Dungeoneer - Interativa

37 Só faltou a pipoca.


Notas iniciais
Ideias que desisti de botar em Dungeoneer por serem ridículas demais 3 Os aventureiros, por alguma razão, teriam que ir a uma cidade chamada Dagem, porém não havia ônibus (elefante, rinoceronte, dinossauro) para lá e teriam que pegar um ônibus (ou algum animal) para a cidade X que passa por Dagem, ou seja, Cidade X via Dagem. Nesse transporte, eles iam encontrar personagens supostamente ou declaradamente gays de animes e games, como Shun, Benimaru, Hanataru e por aí vai. Desculpem a demora, troquei de unidade no meu emprego e a mudança me tomou bastante tempo, mas com certeza a mudança foi pra melhor. Boa leitura!

Contrariando todas as expectativas, Hyugi conseguiu abrir a porta do Templo dos Alimentos de Gosto Duvidoso, provando que ele era realmente um dos heróis previstos pela profecia. Assim que entrou, ele começou a caminhar pelo local.

– É melhor eu ficar em alerta, o Junpei falou que sempre tem alguém pra lutar nesses templos.

– Nesse sentido você está correto.

– Quem disse isso? – perguntou Hyugi, já pegando sua espada.

– A justiça!

Nesse momento, Hyugi (não) viu um homem negro com umas trancinhas, usando uns óculos estranhos e portando uma espada.

– Você é a justiça? Sabia que no meu mundo representam a justiça como uma mulher?

– Alguém me contou que os heróis do outro mundo eram idiotas, mas não achei que fossem tanto. Não importa, irei destruí-lo agora mesmo!

O homem desembainhou sua espada, fazendo Hyugi sentir uma onda de choque como se estivesse próximo a uma explosão.

– Boa técnica, teremos uma luta interessante – disse Hyugi.

– Eu apenas peguei minha espada, não usei técnica alguma.

Nosso herói sentiu que o oponente desapareceu de sua frente, e frações de segundos depois, percebeu que alguém o atacava por trás. Para não ser atingido, ele deu um salto para frente seguido de um rolamento.

– Essa foi por pouco – disse Hyugi, aliviado por ter escapado por um triz.

– Isso sim foi uma técnica, o shunpo. Me admira que você tenha conseguido escapar do meu ataque extremamente veloz.

– Como eu não enxergo, tenho meus outros sentidos muito aprimorados que por falar nisso, ficaram quase sobre-humanos depois que eu cheguei em Dungeoneer. Eu senti o ar que o seu golpe deslocou e me salvei a tempo.

– Que interessante, saiba que eu também sou cego. Nessa luta, vencerá aquele que melhor souber utilizar os sentidos que possui.

– Agora entendi, você fiz que é a Justiça porque é cego...

– Cale a boca!

O sujeito que disse que é a justiça movimentou-se rapidamente até próximo do Hyugi e deu um golpe de espada no seu tórax, a fim de cortá-lo ao meio. Para se defender, o terráqueo bloqueou o ataque com sua própria espada, então os dois ficaram medindo forças, um tentando desarmar ao outro.

– Pela sua voz, você parece ser um garoto jovem e franzino, não conseguirá me deter com essa força.

– E desde quando músculo é sinônimo de força Seu Justiça? O homem mais forte do meu mundo era um velhinho esquelético e pelancudo.

Nesse momento Hyugi se abaixou e deu uma rasteira que atingiu a parte de trás dos joelhos do oponente, fazendo com que eles dobrassem. Por conta do golpe recebido, a Justiça se desequilibrou e então o herói aproveitou para dar uma espadada, que atingiu o inimigo em cheio.

– Essa foi fácil. Fácil demais...

O homem misterioso ficou no chão por alguns segundos, porém logo se levantou.

– Vejo que eu o subestimei – ele pressionou o ferimento, a fim de estancar o sangramento – antes que eu comece a lutar com todas as minhas forças, te darei a honra de saber o meu nome, pode me chamar de Tousen.

– Nossa, que honra – Hyugi disse de forma irônica – eu sou o Hyugi.

Assim, eles voltaram a trocar espadadas. Ambos eram muito habilidosos e a luta estava bastante equilibrada, de forma que nenhum deles conseguiu acertar o adversário.

– Não adianta garoto, a justiça não pode ser detida.

