Dungeoneer - Interativa
4 A vingança vem a cavalo
Notas iniciais
Os viajantes da Terra, bem como Sony e Sortudo, continuaram caminhando até saírem da floresta do medo e, quando os sóis estavam no ápice, avistaram o mar.
– Praia, uhull – vibrou Loren.
– É isso mesmo, onde tem praia tem garotas de biquíni – completou Kon.
– Não fiquem tão animados, esse não é um lugar de lazer, é um dos maiores portos do mundo e isso faz com que a água aqui seja muito poluída – alertou Sortudo.
– Há quem ache que o lazer é uma perda de tempo e dinheiro, outas que é algo essencial às nossas vidas – disse a pedra.
– É uma pena que os donos dos barcos despejem óleo no mar – lamentou Beatrice.
– Barcos com óleo, o que é isso? – perguntou Sony.
– É que no mundo deles os barcos possuem motores movidos a algum tipo de óleo, mas não é isso que polui essas águas. Os meios de transporte mais modernos de Dungeoneer são animais marítimos, capazes de carregar muitas pessoas em pouco tempo, e a poluição vem dos resíduos produzidos por eles – explicou Sortudo.
– Quer dizer que a água tá suja de bosta de bicho? – disse Junpei.
– Que nojo, eu não precisava ouvir isso – reclamou Beatrice.
– Vamos logo, a tartaruga deve sair em breve – apressou Sortudo.
O grupo chegou ao porto e andaram por uma espécie de cais, todo feito de madeira, onde várias pessoas passavam. Puderam ver alguns “embarcando” em grandes peixes e até em hipopótamos, até que avistaram uma tartaruga enorme, com dezenas de passageiros sentados em seu casco. No cais, um velhinho careca, usando uma camisa estilo havaiana e óculos escuros recebia moedas e autorizava que subissem no animal.
– Olá viajantes, eu sou o Mestre Kame, dono dessa bela tartaruga. A viagem de hoje será para a capital do reino e custa apenas uma moeda de prata.
– Tá caro, mas fazer o que – Sortudo pega uma moeda e entregou para Kame.
– Pode subir macaquinho – autorizou o mestre.
O resto dos amigos se preparou para subir, mas foram barrados pelo velho.
– É uma moeda por passageiro – informou Kame.
– Pô sortudo, paga essa aí pra agente – pediu Loren.
– Desculpem, paguei comida e estadias, essa era minha última moeda. Senhor Kame, em quanto tempo a tartaruga irá sair? – perguntou Sortudo.
– Três horas – falou Kame.
– Vocês podem tentar arranjar dinheiro nesse tempo – disse Sortudo.
Loren se concentrou e fez novamente suas roupas desaparecerem e dar lugar àquela armadura super sexy, fazendo o nariz do Kame sangrar.
– Sabe, eu queria muuuuuito viajar, mas estou sem dinheiro, então o senhor...senhor não, você, já que ainda é jovem, poderia me deixar subir? – pediu Loren.
– Claro, seja bem vinda – autorizou Kame.
Loren subiu e acomodou-se no casco da grande tartaruga. Beatrice fixou seu olhar nos olhos do Kame e usou sua habilidade psíquica para sugerir que ele a deixasse entrar.
– Você também, garota dos olhos violeta, pode entrar.
– Obrigada – Beatrice embarcou.
– Deixei as garotas subirem, agora vocês, voltem quando tiverem dinheiro – falou Kame.
– Isso é um reflexo do avanço do capitalismo – disse a pedra.
– Nós estamos em uma missão para salvar o mundo, não pode fazer fiado? – pediu Kon.
– Meu discípulo já salvou o mundo várias vezes e nem por isso deixo ele viajar de graça.
– Que cara sovina – resmungou Sony.
– Que tal uma aposta? Se eu te ganhar na queda de braço, nós três viajamos de graça – propôs Junpei.
– Será divertido, aceito.
O mestre Kame e Junpei sentaram no chão e apoiaram os cotovelos em uma pedra, improvisando uma mesa.
