Dungeoneer - Interativa

40 Lembrança de um passado que já passou.


Notas iniciais
Uma das coisas que mais me intrigam quando eu escrevo uma fanfic é a vida que os personagens ganham. Por exemplo, a Braquistócrona não ia ter uma participação tão ativa na história, ela ia simplesmente forjar as armas, mas em algum momento eu achei que esse bando de doidos precisavam da supervisão de um adulto responsável. Outra personagem que também ganhou mais destaque do que eu havia planejado é a Biske. Quando eu incluí Hunter x Hunter na história minha intensão era zoar o Kurapika apenas, mas gostei de colocá-la como súdita da rainha bestial. Por falar em HxH, saiu capítulo novo ontem depois de dois anos de hiato. Eu falei cheio de bravura "Não vou ler só de protesto", resisti o dia inteiro mas de noite não resisti e fui lá ler. Sou trouxa mesmo. Chega de papo e vamos ao que interessa, boa leitura!

Os heróis do outro mundo, entendam Terra, estavam há horas percorrendo o caminho de luz.

– Puta que pariu, achei que esse tal caminho de luz ia nos transportar direto pro castelo, mas já tô com a perna doendo de tanto andar – reclamou Junpei.

– Talvez seja a última provação que temos que passar antes da luta final – supôs Hyugi.

– Tomara que o mundo não acabe antes de chegarmos lá – comentou Kon.

– Como vocês reclamam! Vamos continuar andando, não quero passar o fim do mundo nesse túnel que faz doer os olhos – disse Beatrice.

– Eu não me importaria em passar o fim do mundo com você – Kon galanteou, fazendo Beah suspirar.

– Deixem essa melação pra quando estiverem na Terra, vamos correr e porrar logo aquela bicha maldita – apressou Junpei.

Os amigos começaram a correr, mas logo viram dois sujeitos se materializando na frente deles.

– Quem são vocês? – os heróis se prontificaram para uma possível luta.

Um rapaz de cabelos vermelhos amarrados que parecia muito um abacaxi raivoso e um garoto de cabelos pretos, usando um short super apertado e que lembra muito o Astro Boy apareceram do nada e pareciam muito confusos.

– Será que chegamos no lugar certo? – perguntou o menino.

– Foi o próprio rei que nos enviou, com certeza é o lugar certo – respondeu o homem.

– Então esses devem ser os caras que o rei mandou matar, estou certo? – o menino apontou para os heróis.

– Ô muleque da calçola, sai da frente que estamos com pressa!

Junpei ia passar pela misteriosa dupla, quando ouviu um grito.

– Jan Janken!

O menino acertou um soco no seu rosto que fez o nosso amigo grandalhão voar longe.

– Putz, não é que esse moleque bate doído? – ele reclamou, limpando um filete de sangue da sua boca – vou te dar um tiger robocop seu fedelho!

– São inimigos, vamos lutar!

Hyugi colocou a mão na sua bainha, porém não encontrou sua espada.

– Ué, cadê minha espada?

Nesse momento, o Cabeça de Abacaxi desembainhou uma espada e atacou Hyugi, que sentiu o ar deslocado pelo inimigo e conseguiu escapar dando um salto mortal para trás.

– Eu tô mais ágil do que antes, então não vou reclamar – comentou Hyugi.

– Ih, sua espada parece muito com a minha, por acaso você também é shinigami? – perguntou Kon para o estranho de cabelos vermelhos.

O homem parou de atacar o Hyugi e quando olhou bem para o Kon, levou um susto.

– Você? Vou te matar seu desgraçado, por sua causa a Rukia nunca será minha!

– Que história é essa de Rukia, Kon? Se estiver escondendo alguma coisa eu chuto suas bolas! – ameaçou Beah, com cara de desconfiada.

– Não sei do que esse cara tá falando, eu juro!

Kon não teve tempo para se explicar, foi logo atacado pelo estranho, porém conseguiu escapar a tempo usando um rápido shumpo que aprendeu quando treinou com a Yoruichi.

