Duas Fábulas do Mesmo Amor
2 Minha Caixinha de Música.
Notas iniciais

As eras passam e eu ouço as folhas
Do primeiro outono atravessando fronteiras
Com minha caixa de música, no lugar do coração
Fraturado, ando pela floresta da limitação
Como a água infiel
Que se derrama no papel
Mudando minha textura para sempre
Você cai em meu gira-gira
Andando nos trilhos
Das marcas de suas mãos
Dos corantes velhos
Me manchando pela primeira vez
Uma virgem página
Mas a adrenalina
Imobiliza-me
Rápido
Demais
Minhas mãos entorpecidas
Ao passo que a tinta estourada
Escorre e me deixa em pânico
Preso em um eterno Halloween
E alguém segurou minha mão
A caminhando lentamente
Escrevendo meu nome carinhosamente
Como o professor ensina caligrafia
Conforme você tirava
As gazes que envolviam
Meu corpo ouviu novamente
Canções amorosas que escreveriam
As cartas por onde me declararei para você
Que recolheu meu corpo robótico
E ao adicionar engrenagens vitorianas
Consertou meu tórax musical
Ornando com a safira celestial
Meu endosqueleto quebradiço
O mesmo que tirou as rodas de treino
Da minha bicicleta velha
Enquanto eu tocava minha campainha
E logo, te levei na cesta de vime
Para nadar atrás de estátuas perdidas
Para cardumes de anjos seguir
Para o pôr-do-sol assistir
Fazendo caretas
Comendo as balas azedas
Que lhe ofereci
Todas as pétalas de brincadeiras infantis
Reluziam ao seu redor, bem me quis!
Era certeza!
Te observava se gabando e dava sorrisos bobos
Enquanto a brisa trazia o cheiro de lavanda
Seu cuidado fez meus pontos, sedosos
Minhas cicatrizes virarem bolo de cenoura
Onde eras a vela que me acendia
E procurava por mais que a cobertura
Dançando no pináculo da lua
Conforme eu dava passos arrastados
Pisava em seus pés
Gravidade improvisava um tornado de poeira contínua
Que foliava entre nossos sonhos
Escutando os clássicos de Jazz
Ensaiando, nós giramos
Em um furacão de lençóis limpos
Onde meu olfato era aguçado
Pelo seu perfume inusitado
De pão fresco, que combinava
Com os cânticos antiquados
Do nosso rádio vintage
No nosso encontro açucarado
Éramos estrelas da Broadway
Nosso amor confessado
Pelas luzes LED da Times Square
Sua chegada foi o Renascentismo
Para minha Europa fragmentada
Os vestígios da sabedoria
Fizeram este gigante de lata transmitir
Amor por ti em frequências de euforia
Os tabloides se colocavam em vigília
Pintavam seu conceito de família
Baseados nos seus dedos entre os meus
Adaptei suas feições em filme
Que repassava em minha imaginação
Seu sorriso desconcertado em movimento
O vento poetizando sua idealização
O momento do espetáculo começava
Seus olhos vivazes como um artista realizado
O público fixado em nós, não esperava
O escape das feras obscuras
A tenda colorida esbraseada de fogo prateado
No meio disso, o som do seu sapateado
Combinava com minha melodia cardíaca
E o caos que gritava para as ruas
Toda a magia interior
Se transformou em vagalumes
Seguidores na alvorada bicolor
Quando valsávamos para casa à noite
Oscilamos pelas eras desbotadas
Apenas nosso amor era imutável
Passamos pelos afros e calças coladas
E iremos até os capacetes de astronautas
Eu amo como você me ensinou a
Voar, viver, superar
Com você eu reaprendi a
Andar, correr, amar
A caixinha de música continuará tocando
E dou corda continuamente
Quando as suas emoções te impedirem de ver
Cantarei até seu corpo adormecer
Coreografias desajeitadas
Metáforas romantizadas
E eu, bailarino em arabesque
Farei a sua agonia desaparecer
Um soldadinho de chumbo
Que acastelou minha nação
Me consertou pedaço por pedaço, agora tocarei sucessivamente
Para o mundo
Para você.
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