Dungeoneer - Interativa
31 Não, é o Pato Donald.
Notas iniciais
Há mais de cem anos, a única fada de tamanho humano de Dungeoneer, a poderosa Rainha da Energia, previu que em breve o seu tempo de vida acabaria. Um dos indícios de que o seu fim estava próximo foi que ela recebeu a visita da única fada macho existente, o príncipe das fadas de sua geração. Ciente disso, ela precisava procriar: procriou de dia, procriou de noite, deitada na grama, dentro do rio, de papai mamãe, por cima, por baixo, de ladinho e procriou de quatro também.
Dessa relação nasceram dezenas de pequenas fadas. Pelas leis naturais de sua espécie, uma das suas filhas cresceria enquanto as outras continuariam com seus pequenos e ridículos corpos, e essa fada super crescida se tornaria sua sucessora, a nova rainha da energia, a única capaz de manter o equilíbrio da magia do mundo.
Durante os primeiros anos dessa geração de fadas, todas tinham o mesmo porte físico, sendo impossível saber quem se tornaria a próxima rainha. Todas elas eram treinadas nos feitiços básicos e também nas antigas lendas e profecias, porém uma delas se destacava, e seu nome era Geodésica. Ela era muito estudiosa e, certamente, a mais talentosa entre todas suas irmãs. Ainda criança, ela conhecia com perfeição as antigas escrituras e era perita em magia, conhecendo desde feitiços básicos até os mais elaborados, alguns restritos à rainha.
Os anos se passaram, e qual das fadas ficou alta e gostosa? A Catenária.
A surpresa foi geral, todos apostariam seus rins de que a Geodésica seria a próxima rainha. Ela se rasgou de inveja, mas teve que aceitar que nunca seria nada além de mais uma fadinha em meio a tantas.
Enfim, a antiga rainha morreu e iniciou o reinado da Geodésica. Ela conseguiu manter bem a estabilidade da magia, pois havia aprendido diretamente com a sua mãe, porém existia um problema ainda maior, que era manter o seu próprio reino unido. Frequentemente as fadas e gnomos brigavam entre si, e até mesmo os rangers, humanos com a capacidade de manipular plantas e que formavam o exército desse reino, passaram a discordar de como a nova rainha conduzia as coisas e não obedeciam aos seus comandos. Para piorar as coisas, a floresta começou a ser constantemente atacada, inclusive por seres extremamente malignos, como hollows muito evoluídos e até mesmo demônios, que todos consideravam extintos a muitos anos.
Então surge um salvador, um jovem discípulo do então chefe da guarda, chamado Zerus Rose. Alguns contestaram sua entrada no exército de rangers, pois ele não havia nascido na floresta e aparentava possuir poderes de shinigami, mas enfim, quando ele deu cabo sozinho de alguns Menos Grandes, todos passaram a confiar nele, inclusive a rainha Catenária, que o nomeou chefe da guarda e seu conselheiro pessoal assim que o seu mestre decidiu se aposentar e sumir. É inegável que a ascensão do Zerus fez as coisas melhorarem, ele defendia o reino e mantinha as fadas barraqueiras na linha.
Porém eles continuaram sofrendo ataque de monstros cada vez mais poderosos. Houve muitas baixas, e mesmo o poderoso Zerus tinha dificuldade em abatê-los, assim, ele deu a sugestão de pedir ajuda militar à Rainha Bestial. Assim, a rainha junto com Zerus e outro ranger chamado Allan foram em busca desse auxílio. Assim, eles chegaram ao reino das bestas, e conheceram a Rainha Bestial. Apesar de extremamente sincera em sua opinião a respeito do reino das fadinhas felizes, ela forneceu um molequinho para ajudar a outra rainha, um molequinho que virava um monstro gigante com três cabeças com o poder destrutivo de uma manada de elefantes gigantes com três cabeças.
No início, o soldado fornecido pela Rainha Bestial foi de grande ajuda, abatendo qualquer um que invadisse a floresta. Porém, em uma noite, ele se transformou em um demônio e quase destruiu todo o reino, sendo morto por Zerus. Em reunião com a rainha Catenária, a bicha destruidora chegou à conclusão de que tudo foi uma armação da rainha bestial, e que ela deveria ser eliminada. E como fazer isso?
