Dunyas eno Unyaah - O Rapto e A Viagem
6 CAPÍTULO 1 parte 5
Notas iniciais
As duas últimas aulas são de biologia e o professor é um chato! Não deixa ninguém falar na aula dele, por isso Júlio e eu continuamos conversando através de bilhetes sobre assuntos variados.
Descobri que ele e seus amigos jogam no time de basquete da escola e as meninas no de vôlei. Pergunta se quero participar de algum desses esportes, digo que o único esporte que gosto é skate porque não dependo de ninguém, além de mim, é claro, para praticar.
Depois da aula, seguimos para a cantina da escola, devoramos lanche com refrigerante, em seguida vamos para a biblioteca. Ficamos por lá a tarde toda estudando para a prova de matemática. Eles comentam que temos trabalhos para entregar na próxima semana das disciplinas de geografia, história e sociologia. Por isso, me agregam no grupo deles para fazer esses trabalhos.
Como combinado, chego em casa às seis da tarde para não deixar minha velha brava. Ela costuma sair para o trabalho às seis e meia.
— E então? Como foi o primeiro dia na nova escola? – pergunta assim que coloco o skate atrás da porta de entrada.
— Foi legal. – tento disfarçar minha alegria ao olhar para ela, que está sentada em uma das cadeiras com o celular na mão.
— Foi legal? – franze o cenho, eis que ela abre um grande sorriso – Fez amigos?!
— Acho que sim. – não consigo conter o sorriso.
— Não falei! – se levanta e me abraça – Eu disse que ia conseguir fazer amigos! Agora, preciso ir. O jantar está na geladeira.
Ela me dá um beijo na testa, pega sua bolsa que estava sobre a mesa e sai.
Finalmente, sozinha! Coloco a mochila sobre a minha escrivaninha. O celular e o headfone deixo na minha cama depois de conectar o aparelho na tomada. Em seguida, vou para a cozinha, abro a geladeira e percebo que está abarrotada de frutas e outras coisas saborosas. Sabia que minha velha ia aproveitar para ir ao mercado. Ela sempre faz isso, e se por acaso não está nublado, sai à noite para completar a geladeira.
Pego uma das panelas e olho a comida dentro. É picadinho de carne com legumes. De repente, sinto meu estomago revirar com o cheiro da comida. Não sei o que está acontecendo comigo, mas, às vezes, me sinto enjoada ao sentir cheiro de comida, não é sempre, mas está ficando mais frequente nesse último mês.
Por causa do mal-estar, minha cabeça começa a latejar, por isso bebo logo um analgésico. Vou para o banheiro, tomo um banho demorado para tentar relaxar e, quem sabe, fazer a dor de cabeça passar. Logo depois de sair do banheiro, me visto, me deito e começo a jogar no celular até o sono chegar.
Exatamente duas horas depois de ter chegado em casa, Júlio puxa conversa comigo pelo Whatys.
"Oi. Td bem?
Oi. Está sim.
E vc?
Td bem tb!
Gostou do 1º dia de aula?
Gostei!
Vc e seus amigos são legais!
Que bom que gostou
Me diz
Como é sua família?
Não tenho família grande
Somos só eu e minha mãe.
E vcs se dão bem?
Não tenho o que reclamar.
A não ser a parte de ficar mudando
de cidade o tempo todo
E pq vcs ficam mudando sempre?
Coisas da cabeça da minha velha.
Olha, não tô me sentindo bem.
Podemos conversar amanhã?
O que vc tem?
Dor de cabeça
Precisa de alguma coisa?
Só de uma boa noite de sono
Blz
Amanhã a gente se fala.
Tá!
Até amanhã
Até!"
Coloco o celular em baixo do travesseiro e poucos minutos depois mergulho em sono profundo.
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