Dust in the Wind

51 Não passamos de poeira ao vento


Notas iniciais
Olá, meus amores. Chegamos ao último capítulo, estou tentando conter a emoção, mas não vou me prolongar muito, afinal não é o fim, teremos uma continuação, que será a última história dessa série, tentarei postar no final de maio para início de junho. Mas "Dust in the Wind: trechos e fragmentos" continuará sendo atualizado, só que agora com mais frequência. Pode ser que não termine da forma esperada, pois há muitas histórias pendentes. Então digo a vocês, não é o final que todos esperavam, mas é o final que todos precisam.

Quantico (Virgínia)

— Conversamos quando você retornar — disse Wendy percebendo o quão confuso o rapaz estava.

— Sem problemas para você? — ele indagou ainda bastante confuso.

— Sim, pode ir.

Reid fez o sinal de “positivo” com a cabeça e acompanhou Morgan.

— Ela está com algum problema? — perguntou Morgan enquanto caminhavam.

— Não — Reid respondeu apreensivo.

***

Na cafeteria a algumas quadras da BAU. Evilyn e Emily tomavam um café enquanto conversavam.

— Tem certeza de que isso vai dar certo? — indagou Evilyn.

— O seu emprego no FBI eu não garanto, mas que a acusação de homicídio vai ser arquivada, eu tenho certeza.

— Da última vez que fez isso, você lembra do que aconteceu, não lembra?

— São outros tempos. Eu era muito jovem e a Heidi Murphy conseguiu me intimidar. Hoje nem o FBI tem esse poder sobre mim.

As duas cessaram a conversa quando a garçonete chegou lhes servindo uma xícara de café para cada com torradas.

— Mã... quer dizer, Emily.

— Pode me chamar de mãe, você é minha filha.

— Tudo bem, então — Evilyn falou feliz e depois voltou a ficar séria —. Mãe, eu pensei bastante esses últimos dias e talvez eu não queira seguir no FBI.

— Talvez? — indagou Emily no momento em que tomava um gole de café.

— É que depois que matei Phillip, mesmo sabendo o monstro que ele era e que fiz aquilo para salvar minha irmã, não consigo ter paz. Eu tenho pesadelos com isso o tempo todo. Eu gosto de estar em campo, analisar perfis, ajudar as pessoas, mas matar é muito para mim.

— Eu entendo perfeitamente.

— Por isso, eu vou me dedicar somente ao estudo do comportamento. Eu já havia recebido essa proposta do reitor da Universidade da Virgínia para fazer parte do time de pesquisadores, e acho que vou aceitar.

— Se é como você se sente bem, eu apoio.

— Mas a senhora ama trabalhar para o FBI, não é verdade? — Emily não respondeu apenas a encarou a filha e esta continuou —. Eu vi que quando falou com Wendy mais cedo, você disse “nós agentes”, você se referiu a si mesma como agente, apesar de não sê-lo mais. Você sente falta do seu trabalho.

— Eu sinto, porém a minha prioridade agora é o Jack, ele ainda é bem novinho.

— Eu posso ficar com ele sempre que precisar se ausentar.

— Não posso fazer isso. E seu trabalho na Universidade?

— É só meio período, podemos colocá-lo numa creche ou contratar uma babá no período que eu estiver na Universidade — Evilyn ainda sentia um pouco de resistência de Emily, por isso resolveu não insistir mais — Pelo menos, pensa no assunto.

Okay, eu vou pensar. Agora vamos chamar Wendy e voltarmos para Washington, preciso colocar nosso plano em prática hoje ainda.

***

Reid ia no jatinho rumo a Filadélfia. Ao passo que os outros agentes discutiam o caso, o rapaz mantinha-se distante, totalmente desconectado do mundo. Ele seria pai e não sabia como lidar com aquela situação.

O caso era sobre um assassino em série que não só matava, como também removia a pele de suas vítimas e as desovava em lixeiras ou caminhão de lixo. Ele matava somente mulheres jovens entre 20 e 30 anos. As mulheres eram dos mais diversos tipos de etnia. E sempre que ele sequestrava uma vítima, a família recebia um desenho de uma borboleta.

Já haviam sido identificadas quatro vítimas. E uma quinta estava desaparecida.

Assim que chegaram na Filadélfia, Reid foi designado para ir ao legista com JJ. Ela dirigia o carro, enquanto ele ia no banco do carona distraído.

— Então, o que está te incomodando? — perguntou JJ, no entanto, o rapaz continuou calado —. Pode confiar em mim.

