Dublê de Super Herói
1 Lady Galax
Notas iniciais
O fogo queima, limpa todas as impurezas deixando apenas as cinzas. Das cinzas sobre a terra brota a vida e da vida sempre surge uma esperança.
Era uma noite comum, corrida como todas as outras, já era duas da manhã e como tudo aparentemente parecia estar calmo nas Américas resolvi voltar para casa. Voei até minha varanda, não me preocupei em tirar a roupa de malha (que coça pra caramba), estava desesperada para encontrar minha cama e me jogar nela, foi exatamente o que eu fiz.
—Enfim em casa—Disse eu pegando meu travesseiro e tampando minha cabeça.
Estava finalmente tendo um pouco do que seria uma noite de sono, faz três semanas inteiras que eu não durmo, se bem que os cientistas insistem em afirmar que eu não preciso dormir. Mas fazer o que, o prazer de dormir é uma das poucas coisas que restou da minha humanidade e eu faço questão de ter pelo menos uma ou duas horas por dia, mas o mundo deixa eu descansar? Claro que não, povo ingrato, só querem saber de pedir coisas. É sempre assim: “Lady Galax me salva” ou “Lady Galax preciso de sua ajuda” e também “Lady Galax preciso disso, daquilo e mais isso...”. Eu desesperadamente preciso de férias, mas segundo meu empresário essa profissão não tem direito á férias, se bem que nunca existiram super-heróis de verdade sobre a face da Terra, somente aqueles das histórias em quadrinhos, então como eles podem saber?
Eu pessoalmente acho que quem criou o projeto que me fez o que eu sou hoje, provavelmente era um fã dessas histórias, e é claro, primeiramente ele nunca pensou que eu fosse me transformar numa super-heroína. Eu era só o “boneco de testes” para um verdadeiro herói, na verdade era para Harry Davis Brown ser eu hoje, claro, não seria mulher, mas seria quase um Super-Homem de carne e osso. O problema é que o projeto era lindo demais, só que na prática não aconteceu bem como eles queriam, eu sobrevivi á todos os experimentos bizarros que me submeteram, mas o bonitão de dois metros e treze centimetros, galã de cinema que eles arrumaram (compraram na verdade) não resistiu nem ao primeiro teste, teve um taquicardíaco e veio á falecer.
Os empresários que pagaram o Grandão para ser “Um Super-Herói” poderiam muito bem contratar outro. O problema é que eles já haviam gastado mais de dois bilhões e meio comigo, eu havia me tornado uma superarma militar ainda em processo de finalização, e obviamente eles não iriam desperdiçar mais dois, ou até três milhões de dólares comigo para me tornar como era antes. Creio que eles até pensaram em me dar um fim, mas analisando a força que já havia ganhado e super audição, creio que eles repensaram novamente. Sem contar “o beijo da fênix”, uma parada aí que eu não entendo bem, mas se entendo bem foi o primeiro poder que ganhei, que basicamente é minha capacidade de ressuscitar. Bizarro não é? O problema é que isso só aconteceu uma vez, no primeiro teste que fizeram em mim naquele laboratório e eu simplesmente não faço ideia de como usar isso, porque até eu acho extremamente bizarro.
Enfim, voltando ao meu momento de descanso. Deixaram-me dormir apenas cinco minutos, depois disso, Alex o novo assistente na central Galax da Ásia me ligou.
—O que foi? —Disse eu sem paciência e ainda de olhos fechados.
—Jhenny, precisamos de você na Austrália.
—Que?! —Disse eu incrédula.
—Precisamos de você na...
—Eu já ouvi da primeira vez tá! Só não acredito que não me deixam nem descansar, poxa são duas da manhã aqui em Toronto sabia?
—Desculpa Lady Galax, mas é que é uma catástrofe de magnitude ambiental aconteceu, 12 baleias azul estão encalhadas na costa australiana sul.
—Garoto, na boa, me diz uma coisa... É tão difícil pedir uma ou duas horas de sono? Faz assim, me deixa dormir mais um pouco, quer dizer, me deixa DORMIR e depois a gente conversa, ok?
—Perdão, essas baleias estão encalhadas há um pouco mais de 17 horas, se continuarem fora d’água vão acabar morrendo, na verdade não sei como não morreram.
—Ahhh—Disse eu irritada, estava até virando os olhos—Tá bom, chego lá em vinte minutos.
