Duas Pestinhas em Minha Vida
9 O Caso do Pudim
Notas iniciais
Milliana estava visivelmente mais animada que o normal. Saltitava com mais empolgação e estava com novos truques para chamar a atenção dos clientes (graças a deus ela havia parado com o malabarismo com xícaras). Havia menos machucados pelo corpo –ela provavelmente havia aprendido a andar direito de bicicleta- e havia mudado um pouco seu corte de cabelo. Ela anotava os pedidos de Yukino e Rogue e seguia para a cozinha, pulando por cima do balcão.
Rogue e Yukino também estavam animados, assim que adentraram pela porta, Yukino correu até mim e me abraçou forte enquanto ria divertida.
– Eu consegui o estágio na Editora da família do Rogue, isso não o máximo?!
– Isso é ótimo! Parabéns Yukino! – Minha voz saiu um pouco menos animada do que eu queria e meu sorriso foi um pouco forçado, mas ela estava numa empolgação tão grande que não deu bola pra isso.
Ela e Rogue agora conversavam animadamente sobre a empresa enquanto esperavam os pedidos, e eu voltei a prestar atenção no que estava fazendo antes. Eu ainda estava um pouco pensativa a respeito do que Gray me falou e sobre os sentimentos de Erza em relação a Meredy e Jellal, sem falar sobre tudo o que estava acontecendo na minha família, mas de certo modo eu já estava me sentindo um tanto anestesiada quanto a isso, o que não significada que eu estivesse bem, de fato. Dava uma última passada de pano pela mesa, finalizando a limpeza vendo meu reflexo na mesma, eu estava realmente acabada, as olheiras estavam bem visíveis e o cabelo já andava meio sem vida. Suspirei, jogando o pano por cima do ombro, estava com um pouco de inveja do brilho jovial e da energia de Milliana.
Não demorou muito para que Rogue e Yukino fossem embora e momentos depois Juvia e Meredy adentraram sorridentes no Café. Desde que Juvia foi conversar com Meredy no intervalo, as duas estavam se dando muito bem, pareciam amigas de longa data. Quando Meredy me cumprimentou, não sabia muito bem como reagir e meu sorriso saiu torto. Era uma garota realmente simpática, mas as palavras de Erza martelavam em minha cabeça e eu realmente não sabia mais o que pensar. Seria mesmo essa garota tão gentil, uma ameaça? Eu realmente espero que não.
Um clarão seguido de um barulho alto chamou nossa atenção para as janelas por um momento. Eram trovoadas, bem fortes por sinal, não demorou muito até que uma chuva pesada começasse, o que fez com que as pessoas que iam sair considerassem em passar mais tempo no local, e os passantes desprevenidos entrassem correndo, em sua maioria já encharcados. Um deles era Lyon, antigo colega de escola, ele estava completamente encharcado, mas após torcer um pouco a blusa perto da porta de entrada e chacoalhar um pouco a cabeça, respingando água para todos os lados, se juntou à Juvia e Meredy em uma mesa. Como o lugar agora estava cheio, fui servir as pessoas que optaram por consumir alguma coisa até que a chuva aliviasse, mas como a maioria dos clientes se concentrou perto de onde eles estavam, não pude deixar de prestar um pouco de atenção neles. Meredy estava visivelmente empolgada com a presença de Lyon, bem mais do que Juvia, bom, devido a alguns acontecimentos da época da escola, ela devia estar se sentindo um tanto desconfortável com sua presença, mas sem problemas aparentemente.
Então Meredy levantou, dizendo a eles iria ao banheiro e já voltava, deixando os dois a sós. Um clima levemente pesado se instaurou naquela mesa, onde Juvia não conseguia olhar diretamente para Lyon, mas ele, ao contrário dela, a encarava diretamente, com um sorriso. Yajima-san me chamou no balcão para pegar um pedido, então não pude ouvir a conversa que se iniciou entre os dois, mas pelas expressões de Juvia, ela não estava nada confortável com a situação.
