Dungeoneer - Interativa

39 Se esses são os generais, imagine os recrutas.


Notas iniciais
Impressionante como um autor escreve um capítulo de cinco mil palavras, revisa e depois trava na hora de criar o título, mas fazer o que, esse sou eu. Boa leitura!

Braquistócrona corria apressadamente pela mata, a fim de chegar ao reino das fadinhas felizes. Depois de correr por horas, ela parou ao lado de um riacho para beber um pouco d’água e descansar por uns cento e vinte segundos.

– Já faz tanto tempo... mas tenho sorte, parece que esse lugar ficou esquecido no tempo, vai ser fácil encontrar a rainha e protegê-la.

A mulher já estava se preparando para voltar à sua corrida quando ouviu alguém se aproximando e rapidamente ficou pronta para lutar.

– Quem está aí? – perguntou Bráqui, com seu arco preparado.

– Bela, é você?

Repentinamente surgiu diante dela um homem musculoso, de cabelos lisos e curtos, vestindo uma bermuda e sem camisa.

– A menos que esteja se referindo à minha aparência, não sou eu não.

O estranho sujeito chegou mais perto e a olhou melhor.

– É verdade. Pelo menos você sabe onde está a Bela? Ou então o Edward, preciso matá-lo... quer dizer, falar com ele.

– Desculpe estranho, estou com muita pressa. Boa sorte na sua caçada implacável.

Ela continuou seu caminho, quando foi atingida nas costas por um golpe, que só não a machucou porque a armadura que ela veste por baixo das roupas a protegeu.

– Você está mentindo para proteger aquele vampiro maldito. Não a culpo, ele deve ter te iludido com falsas promessas como fez com a Bela, então vou te dar mais uma chance: Onde está o Edward?

– Está bem, vou pegar o endereço dele na minha bolsa – ela pegou um flecha na sua sacola e rapidamente a disparou contra o estranho, que foi atingido em cheio.

– Sua traiçoeira – ele colocava a mão no ferimento – se não me disser aonde aquele maldito vampiro reluzente está, terei que obrigá-la a falar.

O estranho homem sem camisa sofreu uma rápida metamorfose, se transformando em um lobo.

– Um lobisomem, quem diria que um dia eu teria que lutar contra um...

O lobo, que nessa forma pôde simplesmente ignorar o ferimento causado pela flecha da Braquistócrona, pulou na direção da mulher com suas garras e presas a mostra. Bráqui segurou o seu arco, porém antes que pudesse disparar, o inimigo deu uma patada que a atingiu em cheio, a jogando no chão.

– E agora, o que vai fazer? Mesmo com o seu arco, estou perto demais para você me acertar uma flechada, se bem que flechas não podem me ferir nessa forma auuuuuuuuu!

Enquanto o lobo uivava, Braqui colocou a mão em sua sacola.

– O que vai fazer? – o lobo rosnava com um tom irônico.

– Pega Totó!

A ruiva pegou um osso e jogou longe. Instintivamente, o homem-lobo correu atrás do petisco, e assim que ele conseguiu pegá-lo, sentiu que foi atingido por alguma coisa.

– Uma... flecha? – ele sangrava muito no local atingido pela flecha, e logo começou a voltar à sua forma humana – impossível, flechas não podem me ferir na minha forma de lobo!

– Flechas normais não, mas essa é uma flecha de prata. Uma garota chamada Buffy encomendou uma comigo há bastante tempo e não pagou, então acabei ficando com a flecha. Eu mesma não tinha certeza se flechas de prata realmente matavam lobisomens ou se era apenas um mito, mas agora posso dizer que a lenda foi confirmada.

Braquistócrona continuou sua jornada mais apressada do que nunca, deixando o lobisomem virando adubo para as árvores.

****

O molequinho que virou um monstro poderoso após beber a poção do Zerus havia acabado de dar uma poderosa cuspida flamejante, que incendiou tudo ao seu redor.

– Estou certo que a Biska não sobreviveu a essa. Agora tenho que procurar o corpo da rainha e mostrar pro Zerus, assim ele vai me dar uma poção demonizadora permanente.