– Você fala tanto em justiça, mas se aliou àquele tal de Zerus que só quer fuder com todo mundo. Eu e os meus amigos nem somos desse universo e estamos lutando com todas as nossas forças para salvá-lo porque é isso que os heróis fazem, lutam pelo amor e a justiça mesmo sem obter qualquer vantagem pessoal.

– Você não sabe nada desse mundo e fala em justiça. Zerus é um salvador que irá livrar Dungeoneer do domínio das rainhas e nos levará a uma nova era.

– Não tente transformá-lo em herói, mesmo estando aqui há pouco tempo, já sei que se alguma das rainhas morrer o mundo irá acabar. O que ele planeja é destruir Dungeoneer.

– Pobre alienígena iludido. As escrituras são apenas mentiras criadas pelas primeiras rainhas para proteger suas sucessoras. Muito antes da ascensão do Zerus, eu, que era um capitão da guarda da mãe da Cunegundes, expus a fragilidade do sistema de rainhas. E sabe o que eu ganhei?

– Com certeza não foi uma promoção...

– Fui mandado para o exílio no meio do oceano, aquele lugar é muito molhado. Levei muitos anos para conseguir voltar ao continente, e ao voltar fiquei sabendo que a antiga rainha havia morrido e sua filha assumiu o comando. Até aí, nada que não fosse previsto, mas um ho... pessoa se tornou o chefe da guarda e também conselheiro dessa nova rainha, e não foi apenas isso, depois de sua ascensão, o treinamento dos shinigamis foi totalmente reformulado e muitos dos antigos e imprestáveis foram banidos, presos ou mortos. Foi então que tive a noção da sua grandeza e tive a certeza de que um dia trabalharíamos juntos.

– Sua história de vida deve ser muito interessante, mas estou aqui para lutar e não conversar.

Hyugi atacou Tousen, e o combate reiniciou. As espadas se chocavam ferozmente liberando muitas faíscas, porém esse belo combate acabou ficando chato, pois por muito tempo, ninguém atingiu ninguém. Finalmente, aproveitando de um descuido do oponente, Hyugi furou a barriga de Tousen, que deu um salto para trás.

– Acabou? – Hyugi não tinha certeza da profundidade do seu golpe.

– Não acabou – Tousen estava com a mão no ferimento – eu consegui escapar antes que o seu golpe atingisse algum órgão vital. Não perderei mais tempo, Bankai! – finalmente, Tousen liberou sua espada.

– Terei que ser extremamente cuidadoso agora – Hyugi ficou em prontidão – mas o que é esse tal Bankai?

– Os melhores shinigamis são capazes de transformar suas espadas e liberar o seu poder supremo. A minha envolve o inimigo em uma prisão de escuridão, o deixando impossibilitado de enxergar qualquer coisa.

Foi então que Tousen levou outra espadada.

– Depois eu que sou o idiota, esqueceu que eu sou cego?

– É verdade, erro meu. Bem, antes que eu perca mais sangue e morra... – ele deu uma pequena pausa e em seguida bradou – Tijolo do céu!

Assim que o shinigami falou o nome do seu golpe secreto, um tijolo caiu na cabeça do Hyugi.

– Ai, droga...

Além de uma grande dor de cabeça, Hyugi também começou a ficar tonto. Em pouco tempo, ele começou a perder a sensibilidade dos seus membros e deixou sua espada cair.

– Que sensação é essa?

– Vou te contar enquanto ainda pode ouvir. Quando foi atingido pelo meu tijolo do céu, todos os seus sentidos começaram a ser destruídos. O seu tato já se foi e logo será a audição, paladar e olfato, o que te tornará mais indefeso do que uma esponja, e não estou falando de esponjas do mar, me refiro a uma esponja de lavar louça mesmo.

Pouco a pouco, os sentidos de Hyugi foram sendo destruídos. Em pouco tempo ele não conseguia mais ver, ouvir, sentir cheiro ou toque e o pior, não sentia o gosto de nada.

– Que sensação de privação devastadora, será esse o meu fim? Tenho apenas dezesseis anos e fui mais longe do que qualquer pessoa. Dizem que quando estamos perto da morte, nossa vida inteira passa diante de nós como se fosse um filme...

Filme que antecede a morte On

Em algum lugar do planeta Terra o pequeno Hyugi, aos oito anos de idade, estava brincando em uma rua sem pavimentação com alguns garotos da mesma faixa de idade.

