Dungeoneer - Interativa

35 Vudu é pra jacu


Notas iniciais
Ideias que desisti de botar na fic por serem idiotas demais (1) Olá leitores. Eu sempre tenho muitas ideias que acabo colocando na fanfic, mas também tem outras que acabei desistindo por serem extremamente idiotas, e agora vou contar uma delas. Eu não sei se tem no Brasil todo, mas aqui no Rio de Janeiro existe o guaraná Dolly, que faz propagandas animadas com um mascote chamado Dollynho que tem um bordão "Sou Dollynho, seu amiguinho". Bem, em Dungeoneer, os heróis iam conhecer o Dollynho, que ia ajudar os aventureiros, porém em certo momento ele ia se apaixonar pela Loren e tentar matar o Sony. Essa foi uma das ideias mais bizarras que acabei desistindo de por pra frente. Agora chega de papo, se eu não me engano esse é o maior capítulo até agora. Boa leitura!

Sony estava correndo rumo à torre da cidade, seguindo a orientação do Kenta. Enfim, avistou o seu objetivo.

– Finalmente irei te enfrentar!

Ele continuou, até chegar à entrada, que estava cercada por hollows.

– Carne fresca – disse um dos monstros, babando.

– O rei não nos deixou comer todas as pessoas da cidade, dá uma dor no coração saber que tá cheio de humanos deliciosos no porão e não podemos tocá-los, você vai saciar nossa fome!

Sony não queria perder tempo com aqueles vermes, então rapidamente destruiu a todos eles, exceto um.

– Onde está o rei? – Sony perguntou ao sobrevivente, formando sua máscara logo em seguida.

– Vo... você é um mestiço?

– Não foi essa a minha pergunta, eu quero saber onde está o rei!

– No topo da torre, há uma escadaria lá dentro!

Após receber a informação, o Sony incorporado quebrou a máscara do inimigo com um soco, o fazendo desintegrar. Logo, ele ouviu passos apressados se aproximando dele e olhou para trás a fim de ver quem era.

– Sony! – gritou Hyugi, já recuperado.

– Esse é o namorado da loirinha gostosa? – estranhou Kenta.

– Quem você tá chamando de gostosa? – o meio-hollow rosnou.

– Calma, calma, é só maneira de dizer – Kenta se desculpou.

– Viemos te ajudar – disse Hyugi.

– Não preciso de ajuda, vou chutar a bunda daquele rei afrescalhado sozinho!

Nesse instante, ele abaixou a cabeça e começou a emitir barulhos estranhos.

– Me deixe sair, você não sou eu – ele disse com uma voz mais baixa e suave do que a de antes.

– Ele é doido assim mesmo? – Kenta perguntou pro Hyugi.

– Eu acho que ele está tentando voltar ao seu lado humano.

A dedução do Hyugi estava correta, logo o Sony voltou a sua expressão normal.

– Oi amigos, me perdoem se por acaso eu tenha tentado comer vocês.

– Fica de boa – disse Kenta.

– Viemos ajudá-lo a vencer o rei dos hollows – falou Hyugi.

– Eu acho que vocês deveriam se concentrar em libertar os reféns, o hollow que guardava a entrada disse que eles estão em um porão.

– Então vamos deixar de papo e entrar logo na torre – chamou Kenta.

Os três entraram na torre, que era cilíndrica e não muito grande. Lá dentro, puderam ver que havia uma escada que subia até o topo e outra que descia para o subsolo.

– Eu vou subir, por favor, desçam e ajudem os inocentes – disse Sony.

– Tá certo. Se cuida hein! – falou Hyugi, que então começou a descer as escadas junto com o Kenta, enquanto Sony subia rumo ao topo da torre.

A dupla que descia percebeu que a escadaria era muito grande e que provavelmente a parte subterrânea da torre era maior do que a parte descoberta.

– É muita raça de degrau – reclamou Hyugi.

– Cansou? Precisa de ajuda?

– Não, é que descer escadas sem enxergar é uma tarefa complicada, mas eu chego lá.

Mais alguns minutos e eles chegaram ao tal porão, que na verdade se tratava de uma masmorra. Havia várias selas lotadas com os reféns, e vários hollows os vigiavam.

– Sinto cheiro de humanos... e são machos – disse um dos hollows, farejando.

– Sinto cheiro de hollows podres, se são machos eu não tenho certeza – falou Kenta, farejando também.

– Que interessante, além da comida ser entregue em casa ainda faz piadas!

– Libertem logo esses inocentes, ou então eu, o grande herói Hyugi Hatori do planeta Terra vou punir vocês em nome da Lua!

Os hollows deram risadas e logo em seguida, atacaram. Os heróis abateram meia dúzia deles, porém ambos ficaram com alguns ferimentos, e ainda havia alguns monstros prontos para o combate.

