Duet
2 Caso nº 2: O Corpo no Jardim.
Depois do sucesso no caso da morte de Sarah Wolf, era de esperar que eu fosse a predileta para um próximo caso.
Hehe. Bingo. Krycek veio correndo até mim na manhã seguinte na delegacia.
— Seguinte, Summers — Ele foi me puxando pelo corredor. — O Comandante quer falar com você. Bem, com nós dois. E pelo visto, deve ser sério. Ele nunca chama novatos.
— Tenho certeza que não deve ser nada de errado. Quero dizer, nós fomos bem no caso da Sarah, não fomos?
— Eu espero que sim. — Murmurou, temeroso. E com um suspiro, abriu a porta da sala do Comandante. — Ahm... Senhor?
— Agentes Summers. Krycek. Um homem chamado Dave Simmons alega ter visto partes de um corpo no pátio do ferro velho. Investigue e solucione este caso o mais rápido possível.
— Sim senhor. — Krycek falou por mim, e com uma reverência, novamente me puxou para fora da sala. — Simpatiaaaaa.
[…]
O local estava um terror. Literalmente. Só não comecei a chorar por que o orgulho foi maior; tínhamos trabalho a fazer, e não seria um simples ferro velho que iria me amedrontar.
— Então... — Me virei para o xerife que nos acionou. Rick, algo parecido. — Aonde está a tal parte do corpo?
— Aqui... — Ouvi a voz embargada de Krycek. Quando me virei para vê-lo, pude perceber o que era.
Uma mão. Havia uma maldita mão dentro de um carro quebrado.
[…]
— Meu nome é Dave Simmons. Chamei a polícia assim que vi a mão no jardim. — A testemunha, de aparentemente 39 anos, parecia estar assustada.
— Você fez bem. — Krycek ergueu uma sobrancelha, olhando ao redor. — Fique por perto... Summers e eu vamos lá dentro tentar encontrar o resto do corpo. Randjit! — Ele gritou para o policial de idade indefinida do caso anterior, que veio com um sorriso acolhedor. — Leve essa mão para o laboratório. Summers, vamos.
[…]
A casa estava bagunçada, os móveis revirados, e a única coisa inteira era a porta daquela espelunca. Passamos horas revirando aquela casa, e nada. O corpo poderia estar em qualquer lugar.
— Meu Deus. — Removi uma cadeira que estava bloqueando o corredor, e fingindo limpar o suor da testa, me apoiei nos meus próprios joelhos. Krycek se apoiou na parede. — Aonde diabos está esse maldito corpo?
— Eu não sei, okay? — Suspirou. — Com essa bagunça, podemos deixar qualquer coisa passar em branco. Reviramos essa casa de cabo a rabo e ainda sim não achamos nada! Que droga. Se o assassino deu um fim no corpo, isso limita nossas chances de resolver a investigação.
— Calma! Vamos pensar. Hum... — Coloquei o indicador na boca, pensativa. — Qual foi o único lugar da casa que ainda não olhamos?
— Nenhum. — Revirou os olhos. — Tá, vamos ver. Vimos os quartos, salas, cozinhas, terraços... Meu Deus. Robin, nós esquecemos do maldito banheiro!
— Então vamos, caramba! — Puxando-o pelo pulso, eu o guiei até as escadas que levavam ao andar superior.
[…]
O banheiro estava pior que a casa inteira. Uma nojeira. Fiz uma cara de quem iria vomitar antes de entrar naquilo. Krycek pareceu notar, já que deu uma risada.
— Ponha os bofes para fora outra hora, Summers.
— Engraçadinho. — Me virei para olhar o chiqueiro. Foi quando eu vi o corpo da vítima, completamente nu, boiando na banheira. — DEUS DO CÉU!
— Ah, chamando Deus de engraçadinho, que feio Summ-... — Ele veio até mim, mas foi só ele ver o corpo que sua expressão tornou-se como a minha: nojenta. — Deus. Do. Céu.
— O que é isso? — Me abaixei ao lado da banheira. Era a única coisa em pé naquele lugar. Uma garrafa de algum líquido inflamável. — Krycek, olha. — Estiquei a garrafa para cima, mas ninguém pegou. — Krycek?
Ele estava segurando um monte de roupas, sujas e ensangüentadas. Na mão direita, uma serra suja de sangue.
— Essa deve ser a arma do crime. — Murmurou. — E estas... As roupas da vítima. Precisamos enviar o corpo para a autópsia no laboratório.
— Ele tem alguma identificação? — Perguntei, me aproximando.
— Hum, deixa eu ver... — Krycek remexeu nas roupas, e puxou uma carteira. Haviam alguns cartões, notas de cinco dólares e uma identidade. — De acordo com isso, o nome da vítima era Ned Dillard e ele era um corretor hipotecário.
— Oh. — Olhei para a garrafa de líquido inflamável na minha mão, e para as roupas nas mãos de Krycek. — É melhor mandarmos verificar as roupas e a garrafa. Sabe, pra ver se encontramos algo.
