Dusk Till Dawn
6 A primeira impressão sempre fica...
Notas iniciais
POV BEATRIZ
Hoje acordei de mau humor, não por ser terça–feira, mas por que nessa terça meu pai e um bando de deuses vão vir pro acampamento conversar com Quíron. Quando eu acordei meu irmão já não estava no chalé, então coloquei umas músicas em quanto eu me arrumava, vesti um short jeans, uma blusinha e um tênis, e saí do chalé.
Eu estava nervosa com a ideia do meu pai estar aqui no acampamento, e só uma pessoa pode me acalmar nesse momento...
– MAX! – eu o gritei. Eu não sei o que acontece, mas quando eu converso com Max ele me acalma.
Eu olhei pros lados a procura dele, e em uma árvore não muito longe tinha duas pessoas se beijando, o menino era loiro e alto como ele, só que tem muitos loiros e altos aqui no acampamento.
— Max? – eu o chamei, e para minha infelicidade era ele que estava ficando com a garota. Eu arregalei os olhos quando ele se virou pra mim.
— Ahn... Bia? – ele largou a Natalia, filha de Hermes, a menina que ele estava ficando. Ele parecia meio desnorteado e surpreso.
Me virei e comecei a andar, eu não andava rápido, eu andava devagar não acreditando no que eu acabei de ver, e por incrível que pareça meus olhos começaram a se encher de lágrimas.
— Bia! – Max falou e segurou meu braço, não me virei, e continuei de costas pra ele – Olha pra mim, por favor!
— Não – minha voz saiu baixa, levei minha mão que ele não segurava ao rosto pra limpar uma lágrima teimosa que insistiu em cair.
– Beatriz! Olha pra mim, eu quero conversar!
— Não! – elevei um pouco minha voz me soltei do seu braço e comecei a andar rápido, Max correu até mim e ficou na minha frente me parando. Bufei de irritação.
— O que foi? Porque tá nervosa? – ele perguntava sem entender.
— Até parece que você não sabe né seu tapado! – falei um pouco alto, estava com raiva, ele parecia ser tão gente boa.
— Foi por causa da menina que eu beijei?
— Claro né, seu idiota! Como você tem coragem de quase me beijar ontem de noite, e hoje acordar já ficando com outra!?
— O que aconteceu agora foi só um beijo! – ele já estava nervoso com a situação – E ontem... – ele virou o rosto e de um sorriso cínico – Foi um quase beijo, mas se eu tivesse te beijado, não iria significar nada pra mim – ele virou o rosto de volta me olhando nos olhos.
— Então pra você, eu só fui mais uma? – perguntei com a voz firme e carregada de raiva.
— É! pra mim você é só mais uma mesmo! – não estava triste, eu estava com raiva, senti o céu se escurecer um pouco e um raio ribombar do céu. Como ele ousa?
— Sabe... eu acreditei em você, e em tudo que você falou pra mim. Mas eu já vi que era mentira, e você não precisa se preocupar, eu já estou acostumada com gente falsa! – abaixei o rosto e senti lágrimas quentes descerem pelo meu rosto, eu o olhei novamente com fúria nos olhos, mostrando minhas lágrimas de frustração. –Você pode ficar aí com seu bando de vadias que eu não vou me importar, não mais. Eu achei que você fosse diferente mas pelo jeito me enganei.
Saí de lá batendo o pé, o céu ainda não voltara ao normal, mas eu não me importo, lágrimas de raiva ainda desciam pelo meu rosto, mostrando pra todos o que acabou de acontecer. Não prestei atenção, esbarrei em alguém e acabei caindo. Eu olhei pra cima pronta para xingar a pessoa mas era só Arthur, irmão da Mare.
— Bia desculpa eu não prestei atenção – ele me ajudou a levantar e sorriu, não mostrei meu rosto por vergonha, odeio quando as pessoas me veem chorar – tá tudo bem com você?
— Tá sim obrigada – falei ainda com o rosto abaixado – eu... você viu sua irmã? Eu quero falar com ela – sem querer mostro meu rosto e ele vê que eu estou chorando.
— Bia... você tá chorando? – ele pergunta e eu assinto, até parece que ele nunca me viu chorar – Vem aqui – ele abre os braços e me abraça forte e eu começo a chorar mais, molhando sua camisa – porque você está chorando? – ele pergunta ainda me abraçando.
— É o Max...
— Olha não chora ok?! – a gente se separa e ele olha pra mim – Nenhum garoto merece suas lágrimas. Aquele grupinho é um bando de galinhas. – dou um sorriso triste e ele leva suas mãos ao meu rosto limpando minhas lágrimas.