– Droga, ainda tem muitos – reclamou Kenta.

– É verdade – Hyugi suspirou – mas vamos vencê-los e libertar os reféns, nem que seja a última coisa que iremos fazer nessa vida.

– Fale por você, eu ainda tenho muita coisa pra fazer nessa vida, ainda nem consegui chegar na Floresta das Amazonas – protestou Kenta.

A batalha continuou, e mesmo com dificuldade, nossos heróis venceram.

– Uhull, eles venceram! – comemoraram os prisioneiros.

– Me engravida Kenta! – gritou uma bela moça que estava em uma das celas.

Quando estavam se preparando para abrir as celas, os heróis ouviram um som de palmas, acompanhando de uma risada maléfica.

– Parabéns humanos, vocês aniquilaram uma horda de hollows inferiores, quer dizer que vocês são um pouco mais do que vermes, eu diria que estão no nível de baratas.

Quando procuraram pela voz, a dupla viu (na verdade, apenas o Kenta) um homem alto e magro, com longos cabelos lisos e portando uma espada tão esquisita que eu nem consigo descrevê-la.

– Tu fala muito e bate pouco, vamos acabar logo com isso porque eu tenho uma garota pra engravidar. Aliás, porque você, sendo um humano, está do lado dos hollows? – disse Kenta, já preparando suas correntes.

– Vai com calma, esse cara é diferente dos outros, você disse que ele parece um humano, mas o cheiro dele é parecido com o dos hollows, e o meu instinto de lutador está me dizendo que ele é muito poderoso, talvez mais do que o tio do Sony – advertiu Hyugi.

– Desde que ele não tenha tentáculos tô caindo pra dentro, Yahhh!

Kenta lançou suas correntes sobre o inimigo, porém antes de acertá-lo, uma sombra cobriu seu corpo e ele então desapareceu, fazendo os prisioneiros entrarem em desespero.

– Ele morreu? Não é isso, eu não sinto mais seu cheiro, ou mesmo sua presença, por acaso você o mandou para outra dimensão? – perguntou Hyugi.

– Vejo que você é mais esperto do que o seu parceiro. Sim, ele está em outra dimensão, mas não da forma que você imagina.

– Um território não é? O Sony me falou sobre isso.

– Aquele moleque deu com a língua nos dentes, mas era de se esperar, ele sempre foi mais próximo dos humanos do que do que dos hollows. Mas o grande culpado disso foi o pai dele, que foi engravidar uma humana, se ele queria dar uma metida nela tudo bem, eu também faço isso às vezes, mas formar família foi um erro terrível.

– Eu não entendo absolutamente nada sobre hollows, meio-hollows e mal sei sobre esse mundo que pra mim, é só um trampolim pra voltar ao meu verdadeiro lar, mas se o pai do Sony quis formar família com uma humana, você não deveria se meter!

– Há há há, além de humano é alienígena, te matar vai ser muito divertido, assim como foi divertido acabar com aquele hollow e sua esposa humana!

– Você está dizendo que...

– Isso mesmo, foi muito fácil me misturar a um grupo de caçadores de hollows, contar sobre aquela família bizarra e caçá-los como ratos. Sabia que isso me fez ganhar uma aposta?

Hyugi, sempre tão sereno, ficou com a face vermelha de ódio.

– Seu miserável, até você me falar disso eu sequer sabia os pais do Sony tinham sido assassinados, mas agora eu lutarei com todas as minhas forças para acabar com você, salvar o povo dessa cidade, vingar os pais do meu amigo, proteger o amor e a justiça...

Antes de terminar seu discurso, Hyugi foi coberto pela mesma sombra que envolveu o Kenta minutos antes.

*****

Após subir as escadas, Sony finalmente chegou ao topo da torre. Era um local feito de pedras, quase sem móveis, com várias armas penduradas nas paredes e algumas janelas, provavelmente se tratava de um posto de vigilância militar. Havia uma espécie de trono de madeira no centro, onde um homem de cabelos rosas e vestes brancas se encontrava sentado, segurando uma taça com algum líquido vermelho. Sim, era o rei dos hollows.

– Você demorou, achei que um dos grandes heróis que vieram do outro mundo chegaria mais rápido. E os outros, já morreram?

– Eu não sou um dos heróis do outro mundo. Nesse momento eles já devem estar indo para os templos, Zerus não conseguirá pará-los, estou certo disso.

– Oh, fui enganado, como estou chocado – disse o rei, ironicamente – tanto faz, o dia do alinhamento já deve ter passado e as rainhas mortinhas da silva.

– Mentiroso, só passaram dois dias desde que o cara do chapéu listrado previu o que faltavam vinte e um dias para o alinhamento, quer dizer que ainda temos... – Sony começou a contar com os dedos – dezenove dias.

