Notas iniciais
Espero que gostem...

"Senhores passageiros do voo 7896 destino Paris, duração 1 hora 26 minutos, por favor embarquem pelo portão 6B."
E lá vou eu, começar de novo, de preferência do zero. Sem memorias de corações partidos. Antes de entrar no avião verifiquei qual era a minha poltrona. 18B. Espero que ninguém sente ao meu lado, preciso de pelo menos uma hora para me recuperar depois de ver meu tio Austin chorando quando passei pelo portão de embarque.
Tudo bem que ele não é realmente meu tio e sim o motorista da família, mas ele cuidou de mim por tanto tempo que foi impossível não me apegar a ele. Vou sentir tanta saudade.
Infelizmente depois de uns 15 minutos um menino veio e sentou ao meu lado. E lá se foi meu sono pensei na hora, quando finalmente achei que a sorte estava começando a ficar do meu lado. Tentei parecer normal e sorri, ele era meio bonitinho, mas não faz muito meu tipo. Evitei qualquer tipo de contato visual com ele por algum tempo mas ele rompeu o silencio assim que notou meu colar.
Eu sei, eu sei, andar com um colar de pedra é meio hippie, mas foi um presente dos meus pais e é a única coisa que eu tenho deles. Então finalmente criei coragem e falei com o menino do meu lado:
—Encarar as pessoas é meio rude, a não ser que você pretenda matar ela ou perseguir, o que eu espero que nenhum dos dois aconteça. Oi, meu nome é Amy.
Já disse que posso ser muito grossa e falar coisas sem sentido que assustam as pessoas as vezes? Pois é, pelo olhar que o menino me lançou jurei que ia sair correndo chorando enquanto gritava que sou maluca, mas por incrível que pareça ele não se moveu.
—Se eu estivesse planejando te matar, você acha que eu ia comprar uma passagem para nova York, adivinhar o seu assento e então te pôr para dormir em um avião lotado?
Ok, ele me pegou desprevenida, não acredito que exista alguém mais sarcástico que eu nesse planeta, mas eu posso TALVEZ estar enganada.
—Sabe, geralmente os serial killers planejam detalhadamente como vão prosseguir com o plano assim suas vítimas ficam pensando que não passa de um mero acaso do destino e nunca desconfiam do estranho que sentou do lado delas no avião e foi simpático.
—Acho que terá que esperar até o final do voo para descobrir se eu sou ou não um assassino em série. Aliás, meu nome é Jason.
E foi ai que ele piscou para mim e meu coração deu um salto. Talvez seja o efeito do energético que eu tomei antes, mas juro que senti algum coisa com essa piscadinha nada discreta dele.
—Como espera que eu acredite que não é um homicida se tem o nome de um?
A última reação que eu esperaria dele era uma risada depois do que eu falei, tenho um péssimo senso de humor, mas ele pareceu não se importar porque mesmo depois de uma hora e meia de piadas horríveis ele ainda pediu meu telefone.
—Então, mais quantas vezes vou ter que tocar seu braço até você me chamar para sair? –uma coisa que aprendi com meu tio foi que se você quer algo, seja direta – Estamos quase chegando na grande maça.
—Talvez mais uma vez e talvez eu considere.
E foi ai que ele abriu um sorriso que não me surpreendi quando vi que ate os dentes dele eram perfeitos. Nossa, como eu queria beijar aquela boca. Sem pressa, Amy, sem relacionamentos até se adaptar na cidade.
Meus pensamentos foram atrapalhados pela voz do piloto pedindo que colocássemos o cinto porque logo iriamos pousar. Ficamos em silencio e comecei a pensar se algum dia o veria novamente, porque cá entre nós Nova York é grande e mesmo morando no mesmo bairro seria difícil esbarrar nele.
Trocamos nossos números e continuamos conversando até o avião pousar, ele me ajudou a pegar minhas malas na esteira e caminhou comigo até a saída educadamente ele pediu se alguém ia vir me buscar, respondi que não pois minha tia ia trabalhar até tarde hoje.
—Se importa de me dar seu endereço? Moro nessa cidade há anos.
—E você insiste que não é um perseguidor – dou uma risada sem graça e entrego para ele um papel com o endereço do edifício e o número do apartamento.
—Hei, nem tudo a gente consegue pela ficha da polícia e se não se importar podemos dividir um taxi, estou indo para esse lado mesmo.
—Posso até considerar sua proposta, mas vou avisar o taxista que você não é de total confiança e possa talvez estar me seguindo.
—Por mim – ele ergue as mãos até a altura da cabeça, indicando ser inocente, não contive minha risada – Primeiro as damas, Amy.
Não sei, mas tem algo no jeito que ele pronuncia meu nome que, sei lá, me faz sentir algo estranho, preciso de uma xicara de café para me acalmar e por meus pensamentos em ordem por que estou começando a achar que gosto desse estranho.
E do nada um garoto veio correndo em nossa direção. Maravilha, Jason gostava de outra fruta, isso explicaria porque ele não me chamou para sair ainda, se é que ia convidar.
