Dungeoneer - Interativa
23 Fique longe do meu traseiro!
Notas iniciais
Após o ataque da Kil... quer dizer, Maga Patológica, o grupo atingido desviou da sua rota original para ir a um lugar chamado Golden Posse, na esperança de achar a cura para as doenças que a odiosa falecida maga transmitiu a eles. Depois de andar, mesmo com dificuldade, durante o dia inteiro, eles comeram e dormiram, e no dia seguinte acordaram.
– Que noite horrível, tô toda quebrada – reclamou Loren, se espreguiçando – e você Beah, como está?
– Parece que fui atropelada por um elefante, mas vou sobreviver – Beatrice tentava levantar com todas as suas forças, porém não conseguiu.
– Vê se sossega aí que tu tá toda lascada, vou te amarrar pra você ficar descansando assim que meu corpo parar de doer – brigou a loira.
– Temos que nos apressar, sem nenhuma doença a Beatrice quase quebra quando venta mais forte, doente então ela não vai sobreviver por muito tempo – apressou Braquistocrona.
– Ei, eu estou ouvindo – reclamou a garota.
– Eu sei – falou Braqui de forma bem seca.
– Temos que ir logo, precisamos achar a cura para a Beatrice – chamou Hyugi, usando sua espada como bengala.
– Para com isso, não sou só eu, tá todo mundo doente menos o Sony – protestou Beah.
– Aliás, como você não foi contaminado? – perguntou Hyugi.
Sony, que até então estava em silêncio e um pouco afastado do grupo, respondeu com um ar desanimado.
– Bom...é da minha natureza, não morro por doenças, apenas por acidentes, assassinato ou suicídio.
– Credo, vira essa boca pra lá – disse Loren.
– Ih, tinha esquecido de uma coisa, volto logo! – o garoto, mudando de assunto, abriu um portal e entrou nele.
– Se ele tiver ido atrás de alguma hollow fêmea eu quebro ele– resmungou Loren.
– Se o Uroro estivesse aqui diria que ele estava fugindo – comentou Hyugi.
***
Enquanto isso, Junpei estava sentado em uma pedra roendo ossos de algum animal não identificado.
– Sapo desgraçado, pelo menos deu pra matar a fome com ele, um pouco de curry e ficaria perfeito – ele jogou os ossos de sapo fora – devia ter pego aquela garota doida da neve e que se dane os orifícios dela, como eu fui burro!
Logo o karateca viu um portal se abrindo e o Sony saindo de dentro dele.
– Tá atrasado, tô te esperando desde ontem!
– Desculpa, sofremos um ataque terrível.
– Estão todos bem?
– Vivos, mas todos, exceto eu, foram vítimas de uma maldição, todo tempo é precioso.
– Então vamos logo, temos que salvá-los – Junpei se levantou fazendo uma pose heroica.
– Que bom que está empolgado, você deve ter tido sorte na sua busca.
– Não quero falar no assunto – ele fechou a cara.
Sony não fez perguntas, apenas teleportou a si e ao grandão para onde seus amigos o esperavam.
***
No castelo, Zerus Rose estava no meio de um chilique, no centro de uma biblioteca e cercado por uma dezena de servos.
– Mas como? A Maga Patológica foi derrotada e não matou ao menos um dos malditos alienígenas? Estou cercado de idiotas só pode! De qualquer forma, preciso de um novo encarregado de executar minhas ordens.
Nesse momento todos saíram correndo, afinal, a expectativa de vida de quem ocupa tal função costuma ser bem curta. Zerus poderia ter parado os fujões ou mesmo os matado instantaneamente, porém ele tinha outros planos.
Rose caminhou até o um pequeno quarto no qual havia colocado o juiz sem nome de castigo e o encontrou em pé, com um travesseiro amarrado na sua bunda.
– Me...mestre – falou tremendo.
– Não precisa tanta formalidade, afinal, somos amigos beeeeem íntimos não é verdade?
– Verdade.
– Então, vim apenas conversar. Lembra da Maga Patológica?
– Sim, é aquela mulher que tomou sua poção, certo?
– Exato. Foi um grande desperdício da minha valiosa poção, a mentecapta acabou sendo morta, e pelo que eu saiba todos os malditos alienígenas ainda estão vivos.
– Realmente é uma tragédia, mas eu já os vi lutando no torneio e eles são realmente muito bons. O shinigami traidor e a loira gostosa chegaram à final, inclusive ela ganhou da Frederica, uma das lutadoras mais talentosas e cruéis que eu já conheci.
– O shinigami não me assusta, mas aquela vadia é uma erva daninha que eu já deveria ter pulverizado. Isso não importa agora, mas o que você faria no meu lugar, meu lindo?
– Eu? Hum...talvez usar mais poções para criar novas magas patológicas e ordenar um ataque massivo.
– Excelente – ele batia palmas euforicamente – mas como você é um simples humano de intelecto limitado, não vê um problema com essa estratégia. É verdade que eu posso criar poções capazes de transformar humanos em mortos vivos ou demônios, mas a matéria prima é extremamente rara, alguns componentes nem são desse universo, entende?
– Perdoe minha ignorância.
– Ah meu juizinho, quem me dera ser ignorante como você, certamente eu seria mais feliz. Mas vejo que conhece guerreiros poderosos, além de já ter visto meus inimigos em combate, então você será o encarregado de acabar com eles.
– Como assim? Eu não sei lutar.
– E não precisa tolinho! Não será necessário sequer que você saia do castelo, apenas contrate as pessoas certas e crie uma boa estratégia. Use os recursos que desejar, apenas insisto que traga o Cenourinha e a Piranha Loira vivos...falei vivos, não necessariamente inteiros, entendeu?
– Entendi, mas não sei se eu sou a pessoa mais adequada para essa função...
– Eu não perguntei se você quer, eu disse que você vai fazer isso.
– Sim senhor – o juiz se curvou.
– Agora vou me retirar, preciso regar a rainha Cunegundes, afinal, não quero que ela morra desidratada há há há há.
***
Os heróis, quase todos reunidos novamente, continuaram sua peregrinação, até que com muito esforço chegaram a uma cidade envolta por grandes muros de pedra e com um grande portão, onde havia uma enorme fila para entrar.
– Chegamos – anunciou Braquistócrona.
– E o que... cof cof... fazemos agora? – perguntou Loren, tossindo.
– Entramos na fila e esperamos nossa vez – respondeu a Braqui.
– Uma fila desse tamanho pra entrar numa cidade? Mais um dos milhões de motivos preu ODIAR esse mundo – gritou Junpei.
– Você não tinha tanta raiva desse mundo assim, o que aconteceu nos dias que ficou sozinho? – perguntou Beatrice, que estava sendo carregada por seu azarado amigo eunuco.
– Se perguntar de novo te largo no chão – ameaçou o grandalhão, fazendo a Beah não fazer mais perguntas.
– Considerando que essa cidade é um hospital, não é muito diferente da Terra – comentou Hyugi.
– Enquanto discutimos a fila está crescendo, vamos logo! – apressou Bráqui.
Todos foram para a fila, até que dezesseis horas depois chegou a vez dos nossos amigos.
– Estão juntos? – perguntou uma troll de três metros de altura usando um minúsculo vestido branco.
– Sim, eu e meu amigo – Sony apontou para o Junpei – estamos bem, viemos trazer os outros que foram contaminados com inúmeras doenças por uma maga malvada.
– Vão todos para a sala seis que o curandeiro vai atender.
Todos entraram, onde um homem barbudo sentado em uma mesa (não na cadeira, na mesa mesmo) os esperava.
– O que vocês têm? – perguntou o curandeiro.
– Nós fomos atacados por uma maga que tinha o poder de... – Braqui começou a explicar o que aconteceu.
– É virose – interrompeu o curandeiro – cefalexina quinhentos por sete dias. Próximo!
Eles até tentaram argumentar, mas foram expulsos do local.
– Devemos tomar o que ele passou? – perguntou Hyugi.
– Duvido, seria melhor continuando tomando as minhas poções – afirmou Braquistócrona.
– Eu já ouvi dizer que dentro da cidade há um atendimento vip para clientes muito ricos – comentou Sony.
– Espere, eu sou muito rica, mas ainda não sabemos como entrar e procurar por curandeiros competentes lá dentro – falou Braqui.
– É só o Sony transportar geral lá pra dentro oras – sugeriu Jupei.
– Impossível, eu nunca estive nessa cidade – disse o rapaz.
Eles olharam em volta e perceberam que um guarda tomava conta de algo que parecia ser uma entrada de serviço. Braquistócrona deu uma moeda ao segurança e ele fingiu que não viu o grupo entrando sorrateiramente.
– Estamos dentro...o que faremos agora? – perguntou Hyugi, tentando disfarçar a dor e mal estar que sentia naquele momento.
– Vamos perguntar pelas ruas, alguém deve indicar quem possa nos ajudar – sugeriu Braqui.
– Não sabia que você era tão quente Beah– disse Junpei, com a garota no colo.
– Me respeita, e é melhor você não aproveitar pra me apalpar.
– Não é isso, você tá queimando.
– Peraí – Loren foi até sua amiga e colocou as costas da mão na sua testa – você está ardendo em febre cof cof.
Logo depois disso, a Loren ficou tonta e caiu, não se esborrachando no chão porque o Sony rapidamente a segurou em seus braços.
– Obrigada Sony, vejo que até ficar doente tem seu lado bom!
– Deixe-me ver... – Braqui procurava por algo na sua sua bolsa – eu ainda tenho uma poção de cura, acho que a Beatrice deve bebê-la.
– Nada disso, a Loren tá pior do que eu, dê para ela!
– Não tá percebendo co cof? Eu fingi que caí pro Sony me segurar – mentiu a loira.
– Você que deve tomar a poção mesmo, tu tá com febre e você sempre foi a mais fraca – reforçou Junpei.
– Quem disse que eu sou fraca? – protestou Beah.
– Até cego vê que você é fraca – disse Hyugi, se apoiando na sua espada.
– Me admira você ainda não ter morrido – completou Braqui.
– Tá bom, eu tomo essa maldita poção – Beah pegou a poção e a bebeu. Em poucos minutos sua temperatura abaixou e ela conseguiu andar sozinha, embora a situação geral dela e de todos os infectados não fosse nada boa.
Eles ficaram um bom tempo procurando alguém que pudesse atendê-los decentemente, então um dos habitantes daquela estranha cidade indicou um consultório, e imediatamente os heróis foram para lá.
– Espero não vamos ter que ficar dezesseis horas esperando pra depois ouvir que é virose? – comentou Loren, tossindo.
– Se o que dizem é verdade, aqui dentro ficam os melhores curandeiros, o problema é que eles cobram muito caro – disse Sony.
– Já falei que isso não é problema, você sabe bem como minhas armas são caras, eu tenho um bom dinheiro na minha bolsa – falou Braquistócrona.
– Putz grila, não é que aquele macaco é sortudo mesmo? Come uma mulé gostosa, forte e cheia da grana – comentou Junpei.
Enfim eles chegaram ao local indicado. Era apenas uma casa pequena, porém bonita, toda feita de madeira cor de azul bebê. Já estava de noite, mas ainda assim eles bateram na porta.
– Quem é? – dizia uma voz vinda de dentro da casa.
– Estamos doentes, precisamos de ajuda imediatamente – falou Braquistócrona.
A porta se abriu, e um rapaz de cabelos longos e loiros com um rabo de cavalo os atendeu.
– Você é a enfermeira? Precisamos ver o médico – disse Loren.
– Vocês estão mal mesmo, mas eu não sou enfermeira, sou o curandeiro. Entrem.
Todos entraram e sentaram em um grande e confortável sofá.
– Nós sofremos um ataque da Maga Patológica, e fomos infectados com várias doenças – contou Braqui.
– Entendo. E você grandão, qual é o seu nome? – perguntou o curandeiro.
– Eu? Sou o Junpei, por quê?
– Me parece que você está precisando fazer um exame de toque retal, precisamos saber como está sua próstata.
– Espera um pouco, são eles que estão doentes, e que droga é essa de toque retal?
Loren, ainda no colo do Sony, o chamou e contou o que era no ouvido do Junpei.
– Tá maluco, não vou deixar você cutucar meu buraquinho nem morto, que espécie de curandeiro você é?
– Deixem que eu me apresente, eu sou Deidada, o proctologista!

– Prazer senhor Deidada, mas o Junpei está bem, quem está doente sou eu e as garotas – informou Hyugi.
– Entendi, então são vocês que estão precisando de um exame de próstata, fiquem todos de quatro que já vou começar – Deidada mostrou seus dedos para o grupo.
– Ninguém aqui tá com problema de próstata, a maga nos contaminou com vírus, bactérias e outros bichinhos e estamos morrendo, principalmente essa garota de olhos violetas, veja como ela está esquelética – gritou Braqui.
– Eu não sou...quer saber, não vou nem tentar – conformou-se Beah.
– Entendo...bom, eu não tenho o que fazer por vocês, mas tenho um amigo que pode ajuda-los.
– Obrigado, e onde podemos encontrá-lo? – perguntou Sony.
– Meu pássaro de argila poderá guiá-los por apenas cinco boladas.
– Toma! – Braquistócrona tirou as moedas da bolsa e entregou ao loiro – e acho bom que ele realmente nos cure.
– Ele é o melhor curandeiro que eu conheço, se ele não puder curá-los vocês já eram – ele entregou um pássaro de argila à ruiva – ele vai voar em instantes, é só o seguir. Eu ainda acho que você precisa fazer um exame de próstata Junpei, nem vou te cobrar.
– Nem fudendo! Vambora galera, temos que achar logo esse tal milagreiro.
Todos saíram da casa, e logo o pássaro ganhou vida e começou a voar. Ele era muito rápido e como os heróis estavam na merda, não conseguiam acompanhá-lo, então para não correr o risco de perde-lo de vista, Sony e Junpei seguiram a ave correndo enquanto os demais ficaram descansando.
Os dois amigos correram exaustivamente durante meia hora, quando finalmente o pássaro pousou no telhado de um sobrado feito de uma estanha pedra cor de rosa, e então, a ave simplesmente explodiu e desapareceu. Os rapazes concluíram que era o lugar que procuravam, então bateram na porta.
– Quem é? – alguém perguntou lá de dentro.
– Clientes com grana – respondeu Junpei.
A porta se abriu, e novamente um garoto loiro de cabelos longos com cara de menina atendeu.
– Pois bem, qual é o problema de vocês?
– Nós estamos bem, mas temos três amigos que estão muito mal, foram atacados pela Maga Patológica e estão com várias doenças – relatou Sony.
– Maga Patológica? Até onde eu saiba elas foram extintas, mas onde estão os seus companheiros?
– Eles não conseguiam correr atrás do pássaro que o maluco que queria enfiar o dedo no meu cu mandou então eles ficaram descansando no caminho – disse Junpei.
– Tsc, o Deidada não perde essa mania, seria muito mais fácil dizer onde eu moro. Vou pegar minha maleta e vou ver os seus amigos doentes.
Sony se teleportou junto com o curandeiro e o Junpei até o local aonde os outros estavam tranquilamente deitados tremendo devido à febre e gemendo de dor.
