Dust in the Wind

28 Nascimento e Morte - parte II (final)


Notas iniciais
Agradeço a todos que estão lendo, lá vai mais um capítulo.

Los Angeles — Califórnia.

— Afastem-se — disse o médico enquanto aplicava uma série de choques em Emily.

— Ela não está respondendo — disse a enfermeira — o que vamos fazer?

O médico olhou para o relógio e angustiou-se.

— Vamos tentar mais uma vez — insistiu o médico — tragam epinefrina.

O corpo de Emily estava imóvel. E não respondia as várias tentativas de ressuscitação.

Na sala de espera, o desespero tomava conta de Hotch. Ele lembrava-se de como havia tratado a esposa nos últimos dias e arrependia-se. A tensão pelo sequestro da filha, e por todo o envolvimento da esposa com Phillip, o fez perder o controle e até cogitar em se separar dela. Mas agora tudo que ele queria era a esposa de volta.

Enquanto Hotch ficava inconsolável, uma assistente social de uma ONG se aproximou e procurou ajudá-lo. Uma moça morena, cabelos curtos lisos, vestida com calça social preta e uma camisa branca de botão manga longa.

***

Palo Alto — Califórnia.

Morgan dirigia na maior velocidade com Elle do seu lado e falando com Rossi com o celular no viva voz. Eles estavam indo numa pequena fazenda a cerca de 190 km do local Phillip havia levado Reid. Segundo Garcia, a terra pertencia a Monica Bello, mãe de Ramona Bello.

A loira suspeitou, pois viu atividade do cartão de crédito de Jessyca num posto a 11 km do local.

— Phillip está sempre um passo a nossa frente — disse Rossi — se formos lá, estaremos apenas entrando no joguinho dele.

— Concordo — retrucou Elle — ele já deve estar esperando a gente.

— Vamos fazer o seguinte: eu vou ligar para Hotch e depois retorno para vocês — falou Rossi desligando o celular.

***

Reid segurou o prato olhando atentamente para ele, como se quisesse ver, a olho nu, o que Jessyca havia colocado nele.

— Algum problema? — perguntou Jessyca o olhando desconfiado.

— Não — respondeu o rapaz.

— Reid, não é? — perguntou Jessyca o encarando e o rapaz acenou o “sim” com a cabeça — por que se juntou a Phillip?

— Por que quero me vingar dela — respondeu Reid se referindo a Wendy — eu dei todo o meu amor a ela e ela me rejeitou.

— Realmente você não faz o tipo dela — disse Jessyca rindo — você é do tipo que ela faz de idiota quando quer algo. Mas que nunca se envolveria. Foi isso que ela fez com você, não foi? Te fez de idiota.

O rapaz ficou desconfortável com o que ela disse, mas manteve-se firme.

— Eu sei bem disso, por isso a odeio — Spencer respirou fundo e voltou a encarar — se não fosse por Phillip, eu já tinha a matado.

— Se a odeia tanto, por qual motivo não começou a tortura quando eu disse para começar?

— Sou uma pessoa de hábitos rigorosos — respondeu Spencer — não podemos fazer nada enquanto não tivermos a mãe. Phillip a pegou para fugir da prisão. Mas temos que mantê-la viva até colocarmos a mão na Senhora Hotchner.

— Para que as mães?

— São as mães que não cuidam das filhas... que priorizam o casamento, priorizam tudo, menos a filha. Elas merecem ser castigada por isso.

Reid falava com muita convicção, realmente havia entrado no personagem. Jessyca franziu a testa ficando pensativa e depois confusa. Ela mudava de personalidade drasticamente, observava Spencer.

— Me dar esse prato — pediu a garota estendendo a mão. Reid prontamente entregou.

Jessyca caminhou até a pia com o prato na mão e derramou todo o conteúdo lá. Spencer se aproximou dela. Ficando lado a lado. A garota parecia irritada e confusa.

— Você não gosta da Wendy, mas também não quer fazer mal a ela, não é? — perguntou Spencer amigavelmente.

— Eu quero sim...

— Eu vi você colocando algum tipo de veneno na sopa dela e agora joga a sopa fora — disse Reid.

— Eu coloquei sim, coloquei Anthrax em pó — respondeu ela.

A primeira coisa que veio na cabeça de Reid foi perguntar onde ela havia encontrado Anthrax em pó. Todavia não era a prioridade do momento.

— Eu só desisti para fazer as coisas do jeito de Phillip.

— Eu entendo.

— Reid, Wendy é má. Passa por cima das pessoas e não se importa com os estragos que faz — respondeu ela enquanto lavava o prato — ela merece morrer... o mundo não precisa de pessoas como ela.