O garoto esperou algum tempo até o fogo abaixar. Em um raio de cinquenta metros, tudo o que se podia ver eram cinzas e muita fumaça, mas ainda assim, ele procurava por algum ser vivo – ou morto – entre toda essa destruição.

– Ela deve ter virado pó, mas se aquele Zerus não acreditar que eu a matei, eu o espanco até ele me dar a poção definitiva há há há, agora eu sou poderoso!

Quando se preparava para sair da floresta, foi atingido fortemente pelas costas, caindo no chão.

– O quê?

Ele rolou no chão e rapidamente se levantou pulando. Ao olhar na direção que foi atacado, não acreditou no que viu.

– Quem, ou melhor, o que é você?

– Não me reconhece moleque? Sou a Biske, e essa é a minha forma verdadeira.

Lá estava a mulher de cinco metros de altura e extremamente musculosa. Sua pele estava gravemente queimada, assim como o seu vestido que, para o desprazer do garoto, estava completamente destruído da cintura para baixo.

– Como você voltou à sua forma bestial? E a poção humanizadora do Zerus?

– Você deveria ser mais atento, a poção humanizadora tem duração limitada, eu apenas fiquei escondida esperando o efeito dela passar. A sua poção demonizadora também vai acabar, mas não preciso esperar isso acontecer, vou te enfiar o cacete desse jeito mesmo.

– Espero que não esteja falando desse cacete – ele apontou para a região baixa da gigante – seu grelo é maior do que o pau do Zerus, isso sim dá medo!

A mulher ficou extremamente irritada e partiu para cima do demônio. Ela deu um soco nele, que recebeu o golpe e logo depois deu outro, que acertou a loira.

– Você briga bem, mas não vencerá um demônio como eu!

– Caso você não saiba, já matei dúzias de demônios junto com a minha rainha e outros companheiros, bem antes de você nascer.

– Então serei rápido, toma essa!

Ele novamente puxou ar até encher seus pulmões e soprou uma grande quantidade de fogo, que atravessou o corpo da Biske.

– Quero ver se sobrevive a isso, Biska.

Assim que o fogo se dispersou, o moleque pôde ver sua inimiga com o corpo brilhado e pulando em sua direção.

– O quê? Impossível alguém sobreviver a um fogo tão intenso!

Ela, aproveitando do boquiabertamento do rapaz, chegou perto dele rapidamente, o segurou pelo pescoço e o suspendeu no ar.

– Antes de você morrer, irei te contar como sobrevivi ao seu fogo. Tanto na primeira vez quanto nessa, eu cobri o meu corpo com nen e assim, criei uma armadura energética que me protegeu de virar churrasco. E sabe o que é mais legal de saber manipular o nen?

– Urgg, uahhh, hummm – disse o garoto de nome desconhecido.

– É que eu posso concentrá-lo em uma parte do meu corpo e fazer um ataque super mega fodástico, como o que eu vou fazer agora em você.

O corpo da mulher se “apagou”, mas por outro lado, a mão que ela usava para enforcar o rapaz brilhou intensamente. Sua força cresceu exponencialmente e ao apertar mais, o pescoço do garoto quebrou e sua cabeça ficou pendurada. Logo depois, ele voltou a ser apenas um humano comum, e bem morto para ser bem claro.

– Eu poderia ter te treinado. Mesmo sendo humano, poderia ter sido um dos maiores guerreiros do reino das bestas, mas você preferiu o caminho mais curto e se aliou àquele maldito Zerus. Adeus! – ela jogou o seu corpo no chão, e logo em seguida, também caiu desmaiada devido aos ferimentos, provocando um pequeno terremoto ao se chocar contra o solo.

Depois de algum tempo, Biske acordou com o Sol brilhando na sua cara. Percebeu que estava em sua forma de humana e, ao checar, percebeu que estava usando um vestido branco que parecia ter sido feito de improviso com um lençol.

– Estou deitada e com uma roupa que colocaram em mim? Espero que ninguém tenha se aproveitado do meu corpo, a menos que tenha sido um homem e bem gato.