Saí pela varando meio desajeitada, eu estava realmente com sono e fui o mais rápido possível até o local que o Alex me falou, chegando lá dei de cara com um monte de biólogos chatos que foram até mim desesperados, era 18:15 na Austrália pelo fuso horário, estava quase escurecendo. Fiquei olhando de cima a situação por alguns minutos, espero que meu whey protein não me abandone agora, 500 toneladas não é mole não meu amigo, imagine esse número multiplicado por 12. Por favor não tente fazer essa conta, não preciso saber quanto pesa para saber que vai ser difícil.
—Lady Galax, a senhora não vai fazer nada para ajudar esses pobres animais? —Dizia uma bióloga chata com óculos fundo de garrafa e baixinha, não devia ter mais que 1,55 de altura.
Essa cientista com certeza é chata, eu estava tentando pensar em uma solução prática, mas a mulher não parava de tagarelar no meu ouvido, credo. Tentei a evitar ao máximo, mas a mulher não parecia ver isso.
—Lady Galax, acho melhor ter uma solução diplomática para isso tudo! —Gritou a bióloga—Já está quase anoitecendo e se essas baleias morrem será culpa sua!
“Epa, culpa minha?! Ham, só pode estar de brincadeira comigo”.
—Culpa minha? —Disse eu sem olhar para a cientista—Desculpa minha senhora, mas onde eu moro são duas da manhã, ou seja, eu saí da minha cama para vir aqui... E eu posso ler seus pensamentos, sei que está preocupada, angustiada, quer ver o sofrimento desses animais acabar... Mas entenda... Poderiam ter me ligado mais cedo, não acha?
“Hum... Eu acho que calei alguém agora”.
—Mas é que.... Acontece que— A mulher tentava dialogar.
Tentei usar da telecinese para mover os animais, mas eles são muito pesados para mim desse jeito, tentei levantar um, mas não conseguia segurar o animal sem machucá-lo. Caminhei em direção a água e vi que meus pés afundavam na areia molhada da praia, foi então que tive uma brilhante ideia...E se eu cavasse ao redor deles?... Foi exatamente o que fiz, e deu certo, cavei debaixo e ao redor dos animais, até que a água pudesse chegar até eles, depois apenas tive o trabalho de empurrar cada um deles, deve ter demorado mais ou menos uma meia hora isso.
Depois que terminei todos ao meu redor começaram a me aplaudir, menos a chata da cientista que ficou arrumando mais motivos para reclamar. Aff, por isso odeio baixinhas, são sempre as mais encrenqueiras. Pior que eu não posso falar nada, hoje tenho 1,83, mas ao longo da minha vida até meus dezoito anos eu só consegui chegar até os 1,60, ou seja, os vinte centímetros extra vieram de um laboratório, junto com os olhos, cabelo... Enfim... Eu.
Acho que estou errando a ordem das coisas, você não sabe nem quem eu sou, não sabe o que eu passei para estar assim agora e eu já venho falando essas coisas. Então vamos voltar ao inicio...
Olá, meu nome é Jenny Boernke Johnson e apesar de todos conhecerem Lady Galax, ninguém me conhece, mesmo eu sendo a mulher por debaixo da mascara e roupa apertada. Não por conta de identidade secreta, ou blá blá blá.... Simplesmente porque o mundo atual é extremamente capitalista e basicamente tudo pode ser comercializado hoje em dia, minha imagem é um exemplo clássico dessa relação de troca. Mas eu já me meti em mais confusões que queria quando adolescente, fui presa várias vezes, roubei, me droguei, fumei, enfim... Eu tinha mais propensão para ser vilã do que heroína.
—Então como eu fui me tornar um Super-Heroína?
Bem, é uma longa história...
Eu nasci em Lacombe, uma cidade Gigantesca (ironicamente falando) do Canadá, tendo 11.000 pessoas até onde eu me lembre, ou seja, eu basicamente fui criada em uma vila.
Minha família, puts, minha família não foi o exemplo de família unida, normal ou até estável. Para começo de conversa meu pai era lenhador, ex militar, alcoólatra e mulherengo. Minha mãe era faxineira e geralmente saía as seis da matina e voltava ás oito da noite, meu pai por outro lado só trabalhava por contratos... isso quando não resolvia encher a cara e deixava o serviço pela metade e por consequência acabava sendo despedido. Minha mãe também não era lá uma santa, ela fumava como uma louca e era viciada em jogos, ou seja, ela trabalhava muito e gastava mais ainda se deixasse.
