Notas iniciais
Hello!

Cá estou eu para postar a última oneshot, das sete que eu deveria ter escrito hehe, para o NejiHinaWeek de 2016. Foi bem legal participar dos desafios e escrever pros prompts propostos. Esse era o primeiro prompt com o tema "Casamento", como as oneshots se interligam entre si essa é meio que o que acontece ao Neji e a Hinata após The Sakura Kiss e The Daruma Doll. É bem pesadinha no angst, mas tentei me manter fiel aos personagens.

Importante dizer que eu não acho a Hinata fraca ou tola, ou incapaz, mas é a visão que ela tem sobre si mesma nesta oneshot.

Essa fic foi postada em 2016 no meu perfil do ffnet, okay? Em english, aqui vocês conferem a tradução dela.

Vocabulário: daruma, amuleto da sorte japonês
shoji, portas de papel translúcido.
shodo, prática de caligrafia japonesa
yukata, quimono feito de algodão.

Espero que curtam!
Boa leitura!

Minha.

A voz profunda e rouca retumbou em sua orelha quando ele mordiscou seu pescoço.

Minha.

Neji nunca foi um homem particularmente ciumento ou possessivo. Na verdade, sempre fora bastante consciente — dolorosamente consciente — de que ela estava fora de seu alcance. E não importasse o quão fatalista sua visão de mundo parecesse, ela sabia que ele estava correto. Nunca que a família — os Anciões — permitiria que uma relação como a deles se tornasse pública.

Não que Neji tivesse muitas falhas. Ao contrário. Ele era muito mais adequado do que ela para ser o herdeiro dos Hyuuga — um verdadeiro gênio entre homens habilidosos. Ao invés disso, eles estavam presos a alguém tão comum quanto ela. Alguém que falhava em quase tudo.

Com as costas pressionadas contra o peitoral dele, ela deixou escapar um gemido diante do tratamento brusco que ele infligia sobre sua pele.

Não. Ele nunca se mostrara tão possessivo quanto naquela noite.

Mais cedo, foram convocados à sala de reunião, onde os Anciões esperavam por ambos. Ela estava a ponto de morrer de medo e preocupação de que eles tivessem descoberto seu segredo. Eles sabiam, estava certa disso, e ambos seriam punidos. Ele seria punido através da ativação do selo amaldiçoado e ela seria forçada a assisti-lo passar por tamanha dor.

Não.

Ela nunca permitiria que isso acontecesse.

Ela o amava.

Amava-o com todo o seu ser. Entraria na frente dele e aguentaria a punição ela própria. Nunca deixaria que eles o tratassem como era costumeiro no passado. Antes, ela era uma coisinha fraca, uma garota patética que mal conseguia se segurar de pé numa luta. Não. Agora ela era uma kunoichi. Uma kunoichi habilidosa que não deixaria ninguém machucar seu amado.

Ela o protegeria.

Com sua própria vida, se fosse necessário.

Essa Hinata tola, perdida em seus pensamentos de amor eterno e bravura, não estava pronta para o que viria a seguir. Ela poderia dizer que Neji tampouco esperava o que Anciões diriam — disseram.

Não se tratava de um encontro para lhes punir. Ao invés, uma sentença mais cruel e dolorosa foi destinada a eles.

A herdeira deveria se casar.

Casar.

Casar com alguém que eles escolhessem.

Neji não disse nada. Na verdade, Hinata ainda estava tentando entender a razão de ele ter sido convocado também. Por acaso, sabiam?

Impossível.

Eles eram muito quietos, calmos e discretos. A menos que alguém — Hanabi — os tivesse dedurado. Ela não acreditava que isso fosse possível. Era uma ideia tão dissonante que mal conseguia imaginar que sua irmã mais nova pudesse pensar em algo tão atroz.

Tão logo foram convocados, foram dispensados e se despediram. Se tudo acontecesse da forma como esperavam após a Guerra que se aproximava, ela deveria se casar no fim da Quarta Guerra Shinobi.

Se eles saíssem dela vivos.

E é claro que ela sairia. Os Anciões se assegurariam de punir Neji caso a herdeira não sobrevivesse. Na verdade, quanto mais pensava sobre isso, mais tinha certeza de que eles ficariam gratos se ela, uma herdeira tão falha, morresse. Hanabi seria uma governante muito melhor.

Ela não viu Neji pelo resto do dia.

Mais tarde, naquela noite, ele a procurou. Isso nunca acontecera antes. Seus interlúdios noturnos sempre aconteciam no quarto dele e ela sempre era a única a procurá-lo.

Agora, enquanto ele a segurava em seus braços poderosos e mordiscava sua orelha, ela soltou um suspiro profundo. Ele estava com raiva, sabia disso. Kami, ela estava com raiva também! Sabia que o controle do qual ele sempre se orgulhara estava a lhe escapar por entre os dedos quando seu casamento fora anunciado.