— Você parece confusa — disse Reid — até alguns minutos atrás eu não duvidaria disso, mas agora duvido muito das suas palavras.

A garota ficou alguns minutos calada, até que resolveu falar.

— Por que Phillip abusava de mim e nunca tocou na Wendy? — perguntou ela totalmente aberta.

— Por que a verdadeira Ramona Bello era adepta da tortura psicológica, mas ela nunca deixou nem Jason e nem Phillip tocar nas garotas. Ramona também sofreu abusos quando era criança, por isso não aprovava esse comportamento. Certamente ela não sabia de você.

— Isso a torna uma pessoa boa?

— Não, ela matou muita gente inocente.

Os dois ficaram em silêncio novamente. Jessyca ficou parada em frente a pia totalmente imóvel.

— Sabe — disse Jessyca — eu pedi ajuda para Wendy quando ele fez a primeira vez, mas ela me ignorou — mais uma vez ela baixou a cabeça — foi num dia que fui na casa dela para dormir. Ele passou o dia me olhando, eu achei estranho, mas não achei que ele iria tão longe. E quando deu no final da tarde, ele inventou de pedir para esposa ir com Wendy comprar algumas coisas para o jantar para que ficássemos a sós. E o resto não preciso entrar em detalhes — ela voltou a levantar a cabeça — eu queria que Wendy morresse igual a Rachael.

Pela primeira vez Reid conseguia ver um pouco de humanidade em Jessyca, apesar do que ela disse de Wendy. A personalidade dela mudava toda hora. Ela foi ferida e magoada e de alguma forma queria punir o mundo pela dor que lhe causaram. Ela queria que todos sentissem a dor que sentiu.

— Wendy não foi legal com você, todavia Phillip fez algo muito pior com você. Não podes deixar que Phillip fique impune. Ele merece mais punição que Wendy.

— Eu pensei que você a odiasse — ironizou Jessyca voltando à sua postura anterior. Reid ficou calado, então ela saiu deixando ele sozinho.

Spencer logo percebeu que por mais que ela quisesse, ela estava hesitante quanto a fazer o mal a Wendy, foi quando ele se tocou que talvez ela tivesse deixado pistas para trás que levariam os outros agentes até eles.

***

Los Angeles — Califórnia.

Hotch acabou de falar com Rossi no celular e saiu para o corredor que dava acesso aos quartos. Precisava falar com o médico para saber notícias da esposa. Ficando JJ, Sean e a assistente social esperando por notícias na sala de espera. Cerca de 20 minutos depois, Hotch volta totalmente em choque.

Ele aparentava estar totalmente sem rumo. Como se quisesse correr e não soubesse para onde. Queria um colo para chorar, mas não achava. Assim que chegou perto dos três, estes lhe olharam esperando uma resposta.

— Ela não resistiu — disse Hotch — a minha Emily não resistiu. Ela morreu.

Foi tudo que ele conseguiu dizer. Ele tentava conter as lágrimas, mas parecia impossível. Sean não conteve as lágrimas e chorou compulsivamente. Enquanto JJ tentava não chorar para dar apoio ao chefe.

— Eu sinto muito, Hotch — JJ falou enquanto se levantou e o abraçou.

***

Reid voltou a ficar com Wendy. O braço dela havia começado a inchar, então ele fez uma compressa de gelo para diminuir o inchaço. Apesar da dor, ela estava mais tranquila. Já fazia um bom tempo que Phillip havia saído e não tinha voltado. E Jessyca havia se trancado no outro quarto e não saia.

No entanto, os momentos de paz foram quebradas com a chegada de Phillip totalmente agitado e quebrando tudo que via pela frente. Spencer e Wendy assustaram-se quando ouviram o barulho, parecia que o mundo havia acabado.

Logo ele entrou no quarto, onde Wendy e Reid estavam. Phillip estava parecia estar possuído.

— Pegue ela — disse Phillip — vamos acabar logo com isso.

— Do que está falando? — perguntou Reid levantando-se. Enquanto Wendy ficou acuada no canto.

— Nós vamos levá-la daqui, e matá-la e depois fugir daqui recomeçando tudo de novo— respondeu Phillip.

— Não podemos matá-la sem a mãe.

— Esquece a mãe — gritou Phillip — a minha Emily morreu. Nossa missão furou.

— Como? — perguntou Wendy levantando-se e sentindo como se uma faca tivesse atingido seu coração — a minha mãe, não. Você está mentindo.

— Eu queria estar — respondeu Phillip totalmente fora de controle — agora vai ser sua vez também de morrer.

— NÃOOOO — gritou Wendy chorando muito — você é um mentiroso Phillip, minha mãe não morreu. Ela está viva, eu sei que está.