Ao olhar ao seu redor, ela viu algumas fadinhas pequenas e também a rainha Catenária.

– Finalmente você acordou! – disse a rainha.

– Na última vez que eu te vi você tinha virado carvão... –comentou Biske.

– Já que as minhas irmãs são um bando de inúteis, uma antiga amiga vinda de fora me encontrou e me curou a tempo. Ela te salvou também sabia?

– E onde está... – foi então que Biske viu a Braquistócrona um pouco afastada das fadas fofoqueiras que estavam ao seu redor – Peraí, é você que anda junto com o Hyugi e a sua turma?

– Posso dizer que sim – confirmou a ruiva.

– Ele tá aí com você? Tô precisando de uma boa... conversa.

– No momento ele está caminhando para uma luta de vida ou morte contra o grande vilão Zerus Rose, mas quando ele voltar dou o seu recado.

– E por falar nisso, você e seu finado amigo quase ferraram tudo por buscar ajuda daquele traste não é? – comentou Catenária.

– Olha só quem fala, se você não tivesse sumido com a rainha Bestial todas essas merdas não estariam acontecendo. Por falar nisso, você está bem? – a rainha da energia confirmou, então Biske deu um soco nela – eu nunca canso de te bater!

– Entendo sua raiva, mas já não te disse que de alguma forma ela conseguiu voltar?

– Mentira! – gritou Biske.

– É possível que ela realmente tenha voltado – Bráqui entrou na discussão – pelo que eu e a rainha conversamos antes de você acordar, a Rainha Bestial foi mandada para o vazio entre os universos. O Urahara, que é o nerd mais insuportável que eu já conheci, me disse na noite passada que no alinhamento, que está acontecendo agora, as dimensões estão mais próximas e também bagunçadas. Assim, pode ser que ela tenha conseguido voltar para Dungeoneer. E por falar nisso, há um exército de seres de outro mundo vindo para cá matá-la, rainha Catenária!

– Não entendi metade do que você disse, mas de uma coisa eu tenho certeza, se a Rainha Bestial tivesse voltado depois de um século desaparecida, o primeiro lugar que ela teria ido é ao seu próprio reino (ou para um rodízio).

– É possível que ela tenha perdido a memória nas viagens entre diferentes mundos, na última vez em que estive com o Sortudo ele me contou que existem relatos de viajantes do multiverso que perderam a memória, principalmente quando a viagem ocorre de um universo inferior para um universo superior. Muitas vezes essa perda é tão grande que até a sua aparência muda, a Rainha Bestial pode estar andando entre nós que nem perceberíamos – disse Bráqui.

Nesse momento, as fadinhas fizeram cara feia para a Braquistócrona e saíram voando.

– Eu disse alguma coisa errada? – perguntou a ruiva.

– Você sabe como as minhas irmãs sofrem de um caso crônico de fogo no rabo, elas ainda não se conformam com o fato do Sortudo ter deixado a floresta para ficar com você, é por isso que te odeiam. O que elas não entendem é que se o Sortudo não tivesse saído, nunca teria trago os heróis do outro mundo e estaríamos todos perdidos – disse Catenária.

– E quem é esse Sortudo, por acaso um homem alto, bonito e forte? – perguntou Biske.

– Não, é um macaco alado de trinta centímetros – informou a rainha, fazendo a Biske fazer uma cara de “que porra é essa”.

– Não quero saber de fadas ciumentas ou qualquer merda dessas – ela deu um suspiro – agora que vocês falaram que a Rainha Bestial está em Dungeoneer, perdeu a memória e mudou de corpo, acho que já estive duas vezes com ela.

– Como? Tem certeza? – Catenária estranhou.

– Claro que não, mas tenho que tentar – ela deu um cascudo na fada – só não tenho a mínima ideia de como encontrá-la.

–Se você já esteve com ela em sua suposta nova forma, há uma maneira de reencontrá-la. Venham comigo.

A rainha conduziu as forasteiras até uma caverna. No seu interior, havia uma grande quantidade de frascos, livros e pergaminhos.

