Dusk Till Dawn

3 Caça a bandeira sempre tem recompensas...


Notas iniciais
Boa leitura :)

POV: RAVEN

Estava indo para a arena principal, tinha combinado com as meninas de nos encontrarmos. O melhor jogo do acampamento é sem dúvida o Caça a bandeira. Dessa vez não havia ficado no time de minhas amigas.

Como os filhos dos três grandes eram muito poderosos éramos separados sempre. Fiquei no time vermelho, Mare e Bia tinham ficado no time azul. Para ser sincera acreditava que iriamos ganhar, o chalé de Ares estava no nosso time, eles eram muito bons. Mas o outro time tinha o chalé de Atena, fazer o quê, só sabia que íamos ganhar. Os filhos de Ares nunca perdem dos filhos de Hefesto e dessa vez não seria diferente.

Enquanto andava, tentava sem sucesso colocar o elmo vermelho. Não estava prestando muita atenção no caminho e acabei esbarrando em alguém. Me virei para me desculpar mas quando vi que ser era nem me dei ao trabalho.

—Quer ajuda? –Jake, filho de Ares, estava me oferecendo ajuda? Com certeza ele iria querer algo de volta.

—Não eu consigo sozinha. –falei firmemente. Continuei andando mas fui seguida.

—Todo mundo precisa de ajuda as vezes. –ele disse parando a minha frente me impedindo de seguir em frente.

Eu estava perdendo a paciência, garoto chiclete! Queria manda-lo para debaixo da terra agora mesmo só por ficar me enchendo o saco. Mas pensei um pouco melhor e cheguei a triste conclusão de que precisava dele vivo para ganharmos. Querendo ou não ele fazia jus ao pai, não que ele precisasse saber disso, já era convencido o suficiente.

—Não no meu caso Jake, agora sai da frente que eu quero passar caramba!

—Nossa que nervosa! Tá na TPM?

—Como se isso fosse da sua conta! –voltei a andar e ele a me seguir, não consegui evitar o impulso e comecei a invocar metais e pedras preciosas do chão para que ele tropeçasse e parasse de me seguir. Ele era bom em se desviar de todas, passava por elas como se antecipasse meus atos, uma qualidade admirada na guerra, e por mim.

—Você já sabe nossa estratégia senhorita esquentadinha?

—Sim Jake, eu ajudei a monta-la! –invoquei mais pedras mas ele parecia não querer desistir, que ótimo! Hoje é o dia de me irritar!

Duas coisas. Primeira: felizmente ele caiu. Segunda: infelizmente ele me levou junto. Ele tropeçou em uma pepita de ouro e se desequilibrou para frente me derrubando também. Bufei de raiva, não era assim que eu tinha planejado.

Ele começou a rir, eu não me aguentei e abri um sorriso, que por sinal logo se desfez. Quando percebi como estávamos gelei. Ele estava sobre mim, seus braços fortes o sustentavam e ele tinha o olhar fixo em mim. Jake parou de rir quando viu o que eu estava vendo.

Ele se aproximou devagar, não como via ele fazendo com as outras. Ótimo porque eu não sou qualquer uma! Estávamos próximos, seus lábios se uniram aos meus, em momento algum ele passou a mão em mim, diferentemente de como faz com as outras. Eu abracei seu pescoço e mexia nos seus cabelos curtos.

Quando paramos para respirar foi que percebi a merda que tinha feito. Ele havia me beijado. E o pior, eu correspondi! O empurrei com força para que saísse de cima de mim. Me levantei rapidamente, ele estava atônito, acho que tão surpreso quanto eu. Saí correndo, não podia olhar para aquele rosto, dessa vez ele não me seguiu, ainda bem. Não estava com raiva por ter o beijado mas sim porque eu gostei! Tantos garotos para você escolher e tinha que ser esse?! Parabéns Raven!

Estava quase na hora, me posicionei e esperei a corneta soar. Eu ganharia essa porra!

POV: MAX

Estava um pouco perdido mas Estella me explicava tudo, os meninos ajudaram pra caramba também. Com toda essa correria por causa da Caça a bandeira nem pude agradecer aos meus novos amigos por terem me ajudado. Estaria morto se não fossem por eles. Já tinha agradecido aos garotos, à Estella e Mare, mas não tinha conseguido falar com Beatriz.

Os filhos de Atena já tinham explicado o plano, Mare ficaria na retaguarda junto com os filhos de Atena. Nós filhos de Apolo ficaríamos nas árvores, era mais fácil atirar as flechas do alto. Não tinha visto Bia ainda, depois que isso acabasse teria que falar com ela.

A corneta soou. Me preparei, não demorou até que alguns filhos de Deméter dessem bobeira, acertei cinco. Os filhos de Ares eram mais espertos e estavam bem equipados. Acontece que nós iríamos ganhar, eu previa isso. A estratégia dos filhos de Atena era infalível.

