Dysfunctional family

14 E tem como piorar?


Capitulo 14: E tem como piorar?

Passaram quase 40 minutos sem que Bonnie tivesse voltado. Talvez estivesse nervosa, ansiosa ou talvez... Mary Lou! Pensar nisso me fez levantar da cama rapidamente, lembrei-me do desenho que eu havia escondido entre as minhas coisas sob a cômoda e ainda estava lá.
Bateram na porta do quarto, tive que esconder correndo, eu tinha que me livrar daquilo, mas ainda não:
— Bonnie é você? – Perguntei, a porta foi aberta de forma bruta.
Damon passou por ela como um furacão, ele largou o braço de Bonnie e logo suas mãos estavam em minha blusa me suspendendo como ele tinha tanta força?
— Me escuta bem, se você se aproximar dela de novo, você vai se arrepender! – Foi tudo que disse, antes de me soltar, eu pude sentir toda raiva naquele olhar hostil, eu odiava ser subjugado daquela forma mais tive que respirar fundo por ela.
Bonnie me fitou com olhos tristes, eu não ia deixar isso acontecer e me recusava a acreditar que ela o deixaria fazer isso também:
— Já chega! – Ouvi a voz de minha mãe levemente alterada, ficando entre nós. – Você não tem direito de fazer isso com ele!
— Como não? – Damon riu sem humor. – Olha bem essa festa? Ela está cheirando a bebida!
— Você também fazia essas coisas Damon, todos nós! Não seja hipócrita são adolescentes! – Argumentou Hayley, ela não parecia acreditar que estava tendo aquela conversa.
— Eu fazia essas coisas, você fazia essas coisas, ela não! – Ele disse apontando pra Bonnie que permanecia encostada na parede. – Ela nunca desobedeceu, ou fugiu de casa, ou matou aula, até conhecer o seu filho! Ela tem um futuro brilhante, eu sou o responsável por ela e eu não vou deixar ninguém tirar isso dela!
— Damon eu...
— Não! Nós vamos pra casa Bonnie e saiba que não foi nada disso que sua mãe planejou pra você, acredite em mim, ela deve estar tão decepcionada quanto eu estou! – Eu não precisava ser um gênio pra saber o quanto aquelas palavras machucaram aquela garota.
Toda a minha vontade de me defender se foi, quando a vi passar pela porta chorando, o quarto ficou silencioso por um minuto:
— Acho que você deve mesmo ficar longe dessa garota, Damon acha que ela é tão superior! – Minha mãe estava com raiva. – È um idiota! Mas não dê esse gosto a ele! – Foi o que ela disse antes de sair do quarto.
Pra mim, a festa acabou naquele mesmo instante, levei a mão a cabeça, não havia notado o quanto as minhas ações até ali tinham passado a impressão errada. Na verdade eu não tinha me preocupado em passar a impressão certa, era esse o problema e talvez isso me custasse Bonnie:
— Olha cara você tentou! – Disse Kai, já era de manhã, quando a festa acabou definitivamente, e só os de sempre restavam. – Acontece que nós sempre vamos ser o que somos.
— E pra você o que somos? – Perguntou Davina, revirando os olhos. – Isso é ridículo! Se você quer ficar com a garota, vai ter que provar pra esse cara que você é bom o bastante pra ela, não pode sair brigando com ele isso não vai ajudar em nada.
— Eu concordo com o Kai, já chega dessa história Kol, ela não gosta de estar no nosso meio, não tem nada haver com a gente. – Disse Mary Lou, cruzando os braços.
— Bom, eu discordo da segunda parte, acho que ela nunca se sentiu tão viva. – Kai sorriu, sentando-se no sofá.
— Talvez ela não gosta do que você pensa. – brincou Nora fazendo todo mundo rir exceto Mary Lou que bufou e cruzou os braços.
— Ele nunca vai mudar a imagem que tem de você e sem isso... È impossível vocês ficarem juntos, então esqueça! – Mary Lou levantou-se mal humorada e subiu.
— Nossa Mary Lou muito obrigada pelo apoio! – Ironizei, ela me mandou o dedo do meio enquanto subia as escadas.

O resto do final de semana se passou sem que eu conseguisse qualquer contato com Bonnie, nenhuma mensagem e nenhuma ligação.Talvez ela estivesse de castigo e eu não poderia tentar entrar em contato. Até pensei em subir pela janela, mas eu não queria piorar as coisas, então por mais que eu detestasse ficar, olhando pro teto até segunda feira, pensando nela, foi exatamente o que eu fiz.