—Jason! Que bom que sobreviveu a essa viagem de avião, você sabe que não nada seguro viajar de avião.
—Calma irmãozinho – ele diz enquanto o abraça, solto suspiro de alivio – Tenho quase certeza que dizem que viajar de avião é o jeito mais seguro nos dias de hoje.
—E desde quando meu estimado irmão acredita no que ouve na televisão? Estou lhe avisando, é tudo um golpe para a Madonna controlar o mundo.
Sem querer acabei dando risada da teoria sem noção dele.
—Se a Madonna quisesse dominar o mundo, não querendo dizer que não possa acontecer, acho que ela usaria algo um pouco mais sofisticado que controle da mente, é muito, como posso dizer, ficção cientifica de desenhos animados.
—Ai. Meu. Deus. Quem é essa menina? Tô apaixonado por ela, serio, a teoria dela é mil vezes melhor que a minha, Mais uma pergunta, o que ela – ele aponta para mim e depois para Jason – está fazendo com você?
—Ela tem um nome – falei em um tom meio rude, mas hei, já disse como é meu jeito – Meu nome é Amy, eu acabei sentando por acaso do lado de Jason durante a viagem e ele se ofereceu para rachar um taxi comigo – cheguei mais perto do garoto estranho e como se estivesse contando um segredo coloquei a mão perto do rosto e disse – desconfio que seu irmão seja um assassino contratado para me fazer sumir do mapa, se é que me entende.
—É oficial, encontrei minha alma gêmea do sexo oposto. Ela é perfeita, por favor casa com essa menina Jason, você não vai encontrar ninguém melhor – acabei ficando corada depois que ele disse isso – E olha que meiga ela ficou vermelha.
—Então Amy, esse é meu irmão Felix, super discreto e nem um pouco apaixonado por Madona.
—Prazer em lhe conhecer Felix.
—O prazer é todo meu, futura esposa do meu irmão sem graça alguma.
—Sabe, eu estava pensando em me acomodar antes de assumir um compromisso sério, tipo a Marilyn Monroe
—Eu vos declaro marido e mulher, pode beijar a noiva.
Depois de mais algumas piadas sobre eu me casar com Jason finalmente colocamos as malas em um taxi e nos dirigimos ao meu endereço. O caminho inteiro Felix disse que eu ia amar a cidade e fez uma lista no meu celular de lugares que eu precisava conhecer.
Por um segundo me senti bem, como se tudo estivesse indo para o seu devido lugar, mas sabia que não ia ser tão fácil assim deixar o passado de lado e viver como todos esperavam que eu vivesse.
Quando chegamos na frente do meu prédio me despedi dos meninos, peguei minhas malas e entrei no edifício, peguei minhas chaves com o porteiro e assim que apertei o botão da cobertura no elevador, Jason entrou correndo no elevador.
—Esqueceu algo? Não me diz que peguei uma das suas malas? Achei que rosa não era sua praia.
E então eu percebi que ele estava com as malas dele também e logo apertou o botão do 7º andar e ai eu entendi, ele morava no mesmo prédio.
—Desculpa, mas mesmo depois de eu te mostrar meu endereço você não podia ter dito que morava no mesmo lugar?
—Não podia perder a expressão no seu rosto quando pensou que estava certa que eu era um assassino.
—Poucas pessoas me surpreendem, você até que não é tão previsível quanto eu achei que era.
Demos risada ao mesmo tempo e fico pensando nesse estranho que conheci a poucas horas. Tínhamos tanto em comum, desde gostos para músicas até mesmo livros, fico um pouco assustada com tudo isso, não é comum eu conversar com estranhos porque depois de uma ou duas cortadas eles inventam uma desculpa e somem.
Assim que chegamos no andar dele, me despeço dele novamente e as portas do elevador se fecham enquanto vejo a imagem de Jason desaparecer devagarinho. Quando chego na cobertura, jogo minha bolsa em cima do sofá e deixo minhas malas no meio da sala mesmo.
Aquele apartamento era grande demais pra mim, eu podia arrumar uma colega de quarto. Me apeguei a esse pensamento enquanto arrumava minhas coisas para tomar um longo banho.
Quando a água morna tocou minha pele qualquer pensamento que tinha na minha cabeça sumiu e simplesmente focou em como eu estava quentinha embaixo da água e como não queria mais sair dali de tão gostoso que estava.
Me lembro da minha mãe dizendo que o banho era um momento para lavar todos os pensamentos negativos adquiridos durante o dia, não sei como, mas ela sempre sabia a coisa certa para dizer quando eu não estava bem.

"Senhores passageiros do voo 7896 destino Paris, duração 1 hora 26 minutos, por favor embarquem pelo portão 6B."
E lá vou eu, começar de novo, de preferência do zero. Sem memorias de corações partidos. Antes de entrar no avião verifiquei qual era a minha poltrona. 18B. Espero que ninguém sente ao meu lado, preciso de pelo menos uma hora para me recuperar depois de ver meu tio Austin chorando quando passei pelo portão de embarque.