— Obrigada Arthur – dou um sorriso fraco.
— Não chora ok?!
— Ok, não vou chorar mais, nenhum idiota pode me por pra baixo.– ele sorri e eu também.
— Essa é a Bia que eu conheço! – nós rimos – Eu tenho que ir agora, mas acho que minha irmã está na arena com as meninas esperando nosso pai, vai lá.
— Ok, valeu, tchau Arthur – saio correndo em direção à arena e percebo que o céu está claro de novo e acabo sorrindo com isso.
Arthur está certo, eu não preciso chorar por garotos, nenhum deles merece as lágrimas que eu derramo. Eu não sei por que o fato de Max ter beijado outra garota me afetou, eu não gosto dele, ele chegou faz uma semana, ninguém se apaixona em uma semana. Acho que o que me afetou foi ele ter me usado como um objeto. Isso já aconteceu uma vez comigo, e eu não quero que aconteça de novo!
POV MAREENA
Estava conversando com Raven e Ella. Eu e Raven estávamos zoando Estella por dormir com meu irmão. Não, para a tristeza da nação eles só dormiram mesmo, junta dois lerdos não dá pra ser diferente. Percebi o céu escurecer e clarear novamente e notei que algum Grace deveria estar irritado. Não demorou e Bia apareceu e pediu para falar comigo. As meninas continuaram conversando e eu e Bia fomos para a praia onde muitos semideuses já esperavam ansiosamente por seus pais. Todos pareciam felizes mas para os filhos dos três grandes não tinha nada de bom em ver aqueles que te consideram um erro.
—Conheço essa cara Bia, pode abrir o jogo. –disse quando paramos mais afastadas de toda aquela multidão e nos sentamos em algumas pedras.
—Vejamos se você advinha... –ela disse sorrindo sarcasticamente.
—Ah não! De novo Beatriz? Garotos! –bufei irritada. Raven passara uma hora reclamando do Jake enquanto eu quase dormia de tanto tédio em seu chalé, sim, eu não fui dormir no meu chalé, estava meio cheio.
—Como você faz? Sabe, você parece não ser atingida por garotos, caramba! E nem vem falar que é porque não tem nenhum na sua cola porque eu sei que é mentira!
—É simples. Se eu quero o garoto e ele me quer bem, se ele não quiser foda-se ele. Não dependo de garotos, não me prendo a ninguém só isso! –respondi com simplicidade. –Vocês tem mania de se apegarem demais e depois quando ganham um fora ficam aí se estressando.
—Falando assim até parece fácil! Eu realmente achei que ele fosse diferente –disse parecendo uma derrotada.
—Max.
—Tá tão na cara assim?
—Sou sua amiga, te conheço Bia. –dei de ombros -Vai dizer que ele pegou uma vadia na sua frente?
—Exatamente. Isso depois de quase ter me beijado ontem! E depois quando fui falar com ele, o desgraçado ainda falou que eu era só mais uma –disse fazendo uma careta, sim ela estava com muita raiva.
—Foi a má influência, você sabe como é aquele grupo.
—Ah eu sei! Cansei de falar de mim, você ficou com alguém noite passada?
Corei um pouco com a pergunta. Como eu digo pra minha amiga que fiquei com o irmão dela? Alguém que é um completo galinha, convencido, mesquinho, e e e.... ah vai ele é um gato! Acho que Bia percebeu pois abriu um sorriso malicioso e ficou me encarando.
—Ah pode parar! Todo mundo fica com alguém nessas festinhas, não precisa gostar da pessoa, é só...ficar. –eu disse sem mais argumentos.
—Quem foi o sortudo? –ela viu que eu tava enrolando. Por que águas ela tinha que me conhecer tão bem?!
—James Grace. –disse rapidamente.
Levantei pois ouvi um sino ser tocado ao longe anunciando a chegada de algum deus. Salva pelo gongo! Não fiquei para ver sua reação e corri para a multidão que ansiava pelos olimpianos, desperdício. Eles nem sequer se importavam conosco, por que mereciam tanto respeito? Vi Arthur no meio do pessoal e corria até ele quando um braço envolveu minha cintura e me virou para ele. Encontrei com a pessoa que menos queria ver no momento.
—James. O que você quer? –perguntei já cansada de ter que atura-lo. Ele sorria, um sorriso travesso mas fofo.
—Atenção. Mas parece que você não vai me dar isso. –ele fez cara de cachorro de rua mais pidão. Eu mereço!
