Ano novo, a noite do dia 31 de dezembro para o dia 1º de janeiro foi marcada por um acontecimento importante no mundo dos jogos: o lançamento da continuação do famoso jogo que dominava principalmente os Estados Unidos da América, "Dystopia", um MMORPG (massively multiplayer online role-playing game) com realidade virtual de imersão total, jogo pago com mais de 50 milhões de jogadores em todo o mundo. O novo título, "Dystopia: Age of Calamity", tinha servidor próprio, a empresa lançou um único capaz de suportar todas as necessidades dos jogadores, que puderam realizar a transferência do personagem do primeiro jogo para esse. Utilizando uma tecnologia jamais antes vista, Fantasy World, a desenvolvedora, prometeu revolucionar o mundo dos jogos com esse novo título.

— Dystopia on! — O dono de uma voz masculina um pouco grave e jovial fala após conectar na cabeça o DreamWave, dispositivo lançado exclusivamente para o jogo.

Gilgamesh, um personagem da classe bárbaro, possui pele branca bastante bronzeada, cabelos negros ondulados na altura do ombro, olhos castanhos escuros, muitos músculos nos braços, tórax e abdômen à mostra devido aos equipamentos. Sobre o ombro direito ele carrega uma peça de couro e lã, presa por tiras de couro que passam pelo seu forte tronco. Nos membros inferiores há uma saia de couro na altura do joelho, coberta com lã e sobre a barriga tem um grande cinto de couro. Suas botas eram de um couro bem grosso com detalhes de lã nas aberturas e toda a lã de seus equipamentos são tingidas de negro.

— Caraaaaaaaaca! — fala Gilgamesh após sentir a brisa bater em seu rosto no meio da pequena cidade inicial. O jogo agora proporcionava sensações únicas, podia-se sentir o vento tocar o rosto, o frio da água nas mãos, o mau cheiro deixado pelos cavalos que passavam, ele se sentia como se estivesse no mundo real de tão perfeito que era.

O jovem decidiu dar um passeio até que seu amigo logasse no jogo, ele estava sorridente igual raramente ficava, era difícil algo deixa-lo tão animado e feliz igual esse jogo estava o deixando. O bárbaro caminha pelos campos, podia ver muitos novatos sem equipamentos ou armas matando alguns pequenos lagartos e lobos, por instinto ele saca seus dois machados presos nas tiras que passavam pelas costas, e lança sem muita força em um lobo próximo, ele arregala os olhos e solta um grito de excitação quando ouviu o som abafado do machado perfurar a carne do animal que cai no chão a sangrar e sofrer até a morte.

— Velho, isso tá demais! — grita o rapaz super animado, o jogo que ele passou tanto tempo a se dedicar ganhara uma continuação muito melhor.

Gilgamesh vai buscar o machado e quando se abaixa para pegar começa a ter alguns pensamentos, dá um sorriso maligno enquanto se levantava com a arma na mão, o corpo do lobo continuou no local. O bárbaro caminha até um NPC (non-player character), ou personagem não jogável, responsável por dar as primeiras missões aos novatos no jogo, um homem com túnica verde, cabelo curto loiro e um dos braços enfaixados.

— Hey. — Gilgamesh cumprimenta com um olhar suspeito.

— Olá, nobre aventureiro, como vai? — pergunta o NPC à ele.

— Estou muito bem — responde Gilgamesh enquanto toca o braço do NPC.

— Algum problema, amigo? — questiona com um rosto estranho enquanto afasta o braço.

— Hm, não... nada não... — responde a olhar o NPC dos pés à cabeça enquanto lentamente saca seus dois machados, estava diferente, parecia que o personagem dialogava com ele de uma forma nova e mais realista.

— Aqui, eu trouxe os 20 pedaços de cauda de lagarto. — Um jogador com avatar infantil diz após acessar seu inventário, materializar alguns itens e passa-los para o NPC.

