Dust in the Wind

3 Culpa aprisiona, fantasmas assombram


Notas iniciais
Bom gente, mais um capítulo. Eu tenho dado algumas mancadas quanto à descrição dos personagens, pois como eu escrevia a fanfic anterior com os mesmos personagens, acabei não fazendo a descrição deles. Porém, na capa, eu coloquei o ator/atriz que me inspiraram a escrever os personagens. Lembrando que alguns serão malvados, mas não quer dizer que eu não goste do ator/atriz. Pelo contrário, amo todos eles. Só mais uma coisa: esses primeiros capítulos serão muito focados na Wendy, tendo em vista que a trama girará em torno do segredo que ela esconde. Então teremos uma participação curta dos outros personagens da série, mas serão somente nos primeiros capítulos, logo vamos ter uma reviravolta na trama. Agora podem ler, espero que curtam!

Washington — DC

Michele Benson, Valentina Perrette, Dana Chelsea e Ravenna Pierce faziam parte do time universitário de vôlei da Universidade George Washington junto com Wendy. As três primeiras dividiam o mesmo quarto, já Ravenna era colega de quarto de Wendy e Vanessa Woods.

Michele, Valentina e Ravenna estavam na piscina da Universidade conversando, quando Dana chegou. Esta última foi logo tirando a blusa e o short ficando somente com um biquíni preto e entrando na piscina. Ela deu um salto que espalhou muita água.

E ficaram as quatro, em uma espécie de círculo e conversando.

— O que o treinador quis falar com você e a senhora perfeição? — perguntou Michele se referindo a Wendy com desdém.

— Essa Michele é linguaruda — falou Valentina — se você fala assim da Wendy por trás, sendo que ela é legal com você. Imagina o que fala de mim.

— Esse é o problema dela — retrucou Michele — ela é legal demais, boazinha demais, faz aquela cara de menina pura: “nunca namorei, nunca transei, sou uma santa” — falou em tom de deboche.

— Eu não gostava dela no começo — disse Dana — assim que ela chegou no time, mas aprendi a gostar. É bom ter pessoas por perto que torcem por você e não que falam mal de você pelas costas — completou a loira olhando sério para Michele.

— Não, para — falou Michele fazendo drama — não vão me dizer que vocês acreditam naquela cara de boa menina dela? Para mim, ela não passa de uma sonsa.

— Pois comigo foi ao contrário de Dana, eu gostava dela no começo — falou Ravenna — mas ela começou a se misturar com pessoas estranhas. Vocês precisam ver o cara que ela é a fim: o maior mongoloide, esquisito todo, sem contar aquele filhote de cruz credo que ela colocou no quarto.

— Filhote de cruz credo? — indagou Michele rindo — ah sim, a esquisita filha do assassino?

— Essa mesma... que pelo nome de Vanessa Woods — respondeu Ravenna — você precisa ver, parecem melhores amigas. Eu as apelidei de “A bela e a fera”. Wendy não gosta, manda eu parar: “você não pode falar assim com as pessoas”. Ai que nojo daquela menina.

Ravenna e Michele começaram a sorrir alto zombando.

— Nossa, vocês estão parecendo meninas do ensino médio — falou Dana.

— Me fale mais desse namoradinho dela — pediu Michele ignorando o que Dana havia falado.

— Ele é magrelo, desengonçado...

— Ele é feio? — quis saber Michele.

— Feio, ele não é, somente bastante estranho... trabalha no FBI.

— Ele trabalho pro FBI? — perguntou Michele boquiaberta — ela namora um agente do FBI. Então, ele é bem mais velho?

— Não, ele entrou lá com 22 anos, parece que é um garoto prodígio.

— Pelo que parece Wendy tem uma cavalo de Tróia no quarto e não sabe — falou Valentina já se irritando.

— Vamos sair daqui, Ravenna — falou Michele — essas mal amada não deixa nem a gente conversar em paz.

— Vamos sim...

Ravenna e Michele saíram, deixando Valentina e Dana tomando banho na piscina.