A segunda chegou nublada e fria, abrir a janela era uma tarefa impossível. Desci as escadas e encontrei meu pai de roupão na cozinha com uma xícara de café, minha mãe sentada na cadeira rindo de alguma coisa que ele disse. Eles pareciam felizes, respirei fundo, estava tentando ser uma pessoa melhor não é mesmo?!
Eu me sentei á mesa normalmente, colocando uma alça da mochila na cadeira:
— Pai você passou o final de semana todo aqui, se vamos voltar a morar juntos ao menos poderia ser na sua casa, lá tem piscina. – Disse sorrindo, comendo um pouco das panquecas que minha mãe colocara no meu prato.
— Bom, isso depende se vamos oficializar. – Respondeu meu pai, colocando a xícara na pia, ele voltava a ser quem era perto de minha mãe, e ela, por sua vez, voltava a ser mais relaxada e segura.
— Bom isso depende... – Ela parou e me olhou, e os dois ficaram em silencio.
— Agora que eu me reacostumei com a ideia, se vocês forem se separar de novo, vão ter que esperar eu ir pra faculdade e vão ter que fingir estar felizes até lá. – Disse bebendo o suco.
— Isso nunca mais vai acontecer! – Declarou minha mãe sorrindo e olhando meu pai de um jeito diferente.
— Não mesmo, casamento é para sempre. – Meu pai deu um meio sorrido.
— Já que vocês podem não ir trabalhar, eu tenho que ir. – Disse me levantando e pegando a mochila. – Mas vai ser um saco, agora que voltamos a ser uma família sem feridas emocionais, acho que não vou mais poder bancar o rebelde! – Brinquei, ouvindo minha mãe rir, enquanto saía de casa.

Parecia que tudo estava se encaminhando, eu finalmente consegui ficar feliz de novo pelo fato de meus pais estarem juntos, tudo o que eu precisava agora era falar com Bonnie ter certeza de que estávamos bem, eu tinha decido. Eu ia falar com Damon, eu tinha que conversar com ele, explicar que eu a amava, então tudo ficaria bem.
O corredor do colégio estava cheio de pequenos grupos reunidos, rindo de alguma coisa, comentando algo sobre algum grupo que tinha voltado. Parei quando avistei Stefan conversando com Rebekah, eles pareciam não estar muito bem, mas tentavam manter o tom baixo, afinal era um colégio. Quando ele finalmente a deixou, pensei que talvez se eu me explicasse pra ele pudesse ajudar:
— Oi Stefan! Eu poss... – Não consegui terminar, mais uma vez ele me socara na boca do estomago, fui pego de surpresa, ainda me recuperando, quando tomei mais um no rosto, estava no chão.
— Já chega! Vamos embora... – Ouvi a voz chorosa de Bonnie, segurando o braço do irmão, quando ela apareceu o riso ao redor se intensificou.
O que estava acontecendo?
— Eu não agüento mais ficar nenhum segundo aqui... – Ela estava chorando muito e seus olhos me fitaram com muito rancor: — E eu não agüento olhar pra ele nem por um segundo.
— Bonnie espera! – Pedi, enquanto os dois saíam pelo corredor. – Isso é por causa do Damon? Você não pode deixar ele fazer isso com a gente, você me ama eu sei. – Perguntei quando consegui alcançá-la, tentei tocar o seu rosto, mas Stefan não deixou.
Ele ia vir pra cima mais uma vez mas Bonnie o parou com a mão entre nós:
— Como você pode ousar fazer isso depois de tudo? Como foi que você deixou eles fazerem isso comigo? – A raiva era tamanha em sua voz, não vacilou nem mesmo quando olhou nos meus olhos, ela empurrou uma foto em meu peito com força e assim que eu peguei, eles dois saíram.
Quando olhei a foto, eu entendi. Em minha mão estava um cópia do desenho que Jeremy tinha feito de Bonnie, com uma assinatura “Os hereges”. Amassei o desenho enfurecido, alguém devia ter encontrado isso na mesa de cabeceira, a maioria podia apenas desconfiar de quem era esse grupo, mas eu havia contado pra ela quem éramos. Um nome me veio a cabeça imediatamente: Mary Lousie.
Eu vi mais algumas impressões coladas nos armários, e arranquei, puxei alguns das mãos das pessoas no corredor. Quanto mais eu tirava mais eu sabia que tinha espalhada. Eu queria matar a Mary Lou!
Antes que eu conseguisse chegar na sala, um borrão saiu pela porta quebrando-a, as pessoas da sala ficando em volta, abri caminho pra ver Tyler e Kai, quase se matando numa briga, eu já sabia porque:
— Parem com isso! – Gritou Davina sem se atrever a entrar no meio, Matt estava decidindo se iria separar ou ajudar Tyler. – Eu disse que não foi a gente!
— Não seja ridícula garota, nós sabemos que “Os hereges” são vocês, Bonnie contou pra gente! – Disse Caroline, colocando a Mão na cintura, se esquecendo dos dois.
— Quer saber eu vou na casa dela! – Disse Elena, abrindo a multidão, me lançou um olhar desprezo tão grande que eu pude sentir o soco que ela queria me dar.
— Hey! Vocês dois vão pra minha sala agora! – Ouvi o diretor se aproximar, junto com Alaric, o professor de história.
— Foi o Tyler que começou! – Disse Davina, se Kai pegasse mais uma suspensão estava ferrado.
— Muito difícil de acreditar mocinha! – Declarou o diretor, o Tyler era o capitão do time se levasse suspensão não podia jogar e o diretor claramente não queria isso, fora que ele era o filho do prefeito. – Que ele tivesse pensado nisso antes de brigar, como vou saber que ele não é responsável por essa arruaça toda? Faz bem o tipo dele!
Os dois pararam de brigar e seguiram o diretor:
— Professor Alaric, se o Kai for suspenso, vai ser expulso! Por favor! – Pediu Davina, ela sabia que ele era noivo da Jo.
— Eu vou fazer o que eu puder, mas o diretor precisa de alguém pra culpar. – O professor foi sincero.
— Não foi ele! Foi a Mary Lou tenho certeza! – Davina estava suplicante. Ela se voltou pra mim perto do meu ouvido. – Se o Kai for expulso vai pro reformatório e o pai dele nunca vai deixar ele sair de lá.
— Não é assim Davina precisamos de provas ou de uma confissão. – Disse Alaric.
— Mas ele vai acusar o Kai sem prova nenhuma! – Disse Davina chorosa. – Não é justo!
— Eu sinto muito Davina, mas ele foi o único que se assumiu como esse grupo, assim que chegou e as fotos estão assinadas somando com a briga do Tyler... – Alaric respirou. – Vou ligar pra Jo.
— Diretor! – Gritei, indo atrás deles, respirei fundo. – Eu que fiz isso, fui eu quem fiz as fotos, não foi o Kai, eu que sou o líder desse grupo.
— O que você está fazendo? – Perguntou Mary Lousie inconformada, tentando me afastar do diretor. – Está maluco?
— Saí! – Disse tirando as mãos dela de mim. – É verdade, fui eu! Deixa eles irem! – Afirmei.
O que eu estava fazendo? Perdendo a Bonnie pra sempre.