[…]
— É um prazer rever você, Krycek! Ah, e agente Summers, claro. — Morgan, o legista do laboratório, sorriu ao colocar as luvas. Um pano cumpria o trabalho de cobrir o corpo de Ned Dillard. — Vou direto ao assunto: a mão que estava no jardim veio do corpo encontrado na banheira.
— Eu imaginei que fosse. — Cruzei os braços, analisando o corpo.
— Fora isso, só tenho certeza de uma coisa: apenas um homem bem forte conseguiria se livrar de um corpo cortando-o com uma serra. — Ele retirou o pano de cima do corpo. Agora que tudo estava mais calmo, era possível ver alguns sinais de luta.
— Adoraria te perguntar como uma mulher faria para se livrar do corpo. — Krycek deu uma risada, e eu revirei os olhos. — Mas não temos tempo. Nosso assassino é um homem, é tudo o que importa! Obrigado, Morgan!
— Você foi demais, Morgan. — Dei um sorrisinho, e junto com Krycek, saí do laboratório mais determinada do que nunca.
[…]
De volta a mesma cena do primeiro caso; seguindo os movimentos do ventilador de teto. E pela segunda vez, Krycek, meu parceiro estranho, entrou batendo a porta na parede.
— Eu tenho os resultados, Summers! E... — Ele percebeu minha cara de poucos amigos — pra variar — e se encolheu, fechando a porta com cuidado. — Antes que você me fuzile com os olhos, me dê a permissão de comemorar os resultados da análise. Acharam um dente!
— Oi? — Franzi o cenho, me sentando na cadeira giratória.
— Hã? Pera aí. — Ele virou uma página da pasta com os resultados. — Ah! Um dente de ouro! Perdão, erro meu. De qualquer forma, esse dente de ouro vai ser de grande ajuda!
— Eu espero. Alguma coisa sobre a garrafa?
— O comércio de substâncias inflamáveis é rigidamente controlado por lei. Conseguimos o código de barras completo, então agora podemos determinar onde a garrafa foi comprada. Vejamos... — Ele virou algumas páginas. — Ela vem de um mercadinho aqui perto? Nossa. E eu conheço o dono do lugar. Joe Stern. Vamos ter que interrogá-lo.
— Primeiro nós temos que mandar analisar esse dente também. Ou vai me dizer que ia deixar por isso mesmo?
— Eu estou bem atrás de você. — Ele deu de ombros, e saiu me empurrando em direção ao laboratório.
[…]
— Sim, essa garrafa saiu da minha loja, e daí? — Joe tinha um bigode, uma expressão estranha e um incrível bafo de whisky.
— Ouça, Joe. — Krycek se debruçou sobre o balcão. A voz dele estava mais grossa que o normal, o que era estranho, eu nunca havia visto ele estressado antes. — Precisamos saber quem comprou essa garrafa. Essa pessoa cometeu um assassinato!
— Amigo, você acha mesmo que fico reparando nos clientes? — Joe deu um sorriso cínico. — Um monte de gente entra aqui todo dia!
— É mesmo? — Tomei partido na discussão. — Muito bem, então eu e o agente Krycek vamos dar uma verificada em sua loja. Só no caso de você não ter reparado em alguma outra coisa. Certo, Krycek?
— Você manda, Summers. — Krycek cruzou os braços, com um sorriso ladeado.
[…]
— Ei, olha. — Ergui uma arma que havia encontrado abaixo do balcão. — Tem que ter uma licença para armas, não tem?
— E mais uma coisa para a lista de irregularidades do mercadinho do Joe. — Krycek fez menção de marcar algo em uma lista, o que me fez balançar a cabeça e rir. Ele riu junto. — Achou alguma coisa?
— Fora caixas de cigarro, um revólver e uma garrafa de destilado? Nada. Você?
— Bom... — Ele ergueu um saco de lixo.
— Sério?
— Você logo vai aprender que objetos suspeitos sempre acabam parando no lixo. — Ele riu, orgulhoso. — Vamos dar uma olhada nesse saco de lixo. Acabamos por aqui, certo?
P.O.V — Ryan Krycek.
— Certo. — Summers me mandou um aceno com a cabeça, e saiu do mercadinho antes de mim.
Eu dei uma última olhada ao redor. As prateleiras estavam ok, a televisão estava ok, o balcão, o refrigerador... Tudo ok.
Mesmo assim, eu sentia que tinha alguma coisa estranha. E diferente. Era uma coisa nova, eu sabia disso, já que eu nunca tinha me sentido daquele jeito antes. Só faltava descobrir o que era.
Bom, não era a toa que eu era um investigador!
Comecei a repensar o que havia acontecido na minha vida até aquele momento. Vejamos, eu comi donuts, resolvi o assassinato de uma mulher, tomei café, fui pra casa, dormi, tomei café, vim trabalhar, aí essa sensação estranha começou.
— Ei, eu estive pensando... — Summers entrou pela porta giratória, fazendo um pequeno sino pendurado a ela tilintar. — Eu realmente não estou afim de ficar até tarde esperando resultado de análise. Vamos revirar esse lixo aqui mesmo e acabar logo com isso.
Por algum motivo, o cabelo dela parecia mais volumoso, bonito. Os olhos estavam bem mais brilhosos, e o rosto dela, Deus do céu...