Minha mãe nunca me perguntou como foi meu dia, muito menos ao meu pai, que fazia questão de dormir assim que ela chegava, acho que era um jeito prático deles não brigarem. Nunca a vi sorrir, muito menos triste, as vezes parecia até um robô para dizer a verdade. Mesmo criança, no fundo eu sabia que ela nunca quis aquela vida de merda que tinha, por isso muitas vezes parecia simplesmente viver e só. De tanto fumar, talvez para se acalmar, ela desenvolveu câncer de pulmão quando eu tinha dez anos, infelizmente ela veio a falecer quando um ano depois.
Sobrou apenas meu pai e eu, se bem que eu sempre achei que era só eu. Eu andava sozinha e passava a maior parte do tempo na rua, porque todo tempo que meu pai estava em casa era bebendo com seus amigos sujos, gordos e fedorentos da madeireira, sem contar quando ele não chamava as vagabas junto.
Eu era apenas uma criança, não tinha amigos, era baixinha e tinha que me virar sozinha. Quando tinha quase doze anos roubei pela primeira vez, uma maça, basicamente porque estava com fome, meu pai havia invernado na bebida e eu acabei ficando três dias fora de casa.
Eu lembro perfeitamente desse dia, eram quase quatro da tarde, não havia almoçado porque não tinha mais dinheiro. Eu estava na feira e estava com muita fome, então resolvi pegar uma maça, ela havia caído no chão, ninguém iria perceber que ela havia sumido. Quando resolvi finalmente morder a maçã, um senhor de pelo menos quarenta anos puxou minha mão, era o Xerife Miller, ele me reconheceu e me levou para casa. Chegando lá ele falou de mim e que estava com fome, em momento algum me culpou por ter roubado a maça. Ele conversou um bom tempo com meu pai, que se fez de sóbrio e sábio perante o xerife. Bastou ele sair para o homem transformar-se.
—Você estava roubando sua vagabundinha? —Gritou meu pai me puxando pelo braço e me jogando no sofá.
—Eu estava com fome, ninguém iria se importar com uma maça velha que sumiu.
—Com fome? Tem comida aqui em casa, mas você nunca está aqui.
—Tabaco e azeitona pretas não são comidas—Disse eu evitando olhar em seus olhos.
Meu pai pegou meu queixo e me levantou puxando-me, olhou bem em meus olhos que estavam vermelhos, querendo chorar.
—Você anda se fumando algo? —Disse ele sério.
—O que?! Claro que não —Disse eu.
—Seus olhos estão vermelhos demais.... Isso só pode ser droga—Gritou ele me dando um tapa na cara.
—Eu não faço isso—Disse eu baixinho—Não sou como você.
—Você não é como quem?
Eu fiquei muda o encarando, ele se sentiu ofendido e me bateu novamente, dessa vez com muita força, a força foi tanta que minha cabeça foi projetada para o lado e eu perdi o equilíbrio, acabei caindo no chão. Bati a cabeça na droga de uma garrafa perdida do meu pai e acabei cortando meu supercilio que começou a sangrar.
—Bem feito, quem mandou ficar vadiando pela rua. Essa não foi a educação que eu te dei.
Passei a mão em minha face e fiquei observando o sangue em minha mão. Naquele minuto creio que o ódio só não me possuiu, pois, a fome me consumia.
—Que educação?! —Gritei eu já não contendo minhas lágrimas —Tudo que você me ensinou até hoje é que homens são desprezíveis!! —Disse eu correndo para a rua.
Desde aquele dia eu nunca mais vi meu pai, quando ele estava em casa, ou eu estava na escola ou na rua, raramente quando ele estava trabalhando eu aproveitava para visitar o aconchego de meu quarto em segredo. Um pouco depois de fazer quatorze anos meu pai foi assassinado, um cara atirou nele por causa de uma briga de bar.