– É mesmo? Você percebeu que toda a cidade está coberta por uma densa e persistente névoa?

Sony havia percebido a névoa desde que entrou na cidade, e começou a ficar preocupado com o que o rei queria dizer.

– Vou te explicar: eu consigo expandir o meu poder além do meu corpo, um raio de cinco quilômetros pra ser mais exato. Dentro do meu território, ou seja, nessa névoa, o tempo passa de uma forma diferente do que do lado de fora. Aqui, se passaram dois dias, lá fora podem ter se passado vários anos, entendeu ou quer que eu desenhe?

– Mas frustramos seus planos não é verdade? Vocês queriam prender os heróis nessa névoa até o alinhamento, mas não contava que quem viria até aqui não seriam eles. Quem sabe Zerus já esteja morto e as rainhas a salvo? Talvez os heróis já tenham até voltado para casa... – Sony não pode deixar de ficar triste em pensar na possibilidade dos seus amigos e, principalmente, da sua graaaaaande amiga terem partido.

– Duvido muito.

– Você sabe que eu estou certo. Se alguma das rainhas morrer antes do tempo, o mundo será destruído.

– Isso é o que as rainhas dizem. Escrituras, profecias, blá blá blá, eu sou um verdadeiro rei, governo os hollows devido à minha força e não simplesmente por ter saído de um útero ou saco considerado nobre. Mas um simples humano não entenderia...

– Simples humano?

Sony abriu um portal, entrou nele e em frações de segundos saiu atrás do rei. Ele deu um golpe de bastão na cabeça do homem, porém ele levantou rapidamente, de forma que o bastão bateu no trono que o rei estava sentado, o rachando ao meio.

– Hum, então quer dizer que você é aquele mestiço filho de um hollow com uma humana? Como você cresceu e ficou bonito, mas de qualquer forma é desprezível, eu tentei transformá-lo em um dos nossos, mas o que é um hollow que não come pessoas? Você deixou o seu tio muito decepcionado...

– Não fale no meu tio, por sua culpa ele está morto!

Sony ficou com o rosto pálido e olhar raivoso, porém não chegou a formar sua máscara. Assim, ele atacou o rei ferozmente.

*****

Era um lugar totalmente escuro. Kenta tentava se orientar, todavia não conseguia distinguir direita, esquerda, trás ou frente, ele nem mesmo tinha noção de cima e baixo. Enquanto tentava chegar a algum lugar, sentiu algo tocando o seu ombro, então armou suas correntes rapidamente.

– Calma, sou eu, o Hyugi!

– Ufa, que bom escutar alguma coisa. Como você veio parar aqui?

– Eu também fui capturado por aquela sombra sinistra.

– Que coisa, foi um milagre você ter me encontrado nesse vazio...

– Eu já estou acostumado, não é muito diferente da maneira como eu vivo. Agora temos que achar alguma saída.

Eles caminharam, caminharam, caminharam muito mesmo. Não havia mais noção de tempo, talvez tenham se passado minutos, talvez tenham sido dias.

– Que droga – Kenta começou a dar socos no vazio, em uma tentativa desesperada de quebrar alguma coisa e se libertar.

– Preciso fazer alguma coisa. O que meu mestre diria nessa hora? – pensou Hyugi.

Viajem na maionese on

Hyugi mais novo, com aproximadamente doze anos, se encontrava amarrado em uma piscina muito funda que estava sendo preenchida com água. O garoto tentava se manter calmo, mas quando a água atingiu o seu pescoço, ele começou a gritar.

– Mestre, mestre, me tira daqui, eu não quero morrer!

– Pense mais com a cabeça e menos com os músculos, que se tratando dos seus, são pequenos e flácidos – disse um velhinho que estava do lado de fora da piscina, conversando com ele.

– Mas senhor, eu só quero aprender a me defender, não preciso ser o melhor artista marcial do mundo. Me deixa sair – lágrimas começaram a rolar por seu rosto.

– Vou te dar uma chance de sair vivo. Quando estamos acuados, nosso instinto nos manda fugir ou atacar freneticamente. Em muitas situações, as duas opções são erradas, como a que você se encontra nesse momento. Não há como fugir, e seus braços machucados mostram que também é impossível arrebentar as cordas com sua força. Se não for possível quebrar o que te prende, tente rasgar.

– E se não der pra rasgar?

– Aí você morre. Vou lá dentro tomar um chá, volto em dez minutos.

– Mestre, mestre...

De nada adiantou os apelos do Hyugi, o idoso simplesmente se foi, enquanto o nível da água continuava subindo. O discípulo começou a pensar no que o mestre ensinou, então teve uma ideia, ele começou a raspar a corda na beirada da piscina. De fato, a corda começou a puir, e pouco antes de se afogar, ele conseguiu rasgá-la e então, ele escapou da morte certa.

