Dura realidade
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Laura estava na parte de trás da loja arrumando o inventário, quando ouviu a sineta tocar, avisando de novos clientes. Como estava sozinha se dirigiu até o balcão e, ao ver o bonito senhor a sua frente, sorriu:
–Boa tarde! Em que posso ajudá-lo?
–Ah... eu... estou procurando por Sara Sidle.
Laura gelou. Só poderia ser ele. Seus olhos e seu sorriso se fecharam em um semblante sério que arrepiou Gil até a alma.
Quando deu de cara com a loja pela primeira vez achou que tivesse errado o lugar. Não era nada a cara de Sara se enfiar em um lugar assim. Mas, meticuloso como era, ele tinha certeza que não errara ao anotar o endereço no qual encontraria sua família. Entrou a loja vazia de clientes, o que não o surpreendeu. Afinal, era um grupo seleto que faria compras ali. Localizando o galpão foi em direção a ele, pensando em pedir informações. Mas quando a figura apareceu Gil se sentiu aliviado. A sua frente deveria estar Laura Sidle. Sua Sara era a cara da mãe, sem tirar nem por. Seu alívio sumiu rapidamente ao notar a cara que a senhora fez ao deduzir quem ele era. ”Sara deve ter contado tudo a sua mãe... essa mulher deve me odiar, e com razão.”
–Gil Grissom, eu presumo?
–Sim... eu vim por...
–Não precisa se explicar- ela interrompeu rispidamente- Venha comigo.
Gil seguiu a senhora, pensando que ela o levaria até sua amada. Laura, no entanto, o havia levado para dentro da loja, no que Gil presumiu ser um escritório. Sentou-se numa cadeira e fez menção para que Grissom se acomodasse na outra. Quando ele o fez Laura começou.
–Vou falar sem rodeios, senhor Grissom. Você está aqui não porque Sara quer. Fui eu quem teve que convencê-la a enviar o ultrassom para o senhor- Laura sentiu prazer ao ver a cara de tristeza do homem ao descobrir que não partira de Sara a ideia de contatá-lo- Nas palavras dela “ela não poderia ligar menos para o que você acharia disso”. Infelizmente, para o senhor, minha filha quer criar o filho de vocês sozinha.- Laura viu o homem a sua frente desabar diante de seus olhos. Não aos prantos, acreditava que ele era homem demais para isso. Mas seus olhos agora estavam foscos, sem vida. Seus ombros caídos, derrotado.
–Então o que estou fazendo aqui?
–O senhor está aqui porque eu não concordo com o que ela quer. Não porque acho que é seu direito saber que tem um filho. Não, o senhor está aqui pois não acho justo que ela arque com as consequências sozinha. Até porque ela só está aonde está agora por culpa sua.
Gil engoliu em seco, mas não deixou seus olhos fugirem dos dela enquanto falava. Essa mulher, essa leoa a sua frente, queria somente defender a filha, e para isso o atacava. Ele não se deixaria ser intimidado por ela. Ele veio aqui com uma intenção e só sairia daqui quando tivesse alcançado seu objetivo, recuperar sua família.
–A senhora então quer me dizer que eu estou aqui para simplesmente arcar com os custos da gravidez e da vida da criança?
–Basicamente isso. O senhor só terá esse dever. Sobre conhecer a criança, imagino que isso somente quando minha filha permitir.
–Não. Eu não vou fazer isso.
–Senhor Grissom, sinto que não tenha muita escolha no assunto. Minha filha não queria ouvir falar de você nem pintado a ouro. Foi um custo conseguir que ela aceitasse que o senhor devia saber disso. E o senhor tem que respeitar isso, pela saúde do neném.
Grissom estava derrotado. Ele veio até SF achando que Sara precisava dele. Imaginou-se chegando lá para resgatar e protege-la. Levaria ela de volta para casa e daria tudo o que ela precisasse. Eles seriam uma família perfeita.
