Notas iniciais
Depois de dois capítulos atrasados, resolvi postar um adiantado aeaeae q
Essa música (Kerli again) (Kerli virou farofa mas as músicas antigas ainda têm o meu amor u-u) é muito minha.
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É, esse é o capítulo fatídico. FATÍDICO MESMO.
Continuando o salmo:
Pela terceira vez, NÃO ESTOU COLOCANDO LENHA NA FOGUEIRA. De nada adianta MESMO dizer que esse acontecimento estava planejado antes mesmo de eu terminar GF, que foi uma das primeiras coisas que eu estruturei logo que decidi que faria uma continuação.
Eu apenas escrevi. Inocentemente. Não tenho a menor intenção de dar uma bela chinelada na cara de ninguém. Quando eu pensei em me censurar, fui pedir conselho pra uma amiga e ela me disse que eu não devia fazer isso. Que isso apenas reflete os meus sentimentos e algo que eu quero no fundo. O desenrolar da história vai mostrar.
Abre parêntese: considere-se também que a história aqui apresentada é COMPLETAMENTE DISTINTA da situação externa. Fecha parêntese.
Será que eu tenho mesmo o direito de me expressar sem ser acusada de herege ou de bruxa?
Vamos ver.
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Por enquanto, Enjoy (:

Qual caminho eu deveria estar seguindo?
E há alguém cuidando?
Quando eu vou saber se venci?
Estarei olhando para trás em meio a risos?
Não sei se eu estou só começando
E qual é a minha missão, quem é o meu salvador
E se pudéssemos sentir o poder?
E se venerássemos a grosseria?
Quando atingirmos a hora mais escura
Talvez ele esteja por perto
Mission — Kerli

*-*-*-*-*

— Se todos os interessados estão presentes, demos início à audiência referente à guarda do menor Lucas Albuquerque.

Como fui a primeira a receber a palavra, e após prestar juramento, comecei o meu relato:

— Engravidei deste senhor Allan Mangueira Russo quando tínhamos algum tempo de namoro. Antes disso, ele era todo amores e carinhos; mas ao receber a notícia de que eu estava esperando um filho, tornou-se outra pessoa. Imediatamente renegou a existência da criança que nem havia nascido, chegando a sugerir que eu a abortasse. Como não concordasse com a ideia, eu o repeli. Então ele declarou claramente que eu nunca esperasse nada que viesse de sua pessoa para este filho. Aceitando a condição, cortei todos os laços com o senhor Allan Mangueira Russo, continuei a minha gravidez e tive o meu filho, no qual, aliás, não coloquei o sobrenome paterno e sequer o registrei no nome de Allan, isentando-o, segundo a sua própria vontade, de quaisquer obrigações legais para com a criança. Algum tempo depois, voltou a me contatar, pedindo o número de uma conta bancária na qual pudesse depositar uma quantia em dinheiro para o menor. Concordei a fim de evitar desavenças, embora queira deixar claro que Lucas e eu nunca precisamos da chamada “ajuda financeira” oferecida pelo requerente. Tudo o que recebo proveniente deste senhor vai direto para uma previdência destinada a custear os estudos da criança futuramente. Tenho casa própria, carro regularizado, investimentos imobiliários, emprego fixo e visto de trabalho para entrar na Alemanha. O menor está matriculado e frequenta a escola, e durante as férias, quando estou trabalhando, pago uma pessoa responsável e de confiança para que tome conta dele. – pausa. – Gostaria de acrescentar que, não muito tempo depois de ter renegado o filho, o requerente casou-se com uma mulher mais velha que ele e que tem uma filha já adolescente, sem mencionar que está grávida. Com essa afirmação, encerro o meu depoimento e passo a palavra à minha advogada, Dra. Thalita Mendes.

— Como os senhores podem ver, a partir do depoimento da minha cliente, esta corte não tem o menor motivo para tirar a guarda do menor Lucas Albuquerque da mãe para entregá-la ao senhor Allan Mangueira Russo. Primeiramente, por não ter nenhum vínculo legal entre ambos; pode ser que um teste de DNA confirme a paternidade, mas creio que este procedimento seja para nós desnecessário. Minha cliente tem uma situação confortável e nunca deixou que nada faltasse ao menor.

