Duque, o cachorro doido.

1 Eu sou Duque, o cachorro doido


Notas iniciais
Oiê.. Eu gostei tanto de uma história, de uma amiga minha daqui (Meu nervosinho) Do final da história, do gato Bartolomeu, os cachorrinhos Duque e Binho, Essa é história de Duque, nosso danadinho! Que pedi a autorização a autora ( minha amiga) pra fazer uma One shot de cada um dos bichinhos. Boa leitura!

P.O.V. Duque

A vida é uma maravilha de barulhos, cheiros e chinelos para desmembrar. Meu nome é Duque, e sou a criatura mais importante desta casa. Eu amo meus humanos: Shun (cheiro de graxa e aconchego), Hyoga (cheiro de menta e segurança) e Jabu (cheiro de aventura e petiscos). Jabu vem aqui em casa poucas vezes. E quando ele vem é acompanhado de Mime.

Eu sou um cachorro elétrico e danado, mas tenho meus princípios. Minha missão primária é proteger a matilha. E é por isso que minha vida se tornou um campo de batalha sempre que Mime aparece.

Mime, o ruivo.

Os meus humanos insistem que Mime é "bom" agora. Jabu até gosta da companhia dele; eles riem de coisas estúpidas e jogam bolas que eu deveria estar mordendo. Mime traz petiscos caros. Ele até me faz carinho na cabeça de vez em quando, e eu tenho que admitir, sua mão é surpreendentemente suave.

Mas eu não esqueço. Eu rosno para ele, eu mostro os dentes! Eu lembro que ele me colocou dentro de um armário, enquanto eu latia no escuro. Mas agora ele estava diferente, me trazia petiscos caros, e sempre tentava fazer carinho em mim, mas eu rosno…

Eu amava meu humano Shun, ele me fazia carinho, me abraçava e deixava eu dormir a noite na cama com ele. Eu tinha uma vida de Deus! Comia bem, e ainda recebia petiscos escondidos de Shun.

Meu humano Hyoga dizia que eu não podia comer certas coisas, e que fazia mal. E eu ia lá e comia os sapatos dele. Eu destruía as coisas: chinelos, sapatos, tênis... manchava o papel de parede de lama e lambia o chão quando Bartolomeu (o gato idiota), derrubava as panelas.

Eu tentava brincar com Bartolomeu, mas ele sempre me encarava com tédio. Me arranhava e bufava para mim. Ele era um gato estranho. Meus humanos chamavam ele de gato idiota, mas sempre riam das travessuras que ele fazia.

Eu amava passear no parque, mas como Binho usava uns negócios estranhos (rodinhas), ele não conseguia me acompanhar no meu ritmo. E meu humano Shun, sempre mantinha o ritmo para Binho não ficar para trás.

Eu me rolava na grama, pegava galhos e saía correndo. Shun se divertia, ele gargalhava me vendo correr.

A única vez que Shun ficou realmente bravo comigo foi no dia do Controle Remoto.

Eu estava em uma sessão de cabo de guerra. Não era um cabo de guerra comum, era um desafio épico de intelecto e força. Eu e Binho, a fera das três pernas, estávamos engajados. Eu puxava o objeto preto com todas as minhas forças, e Binho, preso àquelas rodinhas bobas, usava toda a sua energia para manter o controle (eu acho).

Crack!

O objeto preto se partiu no meio. O cheiro de plástico quebrado era intoxicante.

De repente, Shun parou de rir. Ele ficou sério. Aquele tom de voz grave que ele raramente usa.

— Duque! Não! Esse era o controle da TV!

Eu tentei explicar com lambidas frenéticas.

— Au-au! Au-au! (Tradução: Eu só estava brincando de cabo de guerra com Binho! Ele é forte! A culpa é do Binho! Não era um chinelo, era um brinquedo novo!)

Shun não ouviu. Ele pegou os pedaços quebrados e me colocou no chão com um suspiro pesado. Eu senti a dor da decepção. Fui para a minha cama, sentindo-me injustiçado.

Em busca de aventura e para provar meu valor, eu tomei uma decisão audaciosa: fugir.

Eu esperei o momento perfeito: a porta da frente ficou entreaberta quando o carteiro entregou uma conta. Eu me esgueirei, rápido como um raio. O mundo exterior! Tão cheio de cheiros de outros cães, postes para marcar e grama fresca!

Eu corri. Corri como se meus humanos estivessem me dando petiscos a cada metro. Eu sabia que Shun sentiria minha falta. Eu sabia que ele me procuraria. Eu só queria mostrar a ele que sou independente e que o mundo é meu parque de diversões.

Corri por três quarteirões, parando apenas para rolar em algo muito fedorento e delicioso. Eu estava livre!

Não demorou muito. Eu ouvi um som familiar: o assobio de Shun. Um assobio de preocupação, mas também de certeza. Ele sabia exatamente onde me encontrar.

Eu corri para ele, pulando em seus braços, lambendo suas lágrimas bobas de alívio. Eu o perdoei pelo incidente do controle.

(...)

Eu e Binho tínhamos um plano. Não para destruir, mas para reorganizar o quarto.