Viajem na maionese off

Hyugi segurou firme sua espada, fez o ki fluir do seu corpo para a lâmina da mesma maneira que fez na luta contra o tio do Sony, de forma que ela começou a brilhar.

– Caraca ceguinho, sua espada tá brilhando... Ih, agora dá pra ver, tem uma parede ali no canto!

Hyugi, mesmo sem ver onde estava a tal parede, instintivamente a encontrou.

– Rasgar o que me prende... obrigado por quase me matar afogado, mestre!

Ele então deu um golpe de espada na parede, fazendo a lâmina rasgá-la como se fosse um pedaço de papel. Nesse instante, a escuridão se desfez, fazendo os heróis reaparecerem na masmorra onde estavam anteriormente.

– Uma espada que corta dimensões, isso pode ser um problema até para o rei – o hollow ficou analisando Hyugi – devo eliminá-los rapidamente.

O hollow com aparência humana bateu com sua arma no chão. Os heróis ficaram felizes, achando que ele tinha errado o ataque, mas em frações de sentiram a terra tremer e caíram ao chão.

– Agora vocês terão a honra de serem destruídos pelo grande Nnoitra!

– Quem, Noiva? – estranhou Kenta.

– Acho que ele disse Noutra – disse Hyugi.

– É Nnoitra!

Irritado, Noutra, quer dizer, Nnoitra, atacou Hyugi, que se encontrava caído. Para não ser golpeado, ele bloqueou o ataque do inimigo com sua própria espada, e o choque das duas armas fez saírem muitas faíscas.

– Hum, cristal de prata... só mesmo uma arma dessas para conseguir resistir à minha!

O vilão levantou novamente seu braço, e antes que atacasse novamente, as correntes do Kenta enrolaram o braço do hollow, o impedindo de se mover.

– Vai Hyugi, aproveita que ele que ele tá preso!

Hyugi entendeu o recado, então pulou para cima do inimigo, girou no ar e quando estava prestes a cortar o Nnoitra, foi atingido pó uma lâmina, caindo no chão cortado e sangrando. Ao mesmo tempo, Kenta também foi atingido por uma arma semelhante, ficando desnorteado e acabou soltando o hollow.

– Como isso aconteceu?

Os heróis não entenderam o que aconteceu, mas quando Kenta olhou para o inimigo, viu que ele agora possuía seis braços, e havia uma arma em cada uma das suas múltiplas mãos.

– Agora tamo fudido – disse Kenta.

Nnoitra atacou ferozmente, e os heróis já feridos e cansados, não conseguiam contra atacar, o máximo que eram capazes de fazer era fugir para não serem mortos.

– Humanos fracos seguidores de rainhas, achei que seria mais divertido lutar com vocês!

O vilão atacou os dois ao mesmo tempo. Hyugi usou novamente sua katana para bloquear o ataque, porém dessa vez, a potência do golpe do Noitra foi tão grande que o herói foi arremessado, batendo as costas nas grades que prendiam o povo de An Hava. Kenta também se defendeu com suas correntes, porém elas foram despedaçadas e ainda por cima, o rapaz foi atingido em cheio pela lâmina do inimigo.

– Kenta! – tanto Hyugi quanto os reféns se mostraram muito preocupados com o adorável pervertido.

– Tô vivo – ele acenou com o braço, embora estivesse muito ferido e sem conseguir levantar.

Hyugi levantou e começou a atacar o Noitra. Ambos ficaram trocando espadadas, mas o hollow estava visivelmente em vantagem e acabou acertando vários golpes no garoto, que caiu no chão todo ferrado.

– Só me fodo nessa merda! – Hyugi ainda estava consciente, apesar de não conseguir sequer se mover.

– Eu achei que essa batalha seria mais divertida, mas me enganei. Vou acabar logo com esses caras e depois vou subir pra assistir o rei matar com aquele mestiço.

Nnoitra já estava pronto para dar o golpe de misericórdia nos seus inimigos, porém nesse momento, viu o Kenta desaparecer diante dos seus olhos.

– Ficou com tanto medo que se escafedeu?

Nesse momento, Nnoitra tentou se mover porém não conseguiu, alguma coisa o prendia. Sem entender, ele tentava usar sua força para se livrar seja lá do que, e quando olhou para trás, viu Kenta o segurando na posição de encoxada.

– O que está fazendo aí humano? E de onde tirou essa força toda?

– Você quebrou minhas correntes, mas ainda tenho um último recurso, meus braços podem se tornar tão fortes quanto uma corrente indestrutível – ele deu uma pequena pausa – não usei esse poder antes porque existe um efeito colateral perigoso...