— Imaginem quando elas descobrirem que Wendy será a nova capitã do time — brincou Valentina.

— Xiu... ainda é segredo — falou Dana sussurrando — mas com certeza elas vão cair para trás.

***

Wendy e Reid estavam na lanchonete. O lugar era bem iluminado e bastante espaçoso. O local estava lotado e os atendentes quase não estavam dando conta da demanda. Assim que fizeram o pedido, Wendy e Reid foram se sentar à mesa e começaram a conversar.

— Mas por que quis me ver hoje, Spencer?

— É... eu, eu estava com vontade de te ver — respondeu ele muito nervoso.

— Por que? Dar para ser mais específico?

— Nós somos amigos, não somos?

— Verdade, somos amigos — respondeu ela um pouco desanimada, “ele tinha que ficar repetindo isso toda hora” pensava Wendy. Então ela respirou fundo e continuou a tentar puxar assunto — e o que você anda fazendo? Além de várias graduações e pós-graduações.

— Resolvo casos... acabo viajando o país inteiro.

— Claro, deve ser muito bom conhecer o país todo.

— Mas nas minhas viagens não dar para conhecer o país... estamos muito ocupado prendendo psicopatas.

— Ah claro — respondeu Wendy sem graça. Ela tentava de todo modo puxar assunto, mas a conversa deles simplesmente não fluía — e sua mãe? Tem ido visitá-la?

— Raras vezes — respondeu Reid triste — mas escrevo todos os dias.

— Mas por que, Spencer? Por que se afastou dela? Eu falo isso, porque não consigo me imaginar longe da minha mãe. Os sete meses que fiquei aqui e minha mãe em Londres foram terríveis.

— Por isso, eu escrevo todos os dias, é uma forma de tentar diminuir minha culpa — respondeu o rapaz tristemente.

“Diminuir minha culpa” aquelas palavras fizeram Wendy ficar cabisbaixa. Ela entendia o que era fazer algo na tentativa de diminuir sua culpa, principalmente se você não podia corrigir o erro que cometeu.

— Desculpe, eu não deveria ter falado assim — falou Wendy percebendo que mais uma vez falara algo que incomodou o rapaz, só que dessa vez, a incomodou também — eu não posso julgar a vida das pessoas com base nas minhas experiências.

— Está tudo bem, Wendy — respondeu o rapaz — só vamos mudar de assunto.

— Ah, certo — falou Wendy constrangida por ter tocado num assunto tão delicado e da forma como ela abordou. Nesse momento, o atendente chegou com os pedidos e os serviu.

— Então, quando vamos começar o treinamento? — perguntou ela.

— Eu tenho que falar com Hotch primeiro, saber quando ele pode me liberar.

— Humm... entendo!

— Mas acredito que não vamos ter empecilho, eu já tenho várias férias acumuladas.

— Menos mal — respondeu ela.

Os dois então foram comer e depois conversaram mais um pouco, mas já estava tarde para Wendy.

— Me perdoe, Spencer, mas agora eu tenho que ir mesmo.

— Tudo bem, Wendy.

Os dois se levantaram e se despediram com um abraço apertado.

***

Londres — Inglaterra.

Daniel continuava no quarto discutindo com Lilly.

— Daniel, a Wendy errou, mas ela não foi a única culpada do que aconteceu com Rachael. Ela já tinha problemas antes de Wendy aparecer na vida dela — disse Lilly em tom alterado.

— Mas Wendy foi a principal culpada — retrucou ele.

— E você? — indagou Lilly colocando as mãos na cintura — não tem culpa também?

Daniel respirou fundo já bastante irritado.

— Quando a “bomba” estourou você a deixou sozinha — completou Lilly — você não a apoiou. Você também teve culpa.

— Eu estava confuso — respondeu ele praticamente gritando com a irmã.

— Confuso? Ah sei, confuso. Você está tentando culpar Wendy por tudo, pois é uma forma de tirar a culpa de você, não é verdade?

— Wendy é a única culpada e ponto. Eu vou para os Estados Unidos em duas semanas e está decidido. Nada do que disser, vai me fazer mudar de ideia.