Pois bem. Era de conhecimento comum que a rainha bestial adorava uma boca livre, então, Catenária a convidou para um festival de frangos gigantes, e ela compareceu. Em um momento de distração, a rainha fada utilizou um feitiço poderoso e controverso, capaz de banir qualquer um, mesmo uma rainha. Ela executou o feitiço e fez a Bestial ser mandada sabe-se lá pra onde.
Enfim, a “terrível” rainha bestial foi eliminada, e então Zerus mostrou sua verdadeira face. A rainha da energia estava fraca e praticamente imóvel, então ele se preparou para matá-la. Ele também revelou que Geodésica, aquela fadinha que queria ser a rainha, estava mancomunada com ele, embora ela própria tenha sido contra sua irmã ser morta. Como um último recurso pra tentar consertar a merda que ela mesma fez, essa fada executou o feitiço “Manter-te viadon longe darrente”, fazendo Zerus ser mandado pra bem longe. Como essa magia era de uso exclusivo da rainha, seu corpo não resistiu e ela virou purpurinha. Outro efeito colateral do uso do Manter... vocês sabem o resto, foi que uma redoma invisível foi criada em torno da floresta, e ninguém que estava dentro dela no momento em que o feitiço foi lançado conseguia sair, e qualquer criatura que não fosse um humano conseguia entrar.
Foi dessa forma que a Rainha da Energia e todo o seu povo ficaram presos na Floresta Amazônica. Ninguém sabe o paradeiro da Rainha Bestial, mas sabemos que ela não está morta, caso contrário, os monstros estariam fora de controle e destruindo tudo o que vissem pela frente, o que não aconteceu.
Podemos dizer que Zerus saiu vitorioso, ele inutilizou duas rainhas de uma vez só, e anos mais tarde, foi a vez da Rainha da Matéria, como já sabemos.
Pra que estou contando uma história repetida? Eu poderia dizer que era pra refrescar a memória dos leitores, já que esses fatos são importantes para o seguimento do enredo e muitos podem ter esquecido, mas na verdade o capítulo estava curto e resolvi escrever esse resumo pra ganhar umas palavrinhas extras no contador.
*****
Uma pequena fada voava apressadamente pela floresta das fadinhas felizes, até que encontrou uma companheira, que também parecia procurar por algo
– Você encontrou o Ranger? – perguntou a primeira fada.
– Nem sinal dele – respondeu.
– O que terá acontecido? Assim como nós, ele é incapaz de deixar a floresta. Será que morreu?
– Só sei que se não o encontrarmos logo quem morre somos nós, a rainha já está ficando impaciente.
As fadas se separaram e continuaram procurando pelo homem.
E por falar em fada, Catenária, a rainha da energia, dormia tranquilamente em cima de uma pedra, quando acordou repentinamente, aparentando estar assustada. Ela sentou-se e ficou olhando para o vazio, com lágrimas descendo pelos seus olhos (pelos ouvidos é que não podia ser).
– O que houve rainha, algum problema? – um gnomo que passava por ali veio correndo até Catenária, muito preocupado.
– Finalmente ela voltou – foi a única coisa que a rainha falou, e então começou a rir e chorar simultaneamente.
*****
O sol estava quase se pondo, e Beatrice, Braquistócrona, Junpei, Kon e Loren se preparavam para acampar durante a noite, afinal, andar pelo deserto durante a noite era perigoso e por mais pressa que tivessem, precisavam chegar vivos aos tais templos.
– Vamos comer e dormir, precisamos acordar cedo para seguir viagem – disse Braqui – Aliás, alguém aí sabe cozinhar?
– Lá em casa eu sabia, aqui não deve ser muito diferente – se ofereceu Beah.
– Tenho certeza que ficará delicioso, ainda mais que vai ter sobremesa – Kon lambeu os lábios, saboreando mentalmente alguma coisa.
A garota preparou alguma coisa, que apesar dos ingredientes serem estranhos para ela, ficou com uma boa aparência e todos se serviram. Loren sentou ao lado da sua amiga na hora da refeição, e foi direto ao assunto.
– Você consegue saber se o Sony está bem e, principalmente, se tem alguma prostigaliranha dando em cima dele?