– Essa é uma poção com a magia seguir – a rainha entregou um frasco para Biske – beba a poção, mentalize a pessoa que deseja encontrar e o feitiço irá se encarregar do resto.

– E quem me garante que eu não vou parar em Dar-Shan? – perguntou Biske.

– É uma magia incomum, mas não rara, eu mesma já a utilizei uma vez. Pode beber sem medo – falou Bráqui.

– Leve uma de reserva, quando precisar voltar aqui é só pegar essa pessoa que você acha que é a rainha, mentalize a mim ou a senhorita Braquistócrona que rapidamente as duas virão novamente para cá – Catenária entregou outra poção para Biske.

Mesmo desconfiada, Biske bebeu a poção e imediatamente, saiu voando para longe com uma velocidade incrível.

– Será quem ela está certa sobre quem é a Rainha Bestial? – perguntou Catenária.

– Eu tenho um palpite, mas prefiro deixar por conta dela, afinal, ela é súdita da Rainha Bestial e deve conhecê-la melhor do que nós, não é mesmo? – disse Braquistócrona.

– Concordo. Além disso, o nosso destino está nas mãos dos heróis da profecia, nós temos muito pouco o que fazer – falou a rainha.

– Apenas mantenha-se viva. Eu ficarei aqui para protegê-la, além disso, dois companheiros meus estão em uma das entradas da floresta prontos para deter quem quer que passe por eles.

*****

Biske ficou meia hora voando sem controle, com insetos entrando na sua boca e olhos e galhos batendo no seu rosto, até que pouco depois de deixar a floresta, ela aterrissou.

– Fada desgraçada, em vez de me dar uma magia de teletransporte me deu esse voo desengonçado, vou dar uma sova nela quando voltar.

A loira olhou em volta e viu que estava em um campo bem aberto e com poucas árvores. Começou a andar procurando pela suposta rainha sem memória e com outro corpo, até que viu uma tenda.

– Ela deve estar aqui – Biska deu uma batidinha na tenda – Ô de casa!

Logo saiu da tenda Hisana com os olhos inchados, remela nos olhos, cara de sono e muito mal humorada.

– Que é que tu qué a uma hora dessas? – reclamou a moça.

– Preciso muito, mas muito mesmo falar uma coisa muito séria com você.

– Te conheço?

– Você não deve lembrar de mim, nos vimos duas vezes em dois restaurantes diferentes. Como você tem o apetite de uma tropa e tem uma forma humana e uma animal, tenho razões para achar você é a rainha Bestial que está desaparecida há mais de cem anos.

– Agora tô lembrando de você... Olha, eu não tenho mais de cem anos, nunca ouvi falar nessa tal rainha besta e só quero voltar a dormir, por favor, me deixe em paz.

– Que pena, a rainha fada me mandou te chamar para um enorme churrasco no reino dela, os pernis de javalis gigantes, as costelas de búfalo de duas cabeças e todos os frangos bombados vão acabar estragando se ninguém comer...

– Agora lembrei, eu sou a Rainha Bestial! Onde está o churrasco?

– Segure firme em mim.

Hisana fez o que Biske mandou, e em seguida, a Queen Kong bebeu a poção extra que a Catenária deu, mentalizando o rosto da rainha. Assim, as duas mulheres começaram a ser “sugadas”, se lascaram todas quando entraram na floresta até que, enfim, aterrissaram cheias de machucados na frente da fada e da Braquistócrona.

– Tô toda dolorida, espero que o churrasco seja muito bom – disse Hisana.

– Churrasco? – a rainha estranhou.

– Arranje um churrasco agora senão eu faço um churrasco de fada e dou pra ela – ameaçou Biske.

– Entendo. Ô bando de inúteis, assem todo o nosso estoque de carne se for preciso e alimentem essa mulher – a rainha gritou para os seus súditos, que rapidamente começaram a fazer o que a soberana mandou.

Em pouco tempo algumas carnes começaram a ficar prontas e Hisana as devorou prontamente.

– Mais! – ordenou a morena.

Catenária, Biske e Braquistócrona a observavam de longe.

– Realmente ela lembra muito aquela cujo nome não pode ser pronunciado, mas ainda não tenho certeza – disse a fada.

