Dust in the Wind
26 O último suspiro
Notas iniciais

Wendy continuava sentindo muita dor no braço e Reid estava ao seu lado. Jessyca a encarava ainda com muita raiva. Enquanto Wendy conversava com Jessyca, Reid a observava a fim de traçar seu perfil. Se havia uma forma de fugir dali, seria através da ruiva.
— Eu não me lembro, minhas memórias são confusas nas últimas duas semanas anteriores a morte da Rachael — respondeu Wendy — só sei que teve algo a ver com o padrasto dela.
— BINGO! — gritou Jessyca comemorando — exatamente isso. A mãe dela havia viajado, e o padrasto não estava nada satisfeito com o vídeo da Rachael e do Daniel.
— Agora que você está falando, estou começando a me lembrar — falou Wendy — nós fomos lá por que você me disse que a Rachael estava sofrendo ameaças do padrasto por causa do vídeo. E que nós devíamos ir lá para ajudá-la.
— Na verdade, eu mostrei o vídeo para o Michael Scott — falou Jessyca como se divertisse — precisava ver como ele ficou possuído... foi então que Phillip teve uma ideia... a ideia de cometer o crime contra a Rachael.
— Por que fizeram isso? Por que com a Rachael? — indagou Wendy.
— Você estava saindo de controle, Phillip queria arrumar um meio para te controlar, foi quando ele teve a ideia de matarmos a Rachael e que você pensasse que tinha causado a morte dela.
— Não pode ser — disse Wendy — isso não está acontecendo.
— Pois é a mais pura verdade.
***
Los Angeles — Califórnia.
JJ entrava na ambulância com Emily, esta continuava pálida e fraca, mas mantinha-se firme. JJ segurava sua mão para que ela se acalma-se e durante todo o percurso ela perguntava pela filha.
Assim que chegaram ao hospital, ela foi atendida prontamente. A loira conversou com Sean que a encontrou lá e ambos ficaram na dúvida se avisavam ou não Hotch. Mas os dois concordaram que por bem seria melhor não avisar, ele já estava preocupado demais com Wendy, e só se fosse algo grave que eles ligariam para Hotch.
***
Palo Alto — Califórnia.
Morgan e Elle haviam acabado de sair da sala de reuniões e foram tomar café em uma salinha a sós. Quando o celular dele tocou, era Garcia.
— Fala, amor — respondeu Derek colocando o celular no viva-voz.
— Bem, eu investiguei a fundo a versão da Wendy na noite em que a Rachael foi morta e encontrei alguns furos — disse a loira — como Hotch já havia “cantado” para mim, Wendy era atleta e fazia exames de sangue e urina periodicamente e, inclusive, fez um de urina dois dias depois da morte da Rachael.
— E qual foi o resultado? — perguntou Elle.
— Calma que eu já vou dizer — falou Garcia agoniada — não foi encontrado ecstasy na urina dela. O exame está limpinho.
— Como? — indagou Morgan — se Wendy alega que usou ecstasy naquela noite era para o exame ter acusado. O ecstasy demora no mínimo três dias para ser eliminado completamente da urina. Era para o exame ter acusado.
— A não ser que ela esteja mentindo — retrucou Elle.
— Não acredito que ela esteja mentindo — completou Morgan — você viu aquele vídeo tanto quanto eu. Se ela se lembrasse daquilo, certamente já teria contado. Mas o que eles fizeram para “apagar” a memória dela?
— Por que vocês não me deixam terminar de falar? — indagou Garcia falando de forma manhosa.
— Continue, amor — falou Morgan.
— Está bem meu pudim de chocolate — falou Garcia — não houve nenhuma substância suspeita, mas encontrei altos níveis de propranolol. Então investiguei a ficha médica de Wendy e ela não fazia uso de nenhum medicação que utilizasse essa substância em sua composição.
— Propranolol é uma substância encontrada em remédios para hipertensão arterial — disse Morgan.
— Mas que em grandes quantidades causam perda de memória — completou Elle.
— É isso — retrucou Morgan — será se seria possível que eles tenham usado essa substância para fazê-la esquecer do que aconteceu de verdade e depois plantou memórias? — perguntou Morgan.
— Acho perfeitamente possível — respondeu Elle — já que Wendy disse que as memórias dela são confusas quanto a esse dia.
— Eu sei que a conversa está interessante, porém eu tenho mais uma coisa a dizer interrompeu Garcia.
— Diga, amor — pediu Morgan.
— Eu acho que sei onde Phillip pode estar escondido com Wendy e Reid — respondeu Penélope.
***
Na outra sala, o vídeo começou passar. Hotch ficou parado assistindo. Rossi também estava assistindo ao lado do colega.
Estavam Wendy, Rachael e Lilly sentadas no chão do quarto da Rachael ao lado da cama e de frente para o criado-mudo. As três vestiam baby doll. O de Rachael era um de pele de onça. Wendy estava com um do short rosa e blusa branca com as alças rosas e o desenho de um urso na barriga. Já Lilly estava em um todo preto de cetim. Jessyca não aparecia, provavelmente era quem estava fazendo o vídeo.