– Ô Hyugi, entra pra dentro! – uma mulher gritou.

O menino, temendo dormir de couro quente, correu para dentro da sua casa.

– Vai tomar um banho que tu tá preto de tão sujo.

– Tá bom mãe.

Ele entrou no chuveiro e tomou banho. Comeu e mais tarde foi dormir, enfim, a rotina normal de uma criança da sua idade. Na manhã seguinte, acordou gritando.

– Mãe, mãaaaaae!

A mulher veio correndo até ele.

– O que foi menino?

– Mãe, eu não tô enxergando.

– Ah moleque, se isso for história pra faltar à escola...

– É sério... – Hyugi começou a chorar.

A mãe imediatamente levou Hyugi ao hospital. Daí começou uma dolorosa rotina de consultas, exames e até duas cirurgias, porém nada foi capaz de reestabelecer a visão do garoto.

Após um ano de afastamento, Hyugi voltou à escola. Ele até estava animado com o retorno, todavia ao voltar teve a impressão de que tudo estava diferente. A vida de um deficiente visual em uma escola, ou melhor, em um mundo de pessoas que enxergam, não era nada fácil. Frequentemente roubavam suas coisas e agressões físicas e verbais se tornavam cada vez mais comuns. Apesar de tudo, ele preferia não contar o que estava acontecendo aos seus pais para não preocupá-los ainda mais.

O tempo passou e Hyugi meio que se acostumou à sua rotina de isolamento. Aos doze anos, uma garota nova entrou em sua turma, seu nome era Eufêmica e no seu primeiro dia de aula ela sentou na cadeira ao lado do nosso herói.

– Oi, meu nome é Eufêmica, e o seu?

– Eu sou Hyugi Hatori, prazer.

Ele ficou um tanto desconfiado, já não estava mais acostumado com crianças da sua idade sendo legais com ele. Mas os dias foram passando e os dois começaram a ficar amigos. Mesmo Hyugi não sabendo disso, Eufêmica era uma garota muito bonita e a amizade dela com nosso herói acabou despertando a inveja dos encrenqueiros da turma. Um dia, quando Hyugi estava indo pra casa, um grupo de cinco garotos entrou no seu caminho.

– Que é ceguinho, tá achando que vai pegar a garota nova é? – um dos moleques o provocou.

– Eu não quero pegar ninguém, só quero ir pra casa sossegado.

– Então vamos dar um sossega leão em você!

Os garotos derrubaram o Hyugi no chão e começaram a chutá-lo. O pobre garoto não conseguia se defender e estava ficando seriamente ferido, quando ouviu a voz que parecia de um homem idoso.

– Parem de bater nesse garoto!

– Qualé velho, é melhor ficar na sua!

– Estudos recentes dizem que garotos com sexualidade reprimida costumam agredir garotos mais fracos com a intenção de se auto afirmar.

– Que tu tá querendo dizer?

– Que vocês são um bando de viado enrustido.

– Ah velho abusado, vamos dar um pau nele!

Os moleques pararam de bater no Hyugi e partiram pra cima do velho misterioso. Ninguém conseguiu ver com clareza o que aconteceu, mas os garotos apanharam tanto que acabaram tendo que fugir mancando.

– Levanta garoto – o homem segurou na mão do Hyugi e o ajudou a levantar.

– Muito obrigado senhor! – Hyugi agradeceu.

– Vai lá e se cuida!

O homem já estava indo embora quando foi alcançado pelo Hyugi.

– Senhor, como derrubou todos eles sozinho?

– Técnica.

– O senhor é bondoso e luta muito bem, por favor, me ensine a me defender sozinho.

O velho parou, olhou e sorriu.

– Esteja na rua dos Bobos, número zero, amanhã às cinco da manhã em ponto.

No dia seguinte, Hyugi foi ao endereço indicado na hora combinada e chamou várias vezes, até que finalmente o senhor foi no portão atender.

– O que você quer a essa hora fedelho? – perguntou o velho, com cara de sono.

– O senhor ficou de me ensinar artes marciais, lembra?

– Ah sim, você é o moleque que tava apanhando dos outros moleques. Pode entrar.

Assim, Hyugi entrou na propriedade, que consistia em uma casa bem simples e um quintal grande.