– Eu só consigo me comunicar com alguém que esteja pensando em mim no momento, não fica bem o seu namorado pensando em mim nas horas vagas não é? E fique tranquila, não sei quem são esses monstros que ele vai enfrentar, mas ele é mais forte do que você pensa. Além disso, o Hyugi é um ótimo lutador, e o Kenta, que você conheceu muito rapidamente, luta muito bem com sua espada e aquelas correntinhas de Andrômeda que ele carrega.
– É... – Loren parecia não estar muito satisfeita.
– E não se preocupe com outras mulheres, não existe concorrente à sua altura. Ele não é muito de falar, mas tenho certeza que ele é louco por você e não quer saber de outra, principalmente depois daquela noite...
– Que noite?
– Você acha que era só me mandar dormir que eu dormiria na mesma hora? Poxa, não deu nem cinco minutos que eu fechei os olhos e já estava ouvindo gemidos, não abri os olhos porque não queria ver minha amiga de infância com coisas entrando...
– Ah, isso vai ter volta! – a loira tentava disfarçar que ficou envergonhada.
Enfim, depois da refeição, quase todo o grupo foi dormir, porém, quando Beatrice estava quase caindo no sono, sentiu alguém a cutucando.
– O que é Loren, já falei que o Sony não vai te trair.
Quando ela abriu os olhos, viu o Kon do lado dela a olhando com cara de tarado.
– Lembra que você me prometeu mostrar os peitinhos se eu sobrevivesse? Veja só, eu estou vivo!
– É verdade, mas não tem outra coisa que você quei... – antes de terminar a frase, a garota percebeu que o Kon começou a olhar fixamente para aquela região acima das coxas e abaixo da cintura e reconsiderou o que ia dizer – Tá bom, eu te mostro os meus seios.
Beah respirou fundo e tirou sua blusa, fazendo o seu espectador sangrar pelo nariz. Segundos depois ela tomou coragem e tirou o sutiã, exibindo seus seios grandes, com uma marquinha da blusa de alças formada pelas longas caminhadas sob o sol escaldante de Dungeoneer, mamilos pequenos de um rosa extremamente claro. Quando a garota ia se vestir novamente, sentiu duas mãos os segurando.
– Pára seu tarado, como você encostou neles tão rápido?
– Shampu!
Antes que ela tivesse qualquer reação, o garoto se afastou e rapidamente voltou a tocar os melões da moça.
– Hum, como são macios, valeu a pena tomar tanta porrada daquele gato pra aprender essa técnica.
Antes que Kon usasse novamente o shunpo, Beatrice acertou um super mega tapa na cara do rapaz, que vou longe e caiu rolando pela areia.
– Idiota!
“Ai ai, que mãos quentes e macias ele tem... será que eu devo?”, ela fechou a cara, colocou o resto da roupa e foi dormir ao lado da sua amiga, fingindo estar brava.
– E ai de você se chegar perto de mim!
Kon foi dormir, feliz e sonhando com as anjinhas.
– E aí, gostou da apalpada? – perguntou Loren à sua amiga, sem abrir os olhos e com um sorriso safado.
– O quê, quer dizer que você estava acordada? – perguntou Beah, com o rosto corado.
– Relaxa, não tem nada aí que eu nunca vi. Amanhã vou dar umas dicas pro Kon e você vai ver que na próxima vez o toque vai ser bem mais gostoso.
– Próxima vez? Tá doida, não vai ter próxima vez.
– Tá bom, eu acredito... mas bem que eu ouvi os seus suspiros!
– Vai dormir Loren, seu mal é carência!
– Isso é verdade. Vamos dormir então, quanto mais cedo sairmos mais cedo acabamos com essa loucura toda.
Finalmente, as garotas dormiram.
*****
Os três rapazes, Hyugi, Kenta e Sony, estavam andando rumo àquele lugar chamado An Hava.
– Quantos dias leva para chegarmos nesse povoado? – perguntou Hyugi.
– Se fizermos um bom ritmo, amanhã estamos lá – respondeu Kenta.
– Realmente eu não queria ver aquele ser novamente... – Sony praticamente sussurrou.
