Dwight e Angela - The Office
6 E-Mail Surveillance
Notas iniciais
— Se tiver algum e-mail particular, você tem que deletar imediatamente — sussurrou Dwight.
— Eu sei — Angela respondeu friamente.
Há algumas semanas eles começaram a sair juntos, ele nem ao menos sabia dizer se estavam namorando ou não mas passavam uma boa parte do tempo juntos depois do trabalho. Os dois decidiram que era melhor manter tudo em segredo. Relações conjugais eram admitidas na Dunder Mifflin porém ambos achavam aquilo inadequado, especialmente Angela.
Dwight se lembrou da primeira discussão que tiveram na noite passada e que o fez questionar os sentimentos de Angela por ele.
— Dwight, se assumirmos, seremos alvos fáceis naquele lugar. Você sabe que tudo é motivo para falarem. Já é tão difícil conseguir reconhecimento — ela se aproximou de Dwight levando uma mão ao seu rosto triste.
— Quero ficar com você, que se danem todos eles — Ele afagou a mão pequena em seu rosto.
— Então me ouça. Você sabe que é a coisa certa a se fazer. Por que está agindo como se eu fosse a errada aqui?
— Você diz como se não importasse pra você — Dwight se afastou.
— Ok, pra mim já chega — Ela pega a bolsa e se levanta do sofá gasto de Dwight.
— Não vai embora — Dwight puxa devagar seu braço mas ela se livra e caminha em direção a porta.
Dwight tinha tanto medo de fazer qualquer coisa que a fizesse se afastar, ele estava indo no ritmo dela e respeitando todos os seus princípios dogmáticos, ela era como um enigma. Cheia de mistérios e cada momento que passava com ela era como mais uma pista desvendada. Talvez sua frieza fosse o que ele mais gostasse nela. Os Schrute não gostavam de mulheres fáceis e definitivamente Angela era o oposto disso. Ele se livrou da breve lembrança e seguiu para sua mesa.
Michael de repente tinha acesso a todos os computadores, poderia investigar qualquer informação que desejasse. Na hora, Dwight e Angela gelaram com a informação. Obviamente nada sobre o trabalho dos dois os comprometeria apenas os e-mails que trocavam entre si. Mensagens bobas para eles mas que definitivamente não gostariam que fossem espalhadas.
Angela entrou na caixa de entrada pela ferramenta de busca e procurou por todos os e-mails de Dwight Schrute.
Ela escondeu um riso baixo lendo os e-mails.
"Sei que você é estritamente religiosa mas é virgem?"
"Precisa me enviar seu histórico médico."
"Na minha casa ou na sua hoje?"
"Você não toma nenhum remédio? E anticoncepcionais?"
"Por que tinha calombos na sua cama?"
"Está tão linda hoje quanto uma pintura renascentista de Donatello."
Ela se demorou no último email. Dwight tinha uma forma tão delicada de a elogiar. Há tanto tempo ela não se sentia assim, ele a tratava como uma obra de arte literalmente.
Por um momento, foi tomada por uma onda de culpa. Ela havia sido rude com Dwight na noite anterior e sabia disso então se levanta e vai até a cozinha. Pega uma barra de chocolate Baby Ruth e em seguida pega outra pra ele. Era um de seus chocolates favoritos. Pam aparece ao seu lado cumprimentando-a. A recepcionista não tinha muita afinidade com ela e parecia desconfiada. Angela imaginou se ela sabia de algo mas não havia nada que ela tenha visto mas mesmo assim ela procurou ficar atenta. Pam Beesly não era de confiança.
Angela aguardou a hora do almoço em que o escritório estava mais vazio e percebeu que Dwight não estava na mesa. Eles almoçavam juntos em um restaurante próximo ou até na sala de descanso as vezes. Ela deixou em sua mesa o chocolate com um pequeno post it com os dizeres
elevador 15:00
Era comum se encontrarem em alguns locais do próprio escritório mas sempre mantendo a descrição. Era difícil pra ambos ficarem o dia todo no mesmo lugar fingindo que o outro não existia, para Dwight era ainda pior. Entre uma olhada e outra em suas mesas parece que seus olhares nunca se encontravam, como se nunca estivessem na mesma sintonia. Ele praguejava se perguntando como foi levado tão rápido por esse sentimento idiota.