Nnoitra tentava se libertar e praguejava muito por não conseguir. Aquela situação já estava ficando ridícula, um sujeito com seis braços sendo encoxado por um com apenas dois braços, e tanto o hollow quanto o humano estavam paralizados.

– Hyugi, eu quando eu uso essa habilidade meu corpo trava, eu não vou conseguir vencê-lo! – gritou Kenta.

– Mas e seu eu te acertar... – Hyugi conseguiu levantar, porém estava hesitante.

– É, e se ele te acertar? – falou Noitra.

– Você acha que eu vou morrer assim? Acerta logo na cara dele ceguinho!

Hyugi correu, preparando seu ataque. Ao alcançar o inimigo, deu um único e certeiro ataque que atingiu a face de Noitra, partindo sua cabeça em duas. A espada, mesmo tendo perdido energia ao cortar o crânio do hollow, ainda acertou o rosto do Kenta, fazendo um pequeno corte. O corpo do Noitra virou pó, e os prisioneiros começaram a comemorar.

– Viva, estamos salvos!

Hyugi percebeu que havia alguma coisa errada. Mesmo com o inimigo transformado em pó, Kenta ainda permanecia paralisado.

– Você está bem?

– Não – Kenta deu um sorriso – essa técnica que acabei de usar ainda possui outra restrição, além do meu corpo ficar imóvel, também se torna vulnerável a qualquer ferimento, por menor que seja. Resumindo, até uma picada de mosquito pode me matar ao usar essa técnica.

– Não diga isso, ainda podemos procurar alguma poção de cura – Hyugi tentava não chorar.

– Não se culpe. Dizem em Dungeoneer que um guerreiro que morre para salvar a vida de inocentes vai para o melhor dos céus, onde será dono de um harém com cem virgens. Bucetinhas apertadinhas, aí vou eu. Morri!

Kenta caiu no chão, já sem vida. A alegria da população encarcerada se tornou em um silêncio fúnebre e Hygugi, sem dizer nada, apenas deu uma espadada no cadeado, libertando os reféns. Logo depois ele caiu no chão inconsciente, devido aos graves ferimentos que sofreu.

*****

Sony atacava insistentemente o rei, porém ele apenas se esquivava, com um sorriso sarcástico no rosto.

– Já acabou mestiço? – zombou o rei.

– Eu tenho nome – disse Sony, quase rosnando.

– Que insolente! Pelas nossas leis, apenas hollows que atingem o nível máximo de evolução têm o direito de ter nomes, e apenas eu e o meu assessor, o Nnoitra, chegamos ao nível de Arrancars.

– Já que você se orgulha tanto assim de ter um nome, qual seria o seu?

– Szayel Aporro!

– Sony Vlade!

Após as apresentações, eles voltaram a lutar. Sony, agora mais calmo, já atacava mais estrategicamente, enquanto Szayel se limitava a escapar das investidas do garoto.

– Você fica me chamando de mestiço, mas você também me parece bem humano – Sony tentava desestabilizar o inimigo.

– Percebe-se que você fugiu da escola hollow – ele deu uma risada – quando atingimos o nível máximo de evolução, nossa aparência se assemelha à aparência humana, mas de humano não tenho nada.

Dessa vez, o rei desembainhou uma espada e começou a atacar Sony. O garoto usava seu bastão para bloquear os ataques, porém um deles foi tão potente que Sony não aguentou segurar sua arma, que acabou sendo arremessada para longe.

– Hamlet, Hamlet – disse o ratinho, que dormia no bolso do Sony há dias.

– Agora que está desarmado, o que fará? Peça clemência, e te darei uma morte rápida e indolor.

Sony não respondeu, ele apenas entrou em um portal.

– Não, você não vai fugir meu ratinho.

Szayel, com uma velocidade incrível, entrou no portal aberto pelo Sony e o segurou lá dentro.

– Pensou que ia escapar?

– Essa nunca foi a minha intenção. Buracos fechardis.

Sony fechou o portal, mas ao contrário do que costuma fazer, não abriu um para sair em outro lugar.

– O que você fez moleque?

– Poucas pessoas entendem o meu poder. Não é teletransporte, na verdade eu abro portais dimensionais e uso o espaço entre os diferentes universos como atalho.

– Disso eu já sabia – o rei desdenhou.

– E também sabe que eu não abrirei uma saída?

Szayel ficou calado, tentando analisar o que o seu oponente acabara de falar.

– É isso mesmo, nós dois ficaremos presos eternamente nesse espaço vazio. Mesmo que me mate, nunca voltará para Dungeoneer!

– Hamlet, Hamlet!

– Desculpa amigo, você ficará preso também...

O rei sentou no vazio, colocou a mão no queixo, refletindo. Olhou ao redor, ao contrário do que se possa pensar, não era um lugar escuro, na verdade era um chão multicolorido ao estilo fase especial do Mario Kart, e o céu era estrelado.