— É a Wendy — ele disse sem ter certeza se devia continuar falando.

— Vocês estão com problemas?

— Ela está grávida.

— Grávida? — ela indagou surpresa —. Spencer, isso é maravilhoso.

— Acha mesmo?

— Claro que sim — ela respondeu entusiasmada em seguida ficou séria —. Você não gostou?

— Eu não sei dizer. Ainda estou tentando assimilar a notícia. Eu amo muito a Wendy, mas ter filhos me deixa um pouco assustado. E isso me faz pensar de que sou uma má pessoa.

— É normal se sentir assim inseguro. Pode ter certeza de que ela também está.

— E se eu não corresponder como pai?

— Reid, tenho certeza de que se esforçará para ser um ótimo pai e vai conseguir. Então que tal deixar essa insegurança de lado e aproveitar a notícia, hein?

Todavia logo chegaram ao legista e tinham que se concentrar no trabalho. Avaliaram que a pele era removida com uma precisão cirúrgica, o que dava para concluir que se tratava de algum médico ou açougueiro. Depois de falarem com o legista, ambos foram à delegacia se reunir com os demais membros da equipe.

***

Washington (DC)

Logo que Emily, Wendy e Evilyn entraram em casa, viram Sean na sala já com as malas prontas. Eram três ao todo.

— Mas já? — indagou Emily.

— Sim, eu só estava esperando vocês chegarem para ir — ele respondeu —. Eu vou voltar para meu antigo emprego em Nova Iorque.

— Boa sorte, Tio Sean — Wendy disse dando um abraço nele —, vou sentir muito a sua falta.

— Obrigado, minha gatinha.

— Eu agradeço por tudo que fez por mim nos últimos meses — disse Emily o abraçando também —. Não sei o que seria de mim sem seu apoio.

— Imagina, eu gostei de ficar com minha família durante esse período, fez eu me sentir útil em alguma coisa.

— Bem, eu posso te levar no aeroporto — sugeriu Emily.

— Não precisa, o Jack já está dormindo há um bom tempo, com certeza está perto de acordar.

— Mas eu posso — falou Evilyn —, eu estou te devendo uma carona.

Sean olhou para Evilyn como se quisesse evitá-la. Eles não se falavam desde a naquela noite que se beijaram.

— Então? — ela insistiu.

— Vamos — ele falou sem muita convicção.

— Eu ajudo com as malas — completou Emily pegando umas das malas, enquanto Evilyn pegou a segunda e Sean pegou a terceira.

***

Evilyn assim que deu a partida no carro, resolveu falar logo o que queria. O aeroporto ficava a 40 minutos dali, se ficasse tentando criar coragem, certamente chegaria ao seu destino, sem ter podido falar o queria.

— Sean, eu sinto muito por tudo, por ter te chateado — ela disse.

— Está tranquilo. Me desculpe também se fui grosso com você — ele respondeu —. É que eu odeio que fiquem fazendo meu perfil.

— Eu não consigo evitar — Evilyn falou apertando a direção —, prometo me policiar para isso não ocorrer mais.

— Certo — ele respondeu.

— Sean e aquele beijo...

— Sobre aquele beijo, é melhor deixarmos as coisas como estão. Eu não sou homem para você. Você é uma menina jovem e linda, com certeza terá outros pretendentes.

Aquelas palavras deixaram Evilyn irritada. Mas ela resolveu não demonstrar isso para ele. Estava claro que ele tinha medo de se envolver com ela e não era por medo de se machucar ou por que gostasse de outra, mas por que Evilyn era uma analista de perfis como Hotch também era.

— Se você acha — foi o que ela disse.

Depois disso, ambos ficaram em silêncio até chegarem ao aeroporto. Os dois se despediram dando um longo abraço e Sean voltou para Nova Iorque.

***

Filadélfia (Pensilvânia)

~Três dias depois~

Depois de uma longa investigação, chegou-se à conclusão de que o serial killer seria uma transexual que insatisfeita com o fato de não ter sido aprovada sua cirurgia de mudança de sexo, e por sentir que estava dentro de um corpo que não era o seu, planejava construir para si uma segunda pele feminina, servindo-se das peles de suas vítimas.

A borboleta era representação metafórica da transformação pela qual ela queria passar. E o nome ao qual chegaram foi Ted Button ou como se identificava, Marilyn Button, que trabalhava com a primeira vítima. O que já tinha sido previsto pela equipe, que dizia que a primeira vítima de alguma forma havia despertado a cobiça de Marilyn, por isso deveriam ser próximas.

