Dust in the Wind

44 Caso resolvido - parte IV - O fim dele (final)


Notas iniciais
Postando conforme prometido. Agradeço ao apoio.

Quantico — Virginia

— Nunca mais repita isso, entendeu? — falou Elizabeth furiosa apontando o dedo na cara de Evilyn.

— Por que você nega meus direitos? — a garota enfrentou a matriarca da família Prentiss — o que eu fiz de errado?

— Nasceu, não era para você ter nascido. Você é uma bastarda que só quer destruir a vida da minha família, mas não vou permitir — Elizabeth fez uma pausa respirando fundo e voltou e levantar o dedo na cara de Evilyn — você não me engana, eu sei do que é capaz. Fica se fazendo de santa, mas é uma cobra da pior espécie.

— A senhora está muito enganada a meu respeito — retrucou bastante irritada.

— Não estou — Elizabeth foi enfática — eu só aceitei a sua chantagem, pois não quero que a Emily saiba de você.

Evilyn abaixou a cabeça engolindo tudo que Elizabeth falava.

— Se a Emily ao menos soubesse que eu existo — ela falou baixinho — só que você a fez pensar que eu morri.

— E se depender de mim, vai continuar pensando — retrucou Elizabeth — já te disse, não quero que estrague a vida dela e nem dos filhos dela. Que eu sei que é seu objetivo. E vamos encerrar esse assunto de uma vez por todas, tudo bem?

Evilyn ficou quieta e nada respondeu.

— Vou fazer melhor: se não parar te tocar nesse assunto, eu te tiro da BAU e até mesmo do país se for preciso, entendeu agora?

— Certo — a garota respondeu contrariada — não toco mais nesse assunto.

— Exatamente isso. Estamos começando a nos entender.

Então as duas voltaram para onde Emily e o restante da equipe, mas dessa vez, Evilyn ficou de longe apenas olhando.

***

Minutos depois Hotch apareceu. Ele ficou surpreso com o alvoroço que estava na BAU, mas sua surpresa maior foi quando viu sua esposa e do lado dela: ainda JJ, Elizabeth e Garcia bajulando o bebê que ela carregava. O coração de Hotch congelou por alguns segundos e em seguida os batimentos cardíacos aceleraram. Não pode conter a emoção ao ver o filho.

Seu pequeno Jack havia recebido alta. Hotch foi imediatamente para o lado da esposa.

— Por que não me disse que vinha? — perguntou Hotch segurando o filhos nos braços pela primeira vez.

— Eu quis fazer uma surpresa — respondeu Emily babando pelo marido e pelo filho.

— E foi uma ótima surpresa — ele respondeu emocionado.

Garcia, Elizabeth e JJ se afastaram, deixando os dois a sós curtindo o filho.

***

— Então — disse Wendy enquanto andava de mãos dadas com Reid por uma pequena praça em frente ao prédio onde ficava a BAU — o que está acontecendo? Ainda está com problemas para dormir?

— Estou sim — ele respondeu prontamente — mas está tudo bem.

— Como está tudo bem? Se você tem dormido mal — a garota falou em tom de bronca, e depois voltou a falar calma — conversou com meu pai sobre isso? Ele precisa saber disso.

— Claro, ele está sabendo?

— E o que ele disse a respeito?

— Que eu devia procurar um médico.

— Sugestão muito sábia essa do meu pai — retrucou a garota sorrindo olhando para o rapaz que estava sério, até que chegaram a um certo ponto da praça que havia um banco e resolveram se sentar — Reid, eu observei que você não foi olhar meu irmão — Wendy fez uma pausa — não gosta de bebês?

— Nunca parei para pensar nesse assunto — ele respondeu ainda sério.

Wendy respirou fundo criando coragem para perguntar algo.

— Não pensa em ter filhos?

— Eu acho prematuro falarmos de filhos — ele respondeu friamente.

— Ah, claro — ela respondeu desnorteada — você tem razão.

Em um primeiro momento, Wendy ficou um pouco irritada pela forma como ele respondeu: custava ser um pouco mais carinhoso. Mas depois ela compreendeu que sua pergunta foi muito impertinente e invasiva. Eles nunca haviam conversado sobre quais seriam os rumos do relacionamento. Já foi difícil convencê-lo a morarem juntos. E a agora falar de filhos seria muita coisa. Spencer se entregava lentamente a relação, enquanto Wendy já estava de cabeça.