— Sim, ela morreu — insistiu Phillip — e vamos sair logo daqui.

— Não pode ter sido um engano — falou Reid.

— Eu coloquei um contato no hospital — respondeu Phillip — esse contato me garantiu que ela está morta. Agora vamos sair daqui.

— Nós vamos para onde? — perguntou Reid.

— Para onde tudo começou — respondeu Phillip. Ele se aproximou de Wendy e a puxou para o braço — preparada para morrer.

Wendy como num impulso na briga pela sobrevivência, deu um soco com toda a sua força em Phillip, o que fez com que o nariz dele sangrasse e o deixou mais irritado ainda. Ele ficou por alguns minutos tonto, mas logo recobrou os sentidos, então revidou dando um soco na garota, fazendo com que ela caísse no chão com a boca sangrando.

Praticamente a mandíbula da garota deslocou. Reid imediatamente correu para socorrê-la.

— Pega essa vadia e vamos sair daqui — avisou Phillip indo chamar Jessyca.

***

Phillip pegou a estrada com Reid, Wendy e Jessyca. A ruiva dirigia. Enquanto Phillip, Reid e Wendy iam no banco de trás. Wendy ia no meio dos dois. Reid tentava proteger a amada das investidas de Phillip, mas o malvado estava totalmente fora de controle e aquilo era muito ruim.

A garota somente chorava a perda da mãe, como se para ela nada mais importasse e que a morte talvez fosse um presente, pois aliviaria a dor que estava sentindo. Se tinha alguém que ficou do seu lado durante toda sua vida, foi Emily. O pai sempre teve outras prioridades, mas a prioridade de Emily sempre foi ela. Tanto que ela abriu mão do casamento com Hotch quando Wendy era criança para proteger a filha.

Wendy sentia que nunca soube retribuir de verdade toda a dedicação da mãe. Ela sempre sofreu com as ausência do pai que nunca reconheceu o grande esforço que a mãe fez para criá-la praticamente sozinha.

Já Reid traçava em sua cabeça a estratégia que seguiria caso não conseguisse convencer Phillip a desistir de matar Wendy.

Depois de algumas horas de viagem, finalmente chegaram a seu destino. A antiga casa de Phillip. Reid já havia descoberto que eles iriam para lá, pois foi lá onde tudo começou.

Phillip foi logo pegando Wendy pelos cabelos e a arrastando para o interior da casa. Assim que chegaram na sala, Phillip a jogou no meio da sala.

— O show vai começar.

Phillip a tirou do chão, ficando com o corpo da garota rente ao dele. Uma tensão tomou conta do lugar. Reid já se preparava para agir, quando de repente ouviu-se uma voz.

— FBI, não se mexa — gritou Elle apontando a arma. E logo depois vieram Morgan, Rossi e outros agentes e policiais.

— Mas o que está acontecendo? — perguntou Phillip estranhando tudo. E colocando Wendy na sua frente como escudo.

— Acontece que você perdeu Phillip — disse Rossi.

— Antes de você pensar, eu a mato — retrucou Phillip enquanto apertava ainda mais a garota contra seu corpo.

— Você não vai matá-la enquanto não tiver a mãe — falou Rossi confiante.

— O que importa isso agora? Emily está morta.

— Ela não está — respondeu Rossi — nós fizemos você acreditar que sim para que você saísse daquela toca cercada de homens armados e viesse para cá, onde estaríamos no controle da situação.

— Você está mentindo — falava Phillip sem acreditar — eu sei que Emily está morta.

— Não, Emily está muito bem. Totalmente fora de perigo — respondeu Rossi — Hotch teve essa ideia depois que percebeu que você mandou uma espiã disfarçada de assistente social ficar perto dele. Nós sabíamos que não faria nenhum mal a Wendy até ter Emily. Mas você é organizado, paciente e muito meticuloso. Sempre estava um passo na nossa frente. Sempre previa todas as nossas ações. Foi quando resolvemos te dar algo que estava fora do seu controle. Por isso inventamos a morte da Emily. Sabíamos que você perderia o controle e viria para cá matar Wendy. Onde tudo começou.

— Não pode ser — falou Phillip desacreditado.

— Se matar Wendy sem a mãe, não vai está cumprindo sua missão — completou Reid — por isso a deixe ir. Não há nada a ser feito.

Phillip soltou Wendy sentindo-se totalmente derrotado. Foi quando Elle foi até Wendy para socorrê-la. Então Phillip e Jessyca foram algemados.

Phillip ficou totalmente impotente e sem reação. Ele não conseguiu prevê aquilo.

Notas finais
Vocês acreditaram mesmo que eu mataria a minha rainha? Não mesmo. Agradeço a quem leu e comentem, por favor.