– Não sei quem você pensa que eu sou, mas vou te dar uma lição! – Kon esbravejou.

– Não se lembra de mim Kurosaki? Sou o Renji, eu estava quase pedindo a mão da Rukia em namoro quando você roubou ela de mim! – o estranho esbravejou.

– Você me enganou, te odeio! – Beah deu um tapa no seu futuro ex-namorado.

– Tu fez a gata que nem sei porque gosta de mim brigar comigo, vai se ver agora!

Kon despareceu e rapidamente surgiu atrás do adversário, pronto para fincar sua espada nele. Renji se esquivou e em seguida contratacou, fazendo as duas zampakutous se chocarem, formando uma chuva de faíscas.

– Você é desprezível, além de roubar a Rukia de mim ainda tá traindo ela com essa aí. Nada pessoal garota, mas você não chega nem aos pés dela.

– Você é doido, não sei quem é Rukia e não tô traindo ninguém – disse Kon.

– Seu escroto, está me traindo – disse Beah.

– Vamos resolver essa porra logo – Junpei se recuperou do golpe que recebeu e se aproximou do restante do grupo – conheço o Ichigo Kon Kurosaki melhor do que ninguém. Ele realmente estava namorando com a Rukia, mas ela terminou com ele e um pouco depois ele conheceu a Beah e os dois começaram a namorar.

– Que história é essa? – Kon estranhou.

– Cala a boca e concorde com tudo que ele disser – Hyugi sussurrou no ouvido do Kon.

– Isso é verdade? – perguntou Renji, ainda desconfiado.

– Claro que é. Quando terminou com ele, a Rukia falou que ia atrás do seu verdadeiro amor, um cara chamado... como é o seu nome mesmo?

– Renji!

– Isso, ela falou que era apaixonada por um cara chamado Renji – mentiu Junpei.

– Então quer dizer que a Rukia tá solteira e me ama? – o shinigami tinha um sorriso bocó na cara.

– Isso mesmo, vá atrás do seu amor!

Com o incentivo do Junpei, Renji saiu correndo pelo caminho de luz, na direção contrária a dos que os heróis seguiam.

– E você moleque, vai dizer que eu roubei sua namorada? – o grandalhão se dirigiu ao garoto que o atacou.

– Não, na verdade foi outro cara que roubou meu namorado e só estou atacando vocês por ordem do rei – disse o menino.

– Namorado? – estranhou Hyugi.

– Mais um viado nesse mundo, nenhuma novidade – Junpei estava entediado.

– Qual é o seu nome menininho? – perguntou Beah.

– Me chamo Gon. Eu tinha um namorado chamado Ki Lua e estava muito feliz, até que um dia cheguei na casa dele, a porta estava aberta e entrei. Quando fui no quarto, ele estava celebrando o ato físico do amor com um cara vestido de palhaço. Kilua me traiu, depois disso fui parar em outro universo.

– Ki Lua? Já ouvi esse nome em algum lugar – Hyugi falou com ele próprio.

– Então você não quer lutar conosco, quer lutar com esse palhaço e com o Ki Lua – disse Beah, usando o seu poder de sugestão nele.

– Você está certa. Me desculpem pelo transtorno – Gon saiu correndo na mesma direção que Renji havia partido.

Assim, os heróis continuaram seu caminho sem falar nada, até que Beah quebrou o silêncio.

– Você tem que me explicar essa história de Rukia ter terminado com você direitinho!

– Eu inventei isso – disse Junpei – O Kon nunca pegou ninguém antes de você, só contei aquilo praquele cara deixar a gente em paz.

Satisfeita com a explicação do Junpei, Beatrice deu um rápido beijo no Kon e todos continuaram a correr rumo a mor... quer dizer, rumo ao inimigo final. E de fato, depois de correrem por mais algum tempo, conseguiram ver alguma coisa além de luz mais a frente.