— Oh, obrigado, meu jovem, aqui está uma pequena recompensa pela ajuda, não é muito, mas estou bastante agradecido — sorriu o homem a entregar algumas moedas para a criança e juntar os itens numa caixa próxima. Como estava com o braço ferido não podia realizar suas tarefas, por isso pedia auxílio aos aventureiros, forma como eram tratados os jogadores.

Sem aviso prévio, enquanto o NPC guardava as caudas de lagarto em uma das caixas, Gilgamesh o acerta nas costas com um dos machados, retira com certa dificuldade e enfia o outro machado na perna do homem que gritava de dor se contorcendo no chão, junto com as caixas caídas e muito sangue.

— Caraca, que perfeito! — sorria Gilgamesh enquanto esquartejava o homem a gritar, seus machados perfuravam a barriga e os órgãos se abriam, o sangue espirrava pelo rosto e chão, uma criança que estava próxima vomitou ao ver a cena. Era um campo aberto e um pouco distante da cidade, apenas aventureiros passavam por lá.

— Ei, por quê você fez isso? — reclama uma garota a se aproximar, ela estava enojada com aquilo, queria entregar algum couro de lobo para o NPC e finalizar a missão.

— Relaxa, já já ele deve renascer. — O bárbaro sorriu e, em seguida, vai até um lago para lavar suas armas e seu corpo, ambos bastante sujos de sangue que não desaparecia igual antigamente. A água do mundo virtual parecia exatamente como a do mundo real, a sensação que se tinha era que realmente estava a nadar.

Gilgamesh guardou seus dois machados, balançou seus cabelos molhados e abriu o menu do jogo. Ele pôde visualizar várias notificações de mensagens do seu amigo Samael. Ao que parecia, ele precisava ir a uma dungeon para obter experiência como mago e Gilgamesh havia ignorado essas mensagens, pois estava ocupado matando o NPC da cidade inicial. Ele respondeu seu amigo, avisando-o sobre o local de encontro.

— Teleportar, Swellgen Village — fala o aventureiro enquanto segura a pedra de teleporte, mas por alguma razão não funcionara. — Maravilha, que comecem os bugs — reclama ele a começar caminhar, por sorte a vila ficava próxima O bárbaro corre por 10 minutos até chegar na verde e formosa vila. — Onde será que aquele idiota está?

— Aqui! — diz Samael a tocá-lo no ombro, pelas costas.

— Se o PvP (player versus player) estivesse ativado, eu socaria a sua cara somente por tocar em mim — fala Gilgamesh com feição irritada. — Antes de tudo, entre em minha party (grupo), Sam.

— Ah… — Samael estava pasmo com a ansiedade do amigo. Ele olhava as letras azuis no ar, mostrando um convite.

Samael tem pele branca, cabelo preto liso na altura das orelhas e pequenos olhos pretos. O mago usa túnica vermelha de linho na parte de cima do corpo a cobrir o torço e cair sobre as pernas, estas com uma calça preta também de linho, tal qual a camisa escura que usa por baixo dessa roupa vermelha. A bota preta de um couro mais leve, mesmo material usado em vários cintos que ficam em sua cintura, sob o manto vermelho, para prender seu livro ou poções mais facilmente.

— Sam, vamos logo matar alguns monstros ou não?

— Calma, calma! Estava procurando informações desses monstros, parece que retiraram a base de dados.

— Que se dane isso! Vamos logo!

— Nossa, Gilga! Não tem mesmo amor no coração, não é?! — Samael questionava seu amigo irritado.

— Não acredito no que não vejo! Se nunca vi o amor, significa que o mesmo não existe! — forçou um sorriso irônico enquanto respondia seriamente à Samael, que havia feito quase que uma piada. — Também, não é como se você fosse de todo bem! No tutorial do primeiro jogo, ficou explodindo os NPC's e demorou quase um dia para finalizá-lo. Grande amor esse que você tem no coração, hein?! — diz o bárbaro a tirar um sorriso maligno do mago.

