Notas iniciais
Boa leitura!

CAPÍTULO 2

2 meses e duas semanas depois:

Las Vegas.

Os peritos do laboratório de criminalística de Vegas estavam preocupados. Seu chefe ainda não dera as caras e não ligara para avisar que não apareceria. Catherine Willows distribuiu os casos e foi fazer uma visita ao supervisor desaparecido.

Ao chegar à casa de Grissom encontrou seu carro na garagem, mas a casa estava na penumbra. Tocou por uns 5 minutos e ele não atendeu. Aquilo foi suficiente para que Catherine se deixasse entrar na casa com a chave que tirara do escritório do supervisor.

Entrando na sala ela pode ver a garrafa solitária de Jack Daniels em cima da mesa. O copo que deveria ter sido usado desaparecido. O cheiro forte de álcool tomava a sala, indicando algum acidente. Ao entrar mais no cômodo poder ouvir o rosnar de um cachorro. Hank se aproximava dela cautelosamente. Quando reconheceu o intruso, porém, relaxou. Em vez de seguir para cumprimentá-la como geralmente fazia, o cachorro voltou para o corredor, o que Catherine achou estranho. Seguiu o bicho na direção que sabia ficar o quarto de seu amigo. Reparou também em vestígios de sangue e seu coração acelerou. Apertou o passo e, sem bater na porta, entrou no quarto principal.

Havia duas formas na cama, uma pequena e a outra maior. A última roncava alto. Aliviada, Catherine foi até o seu amigo e acendeu a lâmpada que ficava no criado mudo. Gil não acordou, e a loira pode reparar melhor nele. Sua mão direita estava enfaixada, mal e porcamente. Catherine imaginou que isso fora resultado de mais uma explosão de temperamento. Desde que Sara partira ele ficara mais suscetível a ataques de fúria.

–Ah, Gil... o que você está fazendo consigo mesmo?

Gil resmungou alguma coisa em seu sono, mas não acordou. Foi quando a loira reparou em algo na mão que não estava enfaixada. Parecia um exame, mas de que tipo? Será que Gil descobriu uma doença fatal? Isso explicaria esse comportamento fora de norma dele. Com cuidado para não acordá-lo, ela se inclinou e tentou puxar o exame das mãos de Grissom. Mas o homem segurava naquele pedaço de papel com tanta força... ela tentou dar um puxão, e foi aí que Grissom acordou.

–Hã... Cath... — ele olhou, desorientado, a sua volta. Estava em casa... mas o que Catherine estaria fazendo ali... e mais importante, por que ela estava quase em cima dele? Foi quando ele se lembrou- Catherine! – ele puxou o documento com força e ralhou com a amiga- O que você pensa que está fazendo?!

–Gil... eu... estava... estou preocupada com você, não apareceu no trabalho, não ligou...aí eu chego aqui e encontro você desmaiado na cama!

Gil se sentou e massageou a cabeça. Estava começando a sentir uma dor insuportável, e precisava que Catherine fosse embora para continuar com seu plano.

–Agora que você já viu que estou bem pode sair.

–Nada disso, senhor! Ainda estou preocupada. Você não é de faltar o emprego para ficar em casa bebendo, Gil... Tem alguma coisa errada com você... Sabe desde que a Sara...

–Não me fale nela, Catherine! Por favor.

–É disso que estou falando, Gil. Você ainda não superou que ela te abandonou, e nem me parece que quer superar. Você está se entregando, Gil... Eu não gosto disso... e daí que perdeu uma mulher, tem mais delas da onde Sara veio... Engole essa e siga em frente, Gil, como o homem maduro que você é. Foi o que ela fez!

Gil não falou nada, só abaixou a cabeça e a apoiou nos braços. Ele não podia seguir em frente, não antes, quando ela era a vida dele, e muito menos agora, quando ele a ajudara a criar outra vida.

Como Gil não respondeu e nem fez menção de sair da cama, Catherine se pôs em ação. Ligou a luz do quarto e ia começar a arrumar o lugar quando viu no chão algo que não notou quando entrou. Uma mala cheia de roupas.

–Planejando ir a algum lugar, Gil?

–Sim...- ele se levantou e foi até onde Cath estava para pegar a mala- Não sei quanto tempo vou ficar fora- ele jogou o papel que ainda estava em sua mão dentro da bagagem e a fechou.

–Gil... por quê? Você não está doente, está?

Gil alçou a mala até a cama e riu:

–Não, minha amiga. Eu prometo que, embora não tenha ideia de quanto tempo vou demorar, eu volto para cá- ele disse isso olhando nos olhos dela.

–Vai atrás dela, não é?

–Sim.

–Pois não deveria.

–O que? Catherine, isso não é da sua conta!- Gil ficou furioso com a amiga. Achou que ela fosse o apoiar, pois sempre falava pra ele tirar a cabeça de dentro do microscópio.

–Gil... meu Deus... você já perdeu todas as suas chances. Aquela menina saiu daqui miserável! E você não podia fazer nada... você só faz se machucar guardando esse sentimento ai dentro... tem muito ressentimento entre vocês para qualquer coisa dar certo.

–Onde existe uma vontade, existe um jeito!- Gil estava decidido, teimoso. Ele não poderia deixar as palavras de Catherine o amedrontar de novo. Ele tinha muita coisa para perder agora. E muito mais para ganhar. Afinal, se Sara foi forte o suficiente para mandar para ele o envelope contendo o primeiro ultrassom do filho deles, isso quer dizer que, de algum jeito, ela queria que ele fizesse parte da família.

Gil tirou um pedido de licença indefinido e partiu num avião, indo atrás de seu coração, que deixara em São Francisco.

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São Francisco

Apartamento dos Sidle:

Sara estava lendo um livro sobre gravidez, enquanto passava a mão em sua barriga, ainda lisa.

Suspirou fundo, nunca pensou que sentiria algo tão forte por outro que não fosse Grissom. Mas esse ser, que nem pessoa era direito, já ocupara todo seu coração. Ela vivia num misto de felicidade e tristeza. Felicidade de ser mãe do filho do homem de seus sonhos. Tristeza de o homem de seus sonhos não dar a mínima para ela. Com a sorte dela, ela teria um menino com a cara do pai, que a faria se lembrar de Grissom todos os instantes de sua vida...”Deus, o que as mulheres Sidle fizeram para você para nos tratar desse jeito?”

Sara fechou o livro e olhou a seu redor. Desde que chegara a SF havia se mudado para o apartamento da mãe. O plano era conseguir voltar para o laboratório de criminalística da cidade, ou até mesmo visitar a sede do FBI. Quando estivesse mais estabelecida compraria algo só seu, mas perto de sua mãe.

Seus planos foram todos por água abaixo quando soube da gravidez. Ela sabia que o estresse de seu trabalho seria prejudicial ao bebê. E também que era uma profissão muito perigosa para se ter quando se é mãe solteira. Resolveu não voltar. Tentaria um mestrado na área de física. Enquanto isso arranjara um bico como professora substituta em uns colégios da área.

Sua mãe tinha uma loja de artigos Wicca, bem embaixo do apartamento onde morava. Sara ficou impressionada como essa loja fazia sucesso o suficiente para que sua mãe levasse uma boa vida. Ela prometera que ajudaria Sara e seu neto a se instalarem. Se fosse por ela, nunca passariam necessidade. Nem que para isso Laura tivesse que contrariar a filha para descobrir o pai da criança e o contatá-lo. Sua ideia era fazer com que o homem arcasse com pelo menos a pensão. Afinal, era ele o responsável pela vida de sua filha estar de pernas para o ar.