Dust in the Wind
25 Diga seus motivos
Notas iniciais

— Jogue logo a moeda — pedia Jessyca apontando a arma para Wendy.
— Ainda não está na hora — insistia Reid — temos que ter a mãe.
— Quem dar as ordens sou eu — falou Jessyca.
— Não... quem dar as ordens é Ramona Bello — retrucou Reid — e ela jamais começaria a tortura sem a mãe. É para castigar as mães que estamos aqui. Ela tem que assistir, senão a nossa mensagem não será passada.
— Ele tem razão. Abaixe essa arma — retrucou Phillip — se é para fazer as coisas, temos que fazer do jeito que sempre fizemos.
— Tudo bem — ela respondeu abaixando a arma. O que fez com que Reid e Wendy pudessem finalmente respirar aliviados.
— Olha, eu vou ter que sair agora — disse Phillip encarando Jessyca — meus amigos russos me esperam. Mas nem pense em fazer alguma coisa com ela. Eu a quero inteira até irmos pegar o dinheiro no banco e depois pegarmos a Emy. Se alguma coisa acontecer a minha filha, os russos vão me matar, mas faço eles te levarem junto comigo. Entendido?
— Sim, senhor — respondeu a ruiva furiosa. Phillip já dava as costas quando Jessyca voltou a falar — eu pensei que eu desse as cartadas?
— Como Jason mesmo disse, quem dar as cartadas é a Ramona Bello — respondeu ele virando-se para ela — e seria isso que ela faria, esperaria pegarmos a mãe. Você tem que agir como ela se quiser continuar na equipe.
Phillip foi enfático em suas palavras. Mas logo saiu. Reid e Wendy sentiram que conseguiram ganhar mais um tempo, porém o tempo deles estavam se esgotando e tinham que armar um plano para fugirem.
***
Palo Alto — Califórnia.
Rossi chegava a delegacia de Palo Alto junto com Heidi, onde Hotch, Morgan e Elle os esperavam. Rossi foi para uma sala com Hotch, Morgan e Elle, aproveitando um minuto de distração de Heidi.
Os quatros ficaram sentados à uma mesa redonda.
— O que ela faz aqui? — perguntou Hotch se referindo a Heidi.
— Eu percebi que ela estava exercendo uma pressão muito grande sobre sua esposa — respondeu Rossi — por isso a trouxe para cá e deixei a JJ com a Emily em Los Angeles.
— Agradeço por isso — falou Hotch — Emily está muito debilitada...
— Hotch — disse Elle — tem outra coisa que Morgan e eu achamos na casa de Phillip Froster — falou ela entregando um envelope com um CD dentro — acreditamos que isso tenha sido colocado propositalmente...
— Ele queria que a gente assistisse o que há ai — completou Morgan.
— Nós assistimos, Hotch — falou Elle — e ai tem uma coisa terrível, por isso não te dissemos até Rossi chegar.
— São os últimos momentos de vida de Rachael Baxter — disse Morgan — e a Wendy está nele. E você não gostar nada do que vai ver...
***
Jessyca continuava parada em pé. Enquanto Wendy e Reid continuaram sentados no chão, só que um pouco distante um do outro. Então a ruiva se aproximou de Wendy e fez com que esta voltasse a sentir medo.
— Levante-se — ordenou Jessyca encurralando a garota na parede. Wendy obedeceu e levantou-se ficando rente a rival. Reid ficou observando tentando adivinhar onde ela queria chegar. Imaginando o que ela faria. Jessyca começou a encará-la e a segurou pelo queixo encostando a cabeça de Wendy na parede — você vai sofrer muito ainda para pagar tudo que me fez.
— O que eu te fiz? — perguntou Wendy.
— Ainda pergunta? — indagou Jessyca segurando o rosto dela mais forte ainda — eu sempre fui mais bonita e mais rica do que você. Só que você, pelo simples fato de namorar Daniel Parker, conseguia ser mais popular do que eu.
— Então tudo isso é por causa da popularidade na escola? — retrucou a garota firmemente — é por isso que quer me matar?
— Não, é sobre Daniel... é sobre... — Jessyca falava com raiva e apertava ainda o queixo da garota que chegou a gemer de dor.
— Sobre o que? — perguntou Wendy.
— Você nunca gostou do Daniel. Ele era somente um troféu para você...
— Eu gostava dele.
Reid naquele momento percebeu que Jessyca era muito instável emocionalmente, e que ela talvez não fosse atender às ordens de Phillip e que as motivações dela não tinha nada a ver com as motivações de Phillip. Ela odiava a Wendy e isso poderia ser ruim, muito ruim. O rapaz pensou em interferir, todavia ele achou que a Wendy estava se virando bem sozinha.
— Não gostava — disse Jessyca — você sabia que eu era a fim dele e mesmo assim começou a namorar com ele.
— Eu e Daniel já estávamos juntos a muito tempo. A gente só fez assumir. Sinto muito se te magoei.
— Sente muito? — perguntou ela em tom de decepção — sabe, eu fiz Daniel ficar contra você. Eu fiz ele acreditar que você havia matado a Rachael. E sabe, a gente ficou, algumas vezes depois que ele terminou com você e a Rachael estava morta... mas ele não quis assumir nada sério comigo. E eu nunca entendi o porquê. Porém, ele veio para os Estados Unidos disposto a se vingar de você, e quando chega aqui simplesmente muda de ideia. Como ele pode ter te perdoado tão facilmente? Ele mereceu o tiro que dei nele.