— Bons tempos... Vamos logo até o local da dungeon! “Morcegos na caverna”, parece fácil para mim! Já iniciei a fila de busca por jogadores, mas está dando um erro, deve ser porque a missão é secundária e não muito importante — diz Samael enquanto segura o queixo a pensar nas probabilidades.

— O quê?! — Gilgamesh estava surpreso enquanto lia algo da missão. — Não consigo me teleportar para a área, mas que droga, outra vez isso, mal começou e já está cheio de bugs esse jogo. Teleporte, busca de grupo, base de dados... — reclama ele enquanto guardava a pedra de teleporte.

— Não tem problema, se caminharmos devemos chegar lá em 30 minutos com sua velocidade, fica perto daquela colina, porém... — Samael dá um sorriso com segundas intenções.

—

— Escuta, eu não sou seu burro de carga, nunca mais me faça te carregar nas costas! — grita Gilgamesh enfurecido após jogar o amigo bruscamente no chão.

— Ai, ai — reclamava da dor pela queda. — Se fóssemos andando com minha velocidade de mago demoraria muito, se acalme. — Samael não conteve o sorriso enquanto batia as mãos na túnica para limpa-la.

— Pronto, a caverna, e agora? Achou algum grupo aí?

— Hmm... "Serviço Indisponível", desde aquela hora a mesma mensagem. — Samael olhava com seus olhos apertados, muito pensativo.

— Não parece haver nenhuma barreira aqui, acho que dá para entrar sem um grupo mesmo — diz Gilgamesh após passar pela entrada da caverna.

— Esse jogo tá muito chato, vão perder muitos jogadores — pensa em voz alta o mago com raiva do jogo estar carregado de problemas.

— Vamos! — grita o bárbaro a fazer sua voz ecoar pela caverna.

— Poderiam parar de gritar? — diz uma voz grave. O dono da tal voz sai do escuro da caverna, revelando-se um paladino. Ele usava uma armadura prateada que cobria seu corpo e parte do rosto era escondido por um elmo que deixava apenas os olhos, nariz e boca à mostra. O homem empunhava uma espada azul-cobalto e segurava um escudo gigante, que tinha misturas de branco com preto. Gilgamesh e Samael admiravam os equipamentos dele, porém estavam com caras de reprovação, não queriam ser interrompidos. — Aliás, sou o paladino Peter P. Rubens! Prazer em conhecê-los! — disse, em um som claro e bonito.

— Eu sou Samael e esse é meu amigo Gilgamesh — apresentou-se o mago que olhava para o rosto estranho do parceiro.

— Seu amigo não é muito amigável, né? — pergunta o paladino.

— Digo o mesmo do seu — responde o astuto Gilgamesh a apertar os olhos com cara de mau. — O que fazem aqui? — continuou ele a se aproximar de Peter e encará-lo.

— Fomos roubados por um ranger, as pistas nos trouxeram para essa caverna.

— Já falei que não era um ranger, aquilo era um assassino, estou certa disso — surge uma voz feminina a sair das sombras da caverna.

— Essa é a ranger Lady Elbow, minha companheira de missões — fala o paladino.

— Vocês souberam dos boatos?! Estão dizendo que se morrermos no jogo, morremos no mundo real! — pergunta Elbow para buscar um pouco de informações. Em meio a toda aquela conversa, Gilgamesh saca os dois machados.

— Calem a boca! — ele grita para todos. — Garota, ninguém quer saber de boatos estranhos! — O bárbaro fazia careta, enquanto move as armas a imitar uma voz feminina. — Ah, quem morre aqui morre lá! Ah, se está na internet, deve ser verdade! — e ele volta a falar normalmente. — Escuta aqui, Lady Cotovelo — brinca ele com o apelido da moça que significa cotovelo em inglês —, vieram aqui para fazer amizades ou jogar?!

