Dust in the Wind

8 Do céu ao inferno


Notas iniciais
Obrigada a todos que estão comentando e favoritando. Não estranhem se acharem o capítulo um pouco corrido, pois eu tive que dar uma acelerada na história, se não a gente ia chegar no capítulo 30 e nada de chegar no ponto da onde quero contar a história. Boa leitura, beijão!

Washington — DC

Michele levantou-se pegou seu laptop, deitou-se debruçada na cama e começou a acessar a internet. Ravenna deitou-se do seu lado.

— Quem será Rachael Baxter? — perguntou-se Michele — será se ela tem redes sociais?

— Eu não faço a mínima ideia.

— Vou pesquisar no Google.

— A única coisa que sei que outro dia ela foi visitá-la.

— Vamos ver o que aparecer se eu jogar Rachael Baxter no Google — disse Michele rindo.

— Deve existir várias Rachael Baxter no mundo...

— Vejamos... realmente tem várias notícias, se ao menos soubéssemos o outro sobrenome, seria mais fácil — disse Michele — temos que arrumar um jeito de descobrir o que ela fez para essa garota.

— A gente teria que falar com alguém do passado da senhora perfeição — sugeriu Ravenna — alguém que não goste dela.

— Tenho certeza que várias pessoas não gostam dela. Mas ela morava em Londres, a gente teria que vasculhar a vida dela lá — falou Michele.

— É isso, Michele — disse Ravenna empolgada sentando-se na cama — vamos contratar um detetive para vasculhar a vida dela em Londres...

— Boa ideia, amiga — concordou Michele sorrindo vitoriosa.

***

Reid tirou Wendy da lanchonete, enquanto a garota continuava nervosa. Vanessa correu para o quarto chorando muito.

— Você viu o que ela fez? — perguntou Wendy muito irritada.

— Eu vi, não foi legal — respondeu Spencer — mas você tem que manter a calma.

— Eu odeio esse tipo de pessoa, pessoas que para ficarem bem precisam humilhar outras. O que ela ganha com isso? A Vanessa é uma ótima pessoa, não faz mal a ninguém. Ela não merece isso.

— Realmente ela não merece — concordou Spencer se sentindo mal.

— Me abraça, Spencer — disse Wendy o abraçando — eu preciso tanto de você.

— Eu também preciso de você — retrucou Reid a abraçando.

Wendy sabia que a raiva que sentia de Michele, nada mais era do que a transferência da raiva que ela sentia dela mesma. E proteger a Vanessa era como está protegendo a Rachael.

Wendy aos poucos foi se acalmando. E Spencer de certa forma se sentia orgulhoso dela e seu amor por ela aumentava.

Os dois conversaram um pouco e depois Wendy foi descansar. Ver Michele humilhar Vanessa não a fez bem. Ela lembrou-se do que aconteceu com Rachael e a culpa que sentia por isso.

Wendy também quis ficar perto de Vanessa, a consolar pelo ocorrido. Ela sempre pedia para amiga ser forte, não se deixar levar pelas críticas, porém Vanessa era muito depressiva e se abatia facilmente.

Vanessa teve uma vida muito triste, seu pai era um serial killer que matou várias famílias. E matou seus irmãos, sua mãe e depois se matou. A garota só estava viva por que a bala que a atingiu não foi mortal.

Ela acabou ficando famosa nacionalmente, então esconder o que aconteceu era impossível. Algumas pessoas sentiam pena dela, outras a desprezavam por causa do seu pai. Então, para ela, era muito difícil se relacionar com as outras pessoas, pois ou as pessoas sentiam pena dela ou a desprezavam, sem contar que ela já passou por vários lares adotivos e não ficou em nenhum, por isso ela tinha uma alma tão ferida.

Porém Wendy conseguiu animar a amiga.

***

No quinta dia, Wendy e Reid foram ao museu. Foi uma tarde proveitosa, onde os dois interagiram bastante. Parecia que finalmente a conversa entre eles fluía naturalmente. E aquilo deixava Wendy feliz, como ela nunca tinha estado nos últimos meses.

***

No sexto dia, a garota pode finalmente pôr em prática o que aprendeu. Isso por que o campeonato nacional começaria e praticamente todos os dias teria jogo, a vantagem era que os primeiros jogos seriam em Washington e não precisaria viajar.

Seria a prova de fogo para Wendy, pois a temporada passada, ela foi reserva. Sempre entrando nas inversões ou quando o jogo da Dana não fluía. Inclusive, no dia que ela foi sequestrada pela amante do ex-padrasto, o time dela perdia o jogo e o set, e Wendy entrou no jogo, e não só virou o set, como viraram o jogo e conseguiram sair com a vitória.