– Isso parece... – Kon tentava lembrar.

– O quarto da rainha! – Junpei e Beah disseram juntos.

– Boei, mas vamos nessa! – comentou Hyugi.

*****

Na floresta, todos ainda olhavam chocados para a recém desperta Rainha Bestial.

Ela também tinha um olhar confuso, como se tivesse acabado de acordar de um longo sono. Finalmente Biske, que estava ajoelhada, se levantou e correu até a mulher.

– Rainha! – Biske a abraçou chorando – não sabe como sentimos sua falta lá no reino das bestas (mas os outros nem perceberam que a rainha sumiu). Me perdoa, se eu não tivesse tão ocupada em dar pro Hyugi lá no Mart eu teria percebido que você era você.

A rainha ainda estava imóvel, mas aos poucos sua cabeça parou de girar e suas lembranças foram voltando.

– É você Biska, senti sua falta!

– Só você pode me chamar de Biska! – disse soluçando.

A Rainha se livrou com dificuldade dos braços da amiga e deu uma olhada em trezentos e sessenta graus a fim de verificar a tudo e a todos.

– Agora estou lembrando que lugar é esse. Tá tudo queimado, mas tô reconhecendo, é o Reino das Fadinhas felizes. Tem árvores gigantes coloridas, pedras gigantes coloridas, umas fadas e uns gnomos escondidos atrás das árvores tremendo de medo, tem... você! – a bestial focou sua visão na Rainha da Energia.

– Peço perdão nobre rainha, me deixei enganar pelo dissimulado Zerus Rose – a fada tentava se explicar.

– Ah sim, o Zerus, alinhamento, profecia, seres de outra dimensão blá blá blá. Sentem-se todos que tenho um causo pra contar. E tragam-me comida e bebida, nada de passarinho nem suquinho de frutas, quero carnes gigantes e uma bebida bem forte se não eu vou ter que descobrir se sangue de fada dá onda.

Todos obedeceram, sentaram formando uma roda, e depois de receber comida e bebida, a Bestial começou a falar.

– Foram anos difíceis, mas estou feliz em estar de volta. Mas essa história começa antes da maioria de vocês nascer...

LEMBRANÇA DE UM PASSADO QUE JÁ PASSOU

A função da Rainha Bestial é a mais simples, porém a de maior importância e também de maior risco entre as três rainhas, que é a de manter o equilíbrio entre todas as espécies em Dungeoneer. É a mais simples porque não há muito o que se discutir, se alguma classe de monstro ou troço desses estiver tentando se sobrepor às demais, é só ir lá e acabar com todos. Particularmente , eu primeiro tento resolver na conversa e se não tiver negociação, é só juntar os parceiros e matar todos os arruaceiros. Simples e efetivo.

A maior crise que enfrentei durante o meu reinado foi a ascensão dos demônios. Na verdade, eles são simplesmente uma classe de monstros criados pela Deusa como qualquer outra, com a diferença de que eles são fodasticamente poderosos e se divertem fudendo os outros. Nessa crise que estava dizendo, os demônios que existiam nesse mundo começaram a prender, torturar matar outras raças.

Vários exércitos com guerreiros, magos e advogados poderosos tentaram sem sucesso deter as forças demoníacas, então como sempre recorreram a mim. Como eu já falei, primeiro tentei negociar. Fui junto com o meu antigo noivo, ah é, nem falei pra vocês que já fui noiva. Ele era um cara alto, forte, bonito e irritante. Ô sujeito mauricinho, mas enfim, era o único meio dragão do reino e precisava ter uma filha pura pra ser a minha sucessora.

Voltando ao que estava dizendo, eu e o meu antigo noivo fomos até uma cidade que havia sido tomada por um grupo de demônios. Enfim, encontramos o covil, onde meia dúzia deles jogavam golzinho com a cabeça do finado prefeito daquela cidade. Ao nos ver, eles pararam o jogo.