Realmente tinha algo de errado comigo.
P.O.V — Robin Summers.
— Vejamos... Esse recibo era o que precisávamos. — A voz de Krycek saiu meio fanha, devido ao pregador tapando-lhe o nariz. — Ele diz a compra de um líquido inflamável!
— Perfeito. — Sorri, pegando o recibo em mãos. — Só isso?
— Hum... E a compra de uma serra igual a que encontramos na cena do crime. — Ele me olhou, atônito. — Eles estão de brincadeira com a minha cara, né?
— O que mais, coisa? Diz mais alguma coisa aqui. Deixa eu ver... Curativos? O assassino comprou curativos?
— O que significa que estamos procurando alguém usando um curativo. Ótimo, Summers, fizemos progresso!
P.O.V — Ryan Krycek.
Pela primeira vez, Summers fez questão de acompanhar a análise do dente e do recibo. O que me deixou sozinho com meus pensamentos.
— Meu Deus... — Suspirei, comendo uma rosquinha.
— Hey, Ryan, o que há de novo? — Randjit, meu mais novo melhor amigo na delegacia, chegou balançando o quepe entre os dedos. — Wow. Sua cara tá estranha.
— Nem me fale. — Massageei minhas têmporas com os indicadores, me levantando em seguida. Agarrei Randjit pelos ombros. — Cara, olha pra mim. Olha bem no fundo dos meus olhos e me fala: Eu pareço doente?
— Comeu um cupcake estragado de novo, Krycek? — Randjit ergueu uma sobrancelha. — Por quê, se for, é melhor ficar logo dentro do banheiro.
— Aquele foi um caso à parte. — Balancei a cabeça, apertando mais os ombros dele. — Fala sério, por favor! Tem alguma coisa estranha acontecendo, e eu tô ficando louco pra descobrir o que é!
— Você é o investigador, não eu. — Ele deu de ombros. — Mas você é meu amigo, então eu ajudo. Vai, começa a falar.
— Tem alguma coisa de errado comigo. É a Summers, cara. — Sussurrei, olhando pros lados. — Tem alguma coisa estranha na Summers. Que não tinha antes, mas agora tem.
— Estranha como? Um pedaço de espinafre do dente dela?
— Não, seu estrupício! Alguma coisa estranha, mas boa. Eu não sei. Aaaargh, você não tá ajudando! — Passei as mãos pelo meu cabelo, me encostando na minha mesa. — Socorro, Randjit.
— Ah. Já sei o que é isso. — Randjit deu um sorriso ladeado, e olhou pra mim como se quisesse dizer "seu cachorrão!"
— O que é, então? Dá pra curar com dipirona?
— O quê? Não! — Ele me deu um empurrão. — Krycek, você tá apaixonado!
P.O.V — Robin Summers
— Muito prazer, agente Summers! Meu nome é Jane. Sou a chefe do laboratório e cuido de todas as análises forenses.
— É bom conhecer o motivo das minhas horas de tédio.
Jane, a ruiva do laboratório, fez um bico de indignação.
— É brincadeira. — Sorri. — E então, o que temos?
— Ah! O dente que achamos, certo? Como se vê, ele corresponde as marcas de mordida da garrafa encontrada no mesmo lugar. Consegue ver? — Com luvas impermeáveis, ela me mostrou a garrafa amarela com o líquido inflamável. Realmente, parecia mordida. — O assassino deve ter tentado abrir a tampa com a boca e perdeu um dente no processo.
— Era uma tampa bem resistente, ou o nosso assassino tem os dentes bem ruins. De qualquer forma, obrigada, Jane. Estamos procurando por alguém com um dente faltando. — Sorri, apertando a mão da ruiva. — Vou dar as notícias ao Krycek.
P.O.V — Ryan Krycek.
— Você... — Disse, ofegante, em meio as risadas estrondosas que eu dava. Estava até me apoiando na mesa. — Você tá dizendo que... Ai, não, minha barriga... Randjit, essa foi ótima!
— Pense o que quiser, Ryan. Pediu minha ajuda e eu dei. — Randjit deu de ombros, se encostando na parede.
— Cara! Como é que eu posso estar apaixonado por ela? Não faz nem duas semanas que ela chegou na cidade! Eu poderia ir pra cama com ela, ela é gostosa, mas estar apaixonado? Faça-me o favor!
— Bem... — Ele olhou por cima do meu ombro, e sorriu. — Aí vem ela. Tenta conversar e tire suas próprias conclusões. — Ele deu alguns tapinhas no meu braço, e me empurrou para o lado para poder passar.
— Randjit. — Summers o cumprimentou, recebendo um sorriso em troca. — Aí está você, Krycek! Não vai acreditar. O resultado da análise saiu, parece que estamos procurando por algum banguela por aí.
— Banguela? Ah... Que maldade, Summers. — Franzi o cenho, mas sorri. Ela sorriu de volta pra mim, e aquele sorriso dela parecia a luz da lua refletida em um lago...
Pelo amor de Deus, Ryan Krycek, concentre-se! Vidas de pessoas estão em jogo!