Finalmente eu estava sozinha nesse mundo, não tinha nem onde dormir e vez em quando ficava doente e não tinha onde me tratar, só me restou uma vida... A do crime. Eu já não roubava apenas para comer, mas também para viver, sem contar que depois de tantos acontecimentos eu acabei entrando em depressão e comecei a me drogar. Fui preza 114 vezes em um período de três anos, fugi todas às vezes. Até hoje não sei dizer como fazia isso, porque também fugia de formas diferentes, o Xerife Miller já não sabia o que fazer comigo, era sempre a mesma coisa, as vezes eu me deixava ser presa para poder fugir, admito isso... Depois de um tempo tornou-se uma brincadeira para mim, eu sentia que grade alguma podia me prender, que o mundo era meu.
Até o dia que o xerife Miller foi me prender pessoalmente, ele nunca havia feito isso, sempre o encontrava na delegacia, levei um enorme susto. Ele parou o carro de frente para mim, não me abordou ou algo parecido, não usou de nenhuma violência e eu estranhei isso também. Ele apenas me mandou sentar no banco detrás da viatura, mas ele disse isso de uma forma tão séria e forte que não tive como não obedecer. Estranhei mais ainda quando vi que o caminho que ele fazia não era para a cadeia.
Ele me levou para uma casa bonita, cheia de flores ao arredor da porta... Parecia uma casa de cinema aos meus olhos. Sem explicações prévias ele me mandou sair da viatura e entrar com ele, senti um frio na espinha, sentia que ele podia me fazer qualquer mal quando adentrasse aquele lugar.
Quando fechei a porta ele me mandou por meu casaco no cabide ao lado da entrada, assim que fiz isso senti um cheiro que me lembrou de minha mãe, era comida caseira e quente, minha boca encheu de água no exato instante que senti esse aroma.
—Você deve estar com fome... Tem emagrecido muito nos últimos meses—Disse Miller me sorrindo— Quer jantar comigo e minha família hoje Jhenny?
Eu apenas acenei com a cabeça, ninguém nunca havia me convidado para jantar, nem creio que convidaria se soubesse todas as coisas que tive que fazer para sobreviver, tirando matar e me prostituir, o resto eu fiz de tudo.
Xerife Miller me levou até a sala de jantar que já estava montada, me disse para sentar ao seu lado junto de sua família. Depois de ser forçada a rezar o pai nosso e agradecer a comida pude comer o quanto quisesse, com certeza eu não fui educada, só faltou comer de boca aberta para você ter noção.
—Está gostando Jhenny? —Perguntou xerife Miller.
Eu acenei positivamente e sorrindo.
—Que bom... Achei que iria querer comemorar uma vitória em sua vida.
—Hã?! —Disse eu estranhando—Aff, só falta você me dizer que vai querer me adotar agora.
—Na verdade eu sou mesmo seu tutor perante a justiça agora.
—O que?! —Gritei eu me levantando a mesa—Nem a pau eu vou ficar aqui velho.
—Sei disso—disse ele se levantando e me empurrando de volta á cadeira—Não é isso que eu tenho em mente para você.
—Então o que tem em mente? Que eu vire sua empregada? Babá dos seus filhos? —Disse eu cinicamente— Ham... Se enxerga coroa, eu não sou uma boa garota.
—Nisso você está certa.... Por isso quero te tornar um soldado.
—O que?! Cara, você deve ter fumado uma erva da boa mesmo, tu me prendeu, me leva para sua casa e veio me dizer que quer ser meu tutor legal e ainda me diz que eu serei um soldado... Tu é doido mesmo.
—Sim... Como seu pai.
—Meu pai era um cretino—Disse eu gritando.
—Antes de ser um cretino ele foi um herói de guerra.
—Aff, ele já me contou essa história.... Meu pai perdeu parte da perna esquerda na guerra do Vietnã, mas foi de burrice mesmo, porque foi tudo culpa dele... Ele mesmo a havia deixado a mina no caminho.
—Não é verdade.... Fui eu quem a armou. Era nossa responsabilidade deixar as minas na parte detrás do quartel, mas acabamos bebendo demais, seu pai apagou com o álcool e eu fui fazer o serviço tonto. Mas acabei indo para o lugar oposto ao que devia ir, eu os coloquei um pouco na frente da frente da base. De manhã quando saímos, seu pai viu meu estado e disse para montar no cavalo enquanto ele ia a pé, o resultado foi que ele pisou em cima da mina que eu mesmo havia colocado...
—Mesmo assim foi culpa dele... Porque ele tinha que beber?