—E o que eu tenho a ver com isso? Garoto vai achar suas piriguetes que eu tenho mais o que fazer.
Tentei me desvencilhar de seus braços mas eu não era forte como ele. Ele me puxou para si e me beijou. Ah, de novo?! É sério isso? Tentei resistir mas acabei cedendo, passei meus braços por seu pescoço e seus braços rondavam minha cintura. Paramos ao ouvir uma corneta sendo soada. Ótimo, a hora dos três grandes chegou. Me separei bruscamente dele, como eu pude fazer isso? Eu não sei. Fui até meu irmão que me olhou de cima a baixo e fez uma careta.
—O que foi? –perguntei me analisando também. Não estava descabelada. Estava com um short jeans azul escuro e biquíni branco, tinha ido à praia mais cedo.
—Veste pelo menos uma blusa. –ele me jogou uma camiseta branca e eu a vesti bufando.
—Ele não merece tudo isso. –falei me referindo ao nosso pai.
—Ele merece respeito apenas isso, por favor Mare! –ele pediu. Revirei os olhos e assenti.
Neste momento, todos os semideuses já tinham se agrupado de acordo com os olimpianos de quem eram filhos. Eu e Arthur ficamos em um canto da praia. Raven estava sozinha já que sua irmã -motivo da reunião feita pelos deuses aqui- havia sido sequestrada. Vi de relance Bia e Jay se posicionarem próximos a nós. Todos os filhos dos três grandes deram um passo a frente ficando alinhados um pouco a frente dos demais.
POV JAMES
Era incrível como seus muros caíam comigo, isso era ótimo claro. Apesar dessa ver ter sido mais fácil, não acho que da próxima ela ia aceitar tão facilmente. Me alinhei aos demais filhos dos três grandes e esperamos por nossos pais, ainda era duvidoso para mim que Zeus realmente viria.
O primeiro a chegar foi Hades, ele portava uma expressão de leve preocupação. Apertou a mão de Raven respeitosamente, eles pareciam não serem muitos próximos apesar de ser sua filha favorita. Quando cornetas foram soadas indicando a chegada de Poseidon vi Mareena revirar os olhos, sabia que sua relação com o pai não era muito boa. Poseidon emergiu do mar e foi até seus filhos, apertou a mão de Arthur e com um aceno que foi retribuído com igual descaso cumprimentou Mare.
Olhando-os mal reparei quando a corneta voltou a soar anunciando a chegada do meu pai, percebi que Bia ficou tensa e apertei sua mão para lhe dar algum conforto, ela a apertou de volta. Raios e trovões ribombaram no céu. Zeus chegou e nem se deu ao trabalho de nos cumprimentar, saiu andando apressadamente em direção à Casa-grande e foi seguido pelos outros. Por um lado me senti aliviado, não queria falar com ele. Por outro fiquei com raiva, qualquer cumprimento é melhor do que nada, é como se para ele nós nem existíssemos.
Precisava esfriar minha cabeça então avisei a minha irmã que iria sair um pouco mas logo voltaria. Dei impulso e comecei a voar sem rumo, o vento batendo em meu rosto me ajudou a pensar.
POV MAX
Enquanto os deuses se dirigiam à Casa-grande para a tal reunião, nós campistas voltamos as nossas atividades normais. Já estava anoitecendo mas eu não conseguia tirar da minha cabeça o rosto e as lágrimas de Bia. Essa garota mexeu comigo, eu achei que ficando com outra eu poderia esquecê-la mas tudo só piorou. Eu gosto dela, me apaixonei, e fiz merda. Não devia tê-la tratado assim, queria pedir desculpa mas o orgulho era maior. Fui para o meu chalé tomar um banho e tentar esquecê-la.
Me vesti e fui para o refeitório que estava bem barulhento por sinal, todos conversavam sobre a visita dos deuses, parece que nem todos sabiam do sumiço da irmã de Raven, Karen Di Angelo. As duas, pelo o que haviam me contado, não eram irmãs de sangue e não se davam muito bem. Raven Hells era a favorita do pai, viver na sombra da irmã deve dar inveja, pensei. Me sentei e comecei a comer enquanto olhava para as mesas a minha volta.
Raven gritava com alguns filhos de Hermes mas estava na mesa sozinha, Mare e Arthur discutiam entre si, e Bia e Jay comiam em silêncio, ambos pensativos. Quando acabamos, fomos todos para perto da fogueira pois os deuses iam explicar sobre a missão que estava por vir, torcia para ser escalado.
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