– Faz parte do caminho de um herói confrontar o passado – comentou Hyugi – você é meio hollow, esse rei que você fala é algum parente seu?
– Não necessariamente, mas já tive o desprazer de conhecê-lo.
– Tu é meio hollow? Porra, humanos nunca se dão bem por aqui, aquela sua namorada é gostosa pra cacete.
– Quê?
– Fica tranquilo, eu não consegui vê-la sem roupa.
– Agora eu que fiquei confuso – disse Hyugi.
– Depois eu explico. Estranho, eu não lembro de ter passado por essa caverna, será que eu me perdi de novo? – Kenta coçava a cabeça.
– Não estou querendo assustar vocês, mas olhem.
Sony apontou para trás deles, e os dois companheiros olharam. Hyugi não viu nada, mas Kenta pôde perceber que a rua que eles acabaram de percorrer havia desaparecido. – Quê, como, cuma? – Kenta ficou totalmente confuso.
– Parece que não foi só uma caverna que surgiu, o caminho que estávamos percorrendo foi totalmente remodelado – falou Sony.
Hyugi recuou, e percebeu que havia uma espécie de barreira invisível que o impedia de voltar para o lugar de onde vieram.
– Você está certo Sony, é como se estivéssemos em outro lugar – disse Hyugi.
– Só tem um jeito então, vamos entrar na caverna – chamou Kenta.
Todos concordaram e seguiram pela úmida, escura e assustadora caverna, e como ela era escura, mas absolutamente escura mesmo, ninguém enxergava nada.
– Ai – gritou Kenta, logo após dar de cara em uma parede.
Catabrock – Sony tropeçou e meteu o nariz no chão.
– Me sigam! – disse Hyugi.
– Como você não está caindo, tropeçado ou dando topadas? – estranhou Kenta.
– Caso você não tenha percebido, eu sou cego. Depois de oito anos no escuro, a gente aprende a se virar.
– Oito anos? Achei que fosse de nascença – comentou Sony.
– Isso não importa agora, venham, sigam minha voz!
Eles seguiram a voz do Hyugi e conseguiram chegar até ele, seguraram seus ombros e foram sendo guiados.
– No escurinho e tendo que ficar colado em dois sacudos, a Deusa só pode estar me castigando – resmungou Kenta.
O trio continuou sua jornada através da caverna, sem parar pra pensar em como ela surgiu e muito menos para onde ela irá levá-los. Eles andaram um pouco, depois andaram mais e finalmente pararam pra dormir. Acordaram e continuaram andando, e depois de andar muito, muito mesmo, eles puderam perceber uma luz no fim do túnel.
– Luz, que saudade eu estava de um pouco de luz – falou Kenta.
Pouco depois, eles ouviram alguém se aproximando.
– Atenção, alguém está se aproximando – avisou Sony.
– Não é apenas um, e sinto um estranho cheiro de...sei lá, peixe podre – disse Hyugi.
– Se forem peixes podres voadores mutantes estou preparado – Kenta empunhou sua espada.
Rapidamente, três monstros surgiram diante deles. Eles eram praticamente idênticos, quadrúpedes, cerca de dois metros do focinho ao rabo, corpo de couro verde, cabelos azuis longos e desgrenhados e uma máscara de osso cobrindo seus rostos. Sim, eram hollows.
– Ora ora, quer dizer que ele realmente voltou e trouxe mais aperitivos para nós – disse um dos hollows.
– Seu líder prometeu que se eu trouxesse os heróis da profecia ele libertaria o povo de An Hava, e aqui estão eles! – falou Kenta.
– Então esses são os heróis? Se os matarmos ficaremos famosos e o rei pode nos promover, vamos pegar, matar, esfolar! – os monstros atacaram, e começou uma batalha um contra um.
O hollow número um atacou Kenta com uma mordida, porém antes de ser atingido, o rapaz se defendeu colocando sua espada na frente. O monstro acabou mordendo a espada, soltando um urro logo em seguida.
– Você amassou minha espada – Kenta olhou para lamina da sua espada e as marcas de dentes que o hollow deixou nela – vou te sentar o sarrafo pra tu aprender!
– Uarrg! – gritou o monstro – você está reclamando de uma espada? Essa droga de lâmina quebrou meus dentes de triturar ossos, agora vou ter que te rasgar com minhas garras.