– É verdade. Eu estou realmente muito puto com você, eu quero muito te matar de forma lenta e dolorosa, mas se fizer isso, nunca terei chance de escapar deste lugar. É um grande dilema, mas ops, lembrei que tenho isso.

Szayel colocou a mão no bolso e retirou um boneco de pano que era uma cópia exata do Sony.

– Eu não sabia que era famoso a ponto de terem feito um boneco meu – ironizou Sony.

– Há há há, o seu senso de humor me faz dar risadas, mas isso é um boneco vudu. Eu o construí rapidamente assim que você chegou ao topo da torre.

Sony ainda parecia não acreditar, e antes que o rapaz pudesse esboçar qualquer reação, o hollow pegou o braço do boneco e começou fazê-lo socar suas própria cabeça.

– Pára de se bater, pára de se bater!

Szayel fazia o boneco dar socos em sua própria cabeça, e de fato, Sony começou a repetir os movimentos involuntariamente.

– E então garoto, vai abrir o portal para que possamos sair?

– E você acha que alguns socos vão mudar minha posição? – disse Sony, já começando a ter sérios ferimentos na cabeça.

O rei começou a realizar várias torturas com o boneco do Sony, o arranhou, rasgou e quebrou seus dois braços, e tudo o que acontecia com o boneco, acontecia igualmente com o Sony.

– E aí bonitinho, vai me libertar?

Sony já estava muito fraco, mas ainda assim balançou a cabeça negando que abriria o portal de volta.

– Eu tentei ser legal com você, mas serei obrigado a fazer uma coisa bem desagradável.

Szayel guardou o boneco do Sony e pegou outro, dessa vez, do Hamlet.

– Você não se atreveria – Sony rangia os dentes.

– Bem, só um pouco de dor – o rei torceu o pescoço do boneco, e o ratinho caiu no chão gritando.

– Está bem, eu vou abrir o portal – Sony abriu o portal, transportando a ele, Hamlet e Szayel de volta para a torre da cidade.

– Sábia decisão. Agora vou me divertir um pouco mais.

Szayel pegou novamente o vudu do Sony e deu um puxão nele, o partindo em dois, fazendo Sony e Hamlet levarem um grande susto.

– O que foi? Pensou que seria partido ao meio? – ele deu uma batida no boneco, fazendo cair várias miniaturas de órgãos internos – deixe-me ver, acho que vou começar pelo estômago.

O rei esmagou a miniatura de um estômago, e nesse momento, Sony caiu no chão devido à grande dor que sentia, e começou a vomitar sangue.

– Interessante... agora irei para o pulmão.

Szayel fez o mesmo com um pulmão, e Sony, além de sentir muita dor, começou a ter grande dificuldade para respirar.

– Foi divertido, mas está na hora de acabar com isso. Você foi um bom protótipo, certamente usarei as informações que coletei para criar um mestiço perfeito no futuro, corrigindo suas falhas obviamente.

– Do que você está falando? – perguntou Sony, com uma voz fraca, quase morrendo.

– Como você sabe, existe uma infinidade de criaturas no nosso mundo, porém a raça dominante são os humanos, não por força, mas pelo seu número. Esses seres desprezíveis são tão promíscuos que se reproduzem como ratos, sem ofensa Hamlet.

Ele continuou.

– Como Dungeoneer possui um equilíbrio perfeito, nós, os hollows, existimos para controlar a população humana e impedir que eles se alastrem ainda mais. O problema é que os humanos não entendem que alguns deles serem comidos é uma forma de manter o ecossistema equilibrado, e até surgiram aqueles malditos shinigamis, que se especializaram em caçar os nossos, se bem que qualquer hollow que seja abatido por simples humanos não merece viver.

Sony prestava atenção, ainda sem entender aonde o rei queria chegar.

– Ainda sobre shinigamis, houve um tempo onde existia uma disputa saudável entre hollows e eles, era divertido ver quem era melhor em combate. O problema é nós começarmos a nos sobressair em relação aos shinigamis, então as rainhas, que insistem em dizer que mantém a existência de Dungeoneer, começaram a dizer que estávamos comendo mais humanos do que o necessário e tentaram nos impedir. Foi então que a Rainha Bestial veio se reunir comigo. Se fosse qualquer das outras rainhas, eu teria feito um assado com ela na mesma hora, porém uma luta entre mim, o rei dos hollows, e a rainha bestial, cujo nome não pode ser pronunciado, não teria vencedores. Certamente, tanto eu quanto ela morreríamos, então simplesmente fingi que ouvia o que ela tinha a dizer. No fim do encontro eu prometi que iria discutir com os meus súditos sobre a sua ideia de comermos apenas criminosos condenados à morte.