— Daniel, olha para mim — disse Lilly. Ele a olhou — a vingança nunca vai te fazer feliz, pois esse sentimento vai tomar conta de você de tal modo que não vai deixar espaço para mais nada.

— Já disse o que queria dizer? — perguntou Daniel mostrando para a irmã a porta do quarto, que entendeu o recado e saiu bastante irritada e triste.

***

Washington — DC

Wendy voltou para o quarto e foi direto para o banho. Treinar e depois conversar com Spencer a fez muito bem, mas depois, quando voltava a realidade, seus fantasmas voltavam a lhe atormentar. Ela tentava de todo modo arrumar uma maneira de corrigir o erro que cometera, mas nada parecia fazer efeito.

Ela saiu do banho e foi na frente do espelho enxugar no cabelo, ficou se olhando por vários minutos e odiava ver sua própria imagem refletida no espelho. Uma tristeza tomava conta de si, então ela chorava... no que ela se transformou? Por que ela chegou a ponto que chegou. O que ela sofreu na mãos de Ramona e de Phillip foi pouco perto do que ela fez a Rachael.

E por mais que ela tentasse seguir em frente, não conseguia.

Uns 40 minutos depois saiu do banheiro. Ravenna já se encontrava no quarto.

— Oi, Ravenna — falou Wendy vendo a colega deitada na cama de barriga para cima, com os braços cruzados atrás da cabeça.

— Oi, amiga — respondeu Ravenna.

Wendy foi no seu roupeiro e pegou uma camisola rosa e vestiu. E Ravenna ficou somente a observando.

— Me responde uma coisa, Wendy — disse Ravenna virando-se e ficando de lado na cama — o que o treinador conversou com você e Dana?

— Nada demais — respondeu Wendy se deitando na cama — somente alguns ajustes que precisamos fazer nos levantamentos. Essas coisas, entende?

— Ele falou de alguma atacante específica? De que vocês não deveriam levantar para uma alguma de nós?

— Não.

— Então, se ele não nada demais, por que não me conta?

— Ravena, se não se importa, eu não quero falar do que o treinador conversou comigo e Dana, até que se fosse para todas saberem, ele teria chamado o time todo e não somente Dana e eu.

— Nossa Wendy... você nunca fala assim. O que deu em você?

— Olha, me desculpe se deu a entender que fui grossa, eu só não quero falar disso... e outra, eu preciso dormir, amanhã tenho que acordar cedo.

— Por que? Sua aula começa somente às 10 horas.

— Eu tenho que visitar uma amiga.

— Que amiga?

— Você não conhece — respondeu Wendy deitando para dormir, ficando de frente para a parede e de costas para Ravenna..

— Mas essa amiga tem nome?

— Se eu disser o nome, você me deixa dormir?

— Sim, sim — respondeu ela.

— Rachael Baxter.

— Ela é de onde?

— Sério, eu desisto — falou Wendy pegando o travesseiro e cobrindo o rosto, deixando a garota irritada. Wendy não costumava a tratar dessa forma, mas ela estava ansiosa com que tinha que fazer no dia seguinte.

***

Reid após se despedir de Wendy voltou a Biblioteca por alguns minutos, leu um pouco e resolveu ir embora, porém quando se levantou para sair, ouviu uma voz feminina chamá-lo:

— Spencer Reid.

Ele virou-se imediatamente e viu uma jovem loira, com os cabelos amarrados em rabo de cavalo, vestido longo até o meio da canela de cor bege, um casaco de linho branco por cima e aqueles óculos de fundo de garrafa. Ela tinha a aparência extremamente nerd. Assim que a viu, ele a reconheceu.

— Vanessa Woods — disse ele.

— Você se lembra de mim...

— Sim, és amiga da Wendy.

— Bem que ela disse que você tem uma super memória. A gente só se viu uma única vez.

— Mas você também me reconheceu...

— É, mas é diferente... — ela falou ficou sem graça — o que faz aqui?

— Eu estava com Wendy.

— Ah tá!