Tudo bem que ele não é realmente meu tio e sim o motorista da família, mas ele cuidou de mim por tanto tempo que foi impossível não me apegar a ele. Vou sentir tanta saudade.
Infelizmente depois de uns 15 minutos um menino veio e sentou ao meu lado. E lá se foi meu sono pensei na hora, quando finalmente achei que a sorte estava começando a ficar do meu lado. Tentei parecer normal e sorri, ele era meio bonitinho, mas não faz muito meu tipo. Evitei qualquer tipo de contato visual com ele por algum tempo mas ele rompeu o silencio assim que notou meu colar.
Eu sei, eu sei, andar com um colar de pedra é meio hippie, mas foi um presente dos meus pais e é a única coisa que eu tenho deles. Então finalmente criei coragem e falei com o menino do meu lado:
—Encarar as pessoas é meio rude, a não ser que você pretenda matar ela ou perseguir, o que eu espero que nenhum dos dois aconteça. Oi, meu nome é Amy.
Já disse que posso ser muito grossa e falar coisas sem sentido que assustam as pessoas as vezes? Pois é, pelo olhar que o menino me lançou jurei que ia sair correndo chorando enquanto gritava que sou maluca, mas por incrível que pareça ele não se moveu.
—Se eu estivesse planejando te matar, você acha que eu ia comprar uma passagem para nova York, adivinhar o seu assento e então te pôr para dormir em um avião lotado?
Ok, ele me pegou desprevenida, não acredito que exista alguém mais sarcástico que eu nesse planeta, mas eu posso TALVEZ estar enganada.
—Sabe, geralmente os serial killers planejam detalhadamente como vão prosseguir com o plano assim suas vítimas ficam pensando que não passa de um mero acaso do destino e nunca desconfiam do estranho que sentou do lado delas no avião e foi simpático.
—Acho que terá que esperar até o final do voo para descobrir se eu sou ou não um assassino em série. Aliás, meu nome é Jason.
E foi ai que ele piscou para mim e meu coração deu um salto. Talvez seja o efeito do energético que eu tomei antes, mas juro que senti algum coisa com essa piscadinha nada discreta dele.
—Como espera que eu acredite que não é um homicida se tem o nome de um?
A última reação que eu esperaria dele era uma risada depois do que eu falei, tenho um péssimo senso de humor, mas ele pareceu não se importar porque mesmo depois de uma hora e meia de piadas horríveis ele ainda pediu meu telefone.
—Então, mais quantas vezes vou ter que tocar seu braço até você me chamar para sair? –uma coisa que aprendi com meu tio foi que se você quer algo, seja direta – Estamos quase chegando na grande maça.
—Talvez mais uma vez e talvez eu considere.
E foi ai que ele abriu um sorriso que não me surpreendi quando vi que ate os dentes dele eram perfeitos. Nossa, como eu queria beijar aquela boca. Sem pressa, Amy, sem relacionamentos até se adaptar na cidade.
Meus pensamentos foram atrapalhados pela voz do piloto pedindo que colocássemos o cinto porque logo iriamos pousar. Ficamos em silencio e comecei a pensar se algum dia o veria novamente, porque cá entre nós Nova York é grande e mesmo morando no mesmo bairro seria difícil esbarrar nele.
Trocamos nossos números e continuamos conversando até o avião pousar, ele me ajudou a pegar minhas malas na esteira e caminhou comigo até a saída educadamente ele pediu se alguém ia vir me buscar, respondi que não pois minha tia ia trabalhar até tarde hoje.
—Se importa de me dar seu endereço? Moro nessa cidade há anos.
—E você insiste que não é um perseguidor – dou uma risada sem graça e entrego para ele um papel com o endereço do edifício e o número do apartamento.
—Hei, nem tudo a gente consegue pela ficha da polícia e se não se importar podemos dividir um taxi, estou indo para esse lado mesmo.
—Posso até considerar sua proposta, mas vou avisar o taxista que você não é de total confiança e possa talvez estar me seguindo.
—Por mim – ele ergue as mãos até a altura da cabeça, indicando ser inocente, não contive minha risada – Primeiro as damas, Amy.
Não sei, mas tem algo no jeito que ele pronuncia meu nome que, sei lá, me faz sentir algo estranho, preciso de uma xicara de café para me acalmar e por meus pensamentos em ordem por que estou começando a achar que gosto desse estranho.
E do nada um garoto veio correndo em nossa direção. Maravilha, Jason gostava de outra fruta, isso explicaria porque ele não me chamou para sair ainda, se é que ia convidar.
—Jason! Que bom que sobreviveu a essa viagem de avião, você sabe que não nada seguro viajar de avião.
—Calma irmãozinho – ele diz enquanto o abraça, solto suspiro de alivio – Tenho quase certeza que dizem que viajar de avião é o jeito mais seguro nos dias de hoje.
—E desde quando meu estimado irmão acredita no que ouve na televisão? Estou lhe avisando, é tudo um golpe para a Madonna controlar o mundo.