– Eles estão realmente péssimos, farei os primeiros socorros aqui, mas teremos que levá-los à minha casa.
O curandeiro abriu sua maleta, pegou estranhas folhas e esfregou violentamente no rosto dos heróis.
– Ai, para com isso cof cof– brigou Loren.
– Isso vai mantê-los vivos por algum tempo, mas ainda assim vocês estão fracos demais para sair andando por aí. Você pode transportá-los até minha casa?
– Posso, mas prefiro levar apenas dois de cada vez – falou Sony.
Aos poucos, o meio-hollow levou todos em segurança até o consultório, onde o curandeiro os examinou com mais calma.
– Você estava certo, apenas uma Maga Patológica poderia ter feito um estrago tão grande – ele suspirou – eu posso preparar um remédio, mas ele é muito caro e eu não tenho um dos ingredientes no meu estoque.
– Caro quanto? – perguntou Sony.
– 6,02x1023 boladas – respondeu o loiro.
– Tenho certeza que isso paga o preço – Braqui pegou uma barra dourada na sua bolsa e entregou ao doutor – uma barra de ouro, que vale mais do que dinheiro.
– É suficiente, mas ainda temos o problema do ingrediente que está faltando, é sangue de crocodilo de restinga.
– E onde encontramos isso? – indagou Junpei.
– Eles vivem no litoral ao sul de Golden Posse. Vocês podem encontrar algum crocodilo por lá e pegar seu sangue, não é longe mas devem se apressar, nós temos apenas... – o rapaz abriu um grande armário, onde havia uma espécie de relógio em forma de torre, e ao invés de ponteiros havia chamas azuis – doze horas. A cada hora que passar, uma chama se apagará.
– Demorô vamos lá então – empolgou-se Junpei.
– Obrigado curandeiro...qual é o seu nome? – perguntou Sony.
– Kurapika.
Houve alguns segundos de silêncio após o curandeiro dizer seu nome, e logo todos começaram a gargalhar.
– Há há há, quer dizer que você fica mexendo com a pica dos outros? – zombou Junpei.
– E como você faz isso, com as mãos ou com a boca? – continuou Loren.
– De onde eu venho isso tem outro nome, urologista – disse Beatrice, fazendo as risadas pararem imediatamente.
– Não achei graça – Kurapika fechou a cara – peguem uma faca e um frasco vazio no meu armário, vocês irão precisar.
Junpei pegou o material e foi se despedir.
– Temos que ir logo, e não morram antes de voltarmos – Junpei e Sony saíram apressados.
Os únicos com saúde correram até o nascer do Sol, quando pararam para descansar.
– Será que passou quanto tempo? – perguntou Junpei.
– Já está amanhecendo, acho que umas seis horas – supôs Sony.
– Então vamos logo, não sabemos se essa praia tá longe.
Eles continuaram apressados, até que enfim avistaram o mar, então correram até chegar à água.
– Tá, chegamos no mar, mas onde está o tal crocodilo? – Junpei parecia impaciente.
– Se tivesse um meio de atrair um crocodilo desses...será que eles são atraídos por sangue como tubarões?
– Só tem um jeito de saber.
Junpei pegou a faca fornecida pelo Kurapika e rapidamente fez um corte no braço do Sony.
– Ei, achei que você ia tirar o seu próprio sangue – reclamou Sony.
– E por que eu faria isso? As pessoas desse mundo têm cada ideia...
Eles ficaram andando pela praia durante algum tempo. O mar era calmo e com poucas ondas, porém de repente a água começou a se agitar freneticamente, e assim que os heróis perceberam isso, pegaram suas armas e ficaram na expectativa.
– Será que é o crocodilo? – perguntou Junpei.
Antes de conseguir responder, Sony foi atingido por alguma coisa, sendo arremessado e rolando na areia, ficando todo ralado. Logo a dupla olhou e viu que um crocodilo amarelo com uns vinte metros de comprimento deu uma rabada no meio-hollow.