Os olhos de Vanessa estavam fixo em Spencer, ela demonstrava um certo nervosismo, como se quisesse perguntar alguma coisa.

— Está com algum problema? — perguntou Reid.

— Você trabalha no FBI, na mesma equipe que investigou o caso do meu pai, não é verdade?

— Sim. O caso lá de Ohio.

— Já que você entende tanto de mentes criminosas, pode me dizer por que meu pai fazia isso?

Reid ficou em silêncio percebendo a dor que afligia a garota.

— Durante todos esses anos, eu tentei entender, mas juro que não entendo — completou ela, na esperança de ele responder a sua pergunta. Ele continuou calado por alguns segundos até que resolveu falar.

— Os psicopatas criam um mundo paralelo onde tudo faz sentido para ele, mas que não fazem sentido para a gente. Então, talvez seja difícil para você entender os motivos dele.

— Mas eu quero tentar — insistiu a garota.

— Seu pai achava que estava fazendo um favor para aquelas famílias. Eram famílias aparentemente felizes, mas que viviam somente de fachada, haviam problemas entre pais e filhos ou marido e esposas, ou seja, não eram uma família feliz.

— Mas todas as famílias do mundo tem problemas, por que essas famílias especificamente?

— Elas foram escolhidas pela etnia, classe social, número de filhos... tudo parecido com sua família. Ele tinha problemas com sua mãe. Ao que tudo indicou na época, ela sofria vários abuso por parte dele, e quando resolveu se separar, ele a matou, depois os filhos e por último se matou. Mas você teve sorte que a bala que te atingiu não te matou — respondeu Reid e depois continuou como se tivesse concluindo a conversa — ele achava que estaria fazendo um favor para as famílias, livrando-as do sofrimento.

— Mas eu e meus irmãos sempre tivemos bom relacionamento com ele. Ele era um bom pai.

— A maioria dos psicopatas conseguem se camuflar, aparentam serem boas pessoas, bons pais, bons maridos, bons vizinhos...

— Certo, eu entendi — respondeu ela triste — obrigada por tirar minhas dúvidas.

A garota ainda ficou um pouco perdida com as informações que recebera.

— Se precisar conversar sobre esse assunto, pode me ligar — disse Reid pegando um cartão no bolso e entregando a ela.

— Obrigada, Reid.

Os dois se despediram e cada um seguiu seu caminho.

***

Hotch e Emily estavam deitados na cama, lado a lado. Ela de barriga para cima, não tinha outro jeito confortável para deitar, e ele de lado acariciando a barriga dela. Ela estava pensativa e ele tentando adivinhar no que ela estava pensando.

— Preocupada com Wendy? — perguntou Hotch.

— Tem alguma coisa errada com ela, alguma coisa a atormenta e a impede de ter paz.

— Já tentou conversar com ela?

— Várias vezes, mas ela não se abre. Eu fico esperando o momento certo, porém ela não confia em mim.

— Eu acredito que ela tenha medo do nosso julgamento.

— Hotch, nós somos pais dela, ela deveria confiar na gente.

— Mas nós também somos seres humanos e julgamos. Com certeza ela acha que a julgaremos.

— Então, o que sugere?

— Dê tempo ao tempo... no momento certo, ela vai se abrir, mas por agora, vai preparando o “terreno”, a faça acreditar que você é digna da confiança dela.

— Eu sinto que falhei como mãe... eu queria que tivesse um meio de fazer com que toda a dor que ela sente passasse para mim, que ela se libertasse disso que a aprisiona.

— Nós vamos conseguir — Hotch abraçou a esposa dando-lhe um beijo.

— Assim espero!

***

Wendy levantou-se cedo no dia seguinte, era por volta das 5:30 da manhã. Tomou um longo banho. Depois do banho, colocou um vestido azul marinho, manga curta, colocado até a cintura, e solto abaixo, indo até um pouco acima dos joelhos, calçou uma sapato preto de salto alto, prendeu os cabelos num coque e colocou um casaco preto por cima e saiu.

