Duas Pestinhas em Minha Vida

1 Uma vez pestinha, sempre pestinha!


Notas iniciais
Yo minna, como estão? Para a alegria (ou não) de todos, cá estou de volta com a prometida segunda temporada! Depois dos lamentos da primeira temporada, espero poder contar com vocês para esta! Espero que gostem (: Boa leitura!

– ...E estas são minhas referências, obrigada. – encerrei meu seminário e recebi a salva de palmas padrão de qualquer apresentação. Quer dizer, quase padrão, se não fosse Dan aplaudindo como se tivesse assistindo uma apresentação do Cirque du Soleil.

– Muito bem, Lulu! – aplaudia desenfreadamente.

– Obrigada. – respondi sem graça pelo tamanho exagero, a esta altura, a sala inteira agora estava olhando de mim para ele com sorrisos maliciosos. Mereço.

– Ótimo Heartphilia, apenas foque um pouco mais na metodologia quando me entregar o trabalho escrito, ok? Próximo!

Dois anos se passaram desde que tudo aconteceu. Tivemos algumas mudanças de vida desde então, papai foi promovido a gerente, parei de trabalhar para Grandine... Pois é, com essa promoção do papai, não precisei mais me preocupar com minha saúde física e mental sendo constantemente ameaçada pela pestinha, mas devo admitir que sinto saudades disso. Às vezes esbarro em Grandine na rua e ela sempre me conta o quanto Mavis sente minha falta, mas foi preciso fazer isto. Já estava muito desgastante manter aquela rotina, e depois que comecei a faculdade, ficou difícil demais de manter todos os compromissos.

– Parabéns Lucy. – Juvia sussurrou quando tomei meu lugar a seu lado.

– Obrigada. – sussurrei de volta. – Acho que o que matou meu seminário foi o nervosismo, esse professor não é nada fácil de agradar.

– Relaxa, o pior já foi.

– Pois é, teria sido melhor se o Dan não tivesse feito essa cena de novo.

Juvia riu com o comentário e o professor olhou torto para ela imediatamente. Ela esperou ele se voltar para o próximo aluno e voltou a sussurrar para mim.

– Ele gosta bastante de você, já pensou em dar uma chance a ele?

– Nem pensar! Chega de garotos na minha vida, por enquanto.

– Não consegue esquecer o Natsu, não é?

Fiquei em silêncio por alguns segundos e suspirei. Eu estava superando, dois anos é muito tempo para ficar se lamentando por um namoro que não deu certo, ainda mais quando se é jovem. Por falar nele, estamos na mesma faculdade, mas não no mesmo curso. Natsu está cursando arquitetura, junto de Gray. Às vezes o encontro pelo campus, mas ele costuma me ignorar quando isto acontece, e não é como se eu pudesse julga-lo por isso, eu realmente fui muito idiota no passado, por deixar as coisas terminarem assim. Eu tentei consertar, mas ele mal me ouvia, então parei de insistir. Confesso que ainda fico meio abalada quando ele está por perto, mas não posso ficar me remoendo por isto, simplesmente não era pra ser, pronto. Natsu seguiu em frente, e eu também devo seguir, e eu vou conseguir. Já tentei me envolver com outros caras, mas não deu muito certo. Talvez pela minha traumatizante experiência com Sting, talvez não, o fato é que desde que Natsu terminou comigo, nenhum outro relacionamento me parece certo... pelo menos por enquanto. Mas não importa, é temporário, Juvia está errada.

– Esquece isso, Juvia.

Pois é, dois anos é bastante tempo, mas até não mudou tanta coisa assim. Boa parte dos meus amigos está mesma faculdade que eu, o que é muito estranho, inegavelmente bom, mas estranho, normalmente se espera que que a turma se separe e cada um siga um caminho diferente, longe um do outro. Bem, estamos em caminhos diferentes, mas continuamos unidos. Tive a sorte de Juvia ter escolhido o mesmo curso que eu e estarmos na mesma turma, mas esta é a única de minha turma antiga que ainda estuda comigo. Levy está cursando jornalismo com Rogue. Ainda que ambos preferissem letras, acharam que jornalismo era uma opção melhor. Era fofo o jeito que os dois se davam bem, mas não posso dizer o mesmo de Jellal e Erza, as brigas deles estavam se tornando cada vez mais frequentes e isso estava me preocupando um pouco. Eles agora cursavam direito, e bom, o curso era uma das poucas coisas que eles realmente concordavam no momento. Gajeel foi uma pessoa que me impressionou bastante quanto à faculdade, diferente do colégio, as notas dele agora eram ótimas e este cursava engenharia mecânica, mas de todo mundo, a que mais me impressionou foi Cana, que ironicamente, mesmo com seu nada saudável vício em bebidas alcoólicas, estava cursando nutrição. Mirajane estava quase se formando em medicina e Lisanna estava no primeiro ano de enfermagem. Elfman foi um dos poucos que não optou por uma faculdade e sim pelo exército, disse que era coisa de homem. A única que não ficou muito feliz com sua decisão foi Evergreen, mas ela não costuma demonstrar isso.

[...]