Sem querer acabei dando risada da teoria sem noção dele.
—Se a Madonna quisesse dominar o mundo, não querendo dizer que não possa acontecer, acho que ela usaria algo um pouco mais sofisticado que controle da mente, é muito, como posso dizer, ficção cientifica de desenhos animados.
—Ai. Meu. Deus. Quem é essa menina? Tô apaixonado por ela, serio, a teoria dela é mil vezes melhor que a minha, Mais uma pergunta, o que ela – ele aponta para mim e depois para Jason – está fazendo com você?
—Ela tem um nome – falei em um tom meio rude, mas hei, já disse como é meu jeito – Meu nome é Amy, eu acabei sentando por acaso do lado de Jason durante a viagem e ele se ofereceu para rachar um taxi comigo – cheguei mais perto do garoto estranho e como se estivesse contando um segredo coloquei a mão perto do rosto e disse – desconfio que seu irmão seja um assassino contratado para me fazer sumir do mapa, se é que me entende.
—É oficial, encontrei minha alma gêmea do sexo oposto. Ela é perfeita, por favor casa com essa menina Jason, você não vai encontrar ninguém melhor – acabei ficando corada depois que ele disse isso – E olha que meiga ela ficou vermelha.
—Então Amy, esse é meu irmão Felix, super discreto e nem um pouco apaixonado por Madona.
—Prazer em lhe conhecer Felix.
—O prazer é todo meu, futura esposa do meu irmão sem graça alguma.
—Sabe, eu estava pensando em me acomodar antes de assumir um compromisso sério, tipo a Marilyn Monroe
—Eu vos declaro marido e mulher, pode beijar a noiva.
Depois de mais algumas piadas sobre eu me casar com Jason finalmente colocamos as malas em um taxi e nos dirigimos ao meu endereço. O caminho inteiro Felix disse que eu ia amar a cidade e fez uma lista no meu celular de lugares que eu precisava conhecer.
Por um segundo me senti bem, como se tudo estivesse indo para o seu devido lugar, mas sabia que não ia ser tão fácil assim deixar o passado de lado e viver como todos esperavam que eu vivesse.
Quando chegamos na frente do meu prédio me despedi dos meninos, peguei minhas malas e entrei no edifício, peguei minhas chaves com o porteiro e assim que apertei o botão da cobertura no elevador, Jason entrou correndo no elevador.
—Esqueceu algo? Não me diz que peguei uma das suas malas? Achei que rosa não era sua praia.
E então eu percebi que ele estava com as malas dele também e logo apertou o botão do 7º andar e ai eu entendi, ele morava no mesmo prédio.
—Desculpa, mas mesmo depois de eu te mostrar meu endereço você não podia ter dito que morava no mesmo lugar?
—Não podia perder a expressão no seu rosto quando pensou que estava certa que eu era um assassino.
—Poucas pessoas me surpreendem, você até que não é tão previsível quanto eu achei que era.
Demos risada ao mesmo tempo e fico pensando nesse estranho que conheci a poucas horas. Tínhamos tanto em comum, desde gostos para músicas até mesmo livros, fico um pouco assustada com tudo isso, não é comum eu conversar com estranhos porque depois de uma ou duas cortadas eles inventam uma desculpa e somem.
Assim que chegamos no andar dele, me despeço dele novamente e as portas do elevador se fecham enquanto vejo a imagem de Jason desaparecer devagarinho. Quando chego na cobertura, jogo minha bolsa em cima do sofá e deixo minhas malas no meio da sala mesmo.
Aquele apartamento era grande demais pra mim, eu podia arrumar uma colega de quarto. Me apeguei a esse pensamento enquanto arrumava minhas coisas para tomar um longo banho.
Quando a água morna tocou minha pele qualquer pensamento que tinha na minha cabeça sumiu e simplesmente focou em como eu estava quentinha embaixo da água e como não queria mais sair dali de tão gostoso que estava.
Me lembro da minha mãe dizendo que o banho era um momento para lavar todos os pensamentos negativos adquiridos durante o dia, não sei como, mas ela sempre sabia a coisa certa para dizer quando eu não estava bem.
Passei mais algum tempo pensando nela e algumas lagrimas escaparam, perdi ela cedo demais, ninguém merece receber a notícia que sua mãe partiu aos 7 anos, mas o pior foi ter perdido meu pai ao mesmo tempo, não tive ninguém para ameaçar meu par para o baile ou minha mãe para me levar ao shopping comprar um vestido para a minha formatura do ensino fundamental.
O tio Austin até tentava, mas não era a mesma coisa, ele não sabia como agir na maioria das vezes, já que nunca se casou ou teve filhos, eu era como uma filha para ele, de um certo jeito a gente se completava.

"Senhores passageiros do voo 7896 destino Paris, duração 1 hora 26 minutos, por favor embarquem pelo portão 6B."
