Dust Angels

12 Capítulo 12 - Children of the gun


Notas iniciais
Hey.
Esse capítulo não ficou do jeito que eu queria, era pra ser um de ação por ser o capítulo de Destroya, mas a fic acabou evoluindo e eu decidi deixar a ação mais pra frente.
Que bom que escrevi isso ontem, porque hoje estou um lixo. Estou mal por saudade, pelo o que o Frank disse no Twitter, por esse capítulo, pelo o que aconteceu no livro que eu tô lendo... enfim. Tá tudo muito amargo hoje.
Espero que vocês gostem. Fazer vocês felizes de alguma forma por alguns minutos já vai melhorar meu dia :)

Show Pony passou a maior parte dos dias seguintes na casa dos Dust Angels, para garantir que Remote Heart estivesse quietinho em seu canto deixando a perna ficar boa, o que ele realmente não estaria fazendo se não fosse vigiado. Todos sabiam que ele odiava ficar parado, e Fun Ghoul e Party Poison constantemente brigavam com ele por estar andando de um lado para o outro, mesmo mancando.

Mas ele logo estaria recuperado. Ficou muito agradecido por Fun Ghoul não ter falado nada sobre a missão do Korse para Party Poison ainda, ou eles estariam fazendo preparativos e tudo o mais e Remote Heart se sentiria inútil só assistindo.

Três dias depois, em mais um momento tedioso largado no sofá, ele achou que poderia tentar arrancar alguma coisa de Party Poison, se não por curiosidade, puramente por diversão. Fun Ghoul havia acabado de sair para arrumar mais mantimentos, dando atenção especial à pequena lista de coisas que Party Poison mencionara casualmente que estava com saudades de comer.

— Ele é bem atencioso, né? — Remote Heart comentou.

— Hm? — Party Poison levantou o olhar de algo que estava lendo. — O Fun? É, claro.

— Atencioso, cuidadoso, amigável... basicamente adorável.

Party Poison abaixou o folheto que estava em suas mãos e fitou Remote Heart desconfiado.

— Algum motivo especial pra você estar falando isso?

— Não, não... por que, seria um problema?

— Talvez.

Remote Heart se controlou para não sorrir.

— Ciúme?

Party Poison deu de ombros.

— É, eu sempre tive ciúme dos meus amigos.

Remote Heart também se controlou para não revirar os olhos.

— Amigo, claro — murmurou, desviando o olhar, mas com intenção de que Party Poison o ouvisse.

— Quê?

— Nada.

— Por que você foi sarcástico agora?

— Por nada, esquece.

— Remote, eu odeio esses joguinhos, quer falar logo o que você quer?

Remote Heart deu um sorriso um tanto cínico. Ele queria que fosse direto? Ótimo.

— Eu quero saber se você nunca pensou em Fun como mais do que um amigo.

Party Poison arregalou os olhos.

— E-eu... Não! Quer dizer, eu... Espera. O que ele andou falando pra você?

— Não sei, o que ele não deveria ter falado?

Party Poison o observou criticamente, como que procurando indícios de segundas intenções.

— Não, ele não teria falado... — ele murmurou, e Remote Heart quase não conseguiu ouvir. — Ah, já sei. Foi o Pony, não foi? Ele sempre fica lembrando disso.

— Hmm... certo. Então, eu não faço ideia do que você tá falando, mas agora eu quero saber e se você não falar eu vou arrancar do Fun ou do Pony. Você escolhe.

Party Poison fez uma expressão de incredulidade tão genuína que Remote Heart teve que rir.

— Que merda — o ruivo xingou, apesar de ter um ar divertido. — Tá, tá bom. É que o Pony foi um dos fãs da nossa banda na época pré-BLI, e, naqueles tempos, eu e o Fun às vezes... ahn... fazíamos brincadeiras.

— Que tipo de brincadeiras?

— Idiotices, alguns beijos, essas coisas. E algumas pessoas achavam que a gente tinha um caso, e como o Pony era uma delas, ele sempre enche o nosso saco lembrando disso, mas é claro que nunca tivemos nada...

Remote Heart colocou uma mão sob o queixo, pensativo. Então o negócio vinha de muito tempo... Fun Ghoul devia estar apaixonado há anos, possivelmente desde antes da BL/ind, escondendo até agora.

Remote Heart analisou Party Poison de cima a baixo e balançou a cabeça, exasperado.

— Você é inacreditável.

— Por quê? — Party Poison perguntou, confuso.

Remote Heart só fez um “tsc, tsc” e passou a contemplar o teto, perdido em pensamentos. Party Poison estranhou, mas voltou a se concentrar na leitura, vez ou outra lançando um olhar inquisitivo ao outro, o que foi prova o bastante para Remote Heart de que conseguira fazer ele pensar na conversa. Quem sabe uma sementinha em uma imaginação fértil não fosse o bastante para que algo acontecesse?

Ele compartilhou do acontecimento com Show Pony e teve aprovação total; o que não aconteceu quando ele contou sobre o plano que colocara na cabeça de Fun Ghoul. Na verdade, Show Pony dera um tapa razoavelmente forte em sua cabeça por ter feito isso.

— Você é idiota? Como a gente vai matar o Korse? Devíamos agradecer por ainda estarmos vivos!

— Eu agradeço! Mas ainda somos killjoys, não somos? Ainda lutamos contra a BL/ind, não é? Temos que aproveitar que eles estão com brigas internas pra ferrar com a base californiana, é o que eu acho.

— Como matar o Korse vai ferrar com eles?

— Simples... Os Exterminators vão ficar irritados por terem perdido o chefe, e com certeza vão culpar a base, dizendo que se tivessem permissão pra matar isso não teria acontecido e blá-blá-blá.

Remote Heart se surpreendeu com a rapidez com que pensara nisso; porque até então ele não fazia ideia de como seu plano poderia ser útil para os killjoys. Show Pony teve que ficar quieto depois disso, e Remote Heart sorriu orgulhoso.

— Além do mais — ele continuou. —, o Party merece. Eu também gostaria de vingança... e sei que ele e o Fun vão considerar como uma vingança pelo Kobra e pelo Jet também. Eles merecem isso, Pony.

Show Pony só assentiu, desgostoso, mas sem argumentos.

Remote Heart procurava se convencer do que ele mesmo falava, mas vez ou outra se pegava pensando em fazer Fun Ghoul mudar de ideia. Era quase uma missão suicida, e ele já não tinha certeza se realmente queria ir. Mas o ponto final em suas hesitações veio de Party Poison.

Todo dia, antes de sair para alguma coisa, Party Poison murmurava algo que Remote Heart nunca entendia. Era como uma breve oração, só uma frase, mas Party Poison não parecia ser do tipo que pedia ajuda a Deus antes de sair de casa. Além disso, ele não parecia fazer esse ritual com idolatria ou algo semelhante. Na verdade, parecia um tanto raivoso em todas as vezes, apesar de também magoado. Um dia, finalmente, Remote Heart conseguiu ouvir o que ele dizia.

— Irmão, proteja-me agora.

E com isso, Remote Heart não teve dúvidas de que teriam de fazer aquilo. Party Poison precisava de paz, pelo menos em relação a alguma coisa. E se isso só viria com o fim de Korse, então é assim que seria.

E Remote Heart não podia deixar de admitir que também estava louco para acabar com aquela expressão superior no chefe dos Exterminators.

Quando ele já estava conseguindo andar sem mancar muito, Fun Ghoul trouxe pela primeira vez o assunto da missão de volta à tona.

— Então, você tá melhorando... quando acha que podemos ir? Não falei nada pro Party ainda, se não ele já teria ido sem nem esperar.

— Ahn... não sei, ainda vai demorar um pouco pra eu ficar totalmente curado.

— Ah, claro, claro — Fun Ghoul estava com uma animação infantil demais para o que estava sendo discutido, mas Remote Heart ficou quieto. — Vamos só quando der. O Pony vai junto? Você já falou com ele?

— Já. Eu não queria que ele fosse, mas ele não vai me deixar ir sem ele, então...

— Certo. Mas quando você acha que vai ser? Essa semana, semana que vem?

— Não sei, Fun, vamos decidir com o Party quando contarmos pra ele. Pra que essa expectativa toda?

— Você sabe. Depois da missão eu vou... ahn...

— Se declarar? É, vai, mas pelo amor de Deus, você tá nervoso assim uma semana antes da hora?

Fun Ghoul deu de ombros.

— É, é estúpido, eu sei. Mas você não sabe o que é ir dormir sempre pensando no que falar... e mudando de ideia toda noite.

Remote Heart suspirou. Fun Ghoul estava completamente errado. Ele sabia o que era isso, sim; estava passando as últimas noites da mesma forma. Estava muito curioso e preocupado em descobrir sobre o passado de Show Pony, e queria a todo momento perguntar sobre isso, mas lembrava-se de que tinha dito que esperaria o tempo necessário. Isso não o impedia, porém, de ficar imaginando indiretas discretas que poderia dar que fizessem Show Pony perceber que ele ainda estava esperando.

Ao mesmo tempo, ele pensava no que faria depois que descobrisse. Conseguiria ajudá-lo? Ficaria olhando feito um idiota para a cara dele sem nada para dizer? Ou Show Pony se arrependeria e se afastaria? Essa era a opção mais temida. Remote Heart não se lembrava de ter tido medo tantas vezes com o pensamento de um possível abandono. No começo do namoro com Black Flower isso passou pela sua cabeça, mas se dissipou logo, pois os dois falaram abertamente sobre seus sentimentos um pelo outro. E era o que o perturbava agora; isso não acontecera com Show Pony. Nenhum dos dois admitira realmente que estavam apaixonados, o que só podia significar que ainda estavam em dúvida. Então, seguindo essa lógica, Show Pony tinha toda a liberdade para mudar de ideia a qualquer momento.