Ele não disse nada ao adentrar o quarto dela e mesmo quando ela abrira sua boca para cumprimentá-lo com seu costumeiro Neji-nii-san — um hábito do qual ela não conseguia se livrar e que ele sequer aprovava —, seus lábios foram selados pelos dele num beijo avassalador. Logo, encontrou-se pressionada contra o torso perfeitamente esculpido de Neji e o futon largo.

Minha.

Ele disse baixo, o som saiu como um quase como rosnado de seu peito, enquanto seus dedos brincavam com a abertura da yukata azul clara que ela vestia. Seus olhos, tão semelhantes aos dela, não se afastaram da face delicada quando ele deslizou seus dedos pela pele suave e lhe acariciou a pele da barriga.

Sua, ela respondeu, beijando-lhe o maxilar carinhosamente.

Eu te amo, Neji. Eu sempre vou te amar.

Com essa confissão, ela se perdeu para o prazer nos braços dele.

#

Os olhos opacos de Hinata se abriram rapidamente. Ela olhou para trás por sobre o ombro e, sem racionalizar ainda mais a situação, ativou o byakugan para olhar ao seu redor enquanto procurava por aquele que sempre invadia seus pensamentos.

Só que não havia ninguém. Nenhum traço de chakra ou qualquer coisa próxima disso. Neji não estava ali.

De fato, Neji nunca mais estaria ali.

Neji se fora.

E isso era apenas um sonho. Um sonho que se reprisava no fundo se sua mente tantas vezes que ela já nem podia mais contar nos dedos de suas duas mãos — que sequer podia distinguir sonho de realidade.

Lágrimas, mesmo após tantos meses, acumularam-se no canto de seus belos olhos, mas ela não as deixou escorrer por sua face. Tinha que ser forte. O tempo para fraquezas já havia passado.

Ninguém sabia onde ele fora parar. Só sabiam que ele havia partido. Ele poderia muito bem estar morto e ela nunca saberia. A guerra já havia acabado e seu casamento se aproximava. Não houvera despedida. Ele nunca dissera adeus.

O último encontro se repetia em seus sonhos. Com o casamento mais próximo do que nunca, ela não podia evitar sonhar com ele e seus últimos minutos juntos. A sensação de suas mãos e seus lábios ainda era fresco em sua pele; a forma como seus olhos, tão parecidos, nunca a deixavam enquanto ele venerava seu corpo inteiro.

Hinata olhou para o sol nascendo no horizonte. Este era o fatídico dia de seu casamento. Logo, as empregadas e Hanabi entrariam seu quarto para ajudá-la a se preparar para a cerimônia.

Seu futuro marido não poderia ser outro além de Uzumaki Naruto, o homem que seria nomeado Hokage em breve. O homem que lutara ao seu lado na guerra e que protegera tantos aldeões e tantos de seus amigos. Que a protegera. O homem a quem ela mais admirava. Mas que não mais amava.

Muito tempo atrás, Hinata queria ser sua mais do que tudo. Sonhava em se tornar a esposa de Naruto. Mas esse era um pensamento longínquo; não era mais o que desejava para sua vida.

Para todos ao seu redor, incluindo seu pai e excluindo Hanabi — a única que sabia sobre a existência de seu relacionamento secreto — esse era um sonho que se tornava realidade. A tímida Hinata se casaria com seu amor de infância, aquele que adorara diante de todos, aquele com quem sonhava nos doces dias de meninice e início da adolescência.

Mas Hinata não era mais uma criança. Seus sentimentos mudaram.

Ainda admirava Naruto; ele era, afinal, um homem admirável, mas que não mais amava. Havia, de fato, um dia, lhe amado?

Em seu coração, outro fizera morada e nunca mais iria embora. Ele sempre permaneceria ali, segurando firmemente o órgão vital. Ela sabia que não havia nenhuma chance de que ela pudesse amar Naruto algum dia.

Neji era o dono de sua mente, corpo, alma... E indiferente do quanto tentasse lutar contra seus sentimentos, lutasse para esquecê-lo... ele estava incrustado em seu ser, tão profundamente gravado em sua alma que... que seria impossível. Hinata até pensara em odiá-lo — ódio era um sentimento humano, afinal de contas —, mas a tola Hinata aprendera muito em sua curta vida, mas nunca como odiar alguém. Seria algo bem vantajoso agora.

Ele a machucara.

Machucara seus sentimentos.

Machucara sua alma quando partira sem dizer adeus, mas ela não podia se forçar a ressenti-lo. Sabia, também, que o havia machucado, ferido seu orgulho, ao ter que vê-la partir. Ao ter que deixá-la partir. E como doera vê-lo agir de forma tão impotente. Porque eles estavam impotentes — não havia nada que pudessem fazer. Se havia alguém que deveria ser culpada por toda situação, esse alguém era Hinata — por ser fraca, por não se rebelar contra aquela ordem insana, por não ousar lutar por eles.