E assim que conseguiram o endereço, todos os agentes em conjunto com a polícia da Filadélfia se dirigiram para lá. Se tratava de um pequeno cortiço. Hotch, Rossi, Elle e Morgan entraram com alguns policiais. JJ e Reid ficaram do lado de fora para caso, houvesse alguma fuga. Todos com coletes à prova de balas.

À medida que Hotch e os outros iam entrando alguns moradores saiam para ver o que era, todavia os agentes iam pedindo silêncio e que os mesmos dirigissem para dentro de seus cômodos.

Logo que chegaram à porta do pequeno apartamento do suspeito. Morgan bateu forte.

— FBI, abra a porta!

Ouviu-se somente o silêncio. Depois de ter batido novamente e não ter obtido resposta, eles invadiram e averiguaram cada centímetro daquele apartamento, mas não tinha ninguém.

***

Reid e JJ estavam do lado de fora. A rua era numa periferia. As casas e os prédios eram bem próximos. Os poucos empreendimentos que havia ali eram simples. As ruas eram estreitas e havia, no decorrer dela, várias vielas.

Cerca de cinco policiais cercavam o cortiço para que o mesmo não fugisse. Reid estava mais para trás com JJ observando atentamente todo o movimento da rua e do cortiço.

Reid olhou a sua esquerda e viu uma mulher que aparentava ser muito sofisticada para o bairro. Ela vestia um casaco vermelho e botas de cano pretas até o meio do joelho, usando luvas brancas.

O rapaz percebeu que assim que ela percebeu o movimento da rua, ela recuou. Reid achou o comportamento suspeito, por isso foi caminhando rapidamente na direção dessa mulher, quando ela percebeu que estava sendo seguida, correu. O rapaz imediatamente gritou, se identificando como sendo do FBI, todavia ela continuou correndo.

JJ percebeu a perseguição quando Reid já estava um pouco distante, por isso chamou outro policial para dar cobertura.

Na primeira esquina a mulher misteriosa dobrou. Reid sacou a arma e lentamente apareceu. Quando se deu a conta, a mulher misteriosa também estava com uma arma para ele e antes que ele pudesse reagir, ela atirou seis vezes sobre o peito do rapaz que caiu no chão.

A mulher então fugiu. JJ logo chegou com o policial. A loira viu que ele se mexia e de que não havia sangue nele, apesar de que ele continuava estendido no chão.

— Vai atrás dela — disse JJ ao policial —, eu cuido dele.

Logo o policial fez conforme a agente disse.

— Spencer — ela falou preocupada se agachando e ficando perto dele.

— Eu estou bem, ela acertou o colete.

— Ainda bem — JJ respirou aliviada —. Mas mesmo assim você ainda não parece bem.

— Só estou sentindo uma dor por causa do impacto das balas, mas estou bem.

Reid tentou levantar, no entanto não conseguia. Sua respiração também estava ofegante.

— Fique quieto até os paramédicos chegarem — falou JJ em tom de ordem.

Então o policial conseguiu pegar a mulher misteriosa, que se tratava do suspeito procurado. E Reid foi atendido pelos paramédicos que o levavam na maca até a ambulância. Hotch que vinha lá de dentro com Morgan, se dirigiu até JJ.

— O que aconteceu exatamente com ele? — perguntou o chefe.

— Ele foi alvejado com seis tiros, a boa notícia é que todos foram no colete — respondeu JJ bastante preocupada com o colega —. A má notícia é que ele acabou quebrando duas costelas, não se sabe se foi pelo impacto das balas no colete ou pela queda. Agora ele vai ser levado ao hospital para fazer algumas exames para verificar se houve alguma lesão interna.

— Fique aqui com os outros, eu com ele para o hospital — disse Hotch entrando na ambulância.

Hotch olhou para Reid que estava bastante pálido e com falta de ar. Ele ficou falando com o rapaz no intuito de tranquilizá-lo enquanto ele era medicado.

***

Hotch aguardava notícias de Reid na sala de espera do hospital, que havia uma televisão ligada. Lá o agente viu um rosto conhecido: Sophie Carmine. Na hora Hotch ignorou qualquer que fosse a notícia que ela estava dando, todavia quando viu fotos de Phillip durante a reportagem ficou intrigado e decidiu prestar atenção.

Phillip Froster era um bandido de colarinho branco e estava na mira do FBI e da CIA há mais de dez anos e mesmo com todas as provas que os dois órgãos tinham, ele nunca foi preso. Froster era o assassino da moeda, que além de ter matado várias mulheres, ainda roubou cerca de 35 milhões de dólares das vítimas. Este dinheiro, pelo que consta nesses documentos do FBI dos quais tive acesso, foi utilizado para financiar a máfia russa que por sua vez, financia o tráfico humano e de armas.