– E como podemos descobrir se ela é ou não a rainha desparecida? – perguntou Bráqui.

– Se pelo menos minha bolsa estivesse aqui... – falou Biske.

– Eu a guardei depois que te tirei daquela pilha de cinzas que você estava enterrada, toma – Braquistócrona tirou uma bolsa de dentro de outra bolsa e entregou à Biske.

– Obrigada – ela remexeu a bolsa e tirou um frasco com um líquido rosa de dentro dela – Ei, Hisana, que tal uma bebida pra acompanhar o churrasco?

– Boa ideia! – Hisana deu um salto, pegou o líquido e deu um gole – Eca, isso é horrível!

A morena deixou o restante da poção em cima de uma mesa rústica feita do tronco de uma árvore e voltou até a churrasqueira.

– O que você tentou fazer? – perguntou Catenária.

– Isso é um suco de fruto do passado, roubei do Zerus.O corpo de quem o beber volta muitos anos no tempo. A lógica que estou seguindo é a seguinte: se ela era anteriormente a minha rainha, ela voltará ao seu corpo antigo, entendeu?

– Manobra muito inteligente. Será quanto tempo teremos que esperar? – falou Braquistócrona.

Nesse momento, todos foram ofuscados por um intenso brilho e pouco depois, ouviram um choro de bebê. Quando a luz se dissipou, puderam ver que Hisana sumiu e havia um neném de alguns meses de idade com características físicas parecidas com as suas no seu lugar.

– Ela virou bebê do nada! – gritou um gnomo.

– Putz grila, fiz merda! – se espantou Biske.

– Parece que ela não é a rainha Bestial – Catenária deu um suspiro – Bem, vou ordenar que as minhas irmãs cuidem dela.

Assim, as fadinhas improvisaram uma cama e uma mamadeira para a pequena Hisana, que bebeu todo o seu conteúdo em apenas um gole. Biske, Braquistócrona e Catenária apenas ficaram no mesmo lugar, sem a menor ideia do que fazer para resolver esse problema.

*****

Zerus estava em sua cama, aparentemente com algum mal estar. Repentinamente ele ouviu uma voz o chamando e se levantou.

– Rei, é você? – perguntou o vilão.

– Sou eu mesmo – disse uma voz que ecoava pelo quarto, porém não havia mais ninguém além de Zerus ali.

– Fico feliz em ouvir sua voz, vejo que as dimensões estão cada vez mais próximas!

– Não tão próximas a ponto de eu poder atravessar o vazio e chegar até aí, mas pelo menos a minha voz consegue.

– Isso é apenas questão de tempo. Logo eu poderei destruir uma plantinha que eu cultivo no meu quarto há quase um ano há há há.

– Eu também enviei os meus generais para as coordenadas que você me indicou, tenho certeza que a outra rainha não será páreo para eles.

– Você está certíssimo senhor, apenas não se esqueça da Teoria do Ninja Reverso.

– Mudando de assunto, e quanto aos heróis do outro mundo, a profecia é verdadeira?

– Infelizmente sim. Eles venceram todas as etapas e estão vindo para cá nesse momento.

– Você está reinando em Dungeoneer, não tem súditos que possam interceptá-los?

– O caminho de luz que os heróis estão percorrendo não pode ser atravessado por nativos de Dungeoneer, sem contar que meus súditos neste mundo são um bando de palermas. Eu mesmo poderia entrar na via e pegá-los de surpresa, mas um macaco pulguento usou uma magia que programou um selamento do meu castelo para quando os visitantes do outro mundo abrissem a estrada de luz. A única coisa que posso fazer é esperar.

– Você sabe as coordenadas desse tal caminho?

– Dezesseis, Z, dedo do meio, bola, xis, duzentos e quarenta, i, pi, carinha sorridente.

– Ótimo, mandarei uns soldados meus darem cabo desses tais heróis. Câmbio, desligo.

– Beijinho rei, tô com saudade!

Após o fim da conversa, Zerus se dirigiu até a janela.

– Você pode ser um rei, mas eu sou uma diva bafônica há há há!