Por sua própria felicidade.

Agora... agora estava condenada.

Quando Hanabi apareceu por entre as portas de shoji, Hinata sabia que não havia mais tempo para pensar em seus sentimentos. Já havia aceitado aquele casamento — não que tivesse muita escolha para começo de conversa —, era melhor que não o estragasse como estragara tudo em sua vida.

#

Trajando sua vestimenta formal, a herdeira olhou para as portas antigas do templo em que seu futuro marido a esperava. Podia ouvir a comoção dentro do espaço. Poucos haviam sido, de fato, convidados para a cerimônia religiosa, mas convites haviam sido enviados para a vila inteira para a festa que viria a seguir.

Ninguém estava com ela agora. Hanabi adentrara o templo antes dela, assim como seu pai. A família inteira, dos Anciões a alguns serviçais da Casa Secundária — exceto por aquele a quem mais desejava ver, ao menos uma última vez — esperavam por ela.

Mas Hinata… A doce Hinata que eles esperavam ver em frenesi e mais animada de todos, olhou ao seu redor e pensou em escapar.

A covarde Hinata que voltara atrás — que escapara — tantas vezes em sua vida, que sempre fugira quando a situação ficava muito complicada... A garota covarde que quase morrera em sua luta contra Neji, tantos anos atrás.

Não. Ela não o ressentia. Não o odiava por aquele dia. Não o odiaria, mesmo que tivesse morrido por suas próprias mãos. Ela o perdoara. Há muito tempo já.

Ela o amava.

Mesmo agora. Neste exato momento. Ela o amava.

Aceitara a perda porque o amava e porque sabia o quanto ele estava sofrendo. Sabia que lá no fundo, sob aquela crosta de ódio, havia uma dor insuportável. E ela o enfrentara porque queria mostrar que o entendia, que o amava. Só queria provar a si mesma. Queria provar que era digna do título que sempre pensara ter tomado dele.

Neji deveria ser o herdeiro. Ele faria um comandante — líder — exemplar. Entendia o jogo político melhor do que ela, sabia como lutar... Era um gênio, afinal de contas. O prodígio Hyuuga.

Mas, como no passado, ela o machucara.

O machucara com sua fraqueza.

O pai dele estava morto por causa dela. Neji partira por causa dela.

Por causa de sua fraqueza.

Fechou os olhos, tentando dissipar os sentimentos ruins. Sabia que seu chakra estava enlouquecendo juntamente com a batida de seu coração. Um Hyuuga supostamente deveria ser um exímio controlador de chakra.

Um Hyuuga, supostamente, deveria ser muitas coisas que ela não era. E de todas as características que não combinavam com um Hyuuga, a fraqueza era o pior deles, algo que Hinata parecia ter em abundância. Fora fraca tantas vezes que já perdera a conta.

E, exatamente porque era fraca, e estava distraída e ferida e tão tolamente presa em pensamentos do passado que quase perdera o cabelo em um riquíssimo tom de castanho a dançar no ar.

Quase.

Antes que pudesse pensar mais isso, segurava a barra de seu quimono e corria para bem longe do templo.

“Neji...” murmurou, olhos arregalados.

#

Nada.

Não havia nada.

Ninguém estava lá.

Hinata se encontrou de volta ao quarto na qual fizera as melhores memórias de sua vida — seja fazendo amor com Neji ou simplesmente a assisti-lo a praticar shodo ou a meditar.

As memórias de tempos antigos e maravilhosos brilhavam no fundo de sua mente.

Eu te amo.

Lentamente, ela se aproximou da mesa em que os papéis e pincéis que ele usava para praticar shodo estavam guardados num estojo de madeira.

O quarto permanecia intacto.

Quando os Anciões decidiram se livrar de tudo que ali estava, ela fizera birra. Eles nunca tocariam em qualquer objeto dentro do quarto de seu primo. Ele deveria permanecer daquela forma, porque Neji retornaria. Tinha certeza disso!

Mas ele nunca retornara.

Seis meses se passaram desde o fim da Grande Guerra e o prodígio Hyuuga nunca mostrara sua face.

Ele poderia muito bem estar morto e ela nunca saberia.

Os Anciões estavam inflexíveis. Um pária não deveria ser adorado. E Neji não passava de um pária. Ele partira por sua própria escolha, sem qualquer razão plausível.

Mas Neji tinha uma razão. Hinata sabia dela e é por isso que não o culpava. Não poderia.

A sensação de queimação no fundo de seus olhos e o nó em sua garganta ficaram mais fortes ao encarar o boneco daruma que eles haviam comprados juntos.

