Dust in the Wind
46 Diálogos e discussões
Notas iniciais

Washington — DC
Emily virou-se para o marido o encarando com a expressão confusa.
— Me devolva isso — foi tudo que ela disse — não era para você ter visto isso.
— É isso que você tem a me dizer? — indagou Hotch mostrando a foto — eu sou seu marido, Emily. Não pode haver segredos entre a gente.
— Isso aconteceu muito antes de nos conhecermos e o bebê nasceu morto, se quiser saber — retrucou Emily desviando o olhar.
— E por que eu nunca soube disso? — Hotch perguntou exaltado sentindo-se traído.
— Aaron, isso estava além do meu controle — ela respondeu calma, em seguida os olhos e sentou-se na cama — envolve questões políticas. Essa gravidez quase destruiu a carreira da minha mãe, por isso eu não posso falar sobre esse assunto.
— Emily, eu sou seu marido — Hotch foi enfático — você não podia ter escondido isso de mim.
— Aaron — Emily respirou fundo querendo escolher as palavras corretas, mas sabia que mesmo escolhendo as melhores palavras, o que ela queria falar sairia ofensivo. Porém resolveu dizê-lo — se fosse você mais companheiro e se dedicasse mais tempo a mim e a nossos filhos, talvez eu tivesse te contado.
— Quer dizer que eu sou o vilão da história? — ele perguntou confuso.
— Não é isso — ela respondeu se alterando também — eu estou dizendo que nós passamos pouco tempo juntos. Ficamos casados da primeira vez por três anos e só retomamos nosso casamento há menos de um ano.
— Você não confia em mim? — indagou Hotch.
— Eu confio — ela respondeu — mas é que essa história estava esquecida e veio à tona agora.
— E por que ela veio à tona? — perguntou Hotch mais calmo.
— Aaron, essa história é mais complicada do que parece — ela respondeu — envolve política e você sabe que eu odeio política.
— Eu sei? — ele indagou — eu não sei mais de nada de você. Primeiro foi aquela história do Phillip e agora isso.
Hotch passou a mão no rosto pensando numa solução para aquele impasse.
— Eu vou dormir no quarto de hóspedes — Hotch falou dando às costas para Emily.
— Espera, Hotch — ela falou fazendo com quem ele virasse novamente para ela — é que... estamos com visita.
— Visita? — indagou Hotch arregalando os olhos.
— Sim, é a sua secretária, Evilyn Blunt — Emily respondeu se levantando e ficando perto do marido.
— Você trouxe aquela garota aqui?
— Aaron, ela está passando pelo trauma de ter matado uma pessoa e ela matou para salvar nossa filha. Não podia deixá-la sozinha.
— Está certo — ele disse se convencendo — vou dormir na sala, então.
— Querido — Emily segurou o braço do marido antes que ele desse às costas novamente — por favor, não fique magoado comigo. Eu te imploro.
Hotch olhou para Emily franzindo a testa.
— Eu não sei se posso confiar em você.
— É claro que pode — ela disse — eu sou sua Emily. Se eu escondo coisas de vocês é por que eu não tenho escolha. Nenhuma das vezes foi proposital. Acredita em mim.
Hotch continuava olhando para a esposa. Aquele comportamento não era dela. Emily sempre foi contida e um pouco fria na maioria das vezes. Ela nunca foi de implorar por nada. E Hotch conseguia ver verdade no que ela dizia, mas sentia que ela ainda escondia muitas coisas.
— Por que você acha que eu odeio política? — insistia Emily — a política fez com que eu perdesse uma filha e colocasse outra em risco.
— Emily, eu não posso ficar com alguém que esconde várias coisas de mim — retrucou Hotch.
— Eu sei, mas me deixa somente falar com a minha mãe. Eu quero entender algumas coisas que estão acontecendo e eu prometo te falar toda a verdade e não esconder mais nada.
— Emily...
— Só preciso falar com minha mãe — insistia Emily.
— Eu não sei... — Hotch estava desordenado.
— Só mais essa chance, meu amor — Emily abraçou o marido que no começo ficou hesitante, mas acabou abraçando-a — eu juro que não quero mais esconder nada de você.
— Okay — ele respondeu — mas eu quero saber dessa história toda e que não haja mais segredo entre a gente.
— Eu prometo que não vai haver mais.
***
Evilyn apesar de se sentir confortável estando naquela casa. Ela não conseguia dormir. As poucas vezes que conseguiu pregar o olho, ela sonhou com o corpo de Phillip no chão e acordava assustada. Lidar com aquilo estava sendo mais difícil do que imaginava. A garota então levantou-se, colocou um robe bege, calçou as pantufas e resolveu ir na cozinha pegar um copo d’água, uma vez que ela já havia bebido toda a jarra que a Emily havia deixado no criado-mudo.
A casa estava no mais absoluto silêncio, por isso ela caminhou de modo a não fazer barulho. Ela desceu às escadas, chegando na sala e em seguida à cozinha. Mas quando chegou lá, levou um susto, pois não estava sozinha.
— Quem é você? — perguntou Sean que estava sentado à mesa comendo um sanduíche.
— Ah, me desculpe — falou a garota — eu sou Evilyn Blunt, eu sou secretária do seu irmão.
— Você é secretária do Aaron? Mas como você sabe que ele é meu irmão se nunca fomos apresentados?