Feixes de luz passavam pelo céu e atingiam os dois times. Os irmãos Grace ficaram em times opostos, estavam guerreando entre si. Mareena pelo que pude ver, acabava com todos que tentavam se aproximar da nossa bandeira. Era como um furacão em alta velocidade. Sim, íamos vencer. Não durou mais que uma hora. Com os filhos de Apolo bem escondidos e a distração causada pelos filhos de Hefesto, consegui chegar ao lado inimigo com apenas alguns arranhões.

Icei a bandeira mostrando a todos a vitória do time azul. Uma multidão da cor do céu noturno se aglomerou em minha volta, fui levantado e elogiado por muitos. Enquanto todos festejavam nossa vitória, eu procurava a única pessoa que precisava agradecer, vi o par de olhos azuis olhando o horizonte que se estendia. Beatriz parecia absorta em pensamentos então me aproximei devagar, me sentei ao seu lado e ela percebeu meu movimento.

O vento fazia seus cabelos escuros balançarem, aqueles olhos carregavam uma faísca assustadora e ao mesmo tempo muito bonita.

—Oi. –foi tudo o que consegui dizer.

POV BEATRIZ

Nós tínhamos ganhado o jogo, eu estava feliz ,mas estava cansada, saí de onde o pessoal estava e sentei numa perdra que tinha ali perto, fiquei olhando para o céu que já estava escuro e com estrelas brilhando, o vento batia no meu rosto fazendo com que meu cabelo balançasse, não estava pensando em nada até perceber alguém se sentar do meu lado.

– Oi – era Max, o garoto que nós resgatamos hoje mais cedo.

— Oi – falei me virando pra ele.

– Ahn... eu queria agradecer por ajudar a me salvar hoje mais cedo – ele falou olhando pro chão.

— Ah... De nada eu acho – sorri olhando pra ele e ele parecia nervoso – olha não precisa ficar nervoso pra falar comigo.

— Eu não estou n-nervoso! – ri da cara que ele fez – Não ri de mim! Eu não estou nervoso!

— Tudo bem, se é o que você diz... – sorri pra ele e ele retribuiu, e caramba! Que sorriso!

— Tá... Mas eu quero falar de você.

— De mim?! – confesso que fiquei surpresa – Mas sobre o que você quer saber de mim?!

– Sei lá... Tipo, qual é a sua idade?

– 17 anos – ele me olhou surpreso – porque a surpresa?

– Eu pensei que você tinha 18 anos – ri do comentário dele, não é a primeira vez que escuto isso – o que foi? Porque tá rindo?

– É que... Esquece – fiquei um pouco sem graça.

– Eu tô fazendo papel de bobo não é?!

— Não!! – coloquei a mão no rosto pra tampar o sorriso – Claro que não –agora é eu que estava nervosa.

— Então eu posso te fazer mais uma pergunta?

– Pode sim.

– Desde quando você tá aqui?

— Ah... Desde os meu 13 anos, depois que eu e meu irmão viemos pra cá eu nunca saí, mas eu sempre quis ir mundo à fora, eu até tentei fugir daqui, umas quatro vezes mais ou menos – sorri lembrando das minha tentativas de fuga desastrosas.

– Acho bem sua cara fazer isso.

— Ei, você nem me conhece direito e já tá falando mau de mim?! – fingi estar ofendida e nós rimos – Sabe, eu quase nem tenho lembranças sobre onde eu morava...

– Já eu tenho muitas... – ele riu baixo, ficamos olhando pro céu por um tempo até ele quebrar o silêncio – Toma, agora é sua – ele tira sua pulseira verde de tranças do braço.

— Porque você tá tirando sua pulseira?

– Você disse que você tem poucas lembranças de onde morava, então quando você olhar pra ela, você vai lembrar de tudo que já viveu lá fora e de mim – ele sorriu e eu também – posso colocar?

— Sim – ele colocou a pulseira e beijou minha mão – tá, chega, eu tenho que ir – disse me levantando rápido.

— Mas...

— Tchau! – falei andando depressa

— Tchau! – ouvi ele falar alto, nem me viro pra olha-lo, só continuo andando em frente.

O que deu em mim? Nós sabemos tão pouco um sobre o outro mas é como se nos conhecêssemos há muito tempo.

POV JAMES

Estava conversando com os meninos sobre assuntos aleatórios quando vi Mare passar, deixei os meninos conversando e corri em sua direção, segurei seu braço de leve e ela se virou pra mim .

— Ah, é você – eu e elas sorrimos.

– Ficou feliz em me ver?!

– Me poupe James! – eu ri

— Ahn... Parabéns pela vitória de hoje – falei coçando a nuca meio nervoso, por que raios eu estava nervoso?!

— Valeu, vocês também não foram nada mal– ela sorriu, olhei pro lado e vi Bia, Raven e Estella rindo e olhando em nossa direção, olhei pra baixo envergonhado, e porque raios eu estou assim? – ... você me ouviu James?

– Ahn?