Saiu do campus a pé até chegar a floricultura que havia a algumas quadras da universidade. Ela olhou várias flores, mas escolheu levar um buquê de copo-de-leite, pois elas representavam a pureza e a paz, além de ser uma bela flor. O espádice amarelo que se destaca no interior da flor, simboliza a iluminação espiritual.

“São perfeitas para Rachael” pensava Wendy enquanto admirava o buquê e efetuava o pagamento. Assim que saiu, procurou um táxi, e logo foi cumprir sua missão.

Dentro do taxi, Wendy estava tensa e a sua tormenta aumentava cada vez mais.

Mais alguns quilômetros e ela finalmente chegara a seu destino. O cemitério de Washington, caminhou um pouco até chegar ao túmulo que queria. A inscrição na lápide dizia: “Rachael Baxter. Nascida em 22 de março de 1997 e Morreu em 06 de novembro de 2014”. Wendy colocou as flores sob o túmulo e começou a chorar.

— Hoje era para você está completando 19 anos — disse Wendy — me perdoa, Rachael... eu não queria que tivesse morrido, juro que não queria. Você sempre foi uma pessoa boa comigo, mesmo eu não sendo com você.

FLASH BACK ON

Me lembro de uma das vezes que Phillip armou para colocar minha mãe contra mim, um pouco antes disso tudo acontecer com você. Eu cheguei na escola desesperada, corri para o banheiro e comecei a chorar.

Minhas amigas pouco se importaram comigo, foi então você chegou e mesmo depois de tudo que te fiz, você me perguntou se estava tudo bem comigo e se eu precisava de alguma coisa.

Eu precisando desabafar, contei o que havia acontecido. Você me disse que nos momentos de desespero é que descobrimos nossa força e que eu transformasse aquilo em esperança.

Você me abraçou e eu chorei nos seu ombro.

Porém horas depois, na hora do almoço, você foi me procurar para saber como eu estava, e eu te tratei mal e te humilhei na frente de todos, derramando seu almoço na sua cabeça. E foi sua vez de chorar sozinha no banheiro.

FLASH BACK OFF

Wendy chorava muito arrependida, ela estava de cócoras, com um dos joelhos apoiados no chão.

— Moça — disse uma voz feminina se referindo a Wendy. Imediatamente Wendy virou-se ainda com os olhos cheios de lágrimas. Era uma senhora, de um pouco mais de 50 anos. Vestida com uma calça preta e um casaco também preto segurando um terço branco na mão direita. Sua expressão era de sofrimento — quem é você?

— Perdão, eu só estou visitando uma amiga no dia do aniversário dela — respondeu Wendy se levantando e ficando rente aquela senhora.

— Você era amiga da minha Rachael? — perguntou a senhora achando estranho. Apesar do olhar de sofrimento, ela também tinha um olhar de ternura.

— Eu estudei com ela o último semestre em Londres.

— Então você sabe o que fizeram com minha filha? — indagou a senhora com uma expressão de dor e revolta — acredita que nunca acharam os responsáveis. A escola também não ajudou, quis abafar o caso, para repercutir negativamente na imagem da escola. A vida da minha Rachael não vale nada para eles.

— É revoltante mesmo — respondeu Wendy.

— Me desculpe, eu nem me apresentei... meu nome é Mary Baxter, sou mãe da Rachael.

Quando ela falou mãe. Wendy voltou a chorar emocionada e sua culpa aumentava ainda mais. Ver aquela mulher sofrendo e saber que foi a causadora daquilo e pior ainda, nada do que fizesse poderia corrigir aquilo. Sua vontade foi de se ajoelhar aos pés daquela mulher e implorar pelo perdão dela, mas de nada adiantaria fazer aquilo naquele momento, só aumentaria a dor daquela mulher.

— Você chora bastante — disse ela — parece que você gostava muito da minha filha. Me traz um pouco de alegria saber que minha filha tinha uma amiga, que não morreu sozinha.

— Sua filha era uma pessoa maravilhosa — respondeu Wendy limpando as lágrimas.