— Espera. Dave Simmons não tinha um dente faltando? Isso faz dele um dos nossos suspeitos, certo?
— Parece que faremos uma visitinha ao nosso mais novo amigo. — Ela deu um sorriso de canto, e andou em direção a porta. Eu não lembro muito bem o que aconteceu, mas parece que eu fiquei encarando ela igual a um idiota, por que ela disparou um: — Você vem ou não?
— Estou bem atrás de você. — E então, eu fechei a porta, deixando para trás todas as dúvidas sobre mim. Eu realmente era um idiota. Eu estava apaixonado por Robin Summers.
P.O.V — Robin Summers.
— Perdi meu dente quando era jovem. Não tenho mais nada a dizer sobre essa história sórdida, exceto que estava lá para vender a casa. Foi quando encontrei a mão! — Para mim, Dave parecia bem nervoso. Ou ele nunca esteve em uma sala de interrogatório antes, ou estava escondendo algo.
— Se estava lá para vendê-la, imagino que saiba de quem é a casa. Correto? — Ergui uma sobrancelha.
— É claro! — Ele deu um sorriso desdentado. — Esta propriedade pertence ao Sr. Fiorenzzo e está abandonada há anos. Ele faz bem de vendê-la.
— Você disse... Fiorenzzo?! — Krycek pareceu assustado. Não, pareceu surpreso. — Summers, a coisa está se complicando. É melhor fazer um relatório para o Comandante Skinner.
— Espera! Mas por que está se complicando? Quem é esse tal de Fiorenzzo?
— Eu te explico depois. Vamos. Rápido! Você está liberado por hoje, Dave, mas ainda não terminamos. — Ele saiu me puxando, e sinceramente, eu estava perdida.
[…]
— Está me dizendo que Tony Fiorenzzo está envolvido de alguma forma nesta investigação de assassinato? — Até mesmo Skinner parecia surpreso, coisa que nunca vi antes.
— Mas quem é esse tal de Fiorenzzo? Alguém pode me dizer o que está acontecendo? Eu também trabalho aqui! — Resmunguei, levantando a mão. Fui até o lado de Krycek, que estava encostado na mesa de Skinner.
— Agente Summers, Tony Fiorenzzo é um mafioso envolvido em todo tipo de negócio escuso. Nunca conseguimos incriminá-lo... Mas se o Fiorenzzo tiver alguma coisa a ver com esse crime, pode ser a nossa chance de botá-lo atrás das grades. — Pela primeira vez, vi o Chefe Skinner sorrir.
— Então vamos falar com ele! — Krycek se levantou, sorrindo, e colocou o braço por trás do meu pescoço, apoiando ele em meu ombro. — Summers sabe interrogar.
— É... Eu sei. — Dei de ombros, meio incomodada pela intimidade repentina, mas concordei.
[…]
— Então, senhor... Fiorenzzo, certo? — Como uma perfeita profissional, li a pasta com o caso sentada em uma das mesas da Puzzles, a boate de Tony Fiorenzzo. — Já ouviu falar de um homem chamado Ned Dillard?
Tony fingiu não ouvir. Krycek, então, bateu com o punho na mesa, chamando a atenção do mafioso. — A agente está perguntando se já ouviu falar de um homem chamado Ned Dillard, Fiorenzzo. Responda!
— Ned Dillard? Nunca ouvi falar. — Com um sorriso, ele simplesmente desviou o olhar como se não estivéssemos ali. — É só isso? Sou um homem muito ocupado, como vocês sabem.
— No seu lugar, eu baixaria o tom de voz. — Krycek ergueu uma sobrancelha. — O corpo de Ned foi encontrado em uma de suas propriedades...
— Uma tragédia, mas se vocês não têm provas de que eu estava lá, isso não é da minha conta. Agora, se me dão licença, não tenho mesmo tempo para bobagens. — Ele ia se levantar, mas eu bati com os punhos na mesa.
— Bobagens?! Uma pessoa morreu! — Disparei, entredentes.
— Com licença, agentes. — E Fiorenzzo se retirou da Puzzles, nos deixando para trás.
[…]
— Bem, Summers, avançamos bem na investigação do assassinato de Ned Dillard, mas restam muitas perguntas a ser respondidas. — Krycek suspirou, se jogando na cadeira giratória. Ele mordeu um pedaço de pizza, que havia pedido alguns minutos antes. — Quer?
— Não, obrigada. — Dei de ombros, me sentando na mesa. Sim, na mesa. Estava cansada demais para ser profissional. — Pelo menos agora sabemos que o assassino tem um dente faltando e está usando um curativo.
— E também sabemos que Tony Fiorenzzo, o maior salafrário de White Water, está envolvido de alguma maneira. Mas temos de encontrar provas para poder incriminá-lo. — Suspirou, colocando os pés em cima da mesa. Propositalmente, ao meu lado.
— Não acha melhor fazer um relatório para o Chefe Skinner? — Soltei meu cabelo, antes preso em um coque malfeito, e desci da mesa.
— Tirou as palavras da minha boca. Estou bem atrás de você. — Ele sorriu, engolindo um último pedaço da pizza, e se levantando da cadeira.
[...]