– Finalmente sexta! – Levy colocava um pouco de salada na bandeja. – Já não aguentava mais, essa semana foi desgastante demais!

– Nem me fale! Que tal um cinema hoje à noite? – Erza perguntou assim que terminou de se servir.

– É uma boa. – concordei. – Estou precisando me distrair com urgência, estas provas vão me deixar louca.

– Juvia concorda.

Hoje demos o azar de pegar o restaurante universitário lotado, logo, seria um desafio encontrar um lugar vago, no caso, quatro lugares vagos. Demorou um pouco até que Juvia conseguiu avistar exatamente quatro lugares e com certo esforço, conseguimos chegar até lá. As meninas se acomodaram rapidamente, mas quando puxei minha cadeira, uma mão tocou a minha, a puxando no sentido contrário. Meus olhos se fixaram na pessoa que puxava a cadeira.

– Lucy?!

– Natsu?! – Com tantas pessoas neste RU lotado, tinha que ser logo ele a disputar o lugar comigo?!

– Pode ficar. – seu tom era seco e sem ânimo nenhum. – Vou procurar outro lugar.

Fiquei encarando-o enquanto ele me dava as costas e procurava outro lugar. Achei que aos poucos estivesse superando tudo o que aconteceu, mas esta frieza da parte dele realmente cortou meu coração. Erza puxou a manga de minha blusa me chamando a atenção e fez um sinal negativo para mim com a cabeça, mas com um olhar de pena. Todas elas estavam com esse olhar, na verdade. Suspirei e me sentei decentemente, começando a comer aquela gororoba que chamam de comida.

– Lu-chan...

– Tudo bem, não se preocupem com isso. – respondi automaticamente.

Ninguém se atrevia dizer uma palavra e era melhor assim, não sei se conseguiria reprimir o choro se começássemos a discutir isto, então Erza tentou quebrar o gelo.

– E então, que filme iremos ver hoje à noite?

[...]

Com a saída de Loki, as coisas no Kurt Café mudaram um pouco, um cara chamado Max substituiu Loki por um tempo, mas teve que sair há pouco tempo por conta do horário de sua faculdade bater com o horário de trabalho, então, por enquanto, estamos com uma vaga aberta e é claro, eu e Mira estamos trabalhando dobrado por isso! E para ajudar, o lugar está bastante lotado hoje.

– Waah! Juvia está entediada.

Juvia havia chegado há aproximadamente meia hora. No começo, abriu um dos livros que trazia consigo, mas não ficou nem dez minutos estudando que caiu no sono. Agora provavelmente, ela tinha acabado de acordar.

– Vai querer alguma coisa, Juvia?

– Apenas um chá, por favor.

Mirajane, que anotava o pedido de um cliente por perto, parou ao lado de Juvia antes de ir para a cozinha.

– Você passa bastante tempo aqui, já pensou em se candidatar à vaga?

– Juvia não tem equilíbrio com bandejas, seria um desastre. – e deu de cara no livro novamente.

Então o celular de Juvia vibrou, pregando-lhe um susto, mas esta quase surtou ao ver de quem era a mensagem.

– Gray-sama, meu lindo!

– Ora ora, finalmente se acertaram? – Mira perguntou, sentando-se ao lado de Juvia.

– Eu também quero saber! – pulei para a cadeira vaga na frente de Juvia. Já não era sem tempo! Dane-se se havia clientes para servir, se eles finalmente estiverem juntos, não posso esperar para saber disso!

– Bem que Juvia queria, mas ainda não.

– Ué, mas o Gray não é praticamente seu guarda costas? – perguntei tomando um gole do chá de Juvia sem que esta percebesse.

– Somos grandes amigos, mas sempre que tento alguma coisa, ele se afasta, parece que ele não quer que as coisas saiam da amizade, estou presa na friendzone pra sempre! – Juvia choramingava em cima de seu livro de administração. – E me dá isso aqui! – rapidamente arrancou a xícara de minha mão.

Ficamos um instante em silêncio, então Mira perguntou.

– Mas então... O que ele queria?

– Perguntou se tenho planos para hoje à noite.

– Ah, tem sim! Vamos ao cinema, lembra?

– Mas Juvia quer...

– Deixe que ele sinta um pouco sua falta. – Mirajane interveio docemente, arrancando o celular de sua mão com a delicadeza de um elefante e respondendo a mensagem. – Prontinho.

– EI VOCÊS DUAS! – Yajima-san grita da cozinha, fazendo com que todos os presentes se assustassem, principalmente eu e Mira. – VOLTEM AO TRABALHO JÁ!

– SIM SENHOR!

[...]

