Dungeoneer - Interativa
41 Pois é, a vida é realmente injusta.
Notas iniciais
– Sortudo? – disseram (quase) todos em uníssono.
– Quem? – Biske e Tomoyo não sabiam quem era esse que todo mundo ali conhecia.
– Sortudo, que saudade! – disseram algumas fadinhas, que logo saíram voando com o rabo entre as pernas ao ver Braquistócrona rosnando para elas.
– Onde você se meteu esse tempo todo? – perguntou Bráqui, em tom de cobrança.
– Vamos resolver uma coisa de cada vez. Antes de tudo, rainha – o macaco se curvou diante da rainha bestial – assim que vi sua armadura, tive certeza de que você era você, mas você precisava descobrir isso por si mesma.
– E com ajuda daquele suquinho que roubei do Zerus – completou Biske.
– Tá bom, tá bom, chega de puxassaquice, você falou que mesmo a rainha da energia tendo morrido não estamos fudidos, então qual é a sua solução? Vai usar o feitiço ressucitastis fadis vadiais? – falou Loren, ou rainha, sei lá.
– Não existe esse feitiço , a única maneira de se ressuscitar alguém é juntando as esferas do dragão e não temos tempo pra isso. Vocês sabem como a sucessora da rainha da energia é escolhida?
– Não sei nem quero saber – disse Loren.
– Eu só entendo de armas, itens mágicos e batalhas – falou Braquistócrona.
– Não me perguntem, acabei de chegar nesse mundo – Tomoyo se justificou.
– Arf, deixa que eu mesmo respondo. Quando o príncipe das fadas chega sabe se lá de onde, ele e a rainha têm dezenas de filhas fadas, que crescem uns vinte, trinta centímetros no máximo. Porém uma delas, talvez por razões genéticas sei lá, cresce até ficar com o tamanho de uma humana, e essa fada super crescida se torna a sucessora depois da morte da mãe – explicou Sortudo.
– E isso resolve o nosso problema em que? – insistiu Loren.
– Se conseguirmos fazer qualquer dessas fadinhas crescer, ela poderá se tornar a rainha sem impedimento algum – informou o macaco.
– Nossos problemas acabaram, estica uma delas agora e pronto! – a bestial se animou.
– Não é tão simples assim. Eu só conheço uma forma de se fazer alguém crescer tanto, que é comendo um cogumelo vermelho do Mário, que não é natural de Dungeoneer. Sabe quem é a única pessoa que tem um desses?
Como todos se calaram, ele próprio respondeu.
– O Zerus Rose!
– Putz grila, se eu soubesse disse teria roubado um desses também – Biske se pronunciou – então vamos invadir o castelo, encher ele de porrada e pegamos esse tal cogumelo.
– O problema é que, para evitar que o Zerus fugisse durante o alinhamento, eu criei uma barreira mágica em torno do castelo. Até o fim do dia, ninguém entra e ninguém sai do castelo a não ser os heróis da profecia usando o caminho de luz!
– Então quer dizer...
– Quando os heróis vencerem Zerus, a barreira se dissipará. Assim que isso acontecer, eu posso me teletrasportar para lá, pego o cogumelo e tudo fica bem. O problema é que se o alinhamento acabar e ainda não houver uma nova rainha fada, bum, a gente já era! – explicou o macaco.
– Só podemos esperar então – concluiu Braqui.
– Esperar de cu é rola – a rainha besta levantou, estufando o peito e fazendo pose heroica – eu vou até lá, vou só resolver um problema pessoal antes, tapem os ouvidos!
A rainha foi até o Sony, que estava um pouco afastado do grupo e sem pronunciar uma palavra desde o capítulo trinta e nove.
– Sony, por que você tá com essa carinha?
– É que... – o garoto hesitava em dizer.
– Desembucha logo!
– Agora que você é a rainha e não mais a Loren, não vai mais querer saber de mim, estou até surpreso de você não ter me esquecido.