Wendy era jovem, ainda iria fazer 19 anos daqui mais ou menos 1 mês, por isso era tratada como um talismã por seu treinador. Com certeza dali uns anos, ela teria as mesmas oportunidades que Dana estava tendo.

***

Na hora do jogo, o treinador conversou a sós com ela e Dana que a apoiou muito. Wendy estava nervosa, mas se concentrou bastante, ela queria estrear muito bem. E isso aconteceu, ganharam da Universidade da Columbia por 3x0, sem a menor chances para o adversário.

Reid assistiu a todo o jogo e ficou tenso. O time de Wendy teve uma atuação impecável.

Michele e Wendy não se entendiam fora das quadras, mas dentro, as duas eram bastante entrosadas. A filha de Hotch era mais precisa nas bolas de ponta, melhor até do que Dana. E Michele era uma ponta-passadora muito habilidosa e completa, tanto que ela foi a maior pontuadora do confronto com 17 pontos.

As bolas de segurança da Dana era Valentina, mas a de Wendy estava sendo Michele. E talvez esse tenha sido o fator surpresa para os adversários, que montaram uma estratégia de jogo para anular Valentina que, por isso, foi pouco utilizada.

Após o jogo, Wendy e Reid foram para a casa dela. Já que a garota não quis o levar para a festa de comemoração, temendo o que Michele aprontaria caso ela aparecesse acompanhada de Reid.

E assim que chegaram em casa, deram de cara com Hotch lá. Ele havia acabado de chegar da Califórnia e foi correndo para casa para ver a esposa.

Hotch, nos últimos tempos, levava o máximo de trabalho possível para casa, para, assim, ter mais tempo com a família. E assim que Wendy chegou, que viu o pai sentado no sofá com a mãe, ela correu ao encontro dele, o abraçando e o enchendo de beijos.

— Dessa vez o senhor voltou rápido — disse Wendy ainda o abraçando forte.

— Ainda bem, pois além de termos prendido um psicopata antes que ele matasse mais alguém, eu ainda vou ter tempo para curtir minha família.

Hotch estava alegre em ver a filha, porém seu sorriso se desfez quando viu Spencer, ele bem que tentou ser educado, afinal, gostava muito do rapaz, mas o ciúme que tinha da filha falava mais alto.

— Oi, Reid — falou Hotch sem muita emoção.

— Pai — cochichou Wendy perto do ouvido de Hotch — fala com ele direito.

— Como tem sido suas férias? — perguntou Hotch tentando mostrar ser simpático. Enquanto Wendy foi até a mãe e deu-lhe um beijo na barriga e outro na bochecha.

— Boa — respondeu Reid com um sorriso tímido — muito boa!

— Vamos nos sentar — disse Emily mostrando o sofá para Reid que logo sentou-se.

— Eu vou tomar um banho — falou Wendy — façam companhia para o Spencer que eu volto já — completou subindo as escadas e indo para o quarto dela.

— Pode ficar sentado e esperar que ela só volta em meia hora — disse Emily. Hotch sentou-se do lado da esposa e ficou olhando para Reid desconfiado.

— Deseja alguma coisa? — perguntou Emily olhando para Reid — água? Um suco?

— Só água, por favor — respondeu Spencer.

Emily se levantou para pegar a água. Ficando somente Hotch e Reid na sala. O silêncio tomou conta. Segundos depois, Emily chegou com o copo d’água e entregou a Reid. O rapaz recebeu.

— Reid, o que você quer de verdade com minha filha? — perguntou Hotch sério. Reid que estava bebendo a água, se engasgou com a pergunta do chefe e começou a tossir.

— Meu bem — disse Emily se levantando para socorrer Reid — isso é coisa para se perguntar?

— Claro que é, Emily — respondeu Hotch também se levantando preocupado com Reid que não parava de tossir.

Após alguns minutos, Reid finalmente conseguira parar de tossir.

— Aguarde um pouco aqui, Reid, pois eu e meu marido vamos ver se Wendy já está pronta — disse Emily puxando Hotch pelo braço.

Ela deu uma bronca no marido, pedindo para ele não constranger o rapaz, que além de ser tímido, estava do diante do pai da menina que ele gostava que ainda por cima era seu chefe. Hotch concordou que não se intrometeria, todavia ficaria de olho nos dois.

Wendy logo desceu e preferiu não sair, ficaria em casa assistindo Doctor Who, um dos seriados preferidos de Spencer. Hotch foi para o escritório fazer uns relatórios, porém, praticamente, de meia em meia hora ia na sala para ver o que os dois estariam fazendo, não deu um segundo de folga para os pombinhos.

***

No sétimo dia não houve jogo e Wendy treinou normalmente com Spencer e depois saíram para jantar num restaurante indiano. Eles aproveitavam cada momento juntos e tudo parecia perfeito para os dois.