Ao mesmo tempo esta conversa ocorria, avistei Gray passando pelas janelas com um guarda-chuva aberto e um extra debaixo do braço. Quando viu Juvia e Lyon sozinhos na mesa, tratou de apressar o passo, entrando praticamente correndo no café.
– Juvia, eu sinto sua falta. – Lyon segurou as mãos da azulada com firmeza, o que a fez corar e olhar para ele sem graça.
– Mas que diabos está acontecendo aqui?! – Gray se enfiou no meio dos dois, encarando Lyon com um olhar mortal, completamente tomado pelo ciúme.
– Gray-sama?
– Qual é a tua, Gray?! – Lyon se levantou, encarando Gray sério.
– Ei! O que está acontecendo aqui?! – Milliana foi até eles, mas eles a ignoraram completamente. – Ei!
– Não fique de gracinhas pra cima dela!
– E ela é alguma coisa sua por acaso?! – desdenhou. – Que eu saiba, ela é solteira, posso muito bem tentar uma chance com ela! – se virou rapidamente para Juvia. – Se você concordar, é claro.
– Eu... – Juvia começou a falar, mas Gray rapidamente a cortou.
– Largue de besteira! Juvia é minha... – Então Gray percebeu os olhares apreensivos e cheios de expectativas vindos de Juvia e Lyon, e finalmente percebeu os rumos que a conversa estava tomando. – É minha...
– Gray-sama... – De todos, Juvia era a que mais estava ansiosa, fazia um bom tempo que ela gostava de Gray, mas esperava pacientemente por alguma atitude vinda dele, sem forçar nada.
Apertei o pano de limpeza contra o peito, em expectativa. Considerando o que ele me disse no dia anterior, será que finalmente Gray tomaria coragem para revelar o que sente?
Para a decepção de Juvia, a resposta não foi imediata. A hesitação era bem clara nos olhos de Gray, e ao ver isso, os olhos de Juvia começaram a se encher de água. Então Gray abaixou a cabeça, impedindo qualquer um de ver sua expressão e murmurou: “É apenas minha amiga”.
Me partiu o coração o que veio a seguir. Juvia se levantou e passou por Gray e Lyon sem dar atenção para as tentativas de chamar a atenção da garota. Ela estava sem chão, com a dor de um coração partido estampada nos olhos, que transbordava pelos mesmos através das lágrimas.
– Voltei pessoal! – Meredy apareceu com um sorriso no rosto, mas este morreu ao ver o estado que a amiga se encontrava e o clima pesado instaurado. – Juvia?
A azulada então disparou em direção à saída, ignorando os meus gritos, de Meredy, Lyon e Gray, desaparecendo na chuva torrencial. Meredy foi a primeira a tomar uma atitude, se enfiando na chuva e correndo atrás de Juvia, enquanto Gray e Lyon discutiam um com o outro. Suspirei e fui ajudar Milliana a separar a briga dos dois, puxando Gray para um canto para uma conversa particular.
Gray estava bastante abalado, a atitude da azulada era completamente aceitável, ele sabia de seus sentimentos e eram correspondidos, mas seu medo falou mais alto e agora teria de lidar com as consequências. Apoiei a mão em seu ombro, o que fez com que ele olhasse diretamente para mim, arregalando os olhos ao notar as olheiras mal disfarçadas. Olhei no fundo de seus olhos, prendendo sua atenção e dei meu melhor olhar de compaixão.
– Seu medo de perdê-la é o que fará com que a perca para sempre.
Gray engoliu em seco e fechando os olhos com força, deu um soco na mesa mais próxima, murmurando um xingamento.
– Vai lá. Vai atrás dela. Você ainda pode dar um jeito nisso.
Suspirando uma última vez, ele sorriu pra mim e uma pontada de confiança surgiu em seu rosto.
– Me deseje sorte. – e saiu correndo pela porta, largando os dois guarda-chuvas em cima da mesa.
– Boa sorte. – respondi, mesmo sabendo que ele não ouviria.
– Muito bem! O show acabou! Não há nada pra ver aqui! – Milliana anunciou, dispersando os curiosos que olhavam para Lyon descaradamente. Alguns disfarçaram e conversavam entre si, outros simplesmente foram embora, a chuva diminuiu um pouco e alguns pessoas se arriscaram a sair, deixando o lugar bem mais vazio.