Ao voltar para sua mesa ele encontra o chocolate e pela primeira vez em dias, ao olhar em direção a contabilidade, um par de olhos o encara sorrindo. Ele sorri de volta e abre o chocolate. Instintivamente uma das câmeras se aproxima rapidamente dele, ele estranha mas continua olhando pro seu computador escondendo o post it dentro de um caderninho qualquer.
No horário marcado os dois aparecem no elevador. Dwight sempre ia primeiro, em média 10 a 15 minutos antes de Angela para não levantar suspeitas.
Ele estava perdido em pensamentos quando uma pequena mão toca a sua gentilmente mas mesmo assim ele se assusta.
— P*** que susto!
— Quem você achou que seria?
— Não precisava chegar tão silenciosa.
Angela já estava de mal humor mas não queria mais brigar.
— Eu sinto muito, por tudo.
— Ta tudo certo.
— Você vai na casa do Jim?
— Provavelmente e você?
— Também — Angela respondeu sem muita empolgação.
— Posso te dar uma carona até lá? Posso inventar que você não sabia o caminho e pediu ajuda, ninguém vai suspeitar de nada. Até Meredith e Creed vão juntos.
— Não Dwight. Mas nos encontramos lá — Ela puxou seu colarinho antes que ele pudesse protestar e lhe deu um longo beijo. Dwight a empurrou na parede e levantou a perna dela até estar em seu quadril, com a outra mão acariciou seu cabelo. Não muito tempo depois. Ele soltou sua perna e levantou a cabeça com um suspiro demorado. Seus momentos no escritório eram urgentes mas cautelosos, deviam tomar cuidado sempre.
— Te vejo a noite — ele disse virando-se de volta a sua mesa.
Angela chega a casa de Jim a noite. Bate duas vezes na porta mas ninguém atende.
— Oi Angela — Pam Beesly aparece mais uma vez falando com ela hoje.
— Olá — responde desconfiada — Parece que ninguém vem abrir a porta — resmunga.
Pam bate na porta. Segundos depois, Jim Halpert a abre sorrindo.
— Boa noite... meninas — Jim responde olhando para as duas. Jim não tinha tanta afinidade com Angela mas definitivamente ver ela ao lado de Pam e não Roy era um motivo e tanto para sorrir. — Entrem.
Elas entraram e notam que a maioria de seus colegas já havia chegado.
Angela procurou por Dwight mas aparentemente ele ainda não estava alí.
Ela pegou uma água e foi se juntar as pessoas que tinha mais afinidade, seus colegas Oscar e Kevin e permaneceu olhando a todo momento para porta a espera de Dwight.
— Quer dizer, Jesus bebia vinho, acho que não tem problema — Angela disse dando um longo gole na bebida fria em sua mão.
Dwight assentiu. Angela era extremamente religiosa. Tudo, cada passo seguia uma conduta que ela acreditava ser a correta. Ele franziu o cenho observando ela bebericar com receio um copo de vinho. Vinho. Dwight sempre se surpreendia com tamanha diferença entre eles. Ele observou em volta. Todos rindo e se divertindo. Michael já tinha chegado e como sempre estava tentando chamar atenção de todos. Aquela altura Dwight já tinha deduzido que não era uma festa surpresa e Jim apenas não queria sua presença. Ele balançou a cabeça e voltou a focar em Angela. A pequena e dogmática Angela.
— Quer ir para a fazenda hoje? — Dwight convidou.
— Hoje não Dwight. As sextas eu faço leitura bíblica e leva um longo tempo. Sinto muito.
Ele olhou pro lado ao invés de revirar os olhos na sua frente.
— Mas podemos aproveitar um pouco aqui na festa. — ela disse puxando-o para si. Ao ser consumido pelo seu toque Dwight quase se esqueceu que estavam em publico. Mesmo que a maioria das pessoas estivesse lá dentro, então a afastou abruptamente.
— Vem comigo — Dwight avistou um lugar discreto atrás de uma pequena casa no meio do jardim e os dois entram.
Angela começou a rir.
— Dwight estamos em uma casa de cachorro.
— Não é uma casa de cachorro, está suspensa... — Ele é interrompido pelos beijos urgentes de Angela. E ali ficaram por um tempo sem se preocupar com quem pudesse vê-los.
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