— E você, veio aqui para jogar ou para treinar sua babaquice mesmo? — a ranger, trajando uma roupa comprida típica do deserto, disse. — Sinceramente, Peter! Este bárbaro parece com aquele cara que nos roubou! Se virem alguém da classe assassino que anda com um arco por aí, corram! Ele é realmente perigoso! — alertou.

— Eu já disse que era um ranger! Ele não era um rogue, gente! — Peter respondeu sua amiga.

— Rangers são do bem! Está claro que foi um rogue! — a inocente Elbow gritou.

Gilgamesh clicou em um botão no menu para tentar silenciar os jogadores, mas por alguma razão não funcionou. Ele ignorou mais esse bug do jogo e começou a caminhar pela caverna grotesca e úmida. O cair das goteiras criava uma melodia contagiante para o local, isso maravilhava Samael, que amava o som ambiente do jogo e mal podia esperar para lutar ao lado do seu amigo nesse novo jogo.

— Ei, querem matar uns monstros conosco? Talvez lá dentro haja mais informações sobre o ladrão — o esperto Samael pergunta aos dois jogadores próximos, Gilgamesh escutou e fez uma cara de reprovação.

— Claro, estou aqui para auxiliar qualquer pessoa de bem que precise de ajuda — sorriu o paladino contente pelo pedido e os três caminham pela caverna atrás de Gilgamesh.

— Olhem estes monstros! — o bárbaro disse, pulando para trás ao ver vários morcegos gigantes, eram dezenas.

— Eu cuido disso. Taunt! — Peter disse a entrar na frente dos aliados e usar sua habilidade que atrai a atenção dos inimigos, defendendo todos das bombas de pedra que os morcegos jogavam pela boca.

Um vento se formava. Parecia que Gilgamesh estava carregando uma habilidade. Ele rapidamente, com os machados em mãos, fez um movimento com os braços para frente, ligando assim seus dois cotovelos, deixando um machado para a esquerda e o outro para a direita.

— Vamos acabar logo com isso! Breeze Attack! — desferiu dois cortes no ar, dizimando todos os seus inimigos de uma só vez, eram monstros level baixo afinal. — Parece que nossa missão acabou, não é? Que pena, gostaria muito de ficar mais e fazer amizade com estes idiotas! — diz em tom sarcástico.

— Detesto cortar o seu barato, mas… Parece que as pedras estão se movendo! —alertou Samael.

— O quê?! — assusta-se Gilgamesh enquanto se esquivava de um ataque de pedra dos outros morcegos que apareceram.

As pedras lançadas pelos vários morcegos se uniam e, juntamente com a grande quantidade de rochas da caverna, faziam surgir um golem de pedra. Ele era enorme, quase a tocar o teto da grande caverna, e a saída fora fechada por vários pedregulhos. O monstro tinha um único olho no alto do que parecia ser sua cabeça.

— Droga, olha para isto! É gigante! Tudo bem, vamos nos acalmar! É uma missão secundária! — grita Lady Elbow assustada enquanto acertava suas flechas em alguns dos morcegos remanescentes.

Após passar muito tempo batendo e apanhando do monstro, que movia suas pedras como tentáculos, Gilgamesh estava com pouco HP (pontos de vida). Tudo o que podia fazer, era desviar dos ataques do monstro e ser protegido por Peter algumas vezes. Samael estava com o elemento ar, por ter vantagem contra terra, porém suas habilidades desse elemento tinham level baixo, não era algo que gostava e por isso não havia investido muitos pontos.

— Ele não morre nem acertando-o no que deveria ser seu ponto fraco. — Elbow gritou enquanto mirava outra flecha no olho e utilizava um buff que aumentava a velocidade dela, mas da mesma forma não surte efeito algum.

Em meio a rodopios de Gilgamesh, o monstro desferiu um ataque de pedras que lhe tiraria toda a vida. Peter, em um ato honroso, pula na frente com o escudo e é empurrado para a parede. Ao bater a cabeça, ele perde a consciência e fica com os pontos de vida próximos à zero, só continuava vivo por ter alta resistência e pontos de vida.