— Então, Agentes Summers e Krycek! Como está indo o caso de Ned Dillard? Encontraram quem o matou? — Skinner parecia otimista demais.
— Ainda não, mas já temos três provas contra o assassino! — Krycek disparou, com convicção. — Sabemos que é um homem, que perdeu um dente e que está usando um curativo!
— Oh. Já é uma lista e tanto, bom trabalho. — Skinner ergueu uma sobrancelha, e sorriu. — Já sabem qual será o próximo passo?
— Hum, bom, nós vamos... Hã... — Krycek se enrolou, então eu resolvi assumir dali.
— Nós vamos voltar às cenas de crime e procurar algo que permita o avanço da investigação, senhor.
— Exatamente! N-Nós vamos fazer isso. — Meu parceiro murmurou um "valeu", e eu sorri.
— É um bom plano. E então, o que estão esperando? Vão! — Skinner ordenou, e puxando Krycek comigo, eu saí da sala do Chefe.
[…]
De volta ao Ferro-Velho, Krycek, eu e Randjit resolvemos nos separar para terminar a investigação mais rápido. Randjit foi para trás da casa, enquanto eu e Krycek cuidamos do pátio.
Krycek parecia nervoso. Quando ele percebeu que eu estava olhando-o, ele apenas sorriu e rumou à um saco de lixo que havia perto da porta, e eu ergui uma sobrancelha.
— O que foi? — Ele resmungou.
— Você e seus sacos de lixo. — Ri, balançando a cabeça.
— Não custa nada verificar, ok? — Ele bateu o pé no chão, mas riu junto comigo. Parecia que, depois do caso de Sarah, eu tinha mudado meu conceito sobre Krycek.
— Se você diz... — Dei de ombros, foi quando notei algo suspeito. Por todo o ferro velho haviam folhas secas, era normal, já que estávamos no outono e a propriedade era desocupada. Mas um monte de folhas em especial estava arrumado demais, como se alguém tivesse amontoado-as de propósito. — Ei, Krycek... Olha isso.
— Um monte de folha tão ajeitadinho em um pátio tão abandonado... Essa é boa. — Krycek riu, soltando o saco de lixo. — Parece que não tem mais nada por aqui.
— Nada lá atrás. — Randjit veio correndo, olhando para os lados como se quisesse ter certeza que não tinha deixado passar nada. — Acharam alguma coisa?
— Um cartão de visita do Ned. — Krycek já estava abaixado perto das folhas, com um papel na mão. — E... Algo no verso. "Ligar para Maria", com um número de telefone. Apagado pela chuva. Droga. Vamos ter que mandar pra análise.
— É melhor vermos se ter algo lá dentro. — Coloquei as mãos nos bolsos do casaco. Krycek e Randjit concordaram.
P.O.V — Ryan Krycek.
— Eu juro que, se eu tiver que entrar nesse banheiro de novo, eu me demito. — Murmurei, passando a mão em um líquido espesso suspeito na pia.
— Cale a boca e venha ver isso. — Summers tinha algo prateado na mão. — Um prendedor de gravata.
— Como um prendedor de gravata impecável veio parar em um banheiro sujo desses? Acha que isso deve ser do nosso assassino?
— Não sei. Pelo que sabemos, Dave era um corretor, então era normal ele usar gravata. Pode ser de qualquer um. — Ela lamentou, encarando o prendedor.
— Jane vai ter que ver isso mais de perto. — Bufei. — Droga, queria ser uma mosca para estar aqui na hora do assassinato.
— Quem vai ver o número de telefone?
— Greg, oras. — Randjit sorriu.
— Ah, você ainda não conhece o Greg, não é mesmo? — Sorri. — Eu vou te avisando, ele pode ser um pouco... Egocêntrico. Mas é uma boa pessoa. Vamos.
[…]
— As impressões digitais do prendedor de gravata encontrado na cena do crime não bateram com nenhuma em nossos arquivos. — Jane digitava freneticamente no computador do laboratório, mordendo o lábio inferior. — A parte boa é que correspondem perfeitamente às digitais presentes na arma do crime.
— Então o prendedor de gravata realmente pertence ao assassino. — Summers sorriu, pegando o prendedor em mãos.
— O que indica que nosso assassino usa gravata. — Ri baixo, cruzando os braços. — Isso está sendo mais fácil do que eu pensei.
— Vocês já pegaram o resultado do número do telefone encontrado no pátio do ferro velho? — Jane girou na cadeira, olhando especificamente... Pra mim?
— Estava quase chegando lá. — Minha parceira colocou o jaleco branco do laboratório, direcionado seu olhar também pra mim. Nunca me senti tão notado em toda a minha vida. — Vamos, Krycek.
— Ah. Ryan vai junto...? — Jane pareceu decepcionada. Eu sorri pra ela. — Pensei que ele poderia me ajudar a achar digitais compatíveis...
— Bom, você é quem sabe, Krycek. — Summers deu de ombros, e saiu da sala. Jane sorriu, satisfeita. Mas uma coisa que pareceu fazê-la se aborrecer foi Randjit ainda estar ali.
— Ei. — Ele me chamou de canto. — Cara, por que você não foi com a Summers?