Ao contrário dele, ela era uma crente que ainda se apegava à ideia, embora parecesse algo muito tolo, de que ele e estava vivo. Ela comprara outro amuleto daruma e fizera seu pedido. Neji tinha que estar vivo!

E por mais que fosse doloroso, era melhor ser odiada por ele do que descobrir que ele estava morto.

Ainda se recordava de como ele negara veementemente a possibilidade de se entregar ao que ele acreditava ser uma tolice.

A memória de estar em seus braços naquela noite ainda permanecia em sua mente — e quão doce fora a surpresa final.

Obrigada por me amar.

E então a memória do Festival Sakura. Do beijo doce compartilhado — seu primeiro beijo.

Os doces tempos antigos desfilavam diante de seus olhos enquanto ela segurava o cabo de um grande girassol. Como ele parecera entediado enquanto ela explicava tudo que sabia e podia sobre flores e plantas. Mesmo que ele não entendesse nada do que ela falava, ele continuava a escutar, porque ele sabia o quanto ela amava qualquer oportunidade em que pudesse mostrar mais sobre si mesma para ele.

Ele também parecera inflexível quanto a participar do Festival das Flores, mais conhecido como Festival Sakura, mas, aceitou no final, porque se tratava dela, e Neji faria qualquer coisa por ela.

Como sentia falta do tempo anterior à guerra — antes que a guerra explodisse diante de suas faces. Melhor ainda: sentia falta do tempo anterior ao anúncio de seu casamento.

Após a noite de amor intensa, ele se afastara dela. Os encontros nos cantos da mansão e os pequenos toques quando pensavam não ter ninguém assistindo... Tudo isso… simplesmente parara de acontecer. O Neji frio, insensível e incapaz de demonstrar suas emoções estava de volta.

Seu controle lhe escaparia por entre dedos, às vezes, e eles se entregariam a uma noite de sôfrega paixão, mas tão logo encontravam o pico de seus prazeres, ele a deixaria... com o coração a sangrar, esmagado entre os dedos que minutos antes a acariciara com volúpia e delicadeza.

Tudo isso… era para o melhor.

Ela sabia que ele estava protegendo seu próprio coração, seus sentimentos... Ele estava também pensando nela. O que lhes aconteceria caso aparecesse grávida? Enquanto a maioria das kunoichi usavam metódos contraceptivos, não era de todo impossível que ninjas engravidassem de vez em quando.

Que vergonha seria caso, após seu casamento com Naruto, o próximo Hogake e homem a quem mais admirava — tinha que se lembrar disso, não importava o quanto amasse seu primo e o quanto amaria ser a mãe de seu filho, ela se tornaria a esposa de Naruto —, tivesse o filho de Neji.

Sacudiu a cabeça.

Mas e se ela tivesse decidido enfrentar os Anciões... Será que Neji ainda estaria ao seu lado? Será que estaria ali?

Obrigada por me amar.

As palavras lhe retornavam em uma torrente. Porque, não importa o quanto soubesse que ele a amava — apesar de ele nunca ter lhe dito as três palavras mágicas —, Hinata sabia que era pouco digna de seu amor. De qualquer amor.

Obrigada por me amar.

Ela havia dito isso na ocasião em que vira o amuleto daruma em seu quarto e na ocasião do Festival das Flores. E bilhões de vezes depois.

E mesmo que ele não a amasse mais, ela estava grata que um dia ele a amara.

E quanto a ela…

Mesmo que colocasse, agora, o dever em primeiro lugar, porque era muito covarde para desapontar sua família novamente e sobretudo porque Neji se sacrificara por ambos — ele fora o único a dissuadi-la de lutar por eles quando iniciaram seus encontros e como se arrependia de tê-lo ouvido; se tivesse enfrentado os Anciões, se tivesse se mantido firme em suas crenças, talvez ainda estivessem juntos, não mais seria a herdeira, é claro, mas se importava bem pouco com seu título, importava-se mais com seus sentimentos, com o amor que nutriam um pelo outro — sabia que nunca deixaria de amá-lo.

Novamente, tudo que podia pensar é no quanto estava grata por ter amado e por ter sido amada, ao menos uma vez na vida.

Enquanto caminhava de volta para o templo e para os braços de Naruto, as palavras se repetiam feito um mantra em sua mente.

Obrigada por me amar.

Notas finais
Bom, é isso!
Por hoje, minha ideia é continuar a trabalhar nesse universo, vou arrumar mais prompts pra escrever sobre esse casal maravilhoso que tanto amo.

Então, spoiler básico... Neji não morreu na Guerra, mas será que ele tá vivo? O que vem a seguir, bem, vocês saberão quando eu postar a próxima parte hehe xDDD

De qualquer forma, espero que curtam e obrigada a todos que leram até aqui.
Beijinhos,
Nymph_L (velvetsins)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!