— Ela chegou namorar? Sabe, a Rachael era muito reservada, eu nunca soube se ela teve namorado.

— Sim, ela namorou Daniel Parker.

— Daniel Parker? Ele era bonito? Uma boa pessoa?

— Sim, ele é muito bonito. E uma das melhores pessoas que conheci ao lado da Rachael.

— Sabe — disse Mary chorando — eu queria saber de mais coisa dela...

— Senhora Baxter, eu queria ficar mais tempo conversando com a senhora — disse Wendy controlando o choro — mas eu tenho que ir, tenho aula agora.

— Desculpe se posso aparentar está desesperada, mas eu queria conversar mais com você... — Mary falava segurando o braço de Wendy como se tivesse implorando que ela ficasse — se você pudesse ficar mais um pouco. Eu nunca conheci uma amiga da Rachael.

— Sinto muito, eu não posso — falou Wendy dando às costas para sair. Mas o sentimento de culpa a fez voltar — senhora Baxter.

— Pois não — respondeu a senhora virando-se para Wendy.

— Eu não posso ficar mesmo hoje, pois tenho uma prova da faculdade agora pela manhã. Porém se a senhora quiser, eu posso te dar meu telefone para marcarmos outro dia.

— Seria ótimo — respondeu Mary, os olhos daquela mulher que eram de dor e sofrimento, se transformaram em esperança — obrigada, querida.

Em seguida Wendy saiu deixando a senhora Baxter sozinha no túmulo da filha. Mais uma vez a garota chorou. A expressão daquela mulher era de que faltava uma parte de si. Era triste vê-la daquela forma. E mais triste ainda, era saber que você era causadora daquela dor. Wendy havia tirado a pessoa que ela mais amava no mundo e junto toda a felicidade dela.

***

Quantico — Virgínia.

Mais tarde, naquele dia. Hotch voltou para Quantico e todos os membros da equipe também. Eles iriam trabalhar em outro caso na Califórnia, mas quando Hotch estava na sua sala, acertando os últimos detalhes do caso para então viajarem, alguém bateu na porta.

— Pode entrar — disse Hotch. Era Reid do outro lado — quer falar comigo?

— Sim — respondeu o rapaz entrando e sentando-se em frente ao chefe.

— Pode falar!

— Hotch, eu estou precisando tirar 10 dias de férias.

— Mas Reid, você havia me dito que não queria tirar férias.

— Eu sei, mas estou precisando agora...

— Tudo bem, não precisa entrar em detalhes — respondeu Hotch — podemos providenciar assim que voltarmos da Califórnia.

— Hotch — disse Reid respirando fundo — se possível, eu não queria viajar.

— Você quer começar imediatamente?

— Sim.

— É tão urgente assim?

— Sim.

— Está certo, eu vou falar com Strauss e ver o que posso fazer, mas não é certeza que vou conseguir. Me espere aqui.

Hotch levantou-se e já ia saindo, quando voltou.

— Só uma pergunta — disse Hotch fazendo Reid virar-se para ele — esses dias de férias tem alguma coisa a ver com Wendy?

Reid engoliu seco, mas sabia que não podia mentir.

— Sim, tem a ver com Wendy, mas não é nada disso que está pensando... — falou Reid nervoso.

— Eu não estou pensando nada — interrompeu Hotch um pouco irritado, pois sim, ele estava pensando besteira.

— Wendy precisa da minha ajuda.

— Tudo bem, Reid — falou Hotch tendo uma ideia — ela te contou se estava passando por algum problema?

— Não, mas dar para perceber só de olhá-la que alguma coisa a incomoda.

— Eu queria que conversasse com ela, fizesse ela se abrir, que tentasse entender o que está acontecendo?

— Eu posso tentar, todavia eu não sou muito bom nisso.

— Mas tente, quem sabe com você, ela se abre...

— Ok, Hotch.

— Eu vou falar com Strauss.

Hotch dessa vez saiu sem voltar.

***

Washington — DC

Wendy estava no seu quarto, deitada na sua cama, estudando, quando Vanessa entrou um pouco desanimada se jogando na cama. Wendy percebendo o semblante da amiga, fechou o livro e foi até ela.