— Por que eu IRIA com a Summers?
— Você sabe por quê. — Ele revirou os olhos.
— E você tem que ir a um psiquiatra. — Bufei. — Jane me pediu para ficar, e eu fiquei. Sabe por quê? Por que eu não sinto nada pela Summers. Então eu não tenho problemas em ficar, principalmente com uma gata feito a Jane.
— Aham. Está bem, está bem. — Randjit deu tapinhas no meu braço. — Então eu quero que me prove.
— Ok! — Me virei para encarar Jane, e ela me olhava de um jeito que me deixava com medo. Os olhos verdes dela estavam vidrados em mim. E ela estava quase babando. — Ahn... Jay?
— Sim? — Suspirou de um jeito sonhador.
— Você, ahm... Quando isso acabar, se nós não acharmos nada, que tal darmos uma passada em um restaurante aqui perto? Por minha conta. Que tal?
Jane desmaiou.
P.O.V — Robin Summers.
— Hey, agente Summers! Eu sou Greg, mas pode me chamar de Deus da Informática se quiser. — O técnico de Informática sorriu, deixando algumas peças mecânicas de lado. Ele retirou os headphones, deixando-os descansar em seu pescoço.
— Tenho certeza que farei isso. — Sorri de volta, erguendo uma sobrancelha. — Você é o responsável por toda a parte técnica, não é?
— O próprio. — Ele concordou. — O número de telefone que vocês encontraram pertence a Maria Sanchez, uma empregada doméstica que devia trabalhar para a vítima.
— Anotado. Obrigada, Greg. — Apertei a mão dele, e ele a beijou, com um sorriso sapeca. — Acho que devo ter uma conversa com essa tal de Maria Sanchez.
[…]
— Ned Dillard morreu? Rá. Então existe justiça, afinal. — A empregada Maria deu uma risada de escárnio, que combinou com um tique nervoso em um dos olhos. Não pude deixar de notar um curativo em sua testa.
— Por quê a vítima tinha o seu número de telefone, Sra. Sanchez? — Perguntei, cruzando meus dedos uns nos outros.
— Porque eu sou a empregada doméstica dele. Ou melhor, era. — Ela revirou os olhos. — Ele me demitiu há dois dias.
— E agora o Ned está em pedaços, você está viva e com saúde e a sua demissão é um bom motivo para cometer um assassinato. — Ergui uma sobrancelha.
— Faça como achar melhor. Mas se eu fosse você, eu falaria com o Dennis Brown. Ele é um guarda-costas, e acabou de oferecer os serviços dele ao Dillard.
P.O.V — Ryan Krycek.
— Jay, ei, acorda Ruiva! — Pela décima vez eu estapeei o rosto de Jane. Ela acordou, atordoada, e me abraçou forte. Eu a segurei no meu colo.
— Aonde... Aonde estou? O que aconteceu? — Disse, ainda meio zonza.
— Você está no Laboratório, Jane. Eu te chamei pra sair e você apagou. — Tentei não me desfazer em risos por respeito à Jane. Mas eu estava me acabando por dentro.
— Krycek! Eu... — Summers abriu a porta do laboratório, e eu deixei Jane cair no chão. Minha parceira não se aguentou e riu alto. — Se vocês queriam um momento a sós, era só me dizer.
— O quê? Não, não, não, não, não! — Passei por cima de Jane, pigarreando alto. — Bom... É que... Meu Deus, Jane, você tá bem?
— N-Nunca estive melhor... — Jane deu um sorriso sem graça, ficou tão vermelha quanto o cabelo e saiu andando para as entranhas do laboratório.
— O que aconteceu aqui? — Summers ergueu uma sobrancelha, com um sorriso de canto. — Aonde está o Randjit?
— Nem queira saber. — Balancei a cabeça. — Ele foi tomar café. Ouviu o aviso das rosquinhas e saiu correndo. Tenho certeza que aquele balofo não vai deixar nada pra mim, droga... E então, achou algo de novo?
— Muita coisa. — Ela trazia uma pasta consigo. Abriu-a na mesa, mostrando uma foto de uma empregada e de um guarda costas. — Esta é Maria Sanchez, a dona do telefone que encontramos no ferro-velho. Ela era empregada de Ned e foi demitida, motivo o suficiente para matá-lo. Já este aqui é Dennis Brown, um guarda-costas que ofereceu serviços para Ned.
— Já falou com os dois? — Franzi o cenho.
— Só com a Maria. Achei melhor te deixar por dentro da situação antes. Pelo visto, você estava bem ocupado. — Novamente, Summers começou a rir.
— Cale a boca e vamos. — Revirei os olhos, e saí andando para a porta. Summers veio atrás de mim, rindo.
P.O.V — Robin Summers
— Sr. Dennis Brown? — Krycek ergueu uma sobrancelha, ajeitando-se na cadeira da sala de interrogatório. — Alguém nos contou que você ofereceu seus serviços de guarda-costas a Ned Dillard um pouco antes dele morrer. Isso é verdade?