— Vamos Rachael, diga com quantos você já transou? — perguntou Jessyca.
— Eu tenho que responder isso? — retrucou a garota sem graça.
— Faz parte do jogo — insistiu Jessyca.
— Ela não está à vontade — retrucou Wendy — e para de filmar.
— Vamos, Rachael... eu só preciso de um número — continuava a insistir Jessyca — eu sei que o Daniel não foi seu primeiro.
— Sabe o que? — indagou Rachael surpresa.
— Que você saiu da outra escola depois que foi pega no banheiro com o maior “nerdão”.
— Você investigou minha vida? — indignou-se Rachael.
— O que você está fazendo? — perguntou Wendy — não é para isso que estamos aqui.
— E você? Hein, Wendy? — retrucou Jessyca — fica bancando a menina má só para chamar a atenção do pai, só que ele não está nem ai para você.
— Não fale do meu pai — respondeu Wendy bastante irritada.
— Você deveria ser eternamente grata por pelo menos ter um padrasto como Phillip — falou Jessyca levantando-se e indo em direção a porta — ah e falando nisso, ele está aqui.
Jessyca abriu a porta e Phillip entrou. Wendy se afastou como quem quisesse se proteger. Rachael e Lilly se entreolhavam sem nada entender.
— Então, aqui temos somente vadiazinha... tão novinhas e já estão perdidas — falou Phillip olhando para as três sentadas, enquanto Jessyca continuava filmando em pé — até você, filhinha do meu coração. Eu pensando que você era pura.
— O que faz aqui, Phillip? — perguntou Wendy levantando-se lentamente — eu vou contar tudo para a minha mãe.
— Conte, garota mimada... conte. Vamos ver em quem ela acredita.
Wendy ficou tomada de ódio e levantou-se.
— Eu vou embora — falou Wendy passando por Phillip e querendo chegar a porta. Mas ele a segurou forte pelo braço — você não vai a lugar nenhum.
— Me solta — pedia a garota tentando tirar as mãos do padrasto de si.
— Você também se deitou com aquele playboyzinho de merda do Parker?
— Eu namoro com ele desde os 12 anos, o que você acha? — perguntou Wendy o desafiando.
— Sua vagabunda! — gritou Phillip dando-lhe uma bofetada e a jogando na cama — você transou com aquele molecote? Você não podia ter feito isso — Phillip parecia estar possuído, então partiu para cima de Wendy a esganando.
Rachael tentou intervir, porém foi jogada contra a parede. Wendy não teve tempo de raciocinar no que estava acontecendo, só tentava de todo jeito se desvencilhar de Phillip.
— Veremos se você realmente transou com aquele moleque — disse Phillip esganando a garota com uma das mãos e a outra desceu até o short da garota.
— Solta ela, por favor — pedia Lilly chorando, mas sem esboçar qualquer reação.
Rachael havia batido a cabeça forte na parede, por isso ainda tentava se recompor. E Jessyca somente filmava tudo.
Phillip com uma das mãos tentava tirar o short da garota. Wendy mesmo sem fôlego segurava com força o short para que ele não tirasse. Mas ele era mais forte e em pouco tempo conseguiu rasgar o short da garota.
Logo depois, ele quis livrar-se da calcinha dela. A garota tentava gritar, mas era em vão e se debatia bastante, apesar de estar bastante fraca, ela não desistia. Todavia logo as forças estavam indo embora e era só uma questão de tempo até Phillip conseguir o queria.
Em pouco tempo a garota desfaleceu, e ele pode finalmente tirar a calcinha dela sem qualquer resistência, depois introduziu um de seus dedos na sua genitália.
— Hunf... ainda é virgem — disse ele a jogando no chão sem se importar que a machucaria com a queda. Depois virou-se para Lilly que estava à sua direita — agora é sua vez.
— NÃO... NÃO — gritava Lilly sem mostrar reação, mas chorando muito.
— Se resistir é pior para você.
— Eu sou virgem — ela disse.
— Eu vou ter que verificar. Wendy acabou de mentir para mim dizendo que não era, quem me garante que você também não está mentindo?
— Juro que estou falando a verdade.
Lilly gritava em desespero, mas estava totalmente paralisada. Ela tentava reagir, sair correndo, mas seu corpo não respondia às suas ordens, por isso seu desespero era maior ainda.
— Vamos, afaste as pernas — pediu Phillip — vamos, é uma ordem.
Ela chorava e ficava imóvel, então Phillip deu-lhe uma bofetada e afastou suas pernas a força, se livrando rapidamente de suas roupas. E mais uma vez introduziu os dedos na genitália da garota. Ela chorava muito.
— Você falou a verdade — ele disse a empurrando fazendo com que ela caísse no chão.
Lilly somente pegou suas roupas e vestiu-se novamente. Nunca havia se sentido tão suja e humilhada na sua vida.
— Mas que porra, Jessyca — gritou Phillip ainda mais raivoso — você havia me dito que nenhuma delas era virgem.
