Dust in the wind


Esta noite eu tudo agüento

Eu que não me contento

A queda doutro ministro

Um assassinato sinistro

Eu que não tinha nada

Senti-me roubada

Falta-me o puro ar

Só resta vontade de chorar

Somos apenas poeira

O velho, a criança, a feiticeira

Os sábios me falaram

Apenas poeira, confirmaram

Hoje eu não consigo sentir

O mundo deveria apenas explodir

Com o palhaço sem graça

Com a vida e toda a desgraça

Apodrecer a criança faminta poderia

Que para urubus como alimento serviria

O mundo extenso é

Vai de Maria a José

Passam às vezes como flores

Despercebidas as nossas dores

Num mundo plural não há lugar

Para o que é singular

E preocupados com nossos umbigos,

Esquecemos dos amigos e dos inimigos,

Que também não recebem alento

Afinal, somos poeira no vento

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!