– É isso? Eu não esqueci de você, na verdade, não esqueci de nada da minha vida como Loren. Eu ainda tô confusa, tenho lembranças de duas vidas, estou no meio do apocalipse e não consigo controlar minha própria força, mas eu ainda sou eu, só estou mais forte e mais bonita do que antes.
O garoto sorriu, então Loren o beijou suavemente e continuou sua fala.
– Além disso, a rainha Bestial sabe fazer umas coisas que a Loren Raisen não sabia.
– Como assim?
Ela falou algumas coisas no ouvido do Sony, que ficou com o rosto vermelho, mas logo deu um grande sorriso.
– É sério?
– E desde quando eu brinco com essas coisas? Agora se afasta preu não te machucar.
O garoto fez o que ela mandou. A rainha olhou para o alto e começou a emitir uma luz branca. Logo suas unhas cresceram, assim como asas nas suas costas e ela as bateu, voando até uma altura de cerca de vinte metros. No ar, ela se transformou em um lindo e enorme dragão branco com detalhes dourados.
– Desfaça a barreira do castelo, Sortudo! – ela disse, com uma voz forte e metalizada.
– Impossível, ela só desaparecerá quando o alinhamento acabar! – falou o macaco.
– Então vou ter que quebrá-la na marra!
Ela bateu suas asas, derrubando a plateia com o vento produzido e depois disso, saiu voando e rapidamente sumiu da visão de todos.
– O mundo é tão injusto, a forma monstruosa dela é um lindo dragão e a minha é uma mulher gigante bombada com o clitóris super desenvolvido – reclamou Biske.
Os presentes foram se dispersando. Sony sorriu e, relaxado, foi dormir acompanhado do seu hamster. Biske foi procurar alguma coisa pra comer e Tomoyo mexia na sua câmera. Já as fadas continuavam tentando cuidar do bebê Hisana, tomando cuidado para não chegar perto do Sortudo com medo de serem esmagadas pela Braquistócrona.
Por falar no casal, o macaco, bem menor do que a mulher, se aconchegou no seu colo.
– Foi aqui que nos conhecemos, lembra? – ele falou.
– Faz tempo né? A finada Catenária ainda era criança, a mãe dela ainda era viva e essa floresta, próspera e protegida por habilidosos rangers – comentou a mulher.
– E hoje não existe mais um ranger sequer, a rainha está morta sem sucessora e metade da floresta virou cinzas. Se pudesse, eu mesmo acabava com a raça do Zerus.
– E por falar nisso, o que aconteceu quando você mandou os garotos pra fora do castelo e ficou enfrentando o Zerus hein?
– É uma longa história, mas já que não temos nada pra fazer vou te contar.
Lá estava eu andando tranquilamente pelo castelo, e é claro que eu já sabia que o inimigo era o Zerus, mas eu não podia simplesmente sair falando “Com todo respeito rainha, sua bicha amiga quer te matar e roubar seu trono”. Certamente Zerus ia acabar a convencendo de que eu é quem queria usurpar seu trono com ajuda dos heróis da Terra, e com aquele shinigami com cara de marica cismando com a gente, não seria fácil ter espaço pra provar que nós é quem éramos os mocinhos.
Voltando, eu estava andando pelo castelo procurando os heróis que tinham sumido quando ouvi gritos e barulhos de luta vindos do quarto da rainha, então soube na mesma hora que finalmente Zerus tinha se revelado. Ao entrar, vi o shinigami marica caído no chão e ferido, Loren presa por cipós e quase morrendo asfixiada, Beatrice chorando, Kon parado sem saber o que fazer, Junpei fazendo pose de galo quando vai brigar, Sony sacudindo o pinto e o Zerus mijado e com cara de que ia matar um. Ah é, e a rainha plantificada.
A batalha já estava desfavorável para os heróis, então Zerus lançou uma chuva de rosas contra eles, então os salvei com uma simples barreira. Porém ele fez menção de que ia liberar sua bankai, e sabendo que os heróis, no nível que se encontravam naquela época, não durariam nem um minuto se isso acontecesse, usei o feitiço “Calastes a boca do baitolis” pra impedir que ele invocasse o nome da sua espada, o impedindo que ele a liberasse, pelo menos por algum tempo.