— Desculpe, amor — respondeu Jessyca — eu achei que ela era só charminho delas... mas a Rachael, eu tenho certeza que não é...
— Verdade, depois daquele vídeo, não tenho nem o que verificar — falou Phillip.
Então ele foi se aproximando lentamente de Rachael. A garota ainda estava atordoada e somente sentiu quando foi puxada pelos cabelos subitamente.
— Acorda, vadia — ele dizia, enquanto ela mal conseguia entender o que estava acontecendo.
— Vá embora — pedia a garota recobrando a consciência.
— Cala a boca, vagabunda — disse ele começando a estapeá-la. Ela caiu no chão, mas nem teve tempo de se surpreender com o tapa. Logo ele foi pegando-a do chão e a arrastou pelos cabelos até a cama. Rachael não entendia o que estava acontecendo, sentiu somente as mãos daquele monstro rasgando suas roupas com brutalidade.
Ele deitou-se por cima dela e aos poucos foi se livrando das roupas dele também. Ela tentava fugir de seus braços. Enquanto Phillip continuava tirando as roupas dele, nesse tempo, ela conseguiu uma brecha e fugiu dos braços dele, mas ele percebeu e a segurou pelo pé, fazendo com que ela caísse e batesse a cabeça do criado-mudo do lado da cama.
Phillip a puxou de volta para cama pelo pé.
— Fica, quieta — ele disse começando a esganá-la.
— Por favor — a garota implorava — não me faça mal, por favor.
Ele pouco se compadeceu dela e só mostrava um sorriso de satisfação. Foi quando Rachael viu a maldade nos olhos daquele homem, um olhar insano e assassino, logo ela teve certeza que não sairia dali viva.
Phillip então a deitou e deitou-se por cima dela.
— Agora você vai saber o que é ter um homem de verdade — ele disse abrindo suas pernas com violência enquanto a penetrava.
— Para, por favor... para — ela gritava em vão.
— Eu sei que você gosta disso — murmurava ele no pé do ouvido dela — não gosta?
— Para — pedia ela entre lágrimas.
— Duvido que aquele molecote é metade do homem que sou. Fala vadia, que eu sou melhor do que aquele manezinho — ela falava apertando-lhe o pescoço com as mãos, enquanto ela gritava desesperadamente — se não falar, eu vou continuar te esganando.
Lilly continuava sentada no chão abraçada nas próprias pernas tentando não escutar os gritos de Rachael. Ela queria poder ajudar de alguma forma, mas sabia que nada podia fazer. Os gritos eram desesperadores e incessantes.
Os gritos logo cessaram. Rachael havia desmaiado, sufocada pelas mãos daquele monstro. Lilly se desesperou quando viu o corpo de Rachael desfalecido embaixo de Phillip.
Ele levantou-se e só então pode-se ver os lençóis sujos de sangue. Ele havia extrapolado todos os limites.
— Você a matou — disse Lilly olhando perplexa aquela cena sem tirar os olhos do corpo de Rachael totalmente imóvel.
— Vamos para a segunda parte do plano — disse Phillip indiferente ao fato de que Rachael podia estar morta.
— Ecstasy, eu sei — falou Jessyca pegando uns frascos do bolso e entregando a Phillip juntamente com uma seringa.
Phillip tirou o corpo da garota da cama e levou para perto da porta. Encheu a seringa com ecstasy e entregou a Jessyca que não parava de filmar um minuto. Phillip segurou o corpo da Rachael, ao tempo que Jessyca aplicava com uma das mãos a droga na corrente sanguínea da garota.
— Causa da morte: overdose de ecstasy — falou Phillip comemorando.
O vídeo acabou e Hotch por pouco não caiu no chão de tão tonto e ao mesmo tempo enojado ele ficou. O que aquele monstro fez com aquelas garotas era terrível e inadmissível, mesmo com todos os anos que trabalha na BAU vendo as mais absurdas forma de tortura, ele não conseguiu deixar de se comover com aquela história.
Eram apenas garotas de 15 e 16 anos. E seu desespero ainda era maior quando pensava que sua própria filha passou por aquilo tudo também, mas nada comparado ao que aquele monstro fez a Rachael.
Lágrimas corriam pelo seu rosto. Ele sentou-se na cadeira tentando absolver tudo que havia assistido naquele vídeo. Era difícil ser indiferente. Rossi que ainda era mais experiente do que Hotch, também se emocionou.
Foi muita crueldade o que fizeram com aquela garota. Que espécie de ser era aquele Phillip?
Logo Elle e Morgan entraram na sala. Estes sentiram o clima pesado que estava naquela sala, por isso ficaram calados esperando que suas presenças fossem percebidas.
Hotch logo olhou para os dois ainda perplexo.
— Garcia descobriu o esconderijo de Phillip — disse Elle.
Hotch nem teve tempo de raciocinar quando seu celular tocou. Era JJ.
— Aaron Hotchner — disse ele atendendo o telefone.
— Hotch, você tem que vir para Los Angeles urgente — disse JJ — seu filho vai nascer.
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