Dueto

1 Ignorância - Prólogo


Notas iniciais
Primeiro capítulo dos sete.

Um dia frio. Uma praça com poucas pessoas, contrastando as cores laranja e amarelo das folhas de outono e uma fonte com anjos de pedra despejando água de seus vasos de flores vazios; Assim começava o dia para o casal que se divertia nos balanços em frente à fonte, entre risos e olhares de carinho: O primeiro, sentado no balanço azul, chama-se Klaus; o outro, no amarelo, Bernardo.

— Não quero ir embora... – lamentou Bernardo.

— Então não vá, vamos ficar aqui – sorriu e segurou-lhe a mão.

— Não me pede isso – lastimou. — Sabe que preciso ir.

— É – levantou-se sem soltar as mãos e posicionou em frente a Bernardo, agachando de leve para encostar nariz com nariz com um leve sorriso — Eu sei sim.

— Não provoca... – postulou olhando para os lados – Pode ter gente!

— E você acha que eu ligo?

— Eu ligo! – declarou.

Enquanto ambos trocavam fitadas, o céu – já nublado – deixou cair leves gotas d’água. Os dois sentiram, Bernardo levantou apressadamente e, escorregando a mão de Klaus para se soltar, tentou correr em direção a um abrigo ou toldo ou até mesmo uma árvore que pudesse protegê-lo da chuva.

— Onde pensa que vai? – indagou puxando-o de volta pela gola do casaco nas costas.

— Vai chover!

As gotas leves então tornaram-se um chuvisco intenso.

— Essa é graça.

Klaus o puxou com mais força, fazendo-o cair em teus braços com o rosto para cima. Bernardo podia sentir os chuviscos caírem em seu rosto enquanto também podia ver o rosto de Klaus em frente ao céu nublado.

— Esse é o seu modo de dar “bom dia”? – perguntou Bernardo.

— Sim – afirmou Klaus aproximando o rosto. — É.

— Que pena, se fosse um modo sem tanta frescura, eu podia ter curtido um pouco mais... — contou empurrando-o e afastando-se em passos rápidos. — Mas eu realmente estou atrasado! – sorriu, de certa forma provocando.

Klaus parou e assistiu a Bernardo correr, também sorrindo, só que de uma forma mais excitada. Minutos depois a praça foi tomada por pessoas e seus guarda-chuvas, e o chuvisco tornou-se uma tempestade.

Encharcado, Klaus voltou para casa.

— O que houve contigo?? – vociferou a mãe ao ver o filho entrando em casa e nesse estado. — Por que não foi à escola?

— A chuva me molhou e acabei voltando – respondeu sem esboçar muito interesse em conversar.

— Mas a chuva começou não faz muito tempo e tu saiu muito cedo – disse cobrando explicações. — Volta aqui, moleque!

Ignorando o chamado, pegou uma toalha, subiu as escadas e trancou-se no banheiro: colocou os fones de ouvido, sentou na privada para dejetar e não ouvia mais nenhuma reclamação da mãe, tocava Tetrishead de Zöe Keating, uma violoncelista na qual gostava muito das músicas, e pensava sobre a escola. Suas notas estavam indo de mau a pior, suas faltas haviam aumentado consideravelmente, e sua mãe já se tornava irritante em sua visão.
Ao término da música, seguida do som da descarga, masturbou-se pelos dois lados, debaixo do chuveiro.


Ignorância 1.1


No trabalho, Bernardo era questionado por sua amiga pelo seu atraso:

— Chegou atrasado de novo, não posso te cobrir para sempre.

— Obrigado, Bella – agradeceu sentando na cadeira ao lado dela, em frente a uma escrivaninha com um computador mostrando o movimento das massas de ar.

— Tá vendo essas fumaças azuis no mapa? Essas paradas nessa região onde fica nossa cidade – mostrou circulando com o dedo na tela.

— Frentes frias... E daí?

— Enquanto você fica se “esquentando” com aquele pirralho estudante e menor de idade, os nossos chefes vão chegar completamente frios e te empurrar pra fora – explicou a situação dele de forma profissional, ambos são meteorologistas, e na teoria, a massa de ar quente é mais leve que a fria, que ao se aproximar expulsa a massa quente.

— Adorei o exemplo, então você seria o ar seco que tenta impedir o ar frio de chegar?

— Você é um bom meteorologista, Bernardo – declarou. — Mas é como dizem: Vacilão morre cedo.

— Eu sei, não vai acontecer mais.

— Já me disse isso umas mil vezes... Além do mais, isso não seria crime?

— O que? – perguntou usando o computador sem dar muita atenção.

— Ele menor de idade e você maior de idade... Não é pedofilia?

— Vamos trabalhar, ok? Qual a previsão pra hoje, pode me adiantar?

— Uma tempestade e baixas temperaturas... – respondeu com deboche, lançando uma pasta amarela em frente a Bernardo que a fitou curioso.

— O que é isso?

— Resultado da brincadeira de hoje: Uma advertência.

— Voltei pro ensino médio? – riu.

— Eles gostam de você, os chefões, não pisa na bola – alertou.

A chuva estava intensa, muitos trovões, nenhum raio... Dois destinos ligados e uma tesoura aberta é só começo, afinal, teremos muitas voltas e reviravoltas inesperadas.

Notas finais
Ignorância - Fim.Continua (13/12/2015).
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.