– Mais dois humanos pra nós brincarmos – comentou um deles.

– Eu fico com a mulher, vou adorar brincar com ela – falou outro, babando.

– Vamos parar com essa palhaçada. Nós não temos nada de humanos, eu sou a Rainha Bestial e esse é o meu companheiro – eu disse.

– Hum, e a que devemos a honra de uma visita tão ilustre? – ironizou um dos demônios.

– Queremos falar com o líder de vocês – disse o meu ex noivo.

Aquele idiota não sabia nada sobre demônios e saiu querendo dar ordens, calado ele era um poeta.

– Cês são burros é? Todos nós somos líderes e todos nós somos liderados – falou um dos cramunhos, dando uma risada sarcástica.

– Se eu tiver que ir atrás de cada bando de demônios pra dar o recado, assim o farei. Parem com as matanças, chega de dizimar cidades. Matar unzinho de vez em quando até vai, sei que ninguém é de ferro, mas desse jeito o equilíbrio do mundo ficará em perigo e isso não é bom para ninguém, nem mesmo pra sua espécie – eu fiz o discurso que um amigo nerd escreveu pra mim.

– E se recusarmos? – um dos caras desafiou.

– Então teremos que caçá-los até acabar com todos vocês – falou o meu ex.

– Cala a boca – eu cutuquei ele, mas já era tarde.

– Acabar com todos nós? – dois dos seis demônios pularam nas tamancas, querendo partir pra cima da gente como galos de briga – vocês nem devem ser bestiais, são só uns almofadinhas achando que vão amedrontar a gente.

– Vamos embora futuro marido – eu disse – o recado já foi dado, pensem a respeito e vocês nos verão em breve.

Quando nós viramos as costas para ir embora, sentimos algo quente vindo por trás de nós. É exatamente o que vocês estão pensando, uma labareda de fogo. Felizmente, nós tínhamos bons instintos de combate e conseguimos pular para evitar virar churrasco.

– Hum, pelo menos eles tem bons reflexos – comentou um dos demônios.

– Mas com certeza não vão fugir por muito tempo – completou outro.

– Fugir?

Eu pisquei e em seguida, minha mini armadura de utilidade duvidosa cobriu o meu corpo. O meu ex boy também formou a dele, que era uma tanguinha ridícula que marcava o volume dele (pequeno volume pra ser mais específica), então pegamos nossas espadas e partimos pra luta.

Assim, o combate começou. Foi uma batalha dura, mas felizmente eles não eram demônios dos mais poderosos de forma que os vencemos sem precisar assumir nossas formas verdadeiras.

Ao terminar, havia cinco demônios esquartejados no chão e nós dois ficamos cobertos de sangue. Como o meu falecido odiava ficar sujo, saiu pela cidade em busca de alguma fonte de água, enquanto eu permaneci no lugar.

– Essa é a coisa mais selvagem e mais linda que eu já vi!

Era um dos demônios que disse isso. Contei cinco corpos, e foi então que me dei conta de que um deles não entrou na luta, ficou de longe olhando tudo com cara de panaca.

– Ah, você tá vivo?

– Eu pensei muito no que disse e você está certa, nós demônios não devemos sair matando todo mundo dessa maneira.

– E você pode convencer os outros disso?

– Acho que sim – o meu ex estava voltando ainda arrumando o cabelo, então o demoninho restante correu – vou atrás dos outros grupos e passar o recado.

– Sobrou um? – perguntou o meu antigo companheiro.

– Sempre tem que sobrar um pra dar o recado não é? Ele disse que vai falar com outros bandos a respeito da nossa proposta, vamos ficar alertas sobre possíveis atividades demoníacas ao redor do mundo.

– Já que terminamos por hoje e estamos numa cidade fantasma cheia de quartos vazios, que tal darmos um passo a mais na nossa relação?

– Já falei que só depois do casamento, além disso, eu nem tô em período reprodutivo, seria um desperdício te dar hoje.

