cheguei ao hospital e me identifiquei na recepção como cunhada e disse que o meu marido não poderia vir então me deixaram entrar pra ver o tom.

ele não parecia muito mal só alguns arranhões e escoriações

– tom o que aconteceu com voce? — eu perguntei
– o que voce esta fazendo aqui? — ele disse numa voz estranha e percebi que ele estava embriagado
– ligaram pro bill mas ele não estava em casa então eu vim no lugar dele
– voce não devia ter vindo
– eu sei, mas o que aconteceu?
– eu bati o carro
– voce estava dirigindo assim?! meu deus!!!
– liga pro bill eu quero sair daqui
– o que o medico disse? voce pode ir embora assim?
– posso só preciso de alguém para me acompanhar
– então eu vou te levar
– voce não sabe dirigir — ele disse rindo
– é mas eu sei chamar um taxi bobão — eu disse mal humorada. quase mostrei a lingua a ele mas isso seia um gesto infantil de mais
– ok

eu falei com o medico e ele deixou que eu o levasse para casa depois de assinar um termo de responsabilidade
pegamos um taxi e tom ja estava quase sobrio quando chegamos ao seu apartamento tentei ajudar ele a tirar a roupa para tomar banho mas ele não deixou

– não jeni sai, voce é esposa do bill não pode me ver pelado — ele disse me empurrando para fora do banheiro
– por acaso tem alguma novidade ai?
– não estou brincando jeni
– ok, vou embora então
– não! — ele gritou
– por que não tom?
– fica mais um pouco, só um pouquinho por favor
– esta bem, só um pouco — eu não conseguia resistir a esse pedido

depois que ele terminou o banho vestiu apenas uma bermuda e foi para sala onde eu estava e sentou-se no sofá de frente para mim depois se levantou sem dizer nada e foi até uma prateleira

– quer beber alguma coisa? — ele perguntou pegando uma garrafa
– eu não bebo tom, voce não se lembra
– as pessoas mudam
– tom voce virou alcolatra é isso?
– não
– voce bateu o carro porque estava bebado!
– então como estão os nossos filhos? — disse ele mudando de assunto
– os "meus" filhos estão muito bem
– o que é isso? eles não são mais meus filhos não?
– não parece! voce nunca foi ver eles
– eu queria muito, mas não pude — ele disse e parecia perturbado
– tom por que voce não foi? eu queria que voce estivesse lá — eu não conseguia me conter
– bill estava lá
– por mais que o bill os ame ele não é o pai!

tom abaixou a cabeça parecia triste e eu não aguentava ve-lo assim

– quer ver umas fotos?
– quero — ele veio se sentar perto de mim, eu mostrei as fotos que tinha no meu celular
– é um menino e uma menina — ele disse rindo de felicidade com os olhos brilhando — que nomes voce deu a eles?
– bella e tomy
– tomy! — ele disse rindo e me abraçou — eu te amo
– o que? — eu disse confusa
– érr...voce pode trazer eles aqui para que eu possa ve-los?
– talvez, se voce não estiver bebado
– eu prometo jeni
– tudo bem, eu tenho que ir agora
– obrigado — ele disse me levando até a porta

eu sai de lá muito confusa e bastante abalada.
droga! eu não podia deixar que um simples "eu te amo" abalasse o meu casamento, eu estava feliz! tom não me amava mais, ele só ficou emocionado com as fotos dos filhos.

– oi amor — bill disse quando eu cheguei — onde voce estava?
– fui dar uma volta — menti — oi meu amor — eu disse a bella — cade o tomy?
– dormindo mas a bella estava sentindo sua falta — bill falou

eu fui até ele e peguei bella que estava em seu colo e beijei os dois
– te amo muito bill — eu disse — e voce mocinha vá dormir — ja eram 20:30 da noite — esta ficando tarde e a mamãe esta cansada

eu coloquei a bebe no berço ja dormindo e fui me deitar bill me abraçou e me beijou delicadamente.
eu estava feliz com bill mas ver o tom me deixou com saudade da vida que eu levava antes queria que ele estivesse aqui enquanto eu estava pensando lagrimas começavam a encher os meus olhos