Hotch voltou para Quantico no fim deste dia.

***

No oitavo dia, Wendy teve outra prova de fogo e jogaram contra a Universidade da Califórnia, a atual campeã nacional, apesar do jogo ter sido mais difícil, elas derrotaram as rivais por 3x2 e Michele foi novamente a maior pontuadora com 22 pontos.

Wendy sempre evitava participar das comemorações e ia para casa com Reid depois dos jogos. Depois dos últimos acontecimentos com Michele, ela achava melhor não comprar briga com ela, já que as duas se entendiam muito bem quando estavam em quadra.

***

Os outros dois dias, Wendy e Reid aproveitaram ao máximo possível, já que depois disso, seria mais difícil de verem. Spencer voltaria para o trabalho.

No último dia com Spencer, Wendy teve mais um jogo contra a Universidade Stanford, a mesmo time que a garota jogou quando foi sequestrada.

Enfrentar aquele time a fez reviver os momentos horríveis que viveu nas mãos de Ramona Bello. Porém Wendy manteve a concentração e mais uma vez ganharam por 3x1. O time estava invicto, era um dos favoritos ao título, assim como no ano anterior, onde ficaram com o vice-campeonato.

E após o jogo, Reid e Wendy se despediram. Ele prometeu visitá-la em todos os fins de semana que não estivesse trabalhando. A garota então começou a refletir, se o destino dela seria seguir os passos da mãe e ficar dias sozinha à espera do marido.

No entanto, assim como a mãe amava seu pai, ela amava Reid e faria de tudo para ficar com ele.

***

Wendy dormiu em casa com a mãe, ela passou a noite conversando com ela, colocando os papos em dia. Emily ficou muito feliz de ter tido esse momento mãe e filha.

No outro dia, as aulas de Wendy seriam somente a tarde, por isso ela ficou a manhã também com a mãe. Então as duas resolveram irem ao shopping comprar coisas para o beber e para elas também.

Ambas já estavam de saída quando a companhia tocou. Emily foi atender e Wendy ficou na sala conferindo a bolsa para ver se não havia esquecido de nada. Era um entregador, ele trazia um buquê de rosas vermelhas e uma caixa de bombom de chocolate.

— São para Wendy Prentiss Hotchner — disse o entregador. Emily recebeu e deu uma gorjeta ao rapaz e depois entrou.

— São para você, filha — falou Emily entregando para Wendy.

— Será se foi o Spencer? — perguntou Wendy feliz pegando o buquê e as caixas de bombom e colocando sobre a mesa de centro.

— Leia o cartão — sugeriu Emily. Então Wendy pegou o cartão e Emily resolveu pegar a caixa de bombom. A garota ficou em pé admirando as flores, enquanto a mãe sentou-se no sofá e abriu a caixa de bombom — olha que fofos, foram enrolados em uma fitinha rosa.

Wendy assim que ouviu o que a mãe acabara de dizer, sentiu um formigamento no estômago, seu coração ficou para sair pela boca e sentiu como se o chão estivesse sumindo.

— Fitinhas rosas? — indagou Wendy assustada praticamente tomando a caixa das mãos da mãe para ver com seus próprios olhos — não pode ser.

— O que foi, filha? — perguntou Emily preocupada.

Wendy não respondeu, mas ela sabia quem havia mandado aquelas flores, somente uma pessoa na vida lhe dava bombons enrolados numa fitinha rosa: Daniel Parker. O desespero e o sentimento de culpa tomaram conta da garota que começou a chorar. Diante do silêncio da filha, Emily num impulso pegou o cartão que acompanhava as flores e leu.

— “Está chegando a hora de pagar pelo que fez a Rachael Baxter” — leu Emily em voz alta — o que significa isso Wendy?

— Mãe — Wendy falou chorando.

— Rachael Baxter, eu me lembro desse nome — disse Emily.

— Por favor, mãe — pedia a garota — eu não quero falar.

— Rachael Baxter era uma aluna da sua escola — falou Emily demonstrando estar muito alterada — uma aluna que cometeu suicídio.

— Por favor, não me pergunta — Wendy falava soluçando.

— Eu estava na Rússia a trabalho quando isso aconteceu, eu só vi as notícias no meu retorno a Londres, foi muita maldade o que fizeram com ela... me diz Wendy que você não teve nada a ver com o que fizeram para aquela garota?

Wendy não respondia, e Emily começou a ficar mais nervosa ainda e começou a chorar também.

— Olha para mim e me responde, Wendy — falou a mãe praticamente gritando — o que você fez para essa garota? Eu exijo uma explicação.

Notas finais
E agora? Descobriremos a verdade? Eu vou tentar postar um capítulo curto amanhã, mas a certeza é somente quinta-feira. Beijão e até lá!