– Preparado? – perguntou Kame.
– Já nasci pronto – respondeu Junpei.
Em menos de um segundo, Kame girou gentilmente seu braço, jogando não apenas o braço, como todo o corpo do seu oponente no chão.
– Como pode, fui derrotado tão rápido por um velhinho – lamentou Junpei.
– Como eu sou um cara legal, vou propor uma troca: se me trouxerem uma esfera do dragão antes da tartaruga partir, eu deixo vocês viajarem de graça.
– O que é esfera do dragão? – perguntou Kon.
– É uma bola amarelada com algumas estrelas, a que eu quero tem quatro. Meu radar diz que ela está naquela montanha – Kame apontou para uma montanha que não parecia estar distante – mas não quero ir até lá por que tem um monte de mulher aqui e vou tentar me dar bem hoje.
– Então vamos – entusiasmou-se Junpei.
– Eu queria ficar aqui e ver as garotas – falou Kon.
– Temos que ir logo, se perdermos a tartaruga nossa missão ficará prejudicada – falou Sony.
Os rapazes seguiram na direção que o Mestre Kame indicou. Se afastaram do mar e após meia hora de caminhada, chegaram à base da montanha.
– Parece bem alta – disse Kon.
– Temos que nos apressar, o tempo é curto e a montanha é alta – chamou Sony.
Eles começaram a subir a montanha, que era coberta de grama e com poucas, porém altas, árvores. A subida era íngreme, de forma que muitas vezes os heróis quase caíram, mas heroicamente, duas horas depois, chegaram ao topo.
– Chegamos, o que faremos agora? – perguntou Junpei.
– Sei lá – respondeu Kon.
– Vamos procurar – disse Sony.
Os garotos vasculharam o local. Olharam pela grama, embaixo de pedras, galhos, e nada de achar a tal esfera.
– Tamo ferrado – lamentou Kon.
– Já procuramos em todos os lugares, será que ela está mesmo aqui? – indagou Junpei.
– Peraí, o Hamlet está querendo dizer alguma coisa – Sony olhou para o seu hamster que estava grunhindo e olhando para a copa de uma árvore – Ah sim, você está dizendo que a esfera está em cima daquela árvore, obrigado!
– Quer dizer que você entende o que ele fala? – estranhou Junpei.
– Eu falo hamsterês desde criança. Agora só precisamos subir na árvore.
– Deixa comigo – Kon deu um grande salto e se agarrou nos galhos da árvore.
– Achou alguma coisa? – gritou Junpei.
– Calma, tô procurando.
Kon ficou se movendo entre os galhos das árvores, até que encontrou um ninho com alguns ovos e a esfera de quatro estrelas. Quando o garoto de cabelos laranja pegou a esfera, foi atacado por um pequeno pássaro, fazendo com que ele caísse de cara no chão.
– Doeu – reclamou Kon.
– E daí, o importante é que temos a esfera. Vamos rápido, temos que entregar essa coisa pro velho e pegar a tartaruga – falou Junpei.
– O que Hamlet? Te alguém vindo pra cá?
Depois de Vlade ter falado com seu bichinho, surgiu um homem vestido com um roupão vermelho, possuindo uma espécie de elmo com um chifre em um dos seus lados e asas negras. Além disso, ele chegou voando montado em um cavalo preto sem asas.
– Entreguem suas armas mágicas – ordenou o homem.
– Quem é você? – perguntou Junpei.
– Não pode ser, esse é o Vingativo, um dos piores vilões do nosso mundo – explicou Sony.
– Não é vingativo, é Vingador. Entreguem logo suas armas ou irão sofrer as consequências .
– A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena – disse a pedra.
Enquanto isso, Sortudo, Loren e Beatrice estavam na tartaruga esperado a volta dos seus amigos, quando Beatrice colocou a mão na cabeça e fechou os olhos.
– Você está bem Bea? – perguntou Loren.
– Temos que ir ajudar os garotos, eles estão em perigo. Não me pergunte como eu sei disso, apenas sei.
– Você é uma psíquica, às vezes consegue sentir o que acontece com pessoas queridas, mesmo que estejam distantes. Vão rápido, a tartaruga já vai partir – disse Sortudo.
As garotas pularam de volta para o cais, quando foram abordadas pelo mestre Kame.
– Não saiam agora, eu vou partir logo logo.
–Nossos amigos estão em perigo, temos que ajuda-los – disse Loren.
– Entendo, mas vocês levarão pelo menos três horas para subir e descer da montanha, e nós vamos partir em meia hora, não gosto de me atrasar. Vou emprestar uma coisa para vocês : Nuvem voadora, venha!
Uma pequena nuvem dourada surgiu e parou ao lado do mestre.
– Essa nuvem pode levar vocês ao topo da montanha em poucos minutos. Podem ir.
Loren subiu na nuvem mas passou direto por ela e caiu de bunda no chão.
– Esqueci de dizer, só pessoas puras conseguem subir na nuvem dourada.
– Agora que você diz isso? – reclamou Loren.
Beatrice subiu na nuvem e conseguiu sentar confortavelmente nela.
– Fala sério, quer dizer que você é pura e eu não? – disse Loren.
– Não temos tempo pra isso, nuvem, nos leve para o topo daquela montanha.
Beatrice segurou a mão da sua amiga e saiu voando na nuvem. Foram poucos minutos até o pico da montanha, mas o suficiente para Loren xingar até a décima geração da Beatrice, pois essa a levou pendurada, segura apenas por uma de suas mãos, voando a centenas de metros de altitude.
Ao chegar, avistaram o Vingativo, quer dizer, Vingador atacando o grupo de rapazes.
– Deixem eles em paz e vem brigar com alguém do seu tamanho – bradou Loren.
– Entreguem suas armas mágicas – ordenou novamente o vingador.
– Vem pegar.
Loren, que ainda estava com sua espada e armadura, pulou para cima do inimigo pronta para acertá-lo, porém o vingador lançou uma bola de fogo da sua mão, que atingiu a loira em cheio causando graves queimaduras em seu corpo e fazendo-a cair no chão.
– Desgraçado – Beatrice fixou seu olhar nos olhos do adversário, pronta para sugerir que ele fugisse de medo.
– Garota estúpida, meu elmo me protege contra magia psíquica – gabou-se o Vingador.
– Você é psíquica? Use telecinese para jogar alguma coisa nele – sugeriu Sony.
– Telecinese? Não sei fazer isso – disse Beatrice desesperada.
– Que piada, uma psíquica que não sabe telecinese – zombou o Vingador.
– Só sei que nada sei – falou a pedra.
– Você diz que quer armas mágicas, a única arma que nós temos é essa, pode levar e nos deixe em paz – Kon pegou a espada da Loren, que desapareceu quando saiu da sua mão, assim como sua armadura.
– Não é possível dar essa espada, ela faz parte da alma dela – informou Sony,
– Vou te pegar desgraçado!
Junpei correu para atacar o inimigo, que lançou uma de suas bolas de fogo, mas felizmente, o carateca conseguiu esquivar-se. Ele tentou dar uma espadada no vingador, mas como esse estava voando, ele não conseguiu acertar o homem, e sim o cavalo.
– Beleza, acertei o cavalo voador, agora ele vai cair e vai ficar mais fácil lutar com ele – comemorou Junpei.
O cavalo realmente estava ferido, porém ele não caiu. O vingador, com uma expressão irada, desceu do ar e apoiou o cavalo no chão, e logo após, voltou a voar.
– Ah, o cavalo não voa, é ele que estava voando levando o cavalo entre suas pernas – estranhou Kon.
– Vocês feriram meu único amigo, agora devem morrer! – anunciou o Vingador.
Logo em seguida, o vilão atirou uma rajada de energia, muito mais rápida do que a bola de fogo, que acertou em cheio o corpo de Junpei, que foi ao chão desacordado.
– Você também feriu minha amiga seu covarde – disse Beatrice com muita raiva.
– Entreguem suas armas mágicas, crianças do Mestre dos magos – ordenou o Vingador.