– Eu ainda estou ouvindo! – disse o rei.

– Brincadeirinha amor! Agora vou tomar um banho, não posso estar fedendo quando o Cenourinha chegar.

*****

Em uma das entradas da floresta, Loren e Sony haviam acabado de acordar.

– Nossa, o Sol já está alto, dormimos demais – comentou o rapaz.

– Fomos dormir tarde, é natural acordar tarde. Por falar nisso, depois do café podemos dar mais umazinha? – propôs a garota.

– Já demos trezinhas ante de dormir, você não cansa? Além disso já está claro, alguém pode nos ver.

– Tá decidido, vamos tomar café e depois você vai me comer de novo, você querendo ou não!

Sony acendeu uma fogueira e começou a assar um lagarto que caçaram na noite anterior, quando sentiram a terra tremendo.

– Terremoto? – supôs Loren.

Nesse momento, o casal viu sete homens vestindo elegantes armaduras douradas, que marchavam em direção a eles. Atrás deles estava uma menina com uns onze anos de idade, longos cabelos pretos, uniforme de colegial e segurando uma filmadora.

– Será que é aquele exército que o Urahara falou? – sussurrou Sony.

– Só tem uma maneira de saber. Ô seu caras de armadura, por acaso vocês estão indo matar a rainha fada? – gritou a loira.

– Estamos, saiam do nosso caminho ou preparem-se para encrenca! – disse um deles.

– Encrenca em dobro! – completou outro.

– Viu como foi fácil descobrir meu gatinho? Agora é só lutar com eles – disse Loren calmamente.

Loren invocou sua armadura e espada, fazendo os soldados babarem. Se aproveitando dessa distração, ela acertou um deles com uma rajada de energia, o deixando no chão e todo queimado.

– Essa foi fácil – comentou a garota.

– É melhor desistirem de matar a rainha da energia! – ordenou Sony, segurando o seu bastão.

– Como ousa nos dar ordens seu moleque! Nós somos os maiores generais do nosso mundo, os grandes... – disse um dos soldados.

– Os poderosos... – continuou outro.

– Generais Marinas! – terminou o terceiro.

– Generais marinas? – Loren e Sony não entendiam nada.

– Vamos fazer um demonstração. Solta o som Tomoyo!

A garota apertou um botão na sua câmera, que começou a tocar o instrumental de uma música, e logo os generais começaram a dançar e cantar em coro.

Vem chegando u verão

U calor nu coração

Essa magia colorida

São coisas da vidaaaa

...

Essa noite eu queru ti ter

Toda si ardendo só pra mim

Essa noite eu queru ti ter

Ti involver ti seduzir

– Eles são mesmo os maiores generais do mundo deles? Se eles não são de Dungeoneer, nem da Terra, nem de Etérnia, de onde esses caras são? – Sony analisava os bizarros inimigos.

Loren lançou uma nova rajada de energia, deixando o general que foi atingido por ela morto no chão.

– Quando vocês vão parar de dançar e começar a lutar?

Nesse momento só haviam mais cinco generais marinas vivos, que finalmente atacaram. Depois de cinco minutos de um tedioso combate, Loren e Sony saíram vitoriosos.

– Essa foi fácil – comentou Loren.

– Nem se comparam à Maga Patológica e muito menos ao Rei Szayel – disse Sony.

Ao olhar melhor, o casal percebeu que a garotinha continuava filmando.

– Ei garota, vai nos contar que história é essa de generais de outro mundo, rei e esses trecos – falou Loren, segurando ameaçadoramente sua espada.

– Por favor, abaixe essa espada – pediu a garota – sou apenas uma cinegrafista e o rei me ordenou filmar a invasão desse mundo pelos Generais Marinas, mas parece que a invasão deu errado.

– Explique melhor de onde vocês vieram e o que querem – disse Sony.

Quando a menina ia começar a falar, uma gosma verde disparada de algum lugar estava prestes a acertá-la, então Loren a empurrou, a salvando de ter um fim trágico e muito nojento.