Depois disso, ordenei que o Sony transportasse todos para a sua casa. Ele relutou por medo de ir parar em outra dimensão, eu até poderia ter usado um “Transportartis bocós pra casa da ferreira gostosis”, mas como eu tinha certeza de que ainda faltava um herói do outro mundo, deixei o Sony fazer todo mundo se perder pelas dimensões. Tudo bem que eu esperava que eles fossem parar na Terra pra quem sabe encontrar o quarto herói, mas eles acabaram indo parar em Etérnia e o último herói estava lá, demos sorte.
Logo que eles entraram no portal, o efeito do meu feitiço acabou e Zerus começou a cacarejar:
– Casa da Braquistócrona não é? Você acha mesmo que tendo todos os recursos da rainha Cunegundes ao meu dispor não vou descobrir aonde aquela ruiva falsificada se esconde?
– Pra sua informação, o cabelo dela é natural e não só os da cabeça! De toda forma, Flecha de Fogus!
– Flecha de Fogus? Não me faça rir – quando a minha flecha de fogo estava prestes a acertá-lo, ele rapidamente jogou uma semente no chão, a semente eclodiu e virou uma árvore de porte médio que balançou provocando um vento que dissipou a minha flecha de fogo.
– Como você complica as coisas, poderia apenas ter saído da frente da flecha. De toda forma, você sabe que podemos lutar por dias, mesmo que você libere sua bankai, ou não sabe? – eu provoquei.
– Lutar por dias? Isso vai cansar a minha beleza, preciso estar estonteante para quando o meu Cenourinha voltar, ou eu mandar capturá-lo, o que vier primeiro. Eu posso te plantificar assim como fiz com a burrinha da Cunegundes e caçar os heróis da profecia como se fossem repolhos.
– Eles já estão fora do seu alcance!
– Isso facilita o meu trabalho, espero o alinhamento, cometo um vegetacídio com a rainha Cunegundes, mando um bando de humanos matar a rainha Catenária e como eu já sei que a rainha cujo nome não pode ser pronunciado está entre nós, fico aqui esperando que ela venha atrás de mim e bang, acabo com ela! Isso se ela conseguir sair sabe se lá de qual dimensão estiver agora.
Seu plano me deixou intrigado. Proteger a rainha fada seria fácil, a rainha Cunegundes poderia ser salva pelos heróis, mas e quanto à rainha bestial? Pelo que a conheço, mesmo em sua identidade de Loren, ela é impulsiva o suficiente pra querer porrar o Zerus mesmo que isso coloque todo o universo em risco.
– Barreiris cheia de restrições em volta do castelis!
Explicando, lancei um complexo feitiço que criou uma barreira que só seria ativada no dia do alinhamento, onde ninguém seria capaz de entrar ou sair do castelo, a menos que percorra o caminho de luz. Teoricamente, ela serve para manter Zerus e seus guardas presos no castelo. Tudo bem, isso impediria que ele ou seus soldados saíssem em busca da cabeça da Rainha da Energia, mas a principal razão de ter usado esse feitiço foi manter a Rainha Bestial fora do castelo, já que ela não é genuinamente terráquea, não poderia percorrer o caminho de luz.
– Eu não entendi esse feitiço – falou Zerus.
– É claro que não, alguém tão vulgar como você não entenderia uma magia de alto nível como essa!
– Você fala de mais macaquinho, acho que você vai ficar melhor bem calado, empalhado e exposto na minha estante. Sinta um pouco do meu poder.
Ele sacudiu o seu florete e imediatamente, fui cercado totalmente por galhos retorcidos e espinhentos. Pouco depois, os galhos começaram a encolher na minha direção a fim de me espremer no meio deles.
– Só a título de informação, esses espinhos são venenosos. Adeus pulguento!
– Voumi empirulitar daqui!
Pouco antes de ser atingido pelos espinhos, usei essa magia de fuga. Minha intenção era ir para a sua casa, mas como foi um feitiço de emergência, acabei indo parar na Zimblóvia.