– Te achamos, agora vou fazer purê de crocodilo!
Junpei deu um salto olímpico empunhando seu martelo com muita catilogência, deu um poderoso golpe na direção do crânio do crocodilo, e com a força de um leão atingiu a areia, tendo a besta desaparecido diante dos seus olhos.
– Ah? Ele sumiu? – o grandalhão estranhou.
Sony se levantou bem, tendo sofrido apenas pequenos ferimentos. Repentinamente o crocodilo reapareceu e tentou abocanhar o garoto, que se teleportou a alguns metros dali para escapar de ser comido.
– Seu desgraçado, agora te pego!
Junpei novamente deu um poderoso golpe, acertando a calda do crocodilo, que urrou de dor e logo em seguida despareceu.
– Que merda, essa lagartixa bombada vive sumindo – reclamou Junpei.
– Temos que ficar atentos, ele pode voltar a qualquer momento – disse Sony, voltando para perto do seu companheiro.
Realmente o crocodilo voltou, já atacando o Junpei com uma poderosa mordida. Os enormes dentes do animal perfuraram o corpo do nosso herói, que ficou preso, gritando e sangrando. Tudo parecia perdido, e quando o Sony o atacou com seu bastão que, depois da última batalha passou a esticar ao melhor estilo Gokuzinho. Pouco antes de acertar o olho do crocodilo, ele desapareceu e o Junpei caiu no chão todo ferrado.
– Aaai....ele me pegou de jeito – reclamou Junpei, bastante ferido.
– Fique descansando, eu acho que já sei como vencê-lo – disse Sony – três, dois, um...
Quando Sony terminou a contagem o crocodilo surgiu novamente, e como o garoto já estava preparado, deu um golpe de bastão frontal no olho do bicho, que gritou de dor. Muito rapidamente, ele usou o bastão esticado para dar um salto até a altura da cabeça do crocodilo e sugou o sangue (eca) que escorria do olho machucado, e logo ele desapareceu de novo, fazendo o Sony cair de bunda no chão.
Sony se recuperou rapidamente da queda, pegou o frasco que estava no bolso do Junpei e cuspiu o sangue dentro dele.
– Como você sabia...
Antes que Junpei terminasse sua pergunta, o crocodilo reapareceu mais furioso do que nunca, então o Sony segurou o Junpei e o arrastou pra dentro do portal, sumindo do local. Os dois reapareceram na casa do Kurapika, onde o curandeiro estava ao lado dos heróis que estavam todos deitados nas camas, dormindo ou inconscientes, sei lá.
– Conseguiram o sangue? – perguntou Kurapika.
– Está aqui – Sony entregou o frasco.
– Ótimo – o curandeiro olhou para o relógio, que tinha apenas duas chamas acesas – vou preparar a poção, enquanto isso dê um líquido verde que está na estante para o seu amigo que parece muito ferido, depois eu incluo na conta.
Junpei tomou a poção, e aos poucos seus ferimentos foram se curando. Kurapika se trancou em uma espécie de laboratório e demorava bastante para concluir o trabalho, deixando os amigos muito preocupados. Finalmente, antes da última chama se apagar, ele saiu lá de dentro com uma garrafa cheia de um líquido rosa.
– E então Chupa Pica, conseguiu fazer o remédio? – perguntou Junpei.
– É Kurapika, e consegui sim, estou indo administrar.
Ele foi até os doentes e jogou o líquido na cara de cada um deles. Em poucos instantes eles acordaram tossindo, mas logo ficaram bem dispostos.
– Que maravilha, não tô mais com dor nem febre – comemorou Beah.
– Pode crer, você é bom mesmo Sentanapika – disse Loren.
– É kurapika – os olhos do curandeiro ficaram vermelhos.
– É isso, já acertamos o pagamento, então vamos nessa que o mundo nos aguarda – falou Braqui.