– E então senhor, o que vai me ensinar? Aposto que é kung fu.

– Kung Fu é um nome genérico como os ocidentais conhecem as artes marciais chinesas. Na verdade, existem centenas de estilos de WU CHU, como Shaolin, Garra de Águia, Cheng Chuan, mas o meu preferido é o Futu Kaku.

– Nunca ouvi falar nesse estilo, pode fazer uma demonstração?

– É claro. Futu....

Hyugi estava atento, tentando ao menos ouvir os movimentos do mestre.

– Ka ku! – o velho deu uma dedada bem no meio da região traseira do garoto.

– Ei, por que você fez isso? Pensei que você fosse um mestre sério – Hyugi estava muito puto.

– Primeira lição, sempre desconfie de cacofonias. Segunda lição, nunca abaixe a guarda, principalmente quando se tratar da sua bunda.

A expressão do garoto mudou, ele acabou de aprender uma lição que nunca mais esqueceu.

– Venha, tenho uma tarefa pra você!

O homem entrou na sua casa e alguns minutos depois voltou segurnado uma foice.

– Tem bastante mato nesse quintal, você deve roçá-lo. Mas não esqueça, sempre faça movimentos circulares no sentido anti-horário.

Hyugi prontamente pegou a ferramenta e foi trabalhar. Ficou cortando mato até a hora de ir para a escola, e antes de partir, combinou com seu mestre que voltaria no dia seguinte no mesmo horário.

Nos dias que seguiram sua rotina foi a mesma, ele chegava na casa do mestre às cinco, roçava o quintal até as oito e depois ia para a escola. Uma semana depois, já não havia mais mato para ser cortado.

– Mestre, já terminei todo o quintal. Estou curioso pra saber que golpe aprendi com esses movimentos repetitivos, aposto que é algum tipo de defesa.

– Cê é burro cara? Isso não era um treinamento, eu precisava acabar com o mato do quintal e o cara que fazia isso pra mim tá cobrando cinquenta conto, com salário de aposentado não rola.

– Mas... eu fiquei todo dolorido cortando esse mato, não consegui fugir dos caras que queriam me bater e acabei apanhando mais do que o de costume, pra nada?

– Venha Hyugi, hoje vou começar a te ensinar o básico de caratê.

Assim, o treinamento efetivamente começou. Definitivamente aquele não era um mestre convencional, ele sacaneava o Hyugi quase todo dia e seus métodos quase sempre deixavam a vida do seu discípulo em risco, porém a evolução do garoto era surpreendente. Seis meses depois Hyugi já conhecia um bom número de katás, manipulava espadas e já treinava combate com o seu mestre.

– Mestre – chamou Hyugi, em um dia de treino.

– Sim pequeno gafanhoto franzino.

– Ontem uns moleques tentaram me bater. Eu consegui me defender, mas como o senhor me ordenou, não revidei, apenas me livrei dos ataques e depois fugi. Não acha que eu já estou pronto pra dar porrada neles?

– Seu avanço foi surpreendente, mas ainda tenho dúvidas quanto à sua confiança. Se tiver confiança de menos, você poderá travar durante um combate real e acabar apanhando de garotos mais fracos do que você, se tiver confiança de mais, poderá ficar prepotente e se tornar tão mal quanto àqueles que te agridem.

– Por favor mestre, me dê uma chance de mostrar que tenho a confiança necessária.

– Está bem. Vou te dar duas condições para deixar você sentar o cacete em quem quiser. A primeira é vencer o torneio que vou te inscrever.

– Está bem mestre, vou treinar muito para vencer.

– A segunda, quero que diga pra aquela sua amiguinha que você gosta dela.

– Tá doido, a Eufêmica é só minha amiga – Hyugi ficou vermelho como um tomate.

– Eu não sou cego, sem ofensa. Só a cara de abestado que tu faz quando tá perto dela já diz tudo.

– O senhor anda me seguindo?

– Não é seguir, é acompanhar a evolução do meu discípulo. E aí, vai continuar insistindo que não sente nada a mais por aquela menina?

– Tá bom – Hyugi enfim admitiu – eu vou me declarar pra ela, só quero uns dias pra tomar coragem.

– Eu irei te inscrever em um torneio clandestino sem regras que vai ser daqui a mais ou menos um mês. Treine bastante porque lá o bagulho é frenético.