– Na Zimblóvia? É verdade o que dizem dela? – perguntou Bráqui.
– Que é a cidade mais intolerante de Dungeoneer? Pura verdade, e foram meses difíceis aqueles que fiquei por lá.
– Mas como não te mataram? Ouvi dizer que ninguém de fora pode entrar lá.
– Não é exatamente isso, as pessoas podem entrar na Zimblóvia, só não podem sair. Isso causa um sério problema de super população já que muita gente entra mas ninguém sai da cidade, e o pior, eles estão passando por uma crise alimentar ainda maior, pois a cidade tem uma população enorme e também grandes plantações todavia existe uma regra de que nada que cresce no solo da Zimblóvia pode ser comido. Assim, toda a comida vem de fora, mas como os entregadores de comida entram e depois não podem sair, cada vez menos pessoas se dispõe a fazer esse trabalho.
– Que povo idiota, prefere morrer de fome do que desobedecer uma regra.
– O problema é o que acontece com quem desobedece as regras. No centro da cidade há um cristal mágico que tudo vê, e se alguém desobedecer qualquer uma das leis, o cristal lança um laser que o desintegra instantaneamente. Eu vi isso acontecer algumas vezes.
– E como você saiu de lá?
– Eu tentei usar outro feitiço de empirulitação, mas depois de trazer quatro pessoas de outro mundo, criar uma barreira mágica em volta do castelo e vazar de lá, eu não tinha mana suficiente pra escapar da Zimblóvia sem ser pego pelo cristal. Mas pelo menos tive magia suficiente pra viver, o feitiço Criastes Franguinho Assadus me tornou bastante querido por lá e evitou que eu virasse macaco assado. De toda forma, após um longo período de meditação contemplativa, descobri que o ovo nasceu primeiro do que a galinha e que a única maneira de sair da cidade é fazer o próprio cristal desobedecer alguma regra e destruir a si mesmo.
– Eu li as regras na tábua das regras que ficava exposta no centro da cidade. Eram mais de sessenta leis, como uma que dizia que ninguém pode colocar os dois pés no chão ao mesmo tempo e outra que dizia que ao meio dia todos os cidadãos devem coachar como se fossem sapos, mas houve uma que me chamou a atenção: Ninguém pode matar o guarda da cidade. O guarda era um sujeito que ficava na porta da cidade e que deixava qualquer um entrar, sua utilidade era bem duvidosa, porém essa regra o protegia.
– Certa noite, eu coloquei um saco de papel na cabeça, pois tinha uma regra que dizia que tínhamos que fazer isso toda noite de lua cheia. Sorrateiramente eu o empurrei pra fora da cidade, e por descumprir a lei que proibia qualquer um de sair da cidade, o cristal o pulverizou. Como o cristal descumpriu uma lei e matou o guarda, ele lançou um raio que o destruiu e assim, Zimblóvia ficou livre da sua ditadura.
– Quando você saiu de lá? – perguntou Bráqui.
– Há um mês.
– E aposto que você estava andando atrás de alguma vagabunda nesse tempo.
– Já falei que eu não fico andando atrás de mulheres como você pensa, poxa Bráqui, quando você vai começar a confiar em mim?
– Eu estava preocupada... – seu tom amoleceu.
– Quando eu os localizei, já estavam em busca dos Templos dos Quatro Alimentos, a minha presença só deixariam os heróis preguiçosos.
– Nisso eu tenho que concordar.
– Mas eu estive perto de vocês esse tempo todo, e assim que o General Narina fez o buraco na barreira eu entrei na floresta, e aqui estamos.
– Que história linda a de vocês, o amor que supera até mesmo barreiras entre espécies diferentes! Tenho que colocar no youtube – disse Tomoyo enquanto filmava, de longe, a conversa.
– Quem é essa? – perguntou o Sortudo.
– Sei lá, acho que ela veio de carona com os heróis – disse Geodésica.
– Deixe eu me apresentar, sou Tomoyo, vim aqui a mando do rei para filmar a invasão dos generais marinas.