Após fazer algumas anotações, a juíza concedeu a palavra a Allan, que não podia deixar de fazer um drama patético:

— Eu alego, Meritíssima, que a requerida aqui presente nunca sequer me deu o menor direito sobre o meu filho. Por conta disso, pelo bem da criança, reservei-me no direito de acompanhar o crescimento dele de longe, ideia esta que só me ocorreu recentemente. Sim, eu contratei um investigador particular a fim de obter um relatório a respeito da criação que o menor recebe; e recentemente, ao tomar ciência de certos fatos, fiquei tão escandalizado a ponto de requerer a guarda do menor. Eu prefiro que a minha advogada, Dra. Isadora Correia, relate esses fatos, mas faço questão de ressaltar o quanto me preocupo com a educação de Lucas Albuquerque. Ouso alegar que a senhorita Maria Eurídice Garcia Albuquerque Duarte isentou-me de responsabilidades legais sobre a criança por pura birra; sim, apenas porque, confesso, me alterei na hora em que recebi a notícia de que ela esperava um filho. Nego todas as acusações que faz. Além do mais, sabe-se que ela depende de medicamentos psiquiátricos para manter a sanidade; então, não consigo sentir-me calmo sabendo que o meu filho vive sob os cuidados de uma mãe com distúrbios psicológicos.

Não aguentando mais tanta palhaçada, fiz sinal à minha advogada, que emitiu protesto. A juíza aceitou.

— Temos aqui um laudo comprovante de que a minha cliente já precisou, sim, de um medicamento psiquiátrico, mas que foi administrado sob supervisão adequada e cujo uso não continuou por mais de oito meses. Isto ocorreu devido a um forte abalo emocional que nada teve a ver com a criança, e entretanto a educação do menor nada sofreu por causa deste episódio.

— Muito bem, esta alegação da parte da requerida, sob provas, é considerada. – disse a juíza. – Cuidado com o que o senhor coloca em seu depoimento, Sr. Allan, render informações falsas sob juramento, além de descontar pontos à sua causa, é considerado crime. Algo mais que o senhor queira expor?

— Não, Meritíssima. Nada mais. – ele respondeu murchando na cadeira. – Passo a palavra à minha advogada representante, Dra. Isadora Correia.

— Meritíssima – a advogadinha dele começou. – Segundo o relatório solicitado pelo meu cliente, a requerida viajou para o exterior duas vezes no último semestre. Na primeira vez, deixou o menor aos cuidados de sabe-se lá quem para fazer sabe-se lá o quê na Alemanha. Na segunda vez, levou a criança; pelo que consta, passando grande parte de sua estadia no mesmo país com uma personalidade tão extraordinária que não haveria aqui ninguém crente de sua identidade se a mencionássemos. Tanto que até mesmo o investigador contratado pelo meu cliente, o requerente, preferiu deixar incógnito. Este senhor também informou-lhe recentemente de que esta mesma pessoa não só está no Brasil e hospedada na casa da requerida, como ouso supor que esteja agora responsável pelo menor Lucas Albuquerque.

— Maria, quem diabos você enfiou dentro de casa? – Allan interrompeu.

— Senhor Allan, controle-se; não apodere-se do direito de falar quando não estiver concedido. Respeite esta corte.

Ele murchou na cadeira novamente.

— Vossa Excelentíssima me concede o direito de responder tão fervorosa pergunta? – pedi. Como a juíza assentisse, continuei: — Creio que não é de sua importância, Sr. Allan Mangueira Russo, quem eu hospedo em minha casa. E vou concordar com a doutora, preferindo deixar sua identidade incógnita, pois a corte não creria em tal fato e eu prezo pela integridade do meu hóspede. – pausa. – E se posso aproveitar a palavra, reconsidero tudo o que citei em meu depoimento e alego que o único fato verídico na declaração do requerente é a contratação de um investigador para nos vigiar. Tudo o mais é puro melodrama e tentativas baixas de convencimento emocional de Sua Excelência.