E lá vou eu, começar de novo, de preferência do zero. Sem memorias de corações partidos. Antes de entrar no avião verifiquei qual era a minha poltrona. 18B. Espero que ninguém sente ao meu lado, preciso de pelo menos uma hora para me recuperar depois de ver meu tio Austin chorando quando passei pelo portão de embarque.
Tudo bem que ele não é realmente meu tio e sim o motorista da família, mas ele cuidou de mim por tanto tempo que foi impossível não me apegar a ele. Vou sentir tanta saudade.
Infelizmente depois de uns 15 minutos um menino veio e sentou ao meu lado. E lá se foi meu sono pensei na hora, quando finalmente achei que a sorte estava começando a ficar do meu lado. Tentei parecer normal e sorri, ele era meio bonitinho, mas não faz muito meu tipo. Evitei qualquer tipo de contato visual com ele por algum tempo mas ele rompeu o silencio assim que notou meu colar.
Eu sei, eu sei, andar com um colar de pedra é meio hippie, mas foi um presente dos meus pais e é a única coisa que eu tenho deles. Então finalmente criei coragem e falei com o menino do meu lado:
—Encarar as pessoas é meio rude, a não ser que você pretenda matar ela ou perseguir, o que eu espero que nenhum dos dois aconteça. Oi, meu nome é Amy.
Já disse que posso ser muito grossa e falar coisas sem sentido que assustam as pessoas as vezes? Pois é, pelo olhar que o menino me lançou jurei que ia sair correndo chorando enquanto gritava que sou maluca, mas por incrível que pareça ele não se moveu.
—Se eu estivesse planejando te matar, você acha que eu ia comprar uma passagem para nova York, adivinhar o seu assento e então te pôr para dormir em um avião lotado?
Ok, ele me pegou desprevenida, não acredito que exista alguém mais sarcástico que eu nesse planeta, mas eu posso TALVEZ estar enganada.
—Sabe, geralmente os serial killers planejam detalhadamente como vão prosseguir com o plano assim suas vítimas ficam pensando que não passa de um mero acaso do destino e nunca desconfiam do estranho que sentou do lado delas no avião e foi simpático.
—Acho que terá que esperar até o final do voo para descobrir se eu sou ou não um assassino em série. Aliás, meu nome é Jason.
E foi ai que ele piscou para mim e meu coração deu um salto. Talvez seja o efeito do energético que eu tomei antes, mas juro que senti algum coisa com essa piscadinha nada discreta dele.
—Como espera que eu acredite que não é um homicida se tem o nome de um?
A última reação que eu esperaria dele era uma risada depois do que eu falei, tenho um péssimo senso de humor, mas ele pareceu não se importar porque mesmo depois de uma hora e meia de piadas horríveis ele ainda pediu meu telefone.
—Então, mais quantas vezes vou ter que tocar seu braço até você me chamar para sair? –uma coisa que aprendi com meu tio foi que se você quer algo, seja direta – Estamos quase chegando na grande maça.
—Talvez mais uma vez e talvez eu considere.
E foi ai que ele abriu um sorriso que não me surpreendi quando vi que ate os dentes dele eram perfeitos. Nossa, como eu queria beijar aquela boca. Sem pressa, Amy, sem relacionamentos até se adaptar na cidade.
Meus pensamentos foram atrapalhados pela voz do piloto pedindo que colocássemos o cinto porque logo iriamos pousar. Ficamos em silencio e comecei a pensar se algum dia o veria novamente, porque cá entre nós Nova York é grande e mesmo morando no mesmo bairro seria difícil esbarrar nele.
Trocamos nossos números e continuamos conversando até o avião pousar, ele me ajudou a pegar minhas malas na esteira e caminhou comigo até a saída educadamente ele pediu se alguém ia vir me buscar, respondi que não pois minha tia ia trabalhar até tarde hoje.
—Se importa de me dar seu endereço? Moro nessa cidade há anos.
—E você insiste que não é um perseguidor – dou uma risada sem graça e entrego para ele um papel com o endereço do edifício e o número do apartamento.
—Hei, nem tudo a gente consegue pela ficha da polícia e se não se importar podemos dividir um taxi, estou indo para esse lado mesmo.
—Posso até considerar sua proposta, mas vou avisar o taxista que você não é de total confiança e possa talvez estar me seguindo.
—Por mim – ele ergue as mãos até a altura da cabeça, indicando ser inocente, não contive minha risada – Primeiro as damas, Amy.
Não sei, mas tem algo no jeito que ele pronuncia meu nome que, sei lá, me faz sentir algo estranho, preciso de uma xicara de café para me acalmar e por meus pensamentos em ordem por que estou começando a achar que gosto desse estranho.
E do nada um garoto veio correndo em nossa direção. Maravilha, Jason gostava de outra fruta, isso explicaria porque ele não me chamou para sair ainda, se é que ia convidar.
—Jason! Que bom que sobreviveu a essa viagem de avião, você sabe que não nada seguro viajar de avião.
—Calma irmãozinho – ele diz enquanto o abraça, solto suspiro de alivio – Tenho quase certeza que dizem que viajar de avião é o jeito mais seguro nos dias de hoje.