Mas de tudo que vi nesses documentos, o que mais me assusta é que a CIA e o FBI queriam fazer um acordo com esse criminoso e colocá-lo em liberdade mesmo ele sendo um bandido de alta periculosidade. No entanto, vocês sabem por que isso não aconteceu? Por que Phillip foi morto antes que pudesse ser posto em liberdade. O que foi um alívio para os familiares de todas as vítimas, já que Phillip solto representaria um perigo para toda a sociedade.

Phillip Froster foi morto há cerca de dez dias por uma agente novata da Unidade de Análise Comportamental do FBI, Evilyn Blunt, depois que ele colocou em risco a vida de Wendy Hotchner, filha de um agente especial do FB Aaron Hotchner e do namorado da garota que também é agente do FBI, Doutor Spencer Reid.

Só que o mais intrigante dessa história toda, é que mesmo com análise da perícia dizendo que a agente Evilyn Blunt agiu em defesa de Wendy Hotchner e Doutor Spencer Reid, ela foi demitida do FBI por que ela não soube explicar o que estava fazendo naquela esquina na hora.

Ora, sei que os senhores telespectadores vão concordar comigo e por isso vou dizer para o FBI: o que ela fazia naquela esquina pode não ser da nossa conta. O que nos importa é que ela salvou a vida de dois cidadãos e fez justiça a famílias das vítimas.

Ouvindo aquela reportagem, Hotch levou às mãos sobre o rosto. A reportagem trazia informações e documentos sigilosos sobre o caso Phillip. E Hotch logo percebeu que sua esposa teria feito aquilo, pois queria colocar a população contra o FBI e fez aquilo para livrar Evilyn de um processo, pois com a pressão da população e a falta de importância da morte Phillip faria com que o órgão arquivasse o processo.

Com certeza, Emily conseguiria seu objetivo, mas a que custo?

***

O resultado dos exames de Reid saíram no dia seguinte. Por muito pouco a fratura de uma das costelas não perfurou o pulmão do rapaz. Contudo, apesar de ter recebido alta, ele ainda precisaria ficar de repouso por seis semanas, além de ter que tomar regularmente remédios para dor e a realização de exercícios para respiração.

Durante aquelas 30 horas que ficou hospitalizado, nos momentos que estava sóbrio, só pensava em Wendy e no filho. E lembrando da sua infância e de ter sido abandonado pelo pai, Reid estava convicto de que não agiria como ele, por isso se esforçaria para ser o melhor pai para seu filho.

Logo que recebeu alta, Reid voltou com Hotch para Washington, este se sentia responsável pelo rapaz, não somente por ser chefe dele, mas por tê-lo como um filho, ainda mais depois que ele começou a namorar Wendy.

Spencer estava em uma cadeira de rodas sendo empurrada por Hotch. E assim que chegaram ao aeroporto no portão de desembargue, viram Wendy e Emily os esperando, sendo que a garota assustou-se quando viu o namorado na cadeira de rodas.

— Spencer! — ela falou em tom de preocupação.

— Não se preocupe, filha — Hotch se antecipou —. A cadeira de rodas é só por que Reid não pode forçar a coluna. Em seis semanas, ele estará inteiro.

Wendy se agachou perto de Reid e o abraçou forte. Emily apenas sorriu para Hotch que retribuiu o sorriso.

— Eu fiquei tão preocupada — disse Wendy.

— Eu estou bem — ele disse tentando não fazer tanto esforço para abraçá-la —. Wendy, eu quero ir para o nosso apartamento hoje ainda, não quero mais perder tempo. Tudo que mais quero é ficar com você e com nosso bebê.

— Bebê? — indagou Hotch franzindo a testa.

Wendy olhou para o pai ainda agachada.

— Sim, eu estou grávida — ela falou em seguida levantou-se ficando cara a cara com o pai que parecia ter levado um susto.

— Você está bem, Hotch? — perguntou Emily percebendo a palidez do marido.

— Eu não estava preparado para essa notícia.

— Vamos para casa — pediu Emily —. Lá a gente conversa melhor sobre isso.

***

Já era final de tarde e Emily estava no quarto em frente ao espelho, ela retirava os brincos, anéis e um colar. Quando Hotch abriu levemente a porta e ficou parado lá. Por mais que tenha sentido ele chegando, ela não olhou e começou a retirar a maquiagem. Ela pegou um lenço umedecido e começou a passar no rosto.