— Vocês são parecidos — ela respondeu.
— Não somos não — retrucou Sean — pode acreditar que não somos.
— Sei — ele respondeu um pouco irônica, mas de forma bem humorada — deve ser muito difícil viver na sombra do seu irmão mais velho.
Sean colocou o sanduíche sobre o prato e olhou para Evilyn.
— Primeiro, eu nunca vivi na sombra do meu irmão — Sean falou segurou — e segundo eu odeio que tentem fazer meu perfil.
— Me desculpe, eu não quis ofender — ela respondeu timidamente.
— Fique tranquila, você não me ofendeu. Até por que eu quebrei o ciclo da família de todos cursarem faculdade de direito e fiz gastronomia.
— Fez gastronomia para querer se distanciar o máximo possível do que era o seu irmão, pois se sentia pressionado a ser igual a ele.
Sean olhou sério para Evilyn.
— Força do hábito — ela respondeu tentando abrandar o clima pesado que se instaurou — desculpe-me falar essas coisas, eu ainda estou nervosa com tudo que aconteceu e não estou conseguindo dormir.
— Okay, está desculpada. Mas nunca mais faça meu perfil.
— Eu prometo.
Um silêncio constrangedor tomou conta do ambiente.
— Quer lanchar? — perguntou Sean — se quiser, pode sentar que eu faço um sanduíche para você.
— Não precisa — Evilyn respondeu — eu não quero dar trabalho.
— Não vai ser trabalho nenhum.
— Eu só vim pegar um copo d’água. Quero voltar a dormir, ou pelo menos tentar.
— Quer conversar sobre isso? Talvez ajude.
Evilyn o olhou.
— Tem certeza que quer ouvir?
— Vamos, sente-se aqui do meu lado e me conte a história.
Evilyn deu um sorriso para Sean e sentou-se ao lado dele, de certa forma, ele já havia a acalmado. Os dois ficaram conversando por horas, quando se deram conta já era quase quatro horas da madrugada, por isso resolveram ir dormir.
***
Evilyn dormia profundamente quando foi interrompida por batidas afoitas. Ela olhou para o relógio do celular que marcava 6:23 da manhã. A garota praticamente havia acabado de dormir, mas mesmo bastante sonolenta, ela levantou-se e foi atender a porta, do outro lado estava Wendy.
— Bom dia — falou Wendy.
— Bom dia — respondeu Evilyn ainda tentando manter-se acordada — algum problema?
— Hoje é dia das mães e estamos fazendo um café da manhã para minha mãe, quer participar?
Os olhos de Evilyn brilharam a ouvir aquelas palavras. Tudo que acontecia parecia um sonho do qual era não queria acordar.
— Claro — ela respondeu — só preciso trocar de roupa — ela disse lembrando-se que não tinha roupa apropriada.
— Posso te emprestar, se quiser — falou Wendy percebendo qual era o problema dela.
— Eu vou ter que aceitar — respondeu Evilyn sorrindo.
— Vamos no meu quarto.
— E seu namorado?
— Ele já está lá embaixo com o tio Sean.
— Sendo assim, tudo bem.
Wendy levou Evilyn no seu quarto e lhe emprestou um vestido branco florido rodado para ela usar no café da manhã. E esta assim o fez. Logo as duas desceram para a sala de jantar, onde já estavam Reid e Sean, este último segurava o pequeno Jack.
— A Emily e meu irmão já estão vindo — falou Sean assim que as garotas chegaram — então, já estão todos aqui.
A mesa era quadrada com 8 lugares. Reid e Sean estavam frente a frente, ficando nas últimas cadeiras no sentido de quem entrava na sala de jantar. Evilyn sentou-se do lado de Sean, posto que Wendy iria se sentar do lado de Reid.
— Ainda falta uma pessoa — disse Wendy.
— Quem? — perguntou Reid.
— Deve estar chegando...
Ouviu-se o som da campainha.
— Não falei — disse Wendy indo atender a porta.
Os três se entreolharam estando curiosos.
— Como vai Reid? — perguntou Evilyn.
— Bem — ele respondeu educadamente, mas sem olhar para ela.
— Vejo que você está com um semblante melhor hoje — insistiu Evilyn em querer quebrar o gelo com Reid — deve ter dormido muito bem.
Reid ficou constrangido com o que Evilyn havia acabado de falar, Sean sorriu fazendo uma negativa com a cabeça para a garota que percebeu que havia falado algo embaraçoso para o rapaz.
— Eu quis dizer que você está bem e não insinuando que você fez sexo para estar bem, até por que eu não sei se você fez....
— Evilyn — disse Sean — não tente corrigir, pois você está piorando as coisas.
Então os três ficaram em silêncio até que Wendy voltou junto com seu convidado misterioso.
— Voltei — ela disse fazendo com que todos olhassem para ela. Todavia Evilyn tremeu quando viu quem estava do lado dela — minha convidada especial é minha vozinha Liza.
Elizabeth olhou risonha para os rapazes, mas fechou a cara quando viu Evilyn.
— O que ela faz aqui? — perguntou Elizabeth sem esconder a insatisfação ao ver a garota que baixou a cabeça para não encarar a matriarca da família Prentiss.
— Eu a convidei — falou Emily que havia acabado de chegar acompanhada de Hotch.
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