— No sábado — Wendy falou após alguns minutos em silêncio — eu queria ir a ópera, vai ter uma apresentação de uma peça de Cláudio Monteverdi e eu queria muito ver e sei que você também gosta das obras dele.

Reid ficou tentado a ir, mas lembrou-se que estaria trabalhando no caso Phillip.

— Infelizmente esse fim de semana, eu vou está trabalhando.

— Ah não, Spencer — a garota lamentou — vai ser tão bom, dar um jeitinho, por favor.

— Eu não posso — ele respondeu firme — se não se incomoda, eu tenho que trabalhar agora.

— Tudo bem.

Os dois se abraçaram, trocaram um beijo rápido e voltaram para BAU. Todos já haviam voltado a trabalhar. A exceção de Hotch que havia saído com Emily para outros setores para visitar velhos amigos de ambos, da época que Emily estava no FBI. Como Reid queria trabalhar e não podia lhe dar atenção, Wendy resolveu ficar na sala do pai para não atrapalhá-lo.

A garota sentou-se na cadeira do pai e lembrou-se de quando ficava dessa forma no trabalho da mãe em Londres. Ela olhou para mesa e estava tudo bem organizado. No seu lado esquerdo uma foto dos pais no segundo casamento, o telefone e um organizador de papel preto de couro e grampeador. Do lado esquerdo uma pilha com 5 pastas, um porta-canetas e uma agenda eletrônica.

Ela olhou para a pilha de pastas e imaginou logo que seria os casos em que a equipe estaria trabalhando. Na curiosidade que lhe bateu, olhou a identificação de cada uma das pastas.

Wendy também fazia isso no trabalho da mãe em Londres. Olhava os processos que ela estava trabalhando, mas é claro que nunca havia falado nada para ela. Logo resolveu fazer o mesmo com o pai.

Ela ficou olhando somente as etiqueta de identificação. Em uma delas ela viu o nome Phillip Froster. Seu coração descompassou quando viu aquele nome. A garota se perguntava o que aquela pasta fazia ali. Foi quando resolveu abri-la para verificar. Wendy sabia que era errado, mas não controlou-se.

Foi lendo cada página atentamente. Não podia acreditar em nada do que lia. O medo começou a lhe aterrorizar, o medo de ser pega de novo por aquele monstro. E agora ela via que eram dois e que um deles estava solto e que inclusive esteve na casa de Reid quando os dois dormiram juntos.

Wendy tentava não se desesperar, mas sua mente não deixava. Ela lembrava-se de todo o inferno que viveu nas mãos dele e vinha à tona todo sentimento de dor e de raiva. Raiva de si mesmo, por tudo que estava vivendo e por sentir tão fraca.

Ela precisava sair dali, ir para um lugar onde ficaria longe do alcance de Phillip. Saiu da sala avoada, passando por todos os agentes. Reid estava tão concentrado no trabalho que não percebeu. Quem percebeu foi Evilyn, por isso ignorou o que havia acabado de conversar com Elizabeth e correu até a garota.

— Wendy — ela gritou assim que viu que a garota iria entrar no elevador.

A filha de Hotch virou-se antes de entrar.

— O que aconteceu? — perguntou Evilyn.

— Por que vocês insistem em mentir para mim — Wendy respondeu chorando entrando no elevador. Evilyn entrou junto.

— Está falando do Froster? — Evilyn perguntou já sabendo a resposta — olha, tudo que seu pai, sua mãe e o Reid fizeram foi para te proteger.

— Proteger do que? Ninguém pode me proteger. Phillip já provou que tem total controle sobre tudo, ele pode me matar na hora que quiser. E só não fez ainda por que não quis. E quer saber? Seria melhor que ele fizesse isso de uma vez por todas. Acabaria com meu sofrimento de uma vez.

— Calma, menina. Não seja precipitada — respondeu Evilyn enquanto as duas saiam do elevador em direção a rua — eu sei que é muita angústia e você sente que não aguenta mais, só que você é muito mais forte do que pensa. Não se encha de culpa ou desespero, acalme-se.

— Quando esse pesadelo vai acabar? Quando? — perguntou Wendy.

— Eu acredito que logo. Agora pela primeira vez estamos na frente de Phillip, já sabemos o que ele planeja, quando e como. Confie no seu pai, confie no Reid... confie em mim. Dessa vez, a gente acaba com ele e nunca mais ele vai voltar, e isso é uma promessa.

Wendy acalmou-se.