– Ah sim, eu cheguei a te ver quando estava escondido vendo a luta do Sony e da Loren contra os generais. Já que estamos aqui, de onde você vem e quem é esse tal rei?
– Eu vim da...
Antes que a menina terminasse a frase, um jato de água a atingiu e a arremessou contra uma grande árvore, desmaiando com o impacto (foi a Tomoyo quem desmaiou, a árvore está bem).
– X-9 morre cedo! – disse um homem com longos cabelos azuis que usava uma armadura dourada e segurava um tridente também dourado.
– E quem é você? – Sortudo e Braquistócrona perguntaram.
– Como ousam falar comigo dessa maneira, primata inferior e mulher machona armada até os dentes? Meus generais morreram, o cabeça de abacaxi e o moleque do short socado na bunda viraram casaca, o Zerus e o outro rei estão ocupados então eu mesmo terei que acabar com a rainha da energia!
– Você chegou atrasado, a rainha já está morta! – informou Sortudo.
– Hum, então é por isso que mesmo sendo muito poderoso, consegui chegar a Dungeoneer. Estamos quase no ápice do alinhamento e uma rainha está morta, logo as dimensões irão se encostar.
– Já deu pra perceber que você não é daqui e é o vilão – disse Braqui, pegando seu arco.
– Você é o rei do quarto universo não é isso? – Sony se aproximou.
– Olha, um de vocês tem cérebro! Já que um de vocês meio que percebeu quem sou eu, vou me apresentar corretamente. Meu nome é Poseidon, o rei da Friendzone!
– Então é esse o misterioso quarto universo, nunca citado em qualquer escritura sagrada... – comentou Sortudo.
– Exatamente! Eu vim aqui para acabar com a rainha dessa floresta, mas já que alguém fez isso por mim, vou matar vocês pra não perder a viagem.
Poseidon apontou seu tridente e lançou um jato d’água contra os heróis. Sortudo segurou Braquistócrona pelos braços e voou bem alto, livrando os dois de um banho. Já o Sony, que estava fingindo estar dormindo até agora, colocou o seu mega bastão evoluído na frente do ataque a fim de se defender, porém não é uma boa ideia se defender de um fluido com um bastão, então a rajada d’água atravessou a arma, de forma que Sony levou a chapuletada da mesma maneira e foi arremessado para longe.
– Um já foi – comemorou o rei.
– Desgraçado!
Bráqui se livrou das mãos do Sortudo lá no alto mesmo, caiu elegantemente em pé e disparou cinco flechas ao mesmo tempo contra o inimigo. Infelizmente, nenhuma das flechas foi capaz de sequer arranhar a armadura do Poseidon.
– Flechas contra mim? Faça me o favor...
Poseidon lançou novamente aquele jato d’água que atingiu a mulher em cheio.
– Bráqui! – gritou Sortudo lá do alto.
– Senhora Braquistócrona – gritou Sony, que estava um pouco ferido, mas sem gravidade.
Logo que a água se dispersou, todos puderam ver a mulher na mesma posição e com os cabelos molhados. Suas roupas foram totalmente rasgadas e ela não ficou nua apenas porque seu corpo estava coberto pela sua vermelha e bem tampada armadura que usava por baixo.
– Um jato d’água contra mim? Faça-me o favor... – ironizou a mulher, fazendo Poseidon bufar de raiva.
– Flutuarte cara estranho!
Assim que Sortudo lançou o feitiço, o corpo do Poseidon inchou feito um balão de ar e começou a flutuar. Aproveitando disso e sabendo que flechas não atravessariam sua armadura, ela pegou uma adaga na sua sacola e arremessou contra o rei, mas assim como anteriormente, não conseguiu infringir qualquer dano a ele.
– Como eu faço pra atingir esse cara? – Bráqui perguntou para si mesma.
– E aí macaco fedorento, vai ficar aí voando e deixar sua fêmea apanhar? – disse Sony, já em pé e em sua forma hollow.
– Um híbrido humano-hollow? Vou deixar pra ficar surpreso depois, no momento: Raios, raios duplos, raios triplos!