Fui então limpar uma mesa que havia acabado de ser desocupada. Esfregava a superfície de madeira distraidamente, pensando no que acabara de acontecer. Espero que Gray consiga consertar a burrada e os dois finalmente se acertem, já esperaram demais por isso e eles merecem ser felizes.
– Ei Lucy!
Quando ergui o rosto, Milliana estava a cerca de dez centímetros de mim, sentada em cima da mesa que eu havia acabado de limpar, com um brilho nos olhos. Dei um pulo pra trás no susto.
– Milliana! Não se aproxime desse jeito!
– Há há, foi mal! – ela se ajeitou na mesa e se inclinou na minha direção, mantendo uma distância mais razoável do meu rosto. – Quero falar com você.
– Sou toda ouvidos.
Sua feição tornou-se séria e ela indicou o banco acolchoado do lado, numa ordem para que eu me sentasse.
– Estou preocupada com você. – ela começou. – Você anda muito pra baixo ultimamente, tem se alimentado direito? Feito exercícios? Olha essas olheiras, você tem ao menos dormido? Isso não é nada bom.
– É o esperado, não? – arqueei uma sobrancelha. Mesmo com tudo o que estou passando, ela ainda me questiona?
Uma pequena fagulha se acendeu dentro de meu peito e uma vontade crescente de socar Milliana tomou conta de mim. Quem ela achava que era? Meus amigos estavam com problemas, meu pai está numa bela enrascada e minha vida social está um completo desastre e ela queria que eu estivesse soltando fogos de artifício?!
Foi então que eu me dei conta dos meus pensamentos. Eu realmente quis machucar Milliana?! O que era todo esse ódio repentino? Me encolhi automaticamente sentindo minhas mãos tremerem. Eu estava com medo. Medo de mim mesma.
– Você é mais forte que isso! – Ela disse numa voz firme, dando um soco na mesa.
Meus olhos se arregalaram. Suas palavras me atingiram com força e ecoaram na minha cabeça. Eu sou mais forte... que isso? Eu realmente não esperava que ela me dissesse algo assim e sua expressão... Eu nunca tinha a visto desse jeito antes! Era um olhar penetrante, forte e um tanto... Assustador.
– M-Milliana?
– Você não é assim! – Ela gritou. — Nunca se deixa abater, aguenta tudo e nunca se rende! Essa não é a Lucy que eu conheço! – agora abaixando o volume da voz e assumindo um tom mais doce, olhou pra mim com olhos de compaixão. – Mira me contou o que aconteceu dois anos atrás, você passou por muita coisa, não? Mas não se deixou abater, aguentou firme e seguiu em frente, era uma Lucy capaz de tudo para ajudar quem ama. – ela pegou minhas mãos e as segurou com firmeza, me fazendo olhar para ela ainda mais surpresa. – Sei que não está sendo nada fácil pra você, mas você não está sozinha. Você tem amigos que te amam, tem a nós, não tem por que carregar toda essa dor sozinha.
– Milliana...
A abracei com todas as forças que tinha e desabei a chorar em seus ombros. Quando foi que me afundei em toda essa melancolia? Quando foi que me tornei tão... frágil?!
– Obrigada. – minha voz saiu em um fio em meio a soluços. – Obrigada!
Ela retribuiu o abraço com carinho acolhedor. Foi como tirar um enorme peso das costas e o mundo tivesse se tornado um lugar mais leve a minha volta, Milliana estava certa.
– Ei, ei. – Ela se separou de mim e me olhou nos olhos. – Seque essas lágrimas, um sorriso combina muito mais com você.
Passei as mãos pelos olhos desajeitadamente numa tentativa de fazer com que as lágrimas parassem, praticamente em vão, mas Milliana me ajudou, passando os dedos cuidadosamente nos cantos dos meus olhos, sempre me olhando com um sorriso encorajador.
– E pra te animar, — Ela virou para trás e gritou. – Mira! Pode trazer!