Agora, estava com o gosto amargo da derrota na boca. Ele prometera que não a faria sofrer, ainda mais agora que ela estava grávida. Estresse não era bom para seu filho. Então ele faria o que Laura mandasse. Ficaria ali para ajudar no que precisasse, sem se mostrar para Sara.
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Um dia desses, Gil estava na praia admirando as ondas. Sentia muito a falta disso em Vegas. Observava também as famílias que brincavam ali. Mãe, pai e filho, rindo juntos enquanto jogavam bola. O pai levantava seu menino no alto, e a gargalhada dele enchia o perito de um vazio, ao imaginar que talvez nunca fizesse parte da diversão de sua criança. Agora a imagem da família era substituída por outra... a mãe era Sara, o menino era um Grissom criança, e o pai... o pai era uma figura sem rosto. Um homem qualquer em seu lugar levando seu filho para passear... um homem qualquer se inclinando para beijar sua mulher... um homem que não era, nunca seria ele...Gil só seria um cheque anônimo depositado na conta de Laura...e ele estaria em Vegas, com seu cão,seus insetos, seu trabalho.
“Merda, será que a vida pode piorar?”
Seu celular tocou, anunciando que sim, a vida sempre pode piorar.
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–Mãe... chame... o Gil.
Foi a última frase que Laura ouviu de Sara antes de ser levada as pressas para a emergência.
Mais tarde, o doutor explicou para os parentes nervosos o que acontecera.A gravidez de Sara era de risco, e aparentemente a senhorita Sidle estava fazendo mais coisas do que devia. A pressão arterial de Sara subira, deixando a futura mamãe e o bebê muito nervosos. Se ela não se controlasse, poderia sofrer um aborto espontâneo.
Gil nunca estivera tão nervoso na vida. A possibilidade de perder seu filho, a única conexão que ainda tinha com Sara o fez perder o ar. Quando o médico explicou que ela já estava estabilizada Gil desabou. O medico permitiu que eles entrassem juntos no quarto dela. Pai e avó ficaram cada um de um lado da mamãe velando seu sono.
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Por ordens médicas, Gil e Sara não puderam discutir o que mais queriam. Como ficaria a situação deles, agora que Gil sabia? Sara tinha certeza de que Gil viera para S.F. na intenção de trazê-la de volta a Vegas. Ela queria dizer a Grissom que ele fizera uma viajem a toa. Não iria voltar para lá. Ela refizera sua vida em S.F. e não havia nada para ela em Vegas. Fazia até ideia dos argumentos que ele utilizaria. Ela ganhava pouco para sustentar a criança. Seu emprego temporário não lhe daria um plano de saúde. Depois de um tempo ela tiraria licença maternidade e só Deus sabia quando e se ela conseguiria um emprego depois. Isso porque ela estava muito atrasada para o mundo acadêmico. Teria que fazer cursos, se especializar novamente. Voltar para o CSI era algo que ela não mais queria.
Além disso tudo, sua mãe nunca poderia oferecer toda a segurança que Grissom oferecia. Com seu trabalho de supervisor e todas as regalias que ele desfrutava, se Sara fosse com Grissom receberia tudo do bom e do melhor. Sabia que o homem ganhava o suficiente para ela ficar sem trabalhar enquanto voltava a estudar. Sem contar que estar com Grissom era tudo o que ela mais queria. Até pouco tempo atrás. Agora ela o ressentia. Ele veio atrás do filho, não dela. Ele nunca a amou, então Sara não poderia aceitar a vida que Grissom oferecia. E foi isso que ela disse a ele.
Grissom, com muita raiva, saiu da casa de Sara batendo todas as portas. Ela só ficou sabendo dele mais tarde, quando o homem ligou já de Vegas. Ele avisou que não a importunaria sobre nada até que o bebe nascesse. Abriu uma conta poupança em nome de Sara, onde depositaria todo o dinheiro que seu filho necessitaria. Pediu que o avisasse de tudo que ocorresse durante a gravidez e falou que estaria lá para o parto.
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