Duas vida, apenas uma escolha
14 Daniel Almeida Andrade e a Malu
Notas iniciais
(Continuação do pov's Dan)
A casa dela tinha um jardim com pequenas flores roxas, a casa era branca e a decoração era um pouco moderna. Respirei fundo e subi os dois degraus que tinham e bati três vezes na porta, ela veio abrir e me deu um grande sorriso. Minha mãe tinha cabelos grandes que iam até a cintura, olhos verdes de dar inveja, usava óculos e de vez em quando preferia as lentes, era bem cuidada para a idade dela, ela tinha apenas 34 anos. Abracei-a e ela me abraçou muito forte.
–Você veio- ela falou sorrindo.
–Claro você é a minha mãe e eu estava morrendo de saudade da senhora.
–Como foi a viagem?- ela perguntou me fazendo entrar e fechando a porta.
–Foi ótima, mas eu estou um pouco cansado.
–Tem gente que quer te ver- ela falou de um jeito estranho.
–Quem?- perguntei.
–Você lembra-se da Malu?
–Lembro- falei rindo- qual o quarto em que eu vou ficar?
–O segundo depois que você sobe a escada.
Subi puxando a mala e andei ate o meu quarto, tinha uma cama no canto, um guarda-roupa, e uma mesinha de cabeceira com um abajur, tinha uma janela ao lado da cama o que me fez sorrir, abri a mala e fui ajeitando tudo no guarda-roupa, me surpreendi ao ver uma foto da Sofia na mala, eu juro que tinha pensado em deixar na casa do meu pai, mas não dava, eu precisava trazer, coloquei a foto encima do travesseiro, e terminei de ajeitar as coisas no guarda-roupa. A Malu era uma menina que eu brincava quando tinha dez anos, ela era minha melhor amiga quando eu era pequeno, a Malu tinha cabelos loiros que iam até o ombro com algumas ondulações, e olhos pretos maravilhosos que combinavam com o sorriso dela. Deitei na cama e fiquei olhando para o teto e apenas isso, sorri para mim mesmo lembrando que eu tinha que esquecer a Sofia porque ela era a minha meia irmã, mas eu apenas lembrava dela sorrindo para mim parada na varanda com um short um pouco curto e uma blusa de mangas longas, e o cabelo preso em um coque. Acabei dormindo enquanto olhava para o teto, acordei com minha mãe gritando para que eu acordasse e por causa dela eu acordei rindo do exagero dela enquanto gritava me chamando e pedindo para que eu descesse para tomar café, mas já era quase meio dia, sai do quarto e olhei para os lados esperando ver alguém conhecido.
–Daniel Almeida Andrade- ela gritou o meu nome inteiro novamente.
Sim, esse era o meu nome e eu me orgulhava daquilo, era um nome muito bonito.
–Já acordei, calma mãe- gritei de volta e escutei a gargalhada dela.
Tomei um banho rápido e desci a escada rapidamente enquanto sorria para mim e para ela, ela me deu um beijo na cabeça enquanto eu sentava na mesa e comia torradas.
–Mãe está um pouco tarde para o café- eu falei rindo- o papai me mataria se soubesse.
–Seu pai é um louco, e aqui não é a casa do seu pai- ela falou rindo enquanto cozinhava- Como está a sua irmã?
–Ela está bem, está namorando um garoto legal e só tira notas boas na escola- falei depois que engoli um pedaço da torrada.
–Ela está namorando? – ela perguntou incrédula.
–Sim, com um amigo da Sofia- eu falei olhando para ela
–Quem é Sofia?- ela perguntou parecendo interessada no assunto
–A filha da nova mulher do meu pai- eu falei querendo continuar a falar da garota irritante que ela era- Ninguem importante, mãe.
–Eu não duvido, mas queria saber mais dela.
–Quem sabe um dia- eu falei para mim mesmo.
Sorri para ela e sentei no sofá da sala e fiquei assistindo um programa legal qualquer, subi para o meu quarto e peguei uma foto da Sofia com a Anna, elas estavam no parque enquanto brincavam no balanço, a mãe da Anna e meu pai se beijando no fundo e elas rindo na minha frente. A Sofia estava com um vestido rosa com uns detalhes brancos, e a Anna estava com um short e uma blusa preta de mangas, os cabelos das duas estavam soltos balançando e eu de idiota tirei a foto. Desci com a foto e chamei a minha mãe e ela apenas olhou sorrindo para a Anna, a pobre garota que ela tinha tentado matar. Ela olhou curiosamente para a Sofia como se conhecesse ela, e me olhou curiosamente.
–Quem é essa?- ela perguntou curiosa.
–Essa é a Sofia Mitchel, a menina que eu falei para a senhora.
–Ela é linda, apesar de parecer um pouco problemática- ela falou olhando a expressão de felicidade dela.