A cama de Shun e Hyoga era alta demais para mim. Um desafio. Mas Binho, o cãozinho esperto, era a chave. Ele é baixo e tem aquelas rodinhas firmes.

Eu dei a ideia a ele:

— Au! (Tradução: Me use de degrau!)

Binho me encarou com a sabedoria de quem já tinha visto demais. Ele se aproximou da cama. Eu saltei nas costas dele. As rodinhas de Binho tremeram, mas seguraram meu peso. De cima das costas de Binho, eu dei meu salto final: pulei na cama.

A cama era um ninho de travesseiros fofos. Meus inimigos!

Eu agarrei o primeiro travesseiro. Riiip! Plumas voaram como neve. Eu joguei o travesseiro rasgado no chão. Depois, o segundo. E o terceiro. Plumas por toda parte. Uma tempestade de neve branca e macia.

Binho, lá embaixo, estava latindo de emoção. Ele tentou subir, mas as rodinhas o traíram.

Shun e Hyoga voltaram e encontraram a cena: uma montanha de plumas, dois travesseiros destruídos no chão, e eu, Duque, deitado no meio da cama, ofegante e satisfeito.

Hyoga balançou a cabeça.

— Você está vendo? Eles são uma gangue. Um se esconde, o outro usa o colega para escalar.

Eu lambi meu focinho, cheio de plumas. Eu sou Duque. E, com Binho ao meu lado, somos a melhor e mais doida força da natureza.

(...)

Bartolomeu nunca queria brincar com a gente. Eu tentava chamar a atenção dele: latia, mostrava a língua, abanava o rabo com a força de um furacão. Mas ele parecia indiferente, sempre com aquela postura entediada, como se a vida de um gato no sofá fosse a coisa mais importante do universo.

— Grrr! (Tradução: Vamos, criatura! Destruição é um esporte de contato!) — Eu o chamei.

Binho, meu cúmplice de três pernas, tentou também, dando um latido agudo. Bartolomeu apenas se espreguiçou e bufou, como se o nosso ruído fosse ofensivo.

— Au-au! (Tradução: Ignora ele, Binho. Temos que provar que somos mais inteligentes. Vamos fazer um crime grande!)

Nós farejamos a cozinha. E então, Binho notou. A Porta da Geladeira.

Hyoga, o humano distraído, havia deixado a porta da geladeira entreaberta. Não muito, mas o suficiente para que o cheiro do Tesouro Supremo vazasse.

Eu e Binho nos encaramos. Nossos rabos começaram a balançar em sincronia, a excitação era palpável. O gelo na porta não era um obstáculo. Era uma escada.

Binho, com a estabilidade de sua cadeira de rodas e suas três patas, foi a base. Eu saltei nas costas dele e, dali, usei toda a minha força e unhas para puxar a porta mais.

CREEEEK!

A luz interna se acendeu, revelando o Baú do Tesouro.

Eu mergulhei de cabeça. A festa começou. Binho, lá embaixo, latia de alegria e tentava pegar os itens que eu jogava para ele.

Primeiro, a manteiga. Eu lamber! Miam!

Depois, uma embalagem de carne fria. Rasgar! Riiiiip!

Iogurte! Jogar no chão para Binho lamber!

A cozinha virou um campo de batalha de laticínios e embalagens plásticas. Nós estávamos no auge do nosso frenesi de destruição e sabor.

O barulho e o cheiro doce do caos finalmente chamaram a atenção do Entediado-em-Chefe.

Bartolomeu, que parecia estar em coma no sofá, finalmente demonstrou alguma reação. Ele se espreguiçou lentamente, desceu do sofá e caminhou com sua habitual postura de "eu sou superior".

Ele se aproximou da cozinha e parou na entrada, observando nossa obra de arte. Ele não rosnou, não bufou, nem tentou nos ignorar. Ele apenas... inspecionou.

— Miiiiau. (Tradução: Impressionante. Caos de qualidade. )

De repente, a porta da frente se abriu.

Shun e Hyoga entraram de mãos dadas, rindo e se beijando, completamente imersos em seu momento humano-grudento.

Eles pararam na porta da cozinha.

A cena era a seguinte:

A geladeira aberta.

Duque, com a cabeça dentro da geladeira, lambendo um pote de requeijão.

Binho, no chão, coberto de iogurte, tentando mastigar uma embalagem de queijo.

A cozinha coberta de manteiga, iogurte, e o chão escorregadio.

Bartolomeu, de pé, no meio da bagunça, com um olhar de juiz de arte.

O silêncio foi quebrado por uma risada alta e rouca de Hyoga.

— Ah, meu Deus! O que é isso?! — Hyoga gargalhou, abraçando Shun.

Shun balançou a cabeça, mas seus olhos brilhavam de diversão.

— Seu cachorro é doido, Shun.

Shun se virou para Hyoga, beijando-o suavemente, enquanto Bartolomeu se afastava da cena do crime e saltava para o criado-mudo.

— Nosso cachorro é doido, Hyoga. — Shun corrigiu, olhando para mim com puro amor, mesmo coberto de laticínios.

Eu abanei o rabo. Missão cumprida. O caos era a prova do nosso amor.

Eu sou um cachorro muito doido.


Você chegou ao fim do livro. Parabéns!