Realmente o excêntrico velhinho inscreveu seu discípulo em um torneio clandestino sem regras e Hyugi intensificou seus treinamentos a fim de se preparar para a disputa que estava por vir. E como ele era um bom aluno, não esqueceu o compromisso de se declarar para sua amiga.

Na segunda feira ele estava decidido que falaria com a garota na saída da escola. Por mais que estivesse nervoso, com medo, em dúvida e tudo mais, tomou coragem e foi fazer o que tinha que fazer.

– Eufêmica – disse ele, enquanto os dois estavam saindo da escola.

– O que foi Hyugi? Você tá estranho hoje...

– Eu queria dizer é que... – ele deu um longo suspiro e então prosseguiu – eu gosto de você.

– Ah, eu também gosto de você, é o meu melhor amigo!

– Não é disso que estou falando, eu goooosto de você, entende?

Ela ficou alguns segundos constrangedores em silêncio, então começou a falar.

– Hyugi, você é um fofo, mas...

– Mas...

– Eu gosto de garotos fortes.

– Mas eu sou forte, olha – ele levantou a camisa e mostrou os músculos que adquiriu com o treinamento dos últimos meses.

– Eu percebi que você está musculoso, mas de que adianta esse corpo se é o segundo maior saco de pancadas da turma?

Hyugi não esperava tanta sinceridade, então conteve sua decepção e voltou a falar.

– Eu ando treinando muito para finalmente dar o troco em todos que foram maus comigo, em menos de um mês eu posso te provar que sou realmente forte.

– Eu acredito em você, vou esperar.

Eles se despediram, e a partir desse dia, Hyugi teve um motivo a mais para treinar até seus ossos praticamente racharem.

Chegou o dia do torneio, que estava sendo realizado em um sítio afastado do centro da cidade. Os competidores eram organizados em três categorias, criança, adolescente e adulto, e não eram permitidas armas. Fora isso, tudo liberado.

Foi um dia cansativo de intensos combates, e após uma final contra um garoto de dezessete anos, dois metros de altura e cento e sessenta quilos, Hyugi foi o vencedor na sua categoria.

– E agora mestre, já posso bater naqueles garotos? – Hyugi, sujo e cheio de hematomas, perguntou ao senhor.

– Você venceu o torneio e contou pra aquela menina que gosta dela (mesmo que ela esteja te enrolando), você já pode fazer o que quiser.

Hyugi sorriu, pouco antes de desmaiar.

Após alguns dias em repouso, o agora vencedor do torneio clandestino quase sem regras voltou à escola. Pouco antes do horário da saída, pediu à Eufêmica que o acompanhasse até um beco que ficava a dois quarteirões dali.

– O que você quer Hyugi, eu tenho um compromisso – a garota não parecia estar satisfeita, apesar de ter ido até onde o seu amigo queria.

– Prometo que vai ser rápido.

Logo em seguida, apareceram cinco garotos e uma garota da escola em que eles estudavam.

– Hottweiler, Cachaça, Doença, Tio Chico, Popóra, Catita... – Eufêmica ficou preocupada – são os alunos mais barra pesada da escola, vamos correr Hygui!

– Não se preocupe, fui eu quem os chamei até aqui – disse Hyugi, calmamente.

– Então foi você que falou que batia em todos ao mesmo tempo? – um dos garotos perguntou.

– Fui eu mesmo, mas se estiverem com medo podem fugir, prometo que guardo segredo – Hyugi provocou.

– Vamos matar você!

A briga começou, e o resultado foram ossos quebrados, dentes arrancados, olhos furados, testículos esmagados, além de muitos hematomas e sangue. E o nosso herói, ileso.

– Fujam e salvem suas vidas! – disse Hyugi, enquanto os outros, muito feridos, fugiram se arrastando para não apanharem mais.

– Nossa Hyugi, isso foi...

– Forte? Demais? Já podemos nos beijar agora?

– Foi legal, mas é que...

Antes que ela terminasse o que ia dizer, uma limusine parou próximo deles. O motorista desceu e abriu uma das portas de onde um conhecido deles, o Joãozinho, saiu.

– Oi amor, por que não estava na porta da escola como combinamos?

– Não é nada, vamos? – disse Eufêmica.

– Mas o que é isso? – Hyugi ainda tentava entender.

– Nos dias que você estava fora, eu e o Joãozinho começamos a namorar.