— Aconteceu alguma coisa?

— Essa tal de Michele Benson que não me deixa em paz, eu não sei mais o que fazer.

— Primeira coisa, finja não se importar... se mesmo assim, ela continuar, se defenda, não a deixe te humilhar. Essa tipo de pessoas assim são covardes, quanto mais quieto você fica, mas elas atacam, mas se você não se deixar ficar por baixo, elas te deixam em paz.

— Certo, eu vou tentar!

— Posso te fazer uma pergunta um pouco constrangedora?

— Claro — disse Vanessa ficando sentada na cama.

— Você se arruma dessa maneira, sem usar maquiagem e sem se importar se as roupas combinam ou não, por que gosta de ser assim?

— Na verdade, eu nunca tive condições e nem quem me ensinasse a me arrumar.

— Eu entendo... mas você gostaria de mudar um pouco a sua aparência ou você gosta de ser assim?

— Mudar como?

— Cortar esse cabelo, fazer uma hidratação... comprar umas roupas novas. Mas só se você quiser, se você se sente bem sendo assim, não mude só por que estou sugerindo.

— Eu acho que vou aceitar, amiga — disse Vanessa

— Que bom!

— Eu queria ter conhecido você antes, sabe. Quando eu estava no ensino médio. Acho que não teria sofrido tanto nas mãos das outras garotas.

Wendy não soube o que dizer naquele momento. Se Vanessa soubesse o que ela foi capaz de fazer, certamente não seria sua amiga.

— Então, vamos às compras? — perguntou Wendy.

— Sim, vamos!

Vanessa abraçou a amiga. Ela ficou muito feliz por Wendy demonstrar se importar com ela. De repente o celular de Wendy tocou, ela olhou no visor, era um número desconhecido. Ela imediatamente atende.

— Alô!

— Alô, Wendy?

— Sim.

— Wendy, sou eu, Mary Baxter, a mãe da Rachael.

— Oi, senhora Baxter, está precisando de alguma coisa?

— Eu queria ter esperado alguns dias para ter te ligado, mas a ansiedade não me deixou: hoje é o aniversário da Rachael, e eu preciso muito te ver, por favor, é muito importante.

— Senhora Baxter, eu... — disse Wendy gaguejando e olhando para Vanessa que a olhava intrigada — é... a senhora quer passear no shopping?

— Claro, como preferir!

— Eu já estou saindo daqui... acredito que em meia chego.

— Está ótimo!

Wendy desligou o telefone emocionada. Aquela mãe desesperada buscando de todo modo recuperar a filha, nem que seja somente as lembranças. Wendy sentia que deveria fazer algo por aquela mulher, já que ela foi a causadora do sofrimento dela.

— Algum problema?

— Não, era a mãe de uma amiga que eu tinha lá de Londres. Ela quer me ver para se lembrar da filha. Então eu a convidei para ir ao shopping com a gente.

— Lembrar da filha?

— É, a filha dela morreu.

— Nossa, deve ser terrível a dor dessa mulher... perder uma filha!

— Ainda mais da maneira como foi — completou Wendy pensativa.

— E como foi?

— Desculpe, Vanessa — disse Wendy — mas eu não queria falar disso agora.

— Tudo bem, só perdoe minha curiosidade.

Wendy começou a chorar compulsivamente.

— Eu falei alguma coisa errada?

— Não... é que eu não sou o que você pensa que eu sou — dizia ela chorando — eu sou uma pessoa má, muito má...

— Do que está falando Wendy? Você é a melhor pessoa que conheci...

— Eu cometi um erro, Vanessa... um erro muito grande que custou a vida de uma pessoa...

Notas finais
Bem, agora eu quero a opinião de vocês... me digam o que acharam. A Wendy foi culpada de verdade? O que vocês acham que aconteceu com a Rachael? Eu estou revelando aos poucos o segredo, em breve saberão de tudo, não vou ficar enrolando por muito tempo. Estarei postando na quinta-feira. Beijão e até lá!