— Olha o que eu trouxe — disse Hotch segurando uma garrafa de tequila e dois copos pequenos. Emily olhou assim que ouviu a voz dele.

— Ah, quanto tempo eu não bebo uma dessas — ela falou —. Desde que eu trabalhava na BAU.

— Era bebida favorita do agente Stanley, nosso antigo chefe.

— Claro que me lembro dele.

— Está servida? — Hotch perguntou sentando-se na cama e colocando a garrafa de tequila com os copos sobre o criado mudo e em depois enchendo-os com a bebida.

— Só o minuto — ela falou terminando de passar o lenço umedecido por todo o rosto.

Hotch encostou-se na cabeceira da cama e Emily sentou-se de frente para ele, ficando com uma das pernas no chão e a outra sobre a cama. Após, Hotch pegou os dois copos e entregou um a Emily.

Ambos beberam de uma vez. Emily fez mais caretas do que Hotch. Depois de os dois sorrirem da situação, voltaram a ficar sérios.

— Então, você selou a paz com Sophie Carmine? — indagou Hotch querendo puxar assunto.

— Digamos que sim. Ela vai ter reportagem pelas próximas semanas, pois os familiares das vítimas e mais boa parte da população querem fazer protestos até o FBI arquivar o caso da Evilyn.

— O agente Damon já cavou a própria cova quando resolveu indiciar a Evilyn, com a repercussão do caso, a diretoria com certeza vai lavar as mãos e vai usar Damon como bode expiatório. E ele pode não aceitar isso numa boa.

— Eu estou pronta para o que tiver que vir, não tenho mais medo — falou Emily.

— E eu vou estar ao seu lado sempre — ele falou colocando o copo sobre o criado mudo e se aproximando dela —. Eu te amo, Emily, eu te amo muito.

Hotch a beijou, um beijo doce e demorado como ele costumava dar-lhe quando começaram a namorar. Um beijo que ele tentava transmitir tudo o que sentia por ela. Seus sentimentos afloraram novamente, como se ele nunca tivesse tentado esquecê-la. Decisão essa que julgava ser a mais burra que havia tomado na vida.

Ainda a beijando, ele a deitou sobre a cama e deitou-se sobre ela. Mas infelizmente foram interrompidos por batidas na porta.

— Mãe, pai — dizia Wendy batendo na porta.

Imediatamente os dois se recompuseram e foram atender a porta. Do outro lado estavam Wendy e Reid, este na cadeira de rodas, enquanto a garota estava atrás dele com as mãos sobre o ombro do rapaz que acariciava a mão da garota.

— Eu terminei de fazer minhas malas — disse Wendy.

— Viemos somente nos despedir — completou Reid —. Estamos indo para o nosso apartamento.

— Eu só posso desejar que vocês sejam felizes — falou Emily —. Vocês já passaram por tanta coisa para ficarem juntos.

Emily abraçou a filha e em seguida abraçou o rapaz.

— Eu sou seu pai — falou Hotch apontando para Wendy —, e eu sou chefe — apontou para Reid —, por isso eu posso dar ordens a vocês dois. E a ordem que eu dou é que cuidem bem um do outro.

— Nós vamos fazer isso — respondeu Reid —. Eu quero aproveitar ao máximo minha vida ao lado da mulher que eu amo e do meu filho — ele apertou a mão de Wendy que estava sobre seu ombro que sorriu emocionada —. Quando estive naquele hospital ontem, eu passei por uma crise existencial — Reid fez uma pausa colocando o cabelo detrás da orelha —. Nossos sonhos, nossas vidas, nosso caminhar… Tudo parece pequeno e efêmero diante da imensidão de outras forças, sejam elas externas ou internas, que não conseguimos controlar. Se eu não tivesse com aquele colete ou se aquele assassino tivesse atirado na direção da minha cabeça, possivelmente não estaria aqui hoje. A vida é algo tão frágil, passa tão rápido, como poeira que some tão rápido no vento.

Notas finais
Como eu disse no começo, não é o final que todos esperavam, mas é o final que todos precisam. Só posso agradecer a todos que favoritaram e comentaram a fanfic. Eu queria citar nomes, mas fico receosa de esquecer o nome de alguém, foram tantos leitores maravilhosos, uns que apareciam em todos os capítulos e outros comentam um ou outro, mas todos os comentários ficaram marcados no meu coração. Obrigada por tudo e até a próxima fanfic!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!