— Droga, Peter! Por quê interpretar tanto um personagem?! — reclama Elbow do paladino bondoso.

— Análise completa — diz Samael a ajeitar os óculos e sorrir.

— Finalmente. — Gilgamesh inspira fortemente e muda a feição, se recompondo.

— O que deu nesses dois? — pensa a caçadora ao ver a confiança que exalava da dupla de amigos.

— Esse monstro na verdade é três estrelas, após termos tirado todo HP a inteligência artificial dele alterou o modo de combate frontal, pude perceber alguns padrões de movimento. Quando ele movimenta aquele segundo tentáculo a 35 graus, o primeiro da direita faz uma angulação vertical de — explicava Samael, mas é interrompido pelo amigo.

— Para de enrolar, só me diz o que tenho que fazer, é bater no olho, não é? — pergunta o bárbaro enquanto desviava ofegante.

— Oui, monsieur, porém já tínhamos tentado fazer isso antes. Temos que acertar o olho dele no momento que ele subir o quinto tentáculo, dá pra ver a pupila dele aumentar o raio, uns 10cm para ser mais exato — diz o mago a fazer um movimento circular com a mão e o livro cinza girava rapidamente e, ao parar, se mostra agora na cor marrom.

— O que esses dois estão planejando? — pergunta Elbow para si mesma enquanto observava Gilgamesh correr com toda sua energia para cima do golem.

— Earth Wall! — Samael grita a fazer uma grande parede de pedra se formar rapidamente debaixo dos pés do bárbaro e lança-lo para o alto.

Gilgamesh no ar tenta se desviar do primeiro golpe a se apoiar em um dos tentáculos e saltar, desvia do segundo ataque e salta para outro tentáculo enquanto corria para próximo ao corpo do golem até chegar no ombro do monstro.

— Hey, idiota! — grita Samael para o golem, o rapaz estava com um rosto ensandecido, o livro que flutuava sobre sua mão agora estava vermelho. — Fireball! — diz o mago a lançar rápidos e pequenos projéteis por todo o corpo do monstro. — Isso, venha, se você continuar atacando o Gilga no alto não vai realizar o padrão que preciso. Venha, monstro idiota! — gritava o mago a jogar as bolas de fogo para todos os lados e rir ensandecidamente. — Red Hawk! — concentra um pouco de mana e um falcão de fogo se forma na sua frente, a voar diretamente para o peito do golem. — Pronto, segundo tentáculo a 35 graus, começou. — Samael sorriu enquanto desviava dos movimentos memorizados anteriormente, não era tão simples para um mago, mas ele se esforçava ao máximo. — AGORA!

— Double Axe Dunk! — grita Gilgamesh a juntar os dois machados e investir um fortíssimo golpe no olho do inimigo, parecido com a enterrada do basquete.

O golem começa a se mover com agilidade antes não mostrada, parecia sentir dor e estava desesperado se mexendo de forma aleatória a balançar os tentáculos e o corpo, agora com o olho fechado. Gilgamesh cai do corpo do monstro e com seu reflexo e força consegue pousar no chão com os joelhos flexionados para diminuir o impacto, mas ainda assim parecia ter ferido algo nos membros inferiores devido à grande altura, fazendo-o urrar de dor.

— Flaming Arrow!— grita Elbow a jogar uma flecha com a ponta em chamas no olho do monstro em um milésimo de segundo que fora aberto.

Nesse momento o golem para de se mover e começa a despedaçar. Samael corre até Gilgamesh e tenta ajudá-lo a caminhar, enquanto as grandes pedras caíam, mas o bárbaro era grande e pesado, enquanto o mago era franzino. Uma grande pedra se aproximava da dupla, antes de cair sobre eles a rocha recebe uma saraivada de flechas que a destroça em vários pedaços menores. Após muita dificuldade Samael ajuda Gilgamesh e Lady Elbow ajuda Peter P. Rubens.