—E desde quando meu estimado irmão acredita no que ouve na televisão? Estou lhe avisando, é tudo um golpe para a Madonna controlar o mundo.
Sem querer acabei dando risada da teoria sem noção dele.
—Se a Madonna quisesse dominar o mundo, não querendo dizer que não possa acontecer, acho que ela usaria algo um pouco mais sofisticado que controle da mente, é muito, como posso dizer, ficção cientifica de desenhos animados.
—Ai. Meu. Deus. Quem é essa menina? Tô apaixonado por ela, serio, a teoria dela é mil vezes melhor que a minha, Mais uma pergunta, o que ela – ele aponta para mim e depois para Jason – está fazendo com você?
—Ela tem um nome – falei em um tom meio rude, mas hei, já disse como é meu jeito – Meu nome é Amy, eu acabei sentando por acaso do lado de Jason durante a viagem e ele se ofereceu para rachar um taxi comigo – cheguei mais perto do garoto estranho e como se estivesse contando um segredo coloquei a mão perto do rosto e disse – desconfio que seu irmão seja um assassino contratado para me fazer sumir do mapa, se é que me entende.
—É oficial, encontrei minha alma gêmea do sexo oposto. Ela é perfeita, por favor casa com essa menina Jason, você não vai encontrar ninguém melhor – acabei ficando corada depois que ele disse isso – E olha que meiga ela ficou vermelha.
—Então Amy, esse é meu irmão Felix, super discreto e nem um pouco apaixonado por Madona.
—Prazer em lhe conhecer Felix.
—O prazer é todo meu, futura esposa do meu irmão sem graça alguma.
—Sabe, eu estava pensando em me acomodar antes de assumir um compromisso sério, tipo a Marilyn Monroe
—Eu vos declaro marido e mulher, pode beijar a noiva.
Depois de mais algumas piadas sobre eu me casar com Jason finalmente colocamos as malas em um taxi e nos dirigimos ao meu endereço. O caminho inteiro Felix disse que eu ia amar a cidade e fez uma lista no meu celular de lugares que eu precisava conhecer.
Por um segundo me senti bem, como se tudo estivesse indo para o seu devido lugar, mas sabia que não ia ser tão fácil assim deixar o passado de lado e viver como todos esperavam que eu vivesse.
Quando chegamos na frente do meu prédio me despedi dos meninos, peguei minhas malas e entrei no edifício, peguei minhas chaves com o porteiro e assim que apertei o botão da cobertura no elevador, Jason entrou correndo no elevador.
—Esqueceu algo? Não me diz que peguei uma das suas malas? Achei que rosa não era sua praia.
E então eu percebi que ele estava com as malas dele também e logo apertou o botão do 7º andar e ai eu entendi, ele morava no mesmo prédio.
—Desculpa, mas mesmo depois de eu te mostrar meu endereço você não podia ter dito que morava no mesmo lugar?
—Não podia perder a expressão no seu rosto quando pensou que estava certa que eu era um assassino.
—Poucas pessoas me surpreendem, você até que não é tão previsível quanto eu achei que era.
Demos risada ao mesmo tempo e fico pensando nesse estranho que conheci a poucas horas. Tínhamos tanto em comum, desde gostos para músicas até mesmo livros, fico um pouco assustada com tudo isso, não é comum eu conversar com estranhos porque depois de uma ou duas cortadas eles inventam uma desculpa e somem.
Assim que chegamos no andar dele, me despeço dele novamente e as portas do elevador se fecham enquanto vejo a imagem de Jason desaparecer devagarinho. Quando chego na cobertura, jogo minha bolsa em cima do sofá e deixo minhas malas no meio da sala mesmo.
Aquele apartamento era grande demais pra mim, eu podia arrumar uma colega de quarto. Me apeguei a esse pensamento enquanto arrumava minhas coisas para tomar um longo banho.
Quando a água morna tocou minha pele qualquer pensamento que tinha na minha cabeça sumiu e simplesmente focou em como eu estava quentinha embaixo da água e como não queria mais sair dali de tão gostoso que estava.
Me lembro da minha mãe dizendo que o banho era um momento para lavar todos os pensamentos negativos adquiridos durante o dia, não sei como, mas ela sempre sabia a coisa certa para dizer quando eu não estava bem.
Passei mais algum tempo pensando nela e algumas lagrimas escaparam, perdi ela cedo demais, ninguém merece receber a notícia que sua mãe partiu aos 7 anos, mas o pior foi ter perdido meu pai ao mesmo tempo, não tive ninguém para ameaçar meu par para o baile ou minha mãe para me levar ao shopping comprar um vestido para a minha formatura do ensino fundamental.
O tio Austin até tentava, mas não era a mesma coisa, ele não sabia como agir na maioria das vezes, já que nunca se casou ou teve filhos, eu era como uma filha para ele, de um certo jeito a gente se completava.

"Senhores passageiros do voo 7896 destino Paris, duração 1 hora 26 minutos, por favor embarquem pelo portão 6B."