Após fechar o Kurt Café um pouco mais tarde do que eu gostaria, tomei o rumo para casa. Nada mudou nestas ruas, desde então, os mesmos bares, as mesmas casas, tudo estava exatamente como antes, principalmente a casa que agora eu estava parada em frente, sem que eu mesma percebesse. Aquele sobrado de cor bege bem aconchegante com floreiras nas janelas repletas de begônias floridas, nisto, uma nostalgia gostosa me bateu. Tive bons momentos naquela casa, mesmo que alguns deles sejam dolorosos, as memórias são boas. Então um vazio começou a crescer em meu peito. Sabia que Mavis me fazia falta, mas não esperava que fosse tanta, afinal, fui bastante torturada nas mãos dela, mas de certo modo, valeu a pena. Por mais peralta que seja, Mavis é uma boa menina. Por um segundo, quis tocar a campainha, mas algo me impediu. A imagem de Natsu sorrindo ao meu lado e de Mavis. Pensando bem, este deve ser um dos motivos de eu ter desistido de cuidar de Mavis, além da agenda apertada, é claro, nós sempre fazíamos isso juntos, era estranha a ausência dele nesses momentos. E cuidar dela sozinha estava ficando estranho também, já que ela sempre perguntava dele...

Não sei por quanto tempo fiquei devaneando em frente a casa das Marvel, mas sei que fui puxada de volta à realidade quando uma bola de vôlei acertou minha cara. Isso mesmo! Uma bolada das feias ainda!

– MAVISSSSSSSSS!

O portão se abriu e imediatamente meu corpo foi lançado ao chão. Havia uma garota loira de cabelos ondulados e orbes verdes em cima de mim, e esta sorria com lágrimas nos olhos. Sabia das mudanças do tempo, mas não queria acreditar, era a própria Mavis que estava em cima de mim, chorando e me abraçando com força, mas estava maior e mais pesada, porém, sem perder a carinha de fachada de anjo. Mavis agora era uma mocinha. Mas isto não mudava o fato de ela ter acertado uma bolada na minha cara!

– TIA LUCY! – e não perdia este hábito de me chamar de tia!

– A próxima vez que esta bola acertar a minha cara, eu furo ela, entendido pestinha?! – gritei soltando fogo pela boca com a menina ainda em cima de mim.

– Ok ok, tia Lucy, você recebeu o que eu mandei? – a expectativa em seu olhar era grande.

– O que? Do que está falando?

– Ah, não chegou ainda? Enviei algo pra você ainda ontem, deve chegar logo! E assim que chegar, quero a resposta, ok?

Agora fiquei curiosa, o que será que ela me mandou?

– Mavis, pra que tanta demora? – uma voz gritou de dentro dos muros.

– Já estou indo, Zeira! – Mavis gritou de volta. – Quero a resposta assim que chegar, ok? Tchau tia Lucy!

E correu para dentro de casa, me deixando com cara de tacho na rua, ainda jogada no chão e com uma bela marca de bola de vôlei na cara. Dá pra acreditar nisso?! Além de me meter uma bolada na cara, lembrando disso, uma bolada na cara! Ainda me deixa curiosa aqui! O que será que esta pestinha está tramando?! Se for como o bolo de peixe daquela vez, não quero nem que chegue na minha casa algum dia! Dá pra acreditar?! Os anos passam e essa criatura não muda nada!

– MOÇA, CUIDADO! – algo se chocou contra meu corpo e me levou direto ao chão.

Um caminhão em alta velocidade passou do meu no segundo seguinte, me causando um grande impacto de realidade, seguido de um calafrio sinistro na espinha. Fui salva de um atropelamento! Quando foi que eu me levantei e comecei a atravessar a rua?! Meu coração acelerou muito de uma hora pra outra e meu sangue gelou, essa foi por pouco!

– Você está bem, senhorita?

Então olhei para meu salvador. Um homem alto, ruivo, aparentemente uns vinte e cinco anos mais velho que eu me encarava atônito e com a respiração ofegante.

– S-Sim, obrigada. Realmente, obrigada por me salvar, eu...

– ... Layla? – me interrompeu.

– Hã? Não não, meu nome é Lucy. Obrigada de novo senhor... – esperei que ele completasse com seu nome.

– Gildarts. Gildarts Clive. Isso é tão estranho...

Olhei para ele intrigada.

– Me desculpe. – ele se recompôs, passando a mão pelos cabelos e me ajudando a levantar. – É que você se parece tanto com uma mulher que conheci. Tem certeza de que está bem?

– Tenho sim, obrigada de novo por me salvar, Gildarts, agora eu tenho que ir.

– Tome mais cuidado, Lucy, pode ser que eu não esteja por perto pra te salvar de novo, he he.

– Então espero que esteja. – sorri para ele. – E pode deixar, vou tomar mais cuidado, até mais!

Com o coração levemente acelerado pelo susto, tomei o rumo de volta para casa, desta vez, sem distrações pelo caminho, precisava me preparar para sair hoje à noite e ainda me livrar desta marca de bola na cara! Ainda bem que Gildarts me salvou, eu poderia ter morrido agora! Acho que encontrei um anjo da guarda, ou sei lá. Quem será essa Layla? Seria coincidência demais se fosse minha mãe... Mas bom, isso não importa agora, tudo o que eu sei é que o tempo pode ter passado, mas uma vez pestinha, sempre pestinha!

Notas finais
Minha mãe costumava dizer quando eu era criança: "O tempo muda as pessoas..." mas hoje ela diz: "Que nada, você só cresceu na altura, ainda é a mesma pestinha por dentro" Tá né kkkkkk E então, o que acharam? (: