Durante as aulas...
13 As provas do tédio
Notas iniciais
Quase toda prova de bloco era assim: um tédio massacrante.
As provas de bloco, como eram chamadas, consistiam basicamente em 10 ou 15 perguntas, dependendo da matéria, onde os alunos deviam de marcar V para as verdadeiras e F para as falsas, ocorriam toda segunda-feira nos dois primeiros horários e influenciavam em uma boa parte da nota, o que supostamente deveria de forçar os alunos a estudarem pelo menos um pouco para elas. Supostamente.
A verdade era que muitos poucos davam alguma importância para essas provas apesar do peso que tinham na nota final, tanto que muitos ficavam na recuperação só por causa delas, assim como muitos se salvavam por causa delas. Mas era só V ou F. 50% de chances de errar e 50% de acertar. Era tão simples...
E por isso, os que não chutavam, colavam dos outros, pouco importando se a resposta era ou não confiável.
Havia dias que era fácil: o professor era meio interessado, não percebia e se percebia, não ligava. O importante era não virar bagunça. Mas tinha aqueles professores que se empenhavam em não deixar colar, trocando até alguns alunos de lugar. Trocas essas que podiam ser motivo de alegria para uns e tristeza para outros.
Antes da prova começar, todo o esquema já era montado: alunos e carteiras posicionadas estrategicamente, e não havia necessidade de escrever qualquer coisa nas mesas, o que sabiam tinha que bastar, e se não bastasse, ou iam de chute, ou iam de cola.
E assim as provas eram feitas rapidamente, sobrando um tempo considerável sem absolutamente nada para fazer, obrigando todos a tentar descobrir um meio de se distrair do longo período de tédio: alguns dormiam, outros rabiscavam a prova com coisas muitas vezes sem padrão de lógica, tinha aqueles que lixavam a unha, os que na falta de opção encaravam o nada fixamente (o que era um pouco medonho), e havia também os atrasados, que terminavam de passar as respostas a limpo para o gabarito de última hora, ou porque não sabiam o que chutar, ou porque faziam parte do pequeno grupo de alunos que levava a prova a sério.
Chutando ou não, sempre que batia o sinal que os libertava durante 20 minutos, todos saiam da sala com sensação de que estavam inegavelmente perdidos...
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