Depois disso voltamos para a nossa caverna, obviamente preparados para um futuro confronto contra demônios mais numerosos e mais poderosos do que aqueles.

Seguir os passos dos demônios é uma tarefa difícil. Ao contrário dos hollows, eles não possuem um líder ou sequer um território, eles simplesmente se organizam em pequenos grupos para provocar o terror, embora eu estivesse achando muito suspeito o aumento de ataques simultâneos a cidades tão distantes, desconfiei que talvez eles estivessem se organizando com alguma ambição maior.

Apesar da minha desconfiança, tivemos alguns meses de calmaria. Nesse período marquei o meu casamento, afinal, precisava dar a luz à minha sucessora. Dizem que as rainhas conseguem prever quando irão morrer e eu nunca tinha previsto droga nenhuma, mas quem joga no level hard como eu nunca sabe quando vai bater as botas.

Enfim, quando faltava apenas uma semana pro casório, a Biske organizou uma despedida de solteira. E lá estava eu, a Biska e mais algumas monstras do meu reino em uma taberna de festas que alugamos pra esse fim, bêbadas e vendo o terceiro show de strip da noite quando um dos meus guardas ogros invadiu o local.

– Rainha, rainha! – ele falava ofegante e ensanguentado.

– Você tá louco, aqui não podem entrar homens, exceto strippers, garçons e prostitutos – eu o repreendi.

– Você não entende rainha, nossa caverna foi atacada!

– Quê? Me explica melhor isso!

– Demônios rainha, muitos demônios...

– Esse idiota do Jorge não vai saber explicar o que aconteceu, vamos voltar pro reino e verificar tudo – chamou Biske.

Todas voltamos ao reino, e lá verificamos que muitos dos nossos estavam mortos.

– Onde está o seu noivo? – perguntou uma das mulheres que estava comigo.

– Foi atrás deles – respondeu um dos guardas sobreviventes.

– É melhor você me explicar direitinho tudo o que aconteceu enquanto eu estive fora ou cabeças irão rolar – ameacei.

– Rainha, estávamos todos nós tranquilões de bobeira quando apareceram demônios, muuuitos demônios e queriam entrar na caverna e te sequestrar. É claro que nos recusamos a dizer que você não estava, então eles nos atacaram e aqui estamos.

– Quantas baixas?

– Sessenta comuns e cinco de elite. Pelo menos abatemos a maioria dos demônios.

– E onde está o meu noivo?

– Ele seguiu os demônios sobreviventes para acabar com eles.

– Aquele idiota! Deveria ter me chamado pra ir junto. – eu praguejei.

– Ele chegou a comentar que não queria atrapalhar o seu chá de panela.

Realmente ele era um retardado, acreditou em um chá de panela à noite em uma taberna e principalmente, organizado pela Biska?

– Tenho que ir atrás dele.

– Own! – todo mundo achou bonitinho.

– Eu vou com você! – se ofereceu Biske.

– Eu também! – todos os presentes se ofereceram também.

– Não posso levar todos, alguém precisa ficar aqui pra proteger o nosso território. Venham comigo Biske, Sheeva e Ben 10.

Me reuni aos meus três guerreiros mais poderosos e saí em busca do meu noivo e também dos demônios remanescentes. Como o ataque ocorreu pouco tempo antes, não seria difícil encontrá-los.

De fato, antes do amanhecer, encontramos uma grande cratera guardada por dois demônios, que matamos sem dificuldade. Pulamos nela achando que era o esconderijo deles, e era mesmo! O lugar era muito simples, nada de túneis, bifurcações ou passagens secretas, simplesmente um buraco muito grande repleto de demônios e alguém amarrado no centro.

– Socorro amor, eles me prenderam! – o meu abençoado clamava por mim.

– Porque não assume sua forma verdadeira e sai logo daí? – eu falei para ele.

– Eu não consigo!