—Seu avô havia acabado de morrer no dia anterior.
—Oh.... Isso eu não sabia—Disse eu sem graça.
—Pois é, mas acabamos não levando a culpa por aquilo, pois esse acidente acabou por nos ajudar. Havia um grupo de soldados por perto planejando uma emboscada e quando a mina explodiu acabamos descobrindo isso, já que eles atiraram pensando que era um ataque nosso.
—Que história—Disse eu novamente sem graça.
—É... Por isso te inscrevi no melhor colégio militar dos Estados Unidos.
—Oi?!... Eu sou Canadense Sabia?
—Mas nem eu nem seu pai somos, ou seja, você já tem uma dupla nacionalidade... E sendo seu tutor legal.... Posso te inscrever em um colégio americano caso queira...E é isso que eu fiz.
Meio que não tive argumentos, não consegui fugir e no dia seguinte me levaram para o estado de Montana nos Estados Unidos. O lugar era incrivelmente... Chato.
Tentei fugir mil e uma vezes daquele lugar, nunca consegui. Quando fiz dezoito anos e finalmente saí daquele inferno, eu entrei para o exército, porque acho que passei anos naquele lugar sendo educada de forma rígida, sem contar o treinamento físico que eu sempre me destaquei... Acho que meio que saí condicionada para entrar no exercito, pelo menos comigo acho.
Então, depois de dois longos anos naquele lugar, fomos todos chamados para um “teste”, onde quem ganhasse iria ganhar uma promoção e abono salarial de 10.000 dólares. Eu vi maldade nisso? Óbvio que não, eu só vi as cifras de dinheiro na minha frente e me inscrevi, mesmo tendo ouvido falar sobre os boatos dos Soldados que recebiam essas promoções.... Eles nunca mais eram vistos depois de um certo tempo.
Com todos esses boatos, o número de inscritos diminuiu, eu também não iria mais participar, mas aí dobraram para 20.000 dólares o abono e eu fui chamada pelo dinheiro. Infelizmente foi só eu e como já era esperado tomei bem no lugar que o sol não bate (no sentido figurado).
O trabalho era basicamente dar suporte para cientistas da Gentic Revolution que queriam melhorar o desempenho dos soldados e eu iria fazer testes físicos durante um tempo para eles terem os dados necessários, nada de extraordinário. Até o dia em que passaram a não só me testar fisicamente, mas também me darem drogas para melhorar meu desempenho.
Então finalmente chegou o dia “Fênix” como o povo do laboratório gosta de chamar. Me colocaram submersa em um tanque de Água, respirava por uma máscara de oxigênio, me aplicaram algumas substancias como rotineiramente.
—Descanso... Eu já não aguento mais— Disse eu ofegante tirando a cara da água.
—Aham... —Disse o cientista me aplicando mais drogas na veia—Só mais vinte miligramas de MK45D e paramos por hoje.
—Valeu cara—Disse eu voltando para a água.
Eu estava á cinco minutos submersa naquele tanque d’água, me sentia bem, mesmo com todos os eletrodos e pesos me puxando para baixo. Então algo deu errado, quer dizer, eu achava que estava errado. Meu coração começou a palpitar e bater muito forte, logo em seguida senti meus olhos queimarem, meus ossos pareciam querer sair para fora da pele, carne parecia congelar, parecia ter um oco dentro de mim, parecia ter gelo em minhas veias... Eu não sei exatamente explicar o que senti naquele momento, só sei que entrei em desespero e queria correr, ou melhor, sair da água.
Mas quando tentei subir, seis mãos me empurraram para baixo, eu entrei em desespero, então tomei folego e empurrei para cima.
—Ahhh... Me deixa sair!! —Gritei eu alucinada.
—Segurem ela.... Está quase entrando no estágio de combustão—Gritou uma mulher que eu consegui ver direito.
Em meio ao desespero não conseguir atinar o que queriam dizer, nem tinha como. Comecei a sentir a mesma sensação dos olhos que queimava se espalhar pelo corpo. Eu fui para baixo me contorcendo de dor, sentia tudo queimar de dentro para fora, de repente a água ao meu redor começou a ferver e eu a gritar incontrolavelmente.
—Congelem!!congelem—Gritava um homem rouco.
Não deu tempo de fazer o que eles queriam, o vidro se rachou com uma energia que creio que veio de mim, a água se espalhou por todo laboratório, eu caí no chão gritando.