Com a visão já normalizada, vi Mira se aproximando com Yajima-san, todos com um sorriso acolhedor no rosto. Ela trazia uma bandeja com um conteúdo que só consegui identificar quando ela chegou mais perto.
– Um pudim!
– Ta-dá! – Milliana gritou, pulando para fora da mesa.
– Foi ideia da Milliana. – Mira começou – Ela fez a maior parte sozinha, espero que goste!
– Obrigada pessoal! Milliana! Obrigada mesmo! – Todo o esforço pra fazer minhas lágrimas pararem foi em vão pois elas já estavam novamente em meu rosto.
Enquanto cortava um pedaço para cada um, Mira se aproximou discretamente de mim e sussurrou “é a primeira vez que Milliana cozinha, boa sorte”.
[...]
Eu estava com bastante receio de comer depois do que Mira me falou, mas visto que ninguém passou mal e que estava realmente saboroso, separei um pedaço relativamente grande para dividir com as meninas quando fosse vê-las à noite.
Quando cheguei à casa das Marvel, Grandine estava de saída, conversando com alguém pelo celular, me dando um aceno enquanto saía correndo para o portão. Mavis estava jogada no sofá lendo um livro sobre fadas e Wendy fazia alongamentos apoiada nas escadas, com um fone de ouvido e equilibrando Charlie na cabeça. Achei isso um tanto engraçado, mas não interferi.
Quando me viram, as duas pararam o que estavam fazendo e correram até mim, com os olhos claramente vidrados na sacola que eu tinha em mãos, brilhantes de curiosidade.
– O que você trouxe hoje, tia Lucy?
– Ta-dá! – mostrei a elas o pedaço de pudim e as duas olharam fascinadas para ele, principalmente Wendy, que parecia estar diante de um tesouro. – Mas é só pra mais tarde. Já fizeram a lição de casa, meninas?
Elas murcharam no sofá, como um balão que acabara de ser enchido e solto pelo ar sem o devido nó. Não responderam minha pergunta e disfarçadamente voltaram ao que estavam fazendo antes me ignorando completamente.
Bufando, larguei o pudim em cima da mesa da cozinha e voltei para a sala, estralando os dedos e indo em direção das duas. Imediatamente agarrei-as pelas orelhas.
– Ai! Ai! Ai! Tia Lucy, pra que tanta violência?! Ai! Para! Para! – Mavis choramingava enquanto era puxada pela orelha.
– Para! Para! Para! Lucy-san! AI!
Ignorando as lamúrias, arrastei as duas até a mesa de centro da sala, onde elas costumam fazer o dever de casa, então as soltei, apontando para as mochilas jogadas num canto do sofá e então para a mesa de centro.
– Primeiro o dever, depois a diversão. Tratem de fazer o dever de casa já!
– Barzha! – Wendy choramingou enquanto massageava a orelha puxada.
– Mas tia Lucy... – Mavis resmungou, enquanto ainda choramingava pela orelha.
– Mas nada, não me façam puxar a outra orelha!
As duas imediatamente correram até as mochilas e procuraram o material escolar para começarem as tarefas. Suspirei aliviada por dentro, então quer dizer que eram puxões de orelha que faziam as meninas entrarem na linha? Fiz uma anotação mentalmente para não me esquecer disso futuramente.
Enquanto as meninas estudavam na sala, fui preparar o jantar. As meninas se comportaram como anjos a partir daí, com suas claras quintas intenções em relação à sobremesa, mas tudo bem, pelo menos estavam se comportando bem. Após o jantar, Mavis comeu seu pedaço de pudim, limpando o rosto com um guardanapo enquanto Wendy decidiu esperar um pouco, pois havia comido demais, indo para seu quarto logo em seguida.
Como já tinha terminado suas tarefas, Mavis foi jogar vídeo game e eu fui fazer um trabalho da faculdade que eu estava particularmente atrasada. Estava tão concentrada na leitura de um artigo científico que mal percebi Mavis pausando o jogo e indo para a cozinha, apenas voltei a prestar atenção à minha volta quando ouvi um grito de Wendy.
– SUMIU!
