Dunyas eno Unyaah - O Rapto e A Viagem
4 CAPÍTULO 1 parte 3
Ao entrar, percebo que a escola é bem grande. Júlio me leva por um corredor largo e comprido onde ficam as salas de aula, depois passamos por um pátio em forma de um quadrado com vários bancos de concreto. Em seguida, passamos por um segundo prédio onde ficam os banheiros, um pequeno palco para apresentações, a cozinha e o refeitório.
Júlio me leva até a quadra de esportes que é coberta. Depois voltamos por outro prédio que ele diz ser onde fica a biblioteca, sala dos professores, da direção e a secretaria. Todos os locais possuem aparência de velhos, gastos e com várias pichações da molecada, inclusive com palavrões, mas, o que poderia se esperar de uma escola pública no Brasil?
Por todos os locais que passamos, ele cumprimenta um ou outro garoto, além de algumas garotas. Pelo jeito é popular. Ainda continua segurando minha mão e isso já está me incomodando. Não quero ser grosseira, mas... "Será que dá para largar a minha mão, cara", reflito, porém não faço nada.
Só me larga quando, finalmente, entramos na sala de aula. Ele cumprimenta dois garotos e duas meninas, em seguida me apresenta:
— Galera, essa é a Sara!
Uma menina loira platinada de olhos castanhos, traços finos, está lixando uma de suas garras. Olha para mim com desdém, depois volta a fazer o mesmo de antes apenas dizendo "oi".
— Não liga para ela, Sara! A Bianca é sempre assim! Só se interessa por suas unhas e sua beleza. – diz a outra garota que tem cabelo e olhos castanho, pele clara, lábios finos e o corpo um pouco acima do peso – Meu nome é Alessandra. – sorri para mim.
— E você, Alessandra, que só se interessa em saber qual vai ser o lanche do dia! – Bianca fala sem nem ao menos olhar para a outra garota.
— Essas meninas são loucas! Nem se importe muito com o que elas falam. – declara um dos garotos que tem cabelo cacheado, longo até o ombro e loiro, olhos azuis muito claros, da minha altura e de porte atlético – Meu nome é Gustavo.
— O meu é Fernando. – fala o outro menino que tem a aparência de ser descendente de índio, tão alto quanto o Júlio, magro e cabelo do mesmo tamanho que o do Gustavo.
Eu cumprimento a todos com um simples aceno de cabeça e um leve sorriso. Esse pessoal desta escola é mais acessível que os das outras. Por que será? Isso é muito estranho para mim.
— Bom dia! – diz uma mulher que acaba de entrar na sala, aparentando quarenta anos, baixinha, gordinha, pele clara, cabelo castanho escuro preso em um rabo de cavalo e usando óculos vermelhos.
— Venha! Sente-se ao meu lado. – Júlio me puxa pela mão, novamente, me levando para o fundo da sala – Essa é a Dona Shirley, nossa professora de matemática.
— Sério! – murmuro baixo – Em plena segunda-feira e a primeira aula é de matemática!
— A primeira e a segunda. Hoje só temos aula dupla. Depois te passo os horários. – ele se senta na última carteira, enquanto me ajeito na mesa ao lado – Mas você tem alguma coisa contra matemática?
— Eu odeio matemática. – tento falar o mais baixo possível.
— Não esquenta. Se tiver problemas com a matéria te ajudo. De qual você gosta? – ele fala bem perto de mim e o mais baixo possível.
— Tirando a parte da gramática, gosto muito de português, mais precisamente literatura.
— Que bom! Então, você pode me ajudar nessa matéria. – ele mostra seu sorriso lindo e sinto meu rosto pegando fogo – Por que ficou vermelha? – Júlio franze a testa.
— Vamos parar com o cochicho aí atrás! – a professora fala olhando para mim e meu rosto queima ainda mais.
Fale com o autor