— Ah, sim. — Brown sorriu. — Ned Dillard era um vigarista. Os esquemas dele colocaram várias pessoas honestas na rua, sem nenhum dinheiro. O cara com certeza precisava de proteção!
— Vejo que você perdeu um dente. E tem um curativo na testa. — Semicerrei os olhos. — Acidente de trabalho?
— Ah, foi isso! É um trabalho difícil, às vezes a noite termina do jeito errado. — Suando, Dennis afrouxou a gravata. — Olha, sobre o Ned, eu não matei ele. Mas eu tenho uma lista de quem pode ter matado: todas as pessoas que tiveram suas casas tomadas por ele. Eu achei que não ia mais precisar da lista, já que o cara morreu, então eu rasguei. Você ainda pode juntar os pedaços, se quiser.
[…]
— E então, a lista está inteira? Está, está? — Krycek não parava quieto, aos pulinhos, tentando olhar o que Greg carregava atrás de si.
— Acalme-se, Ryan! — Greg riu baixo. — Senhoras e senhores, apresento-lhes a lista negra de Ned Dillard!
— Ótimo! — Krycek puxou a lista da mão de Greg. — Espera... O nome do Joe Stern está aqui.
— Isso significa que Dillard enganou ele também? — Indaguei.
— É provável. — Ele suspirou. — É melhor voltarmos ao mercado de Joe. Acho que precisamos verificar todas as prateleiras.
[…]
— Por que você não disse que a sua propriedade tinha sido tomada por causa do Ned Dillard?! — Coloquei o indicador no peito de Joe, quase empurrando-o.
— E daí? Não sou o único que aquele desgraçado passou pra trás. — Joe apenas deu de ombros.
— Talvez, mas agora que Ned está morto, você se tornou um suspeito. — Krycek olhou ao redor. — Nos dê licença, precisamos olhar a sua loja mais uma vez.
P.O.V – Ryan Krycek.
Nós voltamos ao mercadinho de Joe, no maior climaço. Eu tinha vontade de virar um avestruz e enfiar minha cabeça num buraco.
Fiquei olhando fixamente para uma caixa de biscoitos, controlando a vontade de engolir todos, quando Summers me chamou por um buraco na estante.
— Ei. — Ela ergueu uma sobrancelha. — Não coma as provas.
— Eu não estou fazendo nada! — Revirei os olhos, mas passei meu dedo em um dos biscoitos apenas para tirar um pouco das gotas de chocolate. Deu certo, estava delicioso. Então, alguma coisa piscou em um brilhinho vermelho atrás de mim; uma câmera de segurança. — Ahm... Summers...
— Eu já vi. — Ela ergueu o olhar para a câmera. — Você já tinha percebido ela antes?
— Tsc. Claro que já. — Mentira. — Ela pode ter gravado o assassino ao comprar as coisas, cara. Precisamos levar isso para o Greg. Agora.
— O que os dois pretendem roubar da minha loja? — Joe Stern chegou por trás, com um bafo pior ainda de whisky.
— Sr. Stern, nós vamos levar sua câmera de vigilância para análise. — Summers tomou frente, me deixando com a câmera na mão.
— Primeiro o lixo, agora a câmera... — Ele deu de ombros. — Vocês não têm nada melhor para fazer?
— Se eu fosse você, calava a boca, Joe. — Foi minha vez de opinar. — Summers e eu sabemos o que estamos fazendo. Agora vamos ver o que Greg consegue descobrir com as gravações dessa câmera.
[...]
— Então, eu dei uma olhada nas gravações da câmera de vigilância que você me trouxe da loja do Joe, Krycek. — Greg abriu uma janela de navegação no computador, mostrando-nos um dos vídeos da câmera. — Lembra daquele recibo que você encontrou? Então, olhei a hora que o assassino fez as compras e avancei no vídeo até o mesmo momento. — Ele repetiu o gesto de avançar. Uma figura alta, mas desconhecida, fazia as compras dos mesmos objetos que encontramos.
— Não dá pra ver... — Summers semicerrou os olhos, assim como eu, e se aproximou da tela do computador para tentar ver.
— Exatamente. — Greg concordou. — O assassino não mostra o rosto para a câmera, mas eu comparei a altura dele com a altura da prateleira mais próxima, e, meus queridos amigos, o assassino tem exatamente 1,82 metros de altura.
— Acho que já temos evidências o suficiente para prender o assassino, Summers. — Sorri para minha parceira, e ela assentiu. — Quero só ver como vai lidar com isso.
— Eu já prendi uma pessoa antes, Krycek. — Ela balançou a cabeça, mas sorriu. — Vou mandar um relatório para o Chefe Skinner. Você vem?
— Ah, não. Tenho que fazer uma coisa primeiro. — Procurei com o olhar pelo laboratório, até que encontrei o que eu queria. Ou melhor, quem: Jane, que conversava com Randjit, em uma mesa mais afastada. — Ei, Jay! Aqui!
Ela olhou pra mim, sorriu e desviou o olhar. Randjit balançou a cabeça e riu, enquanto eu fui até eles.
— Sabe, você não me respondeu mais cedo. — Pisquei pra ela. — Topa sair comigo?
— Eu adoraria. — Jane ficou mais vermelha que o cabelo, e nós começamos a rir.