Sua Excelência fez algumas anotações e uma declaração:

— Declaro esta sessão encerrada. Retornamos em vinte minutos, para os depoimentos das testemunhas.

Saímos todos do tribunal. Caminhei até o lado de fora do fórum, a fim de respirar um ar menos denso, e Allan mal me viu com os pés na calçada, veio logo em minha direção, agarrou meu braço com força e cuspiu a pergunta:

— Quem é que tá na sua casa? Quem está tomando conta do pirralho? Responda! Eu exijo.

— Já disse que não é da sua conta. Você não vai ter nada de mim nem do meu filho. Se quer saber de alguma coisa, pergunte à minha advogada. Não vou lhe dar nenhuma informação a não ser lá dentro, na frente da juíza.

— Você não tem a menor chance nesse processo. Por que não desiste logo de uma vez e me entrega os pontos? Sua imbecil.

— Nunca. Toma cuidado, Allan, nós estamos na frente do fórum. Vamos ver o que as suas testemunhas têm a acrescentar.

— Quem tem que tomar cuidado aqui é você. Você não sabe do que eu sou capaz.

— Ah, sei sim. Você é capaz de muita baixeza. Você é um crápula. E eu não tenho medo. Você não vai encostar um dedo no meu filho. E me solta, meu braço vai ficar roxo.

Ele bufou em cima de mim e me largou, voltando para dentro do fórum, cínico.

MARIA OFF

Não soube o que dizer quando Maria declarou a confiança que tem em mim. Eu estava com uma sensação estranha, talvez um pressentimento; tentei não transmitir isso ao garoto depois que ela saiu, até porque ele sabia muito bem o que estava acontecendo. Não quis deixá-lo nervoso. Então eu resolvi abstrair um pouco:

— Hey, Lucas. Tem um videogame nessa casa?

— É claro. – respondeu.

Levou-me até o quarto e me apresentou o equipamento de realidade virtual de última geração que me chamou mais atenção do que a tevê de trinta e duas polegadas.

— Tá legal, acho que eu parei no tempo com essa coisa de videogame. Onde é que está o console e os joysticks, e... – brinquei.

— Joystick?! Que coisa do século passado! Podes crer que você parou no tempo.

— Eu sei, guri. Vai me explicar como isso funciona?

Ele desfiou uma série de histórias e regras e instruções e comandos que eu fiquei cansado só de ouvir. Mas me propus a experimentar a brincadeira.

— No tempo em que eu jogava videogame, tinha que soprar um cartucho, colocar no console e controlar o personagem do jogo com os botões de direção, A, B, E, X, Y e Z. E eu ficava sentado vidrado na televisão. Era tão mais prático e calmo...

— Pra mim isso que você tá falando é coisa da pré-História.

— Não sei não, essas coisas de super interatividade. Deus inventou o joystick pra gente ficar sentado.

Lucas caiu na risada e disse que ficou com vontade de tentar isso.

— Ok, agora liga isso aí e vamos ver se você é tão bom quanto diz – falei.

POV MARIA

De volta à sala. Foram chamadas primeiro as testemunhas que Allan trouxera – que, por Deus, não acrescentaram nada. Depois, eu trouxe a professora do Lucas do ano passado, uma colega de trabalho e a minha vizinha do lado para depor a meu favor. As coisas corriam sem nenhuma novidade quando, antes de terminar seu depoimento, D. Sílvia (minha vizinha) anunciou que tinha mais algo a acrescentar – e relatou o ocorrido na calçada do fórum, com Allan me ameaçando e tentando me extorquir informação. Fiquei surpresa, claro; não imaginava que alguém realmente podia ter visto aquilo, e corroborei tentando não alargar o sorriso nos lábios quando a juíza indagou-me se era verdade. Vi espuminha sair dos cantos da boca dele, a guerra instantânea de olhares que travamos transmitiu bem o meu recado, depois dessa ele se ferrou. Parabéns, idiota; só mais uma coisa pra acrescentar na lista e alimentar o energúmeno que você sempre foi.

Nem dez minutos depois do encerramento dos depoimentos das testemunhas, o júri anunciou que tinha um veredicto. Os membros transmitiram a decisão à Sua Excelência, que declarou:

— O júri declara que tomou como decisão manter a guarda do menor Lucas Albuquerque com a mãe, Srta. Maria Eurídice Garcia Albuquerque Duarte. Devido a fatos apresentados e comprovados, a ação de recorrência à guarda compartilhada solicitada pelo requerente foi negada, cabendo à requerida estabelecer regras quanto a visitas do pai. Esse veredicto é irrevogável e impassível de novo recurso. Declaro então a presente audiência encerrada. – e bateu o martelo.

Mal houve tempo para ele abrir a boca. E se abrisse, seria ainda pior pra ele.

Logo que saímos do fórum, fui tomar um café com minha advogada. Ganhei a causa, mas não fiquei satisfeita. Allan me pareceu tão fissurado em saber quem está na minha casa que é capaz de ir em pessoa ficar de butuca até Tom colocar o nariz para fora.

— Agora EU quero entrar com um processo pra impedir que aquele cretino chegue perto de mim e do meu filho num raio de um quilômetro. Me recuso a sair de casa paranoiando que tem alguém nos seguindo e a ficar acorrentada num lugar. Sempre fui e vim aonde e quando eu bem entendi e não vai ser agora que isso vai mudar!

— Providenciaremos, Maria; fica calma – disse ela.

— Não sei, Thalita. Preciso resolver isso de uma vez por todas. Eu não vou me sujeitar ao Allan só porque ele acha que tem algum direito.

— Concordo. Mas o que aconteceu na calçada do fórum, que a sua vizinha falou e acabou causando um rebuliço no julgamento?

— Ele veio me agarrar e cuspir veneninho no meu cangote. Exigiu que eu dissesse quem tá na minha casa, desse jeito.

— Bom, tem certas coisas que se evita discutir. Mas agora até eu estou curiosa; se me permite perguntar, quem afinal é o seu ilustre hóspede?

— Não me entenda mal, mas eu realmente prefiro ocultar a identidade dele. Digamos que é... um velho amigo.

Bati a porta de propósito para chamar a atenção de quem estava em casa. Funcionou. Em cinco segundos os dois apareceram na sala esbaforidos com cara de ponto de interrogação.

— E aí? – perguntou Tom.

— Vem cá, filho – chamei, me agachando, e abraçando-o quando Lucas chegou a mim. – Eu te disse que não deixaria ninguém te tirar de mim. Ganhamos, filho.

— É mesmo, mãe?

— É sim, meu amor. Ainda não morreu quem na próxima vida vai ser capaz de separar a gente. – levantei-me e olhei pro Tom. – Vem cá você agora. Nós ganhamos.

Ele sorriu e me abraçou. Fomos os três para a cozinha, preparei um mate pra tomar e, quando ofereci, Tom resolveu experimentar.

— Mas e então, Tom. Vou inflar o teu ego. Que diria você se eu lhe comunicasse que a tua pessoa foi deveras citada na audiência?

Só faltou ele cuspir a bebida – não por ter achado ruim, mas pela surpresa causada pela informação:

— Como é que é??!

Notas finais
Não tem muito o que comentar desse capítulo.
Curi #01: Esclarecendo a possível pergunta, nunca estive do lado de dentro de um fórum pra narrar a cena assim. Novelas serviram de algo nesse caso. Hahaha
Curi #02: "Deus inventou o joystick pra gente ficar sentado" é uma frase que um amigo meu disse uma vez. Fiquei meia hora rindo. Tive que espalhar a filosofia. Hahahaha
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Então... eu sei que eu tinha dito que ia contar quando foi que a Maria se apaixonou pelo Bill nesse capítulo, mas aí eu fiz uns negócios e tenho que terminar, então decidi adiar pro próximo. Hehehehe
Até semana que vem! :*