E lá vou eu, começar de novo, de preferência do zero. Sem memorias de corações partidos. Antes de entrar no avião verifiquei qual era a minha poltrona. 18B. Espero que ninguém sente ao meu lado, preciso de pelo menos uma hora para me recuperar depois de ver meu tio Austin chorando quando passei pelo portão de embarque.
Tudo bem que ele não é realmente meu tio e sim o motorista da família, mas ele cuidou de mim por tanto tempo que foi impossível não me apegar a ele. Vou sentir tanta saudade.
Infelizmente depois de uns 15 minutos um menino veio e sentou ao meu lado. E lá se foi meu sono pensei na hora, quando finalmente achei que a sorte estava começando a ficar do meu lado. Tentei parecer normal e sorri, ele era meio bonitinho, mas não faz muito meu tipo. Evitei qualquer tipo de contato visual com ele por algum tempo mas ele rompeu o silencio assim que notou meu colar.
Eu sei, eu sei, andar com um colar de pedra é meio hippie, mas foi um presente dos meus pais e é a única coisa que eu tenho deles. Então finalmente criei coragem e falei com o menino do meu lado:
—Encarar as pessoas é meio rude, a não ser que você pretenda matar ela ou perseguir, o que eu espero que nenhum dos dois aconteça. Oi, meu nome é Amy.
Já disse que posso ser muito grossa e falar coisas sem sentido que assustam as pessoas as vezes? Pois é, pelo olhar que o menino me lançou jurei que ia sair correndo chorando enquanto gritava que sou maluca, mas por incrível que pareça ele não se moveu.
—Se eu estivesse planejando te matar, você acha que eu ia comprar uma passagem para nova York, adivinhar o seu assento e então te pôr para dormir em um avião lotado?
Ok, ele me pegou desprevenida, não acredito que exista alguém mais sarcástico que eu nesse planeta, mas eu posso TALVEZ estar enganada.
—Sabe, geralmente os serial killers planejam detalhadamente como vão prosseguir com o plano assim suas vítimas ficam pensando que não passa de um mero acaso do destino e nunca desconfiam do estranho que sentou do lado delas no avião e foi simpático.
—Acho que terá que esperar até o final do voo para descobrir se eu sou ou não um assassino em série. Aliás, meu nome é Jason.
E foi ai que ele piscou para mim e meu coração deu um salto. Talvez seja o efeito do energético que eu tomei antes, mas juro que senti algum coisa com essa piscadinha nada discreta dele.
—Como espera que eu acredite que não é um homicida se tem o nome de um?
A última reação que eu esperaria dele era uma risada depois do que eu falei, tenho um péssimo senso de humor, mas ele pareceu não se importar porque mesmo depois de uma hora e meia de piadas horríveis ele ainda pediu meu telefone.
—Então, mais quantas vezes vou ter que tocar seu braço até você me chamar para sair? –uma coisa que aprendi com meu tio foi que se você quer algo, seja direta – Estamos quase chegando na grande maça.
—Talvez mais uma vez e talvez eu considere.
E foi ai que ele abriu um sorriso que não me surpreendi quando vi que ate os dentes dele eram perfeitos. Nossa, como eu queria beijar aquela boca. Sem pressa, Amy, sem relacionamentos até se adaptar na cidade.
Meus pensamentos foram atrapalhados pela voz do piloto pedindo que colocássemos o cinto porque logo iriamos pousar. Ficamos em silencio e comecei a pensar se algum dia o veria novamente, porque cá entre nós Nova York é grande e mesmo morando no mesmo bairro seria difícil esbarrar nele.
Trocamos nossos números e continuamos conversando até o avião pousar, ele me ajudou a pegar minhas malas na esteira e caminhou comigo até a saída educadamente ele pediu se alguém ia vir me buscar, respondi que não pois minha tia ia trabalhar até tarde hoje.
—Se importa de me dar seu endereço? Moro nessa cidade há anos.
—E você insiste que não é um perseguidor – dou uma risada sem graça e entrego para ele um papel com o endereço do edifício e o número do apartamento.
—Hei, nem tudo a gente consegue pela ficha da polícia e se não se importar podemos dividir um taxi, estou indo para esse lado mesmo.
—Posso até considerar sua proposta, mas vou avisar o taxista que você não é de total confiança e possa talvez estar me seguindo.
—Por mim – ele ergue as mãos até a altura da cabeça, indicando ser inocente, não contive minha risada – Primeiro as damas, Amy.
Não sei, mas tem algo no jeito que ele pronuncia meu nome que, sei lá, me faz sentir algo estranho, preciso de uma xicara de café para me acalmar e por meus pensamentos em ordem por que estou começando a achar que gosto desse estranho.
E do nada um garoto veio correndo em nossa direção. Maravilha, Jason gostava de outra fruta, isso explicaria porque ele não me chamou para sair ainda, se é que ia convidar.
—Jason! Que bom que sobreviveu a essa viagem de avião, você sabe que não nada seguro viajar de avião.