–Ela é totalmente problemática e totalmente idiota- eu falei também olhando para o sorriso dela.
–Você está apaixonado por ela?- ela perguntou inocentemente.
–N-não, eu não estou- falei surpreso.
Para a minha sorte alguém bateu na porta e eu corri para abrir, era uma menina de cabelos loiros grandes que iam até a cintura, olhos pretos estava parada com um sorriso no rosto, ela parecia um pouco com a Malu, ela me abraçou forte e eu estranhei, eu nem conhecia a garota e ela já ia me abraçando de primeira.
–Quem é você?- perguntei me afastando dela enquanto via ela sorrindo.
–Maria Luiza Campos, ou seja, Malu- ela falou me olhando e vendo eu ficar surpreso.
–Uau, você cresceu- eu falei rindo- e ficou muito gata.
–Obrigada Daniel, eu estava morrendo de saudades do meu melhor amigo de infância.
–Agora é Dan, e eu também estava com saudades- eu falei sorrindo- entra, a minha mãe está na cozinha.
–Bem, eu vou ter que ir com o Chistoph até a escola para formalizar umas coisas e depois quem sabe eu venho até aqui para conversarmos, pode ser?
–Claro.
Ela sorriu e me deu um beijo na bochecha antes de ir embora, sorri e fechei a porta, peguei a foto que estava com a minha mãe e subi para guardar e guardei debaixo do travesseiro. Não fazia nem sete dias que eu estava lá e parecia que já fazia um mês e meio, eu já sabia muito da Malu e ela sabia muito de mim, ela era incrível e não me julgava por querer a minha irmã, e não julgava quando eu falava dela. Eu estou com muitas saudades da Sofia e ela não devia nem lembrar que eu existia, quer saber de uma coisa eu vou esquecer ela, ela não merece. Quando ia dar duas horas da manhã e eu ainda estava acordado olhando para o telefone, até que eu resolvi ligar para ela, e eu juro que isso foi um ato involuntário.
–Alô- ela falou com um tom sonolento- Alô, Dan?
–Como você sabe que sou eu?- eu perguntei sorrindo.
–Eu conheço você- ela falou- sabe que horas são?
–Na verdade eu sei sim, mas eu só queria falar contigo.
–Então pode falar que eu estou escutando- ela falou e soltou um sopro enorme.
–Eu não sei o que eu quero falar- eu falei sorrindo- você estava dormindo?
–Não, eu estava fazendo um negocio com a Anna que realmente estava chato- ela falou e eu escutei a Anna gritar rindo- Obrigado por ligar. Como está a viagem? Você está aproveitando com a sua mãe?
–Eu estou sim, eu estou aproveitando demais, eu voltei a ver a Malu- eu falei rindo um pouco- e eu juro que esses foram os melhores sete dias da minha vida.
–A Malu ainda está morando ai?- Escutei a Anna gritando.
–Espera, isso está no viva-voz?- eu perguntei.
–Sim, está sim, a Anna queria ouvir a sua voz- ela falou e depois entrando em crise de riso.
–Tira do viva-voz, eu quero falar uma coisa, que crianças não podem ouvir- eu falei rindo com ela.
–Pronto- ela falou ainda em crise de risos- Pode falar.
–Hãn, como eu posso falar isso?- eu falei me perguntando- Eu estou com saudades de você- falei e ela apenas ficou calada- e da Anna também.
–Eu também estou com saudades de você, mesmo depois daquilo- ela falou com a voz alterada.
–Posso te dizer uma coisa?- eu perguntei também alterado.
–Claro- ela falou voltando ao normal.
–Minha mãe acha você problemática, ela disse que você tem cara de problemática- eu falei e escutei ela rindo.
–Eu ainda tenho que conhecer ela- ela falou sorrindo e depois ela parou de falar por uns dez segundos- a Anna está mandando eu desligar e voltar a ajudar ela, ou ela me mata- ela falou rindo- foi bom falar com você, até outro dia, até.
–Até mais Sofia.
Ela desligou e eu fique parado apenas olhando para o teto, escutei um barulho de algo caindo e desci correndo para ver o que era, a minha mãe estava parada na porta falando com alguém, acho que aquilo era a Malu, ela entrou e eu juro que ela estava chorando, ela subiu e ficou no quarto do meu lado, a minha mãe estava cambaleando parecendo bêbada e foi direto para a cama dela. Fiquei pensando na frase da Sofia “eu também estou com saudades de você” aquilo foi a coisa mais bonita que eu ouvi naquele dia, acabei dormindo quando já estava amanhecendo, quando acordei estava de noite, desci e tive a visão da minha mãe sorrindo enquanto conversava com a Malu sobre algo, acabei cambaleando também e quase cai da escada.
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