Sortudo pronunciou as palavras mágicas e três raios caíram do céu na cabeça do inimigo, o derrubando no chão.
– Ele não deve ter resistido, lida com água e usa uma armadura metálica, com certeza levou uma descarga elétrica muito fuderosa – resmungou Sortudo.
Poseidon ficou no chão e imóvel por alguns segundos, até que levantou chamuscado e com os cabelos arrepiados.
– Eu estou horrível, isso não é maneira de tratar um rei! Você vai pagar, seu maldito!
Ele levantou o seu tridente e imediatamente nuvens negras cobriram a floresta.
– Eu não tenho medo de chuva, já que os raios do Sortudo não te mataram, vou te vencer na base da porrada mesmo!
Sony incorporado correu velozmente na direção do inimigo, empunhou seu bastão e o golpeou. Para se defender, Poseidon bloqueou o ataque com seu tridente.
– Bem o que eu queria – Sony sorriu, fez uma força absurda e conseguiu jogar a arma do rei para longe dali – quero ver você usar seus poderes sem esse garfinho.
Poseidon, sem mudar sua expressão facial, aproveitou o momento de “ah como eu sou foda” do Sony e deu um soco na sua máscara, que se quebrou e assim, o rapaz voltou à sua forma normal. Em seguida, o rei deu outro soco na cara do Sony, que o fez ficar tonto e cair feito jaca podre.
– Eu não preciso do tridente para usar meus poderes ou ser forte – ele levantou as mãos e como mágica, o tridente flutuou até voltar para sua mão – mas fica bem maneiro.
– Droga, eu não esperava ter que enfrentar um inimigo tão poderoso, só tenho mana suficiente pra um feitiço, e nem dos mais fortes... – pensou Sortudo.
– Vai ser na porrada mesmo!
Braquistócrona, de surpresa, deu um forte golpe com uma espada de duas mãos que ninguém tinha visto até agora. A lâmina se chocou contra a armadura do homem, liberou muitas faíscas e em seguida, se quebrou.
– Você quebrou minha melhor espada, que droga – disse Bráqui.
Logo depois, Poseidon atacou a mulher com seu tridente, que se chocou com a contra sua armadura, liberou muitas faíscas e em seguida, o tridente se quebrou.
– O que? Você quebrou meu tridente maneiro, e agora, como vou me apresentar pra rainha Saori com a cara queimada, cabelo arrepiado e sem meu tridente?
– Saori? – estranhou Braquistócrona.
O rei até havia esquecido o que faria com aquelas nuvens que invocou e, quando se lembrou disso, uma chuva torrencial começou a cair na floresta.
– Em doze horas, todos vocês morrerão afogados há há há.
– Não se você morrer antes disso.
Bráqui retirou outra espada, um pouco menor do que a anterior, da sua sacola de utilidades e fez um ataque visando acertar o rosto do inimigo, que estava descoberto, porém ele se esquivou.
– Muito esperta. Podemos ter horas de luta, nossas habilidades são muito próximas, assim como nossas armaduras.
– Um elogio, assim você me deixa encabulada – ironizou Bráqui – a minha armadura é de cristal de prata e já passou por duas evoluções, e a sua?
– Ouro, mas não qualquer ouro, o ouro banhado pelas lágrimas de um milionário que ofereceu tudo o que tinha para uma camponesa e mesmo assim ela preferiu fugir com um palhaço de circo.
Queria alguma informação para quebrar essa armadura, mas essa história de ouro com lágrima de velho babão eu nunca ouvi falar...
– Cansei dessa merda! – Biske surgiu já em sua forma monstruosa e deu um bico no Poseidon, que voou longe.
– Essa foi boa Biska – elogiou Bráqui.
Sortudo olhou para o céu, parecendo preocupado.
– Cuidado meninas, ainda não acabou! – advertiu o primata alado.
Assim que ele falou, vários raios caíram das pesadas nuvens que os cobriam e os três lutadores que ainda estavam de pé foram atingidos em cheio pela descarga elétrica.
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