– Mas... ele é o aluno que mais apanha na escola toda, consegue ser pior do que eu era!

– É, mas ele é rico e vai me levar pra Europa. Tchau Hyugi, fico feliz em saber que agora você não vai mais ser saco de pancadas.

Eufêmica entrou no carro com o seu novo namorado e partiu, deixando Hyugi sozinho no beco. A alegria por ter descido o sarrafo nos seus antigos agressores foi mascarada pelo que aconteceu, até que ele deu grito de raiva que poderia ser ouvido a metros de distância. Enquanto dava o seu chilique, um vórtice se abriu em baixo dele e inexplicavelmente, ele foi sugado, desaparecendo dali.

– Ahhhhhhhhhh!

Hyugi, desesperado, apenas gritava e chorava. Mas a queda era muito grande e ele acabou se acostumando com ela.

– Será o que aconteceu? Estou sonhando? – ele se beliscou – Ai, tô acordado.

Sem ter muito o que fazer, ele ficou lembrando de toda sua vida, de como deixou de enxergar, os abusos dos “colegas”, do treinamento e, por último, da Eufêmica.

– Eufêmica, eu te amo, por que fez isso? Qual é o meu problema?– Hyugi choramingava.

Horas depois, o garoto teve um insight.

– Espera, não vou ficar aqui chorando. Ela disse que não queria nada comigo porque eu era o segundo maior saco de pancadas da escola e depois começou a namorar com o maior saco de pancadas porque ele é rico. O problema não é comigo, ela que é uma vadia.

Nesse momento, Hyugi caiu no chão, sentiu dor e depois de se recuperar, percebeu que estava em uma floresta. Depois de muito andar, encontrou aldeões que disseram que ele estava em um lugar chamado Etérnia. Depois de ser acusado de bruxaria por dizer que era de outro mundo e ter que fugir pra não ser queimado, foi encontrado pelo He-Man e levado para viver no castelo.

Três anos depois, quatro pessoas que disseram que vieram da Terra e duas de Dungeoneer foram parar em Etérnia, foram atrás da Feiticeira pra tentar descobrir o que fazer para voltar outro mundo, foram para Dungeoneer e Hyugi pegou uma carona, procuraram a Braquistócrona... Ops, isso vocês já sabem.

Filme que antecede a morte Off

Nesse momento Hyugi estava imóvel, apesar de ainda estar em pé.

– Sei que não pode me ouvir, então vou acabar com isso rapidamente.

Tousen se aproximou calmamente do seu inimigo, levantou sua espada golpeou o seu pescoço, a fim de degolá-lo. Quando a lâmina estava a poucos centímetros de acertar o alvo, Hyugi a segurou com as mãos nuas, se salvando de ser morto.

– Como? Isso não é possível, eu destruí todos os seus sentidos, a não ser que...

– Eu não sei o que você fez e nem o que estou fazendo agora. Não estou vendo, escutando ou sentindo o seu cheiro, mas de alguma forma eu consigo perceber onde o seu ataque, e só sei que não serei derrotado, ainda tenho assuntos inacabados na minha terra – Hyugi desarmou o adversário e jogou a zampakutou para longe.

– Eu achei que fosse apenas uma lenda, porém agora tenho certeza que você atingiu o sétimo sentido. Mas não pense que desistirei, a luta agora será de vida ou morte.

Mesmo sem a sua zampakutou, Tousen deu um soco tão veloz que sua mão fazia um zumbido ao cortar o ar. Hyugi, se valendo do sétimo sentido, percebeu o ataque inimigo e se esquivou dele de forma que o shinigami passou direto como se fosse um touro que acabou de levar um olé de um toureiro. Aproveitando que o adversário estava de costas, o terráqueo correu em sua direção e deu uma voadora que acertou sua nuca, o fazendo cair.

– Levante-se, sei que ainda está vivo! – ordenou Hyugi.

O shinigami se levantou com o muito sangue escorrendo pelo nariz e boca, ele estava gravemente ferido pelos golpes que sofreu antes da quase morte de Hyugi e principalmente pela forte voadora que recebeu agora.

– Mesmo que mil soldados caiam, a justiça sempre triunfará!

Tousen caiu de cara no chão, morto devido aos ferimentos.

– Obrigado mestre, estou certo de que os seus treinamentos homicidas me ajudaram a despertar essa força que eu não sabia que existia.