– Nós nem conhecemos esse mestre dos Magos, deve estar nos confundindo com alguém – falou Sony.
– Olha seu Vingativo, serve isso? – Kon mostrou a esfera do dragão que acabara de encontrar.
– Para que vou querer isso, pra jogar sinuca?
O vilão atirou outra rajada de energia em direção ao trio que ainda estava de pé, porém Sony fez um rápido movimento com a mão e abriu-se uma espécie de fenda no meio do ar, de forma que a rajada entrou nela e depois desapareceu, sem atingir a ele nem a seus amigos.
– Obrigada Sony – agradeceu Beatrice.
O Vingador continuou atacando, e sempre Sony abria aqueles portais que conseguia “sugar” as rajadas e também bolas de fogo.
– Estamos em desvantagem. Estamos apenas conseguindo nos defender, mas precisamos atacar – falou Sony.
– A melhor defesa é o ataque – falou a pedra.
Kon olhou para a pedra, a segurou e a arremessou na direção do inimigo, não para machuca-lo, mas como se a estivesse dando para ele.
– Essa pedra se chama pedra filosofal, ela possui um grande poder. É o único item mágico que temos, pegue e nos deixe em paz.
O vingador segurou a pedra.
– A paz é uma utopia, visto que muitos lideres matam milhares em nome de uma suposta paz – disse a pedra.
– Há há há, vejo que ela é muito sábia, como certeza com ela, dominarei o mundo. Vou deixa-los ir por hoje, agradeçam pelo meu cavalo estar ferido, preciso me apressar para cuidar dele. Na próxima vez que nos encontrarmos, não terei piedade.
O vingador guardou a pedra filosofal no bolso, segurou o cavalo e saiu voando para longe.
– Boa Kon, conseguiu se livrar do Vingativo e da pedra filosofal ao mesmo tempo – vibrou Sony.
– Temos que cuidar logo deles – disse Beatrice, que estava agachada ao lado da Loren inconsciente.
– O Sortudo já me curou uma vez, certamente poderá curá-los. Vamos rápido naquela sua nuvem.
– Isso. Nuvem voadora, venha!
Beatrice chamou a nuvem, e logo que ela parou, Kon tentou subir nela mas caiu.
– Só pessoas puras conseguem subir, e você tem a mente mais poluída que eu já vi.
– Faça o seguinte, leve a Loren com você na nuvem, eu vou com o Kon e o Junpei – sugeriu Sony.
– Certo – Beatrice colocou sua amiga gentilmente em seu colo e partiu na nuvem.
Sony abriu uma fenda como aquelas que usou para se defender dos ataques do Vingador.
– Pegue o Junpei e me siga.
Kon pegou Junpei no colo. Quando já estava preparado, Sony entrou na fenda, sendo seguido pelo garoto de cabelos laranja. Espantosamente, eles apareceram no cais, bem em frente à tartaruga.
– Como você fez isso? – espantou-se Kon.
– Depois eu explico.
Logo depois, as garotas chegaram na nuvem. Beatrice desceu e embarcou apressada, levando Loren para Sortudo. Enquanto isso, Kon entregou a esfera para o mestre Kame.
– Ótimo, vocês cumpriram o acordo. Podem entrar – disse o mestre.
Kon embarcou, também indo entregar seu amigo para o macaco voador. Antes de subir, Sony foi falar com Kame.
– Se não for abuso meu, para que serve essa esfera?
– Existem sete esferas mágicas chamadas esferas do dragão, quando reunidas, dão ao seu portador o direito de realizar um desejo.
– Então você pretende reunir todas e realizar um desejo?
– Não, já estou velho pra isso. Essa esfera, a de quatro estrelas, pertenceu a um grande amigo meu, e gostaria de guarda-la como recordação. Embarque logo, já vamos partir.
Sony embarcou na tartaruga e logo depois Kame acomodou-se na cabeça do animal e então deu a partida. Sortudo usou sua magia para curar Junpei e Loren, e assim a jornada rumo ao castelo continuou.
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