– Não adianta, essas são cordas especiais que não permitem que ele saia da forma humana. Ele até é um cara forte, mas nessa condição não conseguirá fazer nada a não ser chorar pela mamãe – disse um dos demônios.

– Nossa condição é a seguinte – outro dos caras maus mostrou uma caixa com mais cordas como aquela – vocês nos deixam amarrá-los com essas cordas, nos entregam seu reino e não matamos o seu querido noivo.

– Pode matar! – eu falei.

– O quê? – todos se espantaram.

– Minha rainha... – ele choramingava.

– Se você foi fraco o suficiente para ser capturado, não merece viver – eu disse.

– Já que a ideia do refém foi pro brejo, vamos matar todos!

Todos do bando nos atacaram, eram oitenta demônios pela contagem dos organizadores e cinco pela contagem da polícia, mas de qualquer forma enfrentá-los em nossas formas humanas seria suicídio, então assumimos nossas formas verdadeiras. Sheeva cresceu e ganhou mais um par de braços, Ben 10 cresceu e ganhou mais um par de braços, Biske virou a mulher hulk gigante e eu, fiquei na minha graciosa e poderosa forma bestial.

Foi uma luta sangrenta e difícil, mas finalmente, conseguimos liquidar todos aqueles demônios. Eu a Biske saímos muito feridas e, infelizmente, Sheeva e Bem 10 morreram.

Mesmo ferida e cambaleando, voltei à minha forma humana e rasguei as cordas que prendiam meu ex.

– Oh amor, obrigado por ter me salvado...

– Amor é o cacete, tem noção do que você fez? Se tivesse mandado me chamar quando fomos atacados teríamos eliminado os demônios lá mesmo e acima de tudo, Shiva e Ben 10 ainda estariam vivos.

– Eu achei que podia dar conta de um bando de demônios sem ter que incomodar a minha rainha.

– Na próxima vez que achar alguma coisa devolve porque que tem dono. E quer saber? Não vai ter casamento.

– Ora, não imaginei que você fosse querer ser mãe solteira...

– Alô, não tá entendendo? Não quero mais nada com você, não vai ter casamento, namoro, amizade colorida e muito menos um pente, entendeu?

– Você sabe que somos os únicos da nossa espécie, se você não tiver pelo menos uma filha não vai haver sucessora.

– Prefiro que o mundo se desintegre do que deixar você me tocar. Passar mal, adeus!

Eu virei as costas e depois disso nunca mais o vi, ninguém sabe o que aconteceu com ele depois disso.

LEMBRANÇA DE UM PASSADO QUE JÁ PASSOU INTERROMPIDO

– Eu vi o que aconteceu. Depois de ter levado o seu fora atômico o chão embaixo dele desapareceu e ele foi sugado por um vórtice mais colorido do que uma parada gay – falou Biske.

– Por que não me contou isso antes? – reclamou a rainha.

– Eu contei, mas você me ignorou.

– Então me deixe continuar.

VOLTANDO À LEMBRANÇA DE UM PASSADO QUE JÁ PASSOU

Depois desse episódio, cheguei à conclusão de que não havia outra alternativa a não ser a aniquilação total dos demônios. Deixei meu reino, minha caverna pra ser mais exata, nas mãos dos meus súditos, com a promessa de que se eles fizessem besteira eu os enforcaria com seus próprios pênis, então parti com a Biska para caçar e destruir a todos.

Apesar da falta de organização dos demônios dificultar sua localização, descobri que procurar por cidades dizimadas é um bom começo. Passamos dois anos caçando e abatendo vários bandos, porém nenhum tão numeroso quanto aquele que nos atacou aquele dia. Pelas contas de um especialista (eu mal sei somar), só haviam mais três demônios e depois de mais algum tempo de busca, localizei dois deles.

Foi uma luta épica. Apesar de serem apenas dois, eles eram os mais poderosos que já vi e não vou ficar detalhando a batalha porque tô sem saco pra isso, mas vou dizer que mesmo em nossas verdadeiras formas, ficamos dias em coma após termos vencido a luta.