Hyugi também estava muito fraco e quase morrendo. Aos poucos seus sentidos foram voltando e finalmente, ouviu uma voz feminina.

– Herói do outro mundo, siga a luz!

– Senhora da voz sedutora, eu não enxergo luz alguma.

– Desculpe, esqueci. Siga minha voz lá lá lá lá, lá lá lá lá ,...

A voz cantarolava para facilitar a orientação do herói, que a seguiu até bater em algo sólido.

– Eu curarei suas feridas, feche os olhos e relaxe – disse a voz misteriosa.

Hyugi obedeceu, e instantaneamente ficou novo em folha. Logo depois o templo desapareceu e os aventureiros que estavam do lado de fora puderam ver o Hyugi, um altar e uma espécie de túnel feito de luz, que partia do altar e em direção ao horizonte.

– Caralho, que que tu aprontou ceguinho? – Junpei estava boquiaberto.

– Ei, a culpa não é minha, só venci o cara que tava aqui dentro – Hyugi se defendeu.

– Nunca vi nada tão bonito – disse Beatrice.

– Eu não estou vendo nada, só um altar de madeira e o Hyugi – falou Loren.

– Eu também estou vendo, mas tenho certeza que algo que apenas os heróis da profecia podem enxergar – disse Braquistócrona.

– Heróis do outro mundo, a hora chegou! Percorram o caminho de luz e encontrem o seu desafio final – disse a mesma voz de antes.

– Opa, que voz é essa? – perguntou Loren.

– É a voz sexy que fala com a gente nos templos, não é pessoal? – disse Kon.

– É essa mesma. Vamos nessa então, quero voltar logo pra Terra – chamou Junpei.

– Mas como eu vou entrar nesse caminho se não vejo nada? – reclamou Loren.

– Você é uma exímia guerreira, uma das melhores que já conheci, mas infelizmente a próxima batalha apenas os heróis da profecia poderão travar – falou Bráqui.

– Isso não é justo, quer dizer que vocês quatro vão ficar com toda a diversão – a loira amarrou a cara, decepcionada.

– Amiga, torça por nós – pediu Beah.

– Vamos acabar com aquele Zerus que só conheço de nome, depois voltamos pra te buscar – disse Hyugi.

– E continue gata como sempre – completou Kon.

Beatrice, Hyugi, Junpei e Kon já estavam caminhando para o caminho de luz.

– Esperem! Beah e Kon, venham aqui! – Loren gritou.

– Mas o caminho... – Beatrice tentou argumentar.

– Venham logo antes que eu dê uma moca nos dois!

O casal se aproximou da amiga, a fim de saber o que ela queria.

– Beah, para de fingir que o Kon é só um colega chato, todo mundo sabe que você é louca por ele!

Beatrice ficou vermelha como um pimentão, sem saber onde enfiar a cara.

– Kon, para de ficar atirando pra todo lado dando cantadas sem sentido em mulheres que nunca te darão bola. A melhor garota do mundo é apaixonada por você desde os dez anos de idade, conheço muitos caras que dariam um fígado pra estar no seu lugar!

Kon ficou feliz, embora um pouco chocado. Ele chegou mais perto da Beatrice, e os dois ficaram olhando um nos olhos do outro.

– Agora vocês vão se beijar!

Loren apontou sua espada para o casal, como quem dissesse “se beijem agora ou mato os dois”. Kon e Beah deram um beijo suave e apaixonado.

– Agora podem ir. O resto vocês fazem depois de chutar os testículos daquela bicha louca do Zerus! – ordenou Loren.

– O resto? O que você quer dizer com isso? – Beah, que já estava normal, ficou cinquenta tons de vermelho.

– Que depois de voltar pra Terra você pode dar pro Kon, agora vamos logo que temos prazo – apressou Junpei.

Os quatro heróis se reuniram e foram para a luz. Ao atingirem o caminho, eles foram sugados por ele, e instanta, tanto os aventureiros como o próprio caminho desapareceram.

Notas finais
Os apelidos dos jovens que Hyugi porrou antes de ser sugado para Etérnia eram apelidos de colegas meus na época da escola, e o meu apelido era Jesus. Agora realmente a fic está nos últimos capítulos, está chegando a hora de dar tchau. Abraço a todos, até o próximo capítulo!