O hollow atacou novamente o Kenta, que bloqueou novamente o ataque com a espada. Dessa vez, o hollow levou a melhor e jogou a espada longe. Ele continuou atacando o humano, que se esquivava desesperadamente até que, repentinamente, o monstro sentiu algo atingindo sua máscara, a quebrando.
– Mas o que...
– Você achou mesmo que eu usaria minha principal arma assim de cara? Aquela espada eu comprei por um e noventa e nove de um chinês, mas essa corrente que atravessou seu rosto é controlada pelo meu pensamento. Adeus!
A máscara se quebrou em muitos pedaços, e o corpo do hollow virou pó logo em seguida.
Enquanto isso, Hygugi combatia o hollow número dois. Apesar do monstro atacar insistentemente, o garoto se esquivava com facilidade. O humano até acertou alguns golpes de espada no inimigo, porém nenhum deles o feriu seriamente.
“Droga, eu sei que tenho que acertar a face, mas onde fica a face dessa coisa? Não dá pra se guiar pelo cheiro, e a posição do rosto é totalmente diferente do que em humanos.”
Enquanto pensava em uma estratégia, o hollow pulou em cima do Hyugi e o jogou no chão.
– Você pensa demais e luta de menos, por isso será devorado.
O hollow abriu a boca e já estava prestes a dar a primeira mordida, quando Hyugi puxou rapidamente sua katana e, em um movimento arriscado, acertou a máscara de osso imediatamente antes de ser mordido.
– Ufa, essa foi por pouco – o garoto se levantou, limpando o pó que outrora foi o corpo do hollow que havia acabado de abater.
O hollow número três encarava Sony, todavia não o atacou logo como os outros fizeram.
– Você é diferente dos outros, tem certeza de é humano?
– Se você não percebe o que eu sou, significa que não passa de um hollow inferior.
– Ah moleque, vou te ensinar boas maneiras... nos meus estômagos!
O hollow flexionou suas patas traseiras e em seguida deu um salto na direção do Sony. Antes de ser atingido, o mais ou menos humano abriu um portal e entrou nele, desaparecendo logo em seguida.
– Essa garganta? Quer dizer que você é um...
Antes que a frase fosse concluída, Sony reapareceu atrás do hollow e chamou sua atenção o cutucando com sua vara (ui). Assim que o inimigo se virou, o garoto deu um poderoso golpe com o seu bastão, quebrando a máscara e matando o adversário instantaneamente.
– Vocês estão bem? – perguntou Hyugi.
– Tá tranquilo, essa até que foi fácil – falou Kenta.
– É melhor não ficarem muito animados, esses eram hollows de baixo posto. E a caverna não desapareceu depois que eles morreram, quer dizer que isso foi obra de alguém mais poderoso – contou Sony.
– Como assim? – questionou Kenta.
– Desculpe não ter dito antes, mas só agora eu vim ter certeza de que essa caverna é o território de um hollow muito evoluído.
– Você sempre foi muito observador não é Sony? – disse uma voz misteriosa.
Os três heróis ficaram em prontidão e procurando o dono da voz que disse tais palavras. Pouco depois, surgiu diante deles um estranho ser de uns cinco metros de altura que parecia um enorme esqueleto gigante, com a tradicional máscara de osso e um buraco no peito.
– Eu conheço essa voz... – sussurrou Sony.
– Esqueceu ou está fingindo que não lembra de mim? Da última vez você fugiu do nosso povo, mas agora eu sou um adjucha e posso negociar com igualdade perante o rei a sua readmissão no Eco Mundo.
– Tio? – Sony se surpreendeu.
– Não, é o Pato Donald. É claro que sou o seu tio, estou diferente porque eu diginvolvi há alguns anos. Vamos fazer o seguinte, você come o pequeno, eu como o maior e vamos logo falar com o rei.
– Que merda é essa de comer a gente, ta louco? – reclamou Kenta.
– Eu não vou fazer isso. Vim até aqui para salvar inocentes que estão sendo ameaçados por esse rei, e com certeza ele se aliou ao Zerus Rose, o ho... a pessoa que destruirá Dungeoneer se não o liquidarmos logo – discursou Sony.