Acordamos do nosso sono forçado em uma cabana pequena e suja.

– O que aconteceu? – Biske parecia confusa.

– Matamos os demônios e depois desmaiamos, eu acho – respondi.

– Agora tô lembrando... parece que alguém nos trouxe pra cá e cuidou de nós.

Logo que ela falou isso, alguém entrou na caverna.

– Que bom que acordaram, até que as poções que aquela bruxa me deu funcionam bem – falou um estranho homem.

– Agradeço, mas quem é você? – eu perguntei.

– Oh, seria muita pretensão minha que a rainha da beleza lembrasse de alguém como eu.

– Desembucha logo – eu me irritei com esse “rainha da beleza”, sou a rainha bestial, não uma miss.

– Sou aquele demônio que sobreviveu à você e ao seu antigo noivo e que saí pra tentar convencer os outros a parar com os ataques insanos aos inocentes.

– Agora lembrei, quem diria que você seria o último dos seus!

– Sim, e como tanto eu quanto você somos os últimos, eu o último demônio e você a última meio dragão, estou te pedindo em casamento!

– Ah? – eu fiquei realmente confusa.

– Eu me apaixonei por você naquele dia. E a partir daí comecei a pôr meu plano em prática.

– Plano? Tem caroço nesse angu...

– Eu sabia que você tinha um noivo e que a primeira coisa que tinha que fazer era me livrar dele. Saí pelo mundo recrutando mais demônios e consegui convencê-los a se reunir, sob o meu comando, para atacar o seu reino.

Eu não acreditava no que estava ouvindo, então ele prosseguiu.

– Alguns demônios possuem audição muito aguçada, então foi fácil saber que você teria uma festa fora da caverna, então naquela noite atacamos. A minha intenção era acidentalmente matar o seu noivo ali mesmo, e te levar, mas não esperávamos que seus súditos fossem tão poderosos e como demônios são covardes por natureza, batemos em retirada. Mas eu tive a felicidade do seu ex futuro rei ter nos seguido e, por insistência da base, o fizemos refém usando umas cordas mágicas que roubamos de um cara chamado Mayuri, tudo bem que eu tinha pegado as cordas pra te amarrar, mas serviu.

– Obviamente eu fugi naquele dia, porém consegui ver o desaparecimento do seu ex futuro marido. Prevendo que você declararia guerra aos demônios restantes, fui me escondendo até ser o último demônio e te pedir em casamento, e aqui estou eu, um sobrevivente é do que você precisa!

– Minha Deusa, você achou que isso ia dar certo? Por que eu ia te querer só porque você é o último de alguma coisa?

– Bem, é que...

– Já decidi que nunca vou me casar ou ter uma filha. Se alguma mulher do meu reino me desafiar e me vencer, entrego o trono a ela, senão, Dungeoneer morre junto comigo.

– O que isso quer dizer?

– Porra, tu é mais tapado do que o meu ex noivo. Isso quer dizer que eu não quis você ontem, não quero hoje e não vou querer amanhã. Prefiro beijar a Biska do que você!

– Rainha, eu sei que você é linda, mas eu gosto de pi... homens! – Biske reclamou.

Depois disso, aquele demônio besta caiu em um buraco maluco que surgiu do nada e desapareceu.

– Pronto, eu bani o último demônio – disse eu.

– O seu ultra fora é tão poderoso que faz os homens desaparecerem – comentou Biske, sorrindo.

– Vamos voltar, agora que acabamos com todos os demônios, a vida voltará a ser como antes.

De fato, voltei ao meu reino e em alguns anos, conseguimos repor as baixas e tocar nossas vidas normalmente. Quase cem anos depois eu tive que interferir com os hollows, que também estavam passando dos limites, mas aquele rei quatro olhos foi esperto o suficiente pra não querer entrar numa comigo.