— Então foi você quem atirou nele?
— Sim e queria ter atirado em você também.
— Por que Jessyca?
— Vocês dois eram o casal perfeito. Todos admiravam vocês dois. E eu? Eu tive que ficar com esse velho — respondeu Jessyca como se tivesse nojo.
— Você não quer ficar com ele, não é? — perguntou Wendy.
— Você era só uma menina quando Phillip começou os abusos — completou Reid.
— Mas eu gostava — retrucou ela — eu sentia prazer.
— Você não tinha ideia do que estava acontecendo. Seu corpo reagia, mas sua cabeça não entendia — insistiu Wendy — não tinha discernimento para consentir mesmo que gostasse...
— CALA BOCA — gritou Jessyca a encostando mais ainda na parede.
— Jessyca, você não é a Ramona Bello — disse Reid — você é a Jessyca e Phillip é um pedófilo que abusou a vida toda de você.
— E quem se importa? — perguntou a garota confusa — eu era uma menina fraca, esse velho nojento me ensinou a ser forte.
— É isso que ele quer você pense, mas essa não é verdade — retrucou Reid. Jessyca por alguns instantes parou de machucar Wendy — eu sei que você sente que todos falharam com você. Ninguém te protegeu ou sequer percebeu que você sofria abusos.
— Por favor, pare — pedia a ruiva insistentemente.
— Como ninguém percebia o que acontecia com você, então começou a se identificar com Phillip...
— Se existem pessoas como ele... é por que existem pessoas fracas como eu — ela falou em seguida voltou-se para Wendy — você se lembra do que disse quando soube o que Phillip fazia comigo?
— Jessyca, eu sinto muito... — falou Wendy enquanto Jessyca segurava o braço esquerdo daquela e apertando forte como se fosse quebrá-lo — eu também não entendia o que estava acontecendo.
— Lembra do que me disse? — perguntou Jessyca apertando ainda mais forte o braço dela.
— Jessyca, pare — pedia Reid — se machucá-la, Phillip vai te matar.
— Lembra do que me disse? — insistia Jessyca já quase quebrando o braço de Wendy.
— Que você era uma vadia que não se dava o valor — respondeu Wendy já chorando de dor, pois não estava mais suportando.
***
Los Angeles — Califórnia.
Emily e JJ conversavam no quarto de hotel onde a esposa de Hotch estava hospedada. Ambas estavam sentadas no sofá de cor cinza claro que ficava no meio sala de frente a uma TV. JJ sabia que Emily estava escondendo algo, por isso tentava abordar de todo jeito. Mas a esposa de Hotch era engenhosa e sabia enrolar a loira direitinho.
— Você está bem? — perguntou JJ — estou te achando tão pálida.
— Não se preocupe, estou bem — respondeu Emily — minha preocupação agora é com minha filha.
— Nós vamos achá-la. Hotch e os outros estão fazendo tudo para trazê-la de volta sã e salva.
— Mas não é o suficiente — retrucou Emily se levantando. Ela aparentava estar fraca, todavia mantinha-se firme — o Phillip quer me atingir e ele fará tudo que estiver ao alcance dele para conseguir, inclusive machucar Wendy.
JJ ia falar algo, mas olhou para o sofá no local onde Emily estava sentada.
— Ai Meu Deus — exclamou JJ — temos que ir ao hospital agora.
Emily virou-se para a colega se sentindo tonta. Ela olhou para o sofá e lá estava sujo de sangue.
***
Jessyca apertou o braço de Wendy como se fosse quebrá-lo. Spencer, sem pensar, partiu para cima de Jessyca. Porém ouviu-se um estalo e Wendy gritou de dor. Ela sentiu um osso de seu braço esquerdo deslocar. Não sabia ao certo se havia quebrado ou não, mas sentiu uma dor que a fez gritar o mais alto que pode.
— Olha o que você fez? — falou Reid furioso — Phillip vai ficar uma fera.
— Não vai, não — respondeu ela o encarando — ela é destra, logo assina com a mão direita. O braço esquerdo não tem utilidade nenhuma.
Wendy chorava de dor, ao tempo que Jessyca mostrava-se fria. E Reid tentava acalmar Wendy, porém a garota estava muito agitada e gritava de dor.
— Você vai pagar por tudo que me fez. Eu vou fazer questão de te torturar — falava Jessyca. Wendy parou de chorar e ficou somente olhando para a rival e Reid ficava do seu lado na tentativa de protegê-la — sempre se achando melhor do que os outros, se sentindo superior a todo mundo. Andava comigo somente por causa da Lilly, outra vadia. Que vai passar o resto da vida na cadeia por um crime que eu cometi.
— Então, você matou a Rachael? — perguntou Wendy.
— Não se lembra? Você estava lá — ironizou Jessyca — ah sim, devo ter te dado uma dosagem muito grande de propranolol e você deve ter esquecido. Vamos ver do que você lembra.
— Você fez com que eu sentisse culpa por um crime que você cometeu? — perguntou a garota revoltada.
— Por que mesmo nós fomos a casa da Rachael naquele dia? Se lembra do motivo?
***
Palo Alto — Califórnia.
Hotch segurava o CD e ficava bastante pensativo.
— Eu vou assistir — falou ele decidido.
— Eu vou sair — falou Elle — eu não aguento assistir isso de novo.
Hotch saiu. Pegou um laptop e voltou para sala. Logo introduziu o CD. Suas mãos tremiam em pensar nas mil possibilidades do que poderia haver naquele CD. Porém estava decidido a fazê-lo.
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