– Destruir Dungeoneer? Isso é o que as rainhas disseram. Não vou mais argumentar, já que você traiu sua raça, deve ser eliminado.
O adjucha abriu sua boca e atirou um grande cero de energia na direção do trio. Sony evitou ser atingido se teletransportando, e os outros tiveram que saltar desesperadamente para se livrar da morte certa.
– Por favor tio, ouça a voz da razão, meu pai se casou com uma humana, plantou sua sementinha nela e então eu nasci. Será que humanos e hollows não podem coexistir?
– Você sempre foi um moleque sentimental, eu quero matar você e seus amigos humanos e mesmo assim quer argumentar. Seja sincero, você não consegue me atacar.
Sony fez cara de mal, segurou seu bastão com firmeza, depois o largou e fez a cara de bobo de costume.
– Está certo... eu não posso.
– Mas eu posso iáaaa!
Kenta lançou suas correntes controladas por seu pensamento, que se moveram em direção ao tio do Sony com a agilidade de uma serpente e a velocidade de uma diarréia. O hollow se esquivou, e as correntes atingiram a parede da caverna, provocando uma grande rachadura.
– Correntes? Eu também tenho uma coisa parecida.
Nesse momento, as mãos do tio do Sony começaram a mudar de forma, até que elas se transformaram em dois longos tentáculos, e após a transformação, o monstro atacou Kenta com os tentáculos como se fossem chicotes. O humano levou a chapuletada sem esboçar qualquer reação, foi arremessado longe e sofreu vários cortes pelo corpo. Embora estivesse ferido, Kenta parecia não sentir dor, apenas deitou em posição fetal e ficou chupando o próprio polegar.
– Tadinha dela, tadinha dela... – Kenta repetia incessantemente.
– Arf, acho que eu que vou ter que resolver essa – resmungou Hyugi.
– O primeiro é fraco, o segundo é maluco, o terceiro deve ser viado – zombou o hollow.
Hyugi não respondeu à provocação, porém seus olhos demonstraram a raiva que sentiu ao ouvir tais palavras. Ele então empunhou sua katana e correu em direção ao inimigo. O tio do Sony também atacou com um dos tentáculos, e antes de ser atingido, Hyugi o cortou com sua espada.
– Ahhhhh... moleque desgraçado! – o monstro gritava.
– Você tem sorte, se fosse há uns quatro anos atrás eu teria arrancado sua cabeça na hora que me chamou de viado, mas acho que aquela temporada em Etérnia me deixou mole – Hyugi discursou calmamente, embora estivesse com o corpo banhado pelo sangue negro que espirrou do membro arrancado do hollow.
– Acho que você é o mais valente dos três, mas saiba que para um Adjucha como eu, a perda de um membro não significa nada.
Instantaneamente, um novo tentáculo cresceu no lugar onde havia o outro. Hyugi deu um enorme salto com sua espada e riste, a fim de acertar a máscara do inimigo, porém pouco antes de atingir o alvo, o tio do Sony abriu sua boca e lançou uma bola de energia púrpura, que atingiu o herói em cheio. Hyugi foi arremessado contra a parede e depois caiu no chão, bastante machucado.
– Nossa, essa doeu – susssurrou – será que é aqui que a minha saga termina? Não, eu preciso ver minha terra natal pelo menos mais uma vez...
– Tentáculos tão grandes, buracos tão pequenos... – repetia Kenta, choramingando.
Hyugi se levantou cambaleando. O hollow atacou com seus tentáculos e, mesmo ferido, o garoto conseguia se esquivar dos ataques.
“Esse cara é grande e seus movimentos deslocam muito ar, isso me favorece. Mas como atacá-lo?”, pensava Hyugi.
O tio do Sony continuou com o mesmo tipo de ataque, e Hyugi foi correndo em direção ao inimigo, se esquivando constantemente dos tentáculos. Enfim, o herói conseguiu alcançar o hollow e se preparou para dar o derradeiro ataque. Ele puxou a katana da cintura e realizou um rápido e elegante movimento com o intuito de cortar o rosto do monstro, então o tio do Sony abriu a boca e lançou uma rajada de energia que acertou Hyugi em cheio, o derrubando no chão com as roupas e o corpo queimado.