– Eu planejei simplesmente ignorá-la, porém ela começou a me cobrar uma posição. Para testar sua força, enviei um grupo com alguns dos meus melhores soldados para tentar matá-la em seu reino, contudo meus hollows não conseguiram sequer entrar na caverna dela, seus guardas deram cabo dos meus homens. Quando eu estava prestes a negociar seriamente com ela, recebi a inesperada visita de um ho... pessoa no meu castelo.

Szayel mudou sua voz, interpretando um diálogo.

– O que veio fazer aqui, se oferecer para ser o meu jantar? – perguntei ao sujeito.

– Assim você vai ferir meus sentimentos, vim te oferecer ajuda para combater a rainha bestial e me trata desse jeito? – o estranho fingia chorar.

– Ajuda para combater a rainha bestial? – nesse momento, percebi que ele portava uma zampakutou, a arma característica dos shinigamis – se acha que vai me matar com isso, é mais burro do que eu pensei.

– E quem sou eu para tentar matar o rei dos hollows?

– Sábias palavras, mas se admite que não é páreo para mim, como pretende me ajudar contra a rainha bestial?

– Nem tudo se resolve com força bruta rei bobinho. Ninguém em Dungeoneer pode vencer a rainha besta no braço, porém com um pouco de astúcia, é possível neutralizá-la. Veja, sou apenas uma gatinha indefesa perto de você, mas enquanto prestava atenção no que eu te contava, imobilizei suas pernas com poderosos cipós.

Foi nesse momento que eu olhei para as minhas pernas e havia trepadeiras as enrolando com tanta força que pareciam cobras constritoras.

– Você é esperto – eu me livrei dos cipós que me prendiam – mas como pretende vencer a rainha bestial? E a troco de que vai me ajudar?

– Uma pergunta de cada vez. Primeiro, por que eu quero te ajudar, apesar deu ser especialista em plantas, venenos, poções e coisas do tipo, eu preciso de criaturas grandes e assustadoras que não tenho ao meu dispor. Já você, ó magnânimo rei, deve ter pelo menos uns cinquenta menos grandes no seu exército, estou certo?

– Cinquenta e sete é número exato – respondi.

– Então, eu precisaria de uns cinco emprestados para cumprir o nosso plano.

– Nosso? Como já disse, você é esperto, mas acha mesmo que cinco menos grandes derrotariam a rainha? Dois adjuchas e algumas dezenas de hollows simples não conseguiram sequer vencer os guardas dela.

– Os menos não lutarão contra a rainha. Nesse momento, a antiga rainha da energia morreu e a sua sucessora está tendo problemas em controlar seus súditos, os menos irão atacar a floresta das fadas, não o reino dos monstros.

– Continue.

– Eu estou infiltrado na floresta das fadas. Um ataque de menos grandes os fará entrar em pânico, eu derrotarei os menos, me tornarei um salvador das fadinhas e elfinhos e depois convencerei a fada mor que foi a rainha bestial quem ordenou o ataque.

– E o que uma fada fraca fará a respeito a não ser chorar?

– Você deveria se informar melhor sobre os poderes de cada rainha meu poderoso rei. A rainha da energia pode utilizar os feitiços mais poderosos do mundo, entre eles, o perigoso feitiço de banimento. A fadinha não irá matar a bestial, ela irá prendê-la em outra dimensão. É um bom negócio para você, se livrará da sua inimiga a um baixo custo, cinco hollows mortos não são nada para você não é verdade?

Eu parei e refleti por uns instantes. Ele poderia até estar mentindo, mas realmente o custo para mim era baixo e resolvi aceitar sua proposta.

– Só uma curiosidade, por que quer tanto se livrar da rainha bestial? – perguntei a ele.

– Não quero me livrar apenas dela, quero me livrar de todas as rainhas, cada uma ao seu tempo. Está tudo errado nesse mundo, novos reis surgirão das cinzas das rainhas atuais.

Isso foi uma justificativa plausível para mim.

– E qual é o seu nome? – perguntei.

– Zerus Rose, encantada.

– Szayel Aporro.

– Foi bom negociar com você.

Foi então que eu ordenei que cinco menos grandes o acompanhassem e seguissem suas ordens. Alguns anos depois, recebi a notícia de que a rainha bestial havia enlouquecido, tentado matar as outras rainhas e por isso, teve que ser banida, embora eu soubesse muito bem que tudo foi obra daquele chamado Zerus Rose.

Assim, Szayel terminou o que ia contar.

– E... onde eu en tro nessa his... tória? – perguntou Sony, totalmente prejudicado.