– Menina linguaruda, não é a toa que a garota das cartas não quer saber de você! – disse um outro homem com uma armadura parecida com a dos Generais Marinas, porém ele tinha um nariz duas vezes maior do que a sua cabeça.

– E quem é você? – perguntou Sony.

– Sou o General Narina, e agora chegou a hora de vocês morrerem!

O narigudo expeliu outra gosma na direção da Loren, que colocou sua espada na frente a fim de se defender do ataque. Antes que a meleca a atingisse, Sony se jogou na frente dela e recebeu o ataque.

– Por que você fez isso? – reclamou a mulher, vendo seu namorado todo melecado e deitado no chão.

– Certamente a meleca ia passar pela sua espada e te atingir, você é bonita demais pra ficar melecada – ele sorriu – eu sou meio-hollow, sou acostumado com coisas nojentas.

– Você vai pagar Ahhhhh!

Loren partiu para cima do General Narina com sua espada brilhando. O general deu várias catarradas, porém ela foi se esquivando até chegar perto dele e acertou um golpe de espada em cheio nele, rasgando sua armadura e atingindo o seu corpo.

– O quê? Isso é impossível, eu nunca fui atingido por um inimigo – reclamava o homem.

– Sempre tem uma primeira vez e no seu caso, será a última. STAR FALL!

Ela lançou sua rajada energética, torrando o inimigo.

– Sony, você está bem? – Loren foi ampará-lo.

– Estou – ele levantou, ainda coberto pela gosma – to sentindo minha pele queimar, tenho que encontrar rapidamente um rio pra me lavar.

Enquanto Sony, com a ajuda da Loren, se levantava, ouviram um grito.

– Cuidado!

A menina da câmera avisou ao casal, que viram uma gosma maior, mais verde e mais nojenta vindo na direção deles. Sem alternativa, Sony segurou sua namorada, entrou num portal e saiu logo atrás do General Narina. Aproveitando da posição privilegiada, Loren cortou a cabeça do inimigo com sua espada.

– Essa foi por pouco, nunca mais confio em raiozinhos pra matar um cara de nariz enorme, melhor dar uma pexerada mesmo – comentou a mulher.

– Obrigado menina – Sony agradeceu à garota.

– Eu quem agradeço, vocês me salvaram da meleca do general. Vocês formam um casal muito lindo, se quiserem fazer uma sexy tape eu posso filmar, prometo que não coloco na internet!

– Agradecida, mas vou recusar – disse Loren.

– Do que vocês estão falando? – Sony não estava entendendo.

– E Sony, é esse seu nome né? É melhor você tomar logo um banho antes de ser dissolvido pela meleca ácida, e que bom que não foram atingidos pelo super catarro que pode romper até mesmo campos de força.

– Desde ontem estamos procurando água e não encontramos, não é melhor você se transportar pra um rio ou lago? – sugeriu Loren.

– Não sei, na hora que passei pelo espaço entre os universos senti o tempo-espaço muito instável, não é seguro.

– Nossa, você está falando igual àquele Urahara .

– Falaram meu nome? – repentinamente, Urahara apareceu.

– Oi. Você por acaso tem alguma coisa pra me salvar de ser derretido por essa gosma? – perguntou Sony.

– Não, se for atingido por ela, lave com água em abundância. Mas olhem para ali!

O cientista apontou para a trilha que conduzia para a entrada da floresta, e viram que a última catarrada (essa é a última vez que cito isso, prometo) atingiu alguma coisa invisível e parecia estar derretendo seja lá o que for.

– Que interessante, eu pesquisei por anos alguma maneira de quebrar o feitiço mal feito da falecida fadinha, e esse General Narina fez isso sem querer.

– O que isso quer dizer? – perguntou Loren.

– Que agora há um buraco pelo qual qualquer um, mesmo quem não for humano, conseguirá entrar na Floresta Amazônica, e também as fadas, gnomos, rangers e outros bichos lá de dentro conseguirão sair.

– E o que faremos agora?

– A melhor maneira de proteger a rainha é estar perto dela. Venham comigo – disse Urahara.

– Eu não conheço nada desse mundo, posso ir com vocês? – pediu a menina da filmadora.