– Vão indo na frente, tenho que falar com o doutor em particular – disse Junpei.
O grupo concordou e então saíram. Junpei e Kurapika ficaram sozinhos na casa.
– Em que posso ajudá-lo amigo?
– É que...bom, já que você Cura Pica...não vou ficar falando, olha!
O carateca abaixou a calça, fazendo o curandeiro ter aquela visão deprimente.
– Por acaso você foi ao Brejo Forasteiros Serão Decapitados?
– Fui sim.
– Encontrou um sapo falante?
– Encontrei.
– Por acidente ele falou não mais vezes do que deveria e o seu pênis desapareceu?
– Isso mesmo. Você é bom mesmo, pode me ajudar a recuperar meu amiguinho?
– Infelizmente não.
Junpei caiu no chão, e logo se recompôs.
– Como assim? Quer dizer que vou ficar capado pra sempre? – ele gritava.
– Você pode voltar ao brejo, a cada vez que o sapo disser sim, seu pênis crescerá dez centímetros.
– Puta que pariu, eu fiquei com tanta raiva que matei e comi o sapo!
– Infelizmente seu problema só pode ser resolvido por meios mágicos. Quem sabe você encontre algum pergaminho, ou mesmo um grande mago que possa ajudá-lo.
– Tá bom, até qualquer dia Tokapika!
– É KURAPIKA!
Junpei abriu a porta, e percebeu que os seus amigos estavam com os ouvidos colados na porta e rindo.
– Caraca, quer dizer que tu ficou sem pau? – zombou Loren.
– Sua cambada de desgraçado, ficaram tudo ouvindo minha conversa com o médico né? – o grandalhão gritava furioso.
– Não deveríamos zombar de um companheiro que ficou sem a principal parte do corpo masculino, que nunca mais poderá desfrutar dos prazeres da vida – comentava Hyugi – aliás, como você tá fazendo pra mijar?
– Não é da tua conta!
Todos andaram rindo e zoando o pobre do Junpei, até que saíram da cidade. Sony, que estava em silêncio até então, chamou a atenção do grupo.
– Amigos – ele suspirou – vocês finalmente estão curados, então é aqui que eu os deixarei, preciso seguir o meu caminho!
– Quê, como assim? – Loren engasgou com a saliva.
– Hamlet Hamlet – Hamlet disse qualquer coisa.
– Eu sou um perigo para todos vocês, na nossa última luta eu virei um hollow e por pouco não os devorei. Por favor, me deixem ir, é para a segurança de vocês.
Braquistócrona chegou perto do garoto e deu um tapa no seu rosto.
– Me admira você falar isso! Você tá todo se sentindo culpado pelas ações da sua parte hollow, mas esquece que se não fosse por isso, todos nós estaríamos mortos.
Beatrice foi até ele e deu outro tapa.
– Nunca diga que você é um perigo, já perdi a conta de quantas vezes você me salvou!
Junpei também se aproximou dele e deu um soco na sua barriga.
– Eu...sei lá, deu vontade de te bater mesmo!
– Quando você estiver recuperado te dou uns tapas também! – disse Hyugi.
Loren também chegou perto dele e deu um tapa. Em seguida o segurou pelo colarinho, o puxou para si até seus corpos se tocarem, fechou os olhos, encostou os seus lábios nos dele e o beijou apaixonadamente.
– É... – Sony suspirou – você me convenceu, vou ficar!
Todos comemoraram a decisão e então seguiram caminhando alegremente. Junpei estava feliz porque todos acabaram se esquecendo de zoar sua falta de órgão reprodutor, Loren segurava na mão do Sony tão forte que parecia que não queria deixa-lo fugir, e o próprio garoto, embora tivesse uma reação contida, estava muito feliz por ter sido agarrado por ela. Agora os heróis se dirigiam apressadamente para algum lugar que apenas a Braquistócrona sabia onde era.
Fale com o autor