– É verdade, eu tinha esquecido. Bem, quando eu soube da ascensão do Zerus, não pude deixar de pensar que ele poderia fazer comigo algo semelhante ao que fez com a rainha bestial, então eu precisava fortalecer o meu reino. Após anos de pesquisa, cheguei à irônica conclusão de que o hollow perfeito seria o resultado da mistura entre um hollow e um humano. Tentei fundir órgãos, fazer misturas em laboratório, mas acabei descobrindo que a única forma de se fazer um híbrido era a mais natural possível, o velho tchaca tchaca na buchaca. É aí que entra o seu pai. Como ele era muito bom em socialização, ordenei que ele se relacionasse com uma humana e a engravidasse, e como ele era um bom servo, cumpriu perfeitamente minhas ordens.

Sony começou a ignorar a dor, o ódio começava a dominá-lo.

– Porém o seu pai me traiu. O combinado era que quando você nascesse, ele mataria sua mãe e te entregaria aos meus cuidados, porém ao invés disso, ele fugiu pra brincar de casinha com a humana. Demorou um pouco, mas enfim, o meu subordinado imediato, Nnoitra, que está lutando com os seus companheiros no subsolo, conseguiu localizá-lo. Mas sabe como é, o Nnoitra é muito brincalhão, não quis simplesmente eliminar os seus pais, ele apostou comigo que conseguiria convencer um bando de camponeses a fazê-lo, eu apostei que não, e que lástima perdi a aposta. Sabia que isso me custou dez merréus?

Sony deu um grito ensurdecedor, e sua fraca voz de moribundo foi se tonando um alto som gultural, ao mesmo tempo em que sua máscara se formou e ele se transformou totalmente em sua forma hollow.

– Vou te matar! – gritou Sony, já de pé.

– Eu estava certo, essa forma é muito poderosa. Depois que isso terminar, criarei mais híbridos como você e os educarei desde bebês, terei o exército mais poderoso que o mundo já viu.

– Cala a boca!

Sony literalmente voou até alcançar Szayel, exibindo afiadas garras e presas, pronto para pegá-lo.

– Esqueceu disso?

Szayel mostrou o vudu do Sony, e começou a destruir mais órgãos, porém, não surtiu qualquer efeito.

– Rei idiota, não sabe que a anatomia de um hollow é diferente da humana? Eu nem possuo esses órgãos que está tentando destruir.

Sony então mordeu o rei, o fazendo gritar de dor. Szayel, por sua vez, fincou sua espada no inimigo, que entrou na sua barriga e saiu pelas costas.

– Não se vence um rei com força bruta, garoto!

Sony deu um alta e maléfica risada, e um portal se abriu na sua barriga, no local aonde a espada do Szayel estava fincada.

– O quê? Nunca vi algo parecido... – o rei parecia não acreditar.

– Ficar aquele tempo entre as dimensões me fez perceber que esse espaço existe em todo lugar, inclusive dentro de nós. Já que gosta tanto de comer os outros, morrerá digerido, rei aboiolado de merda!

Szayel tentou em vão soltar a espada, porém rapidamente foi sugado para dentro do portal, que logo se fechou. Segundos depois, outro portal se abriu na boca do Sony, e ele cuspiu apenas os ossos do então rei dos hollows.

– Fatality!

Sony permaneceu de pé, olhando para os ossos do finado rei. Apesar de estar em sua forma hollow, seus pensamentos eram lúcidos, mostrando que finalmente as duas formas se unificaram.

– Eu sou apenas uma aberração, fruto de um experimento desse rei maldito. Vou embora desse mundo.

Ele abriu o portal e estava prestes a entrar nele, determinado a viver eternamente no vazio entre as dimensões do complexo multiverso.

– Hamlet, Hamlet – o rato argumentava desesperadamente.

– Meu trabalho está feito, o resto ficará a cargo dos heróis da profecia.

– Hamleeeeet!

Sony parou e refletiu por um bom tempo.

– Você está certo, mas terei que ficar nessa forma até dar um jeito de recuperar meus órgãos humanos. Vamos descer, talvez o Hyugi e o kenta estejam precisando de ajuda.

O meio-humano e seu amiguinho desceram as escadas, sem saber que a outra luta já estava concluída, após o sacrifício do Kenta. Ao menos, o rei dos hollows e o seu principal lacaio estão mortos e a população a salvo, mas o futuro dos heróis e de todo o mundo ainda é incerto.

Notas finais
É sempre uma decisão difícil eliminar um personagem de leitor, mas pelo menos dei uma morte heroica ao Kenta. Será que existe mesmo o paraíso com as cem virgens? Com esse capítulo esclareci uma parte importante da trama. Sei que ainda falta muita coisa, mas nos próximos as coisas vão se desenrolar mais. É isso, obrigado por lerem e nos vemos no próximo capítulo! PS: Lyel, posso usar a Hisana mais um pouco?