Infelizmente, pouco depois, encontrei um inimigo mais silencioso e ardiloso do que esses, o Zerus Rose. Ele, e também você, fadinha sorridente, me enganaram com aquela história de pedir ajuda para vencer inimigos que os atacavam e me atraíram com uma boca livre para me mandar pro vazio dimensional.

Foram muitos anos naquele chão colorido, sozinha, amargurada. Fiquei por muito tempo tentando voar para o alto, não sei por que eu achava que chegaria a algum lugar desse jeito, mas a distância parecia infinita e eu sempre caía quase morta a cada tentativa. Um dia eu decidi que chegaria no suposto teto, ou céu sei lá, ou morreria no caminho. Abri minhas asas e voei. Mesmo quando o meu corpo todo doía eu não desisti, continuei para o alto e avante até praticamente perder minha sanidade.

Quando eu já não sentia meu corpo e me considerava morta, atravessei alguma coisa, talvez uma espécie de portal, e a partir daí o meu corpo mudou e regrediu até eu virar uma criança, e minhas memórias antigas despareceram.

Lá estava eu, uma criança assustada. Não sabia onde eu estava e muito menos o meu nome, achava tudo aquilo muito estranho. Fiquei uns dias em uma rua, comendo o que encontrava e ouvindo o que as pessoas falavam, e foi assim que comecei a aprender a língua daquele lugar. Enfim, uma mulher me viu naquela situação e veio falar comigo, quando percebeu que eu morava na rua e não tinha família, me levou para casa e me adotou.

Vivi mais treze anos terrestres como uma garota mais ou menos normal, até que vim parar em Dungeoneer. Depois de beber aquele suco ruim pra cacete, voltei ao meu corpo original e aqui estamos.

FIM DA LEMBRANÇA DE UM PASSADO QUE JÁ PASSOU

– Que história! – comentou a rainha fada.

– Você está certa! Eu só queria que você a ouvisse antes disso SUPER MEGA FODÁSTICO SOCO! – A rainha bestial fechou seu punho e deu um soco muito forte na outra rainha.

– Eu rejeito!

Catenária formou um escudo de energia na sua frente, porém o punho da Bestial despedaçou o escudo e acertou o pescoço da adversária, que caiu no chão.

– Isso é pra você aprender a não mandar os outros pro vazio dimensional!

Todos ficaram olhando para a fada que estava caída no chão e imóvel. Enfim, Braquistócrona foi ver como ela estava.

– Eu acho que ela tá morta – comentou a ruiva.

– Ela está fingindo, eu nem bati tão forte assim – disse a Bestial.

– Olha, o corpo dela tá brilhando!

Assim que a Biske fez essa observação, o corpo da rainha se transformou em uma brilhante e multicolorida porção de purpurina, que para quem não lembra é o que acontece com as fadas quando morrem.

– Nossa, eu desacostumei com esse corpo, na forma de Loren esse soco teria só quebrado uns dentes – falou tranquilamente a rainha.

– Loren, quer dizer, rainha Bestial, percebe o que fez? – Braquistócrona lançou um olhar severo para a rainha.

– Foi mal, já falei que eu não queria matar essa libélula super crescida, é que eu não tô mais acostumada em ter tanta força e acabei errando a dose! – ela já estava irritada.

– E o que acontece quando uma das rainhas morre? – perguntou Biske.

– Não sei dos detalhes, mas certamente o mundo se autodestruirá. Todo o sacrifício dos heróis da profecia e de todos que os ajudaram foi em vão, Dungeoneer está perto do fim! – concluiu Bráqui.

– Não exatamente, ainda há salvação!

Uma voz masculina disse isso, e quando todos procuraram pelo seu dono, se surpreenderam ao ver quem era e falaram em uníssono.

– Sortudo?

Notas finais
Quem esperava que os demônios fossem super organizados e estrategistas não esperava por um plano idiota desses né? Bem, pelo menos já dá pra traçar um perfil dos invasores desse universo desconhecido. Até o próximo capítulo!