Chegamos em casa já era bem tarde, mas meus pais não pareciam bravos, tinham entendido exatamente o que aconteceu quando o diretor contou que Kai estava sendo acusado de estar envolvido.
Eu não me lembro de ter me sentido tão cansado assim, mesmo assim dormir era a última coisa que iria conseguir. Após tomar um banho desci, mesmo que só pra dispensar o jantar, meus pais estavam sérios, enquanto eu mexia meu garfo no prato, pensando em como as coisas tinham ficado terríveis do nada, eu não enxergava qualquer solução:
— Quem fez aquilo? – Perguntou meu pai por fim, levantando os olhos pra me encarar.
— Eu tenho certeza que foi a Mary Lousie. – Respondi, ainda mexendo na comida sem comer de verdade.
— E a Bonnie vai acreditar em você? – Perguntou minha mãe.
— Eu não sei, o que eu sei é que Damon nunca mais vai me deixar chegar perto dela e agora ainda mais com razão. – Falei respirando fundo. – Posso ir pro meu quarto agora?
Assim que terminei de falar o telefone tocou, meu pai levantou pra atender:
— Eu sinto muito. – Disse minha mãe, levando a mão ao meu ombro, eu sabia que ela também não falava com Damon desde a festa, tinha ficado igualmente brava com ele.
— Eu entendo, mas eles tem provas? – Perguntou meu pai ao telefone. – Uma testemunha? Ele só está com raiva... Tudo bem, obrigado por avisar Rebekah, tchau.
Meu pai respirou fundo e apoiou a mão na porta:
— O que aconteceu? – Perguntou Hayley, encarando-o séria.
— Bom, se tem como provar que não foi você que desenhou, temos que fazer isso agora. Rebekah acabou de me ligar, estava com os Salvatore, parece que uns adolescentes do colégio foram lá, picharam coisas indecentes na parede e colaram as fotos por toda parte por fora da casa.
— Eu não acredito nisso! – Levantei, irritado, jogando o guardanapo na mesa.
-.... E eles vão processar a gente por Danos morais. – Ouvi meu pai dizer, fiquei em choque, aquilo não tinha como piorar.
— O que? – Perguntou minha mãe levantando-se da cadeira também, bufando de raiva.
— Eles tem uma testemunha, Jeremy Gilbert disse que você fez o desenho e que no dia em que estava na casa do lago ele tentou tirar de você, foi quando brigaram. – Meu pai continuava a falar.
— Eu não acredito! – Gritei. – Eu vou matar esse imbecil! A porcaria do desenho é dele! Foi ele quem fez! Não fui eu!
Levei as mãos a testa tremendo de raiva, eu não podia acreditar no que estava acontecendo.