Seguiram-se então vários barulhos de portas se batendo, seguidos de vários gritos como “Não está aqui!” “Nem aqui!” “Sumiu!”. Marquei a página que parei e me levantei para ajudar a menina a procurar seja lá o que for, mas quando cheguei à porta da cozinha, a pequena Marvel passou por mim como um furacão, correndo diretamente em direção à irmã.
– A essa hora da noite está gritando, Wendy? – Mavis grita da sala enquanto jogava videogame loucamente. – O que sumiu?
– MINHA PARTE DO PUDIM! MINHA PRECIOSA PARTE DO PUDIM! Você não comeu, comeu?!
Visto que a loira mais nova não respondia, a pequena Marvel correu até o sofá onde sua irmã mais nova repousava jogada e examinou o rosto da Vermillion com desespero e ódio.
– O que é isso na sua cara?!
– Pudim. – respondeu na lata, não dando importância para a aura assassina que emanava da irmã. – Nem estava tão bom assim, de nada.
– E QUEM DISSE QUE VOCÊ PODIA COMER MEU PUDIM, SUA CABEÇA DE VENTO?! POR QUE VOCÊ TEM QUE SER SEMPRE TÃO IRRESPONSÁVEL?! JÁ OLHOU O ESTADO DAS SUAS COISAS?! ESSA É A MINHA MOCHILA! – mostra a mochila impecavelmente organizada. – E ESSA LIXEIRA É A SUA! – mostra a mochila que mais parecia ter um buraco negro dentro.
Eu estava pasma com o que estava vendo. Nunca imaginei a doce e adorável Wendy pudesse ter um acesso de raiva tão destrutivo! Sinceramente, a bronca nem era comigo e eu já estava tremendo nas bases aqui, suando loucamente! Mas estranhamente, Mavis não parecia dar a mínima para o demônio em chamas que era a irmã ao seu lado. Como?!
– Eu até te fiz um favor, pra uma bailarina, achei que valorizasse mais uma dieta hi hi hi – provocou — se continuar se empanturrando de doces, vai acabar virando uma baleia!
– Aí você se empanturra com eles por mim?! Sua egoísta!
– Egoísta?! Não sou eu quem fica roubando toda a atenção na escola! “Oi, eu sou a Wendy, toda bonitinha e delicada, eu morei no exterior, blábláblá!”
– Como é?! Pelo menos eu não sou uma porca irresponsável!
– Prefiro ser uma porca irresponsável a ser uma metida exibida!
– Ei! Ei! Ei! – me enfiei no meio da briga. Eu estava assustada com a situação, nunca havia visto a duas brigarem, muito menos chegarem a uma discussão acalorada onde uma tenta ferir a outra com palavras, o que foi que aconteceu aqui?! – Vamos parar por aí!
Mas as duas me ignoraram, continuando a discussão, provocando uma a outra cada vez mais, saindo no tapa logo em seguida, numa briga que mais lembrava aquelas brigas bobas de desenho animado, se estapeando sem mesmo olhar para a outra, onde até a pobre Charlie foi arrastada para a mesma.
Quando fui tentar intervir de novo, a gata foi arremessada na minha cara, me fazendo levar um tombo para trás e umas unhadas de brinde! Aquilo foi a gota d’água! Puxei novamente as duas pelas orelhas até o sofá e as fiz sentar uma de frente pra outra, ouvindo resmungos sem parar.
– Já chega! – chamei a atenção das duas, que por um segundo seguraram a risada ao ver minha cara ridiculamente arranhada. – Parem com isso, vocês estão parecendo crianças! Onde já se viu uma briga por uma coisinha dessas?! Andem, façam as pazes agora.
Elas se viraram então, com as bochechas infladas de birra e então se encararam. Eu esperava que elas fossem declarar desculpas a contra gosto, mas em vez disso fizeram caretas uma pra outra e correram cada uma para seu respectivo quarto e batendo a porta atrás de si mesmas, me deixando boba para trás.
Isso tudo por conta de um pedaço de pudim? É sério isso? Quer dizer que chegou então a temível fase da aborrecência? Deus me acuda...
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