Duas Fábulas do Mesmo Amor

2 Minha Caixinha de Música.


Notas iniciais
E aqui está a parte dois! Ela é um constaste bem grande com a anterior, sendo a sequência do fim daquele relacionamento destrutivo, que pode ser percebido na sistematização das métricas, enquanto esse é baseado na liberdade, aquele amor infantil, puro e desejado que fez o pp crescer conforme o poema se desenrola. Também pode ser entendido como a ilusão que algumas drogas podem nos fazer sentir. E também demonstra como é importante se livrar das coisas destrutivas em nossa vida. o Eu espero que gostem e obrigado por terem visto até aqui ♥

As eras passam e eu ouço as folhas

Do primeiro outono atravessando fronteiras

Com minha caixa de música, no lugar do coração

Fraturado, ando pela floresta da limitação

Como a água infiel

Que se derrama no papel

Mudando minha textura para sempre

Você cai em meu gira-gira

Andando nos trilhos

Das marcas de suas mãos

Dos corantes velhos

Me manchando pela primeira vez

Uma virgem página

Mas a adrenalina

Imobiliza-me

Rápido

Demais

Minhas mãos entorpecidas

Ao passo que a tinta estourada

Escorre e me deixa em pânico

Preso em um eterno Halloween

E alguém segurou minha mão

A caminhando lentamente

Escrevendo meu nome carinhosamente

Como o professor ensina caligrafia

Conforme você tirava

As gazes que envolviam

Meu corpo ouviu novamente

Canções amorosas que escreveriam

As cartas por onde me declararei para você

Que recolheu meu corpo robótico

E ao adicionar engrenagens vitorianas

Consertou meu tórax musical

Ornando com a safira celestial

Meu endosqueleto quebradiço

O mesmo que tirou as rodas de treino

Da minha bicicleta velha

Enquanto eu tocava minha campainha

E logo, te levei na cesta de vime

Para nadar atrás de estátuas perdidas

Para cardumes de anjos seguir

Para o pôr-do-sol assistir

Fazendo caretas

Comendo as balas azedas

Que lhe ofereci

Todas as pétalas de brincadeiras infantis

Reluziam ao seu redor, bem me quis!

Era certeza!

Te observava se gabando e dava sorrisos bobos

Enquanto a brisa trazia o cheiro de lavanda

Seu cuidado fez meus pontos, sedosos

Minhas cicatrizes virarem bolo de cenoura

Onde eras a vela que me acendia

E procurava por mais que a cobertura

Dançando no pináculo da lua

Conforme eu dava passos arrastados

Pisava em seus pés

Gravidade improvisava um tornado de poeira contínua

Que foliava entre nossos sonhos

Escutando os clássicos de Jazz

Ensaiando, nós giramos

Em um furacão de lençóis limpos

Onde meu olfato era aguçado

Pelo seu perfume inusitado

De pão fresco, que combinava

Com os cânticos antiquados

Do nosso rádio vintage

No nosso encontro açucarado

Éramos estrelas da Broadway

Nosso amor confessado

Pelas luzes LED da Times Square

Sua chegada foi o Renascentismo

Para minha Europa fragmentada

Os vestígios da sabedoria

Fizeram este gigante de lata transmitir

Amor por ti em frequências de euforia

Os tabloides se colocavam em vigília

Pintavam seu conceito de família

Baseados nos seus dedos entre os meus

Adaptei suas feições em filme

Que repassava em minha imaginação

Seu sorriso desconcertado em movimento

O vento poetizando sua idealização

O momento do espetáculo começava

Seus olhos vivazes como um artista realizado

O público fixado em nós, não esperava

O escape das feras obscuras

A tenda colorida esbraseada de fogo prateado

No meio disso, o som do seu sapateado

Combinava com minha melodia cardíaca

E o caos que gritava para as ruas

Toda a magia interior

Se transformou em vagalumes

Seguidores na alvorada bicolor

Quando valsávamos para casa à noite

Oscilamos pelas eras desbotadas

Apenas nosso amor era imutável

Passamos pelos afros e calças coladas

E iremos até os capacetes de astronautas

Eu amo como você me ensinou a

Voar, viver, superar

Com você eu reaprendi a

Andar, correr, amar

A caixinha de música continuará tocando

E dou corda continuamente

Quando as suas emoções te impedirem de ver

Cantarei até seu corpo adormecer

Coreografias desajeitadas

Metáforas romantizadas

E eu, bailarino em arabesque

Farei a sua agonia desaparecer

Um soldadinho de chumbo

Que acastelou minha nação

Me consertou pedaço por pedaço, agora tocarei sucessivamente

Para o mundo

Para você.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!