– jeni, o que aconteceu? — bill disse secando as lagrimas com os dedos
– eu vi o tom hoje — eu disse sem conseguir segurar o choro que se seguiu
– por que não me disse?
– não queria que voce pensasse mal de mim
– sabe que não vou brigar com voce por isso, não precisa esconder essas coisas de mim
– tudo bem
– mas o que aconteceu? por que voce ficou assim?
– não sei
– onde voce o encontrou?
– ele bateu o carro e estava no hospital e ligaram pra voce mas voce não estava então eu fui lá
– e ele esta bem? ele se machucou? — ele perguntou preocupado
– ele esta otimo, só estava bebado — eu disse ainda chorando

bill afagou meu cabelo enquanto eu chorava. ele era tão compreensivo tão amoroso

– ele pediu que eu levasse bella e tomy para ve-lo
– e voce vai?
– não sei
– ele tem direito de conhecer os filhos jeni
– eu sei, mas ele nunca procurou...
– ele deve ter um bom motivo para isso
– não se importa?
– não posso fazer nada são filhos dele, e quero que ele fique feliz
– voce é maravilhoso. eu não te mereço
– não fala isso

ele continuou a me acalmar e depois dormimos

– bill voce tem certeza que não quer ir comigo? — eu perguntei mais uma vez, me sentiria melhor se bill estivesse ao meu lado quando visse o tom de novo
– não. eu tenho que fazer umas coisas
– tudo bem, então da um tchauzinho pra eles — bill se debruçou sobre o carrinho duplo e brincou um pouco com bella e tomy
– amo voces meus amores — ele disse dando um beijo em cada um

sai empurrando o carrinho e chamei um taxi.
quando cheguei ao predio onde tom morava ele ja estava nos esperando

– eu não acredito — ele disse olhando os bebes bem de perto — são os bebes mais lindos do mundo
– eu sei
– eles tem os seus olhos — ele disse sorrindo pra mim
– quer subir ou prefere passear com eles
– é melhor subir quero conversar com voce
– tudo bem

nos fomos para o apartamento dele e sentamos no sofa. eu fiquei só observando por um momento enquanto tom brincava com nossos filhos no carrinho

– pode pegar eles no colo tom — eu disse
– eu nunca segurei nenhum bebe, não sei como

eu me levantei e tirei tomy do carrinho e o coloquei nos braços dele

– que cheiro bom ele tem — tom disse
– cheirinho de bebe — eu falei rindo
– toma — ele disse me devolvendo o bebe para mim

ele olhou nos meus olhos mas depois desviou o olhar e eu fiz o mesmo
eu coloquei tomy de volta no carrinho e peguei bella e a coloquei em seus braços
– ela parece muito com voce — ele disse
– tom quero falar serio com voce
– pode dizer jeni
– voce não quer participar da vida dos seus filhos? — eu perguntei
– eu quero, mas não como tio deles — ele respondeu
– mas bill ja registrou como filhos dele
– eu sei, queria muito que tivesse sido diferente jeni — ele disse e parecia triste
– se voce realmente quisesse isso não teria ido embora tom
– voce esta feliz, não esta?
– estou
– então eu fiz o certo
– eu também estava feliz quando voce estava comigo — eu disse olhando para o chão
– não fique triste jeni. me desculpa
– voce não tem culpa, agente não pode decidir quem ama
– jeni voce ainda sente minha falta?

eu não queria dizer que sim mas não podia mentir pra ele, então não disse nada

– jeni me responde, voce não me esqueceu?
– não tom, não. droga! — eu disse pegando bella dele e colocando no carrinho
– jeni não vai embora — ele disse segurando a minha mão
– me solta tom tenho que ir embora — eu disse as lagrimas ja escorrendo. ele me abraçou e afagou meus cabelos — tom me solta
– não! olha pra mim — ele disse segurando meu queixo para que eu olhasse nos seus olhos — voce ainda me ama?
– voce sabe que sim — eu disse tirando a mão dele do meu rosto
– então por que se casou com bill se ainda me amava?
– eu o amo, e ele me pediu em casamento, por que eu não aceitaria?
– verdade — ele disse
– e por que voce se importa? voce foi embora, não me amava mais.
– isso não é verdade jeni — ele disse e meu coração bateu em um ritmo acelerado como uma britadeira
– então por que voce foi embora?
– pensei que com o tempo voce me esqueceria e preferi estar longe quando isso viesse a acontecer
– por que voce achou isso? o que isso quer dizer? voce ainda... — ele não me deixou terminar a frase me apertou firme nos braços e me beijou

eu não podia fazer isso, eu tinha que sair dali eu iria magoar bill e me magoar também como sempre acontecia mas não conseguia me mexer queria que seus braços me apertassem cada vez mais e que podessemos ficar assim para sempre
mas eu não podia eu tinha que sair daquele lugar, tinha que fugir então me afastei dele

– jeni eu... — tom começou a dizer mas eu não queria ouvi-lo eu simplesmente fugi dele e da dor que eu teria de enfrentar se ficasse

TOM



e de novo eu peguei um copo e uma garrafa, ultimamente isso é tudo que eu tenho feito. bebido. não para esquece-la mas para anestesiar a dor de não te-la por perto
isso é uma tortura e depois de ve-la e de beija-la cada dia parece ainda mais dificil de suportar, eu queria tanto estar com ela e com meus filhos mas eu perdi esse direito quando a abandonei simplesmente por orgulho e agora é tarde de mais...



continua...