— Qual o seu nome mesmo? — perguntou Wendy.

— Evilyn Blunt — respondeu prontamente.

— Evilyn, foi muito bom falar com você.

— E você pode conversar comigo sempre que quiser — ela falou sem jeito — sabe, você lembra minha irmã mais nova, por isso gostaria muito de ser sua amiga.

— Sim, tudo bem — respondeu Wendy — só não fale para o meu pai que eu mexi nas coisas dele.

— Positivo, amiga.

Evilyn deu um abraço em Wendy e as duas voltaram para a BAU. Wendy não contou para o pai que descobriu sobre Phillip, pois teria que dizer que mexeu nas coisas dele, por isso ficou quieta. Apesar de Evilyn tê-la deixada mais calma, Wendy ainda temia Phillip e o que ele pretendia.

***

Washington — DC

Chegou sábado e Spencer não recebeu mais nenhuma notícia de Phillip durante aqueles dia e nem dos dias que antecederam. Todavia ele sabia que Froster não faria nada sem ele e principalmente se fosse fazer mal a Emily e Wendy, por esse motivo, ele ficava esperando o contato dele.

***

Hotch percebeu que a filha estava bastante agitada, ele percebia que havia algo errado, mas ela não se abria. Permanecia fechada. Ele tinha certeza que tinha algo a ver com Phillip, no entanto sabia que não conseguiria fazer com que ela falasse. A única pessoa que conseguiria seria Reid.

Foi quando sugeriu que o rapaz fosse com ela para ópera para que os dois conversassem. Reid chegou a questionar o porquê da ópera, se ele podia conversar com ela lá, na casa dele. No entanto, Hotch respondeu que seria em casa ela não se sentiria tão à vontade de falar. O rapaz logo concordou.

***

Apesar da tensão, por alguns minutos Reid ficou calmo. Wendy estava do seu lado e estava deslumbrante com um vestido preto, longo e sem decote acompanhado de sapatos altos também pretos e um blazer preto brilhante e uma bolsa pequena de mão. Os cabelos estavam soltos, ondulado nas pontas. Um visual clássico e sofisticado. Já Reid, vestia uma camisa branca com terno e calça pretas, sem gravata.

Spencer adorava ópera, por isso logo relaxou e ficou assistindo do lado de Wendy. O tempo todo segurando a mão dela. Foram longas horas assistindo cada árias atentamente. Foi uma apresentação linda e emocionante, mas que teve um fim.

E após o encerramento, o rapaz puxou assunto com a garota perguntando o que estava acontecendo que Hotch estava preocupado. Wendy desconversou, não queria falar sobre Phillip, apenas disse que estava preocupada de como falaria para seu pai que os dois iriam morar juntos.

Reid não achou que ela foi convincente na explicação, por isso iria continuar insistindo, todavia precisavam sair dali. E assim que saiam do teatro, ouviu alguém chamá-los.

— Wendy... Reid — ouviu-se uma voz feminina os chamando.

Quando os dois se viraram para ver quem era, deram de cara com Evilyn com um incrível vestido vermelho longo com um pouco do decote aparecendo, acompanhado de luvas brancas e um belo colar de diamantes. Muito elegante. Ela uma bolsa de mão vermelha, um pouco maior do que a da Wendy.

— Você aqui? — estranhou Reid encarando a moça.

— E não é? — ela respondeu entusiasmada — é muita coincidência.

Os três conversaram brevemente. Reid não se concentrava na conversa. Somente estava estranhando a hora e o fato de Phillip não o ter procurado, por isso queria voltar logo e se juntar ao restante da equipe. Reid então chamou um táxi e foi deixar Wendy em casa, de lá seguiria para a BAU.

— Você anda tão estranho, Spencer — falou a garota assim que abriu a porta de casa — parece preocupado com alguma coisa.

Ela carregava o blazer no braço e o colocou no mancebo que havia próximo a porta e depois pegou o terno de Reid e também colocou.

— Impressão sua. Está falando isso somente para mudar o foco da nossa conversa — ele respondeu.

— Como diz o tio Sean: eu odeio ser de uma família de analistas de perfis.

Reid sorriu timidamente, quando sentiu o celular vibrar no bolso da sua calça. Ele nem pensou direito e já foi pegando o celular para atender.

— Jason — ele escutou a voz do outro lado dizer. E logo percebeu que era Phillip — parceiro, estou aqui fora te esperando.

— Sei — Reid tentava falar de maneira que não levantasse a suspeita de Wendy — eu estou indo agora falar com você.