Enfim, os dias estavam tensos para todos na casa dos Dust Angels, mesmo que por motivos diferentes. Até Grace estava absorvendo o clima nervoso que Remote Heart e Fun Ghoul deixavam por onde passassem; e a recente morte de Kobra Kid e Jet Star também a deixaram mais afastada de todos. Ela passou a escrever e desenhar bastante, colecionando cadernos que Dr. Death conseguia para ela.

Remote Heart entendia que a solidão às vezes é desejada, mas tinha um certo receio de que todo o tempo que Grace passava sozinha, só com papel e caneta em mãos, pudesse alterá-la permanentemente. A voz de Jet Star ainda o perseguia sempre que ele pensava na garota: “Ela é minha filha. Você tem que protegê-la”. Remote Heart não poderia fingir que a proteção a que Jet Star se referia era só física, porque ele sabia que não era. Na verdade, um coração partido era muitas vezes pior que qualquer ferida física. Um coração partido pode durar para sempre.

Então, no primeiro dia em que sua perna podia estar considerada de volta ao normal, ele se aproximou de Grace, que estava sentada em sua cama desenhando algo em um caderno velho e bem usado.

— Oi.

— Oi — ela o cumprimentou, com um sorriso fraco.

— O que você está fazendo aí?

Ela virou o caderno para ele. Estavam desenhados um morro, com uma pequena e destacada flor sobre ele, e uma estrela cadente em um céu rabiscado provisoriamente. Não tinha muitos detalhes, mas era realmente um trabalho muito bom.

— Wow, você desenha bem!

— Obrigada — ela agradeceu, tímida.

— Tem um significado?

Ela assentiu, mas abaixou o olhar.

— Se não quiser falar não tem problema — Remote Heart disse logo, mas Grace o interrompeu:

— Não, tudo bem. É que eu provavelmente vou te deixar triste com isso.

Remote Heart deu de ombros.

— Faz parte.

— É... acho que sim. Então, bom... eu não terminei, na verdade acabei de começar... mas a estrela aqui é Jet Star. Ainda tenho que pensar em alguma coisa pra representar o Party, o Fun e o Kobra... e eu, talvez, mas acho que não vou me colocar.

— Você? Achei que a flor fosse você. Faria sentido.

Grace riu de leve.

— Não, não. É minha mãe. Estou pensando em quando eles foram lá em Battery City me salvar.

— Ah, entendi... Posso ver enquanto você continua?

— Claro.

Remote Heart ajeitou-se ao lado da menina e observou. Ela procurou entre seu lápis de cor um vermelho vibrante e um amarelo, e passou a rabiscá-los no meio do desenho, de um lado para o outro. Logo, um raio de fogo parecia estar indo em direção à flor no monte.

— Party Poison? — Remote Heart perguntou, incerto.

— É. O cabelo dele é meio chamativo, né?

— Um pouco.

Ela riu baixinho e continuou o trabalho.

As próximas linhas foram de um azul claro, logo abaixo do raio de fogo, parecendo uma rajada de vento.

— Kobra Kid... — Grace murmurou. — Às vezes ele parecia ser totalmente o oposto do irmão... silencioso, suave.

Para Fun Ghoul, Grace parou e pensou por um bom tempo. Remote Heart também não conseguia imaginar uma boa forma de representá-lo. Por fim, Grace decidiu fazer uma linha de notas musicais, acima do raio de fogo e logo abaixo da estrela cadente.

— Música — Remote Heart sorriu. — Engloba bastante coisa.

— É... o mesmo que acontece com o Fun, né?

Remote Heart concordou. Ver a imaginação artística de Grace em ação de alguma forma o trouxe para mais perto dela do que ele imaginava que aconteceria.

— Agora preto... preto, preto, cadê? — a menina murmurava, fuçando nos lápis de cor jogados sobre a cama.

— Aqui — Remote Heart encontrou e entregou para ela.

Ela agradeceu e fez alguns contornos no desenho. Por fim, analisou o trabalho feito e com um “ah” de quem se lembra de algo, pintou as pétalas da flor sobre o monte.

— Hmm... — Remote Heart sentiu algo estranho no peito com o que via. — Uma flor... negra?

— É — Grace confirmou distraidamente. — Era o nome killjoy da minha mãe. Black Flower.

Remote Heart congelou.

Então era isso... o que ele achou ter visto de familiar no rosto de Grace. Depois de descobrir sobre Jet Star, supôs que a estivesse comparando com ele, subconscientemente, sem perceber. Mas não. Ele a estava comparando com ela.

Black Flower. A mulher a quem ele amou. A quem ele esqueceu.

E a quem ele matou.

Notas finais
*suspense* -q
Acabei de lembrar que tenho duas ou três ones pra passar pro PC... alguém me empresta um pouco de ânimo? Ou talvez vontade de viver? Não? Tá.
Beijos :*