Dunyas eno Unyaah - O Rapto e A Viagem
10 CAPÍTULO 2 parte 3
Me sinto muito feliz, principalmente agora, depois de conversar com o Júlio. Creio que fiz um amigo na escola e também tenho um companheiro animal para me fazer companhia em casa. Mudei de ideia, vou comer.
— Vou jantar sim, mãe! – digo ao abrir a porta.
— Que bom! – ouço ela falar da cozinha.
Coloco o celular para abastecer a bateria, saio do quarto seguida pelo bichano.
Depois de alguns minutos, minha velha coloca o prato, contendo a comida, na minha frente e começo a degustar o alimento. De repente, quando estou na metade da refeição, sinto uma dor forte no estomago. Minha cabeça começa a rodar, um enjoo me pega, tenho que correr para o banheiro. É exatamente o que faço, porém um pouco cambaleante por causa da tontura.
— Sara! O que foi? – ouço minha velha gritar da cozinha, enquanto coloco toda a comida para fora na privada.
Ela empurra a porta que deixei entreaberta e segura meu cabelo para não sujar. Quando não há mais nada para sair, tento me levantar, mas minha cabeça não para de rodar, além de sentir uma fraqueza gigante nas minhas pernas me fazendo desistir na hora.
— Calma! Já vai passar. – declara minha velha, olho para ela e vejo preocupação em seu semblante.
Minha mãe me coloca em seu colo, permanece comigo no chão do banheiro por vários minutos que mais parecem horas, fazendo carinho no meu cabelo, cantando uma música em uma língua que nunca tinha ouvido antes. É tão bonita e calma. A melodia parece familiar, mas não lembro onde ouvi. Subitamente, sinto meu corpo flutuar e a neblina do sono me engole.
(***)
A escuridão parece que está se dissipando, lentamente, quando começo a ouvir vozes:
— Eu falei que você vai precisar de ajuda. – murmura uma voz desconhecida e melodiosa.
— Não preciso de ajuda de ninguém, principalmente dele. – é a voz da minha velha.
— Sempre quando eles completam dezesseis anos seus poderes vêm à tona e você vai precisar de ajuda. – a voz parece irritada – E você sabe que com ela será diferente.
— Talvez não. – minha mãe murmura, sua voz está estranha, parece que está triste.
— Cante novamente porque ela está acordando! – a voz estranha exclama mais irritada.
Ouço novamente a melodia e sinto a escuridão me puxando novamente.
(***)
— Sara. – ouço a voz da minha mãe muito longe – Sara, acorde. Está na hora de ir para a escola.
— Estou com sono. – resmungo com os olhos fechados, puxo a coberta cobrindo-me totalmente.
— Eu sei, mas você precisa ir. – ela passa a mão sobre minha cabeça, que está escondida.
— O que aconteceu ontem? – levanto o cobertor para fitá-la – Só me lembro de passar mal e depois você cantar para mim. Que música era aquela? E a letra? Que língua era? Também não me lembro de vir andando para a cama, como você me trouxe?
— Você não acha que é muito cedo para tantas perguntas? – ela se levanta da cama – Vamos logo ou vai chegar atrasada na escola. – e sai do meu quarto.
Minha velha sempre foge das minhas perguntas quando é sobre o meu pai, mas não vejo motivo algum para fugir dessas questões. Dou um longo suspiro e olho para janela, a luz do novo dia começa a adentrar o ambiente, mas está bem nublado. Creio que vai chover.
Me levanto, encaro meu reflexo no espelho e... Nossa! Estou parecendo mais fantasmagórica que nunca. As bochechas rosadas sumiram e meus olhos verdes estão mais claros. Hoje, vou ter que me esconder, talvez um casaco com capuz ajude.
Pego uma camiseta com o emblema do grupo 30 Seconds To Mars, visto uma calça jeans, coloco uma das várias blusas com capuz na cor preta e calço meu All Star. Arrumo minha mochila, pego meu celular e o headfone. Sigo para a sala e vejo que o gato está dormindo tranquilamente no sofá. Faço carinho no alto de sua cabeça fazendo-o olhar para mim e ronronar.
— Mãe, você não respondeu minhas perguntas. – deixo a mochila ao lado do gato, junto com meu celular e o headfone. Em seguida, me sento na mesa enquanto observo ela terminar de preparar o café.
— Não aconteceu nada demais, agora, coma. – coloca a garrafa de café sobre a mesa – Já arrumou um nome para o gato?
— Não. – respondo revirando os olhos, pois já sei que não vai falar nada do que quero saber.
— Que tal Rylo. – diz olhando para o gato com uma sobrancelha levantada.
— Rylo? – dirijo meu olhar para o gato, ele me encara como se entendesse o que falei, salta do sofá vindo parar no meu colo.
— Ele parece que gostou. – minha velha mostra um leve sorriso, em seguida volta para a cozinha.
— Está certo. Será Rylo. – faço carinho no bichano brevemente. Depois coloco o café no copo e bebo de uma vez. Em seguida, coloco mais café, pego um pão e passo geleia nele.
— Hum... vejo que está com fome hoje. – minha velha murmura com um grande sorriso, sentando-se de frente para mim.
— Sim. Acordei com muita fome.
— Que bom! Mais tarde, quando vier para casa, passa no mercado e compra ração para seu gato porque o leite que tinha ele já bebeu todo.
Ela se levanta, vai até seu quarto, pega a sua bolsa e retorna para a sala.
— Aqui está o dinheiro. – diz ao colocá-lo sobre a mesa – Outra coisa, você quer passar um pouco de maquiagem porque está mais branca do que de costume.
— Não. – respondo depois de engolir um pedaço de pão – Sabe que não gosto dessas coisas.
— Só um pouco de rouge nas bochechas? – ela pega sua maquiagem na bolsa.
— Não. – digo depois de engolir o último pedaço de pão e beber todo o conteúdo do copo – Olha a hora, já está tarde.
Levanto-me rapidamente antes que ela me obrigue colocar aquilo. Odeio esse negócio de maquiagem. A única vez que tentei usar, ficou coçando o tempo todo. Não quero mais isso.
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