—

— Não podíamos ter conseguido sem vocês — agora em segurança, Samael agradece a ranger e o paladin, já consciente. Haviam dividido o loot (recompensa) do monstro, não tinha nada de muito interessante, apenas algumas pedras utilizáveis para encantar equipamentos mágicos.

— Sem problemas, ganhamos experiência também, só gostaria que tivessem me contado o plano desde o início, foi difícil perceber que o olho se abriria após o golpe do bárbaro que havia o fechado — explica Elbow.

— Pois é, Sam, tenho certeza que você sabia daquilo, né? — provoca Gilgamesh a respeito do acontecido que pegou todos de surpresa.

— De qualquer forma foi impressionante sua análise, nobre Samael, Elbow me contou tudo — elogia Peter. — E você, está bem? — pergunta agora a olhar Gilgamesh.

— Tô esperando minha energia voltar, mas nada ainda. Será que modificaram algo na stamina? — responde ele distraído, mas de repente percebe a situação. — E com quem você pensa que está falando? Me tratando igual mulherzinha, tá me estranhando, é? Da próxima vez que você me salvar igual se salva uma garota indefesa, pode ter certeza que vai se arrepender por isso, otário. — Gilgamesh fala irritado e começa a mancar saindo da caverna enquanto materializa uma pedra de teleporte e tenta, sem sucesso, utilizá-la.

— Não liguem para o Gilga, é meio bruto, mas tem bom coração. Bem, na verdade não, mas ele é legal — sorria Samael.

— Eu me lembro do seu rosto enquanto jogava fogo no monstro, agora entendo porque são amigos — Elbow fala a erguer uma sobrancelha. — Vamos embora, Peter, temos que sair de perto dessa gente estranha.

— E ainda temos que achar o ladrão — diz o paladino a acenar e despedir-se dos dois enquanto saem da caverna.

—

— Ei, onde podemos conseguir ajuda? — pergunta Samael para um NPC na cidade, mas fora ignorado. Ele estava com Gilgamesh apoiado nos ombros, o bárbaro mancava e sentia muita dor após caminhar tanto tempo com aqueles ferimentos.

— Escuta aqui, seu velho idiota — o amigo mesmo com dor e cansado vai até o NPC e o segura pela gola da camisa. — Estou ferido, onde tem a droga de um hospital ou alguém que possa me ajudar? — pergunta irritado.

— Bem, eu sou médico, conte-me o que houve. Desculpe, é que tenho um paciente a me esperar, por isso não parei quando seu amigo chamou — fala o NPC envergonhado e intimidado pelo violento Gilgamesh.

— Vocês precisam de cura? — perguntou um jogador vestido de druída que passava e viu o ocorrido.

— O que você acha? — Gilgamesh responde, estava enfurecido pela dor.

— Desculpem-me, esse jogo é muito diferente, muita gente reclama, parece que as as feridas não se curam ao sair de batalha e há necessidade de trata-las igual no nosso mundo — explicava o jovem enquanto se abaixava e chegava perto da perna do bárbaro, coloca as mãos sobre ela e emana uma luz verde. — Porém, com magia podemos acelerar muito esse processo, de alguma maneira eu posso sentir o problema e assim tratá-lo, se usar cura sem saber a razão apenas enchemos o HP, mas não — dizia o garoto, mas é interrompido com um forte chute de Gilgamesh que o faz desmaiar.

— Já estou bem. Esse garoto fala demais, credo — o bárbaro fala enquanto caminha a mancar um pouco, porém não estava mais a sentir tanta dor.

— Bem, cuide dele por nós — sorriu Samael para o médico, estava sem graça e muitas pessoas começavam a se aglomerar em volta do pequeno druída. — Ei, Gilga! — grita o mago a correr atrás do amigo de personalidade nada agradável.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.