Reid encerrou a ligação, depois virou-se para Wendy que o olhava desconfiada.

— Eu tenho que ir trabalhar agora — ele falou sem jeito.

Okay — ela respondeu receosa.

Reid deu somente um selinho e um abraço nela e despediu-se. O rapaz saiu rapidamente. E Wendy ficou pensativa, teria sido Phillip novamente. Em seguida, ela olhou para o mancebo e viu o terno de Reid.

— Ah, ele esqueceu — ela disse aspirando ruidosamente — ele deve estar perto, vou deixar para ele.

Wendy não pensou e saiu de casa indo na direção do ponto de táxi que havia lá perto. De longe ela viu Reid e o outro homem conversando na esquina do outro lado da rua. Reid estava de costas no sentido que ela vinha e o outro homem estava de frente. Num primeiro momento ela não reconheceu quem era, por isso foi se aproximando lentamente, quando já estava perto, ela viu quem não queria ver.

Instintivamente Reid virou-se para trás e a viu a poucos metros de si. Phillip tinha uma arma na mão, era tudo que a garota conseguiu ver.

— WENDY, SAI DAQUI — gritou Spencer enquanto Phillip fitava os olhos na garota que permanecia imóvel olhando para os dois.

— Filhota, vem aqui dar um abraço no papai — falou Phillip em tom sarcástico. Enquanto Reid dava o sinal para que ela fosse.

— Eu não vou te deixar sozinho com ele — ela disse conseguindo falar pela primeira vez depois do choque de encontrar Phillip.

— Cadê a sua mãezinha? A minha Emy. Como sinto falta dela.

Phillip se aproximou à medida que a garota mal conseguia se mover de tão nervosa que havia ficado só de vê-lo.

— Você está ficando que nem ela — ele falou alisando os cabelos dela. Wendy empurrou a mão dele de forma brusca.

— Não encosta nela — disse Reid já se irritando.

— Eu sei que você quer ela só para você, Jason. Mas não posso deixar, a gente sempre dividiu tudo, inclusive as mulheres.

Phillip não conseguindo se conter, agarrou a garota. Ela gritou, foi quando todo o plano de Reid foi por água baixo e ele resolveu pegar a arma que havia escondido na perna esquerda, debaixo da calça, em cima da meia.

— Solte ela ou eu atiro — disse Reid apontando a arma.

Ao tempo que ouviu isso, Froster colocou Wendy na sua frente e colocou sua arma na cabeça dela.

— O que está fazendo, Jason?

— Eu não sou Jason — ele falou firme tentando mirar na cabeça de Phillip, mas além de um pouco escuro, ele usava Wendy como escudo humano. Ele não tinha o tiro limpo, por isso tinha que usar outra estratégia — meu nome é Spencer Reid.

— Traidor... vai me trair mesmo por causa dessa vagabunda — Phillip falava com ódio — e a nossa missão?

— Não há missão — disse Spencer — seu pai mentiu para você. Sua mãe não cometeu suicídio.

— Do que está falando, traidor?

— Eu fui visitar seu pai na prisão — mentiu Reid — e ele me disse que matou sua mãe. Ele a envenenou.

— VOCÊ ESTÁ MENTINDO — ele gritou muito irritado — eu vi quando ela pegou o inseticida e bebeu sem ninguém obrigá-la. EU VI!

O plano de Reid de convencê-lo de que o pai havia matado a mãe não deu certo.

— E agora eu vou matar você e essa vadia — Phillip disse desativando a trava de segurança da arma e colocando o dedo no gatilho.

— NÃO, PHILLIP — gritou Reid a ouvir três disparos.

Phillip e Wendy caíram juntos no chão. Spencer se desesperou ao pensar que ele a havia matado, mas logo Wendy mexeu-se levantando-se rapidamente do chão e correndo para os braços de Reid.

Spencer, sem se soltar de Wendy, olhou para o corpo caído no chão. Ele havia tomado três tiros no lado direito da cabeça. Foi quando ele resolveu olhar para o lado que os tiros vieram e lá estava, Evilyn Blunt, ainda com o vestido vermelho, mas segurando com uma arma nas mãos.

Notas finais
Sei que esse final ficou um pouco sem sentido, mas no próximo capítulo tudo será esclarecido. Estamos nos últimos capítulos, pois essa história está ficando muito grande e farei outra com a continuação dela. Obrigada pelo apoio, beijão!