Duas Rosas
1 Capítulo 1
Notas iniciais
V.T.
Era manhã de uma segunda feira ensolarada, Petra e Rafael haviam combinado que era hora de descongelar os espermas e finalmente terem filhos. Ligaram para a clínica e agendaram a inseminação para o dia seguinte. Finalmente, depois de uma árdua luta contra o câncer o rico casal poderia realizar o sonho de criar família.
Enquanto isso, do outro lado da cidade...
Jane acabava de encontrar-se com Daniela, sua noiva, as duas viveram dois anos de muita paixão, carinho e cumplicidade e assim sentiam que era chegado o momento de se casarem e construírem a vida juntas.
Jane: Espero que abuela aceite vir ao casamento
A vida de uma mulher lésbica é rodeada de resistência e exclusão. Desde que a neta assumiu seu relacionamento com Daniela Alba caminha por uma luta entre o preconceito e o amor. Jamais deixaria de amar Jane ou a expulsaria de casa, mas jamais também concordaria com essa relação, que, para ela, era abominável aos olhos de Deus.
Daniela: Sua avó te ama e jamais perderia um momento tão importante da sua vida — disse segurando suas mão com uma voz doce e trêmula — aliás, a promessa da sua infância será cumprida, ela se orgulha muito de você.
Aos dez anos de idade, Jane havia prometido para a avó que teria relações sexuais apenas dentro do matrimônio, entre muitas lutas com os próprios desejos, manteve essa promessa viva. Jane e Daniela nunca transaram, embora Daniela já não fosse virgem, compreendeu a posição da amada e a respeitou durante todo o tempo que estiveram juntas. Isso muito alegrava Jane, que aos 16 teve uma relação fruto de uma heterossexualidade compulsória que acabou quando percebeu que seu ex namorado nunca respeitaria essa decisão de sua vida. Mas ao fim ela percebeu que homens não a interessavam, preferia a doçura, a compreensão e a magia de se relacionar com outra mulher. Negava o patriarcado e toda a pressão da sociedade de que mulheres só são felizes ao lado do sexo masculino. Ao estar ao lado de outra mulher sentia-se bem, realizada e mais próxima de si mesma, do seu eu. Finalmente, ela poderia ser ela por ela e com ela. E foi assim que teve certeza de ser lésbica, de amar outras mulheres, e isso lhe fazia bem.
Petra marcou sua inseminação artificial para a manhã de terça.
Jane marcou uma consulta rotineira à ginecologista na mesma manhã de terça.
E foi assim, queridos leitores, que a vida delas se cruzaram.
A ginecologista Luísa não passava por bons momentos. A ansiedade e a depressão a faziam buscar o sentido de sua vida nas bebidas alcoolicas. Não era nem um nem dois goles, eram altas doses sem as quais não enxergava a própria existência. O alcoolismo era uma luta diária para a médica, que após semanas de vitórias teve uma recaída, e esta recaída deu-se justamente na madrugada do exame de Petra e Jane.
Luísa: Preparada? — disse para Jane ao entrar no consultório
Luísa então pegou o esperma e inseminou Jane, no momento a distração e a tristeza nem a fizeram pensar que inseminou a mulher errada. Isso ela só perceberia ao entrar na sala para ter com Petra.
Petra: Oh, meu Deus!! — pensou assustada quando viu o grande erro cometido
Inseminou então Petra com água e não falou sobre o que aconteceu, precisaria de tempo para pensar em uma solução para esse terrível erro. Suas esperanças eram que os espermas no corpo de Jane não fecundasse, pois caso contrário sua carreira estaria totalmente arruinada.
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