– Isso...isso queima – gemia Hyugi.
– Eu achei que teria uma boa luta, mas me enganei. Bem, você já está com cheiro de tostado então vou te comer logo, depois me livro dos outros.
O adjucha chegou perto do Hyugi, que se contorcia chão, o segurou com sua mão e o levou até a boca. A saliva do tio do Sony já caía sobre o pobre herói, e quando ele já estava prestes a ser devorado, puxou a espada rapidamente e acertou a máscara do monstro, que acabou largando sua pretensa comida.
– Ah, desgraçado – gritava o tio do Sony, colocando a mão na rachadura que a espada do Hyugi fez na sua face.
“Droga, eu esperava que meu golpe acabasse com ele, realmente esse cara é muito mais poderoso do que os hollows comuns enfrentei antes. É, minha estratégia de me fazer de isca para atrair o monstro que quer me comer e depois dar uma espadada na cara dele e matá-lo não deu certo. Agora lascou pra mim.”, pensou Hyugi.
– Eu estou prejudicado, então não vou fazer firula e te matar de uma vez,toma!
O tio do Sony lançou uma nova rajada, e antes de ser atingido novamente, Hyugi usou a sua própria espada para aparar o ataque do inimigo. A espada, de alguma forma, absorveu o rajada energética, mas em contrapartida, Hyugi sentiu algo similar a uma corrente elétrica percorrendo pelo seu corpo, então ele sentiu seus sentidos ficando mais fracos, até que ele apagou totalmente.
Delírio provocado por pancadas na cabeça on
– Ai – Hyugi grita depois de levar um golpe com uma vara de bambu na cabeça.
– Você dormiu durante o treino de meditação de novo – disse um velhinho baixinho com uns noventa anos de idade, segurando a vara que acabou de usar para bater no pequeno Hyugi.
– Mas pra que eu preciso meditar, eu quero é aprender a dar porrada naqueles caras lá da rua – protestou o garoto.
– E você está achando que arte marcial é dar porrada? Sim, você vai descer o cacete naqueles moleques, mas não conseguirá nada além disso se não aprender a controlar o seu ki.
– Ki?
– Já esqueceu? A energia que percorre nosso corpo, a força vital.
– Mestre, ainda não sei como isso vai me ajudar – Hyugi fazia bico.
– É simples, se você não aprender a controlar o ki, eu vou pegar essa vara e... – o mestre falou algo no ouvido do garoto, que imediatamente voltou a meditar com muita concentração.
Delírio provocado por pancadas na cabeça off
Quando Hyugi acordou, percebeu que já estava no meio de um salto em direção ao inimigo. Assim, em frações de segundos, ele se concentrou como fazia quando queria se proteger do castigo que o antigo mestre ameaçava dar, então ele pôde sentir um tipo de energia fluindo do seu corpo para a espada, como se estivesse escorrendo, mal comparando. Enfim, ele acertou a face do tio do Sony, não apenas destruindo a máscara que cobria seu rosto, a espadada explodiu a cabeça do monstro, e seu corpo caiu no chão sem vida.
Hyugi caminhou cambaleando até Sony, que observada tudo sem esboçar reação.
– Me perdoe Sony, eu tive que fazer isso... – antes de terminar, Hyugi desmaiou novamente, mas antes de dar de cara no chão, seu amigo o segurou.
– Não peça perdão Hyugi, você fez o que tinha que fazer. Quem não terá perdão será o rei, se meu tio está morto, a culpa é toda dele.
A caverna desapareceu, dando lugar à estrada que eles percorriam anteriormente.
– Ué, a caverna sumiu – Kenta se levantou, olhando ao redor com cara de estranhamento.
– Não existe caverna, era o território do meu tio. E o que aconteceu com você na hora da luta?
– Eu tenho tentaculofobia, um trauma de infância. Você não tem tentáculos não né?
– Não. Vamos logo, tenho um assunto para resolver. Também temos que encontrar uma poção de cura, o Hyugi está muito ferido.
Assim, o rapazes seguiram pela estrada, com Hyugi sendo carregado inconsciente pelo Sony. Após alguns minutos eles finalmente chegaram a An Hava.
Fale com o autor