—Calma irmãozinho – ele diz enquanto o abraça, solto suspiro de alivio – Tenho quase certeza que dizem que viajar de avião é o jeito mais seguro nos dias de hoje.
—E desde quando meu estimado irmão acredita no que ouve na televisão? Estou lhe avisando, é tudo um golpe para a Madonna controlar o mundo.
Sem querer acabei dando risada da teoria sem noção dele.
—Se a Madonna quisesse dominar o mundo, não querendo dizer que não possa acontecer, acho que ela usaria algo um pouco mais sofisticado que controle da mente, é muito, como posso dizer, ficção cientifica de desenhos animados.
—Ai. Meu. Deus. Quem é essa menina? Tô apaixonado por ela, serio, a teoria dela é mil vezes melhor que a minha, Mais uma pergunta, o que ela – ele aponta para mim e depois para Jason – está fazendo com você?
—Ela tem um nome – falei em um tom meio rude, mas hei, já disse como é meu jeito – Meu nome é Amy, eu acabei sentando por acaso do lado de Jason durante a viagem e ele se ofereceu para rachar um taxi comigo – cheguei mais perto do garoto estranho e como se estivesse contando um segredo coloquei a mão perto do rosto e disse – desconfio que seu irmão seja um assassino contratado para me fazer sumir do mapa, se é que me entende.
—É oficial, encontrei minha alma gêmea do sexo oposto. Ela é perfeita, por favor casa com essa menina Jason, você não vai encontrar ninguém melhor – acabei ficando corada depois que ele disse isso – E olha que meiga ela ficou vermelha.
—Então Amy, esse é meu irmão Felix, super discreto e nem um pouco apaixonado por Madona.
—Prazer em lhe conhecer Felix.
—O prazer é todo meu, futura esposa do meu irmão sem graça alguma.
—Sabe, eu estava pensando em me acomodar antes de assumir um compromisso sério, tipo a Marilyn Monroe
—Eu vos declaro marido e mulher, pode beijar a noiva.
Depois de mais algumas piadas sobre eu me casar com Jason finalmente colocamos as malas em um taxi e nos dirigimos ao meu endereço. O caminho inteiro Felix disse que eu ia amar a cidade e fez uma lista no meu celular de lugares que eu precisava conhecer.
Por um segundo me senti bem, como se tudo estivesse indo para o seu devido lugar, mas sabia que não ia ser tão fácil assim deixar o passado de lado e viver como todos esperavam que eu vivesse.
Quando chegamos na frente do meu prédio me despedi dos meninos, peguei minhas malas e entrei no edifício, peguei minhas chaves com o porteiro e assim que apertei o botão da cobertura no elevador, Jason entrou correndo no elevador.
—Esqueceu algo? Não me diz que peguei uma das suas malas? Achei que rosa não era sua praia.
E então eu percebi que ele estava com as malas dele também e logo apertou o botão do 7º andar e ai eu entendi, ele morava no mesmo prédio.
—Desculpa, mas mesmo depois de eu te mostrar meu endereço você não podia ter dito que morava no mesmo lugar?
—Não podia perder a expressão no seu rosto quando pensou que estava certa que eu era um assassino.
—Poucas pessoas me surpreendem, você até que não é tão previsível quanto eu achei que era.
Demos risada ao mesmo tempo e fico pensando nesse estranho que conheci a poucas horas. Tínhamos tanto em comum, desde gostos para músicas até mesmo livros, fico um pouco assustada com tudo isso, não é comum eu conversar com estranhos porque depois de uma ou duas cortadas eles inventam uma desculpa e somem.
Assim que chegamos no andar dele, me despeço dele novamente e as portas do elevador se fecham enquanto vejo a imagem de Jason desaparecer devagarinho. Quando chego na cobertura, jogo minha bolsa em cima do sofá e deixo minhas malas no meio da sala mesmo.
Aquele apartamento era grande demais pra mim, eu podia arrumar uma colega de quarto. Me apeguei a esse pensamento enquanto arrumava minhas coisas para tomar um longo banho.
Quando a água morna tocou minha pele qualquer pensamento que tinha na minha cabeça sumiu e simplesmente focou em como eu estava quentinha embaixo da água e como não queria mais sair dali de tão gostoso que estava.
Me lembro da minha mãe dizendo que o banho era um momento para lavar todos os pensamentos negativos adquiridos durante o dia, não sei como, mas ela sempre sabia a coisa certa para dizer quando eu não estava bem.
Passei mais algum tempo pensando nela e algumas lagrimas escaparam, perdi ela cedo demais, ninguém merece receber a notícia que sua mãe partiu aos 7 anos, mas o pior foi ter perdido meu pai ao mesmo tempo, não tive ninguém para ameaçar meu par para o baile ou minha mãe para me levar ao shopping comprar um vestido para a minha formatura do ensino fundamental.
O tio Austin até tentava, mas não era a mesma coisa, ele não sabia como agir na maioria das vezes, já que nunca se casou ou teve filhos, eu era como uma filha para ele, de um certo jeito a gente se completava.