— Esquece, eu já vou indo – ela se virou e começou a andar.

— Espera! – segurei a mão dela, ela se virou e nos ficamos nos encarando que nem antes, não sei quanto tempo ficamos assim – Eu ia te falar uma coisa, mas pode deixar, pode ir.

— Não! – ela cruzou os braços – Agora fala!

— Esquece – falei olhando seus lindos olhos verdes – pode ir – sorri pra ela.

– Aff eu mereço...tá bom, tchau – ela se virou e foi até as meninas, eu fiquei parado que nem um bobo a olhando ir.

Fui até os meninos de novo e voltamos a conversar, só que eu não prestava atenção em nada, eu só pensava em Mareena e em como ela é linda e... Sinto um cutucão e olho pro lado.

— Vi você e a ruivinha agora a pouco – Jake falou.

– E...?

– Pelo menos disfarça né idiota! Você tá sorrindo até agora! – ele riu.

— Cala a boca – ri também.

Será que eu tô gostando da Mare mesmo? Isso nunca aconteceu comigo antes, eu não me sinto nervoso conversando com nenhuma menina! Se isso estiver acontecendo mesmo, eu não sei o que vai acontecer. Eu odeio estar fora de controle, me sentir impotente, mas era assim que eu me sentia agora. Não tinha ideia do que poderia acontecer.

POV ARTHUR

Estava saindo da Casa-grande depois de uma longa conversa com Quíron, aparentemente, as coisas nos dois acampamentos estava bem e o mar estava calmo. Sem problemas, ainda bem.

Vi que ao longe Estella, filha de Afrodite, tentava cuidar de alguns ferimentos no braço e nas costas. Os machucados não eram muito feios mas fiquei bem preocupado e corri até lá. Estella é uma das melhores amigas de minha irmã, ela foi criada aqui e quando eu e Mare chegamos ela nos acolheu como família.

Ela é alguns meses apenas mais nova que Mare, eu tinha doze quando nos conhecemos, não somos muito próximos mas meu instinto me pede para protege-la e cuidar dela já que fez o mesmo quando chegamos aqui.

—Está tudo bem aqui Ella? –me aproximei preocupado e sentei-me ao seu lado.

—Claro, não se preocupe. Eu caí de uma árvore no Caça a bandeira e ralei um pouco.

—É isso que você chama de ralar? Suas costas estão sangrando. –a virei de modo que eu podia ver suas costas com riscos de sangue.

—Ah...bem, deve cicatrizar logo, nada que os filhos de Apolo não possam resolver. –ela ia se levantar mas eu a puxei pelos ombros para ela se sentar, esquecendo-me de que estavam machucados ela caiu na grama e gritou de dor.

—Pelos mares! Me desculpe Ella! –a peguei no colo e a levei para perto do lago.

—Ai...tá tudo bem, não foi nada demais. –sentei no chão com ela ainda em meu colo.

—Não está não. Vem, deixa eu cura-los para você. –comecei a puxar a agua do lago e esta foi por todo o seu corpo cicatrizando os machucados.

—Não pare! Você está gastando suas energias!

—Por algumas pessoas vale a pena. –nos olhamos e ela sorriu, se virou e deixou que eu levasse a agua até suas costas.

Não tinha percebido que ela estava só de short e sutiã mas isso pouco me incomodou, ela era linda. Demorou um pouco, mas eu não tinha pressa. Quando acabei a peguei no colo novamente, dessa vez ouve protestos mas eu estava nem aí, vai que ela machucava de novo.

Cheguei ao chalé de Afrodite com ela nos braços, não me importava em carrega-la, por sorte estava vazio. A deitei na cama e a cobri, nesse momento lembrei de Mare.

—Sabe que não precisa fazer isso né? –Ella perguntou mas estava com um sorriso calmo no rosto, ela estava bem.

—Preciso sim. –falei a cobrindo e me sentado na cama.

—Mas eu não sou sua irmã.

—Mas cuidou de mim quando eu era um garoto rebelde e idiota –rimos.

—Você não era um idiota.

—Era sim. Fiz muitas burradas e a maioria foi porque eu estava tentando me enganar com mentiras.

—Como assim?

—Esquece. Só descansa tá? –ela assentiu e eu peguei na sua mão uma ultima vez. –Boa noite Ella. –me levantei mas ela segurou minha mão.

—Obrigada por hoje.

—Sempre que precisar. –sorrimos.

Saí do chalé de Afrodite confuso. Ella nem sempre foi uma “irmã” para mim. Mas eu fui idiota demais, orgulhoso demais, e a perdi quando tive chance. Por muito tempo menti para mim mesmo dizendo que aquilo era burrice, mas agora eu sabia. De algum jeito eu sempre soube, esperava conseguir uma segunda chance. Se eu conseguisse, não deixaria mais passar, nunca.

Notas finais
Então, o que acharam do capítulo de hoje? Gostaram? Odiaram? Comentem. Estou aberta a sugestões. XOXO