara de compadecido mas por dentro estava feliz, essa era a confimação de que precisava. Após terminar o trabalho e guardar o material, falou com Misa:
– Sei que a situação não foi das melhores, mas foi um prazer te conhecer melhor.
– Ai Raito, sinto o mesmo — disse Misa com as bochechas vermelhas.
– Quando eu chegar em casa meus pais vão me perguntar porque eu demorei então vou ter que contar sobre o castigo. Você sabe o primeiro nome do Hamamatsu?
– Sim, é Toshio.
– Obrigado. Até amanhã.
Raito foi para casa, acompanhado de Ryuko que o seguia em silêncio. Ele entrou em casa, cumprimentou sua família e foi para o quarto.
– Já conseguiu a prova de que o sujeito é mesmo um mau caráter?
– Com certeza. Primeiro, ele se enfureceu quando eu perguntei se os boatos eram verdadeiros, e depois, a Misa saiu chorando da sala dele e foi posta de castigo. Quando perguntei o que houve, ela apenas disse que ela não quis fazer alguma coisa que ele propôs, e é lógico que ele queria algum envolvimento sexual com ela. Com certeza ela não contou exatamente o que houve por estar constrangida, mas está claro o que aconteceu.
– O que vai fazer agora?
– Já tenho o nome dele, mas já está de noite, não terá graça se ele morrer em casa. Amanhã na escola eu escrevo o nome dele no Défi Nouti e pãã, ele morre.
– Não acha que vai chamar muita atenção sempre matando pessoas da escola e no mesmo horário?
– Não tenho do que ter medo. Mesmo que investiguem, duvido que algum detetive vai suspeitar que tenho um caderno sobrenatural.
Na manhã seguinte Raito foi para a escola, pronto para escrever o nome de sua próxima vítima. Esperou até o horário do intervalo, quando tinha certeza de que o filho do diretor já estava na escola. Não saiu da sala como os outros alunos, e quando estava sozinho, pegou o seu caderno e escreveu Toshio Hamamatsu.
Depois de ter escrito o nome da vítima, saiu da sala e foi para o pátio. Em alguns minutos viu uma funcionária saindo da secretaria correndo, e logo a enfermeira foi para lá. Raito apenas ficava observando de longe.
– Parece que você pegou mesmo ele não é?
– É claro que sim. Logo receberemos a notícia de sua morte.
E Yagami estava certo. O sinal tocou e os alunos foram mandados para as salas, mas durante as aulas ouviram a sirene de uma ambulância e, antes do horário do almoço, foi anunciado pelos auto-falantes da escola:
– Com muito pesar informamos que Toshio Hamamatsu acabou de falecer. Ainda não sabemos a causa da morte, mas há suspeita de que tenha sido uma parada cardíaca. As aulas estão suspensas até amanhã.
Raito foi para casa rindo, muito feliz com o que aconteceu. Novamente não havia ninguém em casa, o que deu mas liberdade para conversar com Ryuko.
– Eu sou um gênio. Acabei com mais um criminoso em minha própria escola.
– É verdade. E o que pretende fazer daqui por diante?
– Acho que está bom de agir na escola por enquanto, ela é pequena demais para um deus. Vou partir para o mundo agora.
– E como vai fazê-lo?
– Vou começar a eliminar criminosos famosos, alguns presos mas muito deles em liberdade, que se aproveitam de nosso sistema penal falho.
– Hum, agora vai ficar interessante.
Raito ficou a tarde toda no computador, buscando nomes e fotos dos tais criminosos famosos na internet. Seus pais chegaram, mas ainda assim ele continuou concentrado na sua pesquisa. De repente ouviu sua mãe o chamando.
– Raito, tem alguém te chamando no portão.
– Já to indo!
Yagami foi atender sem ter idéia de quem seria. No portão, viu que era a Misa.
– Oi Raito, quero muito falar com você.
– Ah...está bem, fale.
– Tem que ser em particular. Tem algum lugar reservado na sua casa?
Raito não estava entendendo o que ela queria, mas resolveu deixá-la entrar.
– Vamos para o meu quarto.
Os dois entraram. Ela cumprimentou os pais do Raito, e logo foram para o quarto e fecharam a porta.
– Viu, não falei que ia ser bom ele ficar na turma especial? Parece até que ele já arranjou uma namorada — disse Soichiro para Sachiko Yagami.
– Não sei, algo de errado não está certo. Ela é bonitinha, mas não gostei dessas roupas de piriguete que ela tá usando.
No quarto, Raito pergunta a Misa o porquê da visita:
– Estou muito agradecida pelo que fez.
– Como assim, o que eu fiz?
– Eu sei que você quem matou o Hamamatsu. Também sei que você matou o Cabeça.
– Ih Raito, ela te descobriu ha ha ha.
– Não sei do que está falando.
– Eu sei que você escreveu o nome do Cabeça várias vezes naquele caderno preto. Mas no dia que você perguntou o nome dele e depois escreveu de novo, ele teve morte súbita. E antes disso, você o provocou, ninguém seria louco o suficiente para provocar o maior brigão da escola, a menos que tivesse certeza que ele logo morreria.
– Nossa, como ela é inteligente...
– E depois você me perguntou sobre o que aconteceu entre o filho do diretor e eu, e também o primeiro nome dele. No dia seguinte, você foi o único aluno da turma que não foi pro intervalo e ele morreu. Com certeza escreveu o nome dele nessa hora não foi?
Raito ficou paralizado de pânico, sem dizer palavra alguma. Misa continuou:
– Não se preocupe, não vou dizer nada. Na verdade, quero propor uma aliança.
– Aliança?
– Pelo que parece, você só mata pessoas más. Confio no seu julgamento, mas percebi que nem sempre você consegue descobrir o nome dos sujeitos, já eu sou muito boa nisso, minha proposta é a seguinte, você escolhe quem vai matar e eu descubro o nome. O que acha?
Raito ficou pensativo por uns instantes e respondeu:
– Aceito a aliança.
– Yuuupi — Misa pulou de alegria.
– Mas seja discreta. Sei que você é muito esperta, até me descobriu, mas lembre-se que eu sou o melhor aluno da classe especial, logo sou mais inteligente que você.
– Eu sei disso, eu estou aqui pra te ajudar.
– Ótimo. Agora vá, quando eu precisar de você eu entro em contato.
– Tudo bem, se precisar descobrir um nome, ou sair pra jantar, quando precisar de alguém pra te esquentar quando estiver frio...
– Tchau — Raito a segurou pela mão e praticamente a arrastou pra fora de casa.
Quando voltou para o quarto, Ryuko foi falar com ele:
– Ela te pegou. Vai fazer o que?
– Por enquanto ela pode ser útil, mas se em algum momento ela se tornar uma ameaça, é só escrever seu nome no Défi Nouti hahahaha (risada maléfica).
Enquanto isso, Misa foi para casa escrever no seu diário:
– Querido diário, hoje foi um ótimo dia. Eu estava certa, aquele gato do Raito Yagami consegue matar a distância, e hoje ele matou aquele desgraçado do Toshio Hamamatsu. O cara me chamou na sala dele pra falar que eu era uma grande aluna, mas que eu estava tendo um problema de peso, uma tal de anorexia. Vê se pode, ele vem me falar de problema de peso porque eu sou grande, ELE ME CHAMOU DE GORDA! E depois me deixou de castigo só porque eu xinguei ele, ainda bem que agora ele já está a sete palmos debaixo da terra.
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