– Claro. Seu nome é? – perguntou Loren.

– Tomoyo Daidouji!

– Não temos tempo pra apresentações, depois vocês tricotam – Urahara jogou uma pokébola, de onde saiu um pequeno dinossauro – subam, esse Rapidon nos levará até a rainha rapidamente.

Os quatro subiram no animal Rapidon, que apesar de estar carregado um grande peso, correu rapidamente pela mata. Fizeram uma pequena pausa para o Sony tomar banho em um rio e depois voltaram ao seu caminho. Depois de uma hora percorrendo a mata, finalmente chegaram à floresta dentro da floresta onde a rainha e as outras fadinhas vivem.

– Chegamos – anunciou Urahara.

– Que lugar estranho, vamos procurar a Senhora Bráqui – falou Sony.

Pouco tempo depois, a rainha surgiu voando diante deles, sendo seguida pela Biske e pela Braquistócrona.

– Quem são vocês? – perguntou a fada, com um tom ameaçador.

– Sony, Loren? – Braquistócrona estranhou – como conseguiram entrar na floresta?

– O General Narina abriu um buraco na barreira e entramos, então o Urahara nos trouxe até aqui – contou Loren.

– E onde está ele? – perguntou Bráqui.

Loren, Sony e Tomoyo olharam para trás e não viram nem rastro do homem do chapéu listrado nem do seu estranho animal.

– Esse Urahara tá pior do que o Mestre dos Magos – reclamou Loren.

– Vejo que vocês são amigos da Braquistócrona, então são meus convidados – disse a rainha.

– E quem convida dá banquete. Tô com fome – disse Loren.

– Bando de fadas inúteis, vão assar carne pra minha convidada – disse a fada.

– Biska, você por aqui – cumprimentou Loren, enquanto esperava pela refeição.

– É Biske! Eu vim até aqui tentando localizar a minha rainha, mas infelizmente não deu certo. Bem, pelo menos dei umas porradas nessa fada desgraçada – falou a mulher hulk.

– Eu vim ajudar a proteger essa fada desgraçada. Sabia que tinham oito caras vindo matá-la? Mas eles eram bem fraquinhos, eu e o Sony já demos cabo deles – contou a guerreira.

Finalmente as fadinhas colocaram mais carne assada na mesa de tronco, então Loren prontamente foi fazer uma boquinha.

– Quem é essa garota? – perguntou Bráqui, apontando para a menina da câmera.

– Meu nome é Tomoyo, muito prazer! Eu estava com os caras maus, porém sou boazinha. O rei me mandou filmar os generais marinas invadindo esse floresta e matando a rainha fada, mas fico muito feliz que eles não conseguiram, essa fada é tão linda, no meu mundo fadas são só histórias para crianças e fiquei emocionada em ver uma de verdade! – apareceram estrelinhas nos olhos da menina.

– Muito suspeito – disse Biske – acho melhor você contar direitinho de onde você veio e que porra é essa de rei.

Quando Tomoyo ia começar a falar, ouviram a voz da Loren resmungando alto.

– Eca, que suco ruim é esse? – ela havia acabado de beber o mesmo suco que Hisana havia bebido horas antes.

– Você bebeu... – a fada estava chocada.

– Tenho uma má notícia, Sony – Bráqui deu um longo suspiro – você tem paciência pra esperar uma garota crescer pra poder pegar?

– Que tanto mistério é esse? – Loren não entendia porque as mulheres estavam tão alarmadas.

Nesse momento, Loren ficou tonta e logo em seguida, seu corpo emitiu um brilho intenso que ofuscou a visão de todos, porém segundos depois a luz se dissipou.

Biske olhou para Loren e se ajoelhou, com lágrimas nos olhos.

– Rainha!

Notas finais
Wow, finalmente revelei que a Loren é a Rainha Bestial, estou guardando isso desde o capítulo 3. Não sei se foi surpresa pra vocês, afinal, deixei várias pistas pelo meio do caminho. E quanto à Hisana? Como diria o Joãozinho, foi só pra complicar. É isso, obrigado aos sobreviventes. Até o próximo capítulo.