—Me ajudem, por favor! —Disse eu, arranhando minha face.
Todos ao redor me olhavam como se eu fosse um monstro, foi então que eu percebi porque, olhei minha mão e vi que estava em chamas, eu derramei uma lágrima, não sentia nada queimar. Quando peguei minha lágrima vi que era sangue, isso me deixou indignada. Levantei-me cambaleando e fui procurar qualquer coisa que fosse possível eu me ver nela, olhei para outro tanque d’água e vi uma aberração, meus cabelos haviam caídos, eu estava queimada, parte de minha carne já estava carbonizada, outra repuxada e ainda com fogo sobre minha pele, minhas feições estavam distorcidas e estranhas. Caí de joelhos involuntariamente, haviam me jogado um dardo com sedativo, fui perdendo a consciência até finalmente dormir.
Horas depois acordei em um lugar escuro e apertado, mal conseguia respirar. Em meio ao desespero consegui me mexer e finalmente sair do que parecia uma pele de cobra, só que no meu formato, com uma película exatamente e com textura de pedra vulcanizada, foi uma experiência agonizante.
Assim que saí daquele casulo maldito, ao primeiro olhar percebi que eu estava diferente. Sempre tive um pouco de miopia, mas o que via não era as imagens que estava acostumada, tudo parecia tão surreal, cores tão vivas. Estava em uma sala branca, havia uma cama com uma mesinha ao lado e um copo d’água sobre.... Não pensei duas vezes antes de beber a água, que desceu rasgando minha garganta seca. Eu não tinha forças para andar até o copo, então me arrastei com a força que sobrara em meus braços.
Depois de muito esforço consegui subir na cama e me deitar, passados alguns minutos uma senhora de aproximadamente 50 anos entrou na sala com um sobretudo branco em suas mãos, assim que entrou pela porta ela parou catatônica e ficou me encarando.
—Seus olhos.... —Disse a senhora apontando para mim.
—O que tem eles?
—Zeus..... —Disse a mulher deixando o sobretudo cair e sair correndo.
Depois de pegar o sobretudo e me vestir a mulher voltou com uma equipe de cientistas, me assustei a princípio, mas depois entendi. Meus olhos que eram negros haviam se tornado... Como os de Zeus. Não o “Zeus” da mitologia grega, mas a coruja com olhos que parecem refletir uma galáxia em seu interior, se você não conhece, saiba apenas que parecem ter estrelas em seus olhos literalmente falando. A parte colorida do meu olho estava assim, sem contar que meu corpo parecia incrivelmente mais forte (na escala normal de dizer), minha pele havia se renovado, até a cicatriz de uma facada que eu havia levado havia se curado, eu realmente havia renascido, como uma fênix.
Um poder tão fantástico e eu não sei como usá-lo, isso é uma pena. Eu poderia parar de falar por aí, mas eu tinha que comentar, muitos acham que meu nome vem de meus olhos, não é. Quando eles decidiram me promover oficialmente como heroína eu não tinha nome, então uma equipe de RPs foi contratada para criar um nome para mim. Um dia e meio em meio a papéis, pesquisas e milhares de sugestões de nome (todos irritantemente com miss, Senhora ou Lady no começo) e nada havia saído ainda. Já não aguentava mais aquela pressão toda, resolvi sair para tomar um ar.
Sair daquele lugar me fez ter a ideia para o nome Galax, muitos pensam que é por conta de Galaxy “galáxia”, mas na verdade é por causa de uma planta que eu vi brotando na entrada do lugar, muitos a consideram uma praga, mas eu a acho uma bela iguaria mal reconhecida. Galax é o nome de uma plantinha simples, rasteira, que cresce na sombra, tem um verde sem graça e ninguém liga muito para plantas como ela. Essa plantinha não tem nada de mais, só que mesmo sendo tão simples ela inegavelmente tem uma resistência impressionante, por ser de clima frio ela morre todo inverno e nasce novamente na primavera. Devido a tudo que passei, ela meio que me representava. Voltei com aquilo em mente para a sala e todos acharam boa ideia.
Claro, eles queriam colocar Galaxy de todo jeito, mas eu não deixei.... Ham.... Eu não mando nem no que faço nas horas de descanso, mas o nome não me tiram nem a pau.
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