[...]
P.O.V – Robin Summers.
— Temos uma lista de suspeitos para analisar, então por favor, seja cautelosa. — Skinner chamou minha atenção, e eu assenti.
— Está bem. — Era a primeira vez que eu estava fazendo aquilo sozinha. Bem, Krycek estava lá atrás, mas ele já havia dito que não tomaria parte. Então, era apenas eu e eu mesma.
— O primeiro suspeito é Joe Stern. Tem 42 anos, é gerente do minimercado, olhos castanhos, sangue AB+, e 1,82 metros de altura. Tem um dente faltando, usa uma bandagem no pescoço e não usa gravata no trabalho.
— Certo. — Eu tinha uma lista com o nome e as fotos dos suspeitos. Quando eu tivesse certeza, eu marcaria um deles.
— O segundo suspeito é Dave Simmons. Tem 39 anos, é corretor de imóveis, olhos castanhos, sangue A- e 1,70 metros de altura. Tem um dente faltando, usa uma bandagem no rosto e usa uma gravata em suas visitas imobiliárias.
“— O terceiro suspeito é Tony Fiorenzzo. Tem 52 anos, é um mafioso, gerente da boate Puzzles. Olhos castanhos, sangue AB+ e 1,82 metros de altura. Não tem um dente faltando, usa uma bandagem no pescoço e não usa uma gravata.
“— A quarta suspeita é Maria Sanchez. Tem 38 anos, é uma empregada doméstica, tem olhos castanhos, sangue A- e 1,70 metros de altura. Não tem um dente faltando, usa uma bandagem no rosto e não usa gravata.
“— O quinto e último suspeito é Dennis Brown. Tem 32 anos, é um guarda-costas, tem olhos azuis, sangue AB+ e 1,82 metros de altura. Tem um dente faltando, usa uma bandagem no rosto e usa gravata.
Aquilo estava sendo difícil. Era muita pressão, o Chefe estava olhando e contando comigo, e eu não podia mandar um inocente para a cadeia. Eu só... Segui meus instintos.
— Preparem um mandado de prisão para... — Respirei fundo. —Para Dennis Brown, sob a acusação de assassinato.
[...]
O culpado foi levado até a delegacia, e ali ficou detido até segunda ordem. Krycek e eu entramos na sala onde ele estava sendo interrogado, e meu parceiro decidiu dar a “notícia”.
— Dennis Brown, você está preso pelo assassinato de Ned Dillard.
— O quê?! — O guarda-costas se enfureceu, mas foi impedido por um policial que estava escoltando-nos. — Você só pode estar brincando! Vocês não têm nada contra mim!
— Ah, acabe com o fingimento! — Krycek revirou os olhos. — Summers e eu achamos várias provas contra você. Como o prendedor de gravata que você deixou no local do crime, ou o fato de ter um dente faltando! Você tentou esquartejar a vítima, e quando isso não deu certo, você decidiu queimá-lo. Mas Dave Simmons chegou na casa e você fugiu do local!
— Eu... Não tenho ideia do que você está falando! — Novamente, Brown afrouxou a gravata. Ele realmente não sabia mentir.
— Guarde isso para a Juíza, Dennis. — Ergui uma sobrancelha. — Você está preso.
[...]
— Meritíssima, eu posso explicar! E-Eu sou uma vítima das circunstâncias! — Eu não imaginava vê-lo assim tão desesperado. Até pude ouvir seu advogado sussurrar: “Assim você não terá chances, Dennis!”
— As provas coletadas pelos agentes Krycek e Summers não deixam dúvidas. O motivo de você ter cometido este crime é irrelevante. — A Juíza Hill apenas suspirou, levantando o tom de voz para que todos no tribunal ouvissem. — O Tribunal o condena a prisão perpétua, pelo homicídio premeditado de Ned Dillard. E mais: Todos nós gostaríamos de agradecer a polícia de White Water, em especial aos agentes Ryan Krycek e Robin Summers, pela ágil investigação e resultados precisos. O Tribunal está dispensado!
[...]
— Pensei que isso nunca fosse acabar. — Krycek abriu os braços ao sair do tribunal, e com um grito de guerra, partiu para a barraquinha de cachorro-quente que havia logo à frente.
— É, nem eu. — Franzi o cenho, mas sorri. — Como é que você consegue comer tanto e não engordar?
— Metabolismo rápido, meu amor. — Ele sorriu, com a boca cheia. — E eu nem vou comer muito. Vou levar a Jane em um restaurante e quero estar de barriga vazia.
— Ah, então realmente estava rolando alguma coisa? — Brinquei.
— Calada, Summers. — Ele deu um tapa no meu ombro. — Ali vem ela. Conseguirá sobreviver sem mim?
— Vou tentar ser forte. — Ri baixo.
Enquanto Krycek corria para receber Jane de braços abertos, eu fui na direção oposta; pra casa. O caso estava, finalmente, encerrado. Mas eu sabia que era questão de tempo até eu ser chamada novamente.
— Ei, Summers! Cuidado na volta pra casa, não quero resolver um assassinato onde a vítima é minha própria parceira!
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