Dutch Love
3 Getting to know
Notas iniciais
Na manhã seguinte, acordei uma hora antes do toque do meu despertador, com um nível de ansiedade absurda para conhecer a cidade nova com o meu futuro colega de universidade, Shane. Como eu não possuía poderes sobrenaturais, não conseguia controlar o tempo para que o horário marcado com o moreno chegasse mais rápido, então o que me restou foi levantar da cama e ir tomar um banho longo.
Dito e feito, após quarenta e cinco minutos sai do banheiro enrolada em uma toalha e voltei ao quarto, sendo pega de surpresa com uma garota nada estranha sentada em minha cama, lendo.
– Karma?! – Fui pega de sobressalto. – Que diabos está fazendo aqui? – Falei um pouco mais áspera e em um tom mais alto do que o normal. Percebendo tal deselegância, tentei consertar. – Digo... O que faz aqui? – Agora eu fitava timidamente os seus grandes olhos verdes que haviam sido direcionados para mim e estavam fixos nos meus.
– Eu e Shane já nos conhecemos há um tempo e eu imaginei que não teria problema se eu acompanhasse vocês nos passeios pela cidade hoje. – A ruiva respondeu, percorrendo com o olhar cada parte de meu corpo escondido sob a toalha.
– Não há problema algum. – Tentei acalmar ainda mais a minha voz. – Mas está bem cedo... – Comentei, esperando uma explicação por parte da ruiva do por que aparecera àquela hora.
– É, eu sei. Shane disse que você provavelmente não estaria acordada nesse horário e eu pensei em aparecer para te acordar com um susto. – Karma comentou, com um sorriso surgindo no canto de seus lábios. – Mas quando entrei aqui a cama estava vazia e ouvi barulhos vindos do banheiro, então pensei, “já que meu plano de assustá-la foi por água a baixo, vou me sentar aqui e esperar.” – Ela terminou sua frase, corando um pouco.
– E como conseguiu entrar aqui? – Eu continuava curiosa.
– Eu tenho meus truques. – Ao dizer isso, Karma piscou para mim, fazendo-me soltar uma pequena gargalhada.
Após alguns segundos, o silencio reinou no quarto e eu comecei a entrar em pânico pensando em como eu me trocaria com a presença da ruiva. Ainda de toalha, me aproximei lentamente do guarda-roupas e peguei a peça de roupa que eu separara na noite anterior. Enquanto me mexia, pude perceber pelo canto do olho que Karma me observava atentamente. Ao me virar para voltar ao banheiro, a mesma tentou disfarçar e fingir que estava lendo o livro que carregava, mas é óbvio que não me convenceu. Entrei no cômodo o mais rápido que pude e me troquei sem demora também. Penteei meu cabelo e deixei-o para secar naturalmente.
Voltei ao quarto e a ruiva se encontrava na mesma posição de antes, me esperando.
– Pronta? – Ela me indagou, sorrindo.
– Aham. – Respondi, retribuindo o sorriso. – Agora é só esperar o Shane. – Sentei-me ao seu lado na cama.
– O que quer fazer enquanto esperamos? – Karma arqueou uma das sobrancelhas e sorriu, divertida. Como aqueles lábios eram lindos, e como eu tinha vontade de experimentá-los, meu Deus!
– Não sei. – Respondi, corando um pouco.
Eu não tinha ideia do por que a ruiva causava aquele misto de reações químicas em meu organismo, nem de como ela conseguia me deixar tão nervosa. Ao vê-la pela primeira vez, no restaurante, eu já pensara em como conseguiria me comportar adequadamente quando tivesse que conviver com ela, mas nunca que esperaria reencontrá-la tão rápido. Naquela manhã, aquela surpresa, ainda que boa, tinha me deixado completamente sem saber o que fazer, e eu tentava controlar o pânico que surgia dentro de mim a cada segundo.
– Podemos brincar de “Eu te pergunto algo e você é sincera comigo e vice-versa”. – Ela riu.
– Pode ser. – Falei, mostrando a língua. – Mas já que você que sugeriu, você começa contando. – Desafiei-a, ganhando um beliscão de leve da ruiva. – O que tem pra me contar de tão interessante sobre a sua vida, Ashcroft? – Perguntei, sarcástica.
– Bom... Um dos motivos para eu querer desesperadamente vir pra cá quando me ofereceram a bolsa foi que, quando terminei com a minha ex-namorada... – Quando ela usou o sujeito feminino eu sorri por dentro. — ... ela tentou se matar e acabou indo para um hospício. – Quando Karma terminou a frase, eu tinha uma expressão de espanto em meu rosto. – E eu ainda me sinto culpada por tudo isso ter acontecido.
– Nossa... Eu sinto muito. – Tentei ser solidária. – E a culpa por sua ex ser meio pirada das ideias não é sua. – Falei, acariciando sua coxa carinhosamente. – Acredite.
A ruiva sorriu e colocou a sua mão sobre a minha, apertando-a de leve.
– Eu vou ficar bem. – Ela tentou me tranquilizar. – Sua vez, Raudenfeld. – E voltou pra brincadeira.
– Hum... Quando eu contei para a minha mãe, há algumas semanas, que eu era bissexual, ela surtou e parou de falar comigo. Nem foi se despedir de mim no aeroporto. — Falei, fitando o chão.
– Os pais sempre demoram uma eternidade para nos aceitar do jeito que somos. – Agora era Karma que tentava ser compreensiva. – E alguns nunca aceitam. Mas a gente acaba superando, de uma maneira ou de outra. – Eu voltei o meu olhar para ela e fitei novamente os seus lindos olhos. Deus, como ela me hipnotizava!
– É. – Concordei, sorrindo.
O clima que estava surgindo foi interrompido pelo telefonema do porteiro avisando que um rapaz moreno chegara para nos buscar. Assim que desliguei o telefone, avisei Karma que Shane chegara e nos dirigimos até o elevador para descer até o andar térreo. Saímos do elevador quando ele chegou ao destino e fomos ao encontro de Shane. Ao nos aproximarmos do rapaz, o mesmo abraçou Karma com força e depois a mim, exibindo um sorriso animadíssimo.
– Eu estou TÃO ansioso para conhecer essa cidade linda! – Ele demonstrou as altas expectativas que possuía sobre o dia que estava por vir.
– Nós também. – Comentei sorrindo, apontando para mim e para Karma, que assentiu.
– Nossa, tô vendo a animação de vocês mesmo. – Ele fez uma careta. – Qual é! Estamos na Holanda! Quero ver entusiasmo! – Ele pediu, erguendo os punhos para cima em um “yay” silencioso.
– Nós vamos descobrir Amserdã hoje, minha gente! – Falei, com um pouco mais de gás na voz. – Uhul! – Dei um gritinho gay que pareceu satisfazer Shane, que apenas sorriu e olhou para Karma.
– Viu? É assim que eu gosto. – Ele se dirigiu a ela, ganhando uma virada de olhos por parte da ruiva.
Em menos de quinze minutos, estávamos os três dentro de uma BMW x7 branca, muito bem acomodados.
– Que carro, hein, Shane? – Comentei, impressionada com a beleza e sofisticação do veículo. O moreno apenas gargalhou alto e meteu o pé no acelarador.
– Primeira parada: Museu de Van Gogh! – Shane anunciou, nos conduzindo até o lugar.
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