Durma Bem, Ludwig.
1 Capitulo Único
Notas iniciais
_Então, qual é o seu nome mesmo? – Eu perguntei meio desajeitado já que não conseguia conversar com crianças.
_Ludwig. – Disse ele, se ajeitando na cadeira grande para ele, e olhando para o prato vazio em sua frente com as bochechas coradas.
_Então Ludwig, você deve ficar feliz! Fui eu quem te achei e agora você vai ter um sobrenome incrível! – Disse animado como sempre, tentando fazer o garoto ficar um pouco feliz e esquecer que foi encontrado na rua.
Ele abriu um sorriso sem mostrar os dentes, e desviou o olhar, acho que ele ficou chateado de novo.
_Qual a comida que você mais gosta, West? – Levantei da mesa enquanto falava.
_Acho que... Hum... – Ele fez um biquinho na pausa, que amoleceria qualquer machão. Ele era tão fofo. – Batata!
_Vou fazer algumas batatas para você, batatas incríveis! – Sai rindo para a cozinha e ele se levantou e me seguiu.
_Como são batatas incríveis? – Ele parecia muito curioso sobre tudo, como no primeiro dia em que eu o achei, ele simplesmente não parava de perguntar como as coisas eram criadas, e ele adorava perguntar sobre as engrenagens dos carros, apesar de ter sido um tanto irritante, eu fiquei feliz por ele ter parado de chorar. Eu mostrei a esse garoto um lado meu que pouquíssimas pessoas já viram, um lado não tão incrível, um lado que chorou.
_As batatas incríveis são feitas por mim – Fiz uma pausa, abrindo a geladeira e pegando algumas batatas. – E NÃO são batatas albinas, são batatas frescas e deliciosas. – Eu
_Mas não existem batatas albinas... – Ele disse balançando-se nas pontas dos pés e eu lhe dei uma boa olhada.
_West! Eu estou tentando te mostrar como faz batatas albinas, você devia estar agradecido! – Continuei a descascar aquelas batatas, me perdendo em meus pensamentos, que foram cortados pelo loirinho.
_Desculpa... – Ele parou de se mexer e olhou para baixo, parecendo desapontado.
Oh Gilbert, você só faz merda mesmo eim? Me virei para o garoto, tentando não parecer menos incrível.
_Ei, relaxa West, estou zoando com você...
_Mesmo? E ei, por que você me chama de West? – Aqueles olhos curiosos e entretidos me olhavam novamente.
_Sim, é, eu nunca minto e é porque eu te encontrei no oeste da Alemanha, e eu moro no leste... Acho que você é muito novo para saber essas coisas. – Eu terminei de cortar uma das batatas, e coloquei numa panela cheia de água. A verdade é que eu não sabia o que eu estava fazendo, mas vi algumas vezes a Elizabeta fazendo isso.
_Não, eu sei! Eu aprendi isso com abússola, quevem doitalianobussola, que significa “pequena caixa”... – Ih, ele começou a explicar as coisas que ele sabe de novo. Quando começa nunca mais para. Revirei os olhos sem que ele percebesse e me virei para ele.
_E como é que você sabe disso, senhorzinho?
_Eu... Eu não sei... – Ele disse lentamente, levando uma das mãos a cabeça.
_E-ei, garoto, você está bem? – Me agachei para ver o rosto dele ele melhor e o garoto simplesmente tombou, mas antes dele cair eu consegui o segurar.
Olhei o rosto dele, e ele parecia inconsciente, o deitei no chão (Me segurando para não gritas histericamente) e lavei minhas mãos, levando alguns pingos ao rosto dele, não recebendo nenhuma resposta.
_Oh droga, droga, droga... Bússolas amaldiçoadas! – Fui correndo em direção ao telefone na parede da cozinha, e disquei para o Roderich, com certeza ele saberia o que fazer, ele sempre sabe.
_Gilbert! – Ele quase gritou no telefone – Eu já lhe disse que não quero – Ele provavelmente ia brigar comigo por encher o saco dele pela milésima vez no dia, mas eu o cortei, gritando, gritando desesperadamente.
_Me ajuda, caralho! – Gilbert, se acalma, se acalma, pessoas incríveis não piram.
_A-ahm? O que houve? Por favor, mantenha a calma – Ele disse politicamente correto, como sempre. Cara, isso me irrita tanto.
_O garoto desmaiou!
_O que? Você fez o que para ele?! – Ah, pronto, agora ele ia botar a culpa em mim. – Você deu drogas a ele Gilbert?!
_Olha, eu não fiz nada! Eu nem uso drogas! Foi só uma vez... E eu estava com o Tim, e eu nunca faria isso com o garoto! Por favor, me ajuda. – Ok, agora eu havia chegado ao meu ponto máximo de humilhação por esse garoto.
_... Tudo bem – Ele soltou um longo suspiro — eu te ajudo. Tente checar o pulso dele.
_Ok, ok! — Segurei o telefone entre meu ombro e minha cabeça, segurando o pulso do garoto, sentindo o fraco batimento. – Parece normal.
_Hum... Entendo, pelo que você me contou parece que ele teve um choque pós traumático e precisa de um pouco de repouso.
_Certo.
_E você está dando comida para ele? – Ele disse em tom ultra interrogatório.
_Sim, é claro! Comemos pizza ontem, ele ficou todo esquisitão com a pizza, tinha ficado tonto também. – Cocei a cabeça, tentando entender e falhando.
_Oh, certo, creio que você deve dar uma maneirada nas coisas gorduras, uma sopa seria uma boa ideia, eu posso pedir para a Eli – O cortei novamente, não, pelo amor, não comece a falar da Eliza como se vocês dois realmente se amassem.
Vamos dar uma pausa aqui que eu vou explicar a merda para você. Roda o flashback ae!
Eu estava na faculdade de música, eu queria muito ser músico, mas não esse tipo de músico careta, eu queria ser um músico que faz o quer tá entendendo? Um músico de verdade, que não faz só música bonitinha, que mostra ao mundo para o que veio a terra. Eu queria mostrar além de disso, eu queria mostrar a minha ideia de muito perfeito, mostrar para as pessoas o meu reino! Mas nada disso aconteceu, a faculdade era uma merda e não era como eu imaginava. E foi lá que eu conheci um monte de mesquinhos que só queriam mostrar que era melhores que os outros. A única coisa que valeu a pena eu ter entrado na faculdade foi... Elizabeta. A morena mais linda de toda a faculdade, não só a morena, a mulher mais bonita de toda a faculdade, não, melhor, a mulher mais bonita do universo! Ela era líder de torcida, eu comecei a gostar de esportes por causa dela, cara, eu acho que ficava com uma ereção só de imaginar em ver ela com aquela sainha. Enfim, só que a merda não foi só eu ter achado ela gostosa, eu me apaixonei, me apaixonei perdidamente, me apaixonei bestamente mesmo. Eu faria qualquer coisa por aquela mulher, apesar de ser incrível ela nem olhava pra mim, passava direto. Eu tentava fazer ela me ver, mas ela nunca me via, tudo que via era um pervertido, que eu não sou! Não é minha culpa se as garotas se esfregavam em mim. Esse é um dos meus pontos fracos, mulheres. Bom, ai o outro cara, o Roderich, que era meu colega de sala, começou a ser gentil com ela, e ela se derreteu, quer dizer, foi só ele tocar aquela droga daquele piano e ela se entregou totalmente... Ele pediu ela em noivado sem nem terem namorado! E agora eles são casados. Ai eu larguei da faculdade e taquei o foda-se, é pois é. Agora voltando, antes que o moleque morra.
_Não precisa. – Fui grosso com ele – Eu tenho sopa instantânea aqui, eu dou jeito, obrigado. – Desliguei o telefone na cara dele, provavelmente foi uma decisão precipitada, mas eu aguento isso há anos. A imagem dele com ela me dá nojo, repulsa. Ele não ama ela como eu amo. É melhor eu parar de lembrar isso, ou eu começo a mostrar o lado não tão incrível, aquele lado que chora.
Peguei o garoto no colo com cuidado e o levei até o meu quarto, o colocando na minha cama e o cobrindo com o cobertor. Sentei ao lado dele na cama, olhando seu rosto corado. Digam o que quiser, esse garoto é a minha cara, quase é um albino. Abri um sorriso de pensar em como as coisas acontecem rápido, e mudam a nossa vida completamente, beijei a testa dele. Como esse garoto, tão frágil e educado... Me conquistou em um dia? Sério, eu me sinto como um pai. É um sentimento tão forte, eu nunca quis tanto o bem de ninguém desse jeito, eu sinto como se eu pudesse dar a minha vida